sábado

Retro-spotlight


Christina Ricci há 10 anos e o rock progressivo dos King Crimson

Pela mesma altura (c. 1998) frequentei três ou quatro aulas de sapateado. Facilmente se deduz que o meu delírio foi passageiro, o que é uma pena, pois eu teria dado com toda a certeza uma grande estrela dos palcos da paróquia. Resta-me recordar o papel que Vincent Gallo nunca me deu no filme Buffalo'66.

(via The Playlist)

Saia-na-saída

Em vez de indicações absurdas (como a que reproduzo no título), com origem em falhas na programação do aparelho ainda por afinar, o que eu gostava era de ouvir a voz robótica feminina do GPS no automóvel do meu pai (uma pessoa que tinha bastante sentido de orientação até adquirir o novo brinquedo) dizer: «Apanhe-um-táxi-e-não-pense-mais-nisso.»

quarta-feira

Fusão sino-americana com cheirinho a caril (um post empírico em que todo o cuidado é pouco)


numa sala de cinema perto de si

Como se sabe, existe uma lei não-escrita que diz que cada um faz o que bem entender no seu blogue, e a mais não é obrigado, desde que o faça em consciência. É neste contexto um bocadinho menos do que anárquico que junto uma fotografia do filme Lust, Caution (Ang Lee), de que gostei muito, mas mesmo muito, a uma música (de que gosto muito, mas mesmo muito) incluída na banda sonora do filme de Wes Anderson, The Darjeeling Limited, que é divertido e que satisfaz bastante, e ainda tem Natalie Portman como bónus. Nada aponta para uma associação entre estas duas obras cinematográficas, de natureza tão distinta, a não ser na minha mente duvidosa. Não levem a mal.


The Rolling Stones, "Play with fire"

Well, you've got your diamonds
And you've got your pretty clothes
And the chauffeur drives your car
You let everybody know
But don't play with me
'Cause you're playing with fire (...)

segunda-feira

Carnaval




Vampire Weekend, A-Punk

Headbanging #2

A minha prima-sobrinha, um piolhito de 10 anos que adoro apesar das birras, ao fim de algumas músicas, e antevendo a seca que ia apanhar durante duas horas de viagem de carro, depois de analisar pormenorizadamente o meu iPod sentenciou que eu só lá tinha «porcarias» (cito de cor). Continuou em cover flow, a percorrer enfadada as capas dos discos, até que de repente disse: «Espera, eu conheço isto! Os Interpúl!» Naturalíssimo, pensei, porque o pai dela gosta da banda e andava tão ou mais excitado do que eu quando os Interpol vieram tocar a Lisboa, da primeira vez. (O ânimo entretanto como que se nos esmoreceu, ao ponto de nem termos posto os pés no Coliseu, em Novembro passado. Não sei bem explicar porquê. Coisas.)

Afinal não foi influência musical paterna, mas sim da Morangada. Vejam-me só: turns out o box-office da TVI tem The Heinrich Maneuver na banda sonora. (Deve ser naquela parte em que no intervalo das aulas o adolescente radical com o cabelo em redemoinho diz à adolescente radical grávida «amo-te bué, miúda».) E eu tão cedo não consigo voltar a ouvir aquilo, depois de me ter sido solicitado que tocasse várias vezes o tema. (Antes isso do que ouvir Rihanna directamente do telemóvel do anjinho.) O pai teve sorte, porque não se encontrava no veículo. Já as nossas cabeças - minha e da mãe dela - iam fritando.

Headbanging #1

Num arrojado mas bem sucedido número de Mood Swing, a Batukada mudou-se para o Sapo (parece que agora está em voga).

Há um aspecto que gostaria de destacar, que aliás se destaca por si: mantém-se a anterior lista de links no blogue agora metalizado, onde eu orgulhosamente consto camuflada por \«(.)(.)»/ --» uma forma original (e carinhosa, permitam-me) da Batu registar as minhas origens.

sexta-feira

And now, ladies and gentlemen, here's Grace


Arabesque, portrait by Jean-Paul Goude, 1978

Tenham medo, tenham muito medo. Ouvi o Pedro Ramos na Radar a dizer que Grace Jones - «a mãe de todos nós», segundo o próprio - vai lançar este ano um disco novo. Suspeito que o radialista e eu partilhamos o mesmo fascínio pelo bicho, que se julgava adormecido, nascido na Jamaica, em 1948. Ao que tudo indica, o álbum chamar-se-á Corporate Cannibal.

E um grande single de 1985:


Grace Jones, Slave to the rhythm

A quantas andas

Eu andava a pé depressa, atrasada para um jantar. Aproximava-me a passos largos do que, visto por trás, me parecia uma alma penada, uma criatura perdida no tempo. Arrastava-se pelo passeio, vestia umas calças de ganga largas, descoloradas, gastas, desfiadas. E uma camisola escura com o capuz a tapar-lhe a cabeça. Não percebi se seria homem ou mulher. Talvez nem uma coisa nem outra. Quando fiz a ultrapassagem, esforcei-me para não ceder à tentação de virar a cabeça e descobrir-lhe o desenho do rosto. Continuei a andar. Mas logo depois ouvi-lhe a voz trémula: «Desculpe, que horas são?» - abrandei e respondi que não tinha relógio. Era verdade; não uso nada nos pulsos, embora soubesse que eram quase nove da noite. Sem idade, sem feições, insistiu: «Assim mais ou menos, que horas são?».

Natureza viva-morta

O cão saltou e engoliu a borboleta.

quinta-feira

Americana


Eadweard Muybridge, c.1868

Pertence à galeria dos grandes excêntricos barbudos do século XIX (irresistíveis). Vi ontem na Culturgest um filme-ensaio sobre o trabalho dele (não resisti) - e por causa da coincidência, acho que é seguro afirmar-se que esta fotografia foi tirada em Yosemite.

Muybridge nasceu em Inglaterra. Em 1852 foi para os Estados Unidos e acabou por se tornar mais conhecido pela invenção da Zoopraxography, ou ciência da locomoção animal. Mas no início era a paisagem.

terça-feira

SMS

Save My Soul

Remisturas de uma norueguesa




Alan Vega, Jukebox babe

Le Tigre, ESG e este Elvis Presley pós-moderno (ena pá), entre outros, num disco de 2005. Longa vida à electrónica.

iPodified

Não me separo do meu iPod Nano desde que o recebi pelo Natal. Já lá vão umas semanas. Em casa ligo-o às colunas, no carro ao rádio, no trabalho... trabalho. Na(s) minha(s) malinha(s) mantenho um compartimento só para ele, para poder protegê-lo de agressões, na medida do possível, para tê-lo sempre por perto, mesmo quando não o utilizo. No entanto, a bem da minha sanidade mental, cheguei à conclusão de que não posso usar aqueles conspícuos (embora de óptima qualidade) headphones brancos, quando ando a pé. Acho que há mais de dez anos que não experimentava a sensação de percorrer as ruas alheada do ruído urbano e de todas as ameaças respectivas. Pois desenvolvi uma verdadeira paranóia, tal é o medo de que me assaltem e me levem o naninho, fonte de grande prazer auditivo e táctil (tenho uma vida muito desinteressante). Este domingo à tarde, quando saía da estação de metro do Saldanha, tive (mais) uma alucinação. Senti alguém aproximar-se por trás, "pssst", alguém com uma faca, prestes a encostá-la ao meu pescoço e a dizer "passa para cá o dispositivo móvel, mesmo que não haja aí música de jeito". Que susto preguei a mim própria. Que sobressalto. Ridículo. Ainda bem que não se via vivalma num raio de 50 metros.

