segunda-feira

Stress da expectativa



O! - B! - A! - M! - A!

Go! Obama! Go!

etc.

¡estrés de ocio!

(...)No sólo tenemos interminables listados de obligaciones, sino también largas listas de actividades de ocio que, de alguna forma, sentimos como una presión. Como muy bien describía Javier Marías en las páginas de este semanal: "Es tanto el afán por estar al día y tan breve el reposo permitido a los libros, las películas, las exposiciones o la música, que a veces tengo la impresión de que tanto los críticos como los lectores y espectadores se pasan la vida tachando de una lista interminable o escribiendo apresuradamente al lado de cada nuevo título: Visto, Leído, Oído, y ahí se acabó todo." Así no sólo tenemos estrés de trabajo sino también ¡estrés de ocio!(...)

>na revista do El País da semana passada, domingo, 11 Jan.

domingo

Metablogging-metatiming

Tenho várias correntes em atraso (peço imensa desculpa), mas vamos assumir que não há prazo de validade.

Caos calmo

O Harry Lime e o maradona (cf. caixas de comentários d'A Causa Foi Modificada) são a mesma pessoa; o banco do jardim de S. Amaro e o Abrupto também.

quinta-feira

Kubrick meets Schubert



(achado através do blogue que não é do "Tiago Galvão" - um grande bem-haja, trata-se apenas da melhor cena de sempre)

Complicados, eles?

Não costumo ser muito distraída, mas só no outro dia quando me perguntaram se sabia o que era feito do Tiago Galvão é que na minha cabeça se deu - ahhhhhhhhhhhhh - o click. Então é isso. Alguma razão haveria para um blogue que apareceu por aí há pouco tempo me ser tão, digamos, familiar. O "Tiago Galvão" está bem (blogosfericamente falando) e recomenda-se, embora tenha mudado de identidade (talvez faça parte de um programa de protecção de testemunhas). Por isso, não vou poder linká-lo (como dizem os jovens). Oh.

Complicadas, nós?

What goes through your mind when someone says
"Let's go for a drink"?



(clicar sobre a imagem)

Recebido hoje por email (obrigada, Sofia!) - e mais aqui.

sanita amarela

A minha melhor e mais bem conseguida (até agora) resolução para 2009 foi abrir este blogue a comentários (com direito de veto, ao qual ainda não tive necessidade de recorrer). Revelou-se um admirável mundo novo, já não quero outra coisa.

domingo

Porto

Em bom rigor, foi muito mais do que um fim-de-semana, foram 45 horas de excitação. Temos de repetir.

sexta-feira

Bate tudo certo

O Miguel (que ameaça não preencher em 2009 a quota de 3 posts por ano) perguntou-me se a imagem do post anterior era do arquitecto dinamarquês Jørn Utzon, que projectou a Ópera de Sydney - à época polémica - no final dos anos 50 e que morreu em Novembro do ano passado. É um comentário muito interessante. Em primeiro lugar, porque eu desconhecia Utzon, fui pesquisar e é sempre bom acumular conhecimentos; em segundo lugar, porque a imagem é do filme Vontade Indómita (já aqui referido), realizado por King Vidor e inspirado na vida do arquitecto Frank Lloyd Wright, a quem Utzon (vencedor do Pritzker em 2003) foi muitas vezes comparado.

quarta-feira

Still

Faixa de Gaza

«Como alguém consegue tomar partido num conflito destes é algo que eu nunca irei perceber», diz o Ricardo num comentário deixado n'A Causa Foi Modificada.

My feelings exactly.

domingo

Lidl


Photograph by Steve Gullick

(...)And he [Bonnie 'Prince' Billy] resists the idea that, with his endless flow of obscurities and his maniacal fan base, he is one of the most blog-friendly musicians in the country. He asked, “At that show last night, what do you think, eighty per cent of the people read blogs? Fifty? Thirty? Ten? Ninety?” There were certainly plenty of cameras, and, sure enough, on Monday morning the indie-rock Web site Pitchfork posted six photographs and a brief write-up.(...)

