terça-feira

Isto não é arte contemporânea



Ai não? Então é o quê, emoldurar o aquecimento (ainda por cima a funcionar em pleno - estava quentinho), numa casa particular de Madrid, com este magnífico resultado?

sexta-feira

Hasta luego



Eu hoje acordei de mala feita e (continuo) de boa saúde. Tenho escapado incólume às enfermidades que me rodeiam, também por mérito próprio: exposição condicionada (poucas saídas à noite, sempre fortemente agasalhada) e alguma paranóia. Perdoem-me a falta de solidariedade com achaques e febres alheias (melhoras rápidas, é o que vos desejo), mas não podia de maneira nenhuma pôr em risco os meus planos de me reunir nos próximos dias com amigos de longa data, daqueles com quem vivemos momentos-chave da nossa formação pessoal e com quem, mesmo que se passem anos sem haver contacto (a vida dá muitas voltas), foi criada uma cumplicidade eterna. Sou filha única e para mim é o mais parecido que existe com ter irmãos (o que também vem contrariar a teoria absurda, na minha opinião, de que homens e mulheres não conseguem manter uma amizade que não passe pela cama). Por outro lado, com tanta conversa para pôr em dia e níveis de alcoolémia para repor, não sei se vai sobrar tempo para ver museus, que é coisa que não costumo dispensar quando visito grandes cidades (que querem?, manias). Talvez o Jamón... Bom fim-de-semana.

Eu hoje acordei assim...



... amarela e de gola alta. Porque tem sido uma semana de alguma apreensão. Quase todas as pessoas que trabalham à minha volta estão adoentadas (e até a professora de yoga, caramba). Duas delas tiveram, inclusivamente, de ir para casa. Ainda não apresento quaisquer sintomas gripais, mas já estou a sofrer imenso por antecipação. É só uma questão de tempo, I see the whole picture: mais uns dias, até começar a sentir uma impressãozinha na garganta, depois os olhos a arder, a cabeça a latejar... Mas o pior vai ser a tosse. Odeio tosse. (Como se alguém gostasse.) Enfim, aguardemos com serenidade. Se ficar de cama, posso sempre vidrar-me na TV, com as carradas de episódios dos Simpsons e de outras séries que tenho gravadas no meu MEO e às quais não consigo dar vazão durante a semana.

A sugestão do auto-retrato 'simpsoniano' veio da Charlotte. É tão giro, experimentem, meninas Limão, Helena e T. Metatísica. Tu também, Samuel (veremos se bate a capa do Ípsilon de hoje). E o Rui, o Miguel, o Bruno, o Yesterday Man e o Daniel.

Por falar em contágio, enviaram-me (obrigada, MigMag) um link para o MySpace de La Roux, com uma recomendação para a terceira faixa que lá está, "Reflections are Protection". Música de dança melancólica, pegou-se-me ao ouvido, absolutamente contagiante. Senhora enfermeira!

domingo

The nursing profession was not amused


Richard Prince dresses Kate Moss.

For their September issue [2003], the editors of W magazine invited a bunch of artists and photographers to have their way with Kate Moss—to depict the waifish muse however they wanted: naked, clothed, flipping burgers, lying around, and fondling a pet monkey. Among the artists commissioned was Richard Prince, who photographed Moss decked out as a nurse in a shiny, white vinyl uniform with a zipper up the front, her hand on her hip, and a come-hither look in her eye. The nursing profession was not amused. Slate, Oct.2003

O lixo (post-pulp)

The way she looks in the morning! She ran after the garbage man and said "Am I too late for the garbage?" He said: "No, jump in."
(Richard Price, uma de série de 6 'jokes', em exposição na Ellipse Foundation - improvável espaço, entre a Makro e um stand da BMW, em Alcoitão - onde estive hoje.)

- Olha, o camião do lixo.
- Diz-lhes que é só calçar-me e vou já descer.

(Terapia Metatísica, Jul.2008)

Would the garbage profession be amused? (pergunto eu, a pensar no debate do humor, também aqui).

sexta-feira

Cabeça fria



The photographer Herbert Ponting posing for a polar portrait in Antarctica, January 1912. He provided his own caption: "Ponting cooling his head"

Guardian.co.uk

terça-feira

Revista de moda (II)



The New Yorker, Nov.2008

sábado

Revista de moda


Com Róisín Murphy "casaco de antílope" ganha um novo sentido.


Quem vê caras não vê chapéus.

