sexta-feira

In a canyon


Henry Fonda de bigode, como Wyatt Earp

- Have you ever been in love, Mac?
- No. I've been a bartender all my life.

My Darling Clementine (John Ford, 1946)

domingo

Kind of sad

A propósito de um vídeo no Youtube de um concerto dos Magnetic Fields em Cambridge, há quatro anos (com o Stephin Merritt muito mais magro do que actualmente, como eu o compreendo...), encontrei o seguinte comentário:

The crowd laughter bugs me. I mean, sure, these songs are witty and clever, but it just kind of cheapens the songs when they laugh after every goddamn line. Part of the coolness about the Fields is that they handle serious issues with a self-deprecating attitude. But, the issues are still clearly serious. Here, the audience just makes it all seem like a joke, which is kind of sad.

Senti exactamente o mesmo esta quinta-feira, na Aula Magna, e na maior parte dos espectáculos, incluindo cinema, a que assisto hoje em dia. As pessoas já não sabem sorrir.

Adenda: Ah! Também tenho culpas no cartório. Mas pelo menos, vá lá, a minha memória não é curta...

sábado

Distância e Proximidade



O filme Hiroshima Meu Amor vai ser projectado em película (cópia da Cinemateca Portuguesa) no Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação Gulbenkian, na próxima sexta-feira, 4 de Julho, às 22h. Bilhetes a 3 €uros.

Clandestina

Gostava de dar uso a isto, mas continuo sem saber como.
Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque?
Não necessariamente.

O amor da leitura diária

Em Fevereiro de 2004, o Pedro Lomba, que começou por escrever n'A Coluna Infame, anunciou que ia acabar com o blogue (uni)pessoal que mantinha, Flor de Obsessão, e que os arquivos iriam desta para melhor. Vai daí o Ivan Nunes (quando ainda o era) decidiu fazer serviço público, transcrevendo uma selecção de posts do Lomba, para assim salvar, da limpeza implacável que se avizinhava, alguns dos seus melhores textos na internet. Entretanto,

O Pedro Lomba pediu-me que parasse de transcrever posts dele: tem medo que isto comece a «expô-lo ao ridículo». Hesitei, mas não lhe faço a vontade.
Primeiro, por causa de uma referência bibliográfica: sugiro-lhe que pegue num livro que ele leu devotamente, O Anjo Pornográfico, de Ruy Castro, e consulte a pág. 272. Lá está, dez linhas a contar do fim, inequivocamente Nelson Rodrigues:
«Só os imbecis têm medo do ridículo. Considero um soturno pobre-diabo o sujeito que não consegue ser ridículo de vez em quando.»
Segundo, encontrei hoje uma leitora que espontaneamente me agradeceu a selecção de posts do Lomba que tenho vindo a publicar. Podia pensar-se que entre o desejo do autor e o desejo de uma leitora eu devesse preferir o primeiro; mas é o contrário. A leitora gosta genuinamente do Flor de Obsessão; o Pedro Lomba, nem tanto. O Lomba chega a manifestar intenções assassinas: diz que pretende apagar, erradicar, extinguir para sempre o seu próprio blog. A leitora dá-nos o amor da leitura diária. Teremos o direito de hesitar entre uma pessoa que ama e outra que planeia um assassínio? Não temos.(...)


A leitora era eu.

(para o Pedro Lomba)

segunda-feira

Casos de sucesso

sábado

Sequência desilusão

Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar, perder. Arriscar... e perder.

Às tantas dá vontade de uma pessoa não ir mais a jogo.

quinta-feira

Receita para a ressaca do euro (selecção)

- Gin tónico?

Religião e panque-roque


Silver Jews, Open Field, Lookout Mountain, Lookout Sea, 2008

para o Tiago Guillul. Cantar de manhã... com David Berman

Hoje foi dia da mulher?

Lower men wallow in pity as swine do in mud, their pity for others being the same as their pity for themselves. Thus spake Nietzsche... more

Mrs. Thatcher viewed Ferdinand Mount as "an idle and effete youth." But she came to admire his powers as a wordsmith. Right she was... more

Much of the best literature of the 19th century can't be grasped without knowing the position of women and women writers: their views of the world and their literary preferences... more


Arts & Letters Daily, 19 de Junho

quarta-feira

Clicar sobre a imagem para dormir melhor


Source: Boston.com

domingo

Odisseia

Os irlandeses votaram NÃO a Lisboa por insegurança. Tontos. Sabem que não estás em Dublin para ficar. Por isso temiam o teu reencontro com a cidade, o sol, a Bica, os amigos e tudo o resto. Hoje, que te têm de volta, já querem celebrar. Amanhã haverá festa (para que esta noite ainda possas descansar da viagem). Vão chamar-lhe Bloomsday, mas é só para disfarçar. Não se lhes pode levar a mal. Foram belos estes dias.

para o Carlos

Segunda época

No meu caso, o estado de graça durou apenas três meses. No entanto, agora que dou por encerrada a minha semana de excessos férias, gostava novamente de ser ex-fumadora.
Reiniciar o sistema. É que uma pessoa habitua-se.

Alta definição

Depois de 300 sms do MEO a assediar-me para ver a selecção portuguesa em HD num canal especial, cá estamos, em casa, pela primeira vez desde que o Europeu de Futebol começou (tenho um "sítio do costume" onde vou assistir aos jogos). Os nervos são idênticos, mas a diferença na imagem é de facto assinalável. Só não se vêem os pêlos das pernas de Cristiano Ronaldo, porque:
i) ele não está a jogar;
ii) mesmo que estivesse, provavelmente tem-nas depiladas (argh, major male turn-off).

quinta-feira

Hiper-Erotismo



Hoje de manhã
até minhas campainhas
estão escondidas
para evitarem mostrar
o cabelo em desalinho.


Ono no Komachi (834?-?)

... ou sou eu que tenho uma imaginação muito fértil, em flores? Deve ser do calor da tradução.

Feira Popular*

No 10 de Junho havia mais celebridades da altíssima cultura por metro quadrado do que livros em saldo. Até Santo António Lobo Antunes se encontrava a dar autógrafos. Uma fartura.

* trim-trim uns dias antes
Eu: Onde é que estás?
A Outra Pessoa (AOP): Na feira popular.
Eu: Onde???
AOP: Ai não, quer dizer, estou na feira do livro.

Por-tu-gal! Por-tu-gal!

JOGO. Dentro de mim acena uma bandeirinha movida a imperiais.

segunda-feira

Muito gosta esta rapariga de dançar


Feist, My Moon My Man

(Conferir aqui, aqui e aqui.)

Minha linda, minha querida, Leslie Feist, de disposição pop e um lalalá cheio de leveza e graça. Quarta-feira espero vê-la num bom concerto (de preferência com coreografia), sem bebedeiras, sem timidezes, sem birras, sem epifanias. Quero simplesmente divertir-me, que esta semana não está para trabalhos.

A circunstância urbana ao espelho

Mirrorcities: Lisboa vs Tóquio.

Protecção 40

Honra-me Miss Pearls ao colocar o meu blogue "no terraço", em lugar de destaque. (A espreguiçadeira é para mim!) E bem que preciso de me estender ao sol; estou tão branquinha.

a Noite

Tentadora. Fatale. Grande inimiga do ex-fumador.

