segunda-feira

Hirst on Bacon


Portrait of Lucian Freud on Orange Couch, Francis Bacon
1965, Oil on canvas
Private collection

If you compare him to Lucian Freud, say, it's obvious that Freud is the more technically accomplished painter. He can read what he sees, and render it. Bacon couldn't do that. If you look at the feet in his paintings, they're bloody awful. He can't do boots. [Laughs] But it's so bloody powerful. His work always veers into the imagination. There's always this raw, dark power, this visceral energy that is compelling. The paint is alive.(...)

I was obsessed with him as a young painter. I was into punk and I was into Bacon. He was out there on his own. You had the Surrealists, the Impressionists, the Pointillists and all the other ists, and you had Bacon. I gave up painting at 15 because of him. I was just doing bad Bacons. I saw his work and I stopped wanting to be a painter. I stepped aside into sculpture. I've gone back lately, though. For the last two years I've been in the shed slapping paint on canvas. Big and small paintings. Skulls, crows, tryptichs. Dark blue. Baconesque. He's a supreme colourist. Beautiful colours. He seduces you with colour.

I have five Bacons now. They'll end up in the Manor [Hirst's country estate in Toddington]. I have one on the wall by the TV. I watch it more than I watch the TV. You can't not look at it. It demands your attention, pulls you in. It's just unbelievable to me that I own them.(...)

quinta-feira

Fazer dinheiro é arte


Damien Hirst ao lado de Anatomy of an Angel, na Sotheby's

«Quando, em 1494, o banco Medici faliu em Florença, os artistas e pintores a que a família generosamente encomendava trabalhos entraram em pânico. Acabara o mecenato. O banco Medici falira, devido à depressão económica e à agressão francesa. Tudo mudou. Enquanto bancos vão à falência, enterrando um modelo de negócio, nunca a arte conheceu dias tão rentáveis. Parece um paradoxo. O Lehman Brothers não conseguiu atrair dinheiro fresco e, ao mesmo tempo, em Londres, a Sotheby's continuava o seu leilão de 223 novas obras do artista Damien Hirst, tendo até agora atingido um valor de vendas de 126 milhões de euros. Isto é, quando falta liquidez para salvar um banco, há dinheiro a mais para comprar obras de arte que ainda não foram testadas pela sensatez do tempo. Um banco vale, hoje, menos do que as obras experimentais de Hirst. Isto é, uma obra cujo valor é garantido pela subjectividade é hoje considerada um investimento mais seguro do que um banco de investimento. Para além do leilão modificar radicalmente as regras de negócio das obras de arte, ele perpetua duas lógicas: a que começou nos anos 60, em que a arte começou a ser considerada um investimento, e, nas palavras de Andy Warhol, que "fazer dinheiro é arte e trabalhar é arte e bons negócios são a melhor arte". Donde quase se poderia dizer que a subjectividade da arte venceu a subjectividade dos produtos financeiros derivados. Os artistas derrotaram aqueles que foram os seus mecenas? Será esta a nova forma de negócio que aí vem?»

Fernando Sobral, A arte e a finança, hoje, no Jornal de Negócios

À falta de melhor

«Being needed: the next best thing to being wanted.»

(definição ouvida numa série da tv)

The pool girls


Venice, California

domingo

The Beach Boys, pet sounds

sábado

Tratar todas as faces por igual

Sim, eu tenho amigos de direita, mas da direita democrática: gente que se cumprimenta com dois beijinhos.

Ilha quase Deserta


ao fundo dois pescadores

Nem o mau tempo nos demoveu de ir ao ponto mais a sul de Portugal Continental.

O céu sobre Faro



Perspectiva do meu telemóvel, no topo da Fábrica da Cerveja.

Medo do escuro (ii)

Santa Ágata, Oficina Maneirista Algarvia, finais do séc. XVI

Encontrei este quadro quando circulava no Museu Municipal (lá fora chovia). Estava pendurado no corredor menos iluminado entre as salas do Convento, e não resisti a fotografá-lo (peço imensa desculpa, suponho que não seja permitido). Deixou-me tão impressionada que continuo a pensar nele, uma semana depois. Uma mulher com uma bandeja nas mãos, onde repousam as suas maminhas, digo, seios (respeito pela Santa) cortados.

