sábado

Revista de moda


Com Róisín Murphy "casaco de antílope" ganha um novo sentido.


Quem vê caras não vê chapéus.

Fotos © Miguel Gaspar

quarta-feira

Balls

domingo

Sejamos justos, Deus também criou o homem



E a publicidade, já agora. A Gucci foi muito feliz com a contratação de James Franco para vender perfume. Ele é francamente bonito, sem dar nas vistas; tem graça, sem precisar de se armar em engraçadinho (ver, a título de exemplo, o Screen test para o New York Times ou a entrevista no programa do Letterman para atestar o sorriso irresistível, vagamente vampiresco, eu virava-lhe a face e diria: toma o meu pescoço, James, é todo teu); e com certeza cheira bem. Qualquer mulher no seu perfeito juízo se tornaria voluntariamente "slave to love" por ele - como diz a música de Brian Ferry, aqui numa excelente versão electro de Róisín Murphy (fantástica em concerto esta semana no Coliseu), que devia ser obrigatória nas pistas de dança.

Por enquanto não tenho mais nada a acrescentar em defesa da causa, a não ser uma referência agradecida ao Miguel Marujo pela nomeação casta do meu blogue no E Deus Criou a Mulher. (E que bela foto me calhou da Laetitia, numa variante do vestidinho preto: com umas calças de ganga e uma camisa branca, nunca me comprometo!... A Gucci aprovaria.)

Disposta a assinar uma petição

O Tame the Kant evaporou-se. Estamos contra.

terça-feira

Linked in

Networks will also be critical for individuals. This is the first downturn we have faced with the web woven into our lives. A recession will be a boon [benção] for the web’s pro-am, do-it-yourself ethic.

» Spectator (obrigada pelo link, Luís)



Wilco, Sky Blue Sky (2007)

sábado


Kathy Prendergast (b. 1958, Dublin)
City Drawings Series [Addis Ababa], 1997
City Drawings Series [London], 1997


Kathy Prendergast
Body Map Series, 1983

sexta-feira

Product placement (II)



Molhar os pés em Dog's Bay, na costa oeste da Irlanda. Fotografia com sol, areia fina e o alto patrocínio da Camper.

Realismo revisitado


Harry Jones Thaddeus, The Wounded Poacher (1881)

Demorei-me em frente deste quadro na National Gallery (lá fora chovia, chovia). Vejo aqui muita coisa, mas, à luz dos tempos que correm, as lebres mortas no chão afiguram-se-me como instituições bancárias falidas (que se deixaram apanhar), o caçador moribundo ferido é o sistema financeiro, e a mulher parece-se com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, sem querer insinuar que o senhor é efeminado.

Aspecto microeconómico



Afixado num pub de Dublin, o SIN É (expressão em irlandês que significa "That's it"). Meio litro de cerveja a preço de saldo, em Outubro de 2008.

quinta-feira

Product placement

Um irlandês que escreveu em francês

«Não querer dizer, não saber o que queremos dizer, não poder acreditar no que queremos dizer, e no entanto dizer, ou quase, eis o que importa não perder de vista, no calor da escrita.»

Samuel Beckett, em Molloy

quarta-feira

Nunca vi o Rochemback mais gordo

Mas ouvi falar em dieta...

sábado

Suspiro

Outrologicamente, perguntar

Em Tame the Kant (fresquinho na blogosfera):

Respondam-me a isto, por favor: afinal, quem é o "Outro"? Que espécie de Deus ou sorte de fantasma é ele, de quem me contam asiaticamente tragédias, tragédias que não percebo de todo, como se eu o Lázaro de um coma infinito qualquer, ressuscitasse para um mundo pós-qualquer-coisa, sei lá bem quê, com novos ídolos? ("Merda, faltei a essa aula. Não vi essa parte do filme. Não, não vi as notícias. Caramba, não estava cá. E tirar isto a limpo?") É todo um outro esquema conceptual. Ando antropologicamente analfabeto por causa dele: privadamente humilhado, ontologicamente amputado, outrologicamente excluído. Ando outro por causa disto, nem me sinto completamente eu. "Haverá outros como eu?"

Enfim, parece que não. Ouço-os falar a todos e abano a cabeça que sim, mas receio bem o contrário, porque ele, o "Outro", de que todos falam, é para mim, como dizia o outro (mas não ele-mesmo, mais ou menos por estas palavras:) "toda uma civilização". Não sei quem é; realmente, nunca o vi; consta que o devia conhecer. E tenho direito a conhecê-lo, fogo! Mas por um azar cósmico do caraças, chego sempre atrasado à conversa; até mesmo na televisão se fala dele; inventaram-se verbos e substantivos para falar dele! Mas eu o Lázaro in medias res, ele é como para mim (e ignorem-me a rima) em chinês. Que diabo é o "Outro", diabos?!

A pior parte é que, pelo que tiro vagamente das conversas, devia ter pena dele. E isso redobra a angústia. Dó de mim: também quero sentir pena dele; não me roubem o direito à pena; contem-me a tragédia inteira dele; tudinho; tim-tim por tim-tim. Piedade, ó quem sabe a resposta, esclareçam quem é; é-me urgente ligar os pontos, realizar o nexo mental, clarificar este sentimento, viver a catarse, gozar o consolo: o da identificação, porra, não mo tirem! Não vivo sem isso! Ó "Outro" quem quer que sejas pobrezinho, é o mínimo que te devo.

Por amor de Kant! Quem é o "Outro"?


