segunda-feira

Casting



Está bem que esta foto já é de 1977 e que Jack Nicholson não é Onassis (em certa medida), e ainda há que referir o facto de os biopics causarem urticária (nunca mais me recomponho do Control), mas Anjelica Huston dava uma óptima Maria Callas.

sexta-feira

Até Setembro

«Il n'y a pas de solution parce qu'il n'y a pas de problème»
(Marcel Duchamp)

terça-feira

Corações ao alto


sábado

Álbum



Em plena adolescência, houve uma série de verões em que, normalmente em Setembro, os meus pais me "obrigavam" a ir passar uma semana com a minha Avó Lídia na Curia. (Filha única e neta única por um lado, nunca tive grande hipótese de não ser uma menina mimada.) Ela, uma Senhora "do antigamente", gostava de ficar no Palace Hotel, monumental, como se pode ver pelo postal, que no início dos anos 90 permanecia com aspecto igual, mas sem o glamour intrínseco de outros tempos. Chegávamos de comboio e o táxi levava-nos pela avenida larga, um túnel lindíssimo de árvores, tal como o recordo, até ao hotel. Para além disso, havia o parque "romântico" com o lago e os barquinhos, alguns restaurantes, as águas termais (decadentes, que a minha Avó nem sequer frequentava) e umas lojecas pirosas de souvenirs. Convenhamos que não eram umas férias de sonho para uma miúda com as hormonas aos saltos.

Os quartos que ocupávamos tinham passagens entre divisões. Descíamos o elevador de ferro e tomávamos o pequeno-almoço. Depois ela sentava-se à sombra junto à piscina olímpica (pelo menos era assim que eu a dimensionava), enquanto a neta queimava horas de tédio a mergulhar e a fantasiar com noites numa discoteca inexistente nas proximidades. (O episódio mais excitante de que me lembro foi quando um grupo de rapazes, uma equipa de qualquer coisa, ficou instalado durante uns dias no Hotel. Levaram um tijolo para a piscina e puseram a tocar INXS. Foram repreendidos e não voltou a acontecer. O único contacto que mantive com eles foi estritamente visual, mas sempre deu para me entreter.) Às vezes vinha alguém da família visitar-nos e partíamos de carro, de passeio até ao Buçaco, por exemplo. De regresso, jantávamos no salão à hora certa, encontrávamos as outras senhoras (com sorte, traziam também netos, era o que me ia safando), trocavam-se impressões sobre males do corpo e banalidades afins de mesa para mesa, havia a sala de televisão ("de convívio"), e depois jogava-se às cartas (ela não; ficava apenas a observar, embevecida). Dessa parte eu até gostava (sobretudo se fosse King ou Sueca), era o momento em que algumas velhotas revelavam um sentido de humor extraordinário. Nunca recolhíamos aos quartos sem antes eu conseguir escapulir-me para fumar um cigarro às escondidas ("Avó, vou só ali dar uma volta no jardim"), uma espécie de ponto de honra da minha condição adolescente. A partir de certa altura, fui dispensada do "frete". A minha Avó também deixou de ir. E foi assim que a Curia entrou para o meu arquivo.

Leio hoje no Fugas do Público que o Curia Palace Hotel, a celebrar o seu 82º aniversário, foi renovado. Agora "ainda mais exclusivo", tem "banho japonês (sentô) e piscina de jactos com som subaquático", seja lá o que isso for. Para mim, vai ser sempre o Hotel da minha Avó, de quem tenho imensas saudades.

sexta-feira

Estudos para uma epígrafe

estamos sempre a fazer o mesmo post

Not Mayan at all

The structure of the calendar system known as the Thirteen Moon calendar/Dreamspell is basically as follows: It proposes that we use a calendar of Thirteen different Moons of 28 days – presented as the feminine cycle – to which a "day out of time" on July 25 is added to account for the 365 days of a solar year (13 x 28 +1 = 365 days). (...)

How Mayan is then this system? Except for the signs and symbols used in the tzolkin count (260-day count) it is not Mayan at all. To begin with the ancient Maya followed a moon cycle alternating between 29 and 30 days, as did many other peoples, creating a mean of 29.5 days. This is consistent with the female cycle. Yet, many women have, partly because of the perturbations of their cycles due to the artificial lights and artificial hormones present everywhere in the modern world, come to believe that a "normal" period is 28 days. This idea is really a construct of patriarchal medicine that for ages has been frightened by what it has perceived as a magical link between the woman and the full moon cycle of about 29.5 days. Still today many women, as well as also many men, have special feelings linked to their hormones on days of full moon. The Thirteen Moon calendar thus ignores the female natural cycle and seeks to replace it with a mathematical construct of 28 days, that does not correspond to any natural cycle.(...)

