terça-feira
domingo
Suplemento imobiliário
Qual a tipologia do imóvel a cujas imagens seguintes se referem?


Tipologia infernal.
(Esta coisa está de facto à venda. Se andarem à procura de casa em Lisboa pela internet, é muito provável que se cruzem com isto. Fica o aviso. Aquilo será um berço na sala-de-jantar? Credo.)
posted by sara at 23:35
sexta-feira
Não vi mas gostei

«Na mudança do milénio, a tradição e a modernidade confrontam-se neste filme que narra a história de uma família italiana da alta burguesia industrial de Milão, cuja vida se desfaz. Emma (Tilda Swinton), a distinta matriarca da família Recchi, é uma imigrante russa que adoptou a cultura milanesa. Vive mergulhada no seu mundo meticuloso e cuidadosamente ordenado, presa aos deveres e aos valores da família. No cenário ritualista da sumptuosa Villa Recchi, festeja-se o aniversário do patriarca que construiu o império familiar e que vai anunciar o seu plano de sucessão na presença do filho Tancredi, marido de Emma, e dos netos Elisabetta, Edoardo e Gianluca. A visita surpreendente de António, amigo de Edoardo, um jovem elegante e chefe de cozinha, prenuncia a desordem. Numa série de transgressões, aparentemente inócuas, o ambiente e as maneiras vão-se alterando. A existência de Emma é abalada quando se apaixona por Antonio, desencadeando consequências trágicas no seio da família. Um filme complexo que remete o espectador para a tragédia King Lear, de Shakespeare, e para a iconografia aristocrática dos filmes de Visconti.»
Io Sono l'Amore, de Luca Guadagnino
Hoje, 21h45, Cinema São Jorge
posted by sara at 17:37
segunda-feira
Um poder irresistível
Não interessa que não seja um grande documentário (será? - não sabemos). É sobre Stephin Merritt & The Magnetic Fields, no Indielisboa, projecção única dia 29 de Abril (quinta-feira), à meia-noite, no Cinema São Jorge. Vão planeando a vossa vidinha, comprem os bilhetes, arranjem baby-sitter, bebam cafés para se manterem acordados, mas não se distraiam.
posted by sara at 14:30
Vai-se a inocência toda (ii)
Acho ofensiva a sugestão de que, às 20 semanas de gravidez, eu possa estar a confundir os movimentos do meu filho in utero (como se fossem borboletas na barriga) com, e passo a citar, «gases». Toda a gente sabe que as mulheres não têm gases - sobretudo as que se encontram em «estado de graça», ora!
posted by sara at 13:32
domingo
Vai-se a inocência toda
Estou naquela fase da vida em que uma pessoa se apercebe que o status também se mede pelo diâmetro das rodas do carrinho do bebé: quanto maior, mais caro. (Nunca antes tinha reparado que os carrinhos de bebé não são todos iguais.)
posted by sara at 23:54
quarta-feira
terça-feira
quarta-feira
Mad Men

Os anúncios com Tiger Woods deixaram de aparecer nos espaços publicitários das estações televisivas norte-americanas, depois do famoso golfista ter confessado estar envolvido num caso extra-conjugal, segundo noticia a agência noticiosa Bloomberg. De acordo com a notícia, dados da Nielsen apontam que o último anúncio protagonizado por Tiger Woods foi emitido a 29 de Novembro. Antes do golfista ter sofrido um acidente de viação e ter admitido publicamente o caso extra-conjugal. Entre os contractos publicitários de Woods estão marcas como a Gillete, a Accenture, a Nike, a Pepsi, a Tag Heuer e a Electronic Arts. (fonte: Briefing)
E o cartaz acima deveria ser imediatamente reconhecido pelo leitor, mesmo que desprevenido. Faz parte do portfolio da Sterling Cooper, a agência de publicidade de Mad Men (RTP2, sextas-feiras, 22h40) que, como diz o Sérgio, é a melhor série de todos os tempos actualmente.
posted by sara at 18:44
domingo
Interpretação dos sonhos

da série "Não tem que me contar seja o que for"
Exposição de Jorge Molder até 27 Dez, na Fund. Gulbenkian
Entrada livre.
posted by sara at 19:45
sexta-feira
O triunfo da vontade
Não se pode obrigar o Eduardo a escrever. Mas mesmo que se pudesse, não valeria a pena, porque nunca sairiam posts tão bons como este. Portanto contentemo-nos com a frequência com ele que escreve: quando lhe apetece. Bem-vindo de volta à (minha) blogosfera.
posted by sara at 21:21
segunda-feira
sexta-feira
Os bichos
«Certos livros foram escritos quase todos de noite ao ar livre, enquanto a floresta mediterrânea mexia em volta e passavam morcegos e havia corujas e quase se sentia o estalar das mandíbulas dos animais enquanto se devoravam uns aos outros. Já em miúdo passava muito as minhas férias no Alentejo.»
Mário de Carvalho, em entrevista hoje ao Jornal de Negócios. Também está de parabéns, gosto muito dos livros dele.
posted by sara at 15:40
Assuntos temporários

Não sei se o Pedro Lomba anda preocupado com a catástrofe ambiental que aí vem devido ao excesso de pesca do atum - é que qualquer dia acaba-se o sushizinho, meu caro - e é do conhecimento público de que o Pedro é giro (com ou sem barba). Mas o facto é que houve um upgrade fotográfico notável com a sua transferência do jornal i para a contra-capa do Público. Estamos todos de parabéns, incluindo a Bárbara Reis.
posted by sara at 11:47
quarta-feira
Uma imensa gargalhada
(...)On nous dit aujourd’hui qu’on est dans la crise et que la crise va changer complètement l’univers de la consommation. Je n’en crois pas un mot.(...)La marchandisation des besoins, des désirs, ne s’arretera pas. Elle va au contraire se planeteriser. Allez parler de decroissance et de deconsommation aux chinois et aux indians, et vous obtiendrez une immense éclat de rire! Ils veulent y entrer et ils y entreront. La marchandisation du monde est ineluctable.(...) - Gilles Lipovetsky, 27/10/2009.
posted by sara at 15:03
Mudam os tempos