Ainda no outro dia me colocava a mesma questão. Quer dizer, não é que me coloque este género de questões logo pela manhã, quando vou na linha azul. Aí é costume interrogar-me comezinhamente sobre o que é que o "outro" (com minúscula), mesmo à minha frente, estará a ouvir no leitor de mp3. Tenho sempre imensa curiosidade em sabê-lo. Formulo hipóteses a partir de coisa nenhuma, até que o passageiro perscrutado desapareça na estação seguinte. Ou disperso antes disso, quando sou interrompida por uma travagem brusca, mais do que frequente, o que provoca a deslocação de corpos em massa, geralmente uns para cima do "outro" (com minúscula). E é então que regresso à questão que me ocupa há tanto tempo (há quanto tempo, meu deus, demasiado): como é possível não saber conduzir um comboio? Não pode haver muitas dúvidas sobre qual o percurso a seguir, GPS só se for para passar o tempo, debaixo da terra não há semáforos a cada esquina nem lombas nem passadeiras (por enquanto, pois sabe-se lá o que nos trará o futuro), nunca surge uma árvore em curva inesperada (e se há peão, não devia haver, vida madrasta), a papinha está toda feita pelos carris. É só acelerar, desacelerar, acelerar, desacelerar, e enfim travar. SUAVEMENTE, raios partam o condutor do metro, esse "outro" (com minúscula) inepto. Está com pressa? Não sei porquê, já se vê que picou o ponto. Não compreendo, nem aqui sentada, nem aos solavancos. Segunda-feira teremos com certeza uma nova e recorrente oportunidade para pensar nisso.

Dizíamos, perguntávamos, quem é o "Outro"? (com maiúscula), vamos lá. Não pode ser aquele que vai na linha azul, com fónes nos ouvidos, como eu. Ou pode? Sim? Não? Afinal onde está ele?

Achei que devia começar por aí, fazendo directamente a pergunta. Era uma mini-entrevista, inofensiva, de resto, até tinha sido eu a sugerir que a fizéssemos, dadas as circunstâncias. Mas por email, portanto nem corria o risco de levar na cara com um sorriso introdutório academicó-condescendente. De qualquer forma, precavi-me. Antes de enviar o questionário, fui ter com o Outro (maiúscula de respeitinho, sem aspas), que percebe destas coisas, pedir-lhe que me ajudasse a perguntar. Acha que é palerma perguntar-lhe quem é o "Outro"?, perguntei. Ele respondeu que não, mas que melhor seria perguntar quem é o "Outro", vírgula, hoje.

Bacon after Duchamp after Muybridge

A terceira dimensão, a passagem do tempo, o movimento.

segunda-feira

Hirst on Bacon


Portrait of Lucian Freud on Orange Couch, Francis Bacon
1965, Oil on canvas
Private collection

If you compare him to Lucian Freud, say, it's obvious that Freud is the more technically accomplished painter. He can read what he sees, and render it. Bacon couldn't do that. If you look at the feet in his paintings, they're bloody awful. He can't do boots. [Laughs] But it's so bloody powerful. His work always veers into the imagination. There's always this raw, dark power, this visceral energy that is compelling. The paint is alive.(...)

I was obsessed with him as a young painter. I was into punk and I was into Bacon. He was out there on his own. You had the Surrealists, the Impressionists, the Pointillists and all the other ists, and you had Bacon. I gave up painting at 15 because of him. I was just doing bad Bacons. I saw his work and I stopped wanting to be a painter. I stepped aside into sculpture. I've gone back lately, though. For the last two years I've been in the shed slapping paint on canvas. Big and small paintings. Skulls, crows, tryptichs. Dark blue. Baconesque. He's a supreme colourist. Beautiful colours. He seduces you with colour.

I have five Bacons now. They'll end up in the Manor [Hirst's country estate in Toddington]. I have one on the wall by the TV. I watch it more than I watch the TV. You can't not look at it. It demands your attention, pulls you in. It's just unbelievable to me that I own them.(...)

quinta-feira

Fazer dinheiro é arte


Damien Hirst ao lado de Anatomy of an Angel, na Sotheby's

«Quando, em 1494, o banco Medici faliu em Florença, os artistas e pintores a que a família generosamente encomendava trabalhos entraram em pânico. Acabara o mecenato. O banco Medici falira, devido à depressão económica e à agressão francesa. Tudo mudou. Enquanto bancos vão à falência, enterrando um modelo de negócio, nunca a arte conheceu dias tão rentáveis. Parece um paradoxo. O Lehman Brothers não conseguiu atrair dinheiro fresco e, ao mesmo tempo, em Londres, a Sotheby's continuava o seu leilão de 223 novas obras do artista Damien Hirst, tendo até agora atingido um valor de vendas de 126 milhões de euros. Isto é, quando falta liquidez para salvar um banco, há dinheiro a mais para comprar obras de arte que ainda não foram testadas pela sensatez do tempo. Um banco vale, hoje, menos do que as obras experimentais de Hirst. Isto é, uma obra cujo valor é garantido pela subjectividade é hoje considerada um investimento mais seguro do que um banco de investimento. Para além do leilão modificar radicalmente as regras de negócio das obras de arte, ele perpetua duas lógicas: a que começou nos anos 60, em que a arte começou a ser considerada um investimento, e, nas palavras de Andy Warhol, que "fazer dinheiro é arte e trabalhar é arte e bons negócios são a melhor arte". Donde quase se poderia dizer que a subjectividade da arte venceu a subjectividade dos produtos financeiros derivados. Os artistas derrotaram aqueles que foram os seus mecenas? Será esta a nova forma de negócio que aí vem?»

Fernando Sobral, A arte e a finança, hoje, no Jornal de Negócios

À falta de melhor

«Being needed: the next best thing to being wanted.»

(definição ouvida numa série da tv)