Quando li o longo (como sempre) artigo da edição on-line The New Yorker (5 Jan 2009) sobre Will Oldham, não tive dificuldade em encontrar a página da Pitchfork onde estavam as fotos do tal concerto (já lá vamos). Mas não tinha grande interesse, comparado com o que encontrei depois: um blogue sobre música, a partir de Louisville, KY (onde vive Oldham a.k.a. Bonnie 'Prince' Billy), que para além de fotos publicou também o alinhamento e a gravação (com qualidade, embora não dê para fazer download para o computador, acho) completa do concerto, com 20 canções. Até se ouvem os grilos! Espectacular. Pelo meio há uma versão de Little Boxes (a música do genérico da série Weeds popularizada em mil e uma versões diferentes), precedida da canção que dá nome ao disco do ano passado "Lie Down in The Light" (ou "Lidl", como Oldham gosta de se lhe referir).

Este evento de Verão foi divulgado quase em secretismo, boca-a-boca, para evitar confusão. Chegaram a simular uma cerimónia de casamento para ninguém desconfiar (têm de ler o artigo da New Yorker, que conta tudo em pormenor). Em Julho, num lugar isolado q.b., idílico, com lago e assim, ocorreu esta coisa absolutamente freak onde eu adoraria ter estado, sentada na relva a balançar a cabeça ao som da música e a beber uma cervejinha. Mas não me posso queixar: no início desse mês já tinha feito a melhor sauna de 2008, com Bonnie 'Prince' Billy, na ZDB. Fica para a lista de concertos.

sábado

Alta costura

Ontem à noite, à porta de um bar, ouvi alguém de cara séria dizer: «...aquele jornalista do Público, o Vítor Balenciaga...»

sexta-feira

Flora


Anjelica Huston

quarta-feira

Bom Ano Novo

Acabo 2008 sem conseguir activar as caixas de comentários do vidro duplo, não sei se por incompetência técnica minha, se por teimosia do Blogger... não interessa. Pode ser que amanhã.

(o sucesso da operação foi relativo: perdi os links na barra lateral. sorry. perde-se sempre qualquer coisa pelo caminho)

Tolstoi

O meu livro do ano é Guerra e Paz (ed. Penguin Classics, trad. Anthony Briggs). Comecei a lê-lo em Abril, sem pressas, e vou continuar em 2009. Oitocentas páginas volvidas, em tempo de balanços, retrospectivas e repisando os porquês do que correu mal:

«A good player who loses at chess is genuinely convinced that he lost because he made a mistake, and he goes back to the opening gambits to find what the mistake was, forgetting that his every move throughout the whole game involved similar errors, no move being perfect. The mistake that he concentrates on attracts his attention only because it was exploited by his opponent.»

(volume III, parte II, capítulo 7)

Autobiografia sem factos

«Todo o prazer é um vício, porque buscar o prazer é o que todos fazem na vida, e o único vício negro é fazer o que toda a gente faz.» (Bernardo Soares, Livro do Desassossego, Assírio & Alvim, Lisboa, 1998, p.293)

terça-feira

Do Álvaro de Campos, do Alberto Caeiro ou do Ricardo Reis ninguém quer saber

De acordo com a Marktest, actualmente as 10 personalidades mais procuradas na Internet pelos portugueses são: Luciana Abreu (em primeiro lugar), Nereida Gallardo, Ana Malhoa, Soraia Chaves, Jessica Alba, Diana Chaves, Fernando Pessoa, Carla Matadinho, Paris Hilton e Amy Winehouse.