Maya, 25 de Julho

Obama takes Berlin



Duzentas mil pessoas, dizem. Nem o Leonard Cohen conseguiu juntar tanta gente em Algés.

sexta-feira

Decreto-Lei nº 40690, de 18 de Julho de 1956


(Construção da Sede, Lisboa, anos 60)

Parabéns!

quinta-feira

EU



A Torre de Babel (Bruegel, 1563) e o edifício Louise Weiss (de 1999), em Estrasburgo.

Barriguinha

Não posso ter 'minis' no frigorífico. Com este calor, em duas semanas dei cabo de um six-pack. Que excesso.

quarta-feira

Bruegel, 1559





He doesn't know why, 2008

terça-feira

Destarte, a baronesa

(...)Era formada em História de Arte, educada pelo selecto Colégio de Odivelas, lia livros, sabia descascar e comer pêssegos, não usava talher nos espargos e, no entanto, exprimia-se destarte. O coronel já desistira de lhe explicar que não ficava bem dizer «não me fodam» às mulheres dos outros oficiais, a meio de um jogo de canasta, sobretudo quando estava a perder. O facto é que, sem saber como nem porquê, fora essa particularidade vernácula que o fizera interessar-se por ela, no baile de debutantes do Casino do Estoril.(...)

Mário de Carvalho, Fantasia para Dois Coronéis e Uma Piscina (Caminho, 2004)

segunda-feira

El corte inglés

Bom em todas as línguas

Ser, o no ser: esa es la cuestión
Si es más noble para el alma soportar,
las flechas y pedradas de la áspera Fortuna
o armarse contra un mar de adversidades
y darles fin en el encuentro.
Morir: dormir, nada más.
Y si durmiedo terminaran
las angustias y los mil ataques naturales
de la herencia de la carne...
sería una conclusion seriamente deseable
Morir, dormir: Dormir, talvez soñar.
Sí, ese es el estorbo; pues qué podriamos
soñar en nuestro sueño eterno
es una consideración que frena el juicio
y da tan larga vida a la desgracia.
Pues, ¿Quién soportaría los azotes e injurias de este mundo
el desmán del tirano, la afrenta del soberbio...
las penas del amor menospreciado,
la tardanza de la ley, la arrogancia del cargo,
los insultos que sufre la paciencia...
pudiendo cerrar cuentas uno mismo con un simple puñal?
¿Quién lleva esas cargas, gimiendo y sudando
bajo el peso de esta vida...
sino el por el temor al más allá...
...la tierra inexplorada
de cuyas fronteras ningún viajero vuelve...
...detiene los sentidos y nos hace soportar
los males que tenemos,
antes de huir hacia outros que ignoramos?
La consciencia nos vuelve unos cobardes,
el color natural de nuestro ánimo,
se mustia con el pálido matiz del pensamiento
y empesas de peso y entidad por tal motivo
se desvían de su curso y ya no son acción.

Interpretado por Kenneth Branagh
Traducido por Ángel Luis Pujante
Subtitulado por Antonio M. Alcázar
Transcrito por mim

Quadradinha

Como se não bastasse, agora foi Rafael Nadal que arrecadou a taça em Wimbledon (com a sua 'dobradinha' particular, depois de ter conquistado Roland Garros). Mas há mais: «o homossexual mais bonito da Europa», eleito anteontem na Hungria em lugar semi-secreto, segundo apurou o jornal Público, também é espanhol. Nuestros hermanos estão imparáveis.

domingo

Dobradinha espanhola



Campeões europeus de futebol e campeões mundiais no assassínio de filmes, por dobragem.

Gravidade da situação

Detesto correr e não há sutiã "desportivo" que me faça mudar de ideias. Já para não falar dos meus pobres pulmões.

sexta-feira

In a canyon


Henry Fonda de bigode, como Wyatt Earp

- Have you ever been in love, Mac?
- No. I've been a bartender all my life.

My Darling Clementine (John Ford, 1946)

domingo

Kind of sad

A propósito de um vídeo no Youtube de um concerto dos Magnetic Fields em Cambridge, há quatro anos (com o Stephin Merritt muito mais magro do que actualmente, como eu o compreendo...), encontrei o seguinte comentário:

The crowd laughter bugs me. I mean, sure, these songs are witty and clever, but it just kind of cheapens the songs when they laugh after every goddamn line. Part of the coolness about the Fields is that they handle serious issues with a self-deprecating attitude. But, the issues are still clearly serious. Here, the audience just makes it all seem like a joke, which is kind of sad.

Senti exactamente o mesmo esta quinta-feira, na Aula Magna, e na maior parte dos espectáculos, incluindo cinema, a que assisto hoje em dia. As pessoas já não sabem sorrir.

Adenda: Ah! Também tenho culpas no cartório. Mas pelo menos, vá lá, a minha memória não é curta...

sábado

Distância e Proximidade



O filme Hiroshima Meu Amor vai ser projectado em película (cópia da Cinemateca Portuguesa) no Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação Gulbenkian, na próxima sexta-feira, 4 de Julho, às 22h. Bilhetes a 3 €uros.