Terça-feira, Julho 14, 2009

Artista "multi-racial"



Da raça dos que têm talento, da raça dos que dançam espectacularmente, entre outras. Uma espécie de homenagem que tinha ficado por fazer.

Domingo, Julho 12, 2009

What a stupid thing to say

Acabo de perder o respeito pela revista Intelligent Life, Life.Culture.Style, uma publicação associada ao The Economist (com boas referências, portanto). Tudo por causa de um deslize, um pormenor - coisas a que dou muita importância. Ora, uma revista que se chama Intelligent Life (IL) tem a obrigação de ser não menos do que perfeita, ou então será o cúmulo da pedantice.

A maior chamada de capa do último número da IL (Verão de 2009) remete para um artigo sobre o Genographic Project, que a partir da recolha de centenas de milhar de amostras de ADN de pessoas de todo o mundo está a desenvolver um estudo para explicar, basicamente, como é que do continente africano viemos parar aqui, onde quer que seja, com as nossas características fisionómicas (e etc.). No editorial, Tim de Lisle - ao contrário do que acontece com o The Economist, todos os textos na IL são assinados - faz uma introdução a esse artigo, onde a certa altura escreve: «Its subtext [do artigo] is that racism isn't just wrong, it's stupid. There are still many cultures, and of course there can be tensions between them. But if the word multicultural still makes sense, its sister multiracial doesn't.» (o bold é meu)

Esta última frase já teria por onde se lhe pegar, nomeadamente pela primeira parte, pois tenho ouvido dizer, da boca de quem se dedica a pensar nestas coisas e a quem reconheço autoridade, que o Multiculturalismo está ultrapassado, é um modelo que falhou, e que agora é a Interculturalidade que, digamos, está a dar. Mas adiante. É a segunda parte da afirmação, que diz que a palavra "multi-racial" já não faz sentido, que me interessa. Obviamente, concordo com o que é dito. Mas o editor pelos vistos não toma atenção nenhuma ao que escreve: umas páginas mais à frente, numa coluna assinada pelo mesmo Tim de Lisle, há vários destaques sobre bandas e concertos a ter debaixo de olho durante esta estação. Chegados aos TV on the Radio (uma das pouquíssimas bandas que me teria feito ir ao Festival Optimus Alive esta semana, caso me tivessem oferecido bilhetes, que fina que eu sou), é então que se dá o deslize: «TV on the Radio touring Europe, July 9th to August 2nd. Layers of intense, uplifting rock-soul from the multiracial Brooklyn quintet who have become one of the best bands in America.» Leram bem? «the multiracial Brooklyn quintet». Oh Tim, what a stupid thing to say!

Segunda-feira, Julho 06, 2009

Foram 15 minutos muito bem passados

O alinhamento cósmico parecia favorável. Na minha cabeça havia tempo para tudo: ficar no Portinho da Arrábida até às sete (onde não punha os pés há 10 anos), comer um peixinho ao jantar antes de regressar a Lisboa, ir a casa tomar um banho e por fim... enganei-me, redondamente, cheguei tarde e a más horas. Dos vários concertos que vi este fim-de-semana (em geral todos bons, com destaque para a maravilha da Orquestra Imperial ontem), em 3 dias consecutivos, quase perdi na íntegra o mais-que-tudo Konono nº1, sábado à noite, salvando-se apenas o encore, ao som do qual dancei como se fosse o último. E não é que era mesmo.

Segunda-feira, Junho 29, 2009

História Natural



Desde que (ou)vi este vídeo, não penso noutra coisa.

Honoris causa para o Daniel

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Leh Jani (?)



Desde meados dos anos 90 que a música de Omar Souleyman (na foto) se vende que nem pãezinhos quentes, em cassetes, nas ruas da Síria, diz a editora Sublime Frequencies. Omar Souleyman é uma estrela longe do Ocidente e anda agora pela primeira vez em digressão na Europa. Segundo o calendário do MySpace SF, começaram no dia 27 de Maio, em Manchester, e passam hoje pelo Festival Sonar (Barcelona) que apresenta este ano um cartaz bestial incluindo Grace Jones, Animal Collective, James Murphy & Pat Mahoney (LCD Soundsystem disco set), La Roux, Buraka Som Sistema, Mulatu Astatké and The Heliocentrics, entre muitos outros, só para citar aqueles que eu conheço.

