sábado
All about eyes (pub)
Diz-me um amigo blogger (com tendência casamenteira) que se tivesse os meus olhos verdes (a verdade é que pouca gente neles repara) os mesmos seriam referidos post-sim, post-não. Ora, uma única vez parece-me suficiente. (E é só para te fazer a vontade...)
posted by sara at 16:54
Quase 31 (pub)
Por esta altura em 2007 os sapatos eram de verniz vermelho, também da Camper. Este ano apenas variei no modelo e na cor, azul petróleo. São os únicos saltos (de borracha) em cima dos quais me aguento com dignidade sobre a calçada portuguesa em geral, e sobre a do meu bairro em particular.
Era A Mancha Humana, de Roth (excelente), e Balzac (aborreci-me e abandonei o livro a meio). Este ano ando metida com Tolstoi, alternando com Ela e Outras Mulheres, de Rubem Fonseca (ótimo). Vamos tomar um drinquinho (p.75) para celebrar o acordo ortográfico? Estou brincando... eu nem aprovo.
posted by sara at 16:37
Bit of good froggy French there
Já manifestei junto de autoridades competentes alguma estranheza quanto à tradução para inglês que ando a ler do colosso Guerra e Paz (está para durar, que eu leio devagar e ainda tenho mais três volumes e um epílogo pela frente). Diz que é assim e que deverá estar muito bem. Não duvido que Tolstoi tivesse sentido de humor linguístico, mas gostava de saber até que ponto esta tradução do século XXI, de um texto que se reporta ao início do século XIX, potencia essa graça. (Só aprendendo russo, suponho, hipótese que não descarto porque foi um língua que sempre me fascinou.) Escrevendo como se fala, desde o capitão que não diz os erres ('Wotten luck?') até ao oficial que exclama 'What the...' (sem que o 'fuck' chegue a ver o branco da folha), passando por:
'Bonaparte...' Dolokhov began, only to be interrupted by the Frenchman.
'Don't you say Bonaparte. He is the Emperor! His name is sacred!' came the angry shout.
'Damn and sod your Emperor!' And Dolokhov cursed like a soldier in his vilest Russian, before shouldering his gun and walking away.
'Come on, Ivan Lukich,' he said to his captain, 'let's go.'
'Bit of good froggy French there,' said the soldiers down the line.
'Come on, Sidorov, your turn!' Sidorov winked at them, turned to face the French and began to gabble strange words as fast as he could.
'Kari mala tafa safi muter kaska!' he rattled out, trying to embellish his message with the most expressive intonation he could manage.
The Russian soldiers burst into a great roar of happy, hearty laughter, and the French line took it up so spontaneously that you would have thought the only thing to do now was to unload the guns, blow up the ammunition and get back home as soon as possible. But the muskets remained loaded, the marksmen's slits in buildings and earthworks stared out as ominously as ever, and the big guns stood ready ranged againt each other.
Final do Capítulo 15, Parte II, Volume I.
posted by sara at 15:32
Sous le link, la plage
Um agradecimento (atrasado) à Sofia, do Controversa Maresia, por ter mantido o meu blogue na categoria "praia vigiada" durante cerca de duas semanas. Um luxo, poder mergulhar-se aqui em segurança enquanto não abre a época balnear.
posted by sara at 15:21
domingo
Retrospectiva

Gustave Courbet, La Vague, 1869
Não é um soixante-huitard (do séc. XIX), mas foi um communard.
posted by sara at 23:04
O locus político no baixo ventre
Com o 40º aniversário do Maio de 68 em destaque, um dos artigos da Artforum deste mês versa sobre uma publicação que surgiu em 69 (coincidência inocente), em Amesterdão, no rasto deixado pelo clamor de libertação, a todos os níveis, dos jovens parisienses. Chamava-se SUCK. Alguns orgasmos depois, em 1971, conta o artigo que surge a FHAR - Front Homosexuel d’Action Révolutionnaire. Chegados aqui, o que tem graça é um dos slogans (em inglês) deste movimento, fiel ao espírito marxista, em consonância com a «revolução das palavras» (como lhe chama Pedro Mexia na crónica de ontem).
Então é assim: Workers of the World, Fondle Yourselves!*
*Trabalhadores de todo o mundo, acariciem-se!
posted by sara at 20:21
sábado
Frustração relativa
Quando se é mulher às vezes não se consegue ser outra coisa.
posted by sara at 19:50
Eufemismos
«Então, certa tarde, veio ter comigo, numa festa, uma mulher em avançado estado de imponderabilidade. Tinha tão pouca substância que a brisa corria através dela, como através de uma cortina. A leve substância de que era composta estava, contudo, maravilhosamente bem distribuída e organizada.»
(José Eduardo Agualusa na revista Pública, crónica de 4 de Maio de 2008)
posted by sara at 19:38
Bird watchin'
À saída do CCB esta terça-feira, depois de assistirmos ao ensaio-geral de Masurca Fogo, em noite quente e com a plateia do grande auditório quase cheia, o meu amigo comentava: «Vêem-se sempre miúdas giras nos espectáculos de dança contemporânea.»
posted by sara at 19:32
quinta-feira
Vem aí a Pina
Cafe Müller
Direcção e Coreografia de Pina Bausch
Música de Henry Purcell
Cenário de Rolf Borzik
Estreia: 20 de Maio 1978, Wuppertal, Alemanha
posted by sara at 22:23
domingo
sábado
French kissin'

I want to be a playboy's bunny...
I want to be a topless waitress...
I want to be an artist's model (an odalisque, au naturel)
I want to be a cobra dancer...
I want to be a brothel worker...
I want to be a dominatrix (which isn't like me, but I can dream)
I want to be a porno starlet...
I want to be a tattooed lady
dedicated, as I am, to art
Characters bold, complex and shady
will write my memoirs
across my heart.
The Nun's Litany (Distortion, 2008)
posted by sara at 19:24
terça-feira
Sair do armário
NÃO GOSTO DE LEONARD COHEN. (E os meus pais perguntar-se-ão: «Mas onde é que nós errámos? Onde é que nós errámos?»)
Pedro, a.k.a. Irmão Lúcia, estou contigo!
posted by sara at 23:24
domingo
Da obsolescência
and it's getting strange in here
it gets stranger every year
...
don't it make you feel so sad
don't the blood rush to your feet
to think that everything you do today
tomorrow is obsolete
technology and women
and little children too
don't it make you feel blue
Nick Cave, More news from nowhere (2008)
posted by sara at 23:43