E Deus criou a Mulher


Eva Green

Vão lá ver (com actualizações ao longo do dia). E alguém que ponha creme nas costas da Eva.

segunda-feira

Um ventre profícuo e uma capacidade de organização assombrosa

Família, Igreja, FlorCaveira, um novo blogue... e não dizes nada à gente, Tiago? (via Gustavo Nagel)

As listas dos outros



Não incluem o filme de animação Persepolis, de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud. (Teve estreia este ano e é uma maravilha.)

domingo

Saudades de Meryl Streep

O maior logro cinematográfico de 2008, mesmo no limite, é Australia, um filme patético a todos os níveis passíveis de enumeração. Anunciá-lo como "o novo África Minha" é de uma desonestidade que devia dar direito a reembolso, com indemnização por danos vários (quase três horas de vida perdidas, fazer de mim parva, irritabilidade, utilização indevida e abusiva da nostalgia do Feiticeiro de Oz, etc.) - apesar da culpa também ser minha, que concordei em embarcar numa viagem de alto risco. Pela vossa saúde, não vão ver.

Não tenho nada para vestir


Maggie Gyllenhaal

O convite foi surpreendente, era irrecusável, e o método muito simples: pensar em mulheres (que acho) bonitas, procurar fotografias sugestivas (humm), legendá-las e enviá-las para publicação no E Deus Criou a Mulher. A ideia do Miguel de deixar a edição (de um dos blogues mais apetecíveis e visitados de sempre) nas mãos de female bloggers tem sido um êxito.

É interessante verificar que o imaginário feminino, embora variado, acaba por convergir na concepção estética do que é a sedução (pela imagem). Há sempre um compromisso entre o que sabemos que os excita, generalizando a entidade eles (e elas também, se quisermos ser polticamente correctos, boring), e o que nós achamos que merece e deve ser apreciado numa mulher. Fazem-se cedências, só até certo ponto. Não mostramos rabos que não tenham feito um bom filme, fantasias de pacote, nem mamilos sem QI ou produções de moda falhadas. Discordam?

Anyway, basta de divagações sobre o desejo de uns e outros, e vamos ao que interessa: na próxima terça-feira, dia 30, quase a fechar o ano, é a minha vez. Espero que gostem.

segunda-feira

Boas festas


Henri Cartier-Bresson, Queen Charlotte's Ball, 1959

Aposto que este ano, mais uma vez, ninguém me vai oferecer meias

Está tudo bem, já tenho os presentes. Doem-me um pouco os pés de tantas voltas, mas desde que vi uma rapariga a andar de muletas cheia de sacos com embrulhos, sem ninguém para a ajudar, proibi-me de reincidir em auto-comiseração por causa das compras de Natal. Estava quase a chegar a minha vez de apresentar ao serviço o cartão multibanco quando vi uma grávida, tão bonita, tão grávida, uma fila de gente sem fim para pagar na caixa, um calor dentro da loja que não se podia, e a grávida, tão bonita, quase a desfalecer. Fiz-lhe sinal para que avançasse, "Cedo-lhe a minha vez", disse eu. Ficou tudo de trombas, as pessoas que na fila estavam atrás de mim e à frente dela. Mas caladinhos. Paciência. Faz-se o que for necessário pelo bem-estar de uma grávida. Ela agradeceu (mais bonita ficou) e não resisti a gracejar, "A barriga é de verdade, não é? Espero que não seja um truque..." Só ela é que se riu, o resto da fila continuou de trombas. Depois na parte dos brinquedos, um pirralho que não tinha mais de 9 ou 10 anos vira-se para a mãe e diz, "Vou levar isto para a não-sei-quantas. Paga tu, que eu dou-te o dinheiro em casa." Está-se mesmo a ver! Nisto liga-me o meu Pai. Tinha-lhe dito que precisava de um disco externo para o meu portátil (back-ups, back-ups). Ele queria saber de que capacidade, quantos gigas. Não sabia bem o que escolher. Pergunta-me então, já um bocado enervado, "Diz aqui no catálogo que há um que dá para toda a Biblioteca Nacional. Achas que chega?" Ehehehe.