sábado

Promo (com dedicatória)




Cat Power, "Song to Bobby"

Start spreading the news... O novo álbum de versões (Frank Sinatra, Billie Holiday, James Brown, etc.) de Cat Power sai na próxima semana, a 22 de Janeiro. Deixo aqui o único tema que ela escreveu para este disco, ou melhor, um original para Bob Dylan.

sexta-feira

Isto não é um telefilme*

Assistimos ontem a um grande espectáculo de roque-enrole no Music Box, ao Cais do Sodré (o Daniel e a Joaninha não me deixam mentir): na primeira parte, Tiago Guillul - um verdadeiro animal de palco, com gravata a condizer - e sus muchachos, incluindo o Samuel, cheio de sentido de movimento, e o Miguel, excelente no acordeão. Na segunda parte, os Pontos Negros. Destes últimos o mais velho tem 21 anos e tudo para ser uma rock star. Meu Deus.

*Excerto de um refrão do Tiago, que à saída se colocou atrás do balcão a vender discos a 1 €uro. No entanto, fui contemplada com a oferta de um pacote Flor Caveira. (Já o Zé Pedro dos Xutos teve de pagar...) Gostei muito, obrigada.

quarta-feira

Empurra aí

Qualquer coisa que relativize o post anterior. Na televisão é que elas estão bem.

domingo

Separadas à nascença



Jennifer Anniston, a quem nunca achei muita graça (e à série "Friends" idem), e Maura Tierney como Doctor Abby Lockheart em "E.R.", série que está no meu top e que continuo a seguir (AXN, sextas, 21h30) after all these years.

Arraial do Orgulho Fumador

Não desfilava nem que me pagassem.

Não obstante



Afinal a "Lei do Tabaco" até tem sentido de humor.

(via Ma-schamba)

quarta-feira

Absolutely Cuckoo



Stephin Merritt (The Magnetic Fields) fuma, mas até agora não consta - espero bem que não - que tenha caído no ridículo de chamar "fascistas" (está tudo maluco ou quê?) a quem faz, aprova e aplica leis anti-tabágicas, aqui ou em qualquer parte do mundo. E para que fique bem claro, eu também sou fumadora. Há 12 ou 13 anos, em média 20 cigarros por dia. Sem parar. (glup) Não é motivo de orgulho.

Promo

Nada me dá mais prazer, Ricardo. Aqui tens, com distorção:


The Magnetic Fields, Please Stop Dancing (2008)

Acertaste. Logo à primeira audição (do disco pirateado em mp3) é uma das minhas favoritas. Outras músicas que destaco, para já: Three-Way (a abrir) e The Nun's Litany. Agora é rezar para que Distortion esteja rapidamente disponível nas lojas e correr a comprar. Até porque «o disco é bom como o caraças - e falta espiolhar com detalhe a lírica do mesmo». Tal como dizes.

domingo

Amagansett


Foto de Michael O’Neill

No início do ano que passou, segui o link via João Lopes, no Sound + Vision, para o balanço fotográfico de 2006 pela Vanity Fair on-line. Ele destacou a imagem de Edward Norton. A mim, a que mais me tinha impressionado no portfólio de vários autores foi a que intitulei Kate Dietrich.

Este ano, das 36 fotografias reunidas, escolho uma de Christy Turlington, ex-top model, e dedico-a ao Ricardo Gross, fervoroso adepto da prática de Yoga (e de mulheres belas). Pessoalmente, olho para esta imagem e, tendo em conta a minha condition lombar, sinto logo necessidade de ir tomar um anti-inflamatório.

"Amagansett" bem podia ser o nome desta posição - porque sou um bocado ignorante, soa-me parecido a "Asana", linguagem de posturas. Mas não. É como se chama a localidade/região onde a fotografia foi tirada, no estado de Nova Iorque.

sábado

Lies over the ocean (oh my)



From what I've seen, you're magnificent
You fight evil with all you do
Your every act is spectacular
It makes me lay here and love you

From what I hear, you are generous
You make sunshine and glory too
When you walk in things go luminous
It makes me lay here and love you

From what I know, you're terrified
You have mistrust running through you
Your smile is hiding something hurtful
It makes me lay here and love you

It makes me lay here and love you
I'm filled with violet and red and blue
I've got a feeling from what I do
That you might lay there and love me too


Estou convencida de que esta música pode ser tanto sobre o Amor (parece óbvio) como sobre Deus (atente-se na letra, também parece óbvio quando se pensa nisso) - o que para muito boa gente vai dar ao mesmo. O vídeo dá conta de uma "boa acção" (é assim que o entendo) e do Desejo (de algo puro com uma prostituta - porque não?). Faz tudo parte de um mundo único.


Bonnie Prince Billy, Lay and Love (2006)

Uma das coisas que lamento em 2007 é não ter ido ao concerto de Will Oldham, no Maxime, em Abril. Por outro lado, dadas as circunstâncias (jamais nomeáveis), foi melhor assim. E já passou.

segunda-feira

Let's have bizarre celebrations


Of Montreal, Wraith Pinned To The Mist And Other Games

2007 foi um ano generoso, para mim, apesar de um ou outro contratempo. E também chega ao fim com boas perpectivas para breve. O que realmente me deixa triste, bastante triste, aqui e agora, é que Charming, uma pessoa de quem gosto muito, tenha voado ontem para longe, em permanência. Pelas melhores razões mas... Dublin 1, Sara 0. I miss you already.

Despachemos os brindes mais logo e regressemos à normalidade possível. A partir de amanhã, feliz ano novo para todos.

quarta-feira

Indecisa entre modernismo e frivolidade


Portrait of a Young Woman, 1935
Meredith Frampton (1894-1984)

Frampton said that he made this painting as 'a relaxation from commissions, and to celebrate an assembly of objects... beautiful in their own right'. The sitter was Margaret Austin-Jones, then aged twenty three. Her dress was made up from a Vogue pattern by Frampton's mother. The vase, made in mahogany, was designed by Frampton himself.

O primeiro nome com que o artista assina é feminino. Ok. Quanto ao retrato, está pendurado na parede de um museu que goza de toda a credibilidade e a senhora elegante há-de ser Antepassada de Outrem - com maiúsculas porque, nobre ou não, aparenta pertencer a uma elite. Está virada à esquerda (a mulher, a elite não sei), o que é de louvar, apesar desse lado da face dela se tornar obscurecido. (Ah, de onde virá a luz?) Tem um porte invejável mas ninguém diz que tocava violoncelo ou que escrevia. Talvez se ficasse pela leitura de revistas da moda. (Faz alguma diferença?)

Tudo isto adensa-me a dúvida.

Let's get cynical

Um/a utilizador/a do Google.pt veio parar ao meu blogue à procura de 'mensagens de natal de engate'. Boa sorte.

segunda-feira

Natalidade, uma miragem

De ano para ano, a minha ideia de alugar crianças-figurantes para a ceia de Natal - onde o familiar mais novo à mesa já conta 26 anos - vem ganhando consistência. Podia ser um bebé e dois ou três mais velhos, que corram pela casa, riam e façam barulho. E que gostem de ouvir histórias da carochinha em inglês, caladinhos.