quinta-feira

Um post críptico

В большом здании судебных учреждений во время перерыва заседания по делу Мельвинских члены и прокурор сошлись в кабинете Ивана Егоровича Шебек, и зашел разговор о знаменитом красовском деле. Федор Васильевич разгорячился, доказывая неподсудность, Иван Егорович стоял на своем, Петр же Иванович, не вступив сначала в спор, не принимал в нем участия и просматривал только что поданные «Ведомости».
— Господа! — сказал он, — Иван Ильич-то умер.
— Неужели?
— Вот, читайте, — сказал он Федору Васильевичу, подавая ему свежий, пахучий еще номер.
В черном ободке было напечатано: «Прасковья Федоровна Головина с душевным прискорбием извещает родных и знакомых о кончине возлюбленного супруга своего, члена Судебной палаты, Ивана Ильича Головина, последовавшей 4-го февраля сего 1882 года. Вынос тела в пятницу, в час пополудни».
Иван Ильич был сотоварищ собравшихся господ, и все любили его. Он болел ужи несколько недель; говорили, что болезнь его неизлечима. Место оставалось за ним, но было соображение о том, что в случае его смерти Алексеев может быть назначен на его место, на место же Алексеева — или Винников, или Штабель. Так что, услыхав о смерти Ивана Ильича, первая мысль каждого из господ, собравшихся в кабинете, была и том, какое значение может иметь эта смерть на перемещения или повышения самих членов или их знакомых.
«Теперь, наверно, получу место Штабеля или Винникова, — подумал Федор Васильевич. — Мне это и давно обещано, а это повышение составляет для меня восемьсот рублей прибавки, кроме канцелярии».
«Надо будет попросить теперь о переводе шурина из Калуги, — подумал Петр Иванович. — Жена будет очень рада. Теперь уж нельзя будет говорить, что я никогда ничего не сделал для ее родных».
— Я так и думал, что ему не подняться, — вслух сказал Петр Иванович. — Жалко.
— Да что у него, собственно, было?
— Доктора не могли определить. То есть определяли, но различно. Когда я видел его последний раз, мне казалось, что он поправится.
— А я так и не был у него с самых праздников. Все собирался.
— Что, у него было состояние?
— Кажется, что-то очень небольшое у жены. Но что-то ничтожное.
— Да, надо будет поехать. Ужасно далеко жили они.
— То есть от вас далеко. От вас всё далеко.
— Вот, не может мне простить, что я живу за рекой, — улыбаясь на Шебека, сказал Петр Иванович. И заговорили о дальности городских расстояний, и пошли в заседание.
Кроме вызванных этой смертью в каждом соображении о перемещениях и возможных изменениях по службе, могущих последовать от этой смерти, самый факт смерти близкого знакомого вызвал во всех, узнавших про нее, как всегда, чувство радости о том, что умер он, а не я.
«Каково, умер; а я вот нет», — подумал или почувствовал каждый. Близкие же знакомые, так называемые друзья Ивана Ильича, при этом подумали невольно и о том, что теперь им надобно исполнить очень скучные обязанности приличия и поехать на панихиду и к вдове с визитом соболезнования.
Ближе всех были Федор Васильевич и Петр Иванович.
Петр Иванович был товарищем по училищу правоведения и считал себя обязанным Иваном Ильичом.
Передав за обедом жене известие о смерти Ивана Ильича и соображения о возможности перевода шурина в их округ, Петр Иванович, не ложась отдыхать, надел фрак и поехал к Ивану Ильичу.
У подъезда квартиры Ивана Ильича стояла карета и два извозчика. Внизу, в передней у вешалки прислонена была к стене глазетовая крышка гроба с кисточками и начищенным порошком галуном. Две дамы в черном снимали шубки. Одна, сестра Ивана Ильича, знакомая, другая — незнакомая дама. Товарищ Петра Ивановича, Шварц, сходил сверху и, с верхней ступени увидав, входившего, остановился и подмигнул ему, как бы говоря: «Глупо распорядился Иван Ильич: то ли дело мы с вами».
Лицо Шварца с английскими бакенбардами и вся худая фигура во фраке имела, как всегда, изящную торжественность, и эта торжественность, всегда противоречащая характеру игривости Шварца, здесь имела особенную соль. Так подумал Петр Иванович.
Петр Иванович пропустил вперед себя дам и медленно пошел за ними на лестницу. Шварц не стал сходить, а остановился наверху. Петр Иванович понял зачем: он, очевидно хотел сговориться, где повинтить нынче. Дамы прошли на лестницу к вдове, а Шварц, с серьезно сложенными, крепкими губами и игривым взглядом, движением бровей Показал Петру Ивановичу направо, в комнату мертвеца.
Петр Иванович вошел, как всегда это бывает, с недоумением о том, что ему там надо будет делать. Одно он знал, что креститься в этих случаях никогда не мешает. Насчет того, что нужно ли при этом и кланяться, он не совсем был уверен и потому выбрал среднее: войдя в комнату, он стал креститься и немножко как будто кланяться. Насколько ему позволяли движения рук и головы, он вместе с тем оглядывал комнату. Два молодые человека, один гимназист, кажется, племянники, крестясь, выходили из комнаты. Старушка стояла неподвижно. И дама с странно поднятыми бровями что-то ей говорила шепотом. Дьячок в сюртуке, бодрый, решительный, читал что-то громко с выражением, исключающим всякое противоречие; буфетный мужик Герасим, пройдя перед Петром Ивановичем легкими шагами, что-то посыпал по полу. Увидав это, Петр Иванович тотчас же почувствовал легкий запах разлагающегося трупа. В последнее свое посещение Ивана Ильича Петр Иванович видел этого мужика в кабине-, те; он исполнял должность сиделки, и Иван Ильич особенно любил его. Петр Иванович все крестился и слегка кланялся по серединному направлению между гробом, дьячком и образами на столе в углу. Потом, когда это движение крещения рукою показалось ему уже слишком продолжительно, он приостановился и стал разглядывать мертвеца.
Мертвец лежал, как всегда лежат мертвецы, особенно тяжело, по-мертвецки, утонувши окоченевшими членами в подстилке гроба, с навсегда согнувшеюся головой на подушке, и выставлял, как всегда выставляют мертвецы, свой желтый восковой лоб с взлизами на ввалившихся висках и торчащий нос, как бы надавивший на верхнюю губу. Он очень переменился, еще похудел с тех пор, как Петр Иванович не видал его, но, как у всех мертвецов, лицо его было красивее, главное — значительнее, чем оно было у живого. На лице было выражение того, что то, что нужно было сделать, сделано, и сделано правильно. Кроме того, в этом выражении был еще упрек или напоминание живым. Напоминание это показалось Петру Ивановичу неуместным или, по крайней мере, до него не касающимся. Что-то ему стало неприятно, и потому Петр Иванович еще раз поспешно перекрестился и, как ему показалось, слишком поспешно, несообразно с приличиями, повернулся и пошел к двери. Шварц ждал его в проходной комнате, расставив Широко ноги и играя обеими руками за спиной своим цилиндром. Один взгляд на игривую, чистоплотную и элегантную фигуру Шварца освежил Петра Ивановича. Петр Иванович понял, что он, Шварц, стоит выше этого и не поддается удручающим впечатлениям. Один вид его говорил: инцидент панихиды Ивана Ильича никак не может служить достаточным поводом для признания порядка заседания нарушенным, то есть что ничто не может помешать нынче же вечером щелкануть, распечатывая ее, колодой карт, в то время как лакей будет расставлять четыре необожженные свечи; вообще нет основания предполагать, чтобы инцидент этот мог помешать нам провести приятно и сегодняшний вечер. Он и сказал это шепотом проходившему Петру Ивановичу, предлагая соединиться на партию у Федора Васильевича. Но, видно, Петру Ивановичу была не судьба винтить нынче вечером. Прасковья Федоровна, невысокая, жирная женщина, несмотря на все старания устроить противное, все-таки расширявшаяся от плеч книзу, вся в черном, с покрытой кружевом головой и с такими же странно поднятыми бровями, как и та дама, стоявшая против гроба, вышла из своих покоев с другими дамами и, проводив их в дверь мертвеца, сказала:
— Сейчас будет панихида; пройдите.
Шварц, неопределенно поклонившись, остановился, очевидно, не принимая и не отклоняя этого предложения. Прасковья Федоровна, узнав Петра Ивановича, вздохнула, подошла к нему вплоть, взяла его за руку и сказала:
— Я знаю, что вы были истинным другом Ивана Ильича... — и посмотрела на него, ожидая от него соответствующие этим словам действия.
Петр Иванович знал, что как там надо было креститься, так здесь надо было пожать руку, вздохнуть и сказать: «Поверьте!». И он так и сделал. И, сделав это, почувствовал, что результат получился желаемый: что он тронут и она тронута.
— Пойдемте, пока там не началось; мне надо поговорить с вами, — сказала вдова. — Дайте мне руку.
Петр Иванович подал руку, и они направились во внутренние комнаты, мимо Шварца, который печально подмигнул Петру Ивановичу: «Вот те и винт! Уж не взыщите, другого партнера возьмем. Нешто впятером, когда отделаетесь», — сказал его игривый взгляд.
Петр Иванович вздохнул еще глубже и печальнее, и Прасковья Федоровна благодарно пожала ему руку. Войдя в ее обитую розовым кретоном гостиную с пасмурной лампой, они сели у стола: она на диван, а Петр Иванович на расстроившийся пружинами и неправильно подававшийся под его сиденьем низенький пуф. Прасковья Федоровна хотела предупредить его, чтобы он сел на другой стул, но нашла это предупреждение не соответствующим своему положению и раздумала. Садясь на этот пуф, Петр Иванович вспомнил, как Иван Ильич устраивал эту гостиную и советовался с ним об этом самом розовом с зелеными листьями кретоне. Садясь на диван и проходя мимо стола (вообще вся гостиная была полна вещиц и мебели), вдова зацепилась черным кружевом черной мантилий за резьбу стола. Петр Иванович приподнялся, чтобы отцепить, и освобожденный под ним пуф стал волноваться и подталкивать его. Вдова сама стала отцеплять свое кружево, и Петр Иванович опять сел, придавив бунтовавшийся под ним пуф. Но вдова не все отцепила, и Петр Иванович опять поднялся, и опять пуф забунтовал и даже щелкнул. Когда все это кончилось, она вынула чистый батистовый платок и стала плакать. Петра же Ивановича охладил эпизод с кружевом и борьба с пуфом, и он сидел насупившись. Неловкое это положение перервал Соколов, буфетчик Ивана Ильича, с докладом о том, что место на кладбище то, которое назначила Прасковья Федоровна, будет стоить двести рублей. Она перестала плакать и, с видом жертвы взглянув на Петра Ивановича, сказала по-французски, что ей очень тяжело. Петр Иванович сделал молчаливый знак, выражавший несомненную уверенность в том, что это не может быть иначе.
— Курите, пожалуйста, — сказала она великодушным и вместе убитым голосом и занялась с Соколовым вопросом о цене места. Петр Иванович, закуривая, слышал, что она очень обстоятельно расспросила о разных ценах земли и определила ту, которую следует взять. Кроме того, окончив о месте, она распорядилась и о певчих. Соколов ушел.
— Я все сама делаю, — сказала она Петру Ивановичу, отодвигая к одной стороне альбомы, лежавшие на столе; и, заметив, что пепел угрожал столу, не мешкая подвинула Петру Ивановичу пепельницу и проговорила: — Я нахожу притворством уверять, что я не могу от горя заниматься практическими делами. Меня, напротив, если может что не утешить... а развлечь, то это — заботы о нем же. — Она опять достала платок, как бы собираясь плакать, и вдруг, как бы пересиливая себя, встряхнулась и стала говорить спокойно:
— Однако у меня дело есть к вам.
Петр Иванович поклонился, не давая расходиться пружинам пуфа, тотчас же зашевелившимся под ним.
— В последние дни он ужасно страдал.
— Очень страдал? — спросил Петр Иванович.
— Ах, ужасно! Последние не минуты, а часы он не переставая кричал. Трое суток сряду он, не переводя голосу, кричал. Это было невыносимо. Я не могу понять, как я вынесла это; за тремя дверьми слышно было. Ах! что я вынесла!
— И неужели он был в памяти? — спросил Петр Иванович.
— Да, — прошептала она, — до последней минуты. Он простился с Нами за четверть часа до смерти и еще просил увести Володю.
Мысль о страдании человека, которого он знал так близко, сначала веселым мальчиком, школьником, потом взрослым партнером, несмотря на неприятное сознание притворства своего и этой женщины, вдруг ужаснула Петра Ивановича. Он увидал опять этот лоб, нажимавший на губу нос, и ему стало страшно за себя.
«Трое суток ужасных страданий и смерть. Ведь это сейчас, всякую минуту может наступить и для меня», — подумал он, и ему стало на мгновение страшно. Но тотчас же, он сам не знал как, ему на помощь пришла обычная мысль, что это случилось с Иваном Ильичом, а не с ним и что с ним этого случиться не должно и не может; что, думая так, он поддается мрачному настроению, чего не следует делать, как это, очевидно было по лицу Шварца. И, сделав это рассуждение, Петр Иванович успокоился и с интересом стал расспрашивать подробности о кончине Ивана Ильича, как будто смерть была такое приключение, которое свойственно только Ивану Ильичу, но совсем не свойственно ему.
После разных разговоров о подробностях действительно, ужасных физических страданий, перенесенных Иваном Ильичам (подробности эти узнавал Петр Иванович только по тому, как мучения Ивана Ильича действовали на нервы Прасковьи Федоровны), вдова, очевидно, нашла нужным перейти к делу.
— Ах, Петр Иванович, как тяжело, как ужасно тяжело, как ужасно тяжело, — и она опять заплакала.
Петр Иванович вздыхал, и ждал, когда она высморкается. Когда она высморкалась, он сказал:
— Поверьте... — и опять она разговорилась и высказала то, что было, очевидно, ее главным делом к нему; дело это состояло в вопросах о том, как бы по случаю смерти мужа достать денег от казны. Она сделала вид, что спрашивает у Петра Ивановича совета о пенсионе: но он видел, что она уже знает до мельчайших подробностей и то, чего он не знал: все то, что можно вытянуть от казны по случаю этой смерти; но что ей хотелось узнать, нельзя ли как-нибудь вытянуть еще побольше денег. Петр Иванович постарался выдумать такое средство, но, подумав несколько и из приличия побранив наше правительство за его скаредность, сказал, что, кажется, больше нельзя. Тогда она вздохнула и, очевидно, стала придумывать средство избавиться от своего посетителя. Он понял это, затушил папироску, встал, пожал руку и пошел в переднюю.
В столовой с часами, которым Иван Ильич так рад был, что купил в брикабраке 1, Петр Иванович встретил священника и еще несколько знакомых, приехавших на панихиду, и увидал знакомую ему красивую барышню, дочь Ивана Ильича. Она была вся в черном. Талия ее, очень тонкая, казалась еще тоньше. Она имела мрачный, решительный, почти гневный вид. Она поклонилась Петру Ивановичу, как будто он был в чем-то виноват. За дочерью стоял с таким же обиженным видом знакомый Петру Ивановичу богатый молодой человек, судебный следователь, ее жених, как он слышал. Он уныло поклонился им и хотел пройти в комнату мертвеца, когда из-под лестницы показалась фигурка гимназистика-сына, ужасно похожего на Ивана Ильича. Это был маленький Иван Ильич, каким Петр Иванович помнил его в Правоведении. Глаза у него были и заплаканные и такие, какие бывают у нечистых мальчиков в тринадцать — четырнадцать лет. Мальчик, увидав Петра Ивановича, стал сурово и стыдливо морщиться. Петр Иванович кивнул ему головой и вошел в комнату мертвеца. Началась панихида — свечи, стоны, ладан, слезы, всхлипыванья. Петр Иванович стоял нахмурившись, глядя на ноги перед собой. Он не взглянул ни разу на мертвеца и до конца не поддался расслабляющим влияниям и один из первых вышел. В передней никого побыло. Герасим, буфетный мужик, выскочил из комнаты покойника, перешвырял своими сильными руками все шубы, чтобы найти шубу Петра Ивановича, и подал ее.
— Что, брат Герасим? — сказал Петр Иванович, чтобы сказать что-нибудь. — Жалко?
— Божья воля. Все там же будем, — сказал Герасим, оскаливая свои белые, сплошные мужицкие зубы, и, как человек в разгаре усиленной работы, живо отворил дверь, кликнул кучера, подсадил Петра Ивановича и прыгнул назад к крыльцу, как будто придумывая, что бы ему еще сделать.
Петру Ивановичу особенно приятно было дохнуть чистым воздухом после запаха ладана, трупа и карболовой кислоты.
— Куда прикажете? — спросил кучер.
— Не поздно. Заеду еще к Федору Васильевичу.
И Петр Иванович поехал. И действительно, застал их при конце первого роббера, так что ему удобно было вступить пятым.