Gary Cooper!*



Gosto muito do filme The Fountainhead [Vontade Indómita], dos actores que o protagonizaram e ainda mais do blog do Pedro Duarte Bento. Agradeço a oportunidade para publicar um post que tinha em rascunho há algum tempo e que corria o risco de ficar esquecido. Bate tudo certo. Merry Christmas.

*com uma pitada de Gradisca

sábado

De passagem


Ricard Prince, série "Cowboys", 1983

quarta-feira

Céus


Lara Flynn Boyle

Já viram o peito do maradona? Tão sexy... E eu que continuo com zero presentes comprados. É mais um dia que passa.

terça-feira

Ponto da minha situação natalícia

0(zero) presentes comprados, 0(zero) presentes pensados e uma gigantesca dor de cabeça sempre que penso na inevitabilidade de ter de me enfiar numa qualquer superfície comercial não tarda.

Da outra margem


Praia da Trafaria, Almada


Trafaria


Trafaria


Costa da Caparica


Areal da Costa da Caparica


Costa da Caparica


Costa da Caparica


Antigo Cais Fluvial da Trafaria

Fotografias do Estúdio Mário Novais, originais dos anos 40, disponíveis desde ontem no Flickr Pro da Biblioteca de Arte da Fundação Gulbenkian. Para o maradona.

Adenda: o maradona esclareceu a dúvida que havia quanto à identificação da última fotografia. Não se tratava de Cacilhas, mas sim do antigo Cais Fluvial da Trafaria. O staff deste blogue agradece a atenção.

Matar saudades



Um ano depois, fui ao cinema para (re)ver Viggo Mortensen. Quando Appaloosa estrear em Portugal (Janeiro 2009), hei-de ir outra vez, para ver o filme.

Isto não é arte contemporânea



Ai não? Então é o quê, emoldurar o aquecimento (ainda por cima a funcionar em pleno - estava quentinho), numa casa particular de Madrid, com este magnífico resultado?

sexta-feira

Hasta luego



Eu hoje acordei de mala feita e (continuo) de boa saúde. Tenho escapado incólume às enfermidades que me rodeiam, também por mérito próprio: exposição condicionada (poucas saídas à noite, sempre fortemente agasalhada) e alguma paranóia. Perdoem-me a falta de solidariedade com achaques e febres alheias (melhoras rápidas, é o que vos desejo), mas não podia de maneira nenhuma pôr em risco os meus planos de me reunir nos próximos dias com amigos de longa data, daqueles com quem vivemos momentos-chave da nossa formação pessoal e com quem, mesmo que se passem anos sem haver contacto (a vida dá muitas voltas), foi criada uma cumplicidade eterna. Sou filha única e para mim é o mais parecido que existe com ter irmãos (o que também vem contrariar a teoria absurda, na minha opinião, de que homens e mulheres não conseguem manter uma amizade que não passe pela cama). Por outro lado, com tanta conversa para pôr em dia e níveis de alcoolémia para repor, não sei se vai sobrar tempo para ver museus, que é coisa que não costumo dispensar quando visito grandes cidades (que querem?, manias). Talvez o Jamón... Bom fim-de-semana.

Eu hoje acordei assim...



... amarela e de gola alta. Porque tem sido uma semana de alguma apreensão. Quase todas as pessoas que trabalham à minha volta estão adoentadas (e até a professora de yoga, caramba). Duas delas tiveram, inclusivamente, de ir para casa. Ainda não apresento quaisquer sintomas gripais, mas já estou a sofrer imenso por antecipação. É só uma questão de tempo, I see the whole picture: mais uns dias, até começar a sentir uma impressãozinha na garganta, depois os olhos a arder, a cabeça a latejar... Mas o pior vai ser a tosse. Odeio tosse. (Como se alguém gostasse.) Enfim, aguardemos com serenidade. Se ficar de cama, posso sempre vidrar-me na TV, com as carradas de episódios dos Simpsons e de outras séries que tenho gravadas no meu MEO e às quais não consigo dar vazão durante a semana.