Fotos © Miguel Gaspar

quarta-feira

Balls

domingo

Sejamos justos, Deus também criou o homem



E a publicidade, já agora. A Gucci foi muito feliz com a contratação de James Franco para vender perfume. Ele é francamente bonito, sem dar nas vistas; tem graça, sem precisar de se armar em engraçadinho (ver, a título de exemplo, o Screen test para o New York Times ou a entrevista no programa do Letterman para atestar o sorriso irresistível, vagamente vampiresco, eu virava-lhe a face e diria: toma o meu pescoço, James, é todo teu); e com certeza cheira bem. Qualquer mulher no seu perfeito juízo se tornaria voluntariamente "slave to love" por ele - como diz a música de Brian Ferry, aqui numa excelente versão electro de Róisín Murphy (fantástica em concerto esta semana no Coliseu), que devia ser obrigatória nas pistas de dança.

Por enquanto não tenho mais nada a acrescentar em defesa da causa, a não ser uma referência agradecida ao Miguel Marujo pela nomeação casta do meu blogue no E Deus Criou a Mulher. (E que bela foto me calhou da Laetitia, numa variante do vestidinho preto: com umas calças de ganga e uma camisa branca, nunca me comprometo!... A Gucci aprovaria.)

Disposta a assinar uma petição

O Tame the Kant evaporou-se. Estamos contra.

terça-feira

Linked in

Networks will also be critical for individuals. This is the first downturn we have faced with the web woven into our lives. A recession will be a boon [benção] for the web’s pro-am, do-it-yourself ethic.

» Spectator (obrigada pelo link, Luís)



Wilco, Sky Blue Sky (2007)

sábado


Kathy Prendergast (b. 1958, Dublin)
City Drawings Series [Addis Ababa], 1997
City Drawings Series [London], 1997


Kathy Prendergast
Body Map Series, 1983

sexta-feira

Product placement (II)



Molhar os pés em Dog's Bay, na costa oeste da Irlanda. Fotografia com sol, areia fina e o alto patrocínio da Camper.

Realismo revisitado


Harry Jones Thaddeus, The Wounded Poacher (1881)

Demorei-me em frente deste quadro na National Gallery (lá fora chovia, chovia). Vejo aqui muita coisa, mas, à luz dos tempos que correm, as lebres mortas no chão afiguram-se-me como instituições bancárias falidas (que se deixaram apanhar), o caçador moribundo ferido é o sistema financeiro, e a mulher parece-se com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, sem querer insinuar que o senhor é efeminado.

Aspecto microeconómico



Afixado num pub de Dublin, o SIN É (expressão em irlandês que significa "That's it"). Meio litro de cerveja a preço de saldo, em Outubro de 2008.

quinta-feira

Product placement

Um irlandês que escreveu em francês

«Não querer dizer, não saber o que queremos dizer, não poder acreditar no que queremos dizer, e no entanto dizer, ou quase, eis o que importa não perder de vista, no calor da escrita.»

Samuel Beckett, em Molloy

quarta-feira

Nunca vi o Rochemback mais gordo

Mas ouvi falar em dieta...

sábado

Suspiro

Outrologicamente, perguntar

Em Tame the Kant (fresquinho na blogosfera):

Respondam-me a isto, por favor: afinal, quem é o "Outro"? Que espécie de Deus ou sorte de fantasma é ele, de quem me contam asiaticamente tragédias, tragédias que não percebo de todo, como se eu o Lázaro de um coma infinito qualquer, ressuscitasse para um mundo pós-qualquer-coisa, sei lá bem quê, com novos ídolos? ("Merda, faltei a essa aula. Não vi essa parte do filme. Não, não vi as notícias. Caramba, não estava cá. E tirar isto a limpo?") É todo um outro esquema conceptual. Ando antropologicamente analfabeto por causa dele: privadamente humilhado, ontologicamente amputado, outrologicamente excluído. Ando outro por causa disto, nem me sinto completamente eu. "Haverá outros como eu?"

Enfim, parece que não. Ouço-os falar a todos e abano a cabeça que sim, mas receio bem o contrário, porque ele, o "Outro", de que todos falam, é para mim, como dizia o outro (mas não ele-mesmo, mais ou menos por estas palavras:) "toda uma civilização". Não sei quem é; realmente, nunca o vi; consta que o devia conhecer. E tenho direito a conhecê-lo, fogo! Mas por um azar cósmico do caraças, chego sempre atrasado à conversa; até mesmo na televisão se fala dele; inventaram-se verbos e substantivos para falar dele! Mas eu o Lázaro in medias res, ele é como para mim (e ignorem-me a rima) em chinês. Que diabo é o "Outro", diabos?!