(Não percebi nada, mas os restantes capítulos encontram-se aqui. Obrigada pelo link, Luís.)

Piratas

(...)Pediram-me um pequeno prefácio. No pequeno prefácio, eu tentava explicar o que era A Morte de Ivan Ilich. Se era um livro sobre a morte, se não era um livro sobre a morte. Foi uma discussão que houve durante muito tempo. O livro é tão complexo e rico. Falava lá, pela rama, no Lukács, que negava que fosse um livro sobre a morte, etc., por aí fora. Contracapa do livro: «Este livro aborda o tema da morte.» Dá vontade de não escrever mais para aquilo, não é? Quer dizer, não têm o direito de fazer isto ao Tolstoi. Primeiro, os livros não abordam nada, porque não são corsários. E, segundo, não é de facto um livro sobre a morte.(...)

António Lobo Antunes em entrevista à LER, Maio 2008

terça-feira

Caminho marítimo

For whatever we lose(like a you or a me)
it's always ourselves we find in the sea.


E.E. Cummings

domingo

Prémio da montanha



"Ain't No Mountain High Enough", por Marvin Gaye e Tammi Terrell, é a música que eu gostava que me dedicassem.

Entre muitos outros singles de sucesso, foi uma das primeiras canções que Nickolas Ashford e Valerie Simpson escreveram para a Motown, depois de entrarem para a editora na segunda metade da década de 60. (Sim, estamos a falar da dupla que nos anos 80 ofereceu ao mundo "Solid", uma coisa dificilmente classificável, que se colava ao ouvido. O teledisco, esse então, é inenarrável.)

The duo [Ashford and Simpson] continues to write and score today. They are given credit for their writing talents on the Amy Winehouse 2007 CD "Back to Black" for the single Tears Dry On Their Own. The track is based on Marvin Gaye and Tammi Terrell's 1967 Motown classic hit Ain't No Mountain High Enough. (Wikipedia)

The power of love and personal matters

They cost as much as football players but are likely to be a far wiser investment. In the week that saw two record-breaking sales of paintings by Lucian Freud and Francis Bacon, a new collector has been revealed. Roman Abramovich, the Russian tycoon and owner of Chelsea football club, is the mystery buyer of the two paintings, according to reliable sources.