A sugestão do auto-retrato 'simpsoniano' veio da Charlotte. É tão giro, experimentem, meninas Limão, Helena e T. Metatísica. Tu também, Samuel (veremos se bate a capa do Ípsilon de hoje). E o Rui, o Miguel, o Bruno, o Yesterday Man e o Daniel.

Por falar em contágio, enviaram-me (obrigada, MigMag) um link para o MySpace de La Roux, com uma recomendação para a terceira faixa que lá está, "Reflections are Protection". Música de dança melancólica, pegou-se-me ao ouvido, absolutamente contagiante. Senhora enfermeira!

domingo

The nursing profession was not amused


Richard Prince dresses Kate Moss.

For their September issue [2003], the editors of W magazine invited a bunch of artists and photographers to have their way with Kate Moss—to depict the waifish muse however they wanted: naked, clothed, flipping burgers, lying around, and fondling a pet monkey. Among the artists commissioned was Richard Prince, who photographed Moss decked out as a nurse in a shiny, white vinyl uniform with a zipper up the front, her hand on her hip, and a come-hither look in her eye. The nursing profession was not amused. Slate, Oct.2003

O lixo (post-pulp)

The way she looks in the morning! She ran after the garbage man and said "Am I too late for the garbage?" He said: "No, jump in."
(Richard Price, uma de série de 6 'jokes', em exposição na Ellipse Foundation - improvável espaço, entre a Makro e um stand da BMW, em Alcoitão - onde estive hoje.)

- Olha, o camião do lixo.
- Diz-lhes que é só calçar-me e vou já descer.

(Terapia Metatísica, Jul.2008)

Would the garbage profession be amused? (pergunto eu, a pensar no debate do humor, também aqui).

sexta-feira

Cabeça fria



The photographer Herbert Ponting posing for a polar portrait in Antarctica, January 1912. He provided his own caption: "Ponting cooling his head"

Guardian.co.uk

terça-feira

Revista de moda (II)



The New Yorker, Nov.2008

sábado

Revista de moda


Com Róisín Murphy "casaco de antílope" ganha um novo sentido.


Quem vê caras não vê chapéus.

Fotos © Miguel Gaspar

quarta-feira

Balls

domingo

Sejamos justos, Deus também criou o homem



E a publicidade, já agora. A Gucci foi muito feliz com a contratação de James Franco para vender perfume. Ele é francamente bonito, sem dar nas vistas; tem graça, sem precisar de se armar em engraçadinho (ver, a título de exemplo, o Screen test para o New York Times ou a entrevista no programa do Letterman para atestar o sorriso irresistível, vagamente vampiresco, eu virava-lhe a face e diria: toma o meu pescoço, James, é todo teu); e com certeza cheira bem. Qualquer mulher no seu perfeito juízo se tornaria voluntariamente "slave to love" por ele - como diz a música de Brian Ferry, aqui numa excelente versão electro de Róisín Murphy (fantástica em concerto esta semana no Coliseu), que devia ser obrigatória nas pistas de dança.

Por enquanto não tenho mais nada a acrescentar em defesa da causa, a não ser uma referência agradecida ao Miguel Marujo pela nomeação casta do meu blogue no E Deus Criou a Mulher. (E que bela foto me calhou da Laetitia, numa variante do vestidinho preto: com umas calças de ganga e uma camisa branca, nunca me comprometo!... A Gucci aprovaria.)

Disposta a assinar uma petição

O Tame the Kant evaporou-se. Estamos contra.

terça-feira

Linked in

Networks will also be critical for individuals. This is the first downturn we have faced with the web woven into our lives. A recession will be a boon [benção] for the web’s pro-am, do-it-yourself ethic.

