quinta-feira

Commedia dell' arte



Tem graça (digo eu). Hoje quando estava na Cinemateca a ver La Magnani, a força da natureza, a actriz que Bénard da Costa adjectiva de "inadjectivável" no filme de Jean Renoir (The Golden Coach/Le Carrose d'Or/La Carozza d'Oro/A Comédia e a Vida, 1952), logo ao início quando ainda corria o genérico e só se ouvia a música de Vivaldi, pensei que ao aviso sonoro "por favor, desligue o seu telemóvel", devia acrescentar-se "é proibido conversar, comer ou levar sacos de plástico para dentro da sala". Pensei isto porque, como de costume, infelizmente, uma ou duas filas atrás de mim, alguém mal ocupou um lugar já estava a fazer barulho sob uma das três formas que acabo de enunciar. Entretanto o filme propriamente dito começava, mas ainda tive tempo de reflectir sobre o seguinte: o que pode o Pedro Mexia fazer para eliminar este incómodo? A acção decorria no ecrã, portanto tive de concluir brevemente, respondendo à pergunta que eu própria me tinha colocado: nada. O Pedro Mexia não pode fazer nada, porque não foi nomeado Educador para os Espectadores-Que-Não-Têm-Noção da Cinemateca. Não há nada a fazer. Concentra-te no filme, Sara, e abstrai-te do resto.

Gostei muito é quase tudo o que tenho para dizer. Quase, porque antes de me ir deitar ainda quero referir uma das cenas do filme, já que hoje é Dia Mundial do Teatro, não é assim?

Anna Magnani interpreta a actriz principal de uma trupe de commedia dell' arte que no século XVIII parte da Europa para o Perú, para o "novo mundo" - há alguém que a certa altura lança a interrogação «então que tal lhe parece o novo mundo?» e o outro alguém questionado responde, «ficará óptimo, assim que esteja finalizado» - e quando a companhia chega à terra que lhes parece ficar no fim do mundo, têm eles próprios de reconstruir um teatro em ruínas, contraindo dívidas que esperam poder saldar com as receitas de bilheteira. Mas, mas. Quem cobra as entradas é um agente oportunista explorador. Depois da primeira apresentação, com sala cheia de povo e alguns ilustres e grandes aplausos, Camilla (Magnani) e os outros actores espantam-se com a miséria que encontram na caixa. O patife explica: «É que aos Nobres fica mal pedir dinheiro; o Povo é pobre, não se lhe pode cobrar nada; só dá para vender bilhetes à Burguesia, como eu e pessoas do meu círculo. Ora, eu não vou exigir dinheiro aos meus amigos, era o que mais faltava!» Uma cultura lixada.

Colecção Grandes Cabeças


Milton Glaser, 1968 * MoMA

cf. »»» one of Dylan's first 'electric' pieces, Subterranean Homesick Blues was also notable for its innovative film clip »»»

(...)
Ah get born, keep warm
Short pants, romance, learn to dance
Get dressed, get blessed
Try to be a success
Please her, please him, buy gifts
Don't steal, don't lift
Twenty years of schoolin'
And they put you on the day shift
Look out kid
They keep it all hid
Better jump down a manhole
Light yourself a candle
Don't wear sandals
Try to avoid the scandals
Don't wanna be a bum
You better chew gum
The pump don't work
'Cause the vandals took the handles.

Cartucho disparado, cartuxo reciclado

(...)
m diz:
terei o cuidado de estar atento e dar o meu veridito quanto a essa situação
veredito... é assim não é?

Sara diz:
veredicto
quer dizer, com a nova ortografia...

m diz:
foda-se, a lingua portuguesa é impossivel
eu proporia que depois de Portugal completar o acordo ortografico com o Brasil, o Brasil e Portugal abrissem negociações para fazer um acordo ortográfico comigo

Sara diz:
ehehehe

m diz:
isto dava um bom post

Sara diz:
dava sim senhor

m diz:
infelizmente foi gasto aqui
cartucho disparado, cartuxo gasto

Sara diz:
foi muito bem gasto!

m diz:
exacto, exacto
não queria desmerecer o espaço, peço desculpa pela indesculpavel indelicadeza
(...)

segunda-feira

O estado da arte nas neurociências


Bending Trees, José Miguel Pêgo © 2007
Fonte: ICVS, Escola de Ciências da Saúde, Universidade do Minho

Bellissima

Para celebrar a notícia de que Pedro Mexia é o novo subdirector da Cinemateca Portuguesa, acho que amanhã passo por lá.

«ANNA MAGNANI, sob a direcção de Visconti, num filme singular na obra cinematográfica do realizador. BELLISSIMA é também uma reflexão sobre a fábrica de sonhos e ilusões que é a profissão do cinema. O pano de fundo do filme é a “busca de talentos” para a realização de um filme, que será PRIMA COMUNIONE de Alessandro Blasetti, e conta a história dos sacrifícios e das artimanhas de uma mulher para que a sua filha seja escolhida.» (Sala Dr. Félix Ribeiro, 19h)

domingo

ABC

Fazer uma lista das minhas preferências (ver coluna à direita) leva algum tempo. Por ordem alfabética, a seguir virá a letra D.

Dedo Mau


vidro duplo, 2006 © Dedo Mau

Porque um blogue gosta de publicitar o trabalho de ilustração dos amigos (na internet, Viseu fica mais perto). On-line é recente.
Por outro lado, existem os artistas de photoshop disasters.

Sobre o disparate da semana

«(...)Preocupante, também, é a ausência de uma legislação que regule o uso de piercings nos mamilos em função do tamanho da copa - divergências estéticas no conselho de ministros terão impedido um acordo nesta matéria; vazio legal igualmente no que concerne à comercialização de piercings magnéticos (vulgo: ímanes) que venham a permitir, na estreiteza das filas do supermercado, um reconhecimento entre camaradas de clandestinidade.(...)» Bruno Sena Martins, em Avatares de um Desejo

Inacreditável. Que chatos! Deixem lá os miúdos obliterarem-se à vontade. E os adultos também. Qualquer dia não é permitido pintar o cabelo ou as unhas, ou até andar de saltos altos...

Rien, rien, rien

Não estou à espera de bebé (grande novidade). Não obstante a não-circunstância, que podia ter efeitos compreensivelmente sugestivos, nestes últimos dias vi muitas grávidas: na rua (pois, eu sei, é comum), no cinema (a historinha adolescente de Diablo Cody, Juno, é um filme bem simpático e o Bleeker, tão fôfo, também me deixou pelo beicinho), na blogosfera (Ana de Amsterdam, que tanto gosto de ler, nenhuma grávida é patética, a não ser que... já tenha idade para ser avó, que não me parece ser o caso). Mas a primeira mulher graciosamente barriguda que me apareceu à frente, logo na segunda-feira, foi Magdalena Kožená, em palco (na Gulbenkiã). Meio-soprano, completamente grávida. Custa-me perceber como se consegue cantar assim e não entrar em trabalho de parto. E se cantou. Do programa fazia parte uma lengalenga infantil deliciosa, Nous voulons une petite soeur, escrita pelo francês Francis Poulenc, que relata os caprichos (e o aumento) da prole de Madame Eustache.

Madame Eustache a dix-sept filles,
Ce n'est pas trop, mais c'est assez.
La jolie petite famille,
Vous avez dû, dû, dû la voir passer.
Le vingt décembre on les appelle:
Que voulez-vous, mesdemoiselles, pour votre Noël?

Voulez-vous une boîte à poudre?
Voulez-vous de petits mouchoirs?
Un petit nécessaire à coudre?
Un perroquet sur son perchoir?
Voulez-vous un petit ménage?
Un stylo qui tache les doigts?
Un pompier qui plonge et quinage?
Une vase à fleurs presque chinois?
Mais les dix-sept enfants en choeur
Ont répondu: Non, non, non, non, non.
Ce n'est pas ça que nous voulons,
Nous voulons une petite soeur
Ronde et joufflue comme un ballon
Avec un petit nez farceur,
Avec les cheveux blonds,
Avec la bouche en coeur,
Nous voulons une petite soeur.