While Abramovich is better known for studying the sometimes patchy form of the players he buys, experts say that the $120m (£61.4m) buying spree suggests that he has found a new enthusiasm. His inspiration is likely to be his model girlfriend Daria "Dasha" Zhukova, who has recently spoken of her desire to open a contemporary art gallery in Moscow.(...)

Abramovich, worth an estimated £11.7 billion in The Sunday Times Rich List this year, announced his split from Irina, his second wife, last year.

He is now in a relationship with Zhukova, the 25-year-old daughter of a former cinema projectionist who then made his fortune as an oil trader.

Zhukova has launched her own fashion label while studying homeopathy in London. Despite her reputation as a socialite, she is said to prefer a quiet night at home and is an art enthusiast.

One of her projects, to transform a 1920s bus garage in Moscow into a gallery for contemporary art and culture, is expected to be launched next month. Amy Winehouse is reported to have been offered about £1m to sing at the event.

Asked about the purchases, a spokesman for Abramovich said: "We do not comment on personal matters."


Notícia de hoje no Times Online

sábado

Boring! (pub)

All about eyes (pub)

Diz-me um amigo blogger (com tendência casamenteira) que se tivesse os meus olhos verdes (a verdade é que pouca gente neles repara) os mesmos seriam referidos post-sim, post-não. Ora, uma única vez parece-me suficiente. (E é só para te fazer a vontade...)

Quase 31 (pub)

Por esta altura em 2007 os sapatos eram de verniz vermelho, também da Camper. Este ano apenas variei no modelo e na cor, azul petróleo. São os únicos saltos (de borracha) em cima dos quais me aguento com dignidade sobre a calçada portuguesa em geral, e sobre a do meu bairro em particular.

Era A Mancha Humana, de Roth (excelente), e Balzac (aborreci-me e abandonei o livro a meio). Este ano ando metida com Tolstoi, alternando com Ela e Outras Mulheres, de Rubem Fonseca (ótimo). Vamos tomar um drinquinho (p.75) para celebrar o acordo ortográfico? Estou brincando... eu nem aprovo.

Bit of good froggy French there

Já manifestei junto de autoridades competentes alguma estranheza quanto à tradução para inglês que ando a ler do colosso Guerra e Paz (está para durar, que eu leio devagar e ainda tenho mais três volumes e um epílogo pela frente). Diz que é assim e que deverá estar muito bem. Não duvido que Tolstoi tivesse sentido de humor linguístico, mas gostava de saber até que ponto esta tradução do século XXI, de um texto que se reporta ao início do século XIX, potencia essa graça. (Só aprendendo russo, suponho, hipótese que não descarto porque foi um língua que sempre me fascinou.) Escrevendo como se fala, desde o capitão que não diz os erres ('Wotten luck?') até ao oficial que exclama 'What the...' (sem que o 'fuck' chegue a ver o branco da folha), passando por:

'Bonaparte...' Dolokhov began, only to be interrupted by the Frenchman.
'Don't you say Bonaparte. He is the Emperor! His name is sacred!' came the angry shout.
'Damn and sod your Emperor!' And Dolokhov cursed like a soldier in his vilest Russian, before shouldering his gun and walking away.
'Come on, Ivan Lukich,' he said to his captain, 'let's go.'
'Bit of good froggy French there,' said the soldiers down the line.
'Come on, Sidorov, your turn!' Sidorov winked at them, turned to face the French and began to gabble strange words as fast as he could.
'Kari mala tafa safi muter kaska!' he rattled out, trying to embellish his message with the most expressive intonation he could manage.
The Russian soldiers burst into a great roar of happy, hearty laughter, and the French line took it up so spontaneously that you would have thought the only thing to do now was to unload the guns, blow up the ammunition and get back home as soon as possible. But the muskets remained loaded, the marksmen's slits in buildings and earthworks stared out as ominously as ever, and the big guns stood ready ranged againt each other.


Final do Capítulo 15, Parte II, Volume I.

Sous le link, la plage

Um agradecimento (atrasado) à Sofia, do Controversa Maresia, por ter mantido o meu blogue na categoria "praia vigiada" durante cerca de duas semanas. Um luxo, poder mergulhar-se aqui em segurança enquanto não abre a época balnear.

domingo

Retrospectiva


Gustave Courbet, La Vague, 1869

Não é um soixante-huitard (do séc. XIX), mas foi um communard.

O locus político no baixo ventre

Com o 40º aniversário do Maio de 68 em destaque, um dos artigos da Artforum deste mês versa sobre uma publicação que surgiu em 69 (coincidência inocente), em Amesterdão, no rasto deixado pelo clamor de libertação, a todos os níveis, dos jovens parisienses. Chamava-se SUCK. Alguns orgasmos depois, em 1971, conta o artigo que surge a FHAR - Front Homosexuel d’Action Révolutionnaire. Chegados aqui, o que tem graça é um dos slogans (em inglês) deste movimento, fiel ao espírito marxista, em consonância com a «revolução das palavras» (como lhe chama Pedro Mexia na crónica de ontem).

Então é assim: Workers of the World, Fondle Yourselves!*

*Trabalhadores de todo o mundo, acariciem-se!

A Fonte de Courbet



Que rabiosque tão deliciosamente realista.

sábado

Frustração relativa

Quando se é mulher às vezes não se consegue ser outra coisa.

Eufemismos

«Então, certa tarde, veio ter comigo, numa festa, uma mulher em avançado estado de imponderabilidade. Tinha tão pouca substância que a brisa corria através dela, como através de uma cortina. A leve substância de que era composta estava, contudo, maravilhosamente bem distribuída e organizada.»

(José Eduardo Agualusa na revista Pública, crónica de 4 de Maio de 2008)


Gustave Courbet, La Femme au Perroquet, 1866

Bird watchin'

À saída do CCB esta terça-feira, depois de assistirmos ao ensaio-geral de Masurca Fogo, em noite quente e com a plateia do grande auditório quase cheia, o meu amigo comentava: «Vêem-se sempre miúdas giras nos espectáculos de dança contemporânea.»

quinta-feira

Vem aí a Pina



Cafe Müller
Direcção e Coreografia de Pina Bausch
Música de Henry Purcell
Cenário de Rolf Borzik
Estreia: 20 de Maio 1978, Wuppertal, Alemanha

domingo

Eterno retorno

Descubra as diferenças

sábado

French kissin'



I want to be a playboy's bunny...
I want to be a topless waitress...
I want to be an artist's model (an odalisque, au naturel)
I want to be a cobra dancer...
I want to be a brothel worker...
I want to be a dominatrix (which isn't like me, but I can dream)
I want to be a porno starlet...


I want to be a tattooed lady
dedicated, as I am, to art
Characters bold, complex and shady
will write my memoirs
across my heart.



The Nun's Litany (Distortion, 2008)

S & m

Sofre-se muito.

terça-feira

Sair do armário

NÃO GOSTO DE LEONARD COHEN. (E os meus pais perguntar-se-ão: «Mas onde é que nós errámos? Onde é que nós errámos?»)

Pedro, a.k.a. Irmão Lúcia, estou contigo!

Ontem vi um bigode extraordinário


Canções a abrir

& The Bad Seeds

(aplausos no Coliseu)

domingo

Da obsolescência

and it's getting strange in here
it gets stranger every year

...

don't it make you feel so sad
don't the blood rush to your feet
to think that everything you do today
tomorrow is obsolete
technology and women
and little children too
don't it make you feel blue


Nick Cave, More news from nowhere (2008)

Actualidade nacional

Bem condensadinha:

Onde estão os Aguiares Brancos e os Passos Coelhos do Benfica?
Fernando Santos em O Jogo, citação no Público de ontem

Dedicá-la-ia aos meus amigos na "diáspora", não fosse tudo isto tão irrelevante.

Dás-me lume?


(clicar sobre a imagem para ler a tirada poético-decadente-chic-rock)

Deixar de fumar não tem *glamur* nenhum, mas... os meus lábios estão mais cor-de-rosa.

*no âmbito de um acordo ortográfico que fiz comigo própria*

Não custa nada

quinta-feira

Pssst


Não fumo há mais de um mês.


Cat Power, After it all

A máquina da roupa

Não pára. De um dia para o outro, envio sms a perguntar se há novidades. Tenho a certeza que sim e não me engano. Ela responde com a promessa de revelar tudo em breve, acrescentando apenas que «as coisas acontecem a uma velocidade estonteante» (cuidadinho) e que está «metida numa máquina da roupa». Resta agora saber em que programa.