» Spectator (obrigada pelo link, Luís)



Wilco, Sky Blue Sky (2007)

sábado


Kathy Prendergast (b. 1958, Dublin)
City Drawings Series [Addis Ababa], 1997
City Drawings Series [London], 1997


Kathy Prendergast
Body Map Series, 1983

sexta-feira

Product placement (II)



Molhar os pés em Dog's Bay, na costa oeste da Irlanda. Fotografia com sol, areia fina e o alto patrocínio da Camper.

Realismo revisitado


Harry Jones Thaddeus, The Wounded Poacher (1881)

Demorei-me em frente deste quadro na National Gallery (lá fora chovia, chovia). Vejo aqui muita coisa, mas, à luz dos tempos que correm, as lebres mortas no chão afiguram-se-me como instituições bancárias falidas (que se deixaram apanhar), o caçador moribundo ferido é o sistema financeiro, e a mulher parece-se com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, sem querer insinuar que o senhor é efeminado.

Aspecto microeconómico



Afixado num pub de Dublin, o SIN É (expressão em irlandês que significa "That's it"). Meio litro de cerveja a preço de saldo, em Outubro de 2008.

quinta-feira

Product placement

Um irlandês que escreveu em francês

«Não querer dizer, não saber o que queremos dizer, não poder acreditar no que queremos dizer, e no entanto dizer, ou quase, eis o que importa não perder de vista, no calor da escrita.»

Samuel Beckett, em Molloy

quarta-feira

Nunca vi o Rochemback mais gordo

Mas ouvi falar em dieta...

sábado

Suspiro

Outrologicamente, perguntar

Em Tame the Kant (fresquinho na blogosfera):

Respondam-me a isto, por favor: afinal, quem é o "Outro"? Que espécie de Deus ou sorte de fantasma é ele, de quem me contam asiaticamente tragédias, tragédias que não percebo de todo, como se eu o Lázaro de um coma infinito qualquer, ressuscitasse para um mundo pós-qualquer-coisa, sei lá bem quê, com novos ídolos? ("Merda, faltei a essa aula. Não vi essa parte do filme. Não, não vi as notícias. Caramba, não estava cá. E tirar isto a limpo?") É todo um outro esquema conceptual. Ando antropologicamente analfabeto por causa dele: privadamente humilhado, ontologicamente amputado, outrologicamente excluído. Ando outro por causa disto, nem me sinto completamente eu. "Haverá outros como eu?"

Enfim, parece que não. Ouço-os falar a todos e abano a cabeça que sim, mas receio bem o contrário, porque ele, o "Outro", de que todos falam, é para mim, como dizia o outro (mas não ele-mesmo, mais ou menos por estas palavras:) "toda uma civilização". Não sei quem é; realmente, nunca o vi; consta que o devia conhecer. E tenho direito a conhecê-lo, fogo! Mas por um azar cósmico do caraças, chego sempre atrasado à conversa; até mesmo na televisão se fala dele; inventaram-se verbos e substantivos para falar dele! Mas eu o Lázaro in medias res, ele é como para mim (e ignorem-me a rima) em chinês. Que diabo é o "Outro", diabos?!

A pior parte é que, pelo que tiro vagamente das conversas, devia ter pena dele. E isso redobra a angústia. Dó de mim: também quero sentir pena dele; não me roubem o direito à pena; contem-me a tragédia inteira dele; tudinho; tim-tim por tim-tim. Piedade, ó quem sabe a resposta, esclareçam quem é; é-me urgente ligar os pontos, realizar o nexo mental, clarificar este sentimento, viver a catarse, gozar o consolo: o da identificação, porra, não mo tirem! Não vivo sem isso! Ó "Outro" quem quer que sejas pobrezinho, é o mínimo que te devo.

Por amor de Kant! Quem é o "Outro"?


Ainda no outro dia me colocava a mesma questão. Quer dizer, não é que me coloque este género de questões logo pela manhã, quando vou na linha azul. Aí é costume interrogar-me comezinhamente sobre o que é que o "outro" (com minúscula), mesmo à minha frente, estará a ouvir no leitor de mp3. Tenho sempre imensa curiosidade em sabê-lo. Formulo hipóteses a partir de coisa nenhuma, até que o passageiro perscrutado desapareça na estação seguinte. Ou disperso antes disso, quando sou interrompida por uma travagem brusca, mais do que frequente, o que provoca a deslocação de corpos em massa, geralmente uns para cima do "outro" (com minúscula). E é então que regresso à questão que me ocupa há tanto tempo (há quanto tempo, meu deus, demasiado): como é possível não saber conduzir um comboio? Não pode haver muitas dúvidas sobre qual o percurso a seguir, GPS só se for para passar o tempo, debaixo da terra não há semáforos a cada esquina nem lombas nem passadeiras (por enquanto, pois sabe-se lá o que nos trará o futuro), nunca surge uma árvore em curva inesperada (e se há peão, não devia haver, vida madrasta), a papinha está toda feita pelos carris. É só acelerar, desacelerar, acelerar, desacelerar, e enfim travar. SUAVEMENTE, raios partam o condutor do metro, esse "outro" (com minúscula) inepto. Está com pressa? Não sei porquê, já se vê que picou o ponto. Não compreendo, nem aqui sentada, nem aos solavancos. Segunda-feira teremos com certeza uma nova e recorrente oportunidade para pensar nisso.

Dizíamos, perguntávamos, quem é o "Outro"? (com maiúscula), vamos lá. Não pode ser aquele que vai na linha azul, com fónes nos ouvidos, como eu. Ou pode? Sim? Não? Afinal onde está ele?

Achei que devia começar por aí, fazendo directamente a pergunta. Era uma mini-entrevista, inofensiva, de resto, até tinha sido eu a sugerir que a fizéssemos, dadas as circunstâncias. Mas por email, portanto nem corria o risco de levar na cara com um sorriso introdutório academicó-condescendente. De qualquer forma, precavi-me. Antes de enviar o questionário, fui ter com o Outro (maiúscula de respeitinho, sem aspas), que percebe destas coisas, pedir-lhe que me ajudasse a perguntar. Acha que é palerma perguntar-lhe quem é o "Outro"?, perguntei. Ele respondeu que não, mas que melhor seria perguntar quem é o "Outro", vírgula, hoje.

Bacon after Duchamp after Muybridge

A terceira dimensão, a passagem do tempo, o movimento.

segunda-feira

Hirst on Bacon


Portrait of Lucian Freud on Orange Couch, Francis Bacon
1965, Oil on canvas
Private collection

If you compare him to Lucian Freud, say, it's obvious that Freud is the more technically accomplished painter. He can read what he sees, and render it. Bacon couldn't do that. If you look at the feet in his paintings, they're bloody awful. He can't do boots. [Laughs] But it's so bloody powerful. His work always veers into the imagination. There's always this raw, dark power, this visceral energy that is compelling. The paint is alive.(...)

I was obsessed with him as a young painter. I was into punk and I was into Bacon. He was out there on his own. You had the Surrealists, the Impressionists, the Pointillists and all the other ists, and you had Bacon. I gave up painting at 15 because of him. I was just doing bad Bacons. I saw his work and I stopped wanting to be a painter. I stepped aside into sculpture. I've gone back lately, though. For the last two years I've been in the shed slapping paint on canvas. Big and small paintings. Skulls, crows, tryptichs. Dark blue. Baconesque. He's a supreme colourist. Beautiful colours. He seduces you with colour.

