domingo
Não obstante

Afinal a "Lei do Tabaco" até tem sentido de humor.
(via Ma-schamba)
posted by sara at 17:40
quarta-feira
Absolutely Cuckoo

Stephin Merritt (The Magnetic Fields) fuma, mas até agora não consta - espero bem que não - que tenha caído no ridículo de chamar "fascistas" (está tudo maluco ou quê?) a quem faz, aprova e aplica leis anti-tabágicas, aqui ou em qualquer parte do mundo. E para que fique bem claro, eu também sou fumadora. Há 12 ou 13 anos, em média 20 cigarros por dia. Sem parar. (glup) Não é motivo de orgulho.
posted by sara at 23:55
Promo
Nada me dá mais prazer, Ricardo. Aqui tens, com distorção:
The Magnetic Fields, Please Stop Dancing (2008)
Acertaste. Logo à primeira audição (do disco pirateado em mp3) é uma das minhas favoritas. Outras músicas que destaco, para já: Three-Way (a abrir) e The Nun's Litany. Agora é rezar para que Distortion esteja rapidamente disponível nas lojas e correr a comprar. Até porque «o disco é bom como o caraças - e falta espiolhar com detalhe a lírica do mesmo». Tal como dizes.
posted by sara at 23:37
domingo
Amagansett

Foto de Michael O’Neill
No início do ano que passou, segui o link via João Lopes, no Sound + Vision, para o balanço fotográfico de 2006 pela Vanity Fair on-line. Ele destacou a imagem de Edward Norton. A mim, a que mais me tinha impressionado no portfólio de vários autores foi a que intitulei Kate Dietrich.
Este ano, das 36 fotografias reunidas, escolho uma de Christy Turlington, ex-top model, e dedico-a ao Ricardo Gross, fervoroso adepto da prática de Yoga (e de mulheres belas). Pessoalmente, olho para esta imagem e, tendo em conta a minha condition lombar, sinto logo necessidade de ir tomar um anti-inflamatório.
"Amagansett" bem podia ser o nome desta posição - porque sou um bocado ignorante, soa-me parecido a "Asana", linguagem de posturas. Mas não. É como se chama a localidade/região onde a fotografia foi tirada, no estado de Nova Iorque.
posted by sara at 15:42
sábado
Lies over the ocean (oh my)

From what I've seen, you're magnificent
You fight evil with all you do
Your every act is spectacular
It makes me lay here and love you
From what I hear, you are generous
You make sunshine and glory too
When you walk in things go luminous
It makes me lay here and love you
From what I know, you're terrified
You have mistrust running through you
Your smile is hiding something hurtful
It makes me lay here and love you
It makes me lay here and love you
I'm filled with violet and red and blue
I've got a feeling from what I do
That you might lay there and love me too
Estou convencida de que esta música pode ser tanto sobre o Amor (parece óbvio) como sobre Deus (atente-se na letra, também parece óbvio quando se pensa nisso) - o que para muito boa gente vai dar ao mesmo. O vídeo dá conta de uma "boa acção" (é assim que o entendo) e do Desejo (de algo puro com uma prostituta - porque não?). Faz tudo parte de um mundo único.
Bonnie Prince Billy, Lay and Love (2006)
Uma das coisas que lamento em 2007 é não ter ido ao concerto de Will Oldham, no Maxime, em Abril. Por outro lado, dadas as circunstâncias (jamais nomeáveis), foi melhor assim. E já passou.
posted by sara at 15:54
segunda-feira
Let's have bizarre celebrations
Of Montreal, Wraith Pinned To The Mist And Other Games
2007 foi um ano generoso, para mim, apesar de um ou outro contratempo. E também chega ao fim com boas perpectivas para breve. O que realmente me deixa triste, bastante triste, aqui e agora, é que Charming, uma pessoa de quem gosto muito, tenha voado ontem para longe, em permanência. Pelas melhores razões mas... Dublin 1, Sara 0. I miss you already.
Despachemos os brindes mais logo e regressemos à normalidade possível. A partir de amanhã, feliz ano novo para todos.
posted by sara at 18:00
quarta-feira
Indecisa entre modernismo e frivolidade