The [British] government identified 10 suitable sites for the next generation of nuclear power plants yesterday [9/11], including two new locations, as part of a plan to overhaul Britain's ageing energy infrastructure.
Uma notícia que vi ontem sub-desenvolvida no jornal i, em rodapé (e que nem sequer aparece nos conteúdos do site).
posted by sara at 11:42
Em 2020 o barril de petróleo vai chegar aos 100 dólares
...mais um blogue de uma gaja que, também tipicamente, não reflete sobre a fragilidade da democracia...
Ainda não percebeu o estimado maradona que "os blogues de gaja" são, em si mesmos, uma típica fragilidade da democracia?
Nota: em 2020 o sitemeter do meu blogue vai chegar à média de 2 visitas diárias, uma à procura de nudez masculina (actualmente tenho um post em 9º lugar no ranking de pesquisas no google), e a outra visita por engano.
posted by sara at 11:16
sexta-feira
terça-feira
da Felicidade não reza a História
Periods of happiness are empty pages in history, for they are the periods of harmony, times when the antithesis is missing.
Hegel citado hoje pelo Prof. Viriato Soromenho-Marques (um comunicador nato, de quem sou absolutamente fã), numa conferência sobre a Crise Global do Ambiente.
posted by sara at 12:24
segunda-feira
Arts & Letters

Calle got an email from a lover, dumping her. She asked a team of women – all experts in their professional fields – to respond to it. Each woman interprets the letter from her point of view: a jurist analyses it as the termination of a contract, a translator examines its grammar, a composer turns it into music.
Na exposição de Sophie Calle Talking to Strangers, Whitechapel Art Gallery, em Londres (via The Guardian).
posted by sara at 14:24
sexta-feira
Nobel da Oportunidade
Comentário de L., cheio de sono, ontem à noite, depois de assistirmos ao documentário sobre Roman Polanski na RTP2 (durante o qual L. esteve grande parte do tempo a dormir):
«Não te preocupes, o Obama resolve.»
posted by sara at 17:01
terça-feira
Tout court
Errata: alterei o título do post anterior de "Sobre o sistema judicial" para "Sobre o sistema".
posted by sara at 20:02
Sobre o sistema
Será que o estatuto de celebridade de Polanski lhe proporcionou algum tipo de refúgio, como já se ouviu dizer?(...)A "celebridade" de Roman Polanski não o está a proteger; está a prejudicá-lo. Não se trata de Polanski se estar a esconder por detrás do nome; é precisamente o nome que atrai a atenção sobre a sua pessoa. A presença do realizador no tribunal configurará mais um carnaval político-mediático que um julgamento justo.
Excerto de um artigo de opinião de Bernard Henri-Lévy, publicado hoje no jornal i, através do qual fiquei a saber que Charles Manson, que assassinou (brutalmente) a mulher (grávida) de Polanski em 1969, vai sair em liberdade condicional no início do próximo ano.
posted by sara at 11:23
sexta-feira
segunda-feira
sexta-feira
Artwork of the day

Designer Miguel Adrover (b. Spain, 1965)
I Love New York, Dress, 2000
The Metropolitan Museum of Art, New York
posted by sara at 15:56
segunda-feira
Publicidade
Não sabemos o que é que a manobra de Verão do 31 da Armada fez pela causa monárquica (nada?), mas agora já ficamos a saber o que fez pela carreira profissional do seu principal interveniente, Rodrigo Moita de Deus.
posted by sara at 15:48
quinta-feira
Interesting (ii)
(...)The strongest, most successful move against beauty was in the arts: beauty - and the caring about beauty - was restrictive; as the current idiom has it, elitist. Our appreciations, it was felt, could be so much more inclusive if we said that something, instead of being beautiful, was "interesting".
Of course, when people said a work of art was interesting, this did not mean that they necessarily liked it - much less that they thought it beautiful. It usually meant no more than they thought they ought to like it. Or that they like it, sort of, even though it wasn't beautiful.
Or they might describe something as interesting to avoid the banality of calling it beautiful. Photography was the art where "the interesting" first triumphed, and early on: the new, photographic way of seeing proposed everything as a potential subject for the camera. The beautiful could not have yielded such a range of subjects; and it soon came to seem uncool to boot as a judgment. Of a photograph of a sunset, a beautiful sunset, anyone with minimal standards of verbal sophistication might well prefer to say, "Yes, the photograph is interesting."
What is interesting? Mostly, what has not previously been thought beautiful (or good). The sick are interesting, as Nietzsche points out. The wicked, too. To name something as interesting implies challenging old orders of praise; such judgments aspire to be found insolent or at least ingenious. Connoisseurs of "the interesting" - whose antonym is "the boring" - appreciate clash, not harmony. Liberalism is boring, declares Carl Schmitt in The Concept of the Political, written in 1932. (The following year he joined the Nazi Party.) A politics conducted according to liberal principles lacks drama, flavor, conflict, while strong autocratic politics - and war - are interesting.
Long use of "the interesting" as a criterion of value has, inevitably, weakened its transgressive bite.(...)One calls something interesting precisely so as not to have to commit to a judgment of beauty (or of goodness).(...)It is a peculiarly inconclusive way of experiencing reality.(...)
Susan Sontag em An Argument About Beauty, ensaio do livro póstumo At the Same Time, Penguin, 2007.
posted by sara at 19:22
Interesting

Bruce Davidson, Two Gallery-goers at the Metropolitan Museum of Art, 1968. © Bruce Davidson, Magnum Photos
posted by sara at 18:33
quarta-feira
Felicidade pode ser...

... brincar à beira-mar com uma criança e um regadorzinho. «Vão nascer flores nos teus pés», dizia ela.
posted by sara at 00:31
segunda-feira
We care a lot, mas não somos omnipresentes
O João Bonifácio, hoje no Público, foi justamente generoso na apreciação ao Giro da Flor Caveira (grandes!), mas injustamente parco em elogios à actuação fabulosa dos Faith No More e ao incansável Mike Patton (vê-se que Bonifácio nunca gostou de FNM na adolescência e que não anda à procura do seu disco Angel Dust - terá ficado em casa dos meus pais quando me mudei?). Vai daí, acho que se impõe um pedido de desculpas formal da organização do Festival por ter feito coincidir na noite de sábado a última parte do Giro com o início do concerto dos FNM, obrigando pessoas de bem a correr o recinto de um extremo ao outro em poucos minutos, do palco não-sei-quê (mais pequeno) para o palco não-sei-quantos (maior). Foi a minha estreia no Sudoeste, aos 32 anos. Midlife crisis?
posted by sara at 23:57
Exposure

Berenice Abbott, James Joyce, 1926. © Berenice Abbott/Commerce Graphics Ltd. Inc.
Berenice Abbott opened a photographic portrait studio in Paris in 1926 after having worked for three years as an assistant to Man Ray, whom she had met in New York. Although her Paris portraits are indebted stylistically to Man Ray's, she brought to them a sympathetic eye that was very much her own. Her portraits of women are notable for their empathic understanding of her subjects, but she reached a depth of expression in her photographs of James Joyce (1882-1941). Abbott photographed Joyce on two occasions, the first in 1926 at his home, the second in 1928 at her studio, as was her more customary practice. In spite of Abbott's annotation on the back of the print, this portrait belongs to the earlier session, when Joyce was photographed both with and without the patch over his eye, worn because of his sadly degenerating sight. For this particular exposure Joyce removed the patch and held it, with his glasses, in his right hand; his forehead still bears the diagonal impression of the ribbon. This intimate portrait, with its softly diffused lighting, suggests the complex, introverted character of Joyce's imagination. It is with good reason that Abbott's are considered the definitive portraits of the author of "Ulysses" and "Finnegan's Wake."
posted by sara at 12:46
Com a devida distância

Walker Evans, Bathers in Ocean, From Elevated Position, Coney Island, New York, 1928-30. © Walker Evans Archive, The Metropolitan Museum of Art
posted by sara at 11:17
domingo
Um voto pode fazer a diferença
Nas próximas autárquicas não vou poder votar na minha "nova" freguesia, onde moro há 4 anos e 2 meses, mas da qual só faço parte oficialmente desde 30 de Julho de 2009. Ora a actualização dos cadernos eleitorais terminou a 27 de Julho. Por 3 dias, é galo. A Exma. Sra. Presidente da Junta (PS) não me dá um jeitinho?
posted by sara at 17:06
sexta-feira
quarta-feira
Pinga-amor (ii)
- Se o aeroporto fosse em Alcochete também me ias lá levar?
- Claro...
posted by sara at 15:22
terça-feira
Versos (quase) brancos
Traí a Sagres ao almoço com uma cerveja belga. Mas foi tão sem significado, nem me lembro do nome dela.
posted by sara at 18:01
quinta-feira
Pinga-amor
Estou aqui, estou a escrever poemas. Depois não digam que não avisei.
posted by sara at 16:13
terça-feira
Só prá namorá
Yara só gosta de ilha discreta pra namorar
Yara parece uma pilha ligada no cha cha cha
Levava os seus amantes pras loucuras em Paquetá
Brincava de troca-troca lá na ilha Porchat
Yara é uma garota de Cuba danada pra namorar
Fugiu com um brotinho pra Aruba antes de vir para cá
Strip-teases em Puerto Rico, nos cassinos de Trinidad
Fez do Amazonas seu Nilo; e de São Paulo, Bagdá
Yara Yarusha, Yara Yarusha, Yarusha sha sha
Yara Yarusha, Yara Yarusha, Yarusha sha sha
Yara Yarusha, Yara Yarusha, Yarusha sha sha
Só pra namorar!
(vídeo tosco da Orquestra Imperial ao vivo, mas com som a cumprir requisitos mínimos)
posted by sara at 11:22
segunda-feira
Multiculturalismo vs Interculturalidade
(...)Figurino social que vingou nas décadas de 60 a 90 do século XX, o multiculturalismo foi bem sucedido na Holanda ou na Inglaterra e em cidades como Amesterdão, Londres, Marselha, São Paulo, Nova Iorque ou Hong Kong, cujo cosmopolitismo se deve à diversidade inerente à sua condição de cidades multiculturais. Como conceito operativo serviu, durante muitos anos, para definir sociedades (em particular, cidades) enquanto lugares de convivência de múltiplos grupos de origens étnicas e culturais diferentes; todavia, o conceito não iria além desta dimensão de co-habitação mais ou menos pacífica(...)
Ian Buruma, escritor anglo-holandês e professor em Nova Iorque, por exemplo, considera que o problema dos defensores do multiculturalismo foi nunca terem concebido a passagem da comunidade cultural para uma comunidade política; já para o filósofo esloveno Slavoj Žižek, o multiculturalismo é «uma espécie de posição global vazia, que trata cada cultura local como o colono trata uma população colonizada - como 'indígenas' cujos costumes devem ser cuidadosamente estudados e 'respeitados'», ou seja, a forma última de despolitização, a transformação nefasta da política em confronto cultural apenas para reconhecimento de identidades.(...)
Enquanto o multiculturalismo na Europa aparecia como uma situação estática, em que de algum modo os grupos minoritários étnicos eram deixados às suas próprias convenções e relegados pelas sociedades anfitriãs para o papel de grupos étnicos ou culturais em regime de co-habitação pacífica, a interculturalidade pressupõe um projecto político de sociedade.
António Pinto Ribeiro, À Procura da Escala, Lisboa, Edições Cotovia, 2009, pp.29-30
Percebe-se melhor assim, Comentador Anónimo#3?
posted by sara at 23:04
terça-feira
Artista "multi-racial"
Da raça dos que têm talento, da raça dos que dançam espectacularmente, entre outras. Uma espécie de homenagem que tinha ficado por fazer.
posted by sara at 19:17
domingo
What a stupid thing to say
Acabo de perder o respeito pela revista Intelligent Life, Life.Culture.Style, uma publicação associada ao The Economist (com boas referências, portanto). Tudo por causa de um deslize, um pormenor - coisas a que dou muita importância. Ora, uma revista que se chama Intelligent Life (IL) tem a obrigação de ser não menos do que perfeita, ou então será o cúmulo da pedantice.
A maior chamada de capa do último número da IL (Verão de 2009) remete para um artigo sobre o Genographic Project, que a partir da recolha de centenas de milhar de amostras de ADN de pessoas de todo o mundo está a desenvolver um estudo para explicar, basicamente, como é que do continente africano viemos parar aqui, onde quer que seja, com as nossas características fisionómicas (e etc.). No editorial, Tim de Lisle - ao contrário do que acontece com o The Economist, todos os textos na IL são assinados - faz uma introdução a esse artigo, onde a certa altura escreve: «Its subtext [do artigo] is that racism isn't just wrong, it's stupid. There are still many cultures, and of course there can be tensions between them. But if the word multicultural still makes sense, its sister multiracial doesn't.» (o bold é meu)
Esta última frase já teria por onde se lhe pegar, nomeadamente pela primeira parte, pois tenho ouvido dizer, da boca de quem se dedica a pensar nestas coisas e a quem reconheço autoridade, que o Multiculturalismo está ultrapassado, é um modelo que falhou, e que agora é a Interculturalidade que, digamos, está a dar. Mas adiante. É a segunda parte da afirmação, que diz que a palavra "multi-racial" já não faz sentido, que me interessa. Obviamente, concordo com o que é dito. Mas o editor pelos vistos não toma atenção nenhuma ao que escreve: umas páginas mais à frente, numa coluna assinada pelo mesmo Tim de Lisle, há vários destaques sobre bandas e concertos a ter debaixo de olho durante esta estação. Chegados aos TV on the Radio (uma das pouquíssimas bandas que me teria feito ir ao Festival Optimus Alive esta semana, caso me tivessem oferecido bilhetes, que fina que eu sou), é então que se dá o deslize: «TV on the Radio touring Europe, July 9th to August 2nd. Layers of intense, uplifting rock-soul from the multiracial Brooklyn quintet who have become one of the best bands in America.» Leram bem? «the multiracial Brooklyn quintet». Oh Tim, what a stupid thing to say!
posted by sara at 14:19
segunda-feira
Foram 15 minutos muito bem passados
O alinhamento cósmico parecia favorável. Na minha cabeça havia tempo para tudo: ficar no Portinho da Arrábida até às sete (onde não punha os pés há 10 anos), comer um peixinho ao jantar antes de regressar a Lisboa, ir a casa tomar um banho e por fim... enganei-me, redondamente, cheguei tarde e a más horas. Dos vários concertos que vi este fim-de-semana (em geral todos bons, com destaque para a maravilha da Orquestra Imperial ontem), em 3 dias consecutivos, quase perdi na íntegra o mais-que-tudo Konono nº1, sábado à noite, salvando-se apenas o encore, ao som do qual dancei como se fosse o último. E não é que era mesmo.
posted by sara at 23:34
sexta-feira
Leh Jani (?)