L'hiver suivant, elles sont dix-huit,
Ce n'est pas trop, mais c'est assez.
Noël approche et les petites
Sont bien emba, ba, ba,
Sont vraiment embarrassées.
Madame Eustache les appelle:
Décidez-vous, mesdemoiselles, pour votre Noël.
Voulez-vous un mouton qui frise?
Voulez-vous un réveill-matin?
Un coffret d'alcool dentifrice?
Trois petits coussins de satin?
Voulez-vous une panoplie
De danseuse de l'Opéra?
Un petit fauteuil qui se plie
Et que l'on porte sous son bras?
Mais les dix-huit enfants en choeur
Ont répondu: Non, non, non, non, non.
Ce n'est pas ça que nous voulons,
Nous voulons une petite soeur
Ronde et joufflue comme un ballon
Avec un petit nez farceur,
Avec les cheveux blonds,
Avec la bouche en coeur,
Nous voulons une petite soeur.

Elles sont dix-neuf l'année suivante,
Ce n'est pas trop, mais c'est assez.
Quand revient l'époque émouvante,
Noël va de nou, nou,
Noël va de nouveau passer.
Madame Eustache les appelle:
Décidez-vous, mesdemoiselles, pour votre Noël.
Voulez-vous des jeux excentriques
Avec des piles et des moteurs?
Voulez-vous un ours électrique?
Un hippopotame à vapeur?
Pour coller des cartes postales,
Voulez-vous un superbe album?
Une automobile à pédales?
Une bague en aluminium?
Mais les dix-neuf enfants en choeur
Ont répondu: Non, non, non, non, non.
Ce n'est pas ça que nous voulons.
Nous voulons deux petites jumelles,
Deux soeurs exactement pareilles,
Deux soeurs avec des cheveux blonds!
Leur mère a dit: C'est bien,
Mais il n'y a pas moyen.
Cette année vous n'aurez rien, rien, rien.

quarta-feira

Diversidade linguística



Adorei o link, Mig Mag, adorei. Ken leeee... tolibu dibu douchoo. Obrigada por este momento de alteridade.

sábado

Let off steam

Protestos com accent:

(...)Britons have historically been less keen than, say, the French, to air their grievances in public (all those strangers, and anyway it might rain). But the appetite for demonstrations is growing—and the profile of the protesters is changing. Once they were mostly industrial workers, peaceniks or extremists; these days they are as likely to be policemen or junior doctors. Groups who used to pursue their goals inside politics now do so outside it as well; once-marginal techniques are becoming orthodox.

The widening of the protest franchise is mostly seen as healthy. In fact, it suggests a dangerous view of politics.(...)

The basic deal of parliamentary democracy is, or used to be, that on polling day voters make an overall choice among the packages on offer. They can turf out the government at the next election, but until then they have to live with compromise, frequent disappointment and occasional coercion.

That old model seems to be increasingly unsatisfactory to voters accustomed to bespoke treatment in other aspects of their lives. People are right and entitled, of course, to make their views known to their elected representatives; but swelling numbers seem to expect the same sort of service from Westminster as they get from Starbucks—to choose their policies in the same way as they choose the toppings on a cappuccino (a sprinkling of low taxation, please, with a referendum on the side). They demand a kind of personal satisfaction that government, with its conflicting priorities, can't deliver.(...)

But in a way, by advertising its respect for dissent, the demonstrations redounded to the government's credit. An understanding of the utility of protest may have influenced Gordon Brown's decision to lift the Blair-era restrictions on protests in Parliament Square. The same calculation may be at work in the government's new enthusiasm for politics by internet, which some fear may lead to a crass majoritarianism. So far, although there are lots of e-petitions on Number 10's website, they have mostly just allowed the disgruntled to let off steam.(...)

To the barricades, darling
The Economist, March 8th-14th 2008, p.42

Super-organism

(...)To us [eles, investigadores de redes sociais], it is a very, very fundamental observation that things happening in a social space beyond your vision — events that occur or choices that are made by people you don't know — can cascade in a conscious or subconscious way through a network and affect you.(...)

It is one thing to observe the spread of phenomena through the network; it is another to take the next step and begin to identify a mechanism of spread.(...)

We are interested not in biological contagion, but in social contagion.(...)

Incidentally, some of these things also touch on very old philosophical and social science concerns, as I mentioned earlier, because they raise questions about free will. If my behaviors and my thoughts are determined not just by my own volition, but are determined by the behaviors and thoughts of other people to whom I am connected, and are even determined by the behaviors and thoughts of other people who I do not know and who are beyond my social horizon but who are connected to people to whom I am connected, it speaks to the issue of free will. Are my thinking and my behavior truly free, or are they constrained because I am part of a social network? To the extent that I am part of this human super-organism, does that reduce my individuality? And does this give us more or less insight into human behavior?(...)

Social networks are like the eye (via Arts & Letters Daily), por falar em 'manifs' e outros vírus.

My own little efeméride

Segunda-feira, Março 08, 2004

Publicas ou não publicas?
Este blogue precisa urgentemente de ajuda especializada em póstingue, sétingues e templeite.

posted by s ª r a # 5:53 AM


(foi o início em http://desassossegada.blogspot.com - actualmente ocupado por outra criatura qualquer; naquela altura eu andava com pouco para fazer, daí a hora obscena de publicação, que é verdadeira)

Robbialac

Enclausurada, a curar uma gripe (estou tão mal...), deu-me para as artes decorativas. Apreciem a nova conjugação cromática do blogue. Entretanto, se chegar alguma mensagem a dizer que esta cor de fundo provoca agonia (vem isto a propósito de um email que recebi esta semana...), regresso às paredes brancas.

quarta-feira

Errar é humano


Autch! Don't try this at home.

Só hoje de manhã me apercebi, ao cruzar-me com um anúncio publicitário, que no post anterior referi C&A quando queria dizer H&M. É que vai uma grande diferença de uma marca à outra, o que até é óbvio pelos respectivos sites. Deixo aqui o meu mais sincero pedido de desculpas ao mundo empresarial (mercado livre, sociedade competitiva, etc.) e às jovens proletárias.

Do que eu gosto mesmo é de torrar dinheiro na Sisley.

sábado

Direito à indignação (em directo)



Bairro sitiado. Fiquei de sair de casa para comprar bilhetes para The National (Aula Magna, 11 de Maio, antes que esgote?), mas receio pela minha integridade. Há bocado saí inadvertidamente para tomar um café e assustei-me: o Príncipe Real está okupado pelo PCP. Diz que hoje vai haver uma marcha.

Velhos caquéticos trazidos em camionetas e jovens proletárias nascidas no final dos anos 80 do século XX, vestidas com roupa do C&A (nada contra, boas pechinchas com qualidade suficiente para durar uma estação, é a força do neoliberalismo), aglomeravam-se ao pé do quiosque e afinavam as vozes («a luta continua, fascismo nunca mais!», valha-nos deus) ao som de Zeca Afonso (coitado, nem está cá para se defender), em repeat nos altifantes. Um jardim habitualmente tão tranquilo ao fim-de-semana... Não podem ir fazer ruído para outro lado?

E se no seu ardor revolucionário me tomassem por porca capitalista? Meti as mãos nos bolsos, não fosse alguém reparar que não as tenho calejadas. Ou pior, e se alguém me tomasse por aderente à turba? Pus os óculos escuros (felizmente não são de marca) e afastei-me devagar, em pânico. Tranquei-me a sete chaves, com as janelas de vidro duplo fechadas. Cá estamos.

(Nota: o adorável senhor da fotografia não é o Pacheco Pereira)

I think this place is full of spies
I think they're onto me
Didn't anybody, didn't anybody tell you
Didn't anybody tell you how to gracefully disappear in a room


I know you put in the hours to keep me in sunglasses, I know
And so and now I'm sorry I missed you
I had a secret meeting in the basement of my brain
It went the dull and wicked ordinary way



The National, Secret meeting

sexta-feira

maradona, o Superlativo

(...)Embora fique em casa amanhã, provavelmente vou ter que trabalhar Sábado e Domingo. A única vantagem disto é que, quando estou doente, fico com uma voz sexy. A minha voz costuma ser esganiçada, como um vagão de comboio a escorrergar pelos carris com os freios accionados. Agora não: estou com um tom grave, ponderado, chego a falar sozinho para me ouvir.(... posted 28 Fev)

está muito mal. ssimo.

Correio dos leitores

Re: Por favor, isto é assédio. Não quero ser sua amiga e não quero trocar correspondência. Deslargue-me e deixe o meu blogue em paz. Obrigada.