Newsletter

The Magnetic Fields, back from nearly a four-year hiatus from touring, are traveling once again to Europe. They are pleased to announce that they are preparing a short string of European dates kicking off this June. Confirmed markets so far include Spain, England, Sweden, and Portugal, with more to come shortly. Regular updates -- including information on additional tour stops -- will be posted to houseoftomorrow.com.

Foste a quinta sinfonia

O ambiente no Maxime, quase familiar, convidava. O Tiago era cabeça-de-cartaz (num formato próximo do que eu já tinha visto no Musicbox), mas a grande surpresa da noite de ontem foi a actuação de abertura do Samuel Úria ("cantautor"), a solo. Absolutamente brilhante. Hesito em chamar-lhe concerto. Ele escreve, ele canta, ele embala-nos com a guitarra, ele é o máximo. Digamos que se tratou de uma intervenção ("stand-up") musical, a todos os níveis, repito, brilhante. Bravo!

No entanto, devo eventualmente um pedido de desculpa aos espectadores que se encontravam do lado esquerdo da assistência. Lamento se incomodei alguém com o meu riso incontrolável no momento em que pudemos ouvir o Samuel a tocar o "hit" de Paco Bandeira Minha 5ª Sinfonia (no Youtube). Especialmente nesta parte:

Foste estrela de cinema
Minha dama de Xangai
Hiroxima meu amor
A minha grande ilusão
Eras fúria de viver
Quanto mais quente melhor
Grande amor da minha vida
Senso, silêncio, paixão
Buñuel, Fellini, Truffaut
Foste luzes da ribalta
Música no coração
E tudo o vento levou


Impagável.

terça-feira

Every blogger's library



Clássicos de 1400 páginas: tenho tantas saudades tuas, que até comprei o Guerra e Paz. É fazer as contas.

domingo

Moralidade duvidosa



Elle: Je suis d'une moralité douteuse.
Lui: Qu'est-ce que tu appelles être d'une moralité douteuse ?
Elle: Douter de la moralité des autres.

Alain Resnais / Marguerite Duras

Contrição

Tenho 30 anos e vi hoje pela primeira vez Hiroshima Meu Amor.

"I think that in a few years, in ten, twenty, or thirty years, we will know whether Hiroshima Mon Amour was the most important film since the war, the first modern film of sound cinema." That’s Eric Rohmer, in a July 1959 round-table discussion between the members of Cahiers du Cinéma’s editorial staff, devoted to Alain Resnais’ groundbreaking first feature. Rohmer’s remark is in perfect sync with the spirit of the film, which, as he says later in the discussion, "has a very strong sense of the future, particularly the anguish of the future." (...)

sábado

Mr. Berman, please



Perdido por cem, perdido por mil. Inglaterra, Escócia, Irlanda, Alemanha, França... E que tal dar um pulinho a Portugal? É que este ano temos poucos concertos bons em que gastar dinheiro.

Por aqui já ouvimos Lookout Mountain, Lookout Sea [disco "novo" que ainda não está à venda] mas também não vamos emitir juízos de valor, até o ouvirmos mais 100 vezes, no mínimo.

Knots

Pitchfork: When you're not recording, do you have a daily routine?

David Berman: I read a lot. I read, like, ten hours a day.

Pitchfork: Sounds perfect.

David Berman: I figure that's what I'm supposed to do when I'm not working. I think that I'm supposed to keep learning, in order to be useful in the event of an emergency, I don't know. I still have to learn how to make knots and all of that stuff. And why France collapsed so easily in 1940. There's a million things I have not caught up to. I spend a lot of time reading, a lot of time reading the Torah and Jewish texts, Jewish history. For about a year, I haven't read any fiction. It just strikes me as completely irrelevant.

em entrevista publicada esta semana

sexta-feira

Ao vivo e a cores**



* Passe a (óptima) publicidade, sempre. *

Não se é Rainha da Pop ao acaso

She spoke of the music business: "Well, there's one thing you can't download and that's a live performance. And I know how to put on a show, and enjoy performing, and I'll always have that." Madonna na Vanity Fair

quarta-feira

Tic tac



Não sou nada "timberlakeana", mas os minutos pirateados que ouvi de Hard Candy (no iutúbe) puseram-me a dançar à primeira. É sempre bom sinal. Ou o Justin que se atrevesse a fazer porcaria para o novo disco de Madonna, a lançar no final de Abril. Ela comia-o vivo.

terça-feira

Rosy sugar-candy

Pózinho. Até cerca das 9h08 da manhã do dia de hoje, nunca, que me lembre, tinha ouvido falar de John Ruskin (1819-1900). Estava à espera que o multibanco largasse o meu dinheiro e O Poder do Pó saltou-me à vista no escaparate da livraria ao lado. Pensei que se tratasse de um estudo sobre toxicodependência nas classes altas, mas não. O título do livro prolongava-se:
O Pensamento Social e Político de John Ruskin.
- Quem?

Nada que a Internet (amo-te tanto, Internet) não resolva.

(...)
LECTURE 2.

THE PYRAMID BUILDERS

In the large Schoolroom, to which everybody has been summoned by ringing of the great bell.

LECTURER: So you have all actually come to hear about crystallization! I cannot conceive why unless the little ones think that the discussion may involve some reference to sugar-candy.

(Symptoms of high displeasure among the younger members of council. ISABEL frowns severely at L., and shakes her head violently.)

My dear children, if you knew it, you are yourselves, at this moment, as you sit in your ranks, nothing, in the eye of a mineralogist, but a lovely group of rosy sugar-candy, arranged by atomic forces. And even admitting you to be something more, you have certainly been crystallizing without knowing it. Did not I hear a great hurrying and whispering ten minutes ago, when you were late in from the playground; and thought you would not all be quietly seated by the time I was ready:--besides some discussion about places--something about "it's not being fair that the little ones should always be nearest?" Well, you were then all being crystallized. When you ran in from the garden, and against one another in the passages, you were in what mineralogists would call a state of solution, and gradual confluence; when you got seated in those orderly rows, each in her proper place, you became crystalline. That is just what the atoms of a mineral do, if they can, whenever they get disordered: they get into order again as soon as may be.

I hope you feel inclined to interrupt me, and say, "But we know our places; how do the atoms know theirs? And sometimes we dispute about our places; do the atoms--(and, besides, we don't like being compared to atoms at all)--never dispute about theirs?" Two wise questions these, if you had a mind to put them! it was long before I asked them myself, of myself. And I will not call you atoms any more. May I call you--let me see--"primary molecules?" (General dissent indicated in subdued but decisive murmurs.) No! not even, in familiar Saxon, "dust"?

(Pause, with expression on faces of sorrowful doubt; LILY gives voice to the general sentiment in a timid "Please don't.")

THE ETHICS OF THE DUST: TEN LECTURES TO LITTLE HOUSEWIVES ON THE ELEMENTS OF CRYSTALLIZATION (1875), by JOHN RUSKIN

domingo

Não se acanhe



(clique sobre a imagem para ver melhor)

sábado

Sarcasmo hardcore

- O que é que achas da misoginia?
- Está calada e despe-te.


Sarah Charlesworth
Figures, 1983 (da série Objects of Desire)

Aleatoriedade precisa

Os critérios para ordenar alfabeticamente os links que tenho andado a colar na coluna aqui ao lado são do próprio Blogger (user friendly). Os critérios poderiam ser meus, mas optei por não estar a perder tempo com tarefas que dispenso, tais como conferir se não me enganei no abecedário ou decidir se os títulos que começam com artigo definido "A" devem vir antes ou depois disto ou aquilo... já viram a chatice que seria? Assim está muito bem. Calhou, por exemplo, que E Deus Criou a Mulher fosse seguido de Esse Cavalheiro. Encantada.

quinta-feira

Commedia dell' arte



Tem graça (digo eu). Hoje quando estava na Cinemateca a ver La Magnani, a força da natureza, a actriz que Bénard da Costa adjectiva de "inadjectivável" no filme de Jean Renoir (The Golden Coach/Le Carrose d'Or/La Carozza d'Oro/A Comédia e a Vida, 1952), logo ao início quando ainda corria o genérico e só se ouvia a música de Vivaldi, pensei que ao aviso sonoro "por favor, desligue o seu telemóvel", devia acrescentar-se "é proibido conversar, comer ou levar sacos de plástico para dentro da sala". Pensei isto porque, como de costume, infelizmente, uma ou duas filas atrás de mim, alguém mal ocupou um lugar já estava a fazer barulho sob uma das três formas que acabo de enunciar. Entretanto o filme propriamente dito começava, mas ainda tive tempo de reflectir sobre o seguinte: o que pode o Pedro Mexia fazer para eliminar este incómodo? A acção decorria no ecrã, portanto tive de concluir brevemente, respondendo à pergunta que eu própria me tinha colocado: nada. O Pedro Mexia não pode fazer nada, porque não foi nomeado Educador para os Espectadores-Que-Não-Têm-Noção da Cinemateca. Não há nada a fazer. Concentra-te no filme, Sara, e abstrai-te do resto.