Desde meados dos anos 90 que a música de Omar Souleyman (na foto) se vende que nem pãezinhos quentes, em cassetes, nas ruas da Síria, diz a editora Sublime Frequencies. Omar Souleyman é uma estrela longe do Ocidente e anda agora pela primeira vez em digressão na Europa. Segundo o calendário do MySpace SF, começaram no dia 27 de Maio, em Manchester, e passam hoje pelo Festival Sonar (Barcelona) que apresenta este ano um cartaz bestial incluindo Grace Jones, Animal Collective, James Murphy & Pat Mahoney (LCD Soundsystem disco set), La Roux, Buraka Som Sistema, Mulatu Astatké and The Heliocentrics, entre muitos outros, só para citar aqueles que eu conheço.
No próximo domingo, 21 de Junho, a fechar esta ronda europeia de concertos Sublime Frequecies (colaboração Filho Único), os teclados infernais e a voz de Omar Souleyman vão fazer-se ouvir no anfiteatro ao ar livre do Jardim Gulbenkian, às 19h. Vejam este vídeo e deixem-se intoxicar (a música como droga leve). Leh Jani...
posted by sara at 16:19
quinta-feira
Chelsea Drug Store
How much Stanley Kubrick trivia can you stand?
(um link para quem gosta de História da Música Pop)
posted by sara at 23:42
Violência gratuita
Pode-se fazer humor com tudo... menos com a música clássica nos filmes do Kubrick!
...for now it was lovely music that came to my aid. There was a window open with the stereo on - and I viddied right at once what to do.
(Rossini para o Bruno Vieira Amaral)
posted by sara at 22:56
Os rapazes iranianos
Chega a ser cruel, tendo em conta que as miúdas iranianas são sempre obrigadas a andar no espaço público de cabeça coberta (quer gostem quer não), chega a ser cruel, dizia eu, observar o resultado do empenho, o tempo e a energia que os rapazes iranianos (na faixa dos 15-25, sobretudo) empregam no seu cabelo. Numa semana vi os penteados mais incríveis, já para não falar do outfit completo (que não raras vezes incluía maquilhagem). Infelizmente, nunca tive oportunidade de fotografar - tendo como referência The Sartorialist - nenhum desses rapazes muito, digamos, coloridos (não podem ser todos "gay"; aliás, oficialmente não existem homossexuais no Irão...). Mas encontrei um desses (modestos rapazes) neste vídeo da Reuteurs. É um padeiro apoiante de Mousavi (o candidato "bom", por oposição a Ahmadinejad, o "mau"), como indicam as pulseirinhas verdes, e é vê-lo a aparecer aos 28 segundos da reportagem "Iran campaigning heats up" (9 de Junho). As próximas eleições presidenciais da República Islâmica do Irão
são amanhã. Boa sorte.
posted by sara at 22:38
terça-feira
domingo
Thy lips are warm
Das trinta e tal curtas (demasiadas) que compõem o filme "Chacun son Cinéma" (em Lisboa só pode ser visto no Corte Inglés), a minha preferida é a que Abbas Kiarostami realizou, "Where is my Romeo?". Shakespeare, watch and weep. O happy dagger!
Também gostei, muito especialmente, da curta de Aki Kaurismäki, em que os operários de uma fundição vão ao cinema ver La sortie des usines Lumière (se não estou em erro), aquele que é considerado o primeiro filme comercial de sempre; da curta de Manoel de Oliveira (um Senhor), que filma um encontro entre Krutchev e o "Camarada" Papa (interpretado por Bénard da Costa), saindo - muito bem - completamente fora do baralho, pela originalidade e imprevisibilidade; da curta de Roman Polanski, "Cinéma érotique", que é divertida, sem pretensões; das curtas dos asiáticos, em geral, gostei de todas, sempre delicadas; a curta de Gus Van Sant, a roçar o kitsch, dá uma volta engraçada ao lugar comum "dei-o-meu-primeiro-beijo-no-cinema"; da curta de David Cronenberg, "At the Suicide of the Last Jew in the World in the Last Cinema in the World", gostei porque ele é maluco (e, tudo indica, judeu); finalmente, gostei da curta "Happy Ending", de Ken Loach, em que pai e filho desistem de ir ao cinema ver uma merda qualquer e decidem mas é ir ver a bola.
posted by sara at 23:35
sexta-feira
Aloyisius, bluegrass drummer
Para desenjoar dos quizzes do Facebook, aleatório por aleatório, aqui fica o resultado que obtive no jogo proposto pela minha homónima moshimoshiii, que é também uma excelente fotógrafa com uma sensibilidade para o detalhe que eu adoro.
1. put your itunes/ ipod (or your mp3 player of choice) on
shuffle.
2. for each question, press the next button to get your
answer.
3. YOU MUST WRITE THAT SONG NAME DOWN NO MATTER HOW SILLY
IT SOUNDS!
4. tag 10 or more friends who might enjoy doing this as
well
IF SOMEONE SAYS "IS THIS OKAY" YOU SAY?
all my little words - the magnetic fields
WHAT WOULD BEST DESCRIBE YOUR PERSONALITY?
prayer - jodphur sikh temple congregation (the darjeeling limited soundtrack)
WHAT DO YOU LIKE IN A GUY/GIRL?
rhineland (heartland) - beirut
WHAT IS YOUR LIFE'S PURPOSE?
baby i'm just a fool - spiritualized
WHAT IS YOUR MOTTO?
that's not me - the beach boys
WHAT DO YOUR FRIENDS THINK OF YOU?
boogie down - mgmt
WHAT DO YOU THINK ABOUT OFTEN?
ladies on parade - benji hughes
WHAT IS 2+2?
ricardo - brazilian girls
WHAT DO YOU THINK OF YOUR BEST FRIEND?
you're gonna make me lonesome when you go - bob dylan
WHAT DO YOU THINK OF THE PERSON YOU LIKE?
magic doors - portishead
WHAT IS YOUR LIFE STORY?
sealion woman - feist
WHAT DO YOU WANT TO BE WHEN YOU GROW UP?
lover's day - tv on the radio
WHAT DO YOU THINK WHEN YOU SEE THE PERSON YOU LIKE?
draygo's guilt - the fall
WHAT DO YOUR PARENTS THINK OF YOU?
cancion de julieta - robert wyatt
WHAT WILL YOU DANCE TO AT YOUR WEDDING?
something for all of us - brendan canning
WHAT WILL THEY PLAY AT YOUR FUNERAL?
make her day - the go-betweens
WHAT IS YOUR HOBBY/INTEREST?
mr. tough - yo la tengo
WHAT DO YOU THINK OF YOUR FRIENDS?
intervention - the arcade fire
WHAT'S THE WORST THING THAT COULD HAPPEN?
whatever - gnarls barkley
HOW WILL YOU DIE?
out of reaches - stephen malkmus
WHAT IS THE ONE THING YOU REGRET?
today's lesson - nick cave
WHAT MAKES YOU LAUGH?
loves comes to me - bonnie prince billy
WHAT MAKES YOU CRY?
the storks - stephin merritt
WILL YOU EVER GET MARRIED?
children play well together - caribou
WHAT SCARES YOU THE MOST?
down with prince - hot chip
DOES ANYONE LIKE YOU?
hook and line - the kills
IF YOU COULD GO BACK IN TIME, WHAT WOULD YOU CHANGE?
aretha, sing one for me - cat power
WHAT HURTS RIGHT NOW?
i'm gonna run - the fiery furnaces
WHAT WILL YOU POST THIS AS?
aloyisius, bluegrass drummer - the silver jews
'Bora lá, Helena e Mónica...? Miss Limão? Daniel? Sam? Luna? Batukada!...
posted by sara at 16:25
domingo
da série "grandes invenções"
«Supposedly Cousteau and his cronies invented the idea of putting walkie-talkies into the helmet. But we made ours with a special rabbit ear on the top so we could pipe in some music.» The Life Aquatic with Steve Zissou
(música: Mark Mothersbaugh - Ping Island Lightning Strike Rescue Op, pico electrónico da banda sonora do filme)
posted by sara at 17:48
segunda-feira
32 anos. Gémeos, ascendente Capricórnio
A caminhar para lá, mas ainda não estou madura.
posted by sara at 00:05
Momento-Trolha do dia
Quase me engasgei de tanto rir, quando há pouco atendo o telefone e do outro lado interpelam-me, muito subtilmente:
"Com que então, andas aos linguados e não me contavas nada?!"
(As boas notícias também se espalham depressa.)
posted by sara at 15:37
terça-feira
ميدان نقش جهان
Com Ispaão foi amor à primeira vista. Em tempos capital da Pérsia, hoje é apenas a cidade mais bela do Irão. A esta praça (a segunda maior do mundo, a seguir a Tiananmen, dizem os guias) volto várias vezes, em pensamento, e hei-de voltar a pisá-la. As (duas) mesquitas são obras de arte, com certeza, tal como o palácio. O bazar é extraordinário, sim. O narguilé de maçã e os biscoitos no terraço souberam-me bem. Mas do que eu gostei mesmo foi do gelado de açafrão (os iranianos são doidos por gelados!), de ver um grupo de rapazes e raparigas a jogar à bola na relva e da bicleta que me emprestaram (não havia para alugar). Meia-hora de felicidade à volta de ميدان نقش جهان (nome da praça em persa), que devo a K. e ao irmão adolescente do amigo dele, jovem proprietário da bicicleta. A todos os envolvidos nesta operação agradeci com o meu melhor sorriso.
Já tinha "partilhado" esta foto no Facebook, mas tinha de vir também para aqui, dedicada, muito especialmente, à Luna.
posted by sara at 20:52
domingo
A question of taste
When I want to cheer myself up, I head for Ferdousi Street, where Mr. Ferdousi sells Persian carpets. Mr. Ferdousi, who has passed all his life in the familiar intercourse of art and beauty, looks upon the surrounding reality as if it were a B-film in a cheap, unswept cinema. It is all a question of taste, he tells me: The most important thing, sir, is to have taste. The world would look far different if a few more people had a drop of taste. In all horrors (for he does call them horrors), like lying, treachery, theft, and informing, he distinguishes a common denominator - such things are done by people with no taste. He believes that the nation will survive anything and that beauty is indestructible. You must remember, he tells me as he unfolds another carpet (he knows I am not going to buy it, but he would like me to enjoy the sight of it), that what has made it possible for the Persians to remain themselves over two and a half millennia, what has made it possible for us to remain ourselves in spite of so many wars, invasions, and occupations, is our spiritual, not our material, strenght - our poetry, and not our technology; our religion, and not our factories. What have we given the world? We have given poetry, the miniature, and carpets. As you can see, these are useless things from the productive viewpoint. But it is through such things that we have expressed our true selves. We have given the world this miraculous, unique uselessness. What we have given the world has not made life any easier, only adorned it - if such a distinction makes any sense. To us a carpet, for example, is a vital necessity. You spread a carpet on a wretched, parched desert, lie down on it, and feel you are lying in a green meadow. Yes, our carpets remind us of meadows in flower. You see before you flowers, you see a garden, a pool, a fountain. Peacocks are sauntering among the shrubs. And carpets are things that last - a good carpet will retain its color for centuries. In this way, living in a bare, monotonous desert, you seem to be living in an eternal garden from which neither color nor freshness ever fades. Then you can continue imagining the fragrance of the garden, you can listen to the murmur of the stream and the song of the birds. And then you feel whole, you feel eminent, you are near paradise, you are a poet.
[Último capítulo de Shah of Shahs (pp.151-152), de Ryszard Kapuściński, livro que escreveu enquanto foi correspondente da agência de notícias polaca em Teerão, logo após a Revolução Islâmica, no início de 1979]
posted by sara at 23:04
sexta-feira
segunda-feira
domingo
Castanholas
The Onion avançou:
Iran's Nuclear Operation Revealed To Be Cover For Greatest Roller Coaster Ever
(...)Despite years of economic sanctions and the constant threat of military action, Iran reportedly continued working on the clandestine project by stockpiling metal tubes for the tracks, enriching uranium to provide glow-in-the dark lighting for the subterranean portion of the ride, and purchasing hundreds of gallons of neon green paint from Pakistan.(...)
In response to rumors that the new Iranian amusement park will include a ride dedicated to bridging the foreign relations gap with Israel, Ahmedinejad flatly denied the existence of the so-called "Holocoaster."
Legenda de uma das fotos: "All U.N. inspectors were given complimentary season passes for being so patient."
A notícia está muito bem escrita. Mas com a primeira fotografia houve um deslize. Onde se vê em primeiro plano uma montanha-russa com uma central nuclear em fundo, a legenda diz: "Ali Baba and the 40 Loops". Sucede que Ali Babá é árabe (é, não é?) e os iranianos não são árabes. Aliás, ficam pior que estragados quando os confundem com os árabes. É um preconceito lá deles. (Passe a condescendência.) Partilham com os árabes a religião, a cultura, mas são persas. Não vai dar tudo ao mesmo. Eu também ficaria aborrecida se me chamassem espanhola (como já aconteceu). E que sentido faria uma piada sobre Portugal que envolvesse castanholas?
Ando muito sensível com estas coisas.
posted by sara at 21:25
sábado
A Primavera a chegar, apetecia-me beijar o Obama...
... e ser mosca para ver a irritação na cara dos mullahs com este vídeo a tramar-lhes a estratégia primária e obsoleta de diabolizar os EUA (e o Ocidente em geral), que é o que os mantém no poder. Entretanto, tenho de sair para fazer umas compras e tentar arranjar umas roupinhas que me tapem as formas do corpo. Não quero ir ao Irão para provocar ninguém. Ia estragar os planos todos do Obama.
posted by sara at 15:17
sexta-feira
In memory of
Ninguém comenta o maravilhoso filme animado de música que eu "postei"?
Encontrei através do MySpace da Rita Braga, superbraguita.
O "Lee Hazlewood" é "amigo" dela.
Tenho de "fazer" um MySpace.
posted by sara at 22:05
quinta-feira
sexta-feira
Excesso de bagagem
No guia Lonely Planet para o Irão, logo nas primeiras páginas (disponíveis na Amazon), está uma lista de conselhos práticos: não esquecer o protector solar (as mulheres só precisam de pôr na cara...), um chapéu, um adaptador universal e uma série de outras coisas. Por fim, "There's just one more important thing: try, as much as possible, to leave your preconceptions at home."
posted by sara at 23:25
quinta-feira
Leitura em curso
(...)all we see from the past is the general historical interest of the period; what we don't see are all the personal human concerns of people at that time. Yet in real life personal concerns of immediate relevance are so much more important than the general public interest that they prevent the public interest from ever being sensed, or even noticed.(...)
Tolstoy, War and Peace, volume IV, part I, chapter 4
posted by sara at 23:59
Investigação em curso