(para C.)

quinta-feira

Provador

Sem segredos nem constrangimentos. Uma experimenta a roupa, a outra conta coisas. Lá fora, a menina da loja pergunta se é preciso ir buscar o número acima.

- ... e quando fizemos as contas, fiquei passada.
- Bolas, estou tão gorda.
- Não estás nada!
- Estou sim. E tu também estás.

Sobre um ninho de cucos

O discurso de Jack Nicholson no último domingo, que vi em diferido, foi uma merda, e (oxford comma, viva, viva) estava na cara que não tinha sido ele a escrevê-lo. Mas como não podia deixar de ser, houve um momento brilhante - pela expressão, não pelo texto. Numa frase que dizia qualquer coisa como «films bring about the humanity in all of us», logo após «the humanity» e imediatamente antes de prosseguir com «in all of us», Jack não resistiu: uma breve pausa para pesar as palavras e riu-se. Foi mais forte do que ele. E aqueles três segundos de troça rasante e o desnível espontâneo das sobrancelhas denunciaram o jogo todo.

segunda-feira

Oscar Ray-Ban


1975, eu ainda nem era nascida

sábado

...p'ra chorar, uh uh, sem ninguém ver...



(clicar na letra para ouvir a música)

Já arranjei muito bem
Tudo quanto convém
P'ra praia levar
Um pente, um espelho, um baton
E um creme muito bom
P'ra me bronzear
Tenho o meu rádio portátil
E o biquini encarnado
Também está no meu rol
E como é bom de ver
Não podia esquecer
Os meus óculos de sol

Que levo p'ra chorar
Uh uh, sem ninguém ver
P'ra não dar, uh uh, a perceber
P'ra ocultar, uh uh, o meu sofrer
Pois eu sei que te hei-de encontrar
Talvez deitado à beira-mar
Com outra ao lado, eu vou passar
A tarde a chorar

Já pensei em não sair
Mas onde é que eu hei-de ir
Com este calor
O que é que eu hei-de fazer
P'ra não ter que te ver
Com o teu novo amor
Ver-te-ei com certeza
Mas eu peço à tristeza
Um pouco de controle
E pelo sim, pelo não
Eu vou ter sempre à mão
Os meus óculos de sol

Para o fim-de-semana

12 (doze) palavras, Batukada e Daniel...? Fico-me pela meia-dúzia, que estou preguiçosa.

Bolachinhas: qualquer palavra com diminutivo "inha" me preenche ludicamente os dias. A culpa é de uma amiga (tazóuvir, Maria?) que me pegou o vício linguístico, há muitos anos; enfim, há coisas piorzinhas.

Dormir: uma das minhas actividades preferidas, de dia ou de noite, faça chuva ou faça sol, sozinha ou bem-acompanhada; música para os meus ouvidos.

Casa: tem (quase) tudo o que é preciso; não vou mais longe.

Fundação: uma espécie de ponto G; entranhou-se-me no léxico, paga-me as contas e está no meu coração.

Mãe: há só uma, é linda e dá-me sempre um conforto indescritível; complementa-se com (o) Pai; nunca na vida pronunciei as palavras "mamã" ou "papá", que detesto.

Siso: (muito riso) não tomei um único analgésico desde que me foi retirado um dente - a mais na minha boca, onde é que havia de ser? - há dois dias (and counting). Não é masoquismo, mas sim ausência de dor. Um Prémio Mãozinhas para o meu dentista!

Sem compromisso, segue a correnteza (inclusivamente para pessoas já apalavradas), e aí vão 12, primeiro as senhoras: Triciclofeliz (volta, pelo amor de deus, que a cerimónia dos óscares não tarda e não há ninguém que faça avaliações de desempenho dos trapos como tu, yay?); Quatro Caminhos (não temais os cabelos brancos, que estamos todas no mesmo barco); Winter Cat (sinceramente, não percebo por que há-de o meu pobre vidro duplo ser metido ao barulho, mas o "poema" Madonna - e outros afins - tem que se lhe diga); Samuel (só para chatear); Vasco (não me digam que acabou com o blogue, pela centésima vez? que mania...); maradona (uma escandaleira); Casanova (vaivaivaivaivaivai, ehehehe); Yesterday Man (I say...); Ivan (já não é o que era, vamos, toca a escrever posts!); Marujo (quem diz 12 palavras, diz 12 fotos); Vontade Indómita (roll the dice); Rui (nunca te tinha "lincado" e há sempre uma primeira vez).

quinta-feira

Discomedusae


Ernst Haeckel

São cinco, sete minutos

O crepúsculo excita os loucos. Lembro-me que tive dois amigos a quem o crepúsculo punha muito doentes. Um deles desconhecia os deveres da amizade e da educação, e maltratava o primeiro que aparecesse. Vi-o atirar à cabeça dum mordomo um frango, em que ele via não sei que insultante hieróglifo. A tarde estragava-lhe os manjares mais suculentos. (Poemas em Prosa, Charles Baudelaire)

Quem diz crepúsculo, diz lusco-fusco. Muito intenso.

domingo

Inside information



In the UK, cocaine goes hand in hand with champagne, yoga and organic vegetables. It has an exclusive, upmarket cachet.

Esta 'revelação' sobre vida saudável foi feita por Alex James, baixista dos Blur (banda em stand-by), ex-viciado em cocaína (a vertigem do sucesso Britpop), que agora vive com a mulher e três filhos numa quinta onde produz queijo. A SIC-Notícias passou esta noite uma reportagem que ele gravou na Colômbia (nada de especial, mas Alex James é um quase-quarentão giro, giro, com 1 metro e 80, no mínimo, e muita graça). O Presidente Álvaro Uribe convidou-o a visitar o país, depois de ter lido na sua autobiografia (lançada em 2007) que nos anos 90, contas por alto, James estima ter gasto cerca de um milhão de libras em champanhe e cocaína. Os extractos bancários dele deviam ser interessantes.

sábado


Edward Burra, The Snack Bar, 1930

Verde código verde

Numa consulta regular aos meus movimentos bancários (uma espécie de exame de consciência), descobri que tinha feito recentemente uma despesa com cartão junto de uma entidade chamada 'Slut from London'. Fosse o que fosse, até nem tinha saído caro. Mas o quê? Tinha estado em Londres, sim, mas não me lembrava de ter feito nada assim tão extravagante.

Qual Sherlock Holmes, mergulhei nos talões do multibanco, que nos atafulham durante meses o porta-moedas, até ao belo dia em que vai tudo parar ao lixo. Trinta papelinhos depois, lá estava (agrafado à factura, esssa sim com o nome da loja que reconheci imediatamente). Foi em Lisboa. Tudo se tornou claríssimo, excepto para o meu banco (enfim, com a pouca vergonha que vai pelo Millennium BCP, isto seria coisa de meninos de coro).

Epílogo: faça sempre as suas compras na Zara, quando não puder pagar em dinheiro. Sobretudo se for figura pública. Adquirir acessórios de marcas alternativas, à venda em 'agências' do Bairro Alto (Rua do Norte), pode manchar-lhe o cadastro. Fica desde já o aviso ao consumidor incauto.

Série 'ideias para t-shirts'

Routine is underrated

sexta-feira

Das 9 às 9 (fins-de-semana incluídos)

Mesmo quando não estão à procura, acho útil que as pessoas se mantenham informadas sobre o que vai aparecendo no mercado de trabalho. O panorama, pelo menos na minha área, não é muito animador. E quando leio anúncios de emprego que dizem «oferecemos ausência de rotina», fico sempre a pensar «o que vocês querem sei eu: abusar.»

quarta-feira

Quanto custa


Joseph-Marie Vien (1716-1809)
A vendedora de cupidos, Paris, 1763
Óleo sobre tela, 98 x 122 cm
Musée national du château de Fontainebleau, depósito do Museu do Louvre, inv. n.º 8424 - Foto RMN / © Direitos reservados


Esta obra é «a cereja no topo do bolo» (disseram-me) da exposição O Gosto «à grega». Nascimento do Neoclassicismo em França, 1750-1775, que vai abrir ao público esta sexta-feira, na Fundação Gulbenkian. Jarrões (pois, correcto seria eu dizer vasos) e mobiliário da pesada não são my cup of tea, mas a colecção de caixinhas de rapé e os quadros que lá se encontram - destaco também o de Psique a surpreender o Cupido adormecido (logo à entrada da galeria) e o retrato de Madame du Barry, a última maîtresse en titre (de Luís XV) que houve em França, antes da Revolução lhe aplicar a guilhotina - são uma delícia.