A pior parte é que, pelo que tiro vagamente das conversas, devia ter pena dele. E isso redobra a angústia. Dó de mim: também quero sentir pena dele; não me roubem o direito à pena; contem-me a tragédia inteira dele; tudinho; tim-tim por tim-tim. Piedade, ó quem sabe a resposta, esclareçam quem é; é-me urgente ligar os pontos, realizar o nexo mental, clarificar este sentimento, viver a catarse, gozar o consolo: o da identificação, porra, não mo tirem! Não vivo sem isso! Ó "Outro" quem quer que sejas pobrezinho, é o mínimo que te devo.

Por amor de Kant! Quem é o "Outro"?


Ainda no outro dia me colocava a mesma questão. Quer dizer, não é que me coloque este género de questões logo pela manhã, quando vou na linha azul. Aí é costume interrogar-me comezinhamente sobre o que é que o "outro" (com minúscula), mesmo à minha frente, estará a ouvir no leitor de mp3. Tenho sempre imensa curiosidade em sabê-lo. Formulo hipóteses a partir de coisa nenhuma, até que o passageiro perscrutado desapareça na estação seguinte. Ou disperso antes disso, quando sou interrompida por uma travagem brusca, mais do que frequente, o que provoca a deslocação de corpos em massa, geralmente uns para cima do "outro" (com minúscula). E é então que regresso à questão que me ocupa há tanto tempo (há quanto tempo, meu deus, demasiado): como é possível não saber conduzir um comboio? Não pode haver muitas dúvidas sobre qual o percurso a seguir, GPS só se for para passar o tempo, debaixo da terra não há semáforos a cada esquina nem lombas nem passadeiras (por enquanto, pois sabe-se lá o que nos trará o futuro), nunca surge uma árvore em curva inesperada (e se há peão, não devia haver, vida madrasta), a papinha está toda feita pelos carris. É só acelerar, desacelerar, acelerar, desacelerar, e enfim travar. SUAVEMENTE, raios partam o condutor do metro, esse "outro" (com minúscula) inepto. Está com pressa? Não sei porquê, já se vê que picou o ponto. Não compreendo, nem aqui sentada, nem aos solavancos. Segunda-feira teremos com certeza uma nova e recorrente oportunidade para pensar nisso.

Dizíamos, perguntávamos, quem é o "Outro"? (com maiúscula), vamos lá. Não pode ser aquele que vai na linha azul, com fónes nos ouvidos, como eu. Ou pode? Sim? Não? Afinal onde está ele?

Achei que devia começar por aí, fazendo directamente a pergunta. Era uma mini-entrevista, inofensiva, de resto, até tinha sido eu a sugerir que a fizéssemos, dadas as circunstâncias. Mas por email, portanto nem corria o risco de levar na cara com um sorriso introdutório academicó-condescendente. De qualquer forma, precavi-me. Antes de enviar o questionário, fui ter com o Outro (maiúscula de respeitinho, sem aspas), que percebe destas coisas, pedir-lhe que me ajudasse a perguntar. Acha que é palerma perguntar-lhe quem é o "Outro"?, perguntei. Ele respondeu que não, mas que melhor seria perguntar quem é o "Outro", vírgula, hoje.

Bacon after Duchamp after Muybridge

A terceira dimensão, a passagem do tempo, o movimento.

segunda-feira

Hirst on Bacon


Portrait of Lucian Freud on Orange Couch, Francis Bacon
1965, Oil on canvas
Private collection

If you compare him to Lucian Freud, say, it's obvious that Freud is the more technically accomplished painter. He can read what he sees, and render it. Bacon couldn't do that. If you look at the feet in his paintings, they're bloody awful. He can't do boots. [Laughs] But it's so bloody powerful. His work always veers into the imagination. There's always this raw, dark power, this visceral energy that is compelling. The paint is alive.(...)

I was obsessed with him as a young painter. I was into punk and I was into Bacon. He was out there on his own. You had the Surrealists, the Impressionists, the Pointillists and all the other ists, and you had Bacon. I gave up painting at 15 because of him. I was just doing bad Bacons. I saw his work and I stopped wanting to be a painter. I stepped aside into sculpture. I've gone back lately, though. For the last two years I've been in the shed slapping paint on canvas. Big and small paintings. Skulls, crows, tryptichs. Dark blue. Baconesque. He's a supreme colourist. Beautiful colours. He seduces you with colour.