No próximo domingo, 21 de Junho, a fechar esta ronda europeia de concertos Sublime Frequecies (colaboração Filho Único), os teclados infernais e a voz de Omar Souleyman vão fazer-se ouvir no anfiteatro ao ar livre do Jardim Gulbenkian, às 19h. Vejam este vídeo e deixem-se intoxicar (a música como droga leve). Leh Jani...

Quinta-feira, Junho 18, 2009

Simplex

Se está a pensar criar uma empresa (na hora) com o nome "Paelha d'Oportunidades", esteja à vontade, porque essa firma ainda não foi tomada. Basta consultar a lista (letra P) para conferir a disponibilidade.

Quinta-feira, Junho 11, 2009

Chelsea Drug Store

How much Stanley Kubrick trivia can you stand?
(um link para quem gosta de História da Música Pop)

Violência gratuita



Pode-se fazer humor com tudo... menos com a música clássica nos filmes do Kubrick!

...for now it was lovely music that came to my aid. There was a window open with the stereo on - and I viddied right at once what to do.

(Rossini para o Bruno Vieira Amaral)

Os rapazes iranianos

Chega a ser cruel, tendo em conta que as miúdas iranianas são sempre obrigadas a andar no espaço público de cabeça coberta (quer gostem quer não), chega a ser cruel, dizia eu, observar o resultado do empenho, o tempo e a energia que os rapazes iranianos (na faixa dos 15-25, sobretudo) empregam no seu cabelo. Numa semana vi os penteados mais incríveis, já para não falar do outfit completo (que não raras vezes incluía maquilhagem). Infelizmente, nunca tive oportunidade de fotografar - tendo como referência The Sartorialist - nenhum desses rapazes muito, digamos, coloridos (não podem ser todos "gay"; aliás, oficialmente não existem homossexuais no Irão...). Mas encontrei um desses (modestos rapazes) neste vídeo da Reuteurs. É um padeiro apoiante de Mousavi (o candidato "bom", por oposição a Ahmadinejad, o "mau"), como indicam as pulseirinhas verdes, e é vê-lo a aparecer aos 28 segundos da reportagem "Iran campaigning heats up" (9 de Junho). As próximas eleições presidenciais da República Islâmica do Irão
são amanhã. Boa sorte.

Terça-feira, Junho 09, 2009


Sem som, sente-se apenas a elevação. Com som, plana-se.

Domingo, Junho 07, 2009

Thy lips are warm



Das trinta e tal curtas (demasiadas) que compõem o filme "Chacun son Cinéma" (em Lisboa só pode ser visto no Corte Inglés), a minha preferida é a que Abbas Kiarostami realizou, "Where is my Romeo?". Shakespeare, watch and weep. O happy dagger!

Também gostei, muito especialmente, da curta de Aki Kaurismäki, em que os operários de uma fundição vão ao cinema ver La sortie des usines Lumière (se não estou em erro), aquele que é considerado o primeiro filme comercial de sempre; da curta de Manoel de Oliveira (um Senhor), que filma um encontro entre Krutchev e o "Camarada" Papa (interpretado por Bénard da Costa), saindo - muito bem - completamente fora do baralho, pela originalidade e imprevisibilidade; da curta de Roman Polanski, "Cinéma érotique", que é divertida, sem pretensões; das curtas dos asiáticos, em geral, gostei de todas, sempre delicadas; a curta de Gus Van Sant, a roçar o kitsch, dá uma volta engraçada ao lugar comum "dei-o-meu-primeiro-beijo-no-cinema"; da curta de David Cronenberg, "At the Suicide of the Last Jew in the World in the Last Cinema in the World", gostei porque ele é maluco (e, tudo indica, judeu); finalmente, gostei da curta "Happy Ending", de Ken Loach, em que pai e filho desistem de ir ao cinema ver uma merda qualquer e decidem mas é ir ver a bola.

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