Marketing em Nome da Rosa para São Valentim

O lugar comum: no Amor tão depressa se pode ganhar um round como se é levado ao tapete. Nada mais adequado, portanto, do que pôr na montra de uma loja de flores (este estabelecimento em particular não é uma vulgar «florista») um objecto em pele vermelha, suspenso de cima a baixo por cordas, com um design que se aproxima do cruzamento entre uma luva e um saco de boxe, e resulta numa coisa parecida com um coração (estilizado). Imaginem (não tenho máquina fotográfica). Em cheio.

sábado

Retro-spotlight


Christina Ricci há 10 anos e o rock progressivo dos King Crimson

Pela mesma altura (c. 1998) frequentei três ou quatro aulas de sapateado. Facilmente se deduz que o meu delírio foi passageiro, o que é uma pena, pois eu teria dado com toda a certeza uma grande estrela dos palcos da paróquia. Resta-me recordar o papel que Vincent Gallo nunca me deu no filme Buffalo'66.

(via The Playlist)

Saia-na-saída

Em vez de indicações absurdas (como a que reproduzo no título), com origem em falhas na programação do aparelho ainda por afinar, o que eu gostava era de ouvir a voz robótica feminina do GPS no automóvel do meu pai (uma pessoa que tinha bastante sentido de orientação até adquirir o novo brinquedo) dizer: «Apanhe-um-táxi-e-não-pense-mais-nisso.»

quarta-feira

Fusão sino-americana com cheirinho a caril (um post empírico em que todo o cuidado é pouco)


numa sala de cinema perto de si

Como se sabe, existe uma lei não-escrita que diz que cada um faz o que bem entender no seu blogue, e a mais não é obrigado, desde que o faça em consciência. É neste contexto um bocadinho menos do que anárquico que junto uma fotografia do filme Lust, Caution (Ang Lee), de que gostei muito, mas mesmo muito, a uma música (de que gosto muito, mas mesmo muito) incluída na banda sonora do filme de Wes Anderson, The Darjeeling Limited, que é divertido e que satisfaz bastante, e ainda tem Natalie Portman como bónus. Nada aponta para uma associação entre estas duas obras cinematográficas, de natureza tão distinta, a não ser na minha mente duvidosa. Não levem a mal.


The Rolling Stones, "Play with fire"

Well, you've got your diamonds
And you've got your pretty clothes
And the chauffeur drives your car
You let everybody know
But don't play with me
'Cause you're playing with fire (...)

segunda-feira

Carnaval




Vampire Weekend, A-Punk

Headbanging #2

A minha prima-sobrinha, um piolhito de 10 anos que adoro apesar das birras, ao fim de algumas músicas, e antevendo a seca que ia apanhar durante duas horas de viagem de carro, depois de analisar pormenorizadamente o meu iPod sentenciou que eu só lá tinha «porcarias» (cito de cor). Continuou em cover flow, a percorrer enfadada as capas dos discos, até que de repente disse: «Espera, eu conheço isto! Os Interpúl!» Naturalíssimo, pensei, porque o pai dela gosta da banda e andava tão ou mais excitado do que eu quando os Interpol vieram tocar a Lisboa, da primeira vez. (O ânimo entretanto como que se nos esmoreceu, ao ponto de nem termos posto os pés no Coliseu, em Novembro passado. Não sei bem explicar porquê. Coisas.)

Afinal não foi influência musical paterna, mas sim da Morangada. Vejam-me só: turns out o box-office da TVI tem The Heinrich Maneuver na banda sonora. (Deve ser naquela parte em que no intervalo das aulas o adolescente radical com o cabelo em redemoinho diz à adolescente radical grávida «amo-te bué, miúda».) E eu tão cedo não consigo voltar a ouvir aquilo, depois de me ter sido solicitado que tocasse várias vezes o tema. (Antes isso do que ouvir Rihanna directamente do telemóvel do anjinho.) O pai teve sorte, porque não se encontrava no veículo. Já as nossas cabeças - minha e da mãe dela - iam fritando.

Headbanging #1

Num arrojado mas bem sucedido número de Mood Swing, a Batukada mudou-se para o Sapo (parece que agora está em voga).

Há um aspecto que gostaria de destacar, que aliás se destaca por si: mantém-se a anterior lista de links no blogue agora metalizado, onde eu orgulhosamente consto camuflada por \«(.)(.)»/ --» uma forma original (e carinhosa, permitam-me) da Batu registar as minhas origens.

sexta-feira

And now, ladies and gentlemen, here's Grace


Arabesque, portrait by Jean-Paul Goude, 1978

Tenham medo, tenham muito medo. Ouvi o Pedro Ramos na Radar a dizer que Grace Jones - «a mãe de todos nós», segundo o próprio - vai lançar este ano um disco novo. Suspeito que o radialista e eu partilhamos o mesmo fascínio pelo bicho, que se julgava adormecido, nascido na Jamaica, em 1948. Ao que tudo indica, o álbum chamar-se-á Corporate Cannibal.

E um grande single de 1985:


Grace Jones, Slave to the rhythm

A quantas andas

Eu andava a pé depressa, atrasada para um jantar. Aproximava-me a passos largos do que, visto por trás, me parecia uma alma penada, uma criatura perdida no tempo. Arrastava-se pelo passeio, vestia umas calças de ganga largas, descoloradas, gastas, desfiadas. E uma camisola escura com o capuz a tapar-lhe a cabeça. Não percebi se seria homem ou mulher. Talvez nem uma coisa nem outra. Quando fiz a ultrapassagem, esforcei-me para não ceder à tentação de virar a cabeça e descobrir-lhe o desenho do rosto. Continuei a andar. Mas logo depois ouvi-lhe a voz trémula: «Desculpe, que horas são?» - abrandei e respondi que não tinha relógio. Era verdade; não uso nada nos pulsos, embora soubesse que eram quase nove da noite. Sem idade, sem feições, insistiu: «Assim mais ou menos, que horas são?».

Natureza viva-morta

O cão saltou e engoliu a borboleta.

quinta-feira

Americana


Eadweard Muybridge, c.1868

Pertence à galeria dos grandes excêntricos barbudos do século XIX (irresistíveis). Vi ontem na Culturgest um filme-ensaio sobre o trabalho dele (não resisti) - e por causa da coincidência, acho que é seguro afirmar-se que esta fotografia foi tirada em Yosemite.

Muybridge nasceu em Inglaterra. Em 1852 foi para os Estados Unidos e acabou por se tornar mais conhecido pela invenção da Zoopraxography, ou ciência da locomoção animal. Mas no início era a paisagem.

terça-feira

SMS

Save My Soul

Remisturas de uma norueguesa




Alan Vega, Jukebox babe

Le Tigre, ESG e este Elvis Presley pós-moderno (ena pá), entre outros, num disco de 2005. Longa vida à electrónica.

iPodified

Não me separo do meu iPod Nano desde que o recebi pelo Natal. Já lá vão umas semanas. Em casa ligo-o às colunas, no carro ao rádio, no trabalho... trabalho. Na(s) minha(s) malinha(s) mantenho um compartimento só para ele, para poder protegê-lo de agressões, na medida do possível, para tê-lo sempre por perto, mesmo quando não o utilizo. No entanto, a bem da minha sanidade mental, cheguei à conclusão de que não posso usar aqueles conspícuos (embora de óptima qualidade) headphones brancos, quando ando a pé. Acho que há mais de dez anos que não experimentava a sensação de percorrer as ruas alheada do ruído urbano e de todas as ameaças respectivas. Pois desenvolvi uma verdadeira paranóia, tal é o medo de que me assaltem e me levem o naninho, fonte de grande prazer auditivo e táctil (tenho uma vida muito desinteressante). Este domingo à tarde, quando saía da estação de metro do Saldanha, tive (mais) uma alucinação. Senti alguém aproximar-se por trás, "pssst", alguém com uma faca, prestes a encostá-la ao meu pescoço e a dizer "passa para cá o dispositivo móvel, mesmo que não haja aí música de jeito". Que susto preguei a mim própria. Que sobressalto. Ridículo. Ainda bem que não se via vivalma num raio de 50 metros.

sábado

Promo (com dedicatória)




Cat Power, "Song to Bobby"

Start spreading the news... O novo álbum de versões (Frank Sinatra, Billie Holiday, James Brown, etc.) de Cat Power sai na próxima semana, a 22 de Janeiro. Deixo aqui o único tema que ela escreveu para este disco, ou melhor, um original para Bob Dylan.

sexta-feira

Isto não é um telefilme*

Assistimos ontem a um grande espectáculo de roque-enrole no Music Box, ao Cais do Sodré (o Daniel e a Joaninha não me deixam mentir): na primeira parte, Tiago Guillul - um verdadeiro animal de palco, com gravata a condizer - e sus muchachos, incluindo o Samuel, cheio de sentido de movimento, e o Miguel, excelente no acordeão. Na segunda parte, os Pontos Negros. Destes últimos o mais velho tem 21 anos e tudo para ser uma rock star. Meu Deus.