I have five Bacons now. They'll end up in the Manor [Hirst's country estate in Toddington]. I have one on the wall by the TV. I watch it more than I watch the TV. You can't not look at it. It demands your attention, pulls you in. It's just unbelievable to me that I own them.(...)

quinta-feira

Fazer dinheiro é arte


Damien Hirst ao lado de Anatomy of an Angel, na Sotheby's

«Quando, em 1494, o banco Medici faliu em Florença, os artistas e pintores a que a família generosamente encomendava trabalhos entraram em pânico. Acabara o mecenato. O banco Medici falira, devido à depressão económica e à agressão francesa. Tudo mudou. Enquanto bancos vão à falência, enterrando um modelo de negócio, nunca a arte conheceu dias tão rentáveis. Parece um paradoxo. O Lehman Brothers não conseguiu atrair dinheiro fresco e, ao mesmo tempo, em Londres, a Sotheby's continuava o seu leilão de 223 novas obras do artista Damien Hirst, tendo até agora atingido um valor de vendas de 126 milhões de euros. Isto é, quando falta liquidez para salvar um banco, há dinheiro a mais para comprar obras de arte que ainda não foram testadas pela sensatez do tempo. Um banco vale, hoje, menos do que as obras experimentais de Hirst. Isto é, uma obra cujo valor é garantido pela subjectividade é hoje considerada um investimento mais seguro do que um banco de investimento. Para além do leilão modificar radicalmente as regras de negócio das obras de arte, ele perpetua duas lógicas: a que começou nos anos 60, em que a arte começou a ser considerada um investimento, e, nas palavras de Andy Warhol, que "fazer dinheiro é arte e trabalhar é arte e bons negócios são a melhor arte". Donde quase se poderia dizer que a subjectividade da arte venceu a subjectividade dos produtos financeiros derivados. Os artistas derrotaram aqueles que foram os seus mecenas? Será esta a nova forma de negócio que aí vem?»

Fernando Sobral, A arte e a finança, hoje, no Jornal de Negócios

À falta de melhor

«Being needed: the next best thing to being wanted.»

(definição ouvida numa série da tv)

The pool girls


Venice, California

domingo

The Beach Boys, pet sounds

sábado

Tratar todas as faces por igual

Sim, eu tenho amigos de direita, mas da direita democrática: gente que se cumprimenta com dois beijinhos.

Ilha quase Deserta


ao fundo dois pescadores

Nem o mau tempo nos demoveu de ir ao ponto mais a sul de Portugal Continental.

O céu sobre Faro



Perspectiva do meu telemóvel, no topo da Fábrica da Cerveja.

Medo do escuro (ii)

Santa Ágata, Oficina Maneirista Algarvia, finais do séc. XVI

Encontrei este quadro quando circulava no Museu Municipal (lá fora chovia). Estava pendurado no corredor menos iluminado entre as salas do Convento, e não resisti a fotografá-lo (peço imensa desculpa, suponho que não seja permitido). Deixou-me tão impressionada que continuo a pensar nele, uma semana depois. Uma mulher com uma bandeja nas mãos, onde repousam as suas maminhas, digo, seios (respeito pela Santa) cortados.

Como não conhecia a história desta mártir, fui procurar: Ágata foi vítima das perseguições do Imperador Décio(?) aos cristãos, por volta do ano 250. No entanto o que precipitou a tortura dela terá sido o despeito (não sei se estou a ser muito feliz com esta palavra) de um cônsul romano quando ela se recusou a casar com ele. Consta que era muito bonita, vinda de uma família nobre da Catânia (Sicília), e com uma fervorosa devoção a Cristo. Tentaram corrompê-la enfiando-a num bordel, mas ela não cedeu. Então mandaram-na para os calabouços onde lhe fizeram esta atrocidade (entre outras). Depois de ter tido uma visão de São Pedro as suas feridas sararam. Claro que a história não acaba aqui, embora não seja difícil de imaginar o resto: mais torturas, mais milagres, torturas, milagres. Canonização.

O relato desta amputação pode ser verdadeiro ou pode ser inventado. É indiferente. Será sempre produto da mente humana. E esse é o maior horror.

quinta-feira

Acelerador de partículas?


Feeling Material VII (série), Antony Gormley, 2003

Pós-25 de Abril

O MigMag ontem dizia-me que somos (d)a Geração "Onde é que estavas no 11 de Setembro".

