segunda-feira
quinta-feira
Interesting (ii)
(...)The strongest, most successful move against beauty was in the arts: beauty - and the caring about beauty - was restrictive; as the current idiom has it, elitist. Our appreciations, it was felt, could be so much more inclusive if we said that something, instead of being beautiful, was "interesting".
Of course, when people said a work of art was interesting, this did not mean that they necessarily liked it - much less that they thought it beautiful. It usually meant no more than they thought they ought to like it. Or that they like it, sort of, even though it wasn't beautiful.
Or they might describe something as interesting to avoid the banality of calling it beautiful. Photography was the art where "the interesting" first triumphed, and early on: the new, photographic way of seeing proposed everything as a potential subject for the camera. The beautiful could not have yielded such a range of subjects; and it soon came to seem uncool to boot as a judgment. Of a photograph of a sunset, a beautiful sunset, anyone with minimal standards of verbal sophistication might well prefer to say, "Yes, the photograph is interesting."
What is interesting? Mostly, what has not previously been thought beautiful (or good). The sick are interesting, as Nietzsche points out. The wicked, too. To name something as interesting implies challenging old orders of praise; such judgments aspire to be found insolent or at least ingenious. Connoisseurs of "the interesting" - whose antonym is "the boring" - appreciate clash, not harmony. Liberalism is boring, declares Carl Schmitt in The Concept of the Political, written in 1932. (The following year he joined the Nazi Party.) A politics conducted according to liberal principles lacks drama, flavor, conflict, while strong autocratic politics - and war - are interesting.
Long use of "the interesting" as a criterion of value has, inevitably, weakened its transgressive bite.(...)One calls something interesting precisely so as not to have to commit to a judgment of beauty (or of goodness).(...)It is a peculiarly inconclusive way of experiencing reality.(...)
Susan Sontag em An Argument About Beauty, ensaio do livro póstumo At the Same Time, Penguin, 2007.
posted by sara at 19:22
Interesting

Bruce Davidson, Two Gallery-goers at the Metropolitan Museum of Art, 1968. © Bruce Davidson, Magnum Photos
posted by sara at 18:33
quarta-feira
Felicidade pode ser...

... brincar à beira-mar com uma criança e um regadorzinho. «Vão nascer flores nos teus pés», dizia ela.
posted by sara at 00:31
segunda-feira
We care a lot, mas não somos omnipresentes
O João Bonifácio, hoje no Público, foi justamente generoso na apreciação ao Giro da Flor Caveira (grandes!), mas injustamente parco em elogios à actuação fabulosa dos Faith No More e ao incansável Mike Patton (vê-se que Bonifácio nunca gostou de FNM na adolescência e que não anda à procura do seu disco Angel Dust - terá ficado em casa dos meus pais quando me mudei?). Vai daí, acho que se impõe um pedido de desculpas formal da organização do Festival por ter feito coincidir na noite de sábado a última parte do Giro com o início do concerto dos FNM, obrigando pessoas de bem a correr o recinto de um extremo ao outro em poucos minutos, do palco não-sei-quê (mais pequeno) para o palco não-sei-quantos (maior). Foi a minha estreia no Sudoeste, aos 32 anos. Midlife crisis?
posted by sara at 23:57
Exposure

Berenice Abbott, James Joyce, 1926. © Berenice Abbott/Commerce Graphics Ltd. Inc.
Berenice Abbott opened a photographic portrait studio in Paris in 1926 after having worked for three years as an assistant to Man Ray, whom she had met in New York. Although her Paris portraits are indebted stylistically to Man Ray's, she brought to them a sympathetic eye that was very much her own. Her portraits of women are notable for their empathic understanding of her subjects, but she reached a depth of expression in her photographs of James Joyce (1882-1941). Abbott photographed Joyce on two occasions, the first in 1926 at his home, the second in 1928 at her studio, as was her more customary practice. In spite of Abbott's annotation on the back of the print, this portrait belongs to the earlier session, when Joyce was photographed both with and without the patch over his eye, worn because of his sadly degenerating sight. For this particular exposure Joyce removed the patch and held it, with his glasses, in his right hand; his forehead still bears the diagonal impression of the ribbon. This intimate portrait, with its softly diffused lighting, suggests the complex, introverted character of Joyce's imagination. It is with good reason that Abbott's are considered the definitive portraits of the author of "Ulysses" and "Finnegan's Wake."
posted by sara at 12:46
Com a devida distância

Walker Evans, Bathers in Ocean, From Elevated Position, Coney Island, New York, 1928-30. © Walker Evans Archive, The Metropolitan Museum of Art
posted by sara at 11:17
domingo
Um voto pode fazer a diferença
Nas próximas autárquicas não vou poder votar na minha "nova" freguesia, onde moro há 4 anos e 2 meses, mas da qual só faço parte oficialmente desde 30 de Julho de 2009. Ora a actualização dos cadernos eleitorais terminou a 27 de Julho. Por 3 dias, é galo. A Exma. Sra. Presidente da Junta (PS) não me dá um jeitinho?
posted by sara at 17:06
sexta-feira
quarta-feira
Pinga-amor (ii)
- Se o aeroporto fosse em Alcochete também me ias lá levar?
- Claro...
posted by sara at 15:22
terça-feira
Versos (quase) brancos
Traí a Sagres ao almoço com uma cerveja belga. Mas foi tão sem significado, nem me lembro do nome dela.
posted by sara at 18:01
quinta-feira
Pinga-amor
Estou aqui, estou a escrever poemas. Depois não digam que não avisei.
posted by sara at 16:13
terça-feira
Só prá namorá
Yara só gosta de ilha discreta pra namorar
Yara parece uma pilha ligada no cha cha cha
Levava os seus amantes pras loucuras em Paquetá
Brincava de troca-troca lá na ilha Porchat
Yara é uma garota de Cuba danada pra namorar
Fugiu com um brotinho pra Aruba antes de vir para cá
Strip-teases em Puerto Rico, nos cassinos de Trinidad
Fez do Amazonas seu Nilo; e de São Paulo, Bagdá
Yara Yarusha, Yara Yarusha, Yarusha sha sha
Yara Yarusha, Yara Yarusha, Yarusha sha sha
Yara Yarusha, Yara Yarusha, Yarusha sha sha
Só pra namorar!
(vídeo tosco da Orquestra Imperial ao vivo, mas com som a cumprir requisitos mínimos)
posted by sara at 11:22
segunda-feira
Multiculturalismo vs Interculturalidade
(...)Figurino social que vingou nas décadas de 60 a 90 do século XX, o multiculturalismo foi bem sucedido na Holanda ou na Inglaterra e em cidades como Amesterdão, Londres, Marselha, São Paulo, Nova Iorque ou Hong Kong, cujo cosmopolitismo se deve à diversidade inerente à sua condição de cidades multiculturais. Como conceito operativo serviu, durante muitos anos, para definir sociedades (em particular, cidades) enquanto lugares de convivência de múltiplos grupos de origens étnicas e culturais diferentes; todavia, o conceito não iria além desta dimensão de co-habitação mais ou menos pacífica(...)
Ian Buruma, escritor anglo-holandês e professor em Nova Iorque, por exemplo, considera que o problema dos defensores do multiculturalismo foi nunca terem concebido a passagem da comunidade cultural para uma comunidade política; já para o filósofo esloveno Slavoj Žižek, o multiculturalismo é «uma espécie de posição global vazia, que trata cada cultura local como o colono trata uma população colonizada - como 'indígenas' cujos costumes devem ser cuidadosamente estudados e 'respeitados'», ou seja, a forma última de despolitização, a transformação nefasta da política em confronto cultural apenas para reconhecimento de identidades.(...)
Enquanto o multiculturalismo na Europa aparecia como uma situação estática, em que de algum modo os grupos minoritários étnicos eram deixados às suas próprias convenções e relegados pelas sociedades anfitriãs para o papel de grupos étnicos ou culturais em regime de co-habitação pacífica, a interculturalidade pressupõe um projecto político de sociedade.
António Pinto Ribeiro, À Procura da Escala, Lisboa, Edições Cotovia, 2009, pp.29-30
Percebe-se melhor assim, Comentador Anónimo#3?
posted by sara at 23:04
terça-feira
Artista "multi-racial"
Da raça dos que têm talento, da raça dos que dançam espectacularmente, entre outras. Uma espécie de homenagem que tinha ficado por fazer.
posted by sara at 19:17
domingo
What a stupid thing to say
Acabo de perder o respeito pela revista Intelligent Life, Life.Culture.Style, uma publicação associada ao The Economist (com boas referências, portanto). Tudo por causa de um deslize, um pormenor - coisas a que dou muita importância. Ora, uma revista que se chama Intelligent Life (IL) tem a obrigação de ser não menos do que perfeita, ou então será o cúmulo da pedantice.
A maior chamada de capa do último número da IL (Verão de 2009) remete para um artigo sobre o Genographic Project, que a partir da recolha de centenas de milhar de amostras de ADN de pessoas de todo o mundo está a desenvolver um estudo para explicar, basicamente, como é que do continente africano viemos parar aqui, onde quer que seja, com as nossas características fisionómicas (e etc.). No editorial, Tim de Lisle - ao contrário do que acontece com o The Economist, todos os textos na IL são assinados - faz uma introdução a esse artigo, onde a certa altura escreve: «Its subtext [do artigo] is that racism isn't just wrong, it's stupid. There are still many cultures, and of course there can be tensions between them. But if the word multicultural still makes sense, its sister multiracial doesn't.» (o bold é meu)
Esta última frase já teria por onde se lhe pegar, nomeadamente pela primeira parte, pois tenho ouvido dizer, da boca de quem se dedica a pensar nestas coisas e a quem reconheço autoridade, que o Multiculturalismo está ultrapassado, é um modelo que falhou, e que agora é a Interculturalidade que, digamos, está a dar. Mas adiante. É a segunda parte da afirmação, que diz que a palavra "multi-racial" já não faz sentido, que me interessa. Obviamente, concordo com o que é dito. Mas o editor pelos vistos não toma atenção nenhuma ao que escreve: umas páginas mais à frente, numa coluna assinada pelo mesmo Tim de Lisle, há vários destaques sobre bandas e concertos a ter debaixo de olho durante esta estação. Chegados aos TV on the Radio (uma das pouquíssimas bandas que me teria feito ir ao Festival Optimus Alive esta semana, caso me tivessem oferecido bilhetes, que fina que eu sou), é então que se dá o deslize: «TV on the Radio touring Europe, July 9th to August 2nd. Layers of intense, uplifting rock-soul from the multiracial Brooklyn quintet who have become one of the best bands in America.» Leram bem? «the multiracial Brooklyn quintet». Oh Tim, what a stupid thing to say!
posted by sara at 14:19