... not a creature was stirring, not even a mouse...

Bright Eyes, The Night Before Christmas

Uma forma profunda da memória (ficções)

É muito difícil escolher um livro (qual, qual?) para alguém que faz dos livros e da literatura a sua ocupação primordial. Um dedicado profissional das letras, a que não falta insight do meio editorial. Assim, decido jogar pelo seguro e "oferecer" ao Bibliotecário de Babel, José Mário Silva, qualquer coisa que lhe seja familiar. Trata-se de uma colecção de textos fantásticos de vários autores que - vê-se logo pelo título - Jorge Luís Borges foi convidado a organizar e a prefaciar (em 1977, data do meu nascimento, que lindo), e a única vez que aceitou fazê-lo, segundo consta. (A selecção e o prólogo dos Contos de Kafka, não conta...?)

Só conheço este volume d'A Biblioteca de Babel, em português, editado este ano pela Presença. Li Papini na minha semana de férias de Verão, aproveitando os dias de praia que o vento da Costa Vicentina teimava em arruinar - e não o esqueci. Suponho que é por isso que lhe chamam "literatura".

(...)Li Papini e esqueci-o. Sem suspeitar, comportei-me do modo mais sagaz; o esquecimento pode muito bem ser uma forma profunda da memória. Seja como for, quero relatar uma experiência pessoal. Agora, ao reler estas páginas tão remotas, descubro nelas, atónito e reconhecido, histórias que julguei inventar e que reelaborei à minha maneira, em outros pontos do espaço e do tempo.(...)Os contos deste livro provêm de uma época em que o homem se reclinava na sua melancolia e nos seus ocasos, mas a melancolia e os ocasos não desapareceram, embora hoje em dia a arte os cubra com diferentes roupagens.

JLB, da introdução.

sábado

Boas festas



Cuidadinho na estrada.

Mensagem de Natal

Liberdade, sonhos e presentes. Para o ano há mais.

quarta-feira

Paris Match



«Carla... Tu e o Sarko?», pergunta Valeria Bruni-Tedeschi à irmã.

Foto do filme 5x2, François Ozon, 2004.

terça-feira

Fracturantes (copywriting)

Antes Gay que Opus Dei.

Fosga-se, violência gratuita



O Samuel Úria está a publicar uma série de "Cartoons que nunca seriam publicados" no Ainda Não Está Escuro.

Máfia Russa (II), ópera de Lisboa

«(...)São todos estes dados importantes para se perceber quão megalómano e gravoso é o disparate de que o acto I está agora exposto na Ajuda. O Hermitage alugou e o Estado Português, através da ministra da Cultura, pagou do orçamento público e do mecenato que para aí canalizou, 1,5 milhões de euros! Isto quando, para além de serem outras as evidentes prioridades das políticas culturais públicas, das políticas para as artes e para os museus, não existem laços, “know-how” ou fundos privados possíveis que fundamentem a viabilidade e interesse de um pólo local do Hermitage.
Quando se parte para tão extravagante projecto no desconhecimento de que a outra parte é um dos mais agressivos actores deste novo “capitalismo global” dos museus, o desastre anuncia-se.(...)»

Augusto M. Seabra, em artecapital.net (com bold meu)

domingo

Crónicas da noite passada (.gif)


Julian Opie, Sara Dancing, sparkly top
clicar nas pernas para ver a animação

Happy Yuppy

Que 2008 nos traga um bom emprego do tempo.
com dedicatória(s)

quinta-feira

Património cultural europeu da humanidade



Não, não pretendo aqui celebrar a assinatura do Tratado de Lisboa, sobre o qual - para quê fingir? - não tenho opinião formada (desculpem lá).

Trata-se de um pequeno episódio que me deixou indignada. (Volta e meia indigno-me, e não é assim tão raro.) Aconteceu num voo da TAP, Londres-Lisboa, há um pouco menos de um mês. Tinha estado a descansar os olhos (vá, dormitava) e quando os abri vi que passava nas televisões minúsculas um filme que imediatamente reconheci: Jour de Fête (Há Festa na Aldeia, 1949). «Que boa ideia!», pensei, e apressei-me a chamar a hospedeira para lhe pedir uns auriculares. Qual não é o meu espanto quando ela me responde: «Não temos.» Como não?! Como é que era suposto ver-se o filme, sem O SOM? Ela explicou, com a maior das naturalidades: «É mudo, não tem diálogos.» E sorriu. Eu não estava a acreditar no que ouvia e ora olhava para ela de boca aberta, ora olhava para as imagens (também de boca aberta), sem saber como fazer valer o meu ponto de vista. Teve tanto azar que segundos depois aparecem legendas no ecrã. «Com que então não há diálogos?! Já para não falar da música!», exclamei, com toda a razão. Ela ficou um bocado atrapalhada e foi buscar um comissário. (É sempre conveniente ter um homem a bordo para lidar com passageiros que reivindicam coisas estranhas.) Ele lamentou a situação, quase solidário com o meu constrangimento, e disse que nunca davam auriculares em voos de curta duração. (Se calhar os assentos do avião nem tinham entradas/saídas de som. Não interessa, a questão é outra.) Eles não tinham culpa, mas eu continuei a refilar: «É um filme do Jacques Tati... Não é nenhum blockbuster, haja respeito!» Lamentaram de novo e disseram-me para preencher o livro de reclamações quando aterrássemos. Desisti, até que agora ressurgiu a vontade de exercitar o meu direito à indignação.

Ao cuidado dos "programadores" da TAP. Pff...

quarta-feira

Pub da idade da pedra

Era um mundo maravilhoso...




... nem os médicos tossiam...




... ski aquático e uns bafinhos...




... do tempo em que valia tudo...



... incluindo pôr desenhos animados a fumar.

terça-feira

Onde está a Maddie?



Last time I heard, na série L-Word (um mau programa de televisão, forçado, ridículo, entediante até).

Showbiz

LinkedIn é um site que serve para construir uma rede de contactos profissionais. Só há pouco tempo ouvi falar desta "comunidade", mas já existe há alguns anos (desde 2003?). É diferente, por exemplo, do MySpace, muito utilizado por bandas que disponibilizam on-line, cada vez mais, músicas e informação sobre concertos, ou do Facebook (rede social) ou ainda daquilo que sempre me pareceu uma idiotice chapada, orientada para adolescentes e para o engate, o Hi5.

Em Novembro de 2007 o LinkedIn contava com cerca de 15 milhões de utilizadores (não é muito). Registei-me por curiosidade. Dá para aldrabar tanto como em qualquer outro sítio da net, mas isso já se sabe. Não se pergunta a idade, a cor dos olhos nem a canção preferida. O essencial são as habilitações "literárias" (uma expressão que sempre me confundiu), instituição de ensino que se frequentou (superior, espera-se), local de formação, experiência profissional passada, ocupação actual e nacionalidade. Dá para pôr uma foto tipo passe. A partir daí o sistema percorre a nossa lista de contactos de email e diz-nos quem também está registado no site. As ligações vão-se fazendo basicamente como nas outras redes, e as pessoas podem fazer "recomendações". O que mais se encontra são CEO's (ou para lá caminham) e consultores de toda a espécie. Supostamente quem torna o LinkedIn um negócio rentável - porque ao fim e ao cabo o que todos queremos e precisamos de fazer é algum dinheirinho - são os head-hunters, porque um utilizador "normal" inscreve-se e é muito provável que rapidamente se esqueça de lá voltar. (Para quem leva aquilo a sério, se a situação profissional se mantiver, não há actualizações a fazer.)

Tudo isto para dizer que vasculhando "legitimamente" listas de contactos alheias, encontrei várias pessoas com quem já me relacionei num âmbito profissional. Uma delas, que sempre considerei divertida e inteligente (das características mais importantes que se podem desejar em colegas de trabalho, para que a rotina seja suportável), apesar de se mover num meio específico com um registo que em geral não aprecio, escreveu o seguinte sumário da sua actividade (o bold é meu):

«(...)We started with 11 000 readers and, in less than a year we climbed to 22 000. After that, I've been asked to coordinate a new magazine for the publisher. Still in pre-production.

I've specialized in newsroom coordination, newspaper and radio conception of new products. After three year learning the "new media" online news tricks, I am now coming back to radio+internet experience, with the only national news radio magazine being broadcasted on syndication.

Concepts, ideas, coordination and a bit of "tabloid" taste, good for the selling process, is my business, apart, of course, news reporting.»

Jeitinho não lhe falta.

segunda-feira

Encore Viggô (rencontre)



De passagem pela livraria da Cinemateca, onde fui assegurar lugar para a sessão de hoje às 22h (Festival Temps D'Images), encontrei nos escaparates Viggo em dose tripla. A primeira foto, em que ele está de fato, é só para compor o ramalhete.

Das três publicações francesas, acabei por comprar a Les Inrocks porque tem uma entrevista conjunta de Mortensen e Cronenberg. (Precipitei-me; descubro agora que o texto está todo on-line...) Dizem algumas coisas interessantes, implicam e brincam um com o outro. Mas o vídeo de 2 minutos, um teaser que encontrei no site da revista, tem mais animação. Está aqui.

domingo

Se este mundo fosse feito para ser doce / eu seria doce fosse eu quem fosse*



Esta fotografia também foi tirada por mim - eu, que raramente fotografo o que quer que seja (pois se nem tenho máquina). É mais um fruto da minha obsessão com a Tate Modern na semana de férias que passei recentemente em Londres. Desta vez, já esgotados todos os ângulos possíveis e imaginários do meu objecto de admiração, decidi registar o reflexo nocturno do edifício no Tamisa. Não estou à espera que ninguém me felicite pela minha sensibilidade estético-artística. É só uma desculpa para voltar a (d)escrever qualquer coisa do que vi.

1) Nesse dia, estava um homem em frente ao museu, que soava tresloucado em cima de um banquinho, berrando aos ouvidos de quem passava: All women... Go back to the kitchen!!! Intercalava estas palavras de ordem com um discurso de que não percebi patavina, porque não me aproximei muito (medo de apanhar com algum perdigoto). Não consegui concluir se era uma performance ou se a criatura estava a tentar expiar algum trauma. De qualquer das formas, achei divertido.

2) E a intervenção de Doris Salcedo ("Shibboleth"), que partiu ao meio o chão da Tate? Literalmente brutal: uma racha nas fundações de betão, a espaços relativamente profunda (também não vale a pena empolar expectativas, interessa mais o carácter simbólico do que espectacular), que vai de uma ponta à outra do Turbine Hall. Como toda a gente, fiquei fascinada com o insólito da instalação. (Até tirei fotografias, mas vou-vos poupar a essas.)

Explica o desdobrável: (...)A shibboleth, according to the Oxford English Dictionary, is 'a word used as a test for detecting people from another district or country by their pronunciation; a word or sound very difficult to foreigners to pronounce correctly.' It is, therefore, a way of separating one people from another. The word refers back to an incident in the Bible. The Book of Judges describes how the Ephraimites, attempting to flee across the river Jordan, were stopped by their enemies, the Gileadites. As their dialect did not include a 'sh' sound, those who could not say the word 'shibboleth' were captured and executed. A shibboleth is a token of power: the power to judge, refuse and kill. What might it mean, however, to refer to such violence in a museum of modern art?(...)

A isto não sei responder. Que o façam críticos, curadores e historiadores de arte. Mas sei que como portuguesa - se há coisa que não falta na nossa língua são 'sh's - a mim não me apanhavam os Gileaditas...

3) Anseio pela hora de rever o filme de Cronenberg, sobretudo a cena memorável de Nikolai, tal como veio ao mundo, bare-handed, a lutar ("viggorosamente") pela sua sobrevivência nos banhos públicos, e em desvantagem numérica contra o inimigo. Concepção e execução extraordinárias da dupla realizador-actor numa coreografia de força, sangue e instinto - embora gostasse de deixar claro que não considero de todo gratuita a violência do filme: está ali o que deve estar, e nem uma garganta degolada a mais (apesar de eu me ter contorcido na cadeira e fechado os olhos várias vezes). A implacabilidade de Viggo Mortensen, aliás, Nikolai, ideal entre ideais para sonhos eróticos, com tatuagens e sem compromissos, numa noite de Inverno.

*Excerto de uma letra dos Quinteto Tati (em "Valsa Quase Antidepressiva"), ao cuidado do Daniel.

sexta-feira

Moral aggrievement*


Nov/2007 (clicar sobre a imagem para aumentar)

Tirei esta fotografia no terraço da(do?) Tate Modern, de onde se vê na City a cúpula de St. Paul's, a Millennium Bridge e a entrada do museu, que assinala a exposição retrospectiva da obra de Louise Bourgeois com uma das suas esculturas de grandes dimensões, até 20 de Janeiro de 2008. Aliás, foi com esta mesma instalação, no átrio interior (um pé-direito que só visto) da antiga fábrica de electricidade, que a galeria inaugurou as suas instalações na margem sul de Londres, no ano 2000. (Esta semana foi entretanto divulgado que será aqui construída uma extensão em vidro concebida pelos arquitectos Herzog & de Meuron, e a concluir até à abertura dos Jogos Olímpicos de 2012, para a qual o erário público inglês irá contribuir com 50 milhões de libras, num orçamento total de 215. Bem bom; quem pode, pode e deve.)

O mais perturbador neste trabalho de Louise Bourgeois - neste em particular mas afinal são-no todos! - é o nome que ela dá à aranha gigante: Maman. Dedico esta imagem à Anna, personagem de Naomi Watts no último grande (muito grande) filme realizado por David Cronenberg, Eastern Promises (2007).

*Fui buscar o título do post ali, ao blogue do Pedro Mexia.

quinta-feira

Máfia Russa

Não estou preocupada, nem sequer incomodada. Apenas um pouco intrigada. De há umas semanas para cá recebo irregularmente toques no telemóvel de um número não identificado, umas vezes a "horas normais", outras vezes anormais (5 da manhã), sendo que nunca dou por estes últimos a não ser no dia seguinte, quando consulto o registo de chamadas perdidas. Toca uma, duas, três vezes no máximo, e depois desliga-se, mesmo quando atendo. Não há respiração ofegante do outro lado, não há risadinhas, nada. Simplesmente a ligação nunca chega a estabelecer-se. Tudo bem. Mantenho o mesmo número desde que comprei o meu primeiro telemóvel, há oito ou nove anos, já o utilizei em trabalho, já perdi a conta às pessoas que o têm, portanto tudo é possível. Entretanto, há uns dias atrás, instalei um telefone fixo em casa, livre de assinatura mensal, com algumas chamadas gratuitas, enfim, resultado das maravilhas que a competitividade no mercado das telecomunicações produz. Ligam-me para casa a minha mãe e o meu pai, e outras entidades por engano (hoje de manhã foi do GOE, juro!). Até que há bocado comecei a receber os toquezinhos também no fixo. "Estou?" - e desligam, num gesto que pressinto automático. Falta de assunto?

terça-feira

Vigorosamente (II)


Eastern Promises, David Cronenberg

Viggo Mortensen é uma obra-prima no papel de Nikolai.

Transmission

Voltando um pouco atrás, escreveu a Susana:

«(...)Se não fosse pela música dos Joy Division, iríamos ver um filme cinzento e angustiante, sobre um homem depressivo, apático, com uma vida cinzenta e monótona?(...)»

O Luís respondeu:

«(...)Er... I would. Tirando a parte dos Joy Division, essa é a descrição de metade dos meus filmes de cabeceira.(...)»

Pela parte que me toca, I would too. Se, por exemplo, o Luís o recomendasse.

A lógica segundo a qual escolho os filmes que vejo no cinema é essencialmente igual à de toda a gente: por um lado, sigo as recomendações de pessoas cujo critério cinematográfico considero de confiança - o de alguns amigos e alguns críticos da imprensa e da blogosfera; por outro, sou levada pela minha curiosidade pessoal, em todo o esplendor da sua banalidade, e às vezes pelas minhas idiossincrasias (nem queiram saber onde isso já me tem levado).

Teria ido ver o filme na mesma e, se não estivesse relacionado com Ian Curtis e os Joy Division, possivelmente até teria gostado do que vi. Mas não fiquei nada comovida, o que me surpreendeu. Outra coisa lamentável é que, em determinados planos, de perfil, o actor Sam Riley me tenha feito lembrar Leonardo DiCaprio. Isto aconteceu-me de verdade e prova inequivocamente que eu não estava a ser "tocada" pelo filme, nem de longe.

Sabemos que Control é baseado no livro que a mulher de Ian Curtis escreveu. A mulher que tinha 18 anos quando ele casou com ela aos 19 (facto registado) e com quem teve uma filha (facto registado). A certa altura ter-se-á apaixonado por outra mulher, uma belga (muito bonita a avaliar pela actriz que a interpreta no filme, e por conseguinte pela percepção de Deborah Curtis) - que se tem mantido discreta aos longos dos anos. Ian Curtis escrevia bem (facto subjectivo mas aparentemente unânime) e era epiléctico (facto registado), depressivo, etc, etc, etc. Suicidou-se aos vinte e poucos anos. Até que ponto Anton Corbijn é fiel ao livro, não sei, porque não tenciono lê-lo. Mas Deborah Curtis é co-produtora do filme, logo... O que me aborrece, tendo em conta que sou sensível à música dos Joy Division, é a tentativa de "repôr alguma verdade afectiva" (entre-aspas porque sou eu que o digo, porque é o que me parece), seja ela benéfica ou prejudicial, à imagem de Ian Curtis, neste caso. Não sei se me faço entender. (Se calhar é óbvio. Se calhar who cares.)

A propósito deste filme já foi referido um outro, Last Days, de Gus Van Sant, inspirado por Kurt Cobain. Também não gostei, à excepção do plano-sequência(?) longo, muito longo, que vai do exterior para o interior da casa, do jardim para a divisão envidraçada, onde o músico está a tocar (se bem me lembro). Não gostei do resto, mas ao menos tudo aquilo é ficcionado!

sexta-feira

A cores


Ian Curtis, 1956-1980. Autor da fotografia desconhecido.

(Porque fiquei desconsolada com o filme de Anton Corbijn, Control, entrava aqui bem uma série "Franjinhas". Logo a seguir vinha Louise Brooks a preto e branco. Se houver algum biopic dela, que não os interpretados pela própria, eu não quero ver.)


Joy Division, Dead Souls

quarta-feira

Céu limpo


Seattle, USA

Sem desfazer na História de Portugal ou na dos grandes conquistadores em geral, ainda nem é meio-dia e já fiz uma grande descoberta hoje, graças a •••nodatta.blogspot.com••• (obrigada pelo link, Carlos!) cujas actualizações musicais para efeitos de download - serviço público e ilegal - tenho acompanhado diariamente com o meu super-google-reader.

Estamos em território vaudevilleano, com alguém no fim a baloiçar-se no lustre da sala, voz, cordas, sopros e teclas como eu gosto. Uma banda completa no cabaret: Kay Kay and his Weathered Underground a tocar Hey Momma'. Bem alto.

terça-feira

Why don't you shut up

Acho que Gordon Brown está com receio de vir a Lisboa, ouvir Mugabe e perder as britânicas estribeiras.

Vigorosamente



«I have been a waitress, and I was a damn fine waitress too, let me tell you.» - Jessica Lange, em entrevista, Abril de 2006.

Em cima, stills do tórrido The Postman Always Rings Twice, filme de 1981 (damn fine!) em que contracena com Jack Nicholson.

«The film is most famous for the love scene on a kitchen table which was so intense that many believed that Lange and Nicholson were really having sex on screen. However, this was vigorously denied by all involved.» - da Wikipedia, claro.

segunda-feira

Uma-thurmanish



Em bom rigor, não foi por causa da actriz Sarah Polley (na foto) - também realizadora - nem por Wim Wenders que fui ao cinema ver Don't Come Knocking (ele e o Sam Shepard que me perdoem), embora Polley tenha qualquer coisa... E alguém que tenha visto o filme (já) com dez anos The Sweet Hereafter, de Atom Egoyan, não se esquece dela. Tão pouco a minha ida ao Monumental num sábado à noite se deveu à presença de Gabriel Mann (lindo, sobretudo na performance de bar, quando interpreta uma bela canção) no elenco. A única coisa que eu sabia é que ia ver Jessica Lange, de quem tinha saudades. Para mim, continua "uma mulheraça". Absolutamente extraordinária, sempre.

(Perguntaram-me se valia a pena ver o filme. Enfim, tem o Tim Roth como investigador neo-nerd, tem a fotografia inspirada pela luz e ambientes Edward Hopper e o cenário western. Nice mas não é nenhum Paris, Texas.)

sexta-feira

Solo


Yves Klein, Saut dans le vide, Paris, 1960
Foto(montagem) de Harry Shunk

Não me canso dos 'clássicos'.

Let's face it

(...)
Accusing all modern art of being left-wing probably doesn’t get us very far. What might be more useful is to ask whether there is a dominant consensus when it comes to political attitudes in modern art today. Is art good at presenting alternative perspectives and shaking our worldviews, or does much of it congratulate us on our prejudices?
(...)
Although the political compass is changing, so-called radical artists usually stick to what’s comfortable. It’s very easy to be anti-Bush these days, but try being anti-recycling.
(...)
As many critics would accept, it’s a tough challenge to bring politics into art without losing some subtlety. It is a very rare thing for artists to hit the right political note without their work looking like a simplistic didactic message.
(...)
Which is why it is hard not to feel a sense of relief when fine artists today avoid bringing politics into their work, especially when you know how bad their politics can be. Thank god for a bit of apolitical postmodernism, one might say.(...)


