quarta-feira

Errar é humano


Autch! Don't try this at home.

Só hoje de manhã me apercebi, ao cruzar-me com um anúncio publicitário, que no post anterior referi C&A quando queria dizer H&M. É que vai uma grande diferença de uma marca à outra, o que até é óbvio pelos respectivos sites. Deixo aqui o meu mais sincero pedido de desculpas ao mundo empresarial (mercado livre, sociedade competitiva, etc.) e às jovens proletárias.

Do que eu gosto mesmo é de torrar dinheiro na Sisley.

sábado

Direito à indignação (em directo)



Bairro sitiado. Fiquei de sair de casa para comprar bilhetes para The National (Aula Magna, 11 de Maio, antes que esgote?), mas receio pela minha integridade. Há bocado saí inadvertidamente para tomar um café e assustei-me: o Príncipe Real está okupado pelo PCP. Diz que hoje vai haver uma marcha.

Velhos caquéticos trazidos em camionetas e jovens proletárias nascidas no final dos anos 80 do século XX, vestidas com roupa do C&A (nada contra, boas pechinchas com qualidade suficiente para durar uma estação, é a força do neoliberalismo), aglomeravam-se ao pé do quiosque e afinavam as vozes («a luta continua, fascismo nunca mais!», valha-nos deus) ao som de Zeca Afonso (coitado, nem está cá para se defender), em repeat nos altifantes. Um jardim habitualmente tão tranquilo ao fim-de-semana... Não podem ir fazer ruído para outro lado?

E se no seu ardor revolucionário me tomassem por porca capitalista? Meti as mãos nos bolsos, não fosse alguém reparar que não as tenho calejadas. Ou pior, e se alguém me tomasse por aderente à turba? Pus os óculos escuros (felizmente não são de marca) e afastei-me devagar, em pânico. Tranquei-me a sete chaves, com as janelas de vidro duplo fechadas. Cá estamos.

(Nota: o adorável senhor da fotografia não é o Pacheco Pereira)

I think this place is full of spies
I think they're onto me
Didn't anybody, didn't anybody tell you
Didn't anybody tell you how to gracefully disappear in a room


I know you put in the hours to keep me in sunglasses, I know
And so and now I'm sorry I missed you
I had a secret meeting in the basement of my brain
It went the dull and wicked ordinary way



The National, Secret meeting

sexta-feira

maradona, o Superlativo

(...)Embora fique em casa amanhã, provavelmente vou ter que trabalhar Sábado e Domingo. A única vantagem disto é que, quando estou doente, fico com uma voz sexy. A minha voz costuma ser esganiçada, como um vagão de comboio a escorrergar pelos carris com os freios accionados. Agora não: estou com um tom grave, ponderado, chego a falar sozinho para me ouvir.(... posted 28 Fev)

está muito mal. ssimo.

Correio dos leitores

Re: Por favor, isto é assédio. Não quero ser sua amiga e não quero trocar correspondência. Deslargue-me e deixe o meu blogue em paz. Obrigada.

(para C.)

quinta-feira

Provador

Sem segredos nem constrangimentos. Uma experimenta a roupa, a outra conta coisas. Lá fora, a menina da loja pergunta se é preciso ir buscar o número acima.

- ... e quando fizemos as contas, fiquei passada.
- Bolas, estou tão gorda.
- Não estás nada!
- Estou sim. E tu também estás.

Sobre um ninho de cucos

O discurso de Jack Nicholson no último domingo, que vi em diferido, foi uma merda, e (oxford comma, viva, viva) estava na cara que não tinha sido ele a escrevê-lo. Mas como não podia deixar de ser, houve um momento brilhante - pela expressão, não pelo texto. Numa frase que dizia qualquer coisa como «films bring about the humanity in all of us», logo após «the humanity» e imediatamente antes de prosseguir com «in all of us», Jack não resistiu: uma breve pausa para pesar as palavras e riu-se. Foi mais forte do que ele. E aqueles três segundos de troça rasante e o desnível espontâneo das sobrancelhas denunciaram o jogo todo.

segunda-feira

Oscar Ray-Ban


1975, eu ainda nem era nascida

sábado

...p'ra chorar, uh uh, sem ninguém ver...