I have five Bacons now. They'll end up in the Manor [Hirst's country estate in Toddington]. I have one on the wall by the TV. I watch it more than I watch the TV. You can't not look at it. It demands your attention, pulls you in. It's just unbelievable to me that I own them.(...)

quinta-feira

Fazer dinheiro é arte


Damien Hirst ao lado de Anatomy of an Angel, na Sotheby's

«Quando, em 1494, o banco Medici faliu em Florença, os artistas e pintores a que a família generosamente encomendava trabalhos entraram em pânico. Acabara o mecenato. O banco Medici falira, devido à depressão económica e à agressão francesa. Tudo mudou. Enquanto bancos vão à falência, enterrando um modelo de negócio, nunca a arte conheceu dias tão rentáveis. Parece um paradoxo. O Lehman Brothers não conseguiu atrair dinheiro fresco e, ao mesmo tempo, em Londres, a Sotheby's continuava o seu leilão de 223 novas obras do artista Damien Hirst, tendo até agora atingido um valor de vendas de 126 milhões de euros. Isto é, quando falta liquidez para salvar um banco, há dinheiro a mais para comprar obras de arte que ainda não foram testadas pela sensatez do tempo. Um banco vale, hoje, menos do que as obras experimentais de Hirst. Isto é, uma obra cujo valor é garantido pela subjectividade é hoje considerada um investimento mais seguro do que um banco de investimento. Para além do leilão modificar radicalmente as regras de negócio das obras de arte, ele perpetua duas lógicas: a que começou nos anos 60, em que a arte começou a ser considerada um investimento, e, nas palavras de Andy Warhol, que "fazer dinheiro é arte e trabalhar é arte e bons negócios são a melhor arte". Donde quase se poderia dizer que a subjectividade da arte venceu a subjectividade dos produtos financeiros derivados. Os artistas derrotaram aqueles que foram os seus mecenas? Será esta a nova forma de negócio que aí vem?»

Fernando Sobral, A arte e a finança, hoje, no Jornal de Negócios

À falta de melhor

«Being needed: the next best thing to being wanted.»

(definição ouvida numa série da tv)

The pool girls


Venice, California

domingo

The Beach Boys, pet sounds

sábado

Tratar todas as faces por igual

Sim, eu tenho amigos de direita, mas da direita democrática: gente que se cumprimenta com dois beijinhos.

Ilha quase Deserta


ao fundo dois pescadores

Nem o mau tempo nos demoveu de ir ao ponto mais a sul de Portugal Continental.

O céu sobre Faro



Perspectiva do meu telemóvel, no topo da Fábrica da Cerveja.

Medo do escuro (ii)

Santa Ágata, Oficina Maneirista Algarvia, finais do séc. XVI

Encontrei este quadro quando circulava no Museu Municipal (lá fora chovia). Estava pendurado no corredor menos iluminado entre as salas do Convento, e não resisti a fotografá-lo (peço imensa desculpa, suponho que não seja permitido). Deixou-me tão impressionada que continuo a pensar nele, uma semana depois. Uma mulher com uma bandeja nas mãos, onde repousam as suas maminhas, digo, seios (respeito pela Santa) cortados.

Como não conhecia a história desta mártir, fui procurar: Ágata foi vítima das perseguições do Imperador Décio(?) aos cristãos, por volta do ano 250. No entanto o que precipitou a tortura dela terá sido o despeito (não sei se estou a ser muito feliz com esta palavra) de um cônsul romano quando ela se recusou a casar com ele. Consta que era muito bonita, vinda de uma família nobre da Catânia (Sicília), e com uma fervorosa devoção a Cristo. Tentaram corrompê-la enfiando-a num bordel, mas ela não cedeu. Então mandaram-na para os calabouços onde lhe fizeram esta atrocidade (entre outras). Depois de ter tido uma visão de São Pedro as suas feridas sararam. Claro que a história não acaba aqui, embora não seja difícil de imaginar o resto: mais torturas, mais milagres, torturas, milagres. Canonização.

O relato desta amputação pode ser verdadeiro ou pode ser inventado. É indiferente. Será sempre produto da mente humana. E esse é o maior horror.

quinta-feira

Acelerador de partículas?


Feeling Material VII (série), Antony Gormley, 2003