Excertos de um artigo intitulado Is modern art a left-wing conspiracy? (via Arts & Letters Daily)

Da prática

Letra de Forma: crítica e opinião de Augusto M. Seabra, a partir de agora em forma de blogue.

quinta-feira

Da abstracção



Criação: à esquerda, Adam (1951-2), à direita, Eve (1950), embora não tenha registado se é assim que estão dispostas as duas telas (a primeira de dimensões maiores do que a segunda) de Barnett Newman, na Tate Modern. Como eu gostei de olhar para elas. Até mais do que para as de Rothko, resguardadas numa sala própria, com luz insuficiente, pareceu-me (excesso de zelo do museu?).

Deixei-me absorver pela cor.

Do sono

Encontrei agora mesmo uma música, kind of soothing, mp3 que estava a monte no meu computador. É de uma das minhas bandas preferidas e faz parte do álbum "See You On The Moon! Songs For Kids Of All Ages", vários artistas, de 2006.


Hot Chip, I Can't Wake Up

(para o neto cuja avó não voltou a acordar)

terça-feira

Como é que fazem os Lobos?




Norberto Lobo, Mudar de Bina (Bor Land, 2007)

O rapaz (geração de 80) compõe música e toca guitarra maravilhosamente (sem qualquer parentesco com os "virtuosos" enervantes - já se vê que não os aprecio muito). Quando na pele de Norman, com o irmão Manuel Lobo e João Lobo, Norberto dá-lhe no rock experimental (como dizem os entendidos), em todo o seu esplendor. A solo e ao vivo, o Nor(berto) é encantador. O último concerto dele a que assisti, no palco do Maxime, com um galo de barcelos bordado a lantejoulas na cortina em fundo (e sobretudo Paredes), foi um primor de "portugalidade" e educação musical (e sentimental, porque não).

[O final da ronda nacional de apresentações a solo será na ZDB, em Lisboa, dia 8 de Dezembro. Ainda sobre este Lobo em particular, ver clipping exemplar, post atrás de post, no blogue do Daniel.]

O disco Mudar de Bina, com o quadro de João Abel Manta, é lindo por dentro e por fora. Esquece o Queijo da Serra, o bacalhau e os pastéis de nata, digo eu com os meus botões. (Mas não esqueças o volume de SG Ventil.) Neste momento não me ocorre melhor presente para levar na mala do que este disco.

London calling, be right back.

Chapter 1... doesn't go into detail



Por causa do vídeo que estava há uns dias n'A Causa Foi Floreada (atenção ao link novo), tenho passado horas no Youtube a ver tudo o que apanho do Ricky Gervais. Este excerto é do espectáculo "Animals" (2003), a partir (d)o Livro do Génesis.

E Deus criou as correntes blogosféricas

Olá, Miguel. 5ª frase completa da página 161 do livro que estiver mais à mão? Olha que sorte, tenho aqui um que preenche todos os requisitos: ao meu alcance (esperemos que também intelectualmente, oh my god, que ainda só vou no início) e com pelo menos 161 páginas.

If only, as a young man, Jack's way of expressing himself had been a tad sprightlier...

- perdão? -

...a tad sprightlier, a shade more people-friendly (if one could have imagined, even abstractly, the possibility of having a beer with him), he too might have been a public person in the manner of Monty Kipps, or like Jack's own late father, a senator from Massachusetts, or like his brother, a judge.

Aleatório por aleatório, e se fosse da página 261?

This was a strange question to ask in front of everybody.

A-ah! Página 361?

He blew a large smoke ring into the air and then another one that fit into that.

O livro acaba às 443. Ohh...



Passo a bola a quem me ofereceu este belo objecto da Penguin Books na semana passada (obrigada), um rapaz que está a viajar e que não tem blogue. We'll always have email.

(para o Mig Mag)

De sigano a cicrano

Olá, Samuel. Se alguma vez leres a 3ª edição de "A Mancha Humana" (Philip Roth) lançada pela Dom Quixote, não te surpreendas ao chegar à página 229 e...

Não sou capaz de ir e ver lá o nome de Fulano e Cicrano. Não, nem pensar. Não sou capaz.

Sicrano! Estas coisas deixam mancha, quer dizer, marca.

domingo




SOY UN CABALLO (com Bonnie Prince Billy), Passer des jours

terça-feira

Gestão do quotidiano

«Agora vamos ouvir o tema X da banda Y, a seguir as notícias, o programa de Z, e depois logo se vê.»

(esta manhã em 102.6 fm)

segunda-feira

Devagarinho


TORTOISE, i set my face to the hillside, ao vivo em Bruxelas, 2002

[A propósito do concerto em Lisboa (também vão tocar no Porto) de The Sea and Cake, projecto paralelo de John McEntire (Tortoise), dia 27 de Outubro, na Galeria Zé dos Bois... Há quem jure que o nome de uma das minhas bandas preferidas, de Chicago, se pronuncia à francesa - Tôrrtuahze - mas eis que surge a prova que desmente semelhante palermice pseudo-intelectual. Para que não restem dúvidas, é ouvir os primeiros segundos deste profile, narrado pelo próprio John McEntire.]

Como diz um user do YouTube, «Tortoise make me feel cooler than I really am».

sábado

Língua-fetiche

Darling and Charming went for a walk. Then she offered him a drink; they kissed.

(to be continued)

terça-feira

passa tempo

VIDRO DUPLO

VIL PUDOR ©

DR IPOD LOV U

LOUVOR DID P

DILDO OU RPV

PROL DUVIDO

domingo

Chinatown Dell'Arte



actualidade(s)

quarta-feira

Público

(...)Um momento "prenúncio de morte"? Não, que disparate: desde que se nasce que tudo é prenúncio de morte.(...)

quinta-feira

Inside-out



Umas vezes os textos lembram textos, outras vezes as imagens lembram imagens. O post Op' de 01-Jul-2007 fez-me lembrar esta foto de um vestido numa montra de Manhattan, que tirei em Out/2003 e que segue em anexo. (jj.amarante)

Certezas existenciais

A Sara Pais que se encontra aqui não sou eu. E aqui idem.

terça-feira

Não há condições

Il n'y a plus de déserts. Il n'y a plus d'îles. Le besoin pourtant s'en fait sentir. Pour comprendre le monde, il faut parfois se détourner; pour mieux servir les hommes, les tenir un moment à distance. Mais où trouver la solitude nécessaire à la force, la longue respiration où l'esprit se rassemble et le courage se mesure? Il reste les grandes villes. Simplement, il y faut encore des conditions.

São as primeiras linhas de L'été (edição da Gallimard a 2€), uma colecção de textos de Camus, comprada no Verão passado e que ficou por ler. Também não vai ser para já, porque ainda não acabei com o Roth - my problem, not his. E passe o excerto em francês.

Encadeada pel'A Divina Desordem... (re)Li recentemente algumas páginas de On Photography, de Susan Sontag, Gilgamesh, numa versão de Pedro Tamen, e um ensaio de Peter Sloterdijk (em português, que em alemão não íamos lá nem com uma lupa) incluído em O Estado do Mundo. Assim se faz uma lista (pouco aldrabada) de cinco livros, meio lidos, meio relidos, aos zigue-zagues. Não tenho condição para mais do que isto.

Passamos a bolinha ao Luís, à Susana, ao Francisco, ao Daniel e à Batukada, mas todas as desculpas são boas para não a apanharem.

domingo

Op'

quinta-feira

Medicação recomendada


Justice, "D.A.N.C.E."

Casal de depressivos

- E se for menina, como é que lhe vão chamar...?
- (a duas vozes) Neura.

sábado

Narcóticos



Os "Super-Rocks", e os festivais de música em geral, são cansativos, a multidão empurra-nos, aperta-nos, entorna-nos cerveja por cima, grita ao nosso lado. Mas de vez em quando tem de ser, e nada me move mais do que a antecipação de bons concertos. Como não aguento três dias daquilo, opto por Interpol (até que enfim em Portugal!), dia 5 de Julho. Como bónus nada despiciendo, TV on the Radio e The Gossip, entre outros, na mesma noite. (No vídeo, Interpol a tocar ao vivo "Narc".)

Allegretto

Uma das últimas apresentações da Orquestra Gulbenkian a que assisti, em final de "temporada", foi dirigida pela Maestrina Joana Carneiro. Não sou habituée de concertos de música clássica e nunca tinha visto uma Mulher-Maestro em acção. Fiquei fascinada. (Diz que estava também em palco um violoncelista virtuoso, convidado como solista, pormenor que me passou ao lado... Só tive olhos para ela.) O repertório era bom (semanas antes vi um concerto em que "Suite de Il gattopardo" de Nino Rota fazia parte do programa), como suponho que serão todos. Mas o que me impressionou foi o equilíbrio entre força e graciosidade, gestos largos peculiares, a elegância, a simplicidade, e a leveza extraordinária da Maestrina - para o que contribuía a sua figura esguia, vestida de comprido, de escuro, discreta, sapatos rasos - com os pés bem assentes no chão. Parecia uma bailarina. A minha comoção atingiu o máximo durante o segundo andamento da Sinfonia Nº 7, de Ludwig van (designação "kubrickiana"). Quando cheguei a casa fui procurar a minha colecção das 9 Sinfonias de Beethoven, num cantinho da estante com pó. Pus a tocar a mesma composição, mas pela Berliner Philharmoniker, dirigida por Herbert von Karajan. Não me soou a mesma. Qualquer dia começo a perceber destas coisas.

(Passe a publicidade, dia 30 de Junho e 1 de Julho, sábado e domingo, às 20h e às 21h30, respectivamente, a Maestrina Joana Carneiro vai dirigir a Orquestra Gulbenkian no anfiteatro ao ar livre da Fundação Calouste Gulbenkian. Se não chover, claro. Buuu...)

Soft-feelings

Irrito-me, zango-me, arregalo os olhos e excedo os limites recomendados de assertividade. Contudo, nunca guardo ressentimento: ocupa muito espaço.

Ken

Would you believe that Barbie's boyfriend's name means (1) vision, foresight, knowledge - or (2) a house where unsavory characters gather (British criminal argot)?

in Maravilhas de www.yourdictionary.com

E se de repente um (des)conhecido te deixar K.O.?

- ...
- Como é que se chama o teu blogue?
- Hum... Vidro Duplo.
- Ah, ok.
- É uma coisa incipiente.
- Comparado com o quê? Dostoievski?

Com simpatia, arrumou-me. Nice to meet you!

Post atrás de post

Tudo o que você sempre quis saber sobre B.B., o Daniel conta.

domingo

Rapazes bestiais



Tu vais ao concerto de hoje; eu vou ao de amanhã ("A Gala Event – Exclusive Instrumental Show", Beastie Boys na Aula Magna). Beijos.

sábado

Ontem deitei-me assim...

Each day drags by until finally night time descends / on me

... a cantar o que tinha ouvido umas horas antes numa adaptação a seis vozes, em Winch Only: um espectáculo de teatro em inglês, francês e alemão (legendado), que entre outras coisas - divertido e "exigente", com texto denso, cenário de luxo e óptimos actores - é muito musical, repleto de árias, Mireille Mathieu (uma obsessão) e ainda um tema pop-rock melancólico que permanece no (sub)consciente, original de uma banda "oldie". I go to sleep...

sexta-feira

Toque artificial

É natural, naturalíssimo, e muito escuro. Não pinto o cabelo há anos e poucas vezes na vida o fiz. «Põe algum químico?», perguntou-me o cabeleireiro enquanto observava a reacção no espelho - um esgar de horror - e se preparava para pegar na tesoura. «É que parece cabelo de boneca...», disse por fim a tentar disfarçar o embaraço. Eu sorri. Depois fez-me um corte geométrico, de grande precisão, como no Japão. E calou-se.

quarta-feira

Apocrypha

Polaris

Divinas expedições.

sexta-feira

domingo

Clássicos contemporâneos

Comprei umas sandálias de verniz vermelho e um livro de Philip Roth (novidade cá em casa), para alternar com Balzac nas próximas semanas. Este será o primeiro (e possivelmente o último) post da série "A mulher de quase trinta anos".

Optimismo de wikipedia

En 1830, à trente ans, une femme est mariée, a eu ses enfants, a perdu la fraîcheur de ses vingt ans, sa vie est presque finie; actuellement, à trente ans, une femme se marie, commence à faire ses enfants, sa carrière commence à tenir ses promesses: la vie s'ouvre devant elle.

terça-feira

Eu tenho dois amores

O meu blogue sabe do outro desde o início. Sabe que o caso é sério e que pode durar meses. O meu blogue tem uma pontinha de ciúmes.

posted by EdM

domingo

Um lindo fato de banho de duas peças

"Hipótese: o cinema é uma vigarice (Godard) que pode ser superada." - João César Monteiro


Luís Miguel Cintra como Lívio em Quem espera por sapatos de defunto morre descalço, 1970

(...)No ano seguinte, estimulado por algumas boas vontades (saudades), resolvi repegar no projecto «Quem espera por sapatos de defunto morre descalço», cujas filmagens se arrastaram ao longo de dois anos. Numa altura em que eu já deitava o filme pelos olhos, a Fundação Gulbenkian concedeu-me (obrigadinho) um subsídio de $$$$$$$$$$$$$$$$... 180 contos, divididos em 3 prestações. Aqui, tive a tentação de dar uma volta. Pedi ao Vasconcelos para filmar dois planos que faltavam ainda ao filme, e fui. Itália e a inevitável Paris. Esgotada a finança, voltei para acabar o filme, receber a última prestação e partir outra vez, ora de comboio, ora à boleia, consoante a inspiração: Barcelona, Marselha, Florença, Milão, Como, Cernobbio, Paris.

Entretanto, o filme começou por ser relativamente mal recebido junto do Mecenas (quereriam ópera por 180 contos?), continuou, pateado num festival no Sul de Espanha e foi friamente acolhido pelos críticos presentes em Nice, aquando da chamada Semaine du Jeune Cinéma Portugais. Foi pena, porque me teria dado jeito, sobretudo no que toca à fruição de algumas benesses locais, mas já que não pôde ser, paciência! Tirando isso, aproveitei a estadia niceoise para comprar um lindo fato de banho de duas peças com a nota de 100 francos que o João Bénard me emprestou(...)

J.C. Monteiro, daqui.

Time



As I walked out one evening,
Walking down Bristol Street,
The crowds upon the pavement
Were fields of harvest wheat.

And down by the brimming river
I heard a lover sing
Under an arch of the railway:
«Love has no ending.