1978-2008


David W. Dunlap/The New York Times

quarta-feira

Medo do escuro

Antes que algum dos escassos visitantes deste blogue me acuse de arrogância, seria importante dizer que, para além de não me rever na embirração militante que Clara Ferreira Alves tem com Cavaco Silva (apesar da figura deste me ser antipática desde sempre, do que eu gosto é de uma boa tirada), o que me incomoda verdadeiramente em Sarah Palin (lá porque partilhamos o primeiro nome e as iniciais...) não são as "origens humildes" (não acredito em determinismos de berço) nem o penteado ou o sofá-urso no gabinete de trabalho (dois pequeninos sintomas do provincianismo que vai naquela cabeça), mas a possibilidade real de que uma pessoa como ela, que representa para mim o que os Estados Unidos têm de mais assustador, possa um dia vir a ser Presidente (worst case scenario) da maior potência mundial. É o ultra-conservadorismo, o nacionalismo, o anti-europeísmo, a paranóia securitária, a apetência bélica, o "vamos-pegar-em-armas-e-barricarmo-nos-porque-está-tudo-contra-nós"ismo... E, sobretudo, porque me parece que ela é uma força da natureza, capaz de levar tudo à frente. Ao pé dela Bush é um menino.

Being Pluma Caprichosa


Alasca, Agosto de 2008

Podemos tirar a rapariga de Wasilla, mas não podemos tirar Wasilla da rapariga, dir-se-ia com crueldade.

terça-feira

Surname: Problem

Obama, faz qualquer coisa.

Sarah P.

Uma mulher tão pirosa e tão perigosa.

sexta-feira

Alta resolução


© Renata Sancho

Uma fotografia por dia, disse ela. Bom fim-de-semana.

quarta-feira

Lisboa em baixa resolução ©



Coração de farolim despedaçado. Apanhei-o na Praça da Alegria, pelas 08h40 da manhã, com o meu Nokia 2 megapixel (e a devida vénia ao Irmão Lúcia).

Quando esta segunda-feira li o que o Ivan escreveu, quis dizer qualquer coisa. Hesitei durante dois dias, evitei pensar no assunto. É delicado. Morreu uma pessoa. Não a conhecia, nem sequer de vista, nunca trocámos emails, não sei quem era. Mas tinha um blogue de que eu gostava e respeitava-o. Quando construí uma lista de links, ele esteve lá desde o início. Há uns tempos retirei-o porque pensei que tivesse sido abandonado.

Agora sabemos que O Céu sobre Lisboa não voltará a ser actualizado. O último post (de Fevereiro) está publicado de forma que parece uma despedida, porque foi isolado do resto. Mostra um vídeo que o autor do blogue, Pedro Ornelas, gravou de um concerto na ZDB. Eu estava lá a assistir (se calhar ao lado dele). É uma banda especial, também para mim, os NORMAN.

Juventude em Marcha (sms)



Hoje acompanhei uma amiga que está a coordenar um workshop de cinema para um grupo de adolescentes do Casal da Boba, na Amadora. Nunca lá tinha ido (como estou certa que a maior parte de vós também não). Ao almoço (cachupa), ela já me tinha dito que o vira várias vezes por ali, no bairro onde os miúdos vivem e andam a filmar (na rua, nas suas próprias casas). Mas não imaginava que logo a seguir, quando fôssemos tomar café, me cruzaria com ele. Estávamos de saída quando o Ventura entrou. Sim, continua elegante como no filme do Pedro Costa.

terça-feira

Até com o cabelo pintado de loiro



Adoro este filme, The Grifters (Stephen Frears, 1990). Em Portugal deram-lhe o título de "Anatomia do Golpe". Consumi-o inúmeras vezes porque houve uma altura que parecia estar em loop na programação do canal Hollywood. No meu zapping ia lá parar constantemente, e dali já não saía. O bónus chama-se John Cusack (giro), faz de filho dela. A propósito: não podíamos estar mais em desacordo com parte deste post do Mexia. Não sei que opinião tem a minha mãe sobre o Cusack (quite irrelevant for that matter), mas eu sempre gostei muito dele.

E agora a palavra à nossa amiga Wiki:

For the role of Lilly, Frears originally considered Cher but she became too expensive after the success of Moonstruck. Frears first contacted Anjelica Huston about playing Lilly in 1989 while she was filming Crimes and Misdemeanors, but after reading the script, she was unsure. Before she could make a decision, Frears called her and said that they were going in a different direction in the casting. Melanie Griffith was approached to play Lilly because he was interested in making a film "about how shocking it would be to have a mother who looked like your sister," but the actress was pregnant at the time and could not do it. A few months later, Frears contacted Huston again to see if she was still interested. He was reluctant to cast her because she looked like, "a lady" and decided to cheapen her look with a bleached blond wig and wearing "vulgar clothes".