Gostei muito é quase tudo o que tenho para dizer. Quase, porque antes de me ir deitar ainda quero referir uma das cenas do filme, já que hoje é Dia Mundial do Teatro, não é assim?

Anna Magnani interpreta a actriz principal de uma trupe de commedia dell' arte que no século XVIII parte da Europa para o Perú, para o "novo mundo" - há alguém que a certa altura lança a interrogação «então que tal lhe parece o novo mundo?» e o outro alguém questionado responde, «ficará óptimo, assim que esteja finalizado» - e quando a companhia chega à terra que lhes parece ficar no fim do mundo, têm eles próprios de reconstruir um teatro em ruínas, contraindo dívidas que esperam poder saldar com as receitas de bilheteira. Mas, mas. Quem cobra as entradas é um agente oportunista explorador. Depois da primeira apresentação, com sala cheia de povo e alguns ilustres e grandes aplausos, Camilla (Magnani) e os outros actores espantam-se com a miséria que encontram na caixa. O patife explica: «É que aos Nobres fica mal pedir dinheiro; o Povo é pobre, não se lhe pode cobrar nada; só dá para vender bilhetes à Burguesia, como eu e pessoas do meu círculo. Ora, eu não vou exigir dinheiro aos meus amigos, era o que mais faltava!» Uma cultura lixada.

Colecção Grandes Cabeças


Milton Glaser, 1968 * MoMA

cf. »»» one of Dylan's first 'electric' pieces, Subterranean Homesick Blues was also notable for its innovative film clip »»»

(...)
Ah get born, keep warm
Short pants, romance, learn to dance
Get dressed, get blessed
Try to be a success
Please her, please him, buy gifts
Don't steal, don't lift
Twenty years of schoolin'
And they put you on the day shift
Look out kid
They keep it all hid
Better jump down a manhole
Light yourself a candle
Don't wear sandals
Try to avoid the scandals
Don't wanna be a bum
You better chew gum
The pump don't work
'Cause the vandals took the handles.

Cartucho disparado, cartuxo reciclado

(...)
m diz:
terei o cuidado de estar atento e dar o meu veridito quanto a essa situação
veredito... é assim não é?

Sara diz:
veredicto
quer dizer, com a nova ortografia...

m diz:
foda-se, a lingua portuguesa é impossivel
eu proporia que depois de Portugal completar o acordo ortografico com o Brasil, o Brasil e Portugal abrissem negociações para fazer um acordo ortográfico comigo

Sara diz:
ehehehe

m diz:
isto dava um bom post

Sara diz:
dava sim senhor

m diz:
infelizmente foi gasto aqui
cartucho disparado, cartuxo gasto

Sara diz:
foi muito bem gasto!

m diz:
exacto, exacto
não queria desmerecer o espaço, peço desculpa pela indesculpavel indelicadeza
(...)

segunda-feira

O estado da arte nas neurociências


Bending Trees, José Miguel Pêgo © 2007
Fonte: ICVS, Escola de Ciências da Saúde, Universidade do Minho

Bellissima

Para celebrar a notícia de que Pedro Mexia é o novo subdirector da Cinemateca Portuguesa, acho que amanhã passo por lá.

«ANNA MAGNANI, sob a direcção de Visconti, num filme singular na obra cinematográfica do realizador. BELLISSIMA é também uma reflexão sobre a fábrica de sonhos e ilusões que é a profissão do cinema. O pano de fundo do filme é a “busca de talentos” para a realização de um filme, que será PRIMA COMUNIONE de Alessandro Blasetti, e conta a história dos sacrifícios e das artimanhas de uma mulher para que a sua filha seja escolhida.» (Sala Dr. Félix Ribeiro, 19h)

domingo

ABC

Fazer uma lista das minhas preferências (ver coluna à direita) leva algum tempo. Por ordem alfabética, a seguir virá a letra D.

Dedo Mau


vidro duplo, 2006 © Dedo Mau

Porque um blogue gosta de publicitar o trabalho de ilustração dos amigos (na internet, Viseu fica mais perto). On-line é recente.
Por outro lado, existem os artistas de photoshop disasters.

Sobre o disparate da semana

«(...)Preocupante, também, é a ausência de uma legislação que regule o uso de piercings nos mamilos em função do tamanho da copa - divergências estéticas no conselho de ministros terão impedido um acordo nesta matéria; vazio legal igualmente no que concerne à comercialização de piercings magnéticos (vulgo: ímanes) que venham a permitir, na estreiteza das filas do supermercado, um reconhecimento entre camaradas de clandestinidade.(...)» Bruno Sena Martins, em Avatares de um Desejo

Inacreditável. Que chatos! Deixem lá os miúdos obliterarem-se à vontade. E os adultos também. Qualquer dia não é permitido pintar o cabelo ou as unhas, ou até andar de saltos altos...

Rien, rien, rien

Não estou à espera de bebé (grande novidade). Não obstante a não-circunstância, que podia ter efeitos compreensivelmente sugestivos, nestes últimos dias vi muitas grávidas: na rua (pois, eu sei, é comum), no cinema (a historinha adolescente de Diablo Cody, Juno, é um filme bem simpático e o Bleeker, tão fôfo, também me deixou pelo beicinho), na blogosfera (Ana de Amsterdam, que tanto gosto de ler, nenhuma grávida é patética, a não ser que... já tenha idade para ser avó, que não me parece ser o caso). Mas a primeira mulher graciosamente barriguda que me apareceu à frente, logo na segunda-feira, foi Magdalena Kožená, em palco (na Gulbenkiã). Meio-soprano, completamente grávida. Custa-me perceber como se consegue cantar assim e não entrar em trabalho de parto. E se cantou. Do programa fazia parte uma lengalenga infantil deliciosa, Nous voulons une petite soeur, escrita pelo francês Francis Poulenc, que relata os caprichos (e o aumento) da prole de Madame Eustache.

Madame Eustache a dix-sept filles,
Ce n'est pas trop, mais c'est assez.
La jolie petite famille,
Vous avez dû, dû, dû la voir passer.
Le vingt décembre on les appelle:
Que voulez-vous, mesdemoiselles, pour votre Noël?

Voulez-vous une boîte à poudre?
Voulez-vous de petits mouchoirs?
Un petit nécessaire à coudre?
Un perroquet sur son perchoir?
Voulez-vous un petit ménage?
Un stylo qui tache les doigts?
Un pompier qui plonge et quinage?
Une vase à fleurs presque chinois?
Mais les dix-sept enfants en choeur
Ont répondu: Non, non, non, non, non.
Ce n'est pas ça que nous voulons,
Nous voulons une petite soeur
Ronde et joufflue comme un ballon
Avec un petit nez farceur,
Avec les cheveux blonds,
Avec la bouche en coeur,
Nous voulons une petite soeur.

L'hiver suivant, elles sont dix-huit,
Ce n'est pas trop, mais c'est assez.
Noël approche et les petites
Sont bien emba, ba, ba,
Sont vraiment embarrassées.
Madame Eustache les appelle:
Décidez-vous, mesdemoiselles, pour votre Noël.
Voulez-vous un mouton qui frise?
Voulez-vous un réveill-matin?
Un coffret d'alcool dentifrice?
Trois petits coussins de satin?
Voulez-vous une panoplie
De danseuse de l'Opéra?
Un petit fauteuil qui se plie
Et que l'on porte sous son bras?
Mais les dix-huit enfants en choeur
Ont répondu: Non, non, non, non, non.
Ce n'est pas ça que nous voulons,
Nous voulons une petite soeur
Ronde et joufflue comme un ballon
Avec un petit nez farceur,
Avec les cheveux blonds,
Avec la bouche en coeur,
Nous voulons une petite soeur.

Elles sont dix-neuf l'année suivante,
Ce n'est pas trop, mais c'est assez.
Quand revient l'époque émouvante,
Noël va de nou, nou,
Noël va de nouveau passer.
Madame Eustache les appelle:
Décidez-vous, mesdemoiselles, pour votre Noël.
Voulez-vous des jeux excentriques
Avec des piles et des moteurs?
Voulez-vous un ours électrique?
Un hippopotame à vapeur?
Pour coller des cartes postales,
Voulez-vous un superbe album?
Une automobile à pédales?
Une bague en aluminium?
Mais les dix-neuf enfants en choeur
Ont répondu: Non, non, non, non, non.
Ce n'est pas ça que nous voulons.
Nous voulons deux petites jumelles,
Deux soeurs exactement pareilles,
Deux soeurs avec des cheveux blonds!
Leur mère a dit: C'est bien,
Mais il n'y a pas moyen.
Cette année vous n'aurez rien, rien, rien.

quarta-feira

Diversidade linguística



Adorei o link, Mig Mag, adorei. Ken leeee... tolibu dibu douchoo. Obrigada por este momento de alteridade.

sábado

Let off steam

Protestos com accent:

(...)Britons have historically been less keen than, say, the French, to air their grievances in public (all those strangers, and anyway it might rain). But the appetite for demonstrations is growing—and the profile of the protesters is changing. Once they were mostly industrial workers, peaceniks or extremists; these days they are as likely to be policemen or junior doctors. Groups who used to pursue their goals inside politics now do so outside it as well; once-marginal techniques are becoming orthodox.