(clicar na letra para ouvir a música)

Já arranjei muito bem
Tudo quanto convém
P'ra praia levar
Um pente, um espelho, um baton
E um creme muito bom
P'ra me bronzear
Tenho o meu rádio portátil
E o biquini encarnado
Também está no meu rol
E como é bom de ver
Não podia esquecer
Os meus óculos de sol

Que levo p'ra chorar
Uh uh, sem ninguém ver
P'ra não dar, uh uh, a perceber
P'ra ocultar, uh uh, o meu sofrer
Pois eu sei que te hei-de encontrar
Talvez deitado à beira-mar
Com outra ao lado, eu vou passar
A tarde a chorar

Já pensei em não sair
Mas onde é que eu hei-de ir
Com este calor
O que é que eu hei-de fazer
P'ra não ter que te ver
Com o teu novo amor
Ver-te-ei com certeza
Mas eu peço à tristeza
Um pouco de controle
E pelo sim, pelo não
Eu vou ter sempre à mão
Os meus óculos de sol

Para o fim-de-semana

12 (doze) palavras, Batukada e Daniel...? Fico-me pela meia-dúzia, que estou preguiçosa.

Bolachinhas: qualquer palavra com diminutivo "inha" me preenche ludicamente os dias. A culpa é de uma amiga (tazóuvir, Maria?) que me pegou o vício linguístico, há muitos anos; enfim, há coisas piorzinhas.

Dormir: uma das minhas actividades preferidas, de dia ou de noite, faça chuva ou faça sol, sozinha ou bem-acompanhada; música para os meus ouvidos.

Casa: tem (quase) tudo o que é preciso; não vou mais longe.

Fundação: uma espécie de ponto G; entranhou-se-me no léxico, paga-me as contas e está no meu coração.

Mãe: há só uma, é linda e dá-me sempre um conforto indescritível; complementa-se com (o) Pai; nunca na vida pronunciei as palavras "mamã" ou "papá", que detesto.

Siso: (muito riso) não tomei um único analgésico desde que me foi retirado um dente - a mais na minha boca, onde é que havia de ser? - há dois dias (and counting). Não é masoquismo, mas sim ausência de dor. Um Prémio Mãozinhas para o meu dentista!

Sem compromisso, segue a correnteza (inclusivamente para pessoas já apalavradas), e aí vão 12, primeiro as senhoras: Triciclofeliz (volta, pelo amor de deus, que a cerimónia dos óscares não tarda e não há ninguém que faça avaliações de desempenho dos trapos como tu, yay?); Quatro Caminhos (não temais os cabelos brancos, que estamos todas no mesmo barco); Winter Cat (sinceramente, não percebo por que há-de o meu pobre vidro duplo ser metido ao barulho, mas o "poema" Madonna - e outros afins - tem que se lhe diga); Samuel (só para chatear); Vasco (não me digam que acabou com o blogue, pela centésima vez? que mania...); maradona (uma escandaleira); Casanova (vaivaivaivaivaivai, ehehehe); Yesterday Man (I say...); Ivan (já não é o que era, vamos, toca a escrever posts!); Marujo (quem diz 12 palavras, diz 12 fotos); Vontade Indómita (roll the dice); Rui (nunca te tinha "lincado" e há sempre uma primeira vez).

quinta-feira

Discomedusae


Ernst Haeckel

São cinco, sete minutos

O crepúsculo excita os loucos. Lembro-me que tive dois amigos a quem o crepúsculo punha muito doentes. Um deles desconhecia os deveres da amizade e da educação, e maltratava o primeiro que aparecesse. Vi-o atirar à cabeça dum mordomo um frango, em que ele via não sei que insultante hieróglifo. A tarde estragava-lhe os manjares mais suculentos. (Poemas em Prosa, Charles Baudelaire)

Quem diz crepúsculo, diz lusco-fusco. Muito intenso.

domingo

Inside information



In the UK, cocaine goes hand in hand with champagne, yoga and organic vegetables. It has an exclusive, upmarket cachet.

Esta 'revelação' sobre vida saudável foi feita por Alex James, baixista dos Blur (banda em stand-by), ex-viciado em cocaína (a vertigem do sucesso Britpop), que agora vive com a mulher e três filhos numa quinta onde produz queijo. A SIC-Notícias passou esta noite uma reportagem que ele gravou na Colômbia (nada de especial, mas Alex James é um quase-quarentão giro, giro, com 1 metro e 80, no mínimo, e muita graça). O Presidente Álvaro Uribe convidou-o a visitar o país, depois de ter lido na sua autobiografia (lançada em 2007) que nos anos 90, contas por alto, James estima ter gasto cerca de um milhão de libras em champanhe e cocaína. Os extractos bancários dele deviam ser interessantes.

sábado


Edward Burra, The Snack Bar, 1930

Verde código verde

Numa consulta regular aos meus movimentos bancários (uma espécie de exame de consciência), descobri que tinha feito recentemente uma despesa com cartão junto de uma entidade chamada 'Slut from London'. Fosse o que fosse, até nem tinha saído caro. Mas o quê? Tinha estado em Londres, sim, mas não me lembrava de ter feito nada assim tão extravagante.

Qual Sherlock Holmes, mergulhei nos talões do multibanco, que nos atafulham durante meses o porta-moedas, até ao belo dia em que vai tudo parar ao lixo. Trinta papelinhos depois, lá estava (agrafado à factura, esssa sim com o nome da loja que reconheci imediatamente). Foi em Lisboa. Tudo se tornou claríssimo, excepto para o meu banco (enfim, com a pouca vergonha que vai pelo Millennium BCP, isto seria coisa de meninos de coro).

Epílogo: faça sempre as suas compras na Zara, quando não puder pagar em dinheiro. Sobretudo se for figura pública. Adquirir acessórios de marcas alternativas, à venda em 'agências' do Bairro Alto (Rua do Norte), pode manchar-lhe o cadastro. Fica desde já o aviso ao consumidor incauto.

Série 'ideias para t-shirts'

Routine is underrated

sexta-feira

Das 9 às 9 (fins-de-semana incluídos)

Mesmo quando não estão à procura, acho útil que as pessoas se mantenham informadas sobre o que vai aparecendo no mercado de trabalho. O panorama, pelo menos na minha área, não é muito animador. E quando leio anúncios de emprego que dizem «oferecemos ausência de rotina», fico sempre a pensar «o que vocês querem sei eu: abusar.»

quarta-feira

Quanto custa


Joseph-Marie Vien (1716-1809)
A vendedora de cupidos, Paris, 1763
Óleo sobre tela, 98 x 122 cm
Musée national du château de Fontainebleau, depósito do Museu do Louvre, inv. n.º 8424 - Foto RMN / © Direitos reservados


Esta obra é «a cereja no topo do bolo» (disseram-me) da exposição O Gosto «à grega». Nascimento do Neoclassicismo em França, 1750-1775, que vai abrir ao público esta sexta-feira, na Fundação Gulbenkian. Jarrões (pois, correcto seria eu dizer vasos) e mobiliário da pesada não são my cup of tea, mas a colecção de caixinhas de rapé e os quadros que lá se encontram - destaco também o de Psique a surpreender o Cupido adormecido (logo à entrada da galeria) e o retrato de Madame du Barry, a última maîtresse en titre (de Luís XV) que houve em França, antes da Revolução lhe aplicar a guilhotina - são uma delícia.

Marketing em Nome da Rosa para São Valentim

O lugar comum: no Amor tão depressa se pode ganhar um round como se é levado ao tapete. Nada mais adequado, portanto, do que pôr na montra de uma loja de flores (este estabelecimento em particular não é uma vulgar «florista») um objecto em pele vermelha, suspenso de cima a baixo por cordas, com um design que se aproxima do cruzamento entre uma luva e um saco de boxe, e resulta numa coisa parecida com um coração (estilizado). Imaginem (não tenho máquina fotográfica). Em cheio.

sábado

Retro-spotlight


Christina Ricci há 10 anos e o rock progressivo dos King Crimson

Pela mesma altura (c. 1998) frequentei três ou quatro aulas de sapateado. Facilmente se deduz que o meu delírio foi passageiro, o que é uma pena, pois eu teria dado com toda a certeza uma grande estrela dos palcos da paróquia. Resta-me recordar o papel que Vincent Gallo nunca me deu no filme Buffalo'66.

(via The Playlist)

Saia-na-saída

Em vez de indicações absurdas (como a que reproduzo no título), com origem em falhas na programação do aparelho ainda por afinar, o que eu gostava era de ouvir a voz robótica feminina do GPS no automóvel do meu pai (uma pessoa que tinha bastante sentido de orientação até adquirir o novo brinquedo) dizer: «Apanhe-um-táxi-e-não-pense-mais-nisso.»