Portrait of a Young Woman, 1935
Meredith Frampton (1894-1984)
Frampton said that he made this painting as 'a relaxation from commissions, and to celebrate an assembly of objects... beautiful in their own right'. The sitter was Margaret Austin-Jones, then aged twenty three. Her dress was made up from a Vogue pattern by Frampton's mother. The vase, made in mahogany, was designed by Frampton himself.
O primeiro nome com que o artista assina é feminino. Ok. Quanto ao retrato, está pendurado na parede de um museu que goza de toda a credibilidade e a senhora elegante há-de ser Antepassada de Outrem - com maiúsculas porque, nobre ou não, aparenta pertencer a uma elite. Está virada à esquerda (a mulher, a elite não sei), o que é de louvar, apesar desse lado da face dela se tornar obscurecido. (Ah, de onde virá a luz?) Tem um porte invejável mas ninguém diz que tocava violoncelo ou que escrevia. Talvez se ficasse pela leitura de revistas da moda. (Faz alguma diferença?)
Tudo isto adensa-me a dúvida.
posted by sara at 18:27
Let's get cynical
Um/a utilizador/a do Google.pt veio parar ao meu blogue à procura de 'mensagens de natal de engate'. Boa sorte.
posted by sara at 18:20
segunda-feira
Natalidade, uma miragem
De ano para ano, a minha ideia de alugar crianças-figurantes para a ceia de Natal - onde o familiar mais novo à mesa já conta 26 anos - vem ganhando consistência. Podia ser um bebé e dois ou três mais velhos, que corram pela casa, riam e façam barulho. E que gostem de ouvir histórias da carochinha em inglês, caladinhos.
... not a creature was stirring, not even a mouse...
Bright Eyes, The Night Before Christmas
posted by sara at 18:51
Uma forma profunda da memória (ficções)
É muito difícil escolher um livro (qual, qual?) para alguém que faz dos livros e da literatura a sua ocupação primordial. Um dedicado profissional das letras, a que não falta insight do meio editorial. Assim, decido jogar pelo seguro e "oferecer" ao Bibliotecário de Babel, José Mário Silva, qualquer coisa que lhe seja familiar. Trata-se de uma colecção de textos fantásticos de vários autores que - vê-se logo pelo título - Jorge Luís Borges foi convidado a organizar e a prefaciar (em 1977, data do meu nascimento, que lindo), e a única vez que aceitou fazê-lo, segundo consta. (A selecção e o prólogo dos Contos de Kafka, não conta...?)
Só conheço este volume d'A Biblioteca de Babel, em português, editado este ano pela Presença. Li Papini na minha semana de férias de Verão, aproveitando os dias de praia que o vento da Costa Vicentina teimava em arruinar - e não o esqueci. Suponho que é por isso que lhe chamam "literatura".
(...)Li Papini e esqueci-o. Sem suspeitar, comportei-me do modo mais sagaz; o esquecimento pode muito bem ser uma forma profunda da memória. Seja como for, quero relatar uma experiência pessoal. Agora, ao reler estas páginas tão remotas, descubro nelas, atónito e reconhecido, histórias que julguei inventar e que reelaborei à minha maneira, em outros pontos do espaço e do tempo.(...)Os contos deste livro provêm de uma época em que o homem se reclinava na sua melancolia e nos seus ocasos, mas a melancolia e os ocasos não desapareceram, embora hoje em dia a arte os cubra com diferentes roupagens.
JLB, da introdução.
posted by sara at 17:22
sábado
quarta-feira
Paris Match

«Carla... Tu e o Sarko?», pergunta Valeria Bruni-Tedeschi à irmã.
Foto do filme 5x2, François Ozon, 2004.
posted by sara at 19:10
terça-feira
Fosga-se, violência gratuita