Como não conhecia a história desta mártir, fui procurar: Ágata foi vítima das perseguições do Imperador Décio(?) aos cristãos, por volta do ano 250. No entanto o que precipitou a tortura dela terá sido o despeito (não sei se estou a ser muito feliz com esta palavra) de um cônsul romano quando ela se recusou a casar com ele. Consta que era muito bonita, vinda de uma família nobre da Catânia (Sicília), e com uma fervorosa devoção a Cristo. Tentaram corrompê-la enfiando-a num bordel, mas ela não cedeu. Então mandaram-na para os calabouços onde lhe fizeram esta atrocidade (entre outras). Depois de ter tido uma visão de São Pedro as suas feridas sararam. Claro que a história não acaba aqui, embora não seja difícil de imaginar o resto: mais torturas, mais milagres, torturas, milagres. Canonização.

O relato desta amputação pode ser verdadeiro ou pode ser inventado. É indiferente. Será sempre produto da mente humana. E esse é o maior horror.

quinta-feira

Acelerador de partículas?


Feeling Material VII (série), Antony Gormley, 2003

Pós-25 de Abril

O MigMag ontem dizia-me que somos (d)a Geração "Onde é que estavas no 11 de Setembro".

1978-2008


David W. Dunlap/The New York Times

quarta-feira

Medo do escuro

Antes que algum dos escassos visitantes deste blogue me acuse de arrogância, seria importante dizer que, para além de não me rever na embirração militante que Clara Ferreira Alves tem com Cavaco Silva (apesar da figura deste me ser antipática desde sempre, do que eu gosto é de uma boa tirada), o que me incomoda verdadeiramente em Sarah Palin (lá porque partilhamos o primeiro nome e as iniciais...) não são as "origens humildes" (não acredito em determinismos de berço) nem o penteado ou o sofá-urso no gabinete de trabalho (dois pequeninos sintomas do provincianismo que vai naquela cabeça), mas a possibilidade real de que uma pessoa como ela, que representa para mim o que os Estados Unidos têm de mais assustador, possa um dia vir a ser Presidente (worst case scenario) da maior potência mundial. É o ultra-conservadorismo, o nacionalismo, o anti-europeísmo, a paranóia securitária, a apetência bélica, o "vamos-pegar-em-armas-e-barricarmo-nos-porque-está-tudo-contra-nós"ismo... E, sobretudo, porque me parece que ela é uma força da natureza, capaz de levar tudo à frente. Ao pé dela Bush é um menino.

Being Pluma Caprichosa


Alasca, Agosto de 2008

Podemos tirar a rapariga de Wasilla, mas não podemos tirar Wasilla da rapariga, dir-se-ia com crueldade.

terça-feira

Surname: Problem

Obama, faz qualquer coisa.

Sarah P.

Uma mulher tão pirosa e tão perigosa.

sexta-feira

Alta resolução


© Renata Sancho

Uma fotografia por dia, disse ela. Bom fim-de-semana.

quarta-feira

Lisboa em baixa resolução ©



Coração de farolim despedaçado. Apanhei-o na Praça da Alegria, pelas 08h40 da manhã, com o meu Nokia 2 megapixel (e a devida vénia ao Irmão Lúcia).

Quando esta segunda-feira li o que o Ivan escreveu, quis dizer qualquer coisa. Hesitei durante dois dias, evitei pensar no assunto. É delicado. Morreu uma pessoa. Não a conhecia, nem sequer de vista, nunca trocámos emails, não sei quem era. Mas tinha um blogue de que eu gostava e respeitava-o. Quando construí uma lista de links, ele esteve lá desde o início. Há uns tempos retirei-o porque pensei que tivesse sido abandonado.

Agora sabemos que O Céu sobre Lisboa não voltará a ser actualizado. O último post (de Fevereiro) está publicado de forma que parece uma despedida, porque foi isolado do resto. Mostra um vídeo que o autor do blogue, Pedro Ornelas, gravou de um concerto na ZDB. Eu estava lá a assistir (se calhar ao lado dele). É uma banda especial, também para mim, os NORMAN.

Juventude em Marcha (sms)



Hoje acompanhei uma amiga que está a coordenar um workshop de cinema para um grupo de adolescentes do Casal da Boba, na Amadora. Nunca lá tinha ido (como estou certa que a maior parte de vós também não). Ao almoço (cachupa), ela já me tinha dito que o vira várias vezes por ali, no bairro onde os miúdos vivem e andam a filmar (na rua, nas suas próprias casas). Mas não imaginava que logo a seguir, quando fôssemos tomar café, me cruzaria com ele. Estávamos de saída quando o Ventura entrou. Sim, continua elegante como no filme do Pedro Costa.