sexta-feira

And now, ladies and gentlemen, here's Grace


Arabesque, portrait by Jean-Paul Goude, 1978

Tenham medo, tenham muito medo. Ouvi o Pedro Ramos na Radar a dizer que Grace Jones - «a mãe de todos nós», segundo o próprio - vai lançar este ano um disco novo. Suspeito que o radialista e eu partilhamos o mesmo fascínio pelo bicho, que se julgava adormecido, nascido na Jamaica, em 1948. Ao que tudo indica, o álbum chamar-se-á Corporate Cannibal.

E um grande single de 1985:


Grace Jones, Slave to the rhythm

A quantas andas

Eu andava a pé depressa, atrasada para um jantar. Aproximava-me a passos largos do que, visto por trás, me parecia uma alma penada, uma criatura perdida no tempo. Arrastava-se pelo passeio, vestia umas calças de ganga largas, descoloradas, gastas, desfiadas. E uma camisola escura com o capuz a tapar-lhe a cabeça. Não percebi se seria homem ou mulher. Talvez nem uma coisa nem outra. Quando fiz a ultrapassagem, esforcei-me para não ceder à tentação de virar a cabeça e descobrir-lhe o desenho do rosto. Continuei a andar. Mas logo depois ouvi-lhe a voz trémula: «Desculpe, que horas são?» - abrandei e respondi que não tinha relógio. Era verdade; não uso nada nos pulsos, embora soubesse que eram quase nove da noite. Sem idade, sem feições, insistiu: «Assim mais ou menos, que horas são?».

Natureza viva-morta

O cão saltou e engoliu a borboleta.

quinta-feira

Americana


Eadweard Muybridge, c.1868

Pertence à galeria dos grandes excêntricos barbudos do século XIX (irresistíveis). Vi ontem na Culturgest um filme-ensaio sobre o trabalho dele (não resisti) - e por causa da coincidência, acho que é seguro afirmar-se que esta fotografia foi tirada em Yosemite.

Muybridge nasceu em Inglaterra. Em 1852 foi para os Estados Unidos e acabou por se tornar mais conhecido pela invenção da Zoopraxography, ou ciência da locomoção animal. Mas no início era a paisagem.

terça-feira

SMS

Save My Soul

Remisturas de uma norueguesa




Alan Vega, Jukebox babe

Le Tigre, ESG e este Elvis Presley pós-moderno (ena pá), entre outros, num disco de 2005. Longa vida à electrónica.

iPodified

Não me separo do meu iPod Nano desde que o recebi pelo Natal. Já lá vão umas semanas. Em casa ligo-o às colunas, no carro ao rádio, no trabalho... trabalho. Na(s) minha(s) malinha(s) mantenho um compartimento só para ele, para poder protegê-lo de agressões, na medida do possível, para tê-lo sempre por perto, mesmo quando não o utilizo. No entanto, a bem da minha sanidade mental, cheguei à conclusão de que não posso usar aqueles conspícuos (embora de óptima qualidade) headphones brancos, quando ando a pé. Acho que há mais de dez anos que não experimentava a sensação de percorrer as ruas alheada do ruído urbano e de todas as ameaças respectivas. Pois desenvolvi uma verdadeira paranóia, tal é o medo de que me assaltem e me levem o naninho, fonte de grande prazer auditivo e táctil (tenho uma vida muito desinteressante). Este domingo à tarde, quando saía da estação de metro do Saldanha, tive (mais) uma alucinação. Senti alguém aproximar-se por trás, "pssst", alguém com uma faca, prestes a encostá-la ao meu pescoço e a dizer "passa para cá o dispositivo móvel, mesmo que não haja aí música de jeito". Que susto preguei a mim própria. Que sobressalto. Ridículo. Ainda bem que não se via vivalma num raio de 50 metros.

sábado

Promo (com dedicatória)




Cat Power, "Song to Bobby"

Start spreading the news... O novo álbum de versões (Frank Sinatra, Billie Holiday, James Brown, etc.) de Cat Power sai na próxima semana, a 22 de Janeiro. Deixo aqui o único tema que ela escreveu para este disco, ou melhor, um original para Bob Dylan.

sexta-feira

Isto não é um telefilme*

Assistimos ontem a um grande espectáculo de roque-enrole no Music Box, ao Cais do Sodré (o Daniel e a Joaninha não me deixam mentir): na primeira parte, Tiago Guillul - um verdadeiro animal de palco, com gravata a condizer - e sus muchachos, incluindo o Samuel, cheio de sentido de movimento, e o Miguel, excelente no acordeão. Na segunda parte, os Pontos Negros. Destes últimos o mais velho tem 21 anos e tudo para ser uma rock star. Meu Deus.

*Excerto de um refrão do Tiago, que à saída se colocou atrás do balcão a vender discos a 1 €uro. No entanto, fui contemplada com a oferta de um pacote Flor Caveira. (Já o Zé Pedro dos Xutos teve de pagar...) Gostei muito, obrigada.

quarta-feira

Empurra aí

Qualquer coisa que relativize o post anterior. Na televisão é que elas estão bem.

domingo

Separadas à nascença



Jennifer Anniston, a quem nunca achei muita graça (e à série "Friends" idem), e Maura Tierney como Doctor Abby Lockheart em "E.R.", série que está no meu top e que continuo a seguir (AXN, sextas, 21h30) after all these years.

Arraial do Orgulho Fumador

Não desfilava nem que me pagassem.

Não obstante



Afinal a "Lei do Tabaco" até tem sentido de humor.

(via Ma-schamba)

quarta-feira

Absolutely Cuckoo



Stephin Merritt (The Magnetic Fields) fuma, mas até agora não consta - espero bem que não - que tenha caído no ridículo de chamar "fascistas" (está tudo maluco ou quê?) a quem faz, aprova e aplica leis anti-tabágicas, aqui ou em qualquer parte do mundo. E para que fique bem claro, eu também sou fumadora. Há 12 ou 13 anos, em média 20 cigarros por dia. Sem parar. (glup) Não é motivo de orgulho.

Promo

Nada me dá mais prazer, Ricardo. Aqui tens, com distorção:


The Magnetic Fields, Please Stop Dancing (2008)

Acertaste. Logo à primeira audição (do disco pirateado em mp3) é uma das minhas favoritas. Outras músicas que destaco, para já: Three-Way (a abrir) e The Nun's Litany. Agora é rezar para que Distortion esteja rapidamente disponível nas lojas e correr a comprar. Até porque «o disco é bom como o caraças - e falta espiolhar com detalhe a lírica do mesmo». Tal como dizes.

domingo

Amagansett


Foto de Michael O’Neill

No início do ano que passou, segui o link via João Lopes, no Sound + Vision, para o balanço fotográfico de 2006 pela Vanity Fair on-line. Ele destacou a imagem de Edward Norton. A mim, a que mais me tinha impressionado no portfólio de vários autores foi a que intitulei Kate Dietrich.

Este ano, das 36 fotografias reunidas, escolho uma de Christy Turlington, ex-top model, e dedico-a ao Ricardo Gross, fervoroso adepto da prática de Yoga (e de mulheres belas). Pessoalmente, olho para esta imagem e, tendo em conta a minha condition lombar, sinto logo necessidade de ir tomar um anti-inflamatório.

"Amagansett" bem podia ser o nome desta posição - porque sou um bocado ignorante, soa-me parecido a "Asana", linguagem de posturas. Mas não. É como se chama a localidade/região onde a fotografia foi tirada, no estado de Nova Iorque.

sábado

Lies over the ocean (oh my)



From what I've seen, you're magnificent
You fight evil with all you do
Your every act is spectacular
It makes me lay here and love you

From what I hear, you are generous
You make sunshine and glory too
When you walk in things go luminous
It makes me lay here and love you

From what I know, you're terrified
You have mistrust running through you
Your smile is hiding something hurtful
It makes me lay here and love you

It makes me lay here and love you
I'm filled with violet and red and blue
I've got a feeling from what I do
That you might lay there and love me too


Estou convencida de que esta música pode ser tanto sobre o Amor (parece óbvio) como sobre Deus (atente-se na letra, também parece óbvio quando se pensa nisso) - o que para muito boa gente vai dar ao mesmo. O vídeo dá conta de uma "boa acção" (é assim que o entendo) e do Desejo (de algo puro com uma prostituta - porque não?). Faz tudo parte de um mundo único.


Bonnie Prince Billy, Lay and Love (2006)

Uma das coisas que lamento em 2007 é não ter ido ao concerto de Will Oldham, no Maxime, em Abril. Por outro lado, dadas as circunstâncias (jamais nomeáveis), foi melhor assim. E já passou.

segunda-feira

Let's have bizarre celebrations


Of Montreal, Wraith Pinned To The Mist And Other Games

2007 foi um ano generoso, para mim, apesar de um ou outro contratempo. E também chega ao fim com boas perpectivas para breve. O que realmente me deixa triste, bastante triste, aqui e agora, é que Charming, uma pessoa de quem gosto muito, tenha voado ontem para longe, em permanência. Pelas melhores razões mas... Dublin 1, Sara 0. I miss you already.

Despachemos os brindes mais logo e regressemos à normalidade possível. A partir de amanhã, feliz ano novo para todos.

quarta-feira

Indecisa entre modernismo e frivolidade


Portrait of a Young Woman, 1935
Meredith Frampton (1894-1984)

Frampton said that he made this painting as 'a relaxation from commissions, and to celebrate an assembly of objects... beautiful in their own right'. The sitter was Margaret Austin-Jones, then aged twenty three. Her dress was made up from a Vogue pattern by Frampton's mother. The vase, made in mahogany, was designed by Frampton himself.

O primeiro nome com que o artista assina é feminino. Ok. Quanto ao retrato, está pendurado na parede de um museu que goza de toda a credibilidade e a senhora elegante há-de ser Antepassada de Outrem - com maiúsculas porque, nobre ou não, aparenta pertencer a uma elite. Está virada à esquerda (a mulher, a elite não sei), o que é de louvar, apesar desse lado da face dela se tornar obscurecido. (Ah, de onde virá a luz?) Tem um porte invejável mas ninguém diz que tocava violoncelo ou que escrevia. Talvez se ficasse pela leitura de revistas da moda. (Faz alguma diferença?)

Tudo isto adensa-me a dúvida.

Let's get cynical

Um/a utilizador/a do Google.pt veio parar ao meu blogue à procura de 'mensagens de natal de engate'. Boa sorte.