O Samuel Úria está a publicar uma série de "Cartoons que nunca seriam publicados" no Ainda Não Está Escuro.
posted by sara at 01:15
Máfia Russa (II), ópera de Lisboa
«(...)São todos estes dados importantes para se perceber quão megalómano e gravoso é o disparate de que o acto I está agora exposto na Ajuda. O Hermitage alugou e o Estado Português, através da ministra da Cultura, pagou do orçamento público e do mecenato que para aí canalizou, 1,5 milhões de euros! Isto quando, para além de serem outras as evidentes prioridades das políticas culturais públicas, das políticas para as artes e para os museus, não existem laços, “know-how” ou fundos privados possíveis que fundamentem a viabilidade e interesse de um pólo local do Hermitage.
Quando se parte para tão extravagante projecto no desconhecimento de que a outra parte é um dos mais agressivos actores deste novo “capitalismo global” dos museus, o desastre anuncia-se.(...)»
Augusto M. Seabra, em artecapital.net (com bold meu)
posted by sara at 00:11
domingo
Crónicas da noite passada (.gif)

Julian Opie, Sara Dancing, sparkly top
clicar nas pernas para ver a animação
posted by sara at 21:54
quinta-feira
Património cultural europeu da humanidade

Não, não pretendo aqui celebrar a assinatura do Tratado de Lisboa, sobre o qual - para quê fingir? - não tenho opinião formada (desculpem lá).
Trata-se de um pequeno episódio que me deixou indignada. (Volta e meia indigno-me, e não é assim tão raro.) Aconteceu num voo da TAP, Londres-Lisboa, há um pouco menos de um mês. Tinha estado a descansar os olhos (vá, dormitava) e quando os abri vi que passava nas televisões minúsculas um filme que imediatamente reconheci: Jour de Fête (Há Festa na Aldeia, 1949). «Que boa ideia!», pensei, e apressei-me a chamar a hospedeira para lhe pedir uns auriculares. Qual não é o meu espanto quando ela me responde: «Não temos.» Como não?! Como é que era suposto ver-se o filme, sem O SOM? Ela explicou, com a maior das naturalidades: «É mudo, não tem diálogos.» E sorriu. Eu não estava a acreditar no que ouvia e ora olhava para ela de boca aberta, ora olhava para as imagens (também de boca aberta), sem saber como fazer valer o meu ponto de vista. Teve tanto azar que segundos depois aparecem legendas no ecrã. «Com que então não há diálogos?! Já para não falar da música!», exclamei, com toda a razão. Ela ficou um bocado atrapalhada e foi buscar um comissário. (É sempre conveniente ter um homem a bordo para lidar com passageiros que reivindicam coisas estranhas.) Ele lamentou a situação, quase solidário com o meu constrangimento, e disse que nunca davam auriculares em voos de curta duração. (Se calhar os assentos do avião nem tinham entradas/saídas de som. Não interessa, a questão é outra.) Eles não tinham culpa, mas eu continuei a refilar: «É um filme do Jacques Tati... Não é nenhum blockbuster, haja respeito!» Lamentaram de novo e disseram-me para preencher o livro de reclamações quando aterrássemos. Desisti, até que agora ressurgiu a vontade de exercitar o meu direito à indignação.
Ao cuidado dos "programadores" da TAP. Pff...
posted by sara at 19:37
quarta-feira
Pub da idade da pedra
Era um mundo maravilhoso...
... nem os médicos tossiam...
... ski aquático e uns bafinhos...
... do tempo em que valia tudo...
... incluindo pôr desenhos animados a fumar.
posted by sara at 00:36
terça-feira
Onde está a Maddie?