Lembrar-se-á de eu lhe ter falado também de um Velásquez que comprei pela Christie's há 40 anos, depois das muitas investigações que fiz junto de especialistas e da National Gallery. Todos foram então unânimes em considerá-la uma obra de Velásquez. No entanto, mais recentemente, há uns 15 anos, outros especialistas vieram sugerir que o Mazo também tinha trabalhado no quadro. Você sabe como são os chamados especialistas, mas eu prefiro dizer-lhe as coisas com toda a candura! Creio que deveria catalogá-lo, sem receios, como um Velásquez. O retrato foi-me vendido com garantia de autencidade pela Christie's e provém de uma grande colecção. Carta de Calouste Gulbenkian a João Couto (Director do Museu Nacional de Arte Antiga), 18.07.1952
Os quadros são de muito boa qualidade e o retrato de Mariana de Aústria, que penso poder atribuir a Mazo, é uma bela peça e é muito importante para a nossa Galeria, que se encontrava privada de uma obra espanhola desta época. - João Couto a Calouste Gulbenkian, 05.09.1952
Com certeza estará a par do Congresso Internacional sobre restauração de quadros antigos que decorre neste momento em Lisboa, onde estão presentes todos os directores de museu americanos e das capitais europeias. A que conclusões irão chegar, não sei, mas a reunião deles tem dado muito que falar! Gostará de saber que o Velásquez que estava na minha posse e que doei há pouco tempo ao Museu de Arte Antiga, em Lisboa, foi agora examinado pelas personalidades acima referidas, e em particular pelo Doutor Canton, Director do Prado em Madrid, e o maior especialista na obra de Velásquez. Disseram-me que ele autentificou sem hesitação o meu quadro como sendo um Velásquez genuíno! - e ficou fascinado com ele. O quadro vai ser submetido a raio-X hoje, mas o Doutor Canton está convencido de que se trata de um Velásquez. Os nossos amigos de vários museus europeus estiveram muitas vezes inclinados a pooh-pooh [sic] o quadro, mas agora vergam-se à opinião de Canton, que se sobrepõe à deles. - Calouste Gulbenkian a MW(?), 31.12.1952
(Acho que a minha tradução destes extractos de correspondência, em inglês e francês, não está mal de todo, passe a presunção. Só me abstive de traduzir o «pooh-pooh» pela gracinha da expressão.)
Caro Sr. Gulbenkian,
Estive há dias nas Janelas Verdes. Era um domingo chuvoso, quase não deu para estar no jardim, mas tudo bem. Há algum tempo que já não visitava a colecção do Museu Nacional de Arte Antiga, sabe? Aqui na Internet, donde lhe escrevo, somos um bocadito preguiçosos para sair de casa. Andamos à procura de digitalizações de quadros, mais ou menos manhosas, no Google Images e frequentemente não passamos disto. E de repente vamos ao Museu e... bolas, não tem nada a ver.
Regalei-me com os retratos, sobretudo com o de D. Mariana d'Áustria, incluído no "lote" de obras que o senhor seleccionou para doar ao Museu de Arte Antiga, poucos anos antes de morrer. É um belíssimo quadro. Quero um penteado daqueles!
Agora a sério, também fiquei fascinada. As cores, aquele aparato todo na cabeça e no vestido, a expressão. Ela teria o quê, uns 16 anos? Parece uma criança. Dizia na legenda que este retrato terá sido pintado por volta de 1650 e na Wikipedia diz que ela nasceu em 1634 - é fazer as contas, que não são difíceis. Difícil é imaginar um casamento aos 15 com um homem quase 30 anos mais velho, D. Filipe IV (III de Portugal, mas depois tramou-se). Enfim, podia ser pior. Ele podia ser 100 anos mais velho do que ela. Divago. Entretanto, a primeira filha que tiveram foi a Infanta Margarita, aquela miúda famosíssima no centro d'As Meninas, de Velásquez, que a bem dizer pintou tudo quanto era retrato oficial da côrte espanhola naquela altura, certo?
Museo del Prado, Madrid. Foto El País
O retrato que está no Prado e o que está nas Janelas Verdes (e o que está no MET em Nova Iorque) é o mesmo, só que num a Mariana d'Áustria aparece de corpo inteiro, noutro só até aos joelhos (imagine-se, por debaixo de toda aquela armação) e, finalmente, em Lisboa, aparece só da cintura para cima (ver primeira imagem do post). Tudo Velásquez. Tudo Velásquez?
É aqui começa a (minha) confusão e era disso que eu lhe queria falar, Sr. Gulbenkian: na legenda do quadro que eu vi, no passado domingo, no palácio das Janelas Verdes, com estes olhinhos que a terra etc., diz que o quadro é do [Juan Bautista Martinez] del Mazo, o tal genro do Velásquez, que trabalhava com ele. Eu também pensava que tinha ficado decidido que era um Velásquez e não um del Mazo (sem ofensa, pessoalmente não tenho nada contra o homem, coitado). Aliás, no catálogo que tenho aqui à mão, de 1994, esta obra é atribuída a Velásquez. E nesta base de dados construída em 2002 pelo antigo IPM (hoje Instituto dos Museus e da Conservação), supostamente oficial, também diz que se trata de um Velásquez. Mas na legenda do quadro no Museu de Arte Antiga está del Mazo! Juro pela minha saúde, Sr. Gulbenkian.
Ando intrigadíssima. O que se terá passado? As outras variantes do retrato de Mariana d'Áustria - as que estão no estrangeiro - são todas Velásquez, mas afinal decidiram este - que é nosso, para todos os efeitos! - é um del Mazo? Quando é que isso aconteceu? Como? Com base em quê? E o Doutor Canton? E o raio-X?
É claro que não me cabe fazer este tipo de investigações (pouco sei de História de Arte), mas adoro estas coisas e sempre tenho algum tempo livre. Vou estando atenta e... se tiver novidades, volto a escrever-lhe.
Melhores cumprimentos,
Sara
posted by sara at 22:19
quarta-feira
As redes sociais
Perdi 2 "seguidores" no "painel" do Blogger. Antes o meu blog tinha 9 seguidores, agora tem 7. Quem foi que mudou de ideias?
posted by sara at 00:20
Última hora! (rábula)
Ministério da Administração Interna vai organizar cursos de história de arte e workshops de pintura para a PSP de Braga
posted by sara at 00:10
sexta-feira
São coisas que podem realmente acontecer©

Das pessoas que começam a falar de «casamento poligâmico» quando se fala em casamento homossexual, eu diria que andam a ver muitos filmes.
©Mood Swing
posted by sara at 23:05
terça-feira
domingo
Zero
Número de vezes que encontrei a palavra "God" referida em The Theory of Intelligent Design: A Briefing Packet for Educators to help them understand the debate between Darwinian evolution and intelligent design, um panfleto elaborado pelo Discovery Institute, "think tank" de criacionistas dissimulados.
posted by sara at 03:04
Criador = Deus
Gosto do Tiago Cavaco porque, entre muitas outras coisas, é honesto. Estive a reler o que ele escreveu em Setembro de 2006:
(...)vejo o desenvolvimento académico do Intelligent Design como fraco de charme: combate o inimigo com as suas andrajosas armas. Factos, factos e mais factos. Who cares?
O melhor desta crosta terrestre não é a abóbada da racionalidade. O pai não aprecia o seu filho por ele ter boas notas, os casamentos não se mantêm por sustentabilidade estética, o benfiquista não abandona o clube por uma década de fracassos. O meu criacionismo não poderia estar-se mais nas tintas para os factos científicos. E nem sequer é preciso chegar a Santo Anselmo para crermos porque é absurdo (ou Tertuliano, se condescendermos em ser historicamente mais precisos). Basta algum tino existencialista para com a nossa condição.
Deixemos os darwinistas entretidos. Se o Criador os colocou cá, alguma razão Ele há-de ter.
posted by sara at 02:32
quinta-feira
quarta-feira
Espécie com fome
Charles Darwin, num caderno de notas:
De manhã tínhamos apanhado um tatu [anão] que, embora seja um prato excelente quando grelhado na sua armadura, não constitui um pequeno-almoço ou jantar substancial para dois homens com fome.
posted by sara at 17:48
domingo
Santíssima trindade, do ponto de vista geracional

