Lisboa em baixa resolução ©

Coração de farolim despedaçado. Apanhei-o na Praça da Alegria, pelas 08h40 da manhã, com o meu Nokia 2 megapixel (e a devida vénia ao Irmão Lúcia).

Coração de farolim despedaçado. Apanhei-o na Praça da Alegria, pelas 08h40 da manhã, com o meu Nokia 2 megapixel (e a devida vénia ao Irmão Lúcia).
posted by sara at 22:24
Quando esta segunda-feira li o que o Ivan escreveu, quis dizer qualquer coisa. Hesitei durante dois dias, evitei pensar no assunto. É delicado. Morreu uma pessoa. Não a conhecia, nem sequer de vista, nunca trocámos emails, não sei quem era. Mas tinha um blogue de que eu gostava e respeitava-o. Quando construí uma lista de links, ele esteve lá desde o início. Há uns tempos retirei-o porque pensei que tivesse sido abandonado.
Agora sabemos que O Céu sobre Lisboa não voltará a ser actualizado. O último post (de Fevereiro) está publicado de forma que parece uma despedida, porque foi isolado do resto. Mostra um vídeo que o autor do blogue, Pedro Ornelas, gravou de um concerto na ZDB. Eu estava lá a assistir (se calhar ao lado dele). É uma banda especial, também para mim, os NORMAN.
posted by sara at 21:45


Hoje acompanhei uma amiga que está a coordenar um workshop de cinema para um grupo de adolescentes do Casal da Boba, na Amadora. Nunca lá tinha ido (como estou certa que a maior parte de vós também não). Ao almoço (cachupa), ela já me tinha dito que o vira várias vezes por ali, no bairro onde os miúdos vivem e andam a filmar (na rua, nas suas próprias casas). Mas não imaginava que logo a seguir, quando fôssemos tomar café, me cruzaria com ele. Estávamos de saída quando o Ventura entrou. Sim, continua elegante como no filme do Pedro Costa.
posted by sara at 21:14

Adoro este filme, The Grifters (Stephen Frears, 1990). Em Portugal deram-lhe o título de "Anatomia do Golpe". Consumi-o inúmeras vezes porque houve uma altura que parecia estar em loop na programação do canal Hollywood. No meu zapping ia lá parar constantemente, e dali já não saía. O bónus chama-se John Cusack (giro), faz de filho dela. A propósito: não podíamos estar mais em desacordo com parte deste post do Mexia. Não sei que opinião tem a minha mãe sobre o Cusack (quite irrelevant for that matter), mas eu sempre gostei muito dele.
E agora a palavra à nossa amiga Wiki:
For the role of Lilly, Frears originally considered Cher but she became too expensive after the success of Moonstruck. Frears first contacted Anjelica Huston about playing Lilly in 1989 while she was filming Crimes and Misdemeanors, but after reading the script, she was unsure. Before she could make a decision, Frears called her and said that they were going in a different direction in the casting. Melanie Griffith was approached to play Lilly because he was interested in making a film "about how shocking it would be to have a mother who looked like your sister," but the actress was pregnant at the time and could not do it. A few months later, Frears contacted Huston again to see if she was still interested. He was reluctant to cast her because she looked like, "a lady" and decided to cheapen her look with a bleached blond wig and wearing "vulgar clothes".
Cher? Melanie Griffith? Those bimbos? Pliize. Anjelica rules.
posted by sara at 21:57


Em cima, Anjelica Huston (faz parte do pequeno olimpo de actrizes que existe na minha cabeça), algures entre o final dos anos 60 e início dos 70, modeling. Em baixo, Alexandra Maria Lara, 2007, a desempenhar o papel da paixão extra-conjugal de Ian Curtis (a belga Annick Honoré), no filme Control (sem comentários). Completamente por acaso.
posted by sara at 21:36
«Il n'y a pas de solution parce qu'il n'y a pas de problème»
(Marcel Duchamp)
posted by sara at 17:29

Em plena adolescência, houve uma série de verões em que, normalmente em Setembro, os meus pais me "obrigavam" a ir passar uma semana com a minha Avó Lídia na Curia. (Filha única e neta única por um lado, nunca tive grande hipótese de não ser uma menina mimada.) Ela, uma Senhora "do antigamente", gostava de ficar no Palace Hotel, monumental, como se pode ver pelo postal, que no início dos anos 90 permanecia com aspecto igual, mas sem o glamour intrínseco de outros tempos. Chegávamos de comboio e o táxi levava-nos pela avenida larga, um túnel lindíssimo de árvores, tal como o recordo, até ao hotel. Para além disso, havia o parque "romântico" com o lago e os barquinhos, alguns restaurantes, as águas termais (decadentes, que a minha Avó nem sequer frequentava) e umas lojecas pirosas de souvenirs. Convenhamos que não eram umas férias de sonho para uma miúda com as hormonas aos saltos.
Os quartos que ocupávamos tinham passagens entre divisões. Descíamos o elevador de ferro e tomávamos o pequeno-almoço. Depois ela sentava-se à sombra junto à piscina olímpica (pelo menos era assim que eu a dimensionava), enquanto a neta queimava horas de tédio a mergulhar e a fantasiar com noites numa discoteca inexistente nas proximidades. (O episódio mais excitante de que me lembro foi quando um grupo de rapazes, uma equipa de qualquer coisa, ficou instalado durante uns dias no Hotel. Levaram um tijolo para a piscina e puseram a tocar INXS. Foram repreendidos e não voltou a acontecer. O único contacto que mantive com eles foi estritamente visual, mas sempre deu para me entreter.) Às vezes vinha alguém da família visitar-nos e partíamos de carro, de passeio até ao Buçaco, por exemplo. De regresso, jantávamos no salão à hora certa, encontrávamos as outras senhoras (com sorte, traziam também netos, era o que me ia safando), trocavam-se impressões sobre males do corpo e banalidades afins de mesa para mesa, havia a sala de televisão ("de convívio"), e depois jogava-se às cartas (ela não; ficava apenas a observar, embevecida). Dessa parte eu até gostava (sobretudo se fosse King ou Sueca), era o momento em que algumas velhotas revelavam um sentido de humor extraordinário. Nunca recolhíamos aos quartos sem antes eu conseguir escapulir-me para fumar um cigarro às escondidas ("Avó, vou só ali dar uma volta no jardim"), uma espécie de ponto de honra da minha condição adolescente. A partir de certa altura, fui dispensada do "frete". A minha Avó também deixou de ir. E foi assim que a Curia entrou para o meu arquivo.
Leio hoje no Fugas do Público que o Curia Palace Hotel, a celebrar o seu 82º aniversário, foi renovado. Agora "ainda mais exclusivo", tem "banho japonês (sentô) e piscina de jactos com som subaquático", seja lá o que isso for. Para mim, vai ser sempre o Hotel da minha Avó, de quem tenho imensas saudades.
posted by sara at 13:52
The structure of the calendar system known as the Thirteen Moon calendar/Dreamspell is basically as follows: It proposes that we use a calendar of Thirteen different Moons of 28 days – presented as the feminine cycle – to which a "day out of time" on July 25 is added to account for the 365 days of a solar year (13 x 28 +1 = 365 days). (...)
How Mayan is then this system? Except for the signs and symbols used in the tzolkin count (260-day count) it is not Mayan at all. To begin with the ancient Maya followed a moon cycle alternating between 29 and 30 days, as did many other peoples, creating a mean of 29.5 days. This is consistent with the female cycle. Yet, many women have, partly because of the perturbations of their cycles due to the artificial lights and artificial hormones present everywhere in the modern world, come to believe that a "normal" period is 28 days. This idea is really a construct of patriarchal medicine that for ages has been frightened by what it has perceived as a magical link between the woman and the full moon cycle of about 29.5 days. Still today many women, as well as also many men, have special feelings linked to their hormones on days of full moon. The Thirteen Moon calendar thus ignores the female natural cycle and seeks to replace it with a mathematical construct of 28 days, that does not correspond to any natural cycle.(...)
Maya, 25 de Julho
posted by sara at 19:51
"There have been rumours of him mounting females, but nobody has ever witnessed penetration by George," he said. "Right now, we don't even know if George is fertile."
Devassa da vida privada num jornal de referência britânico. Como diria a Batukada, que situação...
posted by sara at 12:43

(Construção da Sede, Lisboa, anos 60)
Parabéns!
posted by sara at 12:10
Não posso ter 'minis' no frigorífico. Com este calor, em duas semanas dei cabo de um six-pack. Que excesso.
posted by sara at 22:17
(...)Era formada em História de Arte, educada pelo selecto Colégio de Odivelas, lia livros, sabia descascar e comer pêssegos, não usava talher nos espargos e, no entanto, exprimia-se destarte. O coronel já desistira de lhe explicar que não ficava bem dizer «não me fodam» às mulheres dos outros oficiais, a meio de um jogo de canasta, sobretudo quando estava a perder. O facto é que, sem saber como nem porquê, fora essa particularidade vernácula que o fizera interessar-se por ela, no baile de debutantes do Casino do Estoril.(...)
Mário de Carvalho, Fantasia para Dois Coronéis e Uma Piscina (Caminho, 2004)
posted by sara at 23:13
Bom em todas as línguas
Ser, o no ser: esa es la cuestión
Si es más noble para el alma soportar,
las flechas y pedradas de la áspera Fortuna
o armarse contra un mar de adversidades
y darles fin en el encuentro.
Morir: dormir, nada más.
Y si durmiedo terminaran
las angustias y los mil ataques naturales
de la herencia de la carne...
sería una conclusion seriamente deseable
Morir, dormir: Dormir, talvez soñar.
Sí, ese es el estorbo; pues qué podriamos
soñar en nuestro sueño eterno
es una consideración que frena el juicio
y da tan larga vida a la desgracia.
Pues, ¿Quién soportaría los azotes e injurias de este mundo
el desmán del tirano, la afrenta del soberbio...
las penas del amor menospreciado,
la tardanza de la ley, la arrogancia del cargo,
los insultos que sufre la paciencia...
pudiendo cerrar cuentas uno mismo con un simple puñal?
¿Quién lleva esas cargas, gimiendo y sudando
bajo el peso de esta vida...
sino el por el temor al más allá...
...la tierra inexplorada
de cuyas fronteras ningún viajero vuelve...
...detiene los sentidos y nos hace soportar
los males que tenemos,
antes de huir hacia outros que ignoramos?
La consciencia nos vuelve unos cobardes,
el color natural de nuestro ánimo,
se mustia con el pálido matiz del pensamiento
y empesas de peso y entidad por tal motivo
se desvían de su curso y ya no son acción.
Interpretado por Kenneth Branagh
Traducido por Ángel Luis Pujante
Subtitulado por Antonio M. Alcázar
Transcrito por mim
posted by sara at 20:07
Como se não bastasse, agora foi Rafael Nadal que arrecadou a taça em Wimbledon (com a sua 'dobradinha' particular, depois de ter conquistado Roland Garros). Mas há mais: «o homossexual mais bonito da Europa», eleito anteontem na Hungria em lugar semi-secreto, segundo apurou o jornal Público, também é espanhol. Nuestros hermanos estão imparáveis.
posted by sara at 12:16