Domingo, Maio 18, 2008

Prémio da montanha



"Ain't No Mountain High Enough", por Marvin Gaye e Tammi Terrell, é a música que eu gostava que me dedicassem.

Entre muitos outros singles de sucesso, foi uma das primeiras canções que Nickolas Ashford e Valerie Simpson escreveram para a Motown, depois de entrarem para a editora na segunda metade da década de 60. (Sim, estamos a falar da dupla que nos anos 80 ofereceu ao mundo "Solid", uma coisa dificilmente classificável, que se colava ao ouvido. O teledisco, esse então, é inenarrável.)

The duo [Ashford and Simpson] continues to write and score today. They are given credit for their writing talents on the Amy Winehouse 2007 CD "Back to Black" for the single Tears Dry On Their Own. The track is based on Marvin Gaye and Tammi Terrell's 1967 Motown classic hit Ain't No Mountain High Enough. (Wikipedia)

The power of love and personal matters

They cost as much as football players but are likely to be a far wiser investment. In the week that saw two record-breaking sales of paintings by Lucian Freud and Francis Bacon, a new collector has been revealed. Roman Abramovich, the Russian tycoon and owner of Chelsea football club, is the mystery buyer of the two paintings, according to reliable sources.

While Abramovich is better known for studying the sometimes patchy form of the players he buys, experts say that the $120m (£61.4m) buying spree suggests that he has found a new enthusiasm. His inspiration is likely to be his model girlfriend Daria "Dasha" Zhukova, who has recently spoken of her desire to open a contemporary art gallery in Moscow.(...)

Abramovich, worth an estimated £11.7 billion in The Sunday Times Rich List this year, announced his split from Irina, his second wife, last year.

He is now in a relationship with Zhukova, the 25-year-old daughter of a former cinema projectionist who then made his fortune as an oil trader.

Zhukova has launched her own fashion label while studying homeopathy in London. Despite her reputation as a socialite, she is said to prefer a quiet night at home and is an art enthusiast.

One of her projects, to transform a 1920s bus garage in Moscow into a gallery for contemporary art and culture, is expected to be launched next month. Amy Winehouse is reported to have been offered about £1m to sing at the event.

Asked about the purchases, a spokesman for Abramovich said: "We do not comment on personal matters."


Notícia de hoje no Times Online

Sábado, Maio 17, 2008

Boring! (pub)

All about eyes (pub)

Diz-me um amigo blogger (com tendência casamenteira) que se tivesse os meus olhos verdes (a verdade é que pouca gente neles repara) os mesmos seriam referidos post-sim, post-não. Ora, uma única vez parece-me suficiente. (E é só para te fazer a vontade...)

Quase 31 (pub)

Por esta altura em 2007 os sapatos eram de verniz vermelho, também da Camper. Este ano apenas variei no modelo e na cor, azul petróleo. São os únicos saltos (de borracha) em cima dos quais me aguento com dignidade sobre a calçada portuguesa em geral, e sobre a do meu bairro em particular.

Era A Mancha Humana, de Roth (excelente), e Balzac (aborreci-me e abandonei o livro a meio). Este ano ando metida com Tolstoi, alternando com Ela e Outras Mulheres, de Rubem Fonseca (ótimo). Vamos tomar um drinquinho (p.75) para celebrar o acordo ortográfico? Estou brincando... eu nem aprovo.

Bit of good froggy French there

Já manifestei junto de autoridades competentes alguma estranheza quanto à tradução para inglês que ando a ler do colosso Guerra e Paz (está para durar, que eu leio devagar e ainda tenho mais três volumes e um epílogo pela frente). Diz que é assim e que deverá estar muito bem. Não duvido que Tolstoi tivesse sentido de humor linguístico, mas gostava de saber até que ponto esta tradução do século XXI, de um texto que se reporta ao início do século XIX, potencia essa graça. (Só aprendendo russo, suponho, hipótese que não descarto porque foi um língua que sempre me fascinou.) Escrevendo como se fala, desde o capitão que não diz os erres ('Wotten luck?') até ao oficial que exclama 'What the...' (sem que o 'fuck' chegue a ver o branco da folha), passando por:

'Bonaparte...' Dolokhov began, only to be interrupted by the Frenchman.
'Don't you say Bonaparte. He is the Emperor! His name is sacred!' came the angry shout.
'Damn and sod your Emperor!' And Dolokhov cursed like a soldier in his vilest Russian, before shouldering his gun and walking away.
'Come on, Ivan Lukich,' he said to his captain, 'let's go.'
'Bit of good froggy French there,' said the soldiers down the line.
'Come on, Sidorov, your turn!' Sidorov winked at them, turned to face the French and began to gabble strange words as fast as he could.
'Kari mala tafa safi muter kaska!' he rattled out, trying to embellish his message with the most expressive intonation he could manage.
The Russian soldiers burst into a great roar of happy, hearty laughter, and the French line took it up so spontaneously that you would have thought the only thing to do now was to unload the guns, blow up the ammunition and get back home as soon as possible. But the muskets remained loaded, the marksmen's slits in buildings and earthworks stared out as ominously as ever, and the big guns stood ready ranged againt each other.


Final do Capítulo 15, Parte II, Volume I.

Sous le link, la plage

Um agradecimento (atrasado) à Sofia, do Controversa Maresia, por ter mantido o meu blogue na categoria "praia vigiada" durante cerca de duas semanas. Um luxo, poder mergulhar-se aqui em segurança enquanto não abre a época balnear.

Domingo, Maio 11, 2008

Retrospectiva


Gustave Courbet, La Vague, 1869

Não é um soixante-huitard (do séc. XIX), mas foi um communard.

O locus político no baixo ventre

Com o 40º aniversário do Maio de 68 em destaque, um dos artigos da Artforum deste mês versa sobre uma publicação que surgiu em 69 (coincidência inocente), em Amesterdão, no rasto deixado pelo clamor de libertação, a todos os níveis, dos jovens parisienses. Chamava-se SUCK. Alguns orgasmos depois, em 1971, conta o artigo que surge a FHAR - Front Homosexuel d’Action Révolutionnaire. Chegados aqui, o que tem graça é um dos slogans (em inglês) deste movimento, fiel ao espírito marxista, em consonância com a «revolução das palavras» (como lhe chama Pedro Mexia na crónica de ontem).

Então é assim: Workers of the World, Fondle Yourselves!*

*Trabalhadores de todo o mundo, acariciem-se!

A Fonte de Courbet



Que rabiosque tão deliciosamente realista.

Sábado, Maio 10, 2008

Frustração relativa

Quando se é mulher às vezes não se consegue ser outra coisa.

Eufemismos

«Então, certa tarde, veio ter comigo, numa festa, uma mulher em avançado estado de imponderabilidade. Tinha tão pouca substância que a brisa corria através dela, como através de uma cortina. A leve substância de que era composta estava, contudo, maravilhosamente bem distribuída e organizada.»

(José Eduardo Agualusa na revista Pública, crónica de 4 de Maio de 2008)


Gustave Courbet, La Femme au Perroquet, 1866

Bird watchin'

À saída do CCB esta terça-feira, depois de assistirmos ao ensaio-geral de Masurca Fogo, em noite quente e com a plateia do grande auditório quase cheia, o meu amigo comentava: «Vêem-se sempre miúdas giras nos espectáculos de dança contemporânea.»

Quinta-feira, Maio 01, 2008

Vem aí a Pina



Cafe Müller
Direcção e Coreografia de Pina Bausch
Música de Henry Purcell
Cenário de Rolf Borzik
Estreia: 20 de Maio 1978, Wuppertal, Alemanha

Domingo, Abril 27, 2008

Eterno retorno

Descubra as diferenças

Sábado, Abril 26, 2008

French kissin'



I want to be a playboy's bunny...
I want to be a topless waitress...
I want to be an artist's model (an odalisque, au naturel)
I want to be a cobra dancer...
I want to be a brothel worker...
I want to be a dominatrix (which isn't like me, but I can dream)
I want to be a porno starlet...


I want to be a tattooed lady
dedicated, as I am, to art
Characters bold, complex and shady
will write my memoirs
across my heart.



The Nun's Litany (Distortion, 2008)

S & m

Sofre-se muito.

Terça-feira, Abril 22, 2008

Sair do armário

NÃO GOSTO DE LEONARD COHEN. (E os meus pais perguntar-se-ão: «Mas onde é que nós errámos? Onde é que nós errámos?»)

Pedro, a.k.a. Irmão Lúcia, estou contigo!

Ontem vi um bigode extraordinário


Canções a abrir

& The Bad Seeds

(aplausos no Coliseu)

Domingo, Abril 20, 2008

Da obsolescência

and it's getting strange in here
it gets stranger every year

...

don't it make you feel so sad
don't the blood rush to your feet
to think that everything you do today
tomorrow is obsolete
technology and women
and little children too
don't it make you feel blue


Nick Cave, More news from nowhere (2008)

Actualidade nacional

Bem condensadinha:

Onde estão os Aguiares Brancos e os Passos Coelhos do Benfica?
Fernando Santos em O Jogo, citação no Público de ontem

Dedicá-la-ia aos meus amigos na "diáspora", não fosse tudo isto tão irrelevante.

Dás-me lume?


(clicar sobre a imagem para ler a tirada poético-decadente-chic-rock)

Deixar de fumar não tem *glamur* nenhum, mas... os meus lábios estão mais cor-de-rosa.

*no âmbito de um acordo ortográfico que fiz comigo própria*

Não custa nada

Quinta-feira, Abril 10, 2008

Pssst


Não fumo há mais de um mês.


Cat Power, After it all

A máquina da roupa

Não pára. De um dia para o outro, envio sms a perguntar se há novidades. Tenho a certeza que sim e não me engano. Ela responde com a promessa de revelar tudo em breve, acrescentando apenas que «as coisas acontecem a uma velocidade estonteante» (cuidadinho) e que está «metida numa máquina da roupa». Resta agora saber em que programa.

Newsletter

The Magnetic Fields, back from nearly a four-year hiatus from touring, are traveling once again to Europe. They are pleased to announce that they are preparing a short string of European dates kicking off this June. Confirmed markets so far include Spain, England, Sweden, and Portugal, with more to come shortly. Regular updates -- including information on additional tour stops -- will be posted to houseoftomorrow.com.

Foste a quinta sinfonia

O ambiente no Maxime, quase familiar, convidava. O Tiago era cabeça-de-cartaz (num formato próximo do que eu já tinha visto no Musicbox), mas a grande surpresa da noite de ontem foi a actuação de abertura do Samuel Úria ("cantautor"), a solo. Absolutamente brilhante. Hesito em chamar-lhe concerto. Ele escreve, ele canta, ele embala-nos com a guitarra, ele é o máximo. Digamos que se tratou de uma intervenção ("stand-up") musical, a todos os níveis, repito, brilhante. Bravo!

No entanto, devo eventualmente um pedido de desculpa aos espectadores que se encontravam do lado esquerdo da assistência. Lamento se incomodei alguém com o meu riso incontrolável no momento em que pudemos ouvir o Samuel a tocar o "hit" de Paco Bandeira Minha 5ª Sinfonia (no Youtube). Especialmente nesta parte:

Foste estrela de cinema
Minha dama de Xangai
Hiroxima meu amor
A minha grande ilusão
Eras fúria de viver
Quanto mais quente melhor
Grande amor da minha vida
Senso, silêncio, paixão
Buñuel, Fellini, Truffaut
Foste luzes da ribalta
Música no coração
E tudo o vento levou


Impagável.

Terça-feira, Abril 08, 2008

Every blogger's library



Clássicos de 1400 páginas: tenho tantas saudades tuas, que até comprei o Guerra e Paz. É fazer as contas.

Domingo, Abril 06, 2008

Moralidade duvidosa



Elle: Je suis d'une moralité douteuse.
Lui: Qu'est-ce que tu appelles être d'une moralité douteuse ?
Elle: Douter de la moralité des autres.

Alain Resnais / Marguerite Duras

Contrição

Tenho 30 anos e vi hoje pela primeira vez Hiroshima Meu Amor.

"I think that in a few years, in ten, twenty, or thirty years, we will know whether Hiroshima Mon Amour was the most important film since the war, the first modern film of sound cinema." That’s Eric Rohmer, in a July 1959 round-table discussion between the members of Cahiers du Cinéma’s editorial staff, devoted to Alain Resnais’ groundbreaking first feature. Rohmer’s remark is in perfect sync with the spirit of the film, which, as he says later in the discussion, "has a very strong sense of the future, particularly the anguish of the future." (...)

Sábado, Abril 05, 2008

Mr. Berman, please



Perdido por cem, perdido por mil. Inglaterra, Escócia, Irlanda, Alemanha, França... E que tal dar um pulinho a Portugal? É que este ano temos poucos concertos bons em que gastar dinheiro.

Por aqui já ouvimos Lookout Mountain, Lookout Sea [disco "novo" que ainda não está à venda] mas também não vamos emitir juízos de valor, até o ouvirmos mais 100 vezes, no mínimo.

Knots

Pitchfork: When you're not recording, do you have a daily routine?

David Berman: I read a lot. I read, like, ten hours a day.