Cher? Melanie Griffith? Those bimbos? Pliize. Anjelica rules.

da série Franjinhas



Em cima, Anjelica Huston (faz parte do pequeno olimpo de actrizes que existe na minha cabeça), algures entre o final dos anos 60 e início dos 70, modeling. Em baixo, Alexandra Maria Lara, 2007, a desempenhar o papel da paixão extra-conjugal de Ian Curtis (a belga Annick Honoré), no filme Control (sem comentários). Completamente por acaso.

segunda-feira

Casting



Está bem que esta foto já é de 1977 e que Jack Nicholson não é Onassis (em certa medida), e ainda há que referir o facto de os biopics causarem urticária (nunca mais me recomponho do Control), mas Anjelica Huston dava uma óptima Maria Callas.

sexta-feira

Até Setembro

«Il n'y a pas de solution parce qu'il n'y a pas de problème»
(Marcel Duchamp)

terça-feira

Corações ao alto


sábado

Álbum



Em plena adolescência, houve uma série de verões em que, normalmente em Setembro, os meus pais me "obrigavam" a ir passar uma semana com a minha Avó Lídia na Curia. (Filha única e neta única por um lado, nunca tive grande hipótese de não ser uma menina mimada.) Ela, uma Senhora "do antigamente", gostava de ficar no Palace Hotel, monumental, como se pode ver pelo postal, que no início dos anos 90 permanecia com aspecto igual, mas sem o glamour intrínseco de outros tempos. Chegávamos de comboio e o táxi levava-nos pela avenida larga, um túnel lindíssimo de árvores, tal como o recordo, até ao hotel. Para além disso, havia o parque "romântico" com o lago e os barquinhos, alguns restaurantes, as águas termais (decadentes, que a minha Avó nem sequer frequentava) e umas lojecas pirosas de souvenirs. Convenhamos que não eram umas férias de sonho para uma miúda com as hormonas aos saltos.

Os quartos que ocupávamos tinham passagens entre divisões. Descíamos o elevador de ferro e tomávamos o pequeno-almoço. Depois ela sentava-se à sombra junto à piscina olímpica (pelo menos era assim que eu a dimensionava), enquanto a neta queimava horas de tédio a mergulhar e a fantasiar com noites numa discoteca inexistente nas proximidades. (O episódio mais excitante de que me lembro foi quando um grupo de rapazes, uma equipa de qualquer coisa, ficou instalado durante uns dias no Hotel. Levaram um tijolo para a piscina e puseram a tocar INXS. Foram repreendidos e não voltou a acontecer. O único contacto que mantive com eles foi estritamente visual, mas sempre deu para me entreter.) Às vezes vinha alguém da família visitar-nos e partíamos de carro, de passeio até ao Buçaco, por exemplo. De regresso, jantávamos no salão à hora certa, encontrávamos as outras senhoras (com sorte, traziam também netos, era o que me ia safando), trocavam-se impressões sobre males do corpo e banalidades afins de mesa para mesa, havia a sala de televisão ("de convívio"), e depois jogava-se às cartas (ela não; ficava apenas a observar, embevecida). Dessa parte eu até gostava (sobretudo se fosse King ou Sueca), era o momento em que algumas velhotas revelavam um sentido de humor extraordinário. Nunca recolhíamos aos quartos sem antes eu conseguir escapulir-me para fumar um cigarro às escondidas ("Avó, vou só ali dar uma volta no jardim"), uma espécie de ponto de honra da minha condição adolescente. A partir de certa altura, fui dispensada do "frete". A minha Avó também deixou de ir. E foi assim que a Curia entrou para o meu arquivo.

Leio hoje no Fugas do Público que o Curia Palace Hotel, a celebrar o seu 82º aniversário, foi renovado. Agora "ainda mais exclusivo", tem "banho japonês (sentô) e piscina de jactos com som subaquático", seja lá o que isso for. Para mim, vai ser sempre o Hotel da minha Avó, de quem tenho imensas saudades.

sexta-feira

Estudos para uma epígrafe

estamos sempre a fazer o mesmo post

Not Mayan at all

The structure of the calendar system known as the Thirteen Moon calendar/Dreamspell is basically as follows: It proposes that we use a calendar of Thirteen different Moons of 28 days – presented as the feminine cycle – to which a "day out of time" on July 25 is added to account for the 365 days of a solar year (13 x 28 +1 = 365 days). (...)

How Mayan is then this system? Except for the signs and symbols used in the tzolkin count (260-day count) it is not Mayan at all. To begin with the ancient Maya followed a moon cycle alternating between 29 and 30 days, as did many other peoples, creating a mean of 29.5 days. This is consistent with the female cycle. Yet, many women have, partly because of the perturbations of their cycles due to the artificial lights and artificial hormones present everywhere in the modern world, come to believe that a "normal" period is 28 days. This idea is really a construct of patriarchal medicine that for ages has been frightened by what it has perceived as a magical link between the woman and the full moon cycle of about 29.5 days. Still today many women, as well as also many men, have special feelings linked to their hormones on days of full moon. The Thirteen Moon calendar thus ignores the female natural cycle and seeks to replace it with a mathematical construct of 28 days, that does not correspond to any natural cycle.(...)