The widening of the protest franchise is mostly seen as healthy. In fact, it suggests a dangerous view of politics.(...)

The basic deal of parliamentary democracy is, or used to be, that on polling day voters make an overall choice among the packages on offer. They can turf out the government at the next election, but until then they have to live with compromise, frequent disappointment and occasional coercion.

That old model seems to be increasingly unsatisfactory to voters accustomed to bespoke treatment in other aspects of their lives. People are right and entitled, of course, to make their views known to their elected representatives; but swelling numbers seem to expect the same sort of service from Westminster as they get from Starbucks—to choose their policies in the same way as they choose the toppings on a cappuccino (a sprinkling of low taxation, please, with a referendum on the side). They demand a kind of personal satisfaction that government, with its conflicting priorities, can't deliver.(...)

But in a way, by advertising its respect for dissent, the demonstrations redounded to the government's credit. An understanding of the utility of protest may have influenced Gordon Brown's decision to lift the Blair-era restrictions on protests in Parliament Square. The same calculation may be at work in the government's new enthusiasm for politics by internet, which some fear may lead to a crass majoritarianism. So far, although there are lots of e-petitions on Number 10's website, they have mostly just allowed the disgruntled to let off steam.(...)

To the barricades, darling
The Economist, March 8th-14th 2008, p.42

Super-organism

(...)To us [eles, investigadores de redes sociais], it is a very, very fundamental observation that things happening in a social space beyond your vision — events that occur or choices that are made by people you don't know — can cascade in a conscious or subconscious way through a network and affect you.(...)

It is one thing to observe the spread of phenomena through the network; it is another to take the next step and begin to identify a mechanism of spread.(...)

We are interested not in biological contagion, but in social contagion.(...)

Incidentally, some of these things also touch on very old philosophical and social science concerns, as I mentioned earlier, because they raise questions about free will. If my behaviors and my thoughts are determined not just by my own volition, but are determined by the behaviors and thoughts of other people to whom I am connected, and are even determined by the behaviors and thoughts of other people who I do not know and who are beyond my social horizon but who are connected to people to whom I am connected, it speaks to the issue of free will. Are my thinking and my behavior truly free, or are they constrained because I am part of a social network? To the extent that I am part of this human super-organism, does that reduce my individuality? And does this give us more or less insight into human behavior?(...)

Social networks are like the eye (via Arts & Letters Daily), por falar em 'manifs' e outros vírus.

My own little efeméride

Segunda-feira, Março 08, 2004

Publicas ou não publicas?
Este blogue precisa urgentemente de ajuda especializada em póstingue, sétingues e templeite.

posted by s ª r a # 5:53 AM


(foi o início em http://desassossegada.blogspot.com - actualmente ocupado por outra criatura qualquer; naquela altura eu andava com pouco para fazer, daí a hora obscena de publicação, que é verdadeira)

Robbialac

Enclausurada, a curar uma gripe (estou tão mal...), deu-me para as artes decorativas. Apreciem a nova conjugação cromática do blogue. Entretanto, se chegar alguma mensagem a dizer que esta cor de fundo provoca agonia (vem isto a propósito de um email que recebi esta semana...), regresso às paredes brancas.

quarta-feira

Errar é humano


Autch! Don't try this at home.

Só hoje de manhã me apercebi, ao cruzar-me com um anúncio publicitário, que no post anterior referi C&A quando queria dizer H&M. É que vai uma grande diferença de uma marca à outra, o que até é óbvio pelos respectivos sites. Deixo aqui o meu mais sincero pedido de desculpas ao mundo empresarial (mercado livre, sociedade competitiva, etc.) e às jovens proletárias.

Do que eu gosto mesmo é de torrar dinheiro na Sisley.

sábado

Direito à indignação (em directo)



Bairro sitiado. Fiquei de sair de casa para comprar bilhetes para The National (Aula Magna, 11 de Maio, antes que esgote?), mas receio pela minha integridade. Há bocado saí inadvertidamente para tomar um café e assustei-me: o Príncipe Real está okupado pelo PCP. Diz que hoje vai haver uma marcha.

Velhos caquéticos trazidos em camionetas e jovens proletárias nascidas no final dos anos 80 do século XX, vestidas com roupa do C&A (nada contra, boas pechinchas com qualidade suficiente para durar uma estação, é a força do neoliberalismo), aglomeravam-se ao pé do quiosque e afinavam as vozes («a luta continua, fascismo nunca mais!», valha-nos deus) ao som de Zeca Afonso (coitado, nem está cá para se defender), em repeat nos altifantes. Um jardim habitualmente tão tranquilo ao fim-de-semana... Não podem ir fazer ruído para outro lado?

E se no seu ardor revolucionário me tomassem por porca capitalista? Meti as mãos nos bolsos, não fosse alguém reparar que não as tenho calejadas. Ou pior, e se alguém me tomasse por aderente à turba? Pus os óculos escuros (felizmente não são de marca) e afastei-me devagar, em pânico. Tranquei-me a sete chaves, com as janelas de vidro duplo fechadas. Cá estamos.

(Nota: o adorável senhor da fotografia não é o Pacheco Pereira)

I think this place is full of spies
I think they're onto me
Didn't anybody, didn't anybody tell you
Didn't anybody tell you how to gracefully disappear in a room


I know you put in the hours to keep me in sunglasses, I know
And so and now I'm sorry I missed you
I had a secret meeting in the basement of my brain
It went the dull and wicked ordinary way



The National, Secret meeting

sexta-feira

maradona, o Superlativo

(...)Embora fique em casa amanhã, provavelmente vou ter que trabalhar Sábado e Domingo. A única vantagem disto é que, quando estou doente, fico com uma voz sexy. A minha voz costuma ser esganiçada, como um vagão de comboio a escorrergar pelos carris com os freios accionados. Agora não: estou com um tom grave, ponderado, chego a falar sozinho para me ouvir.(... posted 28 Fev)

está muito mal. ssimo.

Correio dos leitores

Re: Por favor, isto é assédio. Não quero ser sua amiga e não quero trocar correspondência. Deslargue-me e deixe o meu blogue em paz. Obrigada.

(para C.)

quinta-feira

Provador

Sem segredos nem constrangimentos. Uma experimenta a roupa, a outra conta coisas. Lá fora, a menina da loja pergunta se é preciso ir buscar o número acima.

- ... e quando fizemos as contas, fiquei passada.
- Bolas, estou tão gorda.
- Não estás nada!
- Estou sim. E tu também estás.

Sobre um ninho de cucos

O discurso de Jack Nicholson no último domingo, que vi em diferido, foi uma merda, e (oxford comma, viva, viva) estava na cara que não tinha sido ele a escrevê-lo. Mas como não podia deixar de ser, houve um momento brilhante - pela expressão, não pelo texto. Numa frase que dizia qualquer coisa como «films bring about the humanity in all of us», logo após «the humanity» e imediatamente antes de prosseguir com «in all of us», Jack não resistiu: uma breve pausa para pesar as palavras e riu-se. Foi mais forte do que ele. E aqueles três segundos de troça rasante e o desnível espontâneo das sobrancelhas denunciaram o jogo todo.

segunda-feira

Oscar Ray-Ban


1975, eu ainda nem era nascida

sábado

...p'ra chorar, uh uh, sem ninguém ver...



(clicar na letra para ouvir a música)

Já arranjei muito bem
Tudo quanto convém
P'ra praia levar
Um pente, um espelho, um baton
E um creme muito bom
P'ra me bronzear
Tenho o meu rádio portátil
E o biquini encarnado
Também está no meu rol
E como é bom de ver
Não podia esquecer
Os meus óculos de sol

Que levo p'ra chorar
Uh uh, sem ninguém ver
P'ra não dar, uh uh, a perceber
P'ra ocultar, uh uh, o meu sofrer
Pois eu sei que te hei-de encontrar
Talvez deitado à beira-mar
Com outra ao lado, eu vou passar
A tarde a chorar

Já pensei em não sair
Mas onde é que eu hei-de ir
Com este calor
O que é que eu hei-de fazer
P'ra não ter que te ver
Com o teu novo amor
Ver-te-ei com certeza
Mas eu peço à tristeza
Um pouco de controle
E pelo sim, pelo não
Eu vou ter sempre à mão
Os meus óculos de sol

Para o fim-de-semana

12 (doze) palavras, Batukada e Daniel...? Fico-me pela meia-dúzia, que estou preguiçosa.