Meryl Streep (n.1949), Anjelica Huston (n.1951) e Jessica Lange (n.1949)
Este blogue está oficialmente em campanha (pela freira), como o Circo da Lama.
posted by sara at 18:45
sábado
One Trik Pony
«O meu problema com as redes sociais é um problema de memória. Não consigo decorar mais passwordes.»
- comentário de ming mag
posted by sara at 01:28
quinta-feira
Apologia do LinkedIn
(a "rede sócio-profissional" de que me tornei fã em finais de 2007; aliás, vim a correr contar-vos tudo aqui)
Isto é de ontem:
LinkedIn has over thirty-five million members in over 140 industries. Most of them are adults, employed, and not looking to post something on your Wall or date you. Executives from all the Fortune 500 companies are on LinkedIn. Most have disclosed what they do, where they work now, and where they’ve worked in the past. Talk about a target-rich environment, and the service is free.
Using LinkedIn to Find a Job, via Twitter.com/Philanthropy... Como já devem ter percebido, o Twitter é o meu "brinquedo novo".
posted by sara at 10:50
quarta-feira
Direct message from The Onion
i suppose we should thank u for following us, but do the gods thank man for his dutiful sacrifices? we're watching you.
posted by sara at 19:09
Roadside signs
"I think artists are collectors figuratively. I've noticed that my eye collects." —Walker Evans (1903–1975), via Twitter do Met, museu que em 1994 adquiriu o arquivo pessoal do fotógrafo americano.
The Walker Evans Archive contains the artist's life's work—forty thousand negatives and transparencies dating from the late 1920s to the early 1970s—as well as Evans's personal and professional correspondence, papers, diaries, family photo albums, and his collection of books, picture postcards, clippings, roadside signs, and works by other artists.
posted by sara at 19:03
terça-feira
Bird's eye