Maya, 25 de Julho

Obama takes Berlin



Duzentas mil pessoas, dizem. Nem o Leonard Cohen conseguiu juntar tanta gente em Algés.

sexta-feira

Decreto-Lei nº 40690, de 18 de Julho de 1956


(Construção da Sede, Lisboa, anos 60)

Parabéns!

quinta-feira

EU



A Torre de Babel (Bruegel, 1563) e o edifício Louise Weiss (de 1999), em Estrasburgo.

Barriguinha

Não posso ter 'minis' no frigorífico. Com este calor, em duas semanas dei cabo de um six-pack. Que excesso.

quarta-feira

Bruegel, 1559





He doesn't know why, 2008

terça-feira

Destarte, a baronesa

(...)Era formada em História de Arte, educada pelo selecto Colégio de Odivelas, lia livros, sabia descascar e comer pêssegos, não usava talher nos espargos e, no entanto, exprimia-se destarte. O coronel já desistira de lhe explicar que não ficava bem dizer «não me fodam» às mulheres dos outros oficiais, a meio de um jogo de canasta, sobretudo quando estava a perder. O facto é que, sem saber como nem porquê, fora essa particularidade vernácula que o fizera interessar-se por ela, no baile de debutantes do Casino do Estoril.(...)

Mário de Carvalho, Fantasia para Dois Coronéis e Uma Piscina (Caminho, 2004)

segunda-feira

El corte inglés

Bom em todas as línguas

Ser, o no ser: esa es la cuestión
Si es más noble para el alma soportar,
las flechas y pedradas de la áspera Fortuna
o armarse contra un mar de adversidades
y darles fin en el encuentro.
Morir: dormir, nada más.
Y si durmiedo terminaran
las angustias y los mil ataques naturales
de la herencia de la carne...
sería una conclusion seriamente deseable
Morir, dormir: Dormir, talvez soñar.
Sí, ese es el estorbo; pues qué podriamos
soñar en nuestro sueño eterno
es una consideración que frena el juicio
y da tan larga vida a la desgracia.
Pues, ¿Quién soportaría los azotes e injurias de este mundo
el desmán del tirano, la afrenta del soberbio...
las penas del amor menospreciado,
la tardanza de la ley, la arrogancia del cargo,
los insultos que sufre la paciencia...
pudiendo cerrar cuentas uno mismo con un simple puñal?
¿Quién lleva esas cargas, gimiendo y sudando
bajo el peso de esta vida...
sino el por el temor al más allá...
...la tierra inexplorada
de cuyas fronteras ningún viajero vuelve...
...detiene los sentidos y nos hace soportar
los males que tenemos,
antes de huir hacia outros que ignoramos?
La consciencia nos vuelve unos cobardes,
el color natural de nuestro ánimo,
se mustia con el pálido matiz del pensamiento
y empesas de peso y entidad por tal motivo
se desvían de su curso y ya no son acción.

Interpretado por Kenneth Branagh
Traducido por Ángel Luis Pujante
Subtitulado por Antonio M. Alcázar
Transcrito por mim

Quadradinha

Como se não bastasse, agora foi Rafael Nadal que arrecadou a taça em Wimbledon (com a sua 'dobradinha' particular, depois de ter conquistado Roland Garros). Mas há mais: «o homossexual mais bonito da Europa», eleito anteontem na Hungria em lugar semi-secreto, segundo apurou o jornal Público, também é espanhol. Nuestros hermanos estão imparáveis.

domingo

Dobradinha espanhola



Campeões europeus de futebol e campeões mundiais no assassínio de filmes, por dobragem.

Gravidade da situação

Detesto correr e não há sutiã "desportivo" que me faça mudar de ideias. Já para não falar dos meus pobres pulmões.

sexta-feira

In a canyon


Henry Fonda de bigode, como Wyatt Earp

- Have you ever been in love, Mac?
- No. I've been a bartender all my life.

My Darling Clementine (John Ford, 1946)

domingo

Kind of sad

A propósito de um vídeo no Youtube de um concerto dos Magnetic Fields em Cambridge, há quatro anos (com o Stephin Merritt muito mais magro do que actualmente, como eu o compreendo...), encontrei o seguinte comentário:

The crowd laughter bugs me. I mean, sure, these songs are witty and clever, but it just kind of cheapens the songs when they laugh after every goddamn line. Part of the coolness about the Fields is that they handle serious issues with a self-deprecating attitude. But, the issues are still clearly serious. Here, the audience just makes it all seem like a joke, which is kind of sad.