Bolachinhas: qualquer palavra com diminutivo "inha" me preenche ludicamente os dias. A culpa é de uma amiga (tazóuvir, Maria?) que me pegou o vício linguístico, há muitos anos; enfim, há coisas piorzinhas.

Dormir: uma das minhas actividades preferidas, de dia ou de noite, faça chuva ou faça sol, sozinha ou bem-acompanhada; música para os meus ouvidos.

Casa: tem (quase) tudo o que é preciso; não vou mais longe.

Fundação: uma espécie de ponto G; entranhou-se-me no léxico, paga-me as contas e está no meu coração.

Mãe: há só uma, é linda e dá-me sempre um conforto indescritível; complementa-se com (o) Pai; nunca na vida pronunciei as palavras "mamã" ou "papá", que detesto.

Siso: (muito riso) não tomei um único analgésico desde que me foi retirado um dente - a mais na minha boca, onde é que havia de ser? - há dois dias (and counting). Não é masoquismo, mas sim ausência de dor. Um Prémio Mãozinhas para o meu dentista!

Sem compromisso, segue a correnteza (inclusivamente para pessoas já apalavradas), e aí vão 12, primeiro as senhoras: Triciclofeliz (volta, pelo amor de deus, que a cerimónia dos óscares não tarda e não há ninguém que faça avaliações de desempenho dos trapos como tu, yay?); Quatro Caminhos (não temais os cabelos brancos, que estamos todas no mesmo barco); Winter Cat (sinceramente, não percebo por que há-de o meu pobre vidro duplo ser metido ao barulho, mas o "poema" Madonna - e outros afins - tem que se lhe diga); Samuel (só para chatear); Vasco (não me digam que acabou com o blogue, pela centésima vez? que mania...); maradona (uma escandaleira); Casanova (vaivaivaivaivaivai, ehehehe); Yesterday Man (I say...); Ivan (já não é o que era, vamos, toca a escrever posts!); Marujo (quem diz 12 palavras, diz 12 fotos); Vontade Indómita (roll the dice); Rui (nunca te tinha "lincado" e há sempre uma primeira vez).

quinta-feira

Discomedusae


Ernst Haeckel

São cinco, sete minutos

O crepúsculo excita os loucos. Lembro-me que tive dois amigos a quem o crepúsculo punha muito doentes. Um deles desconhecia os deveres da amizade e da educação, e maltratava o primeiro que aparecesse. Vi-o atirar à cabeça dum mordomo um frango, em que ele via não sei que insultante hieróglifo. A tarde estragava-lhe os manjares mais suculentos. (Poemas em Prosa, Charles Baudelaire)

Quem diz crepúsculo, diz lusco-fusco. Muito intenso.

domingo

Inside information



In the UK, cocaine goes hand in hand with champagne, yoga and organic vegetables. It has an exclusive, upmarket cachet.

Esta 'revelação' sobre vida saudável foi feita por Alex James, baixista dos Blur (banda em stand-by), ex-viciado em cocaína (a vertigem do sucesso Britpop), que agora vive com a mulher e três filhos numa quinta onde produz queijo. A SIC-Notícias passou esta noite uma reportagem que ele gravou na Colômbia (nada de especial, mas Alex James é um quase-quarentão giro, giro, com 1 metro e 80, no mínimo, e muita graça). O Presidente Álvaro Uribe convidou-o a visitar o país, depois de ter lido na sua autobiografia (lançada em 2007) que nos anos 90, contas por alto, James estima ter gasto cerca de um milhão de libras em champanhe e cocaína. Os extractos bancários dele deviam ser interessantes.

sábado


Edward Burra, The Snack Bar, 1930

Verde código verde

Numa consulta regular aos meus movimentos bancários (uma espécie de exame de consciência), descobri que tinha feito recentemente uma despesa com cartão junto de uma entidade chamada 'Slut from London'. Fosse o que fosse, até nem tinha saído caro. Mas o quê? Tinha estado em Londres, sim, mas não me lembrava de ter feito nada assim tão extravagante.

Qual Sherlock Holmes, mergulhei nos talões do multibanco, que nos atafulham durante meses o porta-moedas, até ao belo dia em que vai tudo parar ao lixo. Trinta papelinhos depois, lá estava (agrafado à factura, esssa sim com o nome da loja que reconheci imediatamente). Foi em Lisboa. Tudo se tornou claríssimo, excepto para o meu banco (enfim, com a pouca vergonha que vai pelo Millennium BCP, isto seria coisa de meninos de coro).

Epílogo: faça sempre as suas compras na Zara, quando não puder pagar em dinheiro. Sobretudo se for figura pública. Adquirir acessórios de marcas alternativas, à venda em 'agências' do Bairro Alto (Rua do Norte), pode manchar-lhe o cadastro. Fica desde já o aviso ao consumidor incauto.

Série 'ideias para t-shirts'

Routine is underrated

sexta-feira

Das 9 às 9 (fins-de-semana incluídos)

Mesmo quando não estão à procura, acho útil que as pessoas se mantenham informadas sobre o que vai aparecendo no mercado de trabalho. O panorama, pelo menos na minha área, não é muito animador. E quando leio anúncios de emprego que dizem «oferecemos ausência de rotina», fico sempre a pensar «o que vocês querem sei eu: abusar.»

quarta-feira

Quanto custa


Joseph-Marie Vien (1716-1809)
A vendedora de cupidos, Paris, 1763
Óleo sobre tela, 98 x 122 cm
Musée national du château de Fontainebleau, depósito do Museu do Louvre, inv. n.º 8424 - Foto RMN / © Direitos reservados


Esta obra é «a cereja no topo do bolo» (disseram-me) da exposição O Gosto «à grega». Nascimento do Neoclassicismo em França, 1750-1775, que vai abrir ao público esta sexta-feira, na Fundação Gulbenkian. Jarrões (pois, correcto seria eu dizer vasos) e mobiliário da pesada não são my cup of tea, mas a colecção de caixinhas de rapé e os quadros que lá se encontram - destaco também o de Psique a surpreender o Cupido adormecido (logo à entrada da galeria) e o retrato de Madame du Barry, a última maîtresse en titre (de Luís XV) que houve em França, antes da Revolução lhe aplicar a guilhotina - são uma delícia.

Marketing em Nome da Rosa para São Valentim

O lugar comum: no Amor tão depressa se pode ganhar um round como se é levado ao tapete. Nada mais adequado, portanto, do que pôr na montra de uma loja de flores (este estabelecimento em particular não é uma vulgar «florista») um objecto em pele vermelha, suspenso de cima a baixo por cordas, com um design que se aproxima do cruzamento entre uma luva e um saco de boxe, e resulta numa coisa parecida com um coração (estilizado). Imaginem (não tenho máquina fotográfica). Em cheio.

sábado

Retro-spotlight


Christina Ricci há 10 anos e o rock progressivo dos King Crimson

Pela mesma altura (c. 1998) frequentei três ou quatro aulas de sapateado. Facilmente se deduz que o meu delírio foi passageiro, o que é uma pena, pois eu teria dado com toda a certeza uma grande estrela dos palcos da paróquia. Resta-me recordar o papel que Vincent Gallo nunca me deu no filme Buffalo'66.

(via The Playlist)

Saia-na-saída

Em vez de indicações absurdas (como a que reproduzo no título), com origem em falhas na programação do aparelho ainda por afinar, o que eu gostava era de ouvir a voz robótica feminina do GPS no automóvel do meu pai (uma pessoa que tinha bastante sentido de orientação até adquirir o novo brinquedo) dizer: «Apanhe-um-táxi-e-não-pense-mais-nisso.»

quarta-feira

Fusão sino-americana com cheirinho a caril (um post empírico em que todo o cuidado é pouco)


numa sala de cinema perto de si

Como se sabe, existe uma lei não-escrita que diz que cada um faz o que bem entender no seu blogue, e a mais não é obrigado, desde que o faça em consciência. É neste contexto um bocadinho menos do que anárquico que junto uma fotografia do filme Lust, Caution (Ang Lee), de que gostei muito, mas mesmo muito, a uma música (de que gosto muito, mas mesmo muito) incluída na banda sonora do filme de Wes Anderson, The Darjeeling Limited, que é divertido e que satisfaz bastante, e ainda tem Natalie Portman como bónus. Nada aponta para uma associação entre estas duas obras cinematográficas, de natureza tão distinta, a não ser na minha mente duvidosa. Não levem a mal.


The Rolling Stones, "Play with fire"

Well, you've got your diamonds
And you've got your pretty clothes
And the chauffeur drives your car
You let everybody know
But don't play with me
'Cause you're playing with fire (...)