*Excerto de um refrão do Tiago, que à saída se colocou atrás do balcão a vender discos a 1 €uro. No entanto, fui contemplada com a oferta de um pacote Flor Caveira. (Já o Zé Pedro dos Xutos teve de pagar...) Gostei muito, obrigada.

quarta-feira

Empurra aí

Qualquer coisa que relativize o post anterior. Na televisão é que elas estão bem.

domingo

Separadas à nascença



Jennifer Anniston, a quem nunca achei muita graça (e à série "Friends" idem), e Maura Tierney como Doctor Abby Lockheart em "E.R.", série que está no meu top e que continuo a seguir (AXN, sextas, 21h30) after all these years.

Arraial do Orgulho Fumador

Não desfilava nem que me pagassem.

Não obstante



Afinal a "Lei do Tabaco" até tem sentido de humor.

(via Ma-schamba)

quarta-feira

Absolutely Cuckoo



Stephin Merritt (The Magnetic Fields) fuma, mas até agora não consta - espero bem que não - que tenha caído no ridículo de chamar "fascistas" (está tudo maluco ou quê?) a quem faz, aprova e aplica leis anti-tabágicas, aqui ou em qualquer parte do mundo. E para que fique bem claro, eu também sou fumadora. Há 12 ou 13 anos, em média 20 cigarros por dia. Sem parar. (glup) Não é motivo de orgulho.

Promo

Nada me dá mais prazer, Ricardo. Aqui tens, com distorção:


The Magnetic Fields, Please Stop Dancing (2008)

Acertaste. Logo à primeira audição (do disco pirateado em mp3) é uma das minhas favoritas. Outras músicas que destaco, para já: Three-Way (a abrir) e The Nun's Litany. Agora é rezar para que Distortion esteja rapidamente disponível nas lojas e correr a comprar. Até porque «o disco é bom como o caraças - e falta espiolhar com detalhe a lírica do mesmo». Tal como dizes.

domingo

Amagansett


Foto de Michael O’Neill

No início do ano que passou, segui o link via João Lopes, no Sound + Vision, para o balanço fotográfico de 2006 pela Vanity Fair on-line. Ele destacou a imagem de Edward Norton. A mim, a que mais me tinha impressionado no portfólio de vários autores foi a que intitulei Kate Dietrich.

Este ano, das 36 fotografias reunidas, escolho uma de Christy Turlington, ex-top model, e dedico-a ao Ricardo Gross, fervoroso adepto da prática de Yoga (e de mulheres belas). Pessoalmente, olho para esta imagem e, tendo em conta a minha condition lombar, sinto logo necessidade de ir tomar um anti-inflamatório.

"Amagansett" bem podia ser o nome desta posição - porque sou um bocado ignorante, soa-me parecido a "Asana", linguagem de posturas. Mas não. É como se chama a localidade/região onde a fotografia foi tirada, no estado de Nova Iorque.

sábado

Lies over the ocean (oh my)



From what I've seen, you're magnificent
You fight evil with all you do
Your every act is spectacular
It makes me lay here and love you

From what I hear, you are generous
You make sunshine and glory too
When you walk in things go luminous
It makes me lay here and love you

From what I know, you're terrified
You have mistrust running through you
Your smile is hiding something hurtful
It makes me lay here and love you

It makes me lay here and love you
I'm filled with violet and red and blue
I've got a feeling from what I do
That you might lay there and love me too


Estou convencida de que esta música pode ser tanto sobre o Amor (parece óbvio) como sobre Deus (atente-se na letra, também parece óbvio quando se pensa nisso) - o que para muito boa gente vai dar ao mesmo. O vídeo dá conta de uma "boa acção" (é assim que o entendo) e do Desejo (de algo puro com uma prostituta - porque não?). Faz tudo parte de um mundo único.


Bonnie Prince Billy, Lay and Love (2006)

Uma das coisas que lamento em 2007 é não ter ido ao concerto de Will Oldham, no Maxime, em Abril. Por outro lado, dadas as circunstâncias (jamais nomeáveis), foi melhor assim. E já passou.

segunda-feira

Let's have bizarre celebrations


Of Montreal, Wraith Pinned To The Mist And Other Games

2007 foi um ano generoso, para mim, apesar de um ou outro contratempo. E também chega ao fim com boas perpectivas para breve. O que realmente me deixa triste, bastante triste, aqui e agora, é que Charming, uma pessoa de quem gosto muito, tenha voado ontem para longe, em permanência. Pelas melhores razões mas... Dublin 1, Sara 0. I miss you already.

Despachemos os brindes mais logo e regressemos à normalidade possível. A partir de amanhã, feliz ano novo para todos.

quarta-feira

Indecisa entre modernismo e frivolidade


Portrait of a Young Woman, 1935
Meredith Frampton (1894-1984)

Frampton said that he made this painting as 'a relaxation from commissions, and to celebrate an assembly of objects... beautiful in their own right'. The sitter was Margaret Austin-Jones, then aged twenty three. Her dress was made up from a Vogue pattern by Frampton's mother. The vase, made in mahogany, was designed by Frampton himself.

O primeiro nome com que o artista assina é feminino. Ok. Quanto ao retrato, está pendurado na parede de um museu que goza de toda a credibilidade e a senhora elegante há-de ser Antepassada de Outrem - com maiúsculas porque, nobre ou não, aparenta pertencer a uma elite. Está virada à esquerda (a mulher, a elite não sei), o que é de louvar, apesar desse lado da face dela se tornar obscurecido. (Ah, de onde virá a luz?) Tem um porte invejável mas ninguém diz que tocava violoncelo ou que escrevia. Talvez se ficasse pela leitura de revistas da moda. (Faz alguma diferença?)

Tudo isto adensa-me a dúvida.

Let's get cynical

Um/a utilizador/a do Google.pt veio parar ao meu blogue à procura de 'mensagens de natal de engate'. Boa sorte.

segunda-feira

Natalidade, uma miragem

De ano para ano, a minha ideia de alugar crianças-figurantes para a ceia de Natal - onde o familiar mais novo à mesa já conta 26 anos - vem ganhando consistência. Podia ser um bebé e dois ou três mais velhos, que corram pela casa, riam e façam barulho. E que gostem de ouvir histórias da carochinha em inglês, caladinhos.

... not a creature was stirring, not even a mouse...

Bright Eyes, The Night Before Christmas

Uma forma profunda da memória (ficções)

É muito difícil escolher um livro (qual, qual?) para alguém que faz dos livros e da literatura a sua ocupação primordial. Um dedicado profissional das letras, a que não falta insight do meio editorial. Assim, decido jogar pelo seguro e "oferecer" ao Bibliotecário de Babel, José Mário Silva, qualquer coisa que lhe seja familiar. Trata-se de uma colecção de textos fantásticos de vários autores que - vê-se logo pelo título - Jorge Luís Borges foi convidado a organizar e a prefaciar (em 1977, data do meu nascimento, que lindo), e a única vez que aceitou fazê-lo, segundo consta. (A selecção e o prólogo dos Contos de Kafka, não conta...?)

Só conheço este volume d'A Biblioteca de Babel, em português, editado este ano pela Presença. Li Papini na minha semana de férias de Verão, aproveitando os dias de praia que o vento da Costa Vicentina teimava em arruinar - e não o esqueci. Suponho que é por isso que lhe chamam "literatura".