Last time I heard, na série L-Word (um mau programa de televisão, forçado, ridículo, entediante até).
posted by sara at 15:26
Showbiz
LinkedIn é um site que serve para construir uma rede de contactos profissionais. Só há pouco tempo ouvi falar desta "comunidade", mas já existe há alguns anos (desde 2003?). É diferente, por exemplo, do MySpace, muito utilizado por bandas que disponibilizam on-line, cada vez mais, músicas e informação sobre concertos, ou do Facebook (rede social) ou ainda daquilo que sempre me pareceu uma idiotice chapada, orientada para adolescentes e para o engate, o Hi5.
Em Novembro de 2007 o LinkedIn contava com cerca de 15 milhões de utilizadores (não é muito). Registei-me por curiosidade. Dá para aldrabar tanto como em qualquer outro sítio da net, mas isso já se sabe. Não se pergunta a idade, a cor dos olhos nem a canção preferida. O essencial são as habilitações "literárias" (uma expressão que sempre me confundiu), instituição de ensino que se frequentou (superior, espera-se), local de formação, experiência profissional passada, ocupação actual e nacionalidade. Dá para pôr uma foto tipo passe. A partir daí o sistema percorre a nossa lista de contactos de email e diz-nos quem também está registado no site. As ligações vão-se fazendo basicamente como nas outras redes, e as pessoas podem fazer "recomendações". O que mais se encontra são CEO's (ou para lá caminham) e consultores de toda a espécie. Supostamente quem torna o LinkedIn um negócio rentável - porque ao fim e ao cabo o que todos queremos e precisamos de fazer é algum dinheirinho - são os head-hunters, porque um utilizador "normal" inscreve-se e é muito provável que rapidamente se esqueça de lá voltar. (Para quem leva aquilo a sério, se a situação profissional se mantiver, não há actualizações a fazer.)
Tudo isto para dizer que vasculhando "legitimamente" listas de contactos alheias, encontrei várias pessoas com quem já me relacionei num âmbito profissional. Uma delas, que sempre considerei divertida e inteligente (das características mais importantes que se podem desejar em colegas de trabalho, para que a rotina seja suportável), apesar de se mover num meio específico com um registo que em geral não aprecio, escreveu o seguinte sumário da sua actividade (o bold é meu):
«(...)We started with 11 000 readers and, in less than a year we climbed to 22 000. After that, I've been asked to coordinate a new magazine for the publisher. Still in pre-production.
I've specialized in newsroom coordination, newspaper and radio conception of new products. After three year learning the "new media" online news tricks, I am now coming back to radio+internet experience, with the only national news radio magazine being broadcasted on syndication.
Concepts, ideas, coordination and a bit of "tabloid" taste, good for the selling process, is my business, apart, of course, news reporting.»
Jeitinho não lhe falta.
posted by sara at 14:51
segunda-feira
Encore Viggô (rencontre)