Senti exactamente o mesmo esta quinta-feira, na Aula Magna, e na maior parte dos espectáculos, incluindo cinema, a que assisto hoje em dia. As pessoas já não sabem sorrir.

Adenda: Ah! Também tenho culpas no cartório. Mas pelo menos, vá lá, a minha memória não é curta...

sábado

Distância e Proximidade



O filme Hiroshima Meu Amor vai ser projectado em película (cópia da Cinemateca Portuguesa) no Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação Gulbenkian, na próxima sexta-feira, 4 de Julho, às 22h. Bilhetes a 3 €uros.

Clandestina

Gostava de dar uso a isto, mas continuo sem saber como.
Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque?
Não necessariamente.

O amor da leitura diária

Em Fevereiro de 2004, o Pedro Lomba, que começou por escrever n'A Coluna Infame, anunciou que ia acabar com o blogue (uni)pessoal que mantinha, Flor de Obsessão, e que os arquivos iriam desta para melhor. Vai daí o Ivan Nunes (quando ainda o era) decidiu fazer serviço público, transcrevendo uma selecção de posts do Lomba, para assim salvar, da limpeza implacável que se avizinhava, alguns dos seus melhores textos na internet. Entretanto,

O Pedro Lomba pediu-me que parasse de transcrever posts dele: tem medo que isto comece a «expô-lo ao ridículo». Hesitei, mas não lhe faço a vontade.
Primeiro, por causa de uma referência bibliográfica: sugiro-lhe que pegue num livro que ele leu devotamente, O Anjo Pornográfico, de Ruy Castro, e consulte a pág. 272. Lá está, dez linhas a contar do fim, inequivocamente Nelson Rodrigues:
«Só os imbecis têm medo do ridículo. Considero um soturno pobre-diabo o sujeito que não consegue ser ridículo de vez em quando.»
Segundo, encontrei hoje uma leitora que espontaneamente me agradeceu a selecção de posts do Lomba que tenho vindo a publicar. Podia pensar-se que entre o desejo do autor e o desejo de uma leitora eu devesse preferir o primeiro; mas é o contrário. A leitora gosta genuinamente do Flor de Obsessão; o Pedro Lomba, nem tanto. O Lomba chega a manifestar intenções assassinas: diz que pretende apagar, erradicar, extinguir para sempre o seu próprio blog. A leitora dá-nos o amor da leitura diária. Teremos o direito de hesitar entre uma pessoa que ama e outra que planeia um assassínio? Não temos.(...)


A leitora era eu.

(para o Pedro Lomba)

segunda-feira

Casos de sucesso

sábado

Sequência desilusão

Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar... e perder.

Às tantas dá vontade de uma pessoa não ir mais a jogo.

quinta-feira

Receita para a ressaca do euro (selecção)

- Gin tónico?

Religião e panque-roque


Silver Jews, Open Field, Lookout Mountain, Lookout Sea, 2008

para o Tiago Guillul. Cantar de manhã... com David Berman

Hoje foi dia da mulher?

Lower men wallow in pity as swine do in mud, their pity for others being the same as their pity for themselves. Thus spake Nietzsche... more

Mrs. Thatcher viewed Ferdinand Mount as "an idle and effete youth." But she came to admire his powers as a wordsmith. Right she was... more

Much of the best literature of the 19th century can't be grasped without knowing the position of women and women writers: their views of the world and their literary preferences... more


Arts & Letters Daily, 19 de Junho

quarta-feira

Clicar sobre a imagem para dormir melhor


Source: Boston.com

domingo

Odisseia

Os irlandeses votaram NÃO a Lisboa por insegurança. Tontos. Sabem que não estás em Dublin para ficar. Por isso temiam o teu reencontro com a cidade, o sol, a Bica, os amigos e tudo o resto. Hoje, que te têm de volta, já querem celebrar. Amanhã haverá festa (para que esta noite ainda possas descansar da viagem). Vão chamar-lhe Bloomsday, mas é só para disfarçar. Não se lhes pode levar a mal. Foram belos estes dias.

para o Carlos

Segunda época

No meu caso, o estado de graça durou apenas três meses. No entanto, agora que dou por encerrada a minha semana de excessos férias, gostava novamente de ser ex-fumadora.
Reiniciar o sistema. É que uma pessoa habitua-se.