(...)Li Papini e esqueci-o. Sem suspeitar, comportei-me do modo mais sagaz; o esquecimento pode muito bem ser uma forma profunda da memória. Seja como for, quero relatar uma experiência pessoal. Agora, ao reler estas páginas tão remotas, descubro nelas, atónito e reconhecido, histórias que julguei inventar e que reelaborei à minha maneira, em outros pontos do espaço e do tempo.(...)Os contos deste livro provêm de uma época em que o homem se reclinava na sua melancolia e nos seus ocasos, mas a melancolia e os ocasos não desapareceram, embora hoje em dia a arte os cubra com diferentes roupagens.

JLB, da introdução.

sábado

Boas festas



Cuidadinho na estrada.

Mensagem de Natal

Liberdade, sonhos e presentes. Para o ano há mais.

quarta-feira

Paris Match



«Carla... Tu e o Sarko?», pergunta Valeria Bruni-Tedeschi à irmã.

Foto do filme 5x2, François Ozon, 2004.

terça-feira

Fracturantes (copywriting)

Antes Gay que Opus Dei.

Fosga-se, violência gratuita



O Samuel Úria está a publicar uma série de "Cartoons que nunca seriam publicados" no Ainda Não Está Escuro.

Máfia Russa (II), ópera de Lisboa

«(...)São todos estes dados importantes para se perceber quão megalómano e gravoso é o disparate de que o acto I está agora exposto na Ajuda. O Hermitage alugou e o Estado Português, através da ministra da Cultura, pagou do orçamento público e do mecenato que para aí canalizou, 1,5 milhões de euros! Isto quando, para além de serem outras as evidentes prioridades das políticas culturais públicas, das políticas para as artes e para os museus, não existem laços, “know-how” ou fundos privados possíveis que fundamentem a viabilidade e interesse de um pólo local do Hermitage.
Quando se parte para tão extravagante projecto no desconhecimento de que a outra parte é um dos mais agressivos actores deste novo “capitalismo global” dos museus, o desastre anuncia-se.(...)»

Augusto M. Seabra, em artecapital.net (com bold meu)

domingo

Crónicas da noite passada (.gif)


Julian Opie, Sara Dancing, sparkly top
clicar nas pernas para ver a animação

Happy Yuppy

Que 2008 nos traga um bom emprego do tempo.
com dedicatória(s)

quinta-feira

Património cultural europeu da humanidade



Não, não pretendo aqui celebrar a assinatura do Tratado de Lisboa, sobre o qual - para quê fingir? - não tenho opinião formada (desculpem lá).

Trata-se de um pequeno episódio que me deixou indignada. (Volta e meia indigno-me, e não é assim tão raro.) Aconteceu num voo da TAP, Londres-Lisboa, há um pouco menos de um mês. Tinha estado a descansar os olhos (vá, dormitava) e quando os abri vi que passava nas televisões minúsculas um filme que imediatamente reconheci: Jour de Fête (Há Festa na Aldeia, 1949). «Que boa ideia!», pensei, e apressei-me a chamar a hospedeira para lhe pedir uns auriculares. Qual não é o meu espanto quando ela me responde: «Não temos.» Como não?! Como é que era suposto ver-se o filme, sem O SOM? Ela explicou, com a maior das naturalidades: «É mudo, não tem diálogos.» E sorriu. Eu não estava a acreditar no que ouvia e ora olhava para ela de boca aberta, ora olhava para as imagens (também de boca aberta), sem saber como fazer valer o meu ponto de vista. Teve tanto azar que segundos depois aparecem legendas no ecrã. «Com que então não há diálogos?! Já para não falar da música!», exclamei, com toda a razão. Ela ficou um bocado atrapalhada e foi buscar um comissário. (É sempre conveniente ter um homem a bordo para lidar com passageiros que reivindicam coisas estranhas.) Ele lamentou a situação, quase solidário com o meu constrangimento, e disse que nunca davam auriculares em voos de curta duração. (Se calhar os assentos do avião nem tinham entradas/saídas de som. Não interessa, a questão é outra.) Eles não tinham culpa, mas eu continuei a refilar: «É um filme do Jacques Tati... Não é nenhum blockbuster, haja respeito!» Lamentaram de novo e disseram-me para preencher o livro de reclamações quando aterrássemos. Desisti, até que agora ressurgiu a vontade de exercitar o meu direito à indignação.

Ao cuidado dos "programadores" da TAP. Pff...

quarta-feira

Pub da idade da pedra

Era um mundo maravilhoso...




... nem os médicos tossiam...




... ski aquático e uns bafinhos...




... do tempo em que valia tudo...



... incluindo pôr desenhos animados a fumar.

terça-feira

Onde está a Maddie?



Last time I heard, na série L-Word (um mau programa de televisão, forçado, ridículo, entediante até).

Showbiz

LinkedIn é um site que serve para construir uma rede de contactos profissionais. Só há pouco tempo ouvi falar desta "comunidade", mas já existe há alguns anos (desde 2003?). É diferente, por exemplo, do MySpace, muito utilizado por bandas que disponibilizam on-line, cada vez mais, músicas e informação sobre concertos, ou do Facebook (rede social) ou ainda daquilo que sempre me pareceu uma idiotice chapada, orientada para adolescentes e para o engate, o Hi5.

Em Novembro de 2007 o LinkedIn contava com cerca de 15 milhões de utilizadores (não é muito). Registei-me por curiosidade. Dá para aldrabar tanto como em qualquer outro sítio da net, mas isso já se sabe. Não se pergunta a idade, a cor dos olhos nem a canção preferida. O essencial são as habilitações "literárias" (uma expressão que sempre me confundiu), instituição de ensino que se frequentou (superior, espera-se), local de formação, experiência profissional passada, ocupação actual e nacionalidade. Dá para pôr uma foto tipo passe. A partir daí o sistema percorre a nossa lista de contactos de email e diz-nos quem também está registado no site. As ligações vão-se fazendo basicamente como nas outras redes, e as pessoas podem fazer "recomendações". O que mais se encontra são CEO's (ou para lá caminham) e consultores de toda a espécie. Supostamente quem torna o LinkedIn um negócio rentável - porque ao fim e ao cabo o que todos queremos e precisamos de fazer é algum dinheirinho - são os head-hunters, porque um utilizador "normal" inscreve-se e é muito provável que rapidamente se esqueça de lá voltar. (Para quem leva aquilo a sério, se a situação profissional se mantiver, não há actualizações a fazer.)

Tudo isto para dizer que vasculhando "legitimamente" listas de contactos alheias, encontrei várias pessoas com quem já me relacionei num âmbito profissional. Uma delas, que sempre considerei divertida e inteligente (das características mais importantes que se podem desejar em colegas de trabalho, para que a rotina seja suportável), apesar de se mover num meio específico com um registo que em geral não aprecio, escreveu o seguinte sumário da sua actividade (o bold é meu):

«(...)We started with 11 000 readers and, in less than a year we climbed to 22 000. After that, I've been asked to coordinate a new magazine for the publisher. Still in pre-production.

I've specialized in newsroom coordination, newspaper and radio conception of new products. After three year learning the "new media" online news tricks, I am now coming back to radio+internet experience, with the only national news radio magazine being broadcasted on syndication.

Concepts, ideas, coordination and a bit of "tabloid" taste, good for the selling process, is my business, apart, of course, news reporting.»

Jeitinho não lhe falta.

segunda-feira

Encore Viggô (rencontre)



De passagem pela livraria da Cinemateca, onde fui assegurar lugar para a sessão de hoje às 22h (Festival Temps D'Images), encontrei nos escaparates Viggo em dose tripla. A primeira foto, em que ele está de fato, é só para compor o ramalhete.

Das três publicações francesas, acabei por comprar a Les Inrocks porque tem uma entrevista conjunta de Mortensen e Cronenberg. (Precipitei-me; descubro agora que o texto está todo on-line...) Dizem algumas coisas interessantes, implicam e brincam um com o outro. Mas o vídeo de 2 minutos, um teaser que encontrei no site da revista, tem mais animação. Está aqui.

domingo

Se este mundo fosse feito para ser doce / eu seria doce fosse eu quem fosse*



Esta fotografia também foi tirada por mim - eu, que raramente fotografo o que quer que seja (pois se nem tenho máquina). É mais um fruto da minha obsessão com a Tate Modern na semana de férias que passei recentemente em Londres. Desta vez, já esgotados todos os ângulos possíveis e imaginários do meu objecto de admiração, decidi registar o reflexo nocturno do edifício no Tamisa. Não estou à espera que ninguém me felicite pela minha sensibilidade estético-artística. É só uma desculpa para voltar a (d)escrever qualquer coisa do que vi.