De passagem pela livraria da Cinemateca, onde fui assegurar lugar para a sessão de hoje às 22h (Festival Temps D'Images), encontrei nos escaparates Viggo em dose tripla. A primeira foto, em que ele está de fato, é só para compor o ramalhete.
Das três publicações francesas, acabei por comprar a Les Inrocks porque tem uma entrevista conjunta de Mortensen e Cronenberg. (Precipitei-me; descubro agora que o texto está todo on-line...) Dizem algumas coisas interessantes, implicam e brincam um com o outro. Mas o vídeo de 2 minutos, um teaser que encontrei no site da revista, tem mais animação. Está aqui.
posted by sara at 19:35
domingo
Se este mundo fosse feito para ser doce / eu seria doce fosse eu quem fosse*
Esta fotografia também foi tirada por mim - eu, que raramente fotografo o que quer que seja (pois se nem tenho máquina). É mais um fruto da minha obsessão com a Tate Modern na semana de férias que passei recentemente em Londres. Desta vez, já esgotados todos os ângulos possíveis e imaginários do meu objecto de admiração, decidi registar o reflexo nocturno do edifício no Tamisa. Não estou à espera que ninguém me felicite pela minha sensibilidade estético-artística. É só uma desculpa para voltar a (d)escrever qualquer coisa do que vi.
1) Nesse dia, estava um homem em frente ao museu, que soava tresloucado em cima de um banquinho, berrando aos ouvidos de quem passava: All women... Go back to the kitchen!!! Intercalava estas palavras de ordem com um discurso de que não percebi patavina, porque não me aproximei muito (medo de apanhar com algum perdigoto). Não consegui concluir se era uma performance ou se a criatura estava a tentar expiar algum trauma. De qualquer das formas, achei divertido.
2) E a intervenção de Doris Salcedo ("Shibboleth"), que partiu ao meio o chão da Tate? Literalmente brutal: uma racha nas fundações de betão, a espaços relativamente profunda (também não vale a pena empolar expectativas, interessa mais o carácter simbólico do que espectacular), que vai de uma ponta à outra do Turbine Hall. Como toda a gente, fiquei fascinada com o insólito da instalação. (Até tirei fotografias, mas vou-vos poupar a essas.)
Explica o desdobrável: (...)A shibboleth, according to the Oxford English Dictionary, is 'a word used as a test for detecting people from another district or country by their pronunciation; a word or sound very difficult to foreigners to pronounce correctly.' It is, therefore, a way of separating one people from another. The word refers back to an incident in the Bible. The Book of Judges describes how the Ephraimites, attempting to flee across the river Jordan, were stopped by their enemies, the Gileadites. As their dialect did not include a 'sh' sound, those who could not say the word 'shibboleth' were captured and executed. A shibboleth is a token of power: the power to judge, refuse and kill. What might it mean, however, to refer to such violence in a museum of modern art?(...)
A isto não sei responder. Que o façam críticos, curadores e historiadores de arte. Mas sei que como portuguesa - se há coisa que não falta na nossa língua são 'sh's - a mim não me apanhavam os Gileaditas...
3) Anseio pela hora de rever o filme de Cronenberg, sobretudo a cena memorável de Nikolai, tal como veio ao mundo, bare-handed, a lutar ("viggorosamente") pela sua sobrevivência nos banhos públicos, e em desvantagem numérica contra o inimigo. Concepção e execução extraordinárias da dupla realizador-actor numa coreografia de força, sangue e instinto - embora gostasse de deixar claro que não considero de todo gratuita a violência do filme: está ali o que deve estar, e nem uma garganta degolada a mais (apesar de eu me ter contorcido na cadeira e fechado os olhos várias vezes). A implacabilidade de Viggo Mortensen, aliás, Nikolai, ideal entre ideais para sonhos eróticos, com tatuagens e sem compromissos, numa noite de Inverno.
*Excerto de uma letra dos Quinteto Tati (em "Valsa Quase Antidepressiva"), ao cuidado do Daniel.
posted by sara at 19:13
sexta-feira
Moral aggrievement*
Nov/2007 (clicar sobre a imagem para aumentar)
Tirei esta fotografia no terraço da(do?) Tate Modern, de onde se vê na City a cúpula de St. Paul's, a Millennium Bridge e a entrada do museu, que assinala a exposição retrospectiva da obra de Louise Bourgeois com uma das suas esculturas de grandes dimensões, até 20 de Janeiro de 2008. Aliás, foi com esta mesma instalação, no átrio interior (um pé-direito que só visto) da antiga fábrica de electricidade, que a galeria inaugurou as suas instalações na margem sul de Londres, no ano 2000. (Esta semana foi entretanto divulgado que será aqui construída uma extensão em vidro concebida pelos arquitectos Herzog & de Meuron, e a concluir até à abertura dos Jogos Olímpicos de 2012, para a qual o erário público inglês irá contribuir com 50 milhões de libras, num orçamento total de 215. Bem bom; quem pode, pode e deve.)
O mais perturbador neste trabalho de Louise Bourgeois - neste em particular mas afinal são-no todos! - é o nome que ela dá à aranha gigante: Maman. Dedico esta imagem à Anna, personagem de Naomi Watts no último grande (muito grande) filme realizado por David Cronenberg, Eastern Promises (2007).
*Fui buscar o título do post ali, ao blogue do Pedro Mexia.
posted by sara at 23:08
quinta-feira
Máfia Russa
Não estou preocupada, nem sequer incomodada. Apenas um pouco intrigada. De há umas semanas para cá recebo irregularmente toques no telemóvel de um número não identificado, umas vezes a "horas normais", outras vezes anormais (5 da manhã), sendo que nunca dou por estes últimos a não ser no dia seguinte, quando consulto o registo de chamadas perdidas. Toca uma, duas, três vezes no máximo, e depois desliga-se, mesmo quando atendo. Não há respiração ofegante do outro lado, não há risadinhas, nada. Simplesmente a ligação nunca chega a estabelecer-se. Tudo bem. Mantenho o mesmo número desde que comprei o meu primeiro telemóvel, há oito ou nove anos, já o utilizei em trabalho, já perdi a conta às pessoas que o têm, portanto tudo é possível. Entretanto, há uns dias atrás, instalei um telefone fixo em casa, livre de assinatura mensal, com algumas chamadas gratuitas, enfim, resultado das maravilhas que a competitividade no mercado das telecomunicações produz. Ligam-me para casa a minha mãe e o meu pai, e outras entidades por engano (hoje de manhã foi do GOE, juro!). Até que há bocado comecei a receber os toquezinhos também no fixo. "Estou?" - e desligam, num gesto que pressinto automático. Falta de assunto?
posted by sara at 19:33
terça-feira
Transmission
Voltando um pouco atrás, escreveu a Susana:
«(...)Se não fosse pela música dos Joy Division, iríamos ver um filme cinzento e angustiante, sobre um homem depressivo, apático, com uma vida cinzenta e monótona?(...)»
O Luís respondeu:
«(...)Er... I would. Tirando a parte dos Joy Division, essa é a descrição de metade dos meus filmes de cabeceira.(...)»
Pela parte que me toca, I would too. Se, por exemplo, o Luís o recomendasse.
A lógica segundo a qual escolho os filmes que vejo no cinema é essencialmente igual à de toda a gente: por um lado, sigo as recomendações de pessoas cujo critério cinematográfico considero de confiança - o de alguns amigos e alguns críticos da imprensa e da blogosfera; por outro, sou levada pela minha curiosidade pessoal, em todo o esplendor da sua banalidade, e às vezes pelas minhas idiossincrasias (nem queiram saber onde isso já me tem levado).
Teria ido ver o filme na mesma e, se não estivesse relacionado com Ian Curtis e os Joy Division, possivelmente até teria gostado do que vi. Mas não fiquei nada comovida, o que me surpreendeu. Outra coisa lamentável é que, em determinados planos, de perfil, o actor Sam Riley me tenha feito lembrar Leonardo DiCaprio. Isto aconteceu-me de verdade e prova inequivocamente que eu não estava a ser "tocada" pelo filme, nem de longe.
Sabemos que Control é baseado no livro que a mulher de Ian Curtis escreveu. A mulher que tinha 18 anos quando ele casou com ela aos 19 (facto registado) e com quem teve uma filha (facto registado). A certa altura ter-se-á apaixonado por outra mulher, uma belga (muito bonita a avaliar pela actriz que a interpreta no filme, e por conseguinte pela percepção de Deborah Curtis) - que se tem mantido discreta aos longos dos anos. Ian Curtis escrevia bem (facto subjectivo mas aparentemente unânime) e era epiléctico (facto registado), depressivo, etc, etc, etc. Suicidou-se aos vinte e poucos anos. Até que ponto Anton Corbijn é fiel ao livro, não sei, porque não tenciono lê-lo. Mas Deborah Curtis é co-produtora do filme, logo... O que me aborrece, tendo em conta que sou sensível à música dos Joy Division, é a tentativa de "repôr alguma verdade afectiva" (entre-aspas porque sou eu que o digo, porque é o que me parece), seja ela benéfica ou prejudicial, à imagem de Ian Curtis, neste caso. Não sei se me faço entender. (Se calhar é óbvio. Se calhar who cares.)
A propósito deste filme já foi referido um outro, Last Days, de Gus Van Sant, inspirado por Kurt Cobain. Também não gostei, à excepção do plano-sequência(?) longo, muito longo, que vai do exterior para o interior da casa, do jardim para a divisão envidraçada, onde o músico está a tocar (se bem me lembro). Não gostei do resto, mas ao menos tudo aquilo é ficcionado!
posted by sara at 22:42
sexta-feira
A cores

