História Natural

Desde que (ou)vi este vídeo, não penso noutra coisa.

Desde meados dos anos 90 que a música de Omar Souleyman (na foto) se vende que nem pãezinhos quentes, em cassetes, nas ruas da Síria, diz a editora Sublime Frequencies. Omar Souleyman é uma estrela longe do Ocidente e anda agora pela primeira vez em digressão na Europa. Segundo o calendário do MySpace SF, começaram no dia 27 de Maio, em Manchester, e passam hoje pelo Festival Sonar (Barcelona) que apresenta este ano um cartaz bestial incluindo Grace Jones, Animal Collective, James Murphy & Pat Mahoney (LCD Soundsystem disco set), La Roux, Buraka Som Sistema, Mulatu Astatké and The Heliocentrics, entre muitos outros, só para citar aqueles que eu conheço.
No próximo domingo, 21 de Junho, a fechar esta ronda europeia de concertos Sublime Frequecies (colaboração Filho Único), os teclados infernais e a voz de Omar Souleyman vão fazer-se ouvir no anfiteatro ao ar livre do Jardim Gulbenkian, às 19h. Vejam este vídeo e deixem-se intoxicar (a música como droga leve). Leh Jani...
posted by sara at 16:19
How much Stanley Kubrick trivia can you stand?
(um link para quem gosta de História da Música Pop)
posted by sara at 23:42
Pode-se fazer humor com tudo... menos com a música clássica nos filmes do Kubrick!
...for now it was lovely music that came to my aid. There was a window open with the stereo on - and I viddied right at once what to do.
(Rossini para o Bruno Vieira Amaral)
posted by sara at 22:56
Chega a ser cruel, tendo em conta que as miúdas iranianas são sempre obrigadas a andar no espaço público de cabeça coberta (quer gostem quer não), chega a ser cruel, dizia eu, observar o resultado do empenho, o tempo e a energia que os rapazes iranianos (na faixa dos 15-25, sobretudo) empregam no seu cabelo. Numa semana vi os penteados mais incríveis, já para não falar do outfit completo (que não raras vezes incluía maquilhagem). Infelizmente, nunca tive oportunidade de fotografar - tendo como referência The Sartorialist - nenhum desses rapazes muito, digamos, coloridos (não podem ser todos "gay"; aliás, oficialmente não existem homossexuais no Irão...). Mas encontrei um desses (modestos rapazes) neste vídeo da Reuteurs. É um padeiro apoiante de Mousavi (o candidato "bom", por oposição a Ahmadinejad, o "mau"), como indicam as pulseirinhas verdes, e é vê-lo a aparecer aos 28 segundos da reportagem "Iran campaigning heats up" (9 de Junho). As próximas eleições presidenciais da República Islâmica do Irão
são amanhã. Boa sorte.
posted by sara at 22:38
Das trinta e tal curtas (demasiadas) que compõem o filme "Chacun son Cinéma" (em Lisboa só pode ser visto no Corte Inglés), a minha preferida é a que Abbas Kiarostami realizou, "Where is my Romeo?". Shakespeare, watch and weep. O happy dagger!
Também gostei, muito especialmente, da curta de Aki Kaurismäki, em que os operários de uma fundição vão ao cinema ver La sortie des usines Lumière (se não estou em erro), aquele que é considerado o primeiro filme comercial de sempre; da curta de Manoel de Oliveira (um Senhor), que filma um encontro entre Krutchev e o "Camarada" Papa (interpretado por Bénard da Costa), saindo - muito bem - completamente fora do baralho, pela originalidade e imprevisibilidade; da curta de Roman Polanski, "Cinéma érotique", que é divertida, sem pretensões; das curtas dos asiáticos, em geral, gostei de todas, sempre delicadas; a curta de Gus Van Sant, a roçar o kitsch, dá uma volta engraçada ao lugar comum "dei-o-meu-primeiro-beijo-no-cinema"; da curta de David Cronenberg, "At the Suicide of the Last Jew in the World in the Last Cinema in the World", gostei porque ele é maluco (e, tudo indica, judeu); finalmente, gostei da curta "Happy Ending", de Ken Loach, em que pai e filho desistem de ir ao cinema ver uma merda qualquer e decidem mas é ir ver a bola.
posted by sara at 23:35
Para desenjoar dos quizzes do Facebook, aleatório por aleatório, aqui fica o resultado que obtive no jogo proposto pela minha homónima moshimoshiii, que é também uma excelente fotógrafa com uma sensibilidade para o detalhe que eu adoro.
1. put your itunes/ ipod (or your mp3 player of choice) on
shuffle.
2. for each question, press the next button to get your
answer.
3. YOU MUST WRITE THAT SONG NAME DOWN NO MATTER HOW SILLY
IT SOUNDS!
4. tag 10 or more friends who might enjoy doing this as
well
IF SOMEONE SAYS "IS THIS OKAY" YOU SAY?
all my little words - the magnetic fields
WHAT WOULD BEST DESCRIBE YOUR PERSONALITY?
prayer - jodphur sikh temple congregation (the darjeeling limited soundtrack)
WHAT DO YOU LIKE IN A GUY/GIRL?
rhineland (heartland) - beirut
WHAT IS YOUR LIFE'S PURPOSE?
baby i'm just a fool - spiritualized
WHAT IS YOUR MOTTO?
that's not me - the beach boys
WHAT DO YOUR FRIENDS THINK OF YOU?
boogie down - mgmt
WHAT DO YOU THINK ABOUT OFTEN?
ladies on parade - benji hughes
WHAT IS 2+2?
ricardo - brazilian girls
WHAT DO YOU THINK OF YOUR BEST FRIEND?
you're gonna make me lonesome when you go - bob dylan
WHAT DO YOU THINK OF THE PERSON YOU LIKE?
magic doors - portishead
WHAT IS YOUR LIFE STORY?
sealion woman - feist
WHAT DO YOU WANT TO BE WHEN YOU GROW UP?
lover's day - tv on the radio
WHAT DO YOU THINK WHEN YOU SEE THE PERSON YOU LIKE?
draygo's guilt - the fall
WHAT DO YOUR PARENTS THINK OF YOU?
cancion de julieta - robert wyatt
WHAT WILL YOU DANCE TO AT YOUR WEDDING?
something for all of us - brendan canning
WHAT WILL THEY PLAY AT YOUR FUNERAL?
make her day - the go-betweens
WHAT IS YOUR HOBBY/INTEREST?
mr. tough - yo la tengo
WHAT DO YOU THINK OF YOUR FRIENDS?
intervention - the arcade fire
WHAT'S THE WORST THING THAT COULD HAPPEN?
whatever - gnarls barkley
HOW WILL YOU DIE?
out of reaches - stephen malkmus
WHAT IS THE ONE THING YOU REGRET?
today's lesson - nick cave
WHAT MAKES YOU LAUGH?
loves comes to me - bonnie prince billy
WHAT MAKES YOU CRY?
the storks - stephin merritt
WILL YOU EVER GET MARRIED?
children play well together - caribou
WHAT SCARES YOU THE MOST?
down with prince - hot chip
DOES ANYONE LIKE YOU?
hook and line - the kills
IF YOU COULD GO BACK IN TIME, WHAT WOULD YOU CHANGE?
aretha, sing one for me - cat power
WHAT HURTS RIGHT NOW?
i'm gonna run - the fiery furnaces
WHAT WILL YOU POST THIS AS?
aloyisius, bluegrass drummer - the silver jews
'Bora lá, Helena e Mónica...? Miss Limão? Daniel? Sam? Luna? Batukada!...
posted by sara at 16:25
«Supposedly Cousteau and his cronies invented the idea of putting walkie-talkies into the helmet. But we made ours with a special rabbit ear on the top so we could pipe in some music.» The Life Aquatic with Steve Zissou
(música: Mark Mothersbaugh - Ping Island Lightning Strike Rescue Op, pico electrónico da banda sonora do filme)
posted by sara at 17:48
A caminhar para lá, mas ainda não estou madura.
posted by sara at 00:05
Quase me engasgei de tanto rir, quando há pouco atendo o telefone e do outro lado interpelam-me, muito subtilmente:
"Com que então, andas aos linguados e não me contavas nada?!"
(As boas notícias também se espalham depressa.)
posted by sara at 15:37
Com Ispaão foi amor à primeira vista. Em tempos capital da Pérsia, hoje é apenas a cidade mais bela do Irão. A esta praça (a segunda maior do mundo, a seguir a Tiananmen, dizem os guias) volto várias vezes, em pensamento, e hei-de voltar a pisá-la. As (duas) mesquitas são obras de arte, com certeza, tal como o palácio. O bazar é extraordinário, sim. O narguilé de maçã e os biscoitos no terraço souberam-me bem. Mas do que eu gostei mesmo foi do gelado de açafrão (os iranianos são doidos por gelados!), de ver um grupo de rapazes e raparigas a jogar à bola na relva e da bicleta que me emprestaram (não havia para alugar). Meia-hora de felicidade à volta de ميدان نقش جهان (nome da praça em persa), que devo a K. e ao irmão adolescente do amigo dele, jovem proprietário da bicicleta. A todos os envolvidos nesta operação agradeci com o meu melhor sorriso.
Já tinha "partilhado" esta foto no Facebook, mas tinha de vir também para aqui, dedicada, muito especialmente, à Luna.
posted by sara at 20:52
When I want to cheer myself up, I head for Ferdousi Street, where Mr. Ferdousi sells Persian carpets. Mr. Ferdousi, who has passed all his life in the familiar intercourse of art and beauty, looks upon the surrounding reality as if it were a B-film in a cheap, unswept cinema. It is all a question of taste, he tells me: The most important thing, sir, is to have taste. The world would look far different if a few more people had a drop of taste. In all horrors (for he does call them horrors), like lying, treachery, theft, and informing, he distinguishes a common denominator - such things are done by people with no taste. He believes that the nation will survive anything and that beauty is indestructible. You must remember, he tells me as he unfolds another carpet (he knows I am not going to buy it, but he would like me to enjoy the sight of it), that what has made it possible for the Persians to remain themselves over two and a half millennia, what has made it possible for us to remain ourselves in spite of so many wars, invasions, and occupations, is our spiritual, not our material, strenght - our poetry, and not our technology; our religion, and not our factories. What have we given the world? We have given poetry, the miniature, and carpets. As you can see, these are useless things from the productive viewpoint. But it is through such things that we have expressed our true selves. We have given the world this miraculous, unique uselessness. What we have given the world has not made life any easier, only adorned it - if such a distinction makes any sense. To us a carpet, for example, is a vital necessity. You spread a carpet on a wretched, parched desert, lie down on it, and feel you are lying in a green meadow. Yes, our carpets remind us of meadows in flower. You see before you flowers, you see a garden, a pool, a fountain. Peacocks are sauntering among the shrubs. And carpets are things that last - a good carpet will retain its color for centuries. In this way, living in a bare, monotonous desert, you seem to be living in an eternal garden from which neither color nor freshness ever fades. Then you can continue imagining the fragrance of the garden, you can listen to the murmur of the stream and the song of the birds. And then you feel whole, you feel eminent, you are near paradise, you are a poet.
[Último capítulo de Shah of Shahs (pp.151-152), de Ryszard Kapuściński, livro que escreveu enquanto foi correspondente da agência de notícias polaca em Teerão, logo após a Revolução Islâmica, no início de 1979]
posted by sara at 23:04