1) Nesse dia, estava um homem em frente ao museu, que soava tresloucado em cima de um banquinho, berrando aos ouvidos de quem passava: All women... Go back to the kitchen!!! Intercalava estas palavras de ordem com um discurso de que não percebi patavina, porque não me aproximei muito (medo de apanhar com algum perdigoto). Não consegui concluir se era uma performance ou se a criatura estava a tentar expiar algum trauma. De qualquer das formas, achei divertido.

2) E a intervenção de Doris Salcedo ("Shibboleth"), que partiu ao meio o chão da Tate? Literalmente brutal: uma racha nas fundações de betão, a espaços relativamente profunda (também não vale a pena empolar expectativas, interessa mais o carácter simbólico do que espectacular), que vai de uma ponta à outra do Turbine Hall. Como toda a gente, fiquei fascinada com o insólito da instalação. (Até tirei fotografias, mas vou-vos poupar a essas.)

Explica o desdobrável: (...)A shibboleth, according to the Oxford English Dictionary, is 'a word used as a test for detecting people from another district or country by their pronunciation; a word or sound very difficult to foreigners to pronounce correctly.' It is, therefore, a way of separating one people from another. The word refers back to an incident in the Bible. The Book of Judges describes how the Ephraimites, attempting to flee across the river Jordan, were stopped by their enemies, the Gileadites. As their dialect did not include a 'sh' sound, those who could not say the word 'shibboleth' were captured and executed. A shibboleth is a token of power: the power to judge, refuse and kill. What might it mean, however, to refer to such violence in a museum of modern art?(...)

A isto não sei responder. Que o façam críticos, curadores e historiadores de arte. Mas sei que como portuguesa - se há coisa que não falta na nossa língua são 'sh's - a mim não me apanhavam os Gileaditas...

3) Anseio pela hora de rever o filme de Cronenberg, sobretudo a cena memorável de Nikolai, tal como veio ao mundo, bare-handed, a lutar ("viggorosamente") pela sua sobrevivência nos banhos públicos, e em desvantagem numérica contra o inimigo. Concepção e execução extraordinárias da dupla realizador-actor numa coreografia de força, sangue e instinto - embora gostasse de deixar claro que não considero de todo gratuita a violência do filme: está ali o que deve estar, e nem uma garganta degolada a mais (apesar de eu me ter contorcido na cadeira e fechado os olhos várias vezes). A implacabilidade de Viggo Mortensen, aliás, Nikolai, ideal entre ideais para sonhos eróticos, com tatuagens e sem compromissos, numa noite de Inverno.

*Excerto de uma letra dos Quinteto Tati (em "Valsa Quase Antidepressiva"), ao cuidado do Daniel.

sexta-feira

Moral aggrievement*


Nov/2007 (clicar sobre a imagem para aumentar)

Tirei esta fotografia no terraço da(do?) Tate Modern, de onde se vê na City a cúpula de St. Paul's, a Millennium Bridge e a entrada do museu, que assinala a exposição retrospectiva da obra de Louise Bourgeois com uma das suas esculturas de grandes dimensões, até 20 de Janeiro de 2008. Aliás, foi com esta mesma instalação, no átrio interior (um pé-direito que só visto) da antiga fábrica de electricidade, que a galeria inaugurou as suas instalações na margem sul de Londres, no ano 2000. (Esta semana foi entretanto divulgado que será aqui construída uma extensão em vidro concebida pelos arquitectos Herzog & de Meuron, e a concluir até à abertura dos Jogos Olímpicos de 2012, para a qual o erário público inglês irá contribuir com 50 milhões de libras, num orçamento total de 215. Bem bom; quem pode, pode e deve.)

O mais perturbador neste trabalho de Louise Bourgeois - neste em particular mas afinal são-no todos! - é o nome que ela dá à aranha gigante: Maman. Dedico esta imagem à Anna, personagem de Naomi Watts no último grande (muito grande) filme realizado por David Cronenberg, Eastern Promises (2007).

*Fui buscar o título do post ali, ao blogue do Pedro Mexia.

quinta-feira

Máfia Russa

Não estou preocupada, nem sequer incomodada. Apenas um pouco intrigada. De há umas semanas para cá recebo irregularmente toques no telemóvel de um número não identificado, umas vezes a "horas normais", outras vezes anormais (5 da manhã), sendo que nunca dou por estes últimos a não ser no dia seguinte, quando consulto o registo de chamadas perdidas. Toca uma, duas, três vezes no máximo, e depois desliga-se, mesmo quando atendo. Não há respiração ofegante do outro lado, não há risadinhas, nada. Simplesmente a ligação nunca chega a estabelecer-se. Tudo bem. Mantenho o mesmo número desde que comprei o meu primeiro telemóvel, há oito ou nove anos, já o utilizei em trabalho, já perdi a conta às pessoas que o têm, portanto tudo é possível. Entretanto, há uns dias atrás, instalei um telefone fixo em casa, livre de assinatura mensal, com algumas chamadas gratuitas, enfim, resultado das maravilhas que a competitividade no mercado das telecomunicações produz. Ligam-me para casa a minha mãe e o meu pai, e outras entidades por engano (hoje de manhã foi do GOE, juro!). Até que há bocado comecei a receber os toquezinhos também no fixo. "Estou?" - e desligam, num gesto que pressinto automático. Falta de assunto?

terça-feira

Vigorosamente (II)


Eastern Promises, David Cronenberg

Viggo Mortensen é uma obra-prima no papel de Nikolai.

Transmission

Voltando um pouco atrás, escreveu a Susana:

«(...)Se não fosse pela música dos Joy Division, iríamos ver um filme cinzento e angustiante, sobre um homem depressivo, apático, com uma vida cinzenta e monótona?(...)»

O Luís respondeu:

«(...)Er... I would. Tirando a parte dos Joy Division, essa é a descrição de metade dos meus filmes de cabeceira.(...)»

Pela parte que me toca, I would too. Se, por exemplo, o Luís o recomendasse.

A lógica segundo a qual escolho os filmes que vejo no cinema é essencialmente igual à de toda a gente: por um lado, sigo as recomendações de pessoas cujo critério cinematográfico considero de confiança - o de alguns amigos e alguns críticos da imprensa e da blogosfera; por outro, sou levada pela minha curiosidade pessoal, em todo o esplendor da sua banalidade, e às vezes pelas minhas idiossincrasias (nem queiram saber onde isso já me tem levado).

Teria ido ver o filme na mesma e, se não estivesse relacionado com Ian Curtis e os Joy Division, possivelmente até teria gostado do que vi. Mas não fiquei nada comovida, o que me surpreendeu. Outra coisa lamentável é que, em determinados planos, de perfil, o actor Sam Riley me tenha feito lembrar Leonardo DiCaprio. Isto aconteceu-me de verdade e prova inequivocamente que eu não estava a ser "tocada" pelo filme, nem de longe.

Sabemos que Control é baseado no livro que a mulher de Ian Curtis escreveu. A mulher que tinha 18 anos quando ele casou com ela aos 19 (facto registado) e com quem teve uma filha (facto registado). A certa altura ter-se-á apaixonado por outra mulher, uma belga (muito bonita a avaliar pela actriz que a interpreta no filme, e por conseguinte pela percepção de Deborah Curtis) - que se tem mantido discreta aos longos dos anos. Ian Curtis escrevia bem (facto subjectivo mas aparentemente unânime) e era epiléctico (facto registado), depressivo, etc, etc, etc. Suicidou-se aos vinte e poucos anos. Até que ponto Anton Corbijn é fiel ao livro, não sei, porque não tenciono lê-lo. Mas Deborah Curtis é co-produtora do filme, logo... O que me aborrece, tendo em conta que sou sensível à música dos Joy Division, é a tentativa de "repôr alguma verdade afectiva" (entre-aspas porque sou eu que o digo, porque é o que me parece), seja ela benéfica ou prejudicial, à imagem de Ian Curtis, neste caso. Não sei se me faço entender. (Se calhar é óbvio. Se calhar who cares.)

A propósito deste filme já foi referido um outro, Last Days, de Gus Van Sant, inspirado por Kurt Cobain. Também não gostei, à excepção do plano-sequência(?) longo, muito longo, que vai do exterior para o interior da casa, do jardim para a divisão envidraçada, onde o músico está a tocar (se bem me lembro). Não gostei do resto, mas ao menos tudo aquilo é ficcionado!

sexta-feira

A cores


Ian Curtis, 1956-1980. Autor da fotografia desconhecido.

(Porque fiquei desconsolada com o filme de Anton Corbijn, Control, entrava aqui bem uma série "Franjinhas". Logo a seguir vinha Louise Brooks a preto e branco. Se houver algum biopic dela, que não os interpretados pela própria, eu não quero ver.)


Joy Division, Dead Souls

quarta-feira

Céu limpo


Seattle, USA

Sem desfazer na História de Portugal ou na dos grandes conquistadores em geral, ainda nem é meio-dia e já fiz uma grande descoberta hoje, graças a •••nodatta.blogspot.com••• (obrigada pelo link, Carlos!) cujas actualizações musicais para efeitos de download - serviço público e ilegal - tenho acompanhado diariamente com o meu super-google-reader.

Estamos em território vaudevilleano, com alguém no fim a baloiçar-se no lustre da sala, voz, cordas, sopros e teclas como eu gosto. Uma banda completa no cabaret: Kay Kay and his Weathered Underground a tocar Hey Momma'. Bem alto.

terça-feira

Why don't you shut up

Acho que Gordon Brown está com receio de vir a Lisboa, ouvir Mugabe e perder as britânicas estribeiras.

Vigorosamente



«I have been a waitress, and I was a damn fine waitress too, let me tell you.» - Jessica Lange, em entrevista, Abril de 2006.

Em cima, stills do tórrido The Postman Always Rings Twice, filme de 1981 (damn fine!) em que contracena com Jack Nicholson.

«The film is most famous for the love scene on a kitchen table which was so intense that many believed that Lange and Nicholson were really having sex on screen. However, this was vigorously denied by all involved.» - da Wikipedia, claro.

segunda-feira

Uma-thurmanish



Em bom rigor, não foi por causa da actriz Sarah Polley (na foto) - também realizadora - nem por Wim Wenders que fui ao cinema ver Don't Come Knocking (ele e o Sam Shepard que me perdoem), embora Polley tenha qualquer coisa... E alguém que tenha visto o filme (já) com dez anos The Sweet Hereafter, de Atom Egoyan, não se esquece dela. Tão pouco a minha ida ao Monumental num sábado à noite se deveu à presença de Gabriel Mann (lindo, sobretudo na performance de bar, quando interpreta uma bela canção) no elenco. A única coisa que eu sabia é que ia ver Jessica Lange, de quem tinha saudades. Para mim, continua "uma mulheraça". Absolutamente extraordinária, sempre.

(Perguntaram-me se valia a pena ver o filme. Enfim, tem o Tim Roth como investigador neo-nerd, tem a fotografia inspirada pela luz e ambientes Edward Hopper e o cenário western. Nice mas não é nenhum Paris, Texas.)

sexta-feira

Solo


Yves Klein, Saut dans le vide, Paris, 1960
Foto(montagem) de Harry Shunk

Não me canso dos 'clássicos'.

Let's face it

(...)
Accusing all modern art of being left-wing probably doesn’t get us very far. What might be more useful is to ask whether there is a dominant consensus when it comes to political attitudes in modern art today. Is art good at presenting alternative perspectives and shaking our worldviews, or does much of it congratulate us on our prejudices?
(...)
Although the political compass is changing, so-called radical artists usually stick to what’s comfortable. It’s very easy to be anti-Bush these days, but try being anti-recycling.
(...)
As many critics would accept, it’s a tough challenge to bring politics into art without losing some subtlety. It is a very rare thing for artists to hit the right political note without their work looking like a simplistic didactic message.
(...)
Which is why it is hard not to feel a sense of relief when fine artists today avoid bringing politics into their work, especially when you know how bad their politics can be. Thank god for a bit of apolitical postmodernism, one might say.(...)


Excertos de um artigo intitulado Is modern art a left-wing conspiracy? (via Arts & Letters Daily)

Da prática

Letra de Forma: crítica e opinião de Augusto M. Seabra, a partir de agora em forma de blogue.

quinta-feira

Da abstracção



Criação: à esquerda, Adam (1951-2), à direita, Eve (1950), embora não tenha registado se é assim que estão dispostas as duas telas (a primeira de dimensões maiores do que a segunda) de Barnett Newman, na Tate Modern. Como eu gostei de olhar para elas. Até mais do que para as de Rothko, resguardadas numa sala própria, com luz insuficiente, pareceu-me (excesso de zelo do museu?).

Deixei-me absorver pela cor.

Do sono

Encontrei agora mesmo uma música, kind of soothing, mp3 que estava a monte no meu computador. É de uma das minhas bandas preferidas e faz parte do álbum "See You On The Moon! Songs For Kids Of All Ages", vários artistas, de 2006.


Hot Chip, I Can't Wake Up

(para o neto cuja avó não voltou a acordar)

terça-feira

Como é que fazem os Lobos?




Norberto Lobo, Mudar de Bina (Bor Land, 2007)

O rapaz (geração de 80) compõe música e toca guitarra maravilhosamente (sem qualquer parentesco com os "virtuosos" enervantes - já se vê que não os aprecio muito). Quando na pele de Norman, com o irmão Manuel Lobo e João Lobo, Norberto dá-lhe no rock experimental (como dizem os entendidos), em todo o seu esplendor. A solo e ao vivo, o Nor(berto) é encantador. O último concerto dele a que assisti, no palco do Maxime, com um galo de barcelos bordado a lantejoulas na cortina em fundo (e sobretudo Paredes), foi um primor de "portugalidade" e educação musical (e sentimental, porque não).

[O final da ronda nacional de apresentações a solo será na ZDB, em Lisboa, dia 8 de Dezembro. Ainda sobre este Lobo em particular, ver clipping exemplar, post atrás de post, no blogue do Daniel.]

O disco Mudar de Bina, com o quadro de João Abel Manta, é lindo por dentro e por fora. Esquece o Queijo da Serra, o bacalhau e os pastéis de nata, digo eu com os meus botões. (Mas não esqueças o volume de SG Ventil.) Neste momento não me ocorre melhor presente para levar na mala do que este disco.

London calling, be right back.

Chapter 1... doesn't go into detail



Por causa do vídeo que estava há uns dias n'A Causa Foi Floreada (atenção ao link novo), tenho passado horas no Youtube a ver tudo o que apanho do Ricky Gervais. Este excerto é do espectáculo "Animals" (2003), a partir (d)o Livro do Génesis.

E Deus criou as correntes blogosféricas

Olá, Miguel. 5ª frase completa da página 161 do livro que estiver mais à mão? Olha que sorte, tenho aqui um que preenche todos os requisitos: ao meu alcance (esperemos que também intelectualmente, oh my god, que ainda só vou no início) e com pelo menos 161 páginas.

If only, as a young man, Jack's way of expressing himself had been a tad sprightlier...

- perdão? -

...a tad sprightlier, a shade more people-friendly (if one could have imagined, even abstractly, the possibility of having a beer with him), he too might have been a public person in the manner of Monty Kipps, or like Jack's own late father, a senator from Massachusetts, or like his brother, a judge.

Aleatório por aleatório, e se fosse da página 261?

This was a strange question to ask in front of everybody.

A-ah! Página 361?

He blew a large smoke ring into the air and then another one that fit into that.

O livro acaba às 443. Ohh...



Passo a bola a quem me ofereceu este belo objecto da Penguin Books na semana passada (obrigada), um rapaz que está a viajar e que não tem blogue. We'll always have email.

(para o Mig Mag)

De sigano a cicrano

Olá, Samuel. Se alguma vez leres a 3ª edição de "A Mancha Humana" (Philip Roth) lançada pela Dom Quixote, não te surpreendas ao chegar à página 229 e...

Não sou capaz de ir e ver lá o nome de Fulano e Cicrano. Não, nem pensar. Não sou capaz.

Sicrano! Estas coisas deixam mancha, quer dizer, marca.