Pitchfork: Sounds perfect.

David Berman: I figure that's what I'm supposed to do when I'm not working. I think that I'm supposed to keep learning, in order to be useful in the event of an emergency, I don't know. I still have to learn how to make knots and all of that stuff. And why France collapsed so easily in 1940. There's a million things I have not caught up to. I spend a lot of time reading, a lot of time reading the Torah and Jewish texts, Jewish history. For about a year, I haven't read any fiction. It just strikes me as completely irrelevant.

em entrevista publicada esta semana

Sexta-feira, Abril 04, 2008

Ao vivo e a cores**



* Passe a (óptima) publicidade, sempre. *

Não se é Rainha da Pop ao acaso

She spoke of the music business: "Well, there's one thing you can't download and that's a live performance. And I know how to put on a show, and enjoy performing, and I'll always have that." Madonna na Vanity Fair

Quarta-feira, Abril 02, 2008

Tic tac



Não sou nada "timberlakeana", mas os minutos pirateados que ouvi de Hard Candy (no iutúbe) puseram-me a dançar à primeira. É sempre bom sinal. Ou o Justin que se atrevesse a fazer porcaria para o novo disco de Madonna, a lançar no final de Abril. Ela comia-o vivo.

Terça-feira, Abril 01, 2008

Rosy sugar-candy

Pózinho. Até cerca das 9h08 da manhã do dia de hoje, nunca, que me lembre, tinha ouvido falar de John Ruskin (1819-1900). Estava à espera que o multibanco largasse o meu dinheiro e O Poder do Pó saltou-me à vista no escaparate da livraria ao lado. Pensei que se tratasse de um estudo sobre toxicodependência nas classes altas, mas não. O título do livro prolongava-se:
O Pensamento Social e Político de John Ruskin.
- Quem?

Nada que a Internet (amo-te tanto, Internet) não resolva.

(...)
LECTURE 2.

THE PYRAMID BUILDERS

In the large Schoolroom, to which everybody has been summoned by ringing of the great bell.

LECTURER: So you have all actually come to hear about crystallization! I cannot conceive why unless the little ones think that the discussion may involve some reference to sugar-candy.

(Symptoms of high displeasure among the younger members of council. ISABEL frowns severely at L., and shakes her head violently.)

My dear children, if you knew it, you are yourselves, at this moment, as you sit in your ranks, nothing, in the eye of a mineralogist, but a lovely group of rosy sugar-candy, arranged by atomic forces. And even admitting you to be something more, you have certainly been crystallizing without knowing it. Did not I hear a great hurrying and whispering ten minutes ago, when you were late in from the playground; and thought you would not all be quietly seated by the time I was ready:--besides some discussion about places--something about "it's not being fair that the little ones should always be nearest?" Well, you were then all being crystallized. When you ran in from the garden, and against one another in the passages, you were in what mineralogists would call a state of solution, and gradual confluence; when you got seated in those orderly rows, each in her proper place, you became crystalline. That is just what the atoms of a mineral do, if they can, whenever they get disordered: they get into order again as soon as may be.

I hope you feel inclined to interrupt me, and say, "But we know our places; how do the atoms know theirs? And sometimes we dispute about our places; do the atoms--(and, besides, we don't like being compared to atoms at all)--never dispute about theirs?" Two wise questions these, if you had a mind to put them! it was long before I asked them myself, of myself. And I will not call you atoms any more. May I call you--let me see--"primary molecules?" (General dissent indicated in subdued but decisive murmurs.) No! not even, in familiar Saxon, "dust"?

(Pause, with expression on faces of sorrowful doubt; LILY gives voice to the general sentiment in a timid "Please don't.")

THE ETHICS OF THE DUST: TEN LECTURES TO LITTLE HOUSEWIVES ON THE ELEMENTS OF CRYSTALLIZATION (1875), by JOHN RUSKIN

Domingo, Março 30, 2008

Não se acanhe



(clique sobre a imagem para ver melhor)

Sábado, Março 29, 2008

Sarcasmo hardcore

- O que é que achas da misoginia?
- Está calada e despe-te.


Sarah Charlesworth
Figures, 1983 (da série Objects of Desire)

Aleatoriedade precisa

Os critérios para ordenar alfabeticamente os links que tenho andado a colar na coluna aqui ao lado são do próprio Blogger (user friendly). Os critérios poderiam ser meus, mas optei por não estar a perder tempo com tarefas que dispenso, tais como conferir se não me enganei no abecedário ou decidir se os títulos que começam com artigo definido "A" devem vir antes ou depois disto ou aquilo... já viram a chatice que seria? Assim está muito bem. Calhou, por exemplo, que E Deus Criou a Mulher fosse seguido de Esse Cavalheiro. Encantada.

Quinta-feira, Março 27, 2008

Commedia dell' arte



Tem graça (digo eu). Hoje quando estava na Cinemateca a ver La Magnani, a força da natureza, a actriz que Bénard da Costa adjectiva de "inadjectivável" no filme de Jean Renoir (The Golden Coach/Le Carrose d'Or/La Carozza d'Oro/A Comédia e a Vida, 1952), logo ao início quando ainda corria o genérico e só se ouvia a música de Vivaldi, pensei que ao aviso sonoro "por favor, desligue o seu telemóvel", devia acrescentar-se "é proibido conversar, comer ou levar sacos de plástico para dentro da sala". Pensei isto porque, como de costume, infelizmente, uma ou duas filas atrás de mim, alguém mal ocupou um lugar já estava a fazer barulho sob uma das três formas que acabo de enunciar. Entretanto o filme propriamente dito começava, mas ainda tive tempo de reflectir sobre o seguinte: o que pode o Pedro Mexia fazer para eliminar este incómodo? A acção decorria no ecrã, portanto tive de concluir brevemente, respondendo à pergunta que eu própria me tinha colocado: nada. O Pedro Mexia não pode fazer nada, porque não foi nomeado Educador para os Espectadores-Que-Não-Têm-Noção da Cinemateca. Não há nada a fazer. Concentra-te no filme, Sara, e abstrai-te do resto.

Gostei muito é quase tudo o que tenho para dizer. Quase, porque antes de me ir deitar ainda quero referir uma das cenas do filme, já que hoje é Dia Mundial do Teatro, não é assim?

Anna Magnani interpreta a actriz principal de uma trupe de commedia dell' arte que no século XVIII parte da Europa para o Perú, para o "novo mundo" - há alguém que a certa altura lança a interrogação «então que tal lhe parece o novo mundo?» e o outro alguém questionado responde, «ficará óptimo, assim que esteja finalizado» - e quando a companhia chega à terra que lhes parece ficar no fim do mundo, têm eles próprios de reconstruir um teatro em ruínas, contraindo dívidas que esperam poder saldar com as receitas de bilheteira. Mas, mas. Quem cobra as entradas é um agente oportunista explorador. Depois da primeira apresentação, com sala cheia de povo e alguns ilustres e grandes aplausos, Camilla (Magnani) e os outros actores espantam-se com a miséria que encontram na caixa. O patife explica: «É que aos Nobres fica mal pedir dinheiro; o Povo é pobre, não se lhe pode cobrar nada; só dá para vender bilhetes à Burguesia, como eu e pessoas do meu círculo. Ora, eu não vou exigir dinheiro aos meus amigos, era o que mais faltava!» Uma cultura lixada.

Quinta-feira, Março 20, 2008

Colecção Grandes Cabeças


Milton Glaser, 1968 * MoMA

cf. »»» one of Dylan's first 'electric' pieces, Subterranean Homesick Blues was also notable for its innovative film clip »»»

(...)
Ah get born, keep warm
Short pants, romance, learn to dance
Get dressed, get blessed
Try to be a success
Please her, please him, buy gifts
Don't steal, don't lift
Twenty years of schoolin'
And they put you on the day shift
Look out kid
They keep it all hid
Better jump down a manhole
Light yourself a candle
Don't wear sandals
Try to avoid the scandals
Don't wanna be a bum
You better chew gum
The pump don't work
'Cause the vandals took the handles.

Cartucho disparado, cartuxo reciclado

(...)
m diz:
terei o cuidado de estar atento e dar o meu veridito quanto a essa situação
veredito... é assim não é?

Sara diz:
veredicto
quer dizer, com a nova ortografia...

m diz:
foda-se, a lingua portuguesa é impossivel
eu proporia que depois de Portugal completar o acordo ortografico com o Brasil, o Brasil e Portugal abrissem negociações para fazer um acordo ortográfico comigo

Sara diz:
ehehehe

m diz:
isto dava um bom post

Sara diz:
dava sim senhor

m diz:
infelizmente foi gasto aqui
cartucho disparado, cartuxo gasto

Sara diz:
foi muito bem gasto!

m diz:
exacto, exacto
não queria desmerecer o espaço, peço desculpa pela indesculpavel indelicadeza
(...)