I'll love you, dear, I'll love you
Till China and Africa meet,
And the river jumps over the mountain
And the salmon sing in the street.

I'll love you till the ocean
Is folded and hung up to dry
And the seven stars go squawking
Like geese about the sky.

The years shall run like rabbits,
For in my arms I hold
The Flower of the Ages,
And the first love of the world.»

But all the clocks in the city
Began to whirr and chime:
«O let not Time deceive you,
You cannot conquer Time.

In the burrows of the Nightmare
Where Justice naked is,
Time watches from the shadow
And coughs when you would kiss.

In headaches and in worry
Vaguely life leaks away,
And Time will have his fancy
To-morrow or to-day.

Into many a green valley
Drifts the appalling snow;
Time breaks the threaded dances
And the diver's brilliant bow.

O plunge your hands in water,
Plunge them in up to the wrist;
Stare, stare in the basin
And wonder what you've missed.

The glacier knocks in the cupboard,
The desert sighs in the bed,
And the crack in the tea-cup opens
A lane to the land of the dead.

Where the beggars raffle the banknotes
And the Giant is enchanting to Jack,
And the Lily-white Boy is a Roarer,
And Jill goes down on her back.

O look, look in the mirror,
O look in your distress:
Life remains a blessing
Although you cannot bless.

O stand, stand at the window
As the tears scald and start;
You shall love your crooked neighbour
With your crooked heart.»

It was late, late in the evening,
The lovers they were gone;
The clocks had ceased their chiming,
And the deep river ran on.


W. H. Auden, 1940

terça-feira

Sujeitos poéticos

Não fazemos o que queremos; fazemos o que podemos.

Hoje à noite fui ao cinema.



Daft Punks' Electroma, um poema sem palavras... uma experiência cinematográfica... um filme (secção Laboratório), da dupla de música electrónica Guy-Manuel de Homem-Christo (uau) e Thomas Bangalter. (Têm todo o ar de ser amigos de Vincent Gallo.) Electroma não tem música dos Daft Punk. Tem Brian Eno e outros que não identifico. Passou no Indielisboa, anfiteatro do cinema São Jorge, sem legendas, porque não tem diálogos. Tela enorme. Dois robots que querem ser humanos - não posso contar o fim. 4 estrelas. Volta a passar na próxima quinta-feira, às 21h30, sala 3 do São Jorge.



A seguir à projecção, vi Hal Hartley na varanda.

sábado

Uma questão de fontes

"...it isn't only what is being said, but how these messages are being delivered. Typography is not simply a frou-frou debate over aesthetics orchestrated by a hidden coterie of graphic-design nerds."

Via Arts & Letters Daily, fiquei a par do 50º aniversário da... Helvetica. O MoMA comemora o acontecimento com uma exposição, de Abril 2007 até Março 2008.



Serifs são as pequenas hastes que ficam penduradas nas extremidades das letras, como no título e corpo de texto do meu blogue. Diz-se que as fontes com esta característica tipográfica facilitam a leitura, "pois as serifas tendem a guiar o olhar através do texto. O ser humano lê palavras ao invés de letras individuais, assim as letras serifadas parecem juntar-se devido aos seus prolongamentos, unindo as palavras. Por outro lado, as fontes sem-serifa costumam ser usadas em títulos e chamadas, pois valorizam cada palavra individualmente e tendem a ter maior peso e presença para os olhos, já que parecem mais limpas." - WIKIPEDIA

Só um mau texto é que nem com "serifas" se salva.

Entretanto, este mês também faz 30 anos (tal como eu em Maio próximo) que o GUARDIAN, por ocasião do Dia das Mentiras, fez muito boa gente acreditar que existiria uma "ilha-nação" chamada San Serriffe, colonizada por espanhóis e portugueses, cuja capital "actualmente" seria Bodoni.

(...)GOVERNMENT: For many years following independence in 1967, San Serriffe had an autocratic form of government under military strongman General Pica. However, democratic elections were held in 1997. The winner was the charismatic Antonio Bourgeois.

CULTURE: Among the cultural highlights of life in San Serriffe are:
- The Cult of the Sonorous Enigma
- The Festival of the Well-Made Play
- The Ampersand String Quartet

The relaxation of the islands' strict anti-pornography laws under the Bourgeois government has led to the publication of a series of risqué novels by Serriffean journalists, collectively referred to as the "Times Nude Romances".(...)


Como dizem os anglo-saxónicos, I rest my case.

segunda-feira

Prova dos 9


(gostar de Kate "Ossuda" Moss)

sábado

Fujiya & Miyagi

Uma banda com este nome só podia ser de Brighton... »»»»»»»» Ali à direita pode-se ouvir "Collarbone". Como é que eu poderia não simpatizar com um trio inglês (gira-discos de marca Fujiya + personagem do filme "The Karate Kid" = soa japonês) que toca uma música chamada "Clavícula"? E que dizer do disco "Transparent Things"? Nabokov não se deve ter importado que lhe roubassem o título de um dos seus livros:

In matters of art, 'avant garde' means little more than conforming to some daring philistine fashion, so, when the curtain opened, Hugh was not surprised to be regaled with the sight of a naked hermit sitting on a cracked toilet in the middle of an empty stage. »»»»»»»» I gotta read this.

Lolita complex / Trumpet girl



Andava à procura de vídeos do Momus e encontrei esta gata asiática. Não sei se ele terá escrito a música "Good Morning World" (1995?) de propósito para ela. Seja como for, Kahimi Karie tem, ou já teve, bastante sucesso em Tóquio, no estilo Shibuya (cf. Cibo Matto e Pizzicato Five). Eu hoje ia comprando o Chiado inteiro (e arredores). Estava com uma paciência extraordinária para experimentar roupa e sapatos. Mas estou a desviar-me do assunto central: Momus (que também bloga) é um grande entendido em Orientalismo e pela-se pelo Outro (private joke).

What we see is what we get

(...)if you post a vlog of yourself, there'll always be a couple of comments saying that you "love the sound of your own voice", that you're Narcissus himself, showing off. In short, you're nude, or a flasher. Now, I don't disagree with these comments - I've been brought up in this culture too, I internalize its values. But while I agree that showing yourself too much or too proudly can be a sin and a vice, it's a vice to which I personally feel very indulgent, very lenient. It's an important vice, a virtuous one.(...)I personally really want to know what someone looks like. I'm a big fan of situatedness and embodiment. We are not just brains in jars, we're humans in bodies, with faces and histories and accents. Culture is not a neutral stream of abstractions. But when text is king, we're tempted to think of it that way. Text is so utterly useless at conveying what someone's like in person, where they're coming from, how they fish around for ideas, how intelligent or attractive or confident they are. Our culture has only had video for a few decades, and is only now seeing a widespread publishing platform for "the people's video" in the form of the internet and vlogs. So I think we're going to have to recalibrate our ideas of what it's decent and indecent to show.(...) - Momus' Click opera

Uma espécie de intervenção cívica #1

Put some makeup on your face
Make this world a better place

Uma espécie de intervenção cívica #2



David Lynch faz análise exemplar da prática de "Product Placement", e eu ainda nem vi o novo filme dele.

domingo



What a beautiful face
I have found in this place
That is circling all round the sun
And when we meet on a cloud
I'll be laughing out loud
I'll be laughing with everyone I see
Can't believe how strange it is to be anything at all.


(Neutral Milk Hotel, "In an aeroplane over the sea")