Leonard Riggio's (Barnes and Noble) home in the Hamptons, NY
Contour 290 (Potomac, Maryland)
Cheguei às esculturas de Richard Serra no Google Maps (clicar sobre as imagens acima para aumentar), por aqui, através do Twitter do MoMA. (Também tenho um!)
posted by sara at 22:16
Sara became a fan of Tolstoy
«For the human mind absolute continuity of motion is inconceivable. The laws behind any motion become comprehensible to man only when he breaks that motion down into arbitrarily selected units and subjects these to examination. But at the same time this arbitrary sub-division of continuous motion into discontinuous units is the cause of much human error.(...)The movement of humanity, arising from a countless series of actions arbitrarily performed by many individuals, is a continuous phenomenon.» (War and Peace)
posted by sara at 21:32
Sara did not become a fan
Concordo com a Charlotte, no que diz respeito ao Facebook. Ando por lá, é verdade, mas quase por obrigação (riam-se à vontade), porque trabalho em Comunicação e convém-me saber como funcionam estas "redes sociais". Ao milionésimo "convite", resolvi confirmar que o Facebook é uma perda de tempo (para mim, pessoalmente). Registei-me com o mesmo nome que me deram à nascença (vida real) e uma foto da Shirley MacLaine vestida de freira (do filme Two Mules for Sister Sara).
(Já agora, gostaria de deixar um aviso: fuzilo - com o teclado - o primeiro "amigo" que "partilhe" com o resto do mundo um "tag" num "album" de fotografias onde o meu corpo ou a minha facies a duas dimensões estejam associados ao meu nome próprio. Só por causa das merdas. Acho que se chama Direito à Privacidade.)
Entretanto, "fiz" 51 (só!?) "amigos" (parece que não sou lá muito popular). E basicamente é tudo o que tenho feito com o Facebook: "fazer amigos". Não passava disto, até que percebi que o "Face" (ouvi uma rapariga aqui há dias referir-se ao Facebook desta forma, com extrema intimidade) podia ser vagamente útil, através dos "feeds". Passei assim a alimentá-lo automaticamente com os posts do meu blogue. Porque é disso que eu gosto: blogging. Tornei-me "fan", vai para 4 ou 5 anos.
posted by sara at 20:04



















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