Ian Curtis, 1956-1980. Autor da fotografia desconhecido.
(Porque fiquei desconsolada com o filme de Anton Corbijn, Control, entrava aqui bem uma série "Franjinhas". Logo a seguir vinha Louise Brooks a preto e branco. Se houver algum biopic dela, que não os interpretados pela própria, eu não quero ver.)
Joy Division, Dead Souls
posted by sara at 20:28
quarta-feira
Céu limpo
Seattle, USA
Sem desfazer na História de Portugal ou na dos grandes conquistadores em geral, ainda nem é meio-dia e já fiz uma grande descoberta hoje, graças a •••nodatta.blogspot.com••• (obrigada pelo link, Carlos!) cujas actualizações musicais para efeitos de download - serviço público e ilegal - tenho acompanhado diariamente com o meu super-google-reader.
Estamos em território vaudevilleano, com alguém no fim a baloiçar-se no lustre da sala, voz, cordas, sopros e teclas como eu gosto. Uma banda completa no cabaret: Kay Kay and his Weathered Underground a tocar Hey Momma'. Bem alto.
posted by sara at 11:29
terça-feira
Why don't you shut up
Acho que Gordon Brown está com receio de vir a Lisboa, ouvir Mugabe e perder as britânicas estribeiras.
posted by sara at 22:53
Vigorosamente


«I have been a waitress, and I was a damn fine waitress too, let me tell you.» - Jessica Lange, em entrevista, Abril de 2006.
Em cima, stills do tórrido The Postman Always Rings Twice, filme de 1981 (damn fine!) em que contracena com Jack Nicholson.
«The film is most famous for the love scene on a kitchen table which was so intense that many believed that Lange and Nicholson were really having sex on screen. However, this was vigorously denied by all involved.» - da Wikipedia, claro.
posted by sara at 18:36
segunda-feira
Uma-thurmanish

Em bom rigor, não foi por causa da actriz Sarah Polley (na foto) - também realizadora - nem por Wim Wenders que fui ao cinema ver Don't Come Knocking (ele e o Sam Shepard que me perdoem), embora Polley tenha qualquer coisa... E alguém que tenha visto o filme (já) com dez anos The Sweet Hereafter, de Atom Egoyan, não se esquece dela. Tão pouco a minha ida ao Monumental num sábado à noite se deveu à presença de Gabriel Mann (lindo, sobretudo na performance de bar, quando interpreta uma bela canção) no elenco. A única coisa que eu sabia é que ia ver Jessica Lange, de quem tinha saudades. Para mim, continua "uma mulheraça". Absolutamente extraordinária, sempre.
(Perguntaram-me se valia a pena ver o filme. Enfim, tem o Tim Roth como investigador neo-nerd, tem a fotografia inspirada pela luz e ambientes Edward Hopper e o cenário western. Nice mas não é nenhum Paris, Texas.)
posted by sara at 19:31
sexta-feira
Let's face it
(...)
Accusing all modern art of being left-wing probably doesn’t get us very far. What might be more useful is to ask whether there is a dominant consensus when it comes to political attitudes in modern art today. Is art good at presenting alternative perspectives and shaking our worldviews, or does much of it congratulate us on our prejudices?
(...)
Although the political compass is changing, so-called radical artists usually stick to what’s comfortable. It’s very easy to be anti-Bush these days, but try being anti-recycling.
(...)
As many critics would accept, it’s a tough challenge to bring politics into art without losing some subtlety. It is a very rare thing for artists to hit the right political note without their work looking like a simplistic didactic message.
(...)
Which is why it is hard not to feel a sense of relief when fine artists today avoid bringing politics into their work, especially when you know how bad their politics can be. Thank god for a bit of apolitical postmodernism, one might say.(...)
Excertos de um artigo intitulado Is modern art a left-wing conspiracy? (via Arts & Letters Daily)
posted by sara at 15:19
Da prática
Letra de Forma: crítica e opinião de Augusto M. Seabra, a partir de agora em forma de blogue.
posted by sara at 15:12
quinta-feira
Da abstracção


Criação: à esquerda, Adam (1951-2), à direita, Eve (1950), embora não tenha registado se é assim que estão dispostas as duas telas (a primeira de dimensões maiores do que a segunda) de Barnett Newman, na Tate Modern. Como eu gostei de olhar para elas. Até mais do que para as de Rothko, resguardadas numa sala própria, com luz insuficiente, pareceu-me (excesso de zelo do museu?).
Deixei-me absorver pela cor.
posted by sara at 18:34
Do sono
Encontrei agora mesmo uma música, kind of soothing, mp3 que estava a monte no meu computador. É de uma das minhas bandas preferidas e faz parte do álbum "See You On The Moon! Songs For Kids Of All Ages", vários artistas, de 2006.
Hot Chip, I Can't Wake Up
(para o neto cuja avó não voltou a acordar)
posted by sara at 18:07
terça-feira
Como é que fazem os Lobos?

Norberto Lobo, Mudar de Bina (Bor Land, 2007)
O rapaz (geração de 80) compõe música e toca guitarra maravilhosamente (sem qualquer parentesco com os "virtuosos" enervantes - já se vê que não os aprecio muito). Quando na pele de Norman, com o irmão Manuel Lobo e João Lobo, Norberto dá-lhe no rock experimental (como dizem os entendidos), em todo o seu esplendor. A solo e ao vivo, o Nor(berto) é encantador. O último concerto dele a que assisti, no palco do Maxime, com um galo de barcelos bordado a lantejoulas na cortina em fundo (e sobretudo Paredes), foi um primor de "portugalidade" e educação musical (e sentimental, porque não).
[O final da ronda nacional de apresentações a solo será na ZDB, em Lisboa, dia 8 de Dezembro. Ainda sobre este Lobo em particular, ver clipping exemplar, post atrás de post, no blogue do Daniel.]
O disco Mudar de Bina, com o quadro de João Abel Manta, é lindo por dentro e por fora. Esquece o Queijo da Serra, o bacalhau e os pastéis de nata, digo eu com os meus botões. (Mas não esqueças o volume de SG Ventil.) Neste momento não me ocorre melhor presente para levar na mala do que este disco.
London calling, be right back.
posted by sara at 18:14
Chapter 1... doesn't go into detail
Por causa do vídeo que estava há uns dias n'A Causa Foi Floreada (atenção ao link novo), tenho passado horas no Youtube a ver tudo o que apanho do Ricky Gervais. Este excerto é do espectáculo "Animals" (2003), a partir (d)o Livro do Génesis.
posted by sara at 02:01
E Deus criou as correntes blogosféricas
Olá, Miguel. 5ª frase completa da página 161 do livro que estiver mais à mão? Olha que sorte, tenho aqui um que preenche todos os requisitos: ao meu alcance (esperemos que também intelectualmente, oh my god, que ainda só vou no início) e com pelo menos 161 páginas.
If only, as a young man, Jack's way of expressing himself had been a tad sprightlier...
- perdão? -
...a tad sprightlier, a shade more people-friendly (if one could have imagined, even abstractly, the possibility of having a beer with him), he too might have been a public person in the manner of Monty Kipps, or like Jack's own late father, a senator from Massachusetts, or like his brother, a judge.
Aleatório por aleatório, e se fosse da página 261?
This was a strange question to ask in front of everybody.
A-ah! Página 361?
He blew a large smoke ring into the air and then another one that fit into that.
O livro acaba às 443. Ohh...

Passo a bola a quem me ofereceu este belo objecto da Penguin Books na semana passada (obrigada), um rapaz que está a viajar e que não tem blogue. We'll always have email.
(para o Mig Mag)
posted by sara at 01:41
De sigano a cicrano
Olá, Samuel. Se alguma vez leres a 3ª edição de "A Mancha Humana" (Philip Roth) lançada pela Dom Quixote, não te surpreendas ao chegar à página 229 e...
Não sou capaz de ir e ver lá o nome de Fulano e Cicrano. Não, nem pensar. Não sou capaz.
Sicrano! Estas coisas deixam mancha, quer dizer, marca.
posted by sara at 01:33
domingo
terça-feira
Gestão do quotidiano
«Agora vamos ouvir o tema X da banda Y, a seguir as notícias, o programa de Z, e depois logo se vê.»
(esta manhã em 102.6 fm)
posted by sara at 10:23
segunda-feira
Devagarinho
TORTOISE, i set my face to the hillside, ao vivo em Bruxelas, 2002
[A propósito do concerto em Lisboa (também vão tocar no Porto) de The Sea and Cake, projecto paralelo de John McEntire (Tortoise), dia 27 de Outubro, na Galeria Zé dos Bois... Há quem jure que o nome de uma das minhas bandas preferidas, de Chicago, se pronuncia à francesa - Tôrrtuahze - mas eis que surge a prova que desmente semelhante palermice pseudo-intelectual. Para que não restem dúvidas, é ouvir os primeiros segundos deste profile, narrado pelo próprio John McEntire.]
Como diz um user do YouTube, «Tortoise make me feel cooler than I really am».
posted by sara at 22:07
sábado
Língua-fetiche
Darling and Charming went for a walk. Then she offered him a drink; they kissed.
(to be continued)
posted by sara at 02:01
terça-feira
passa tempo
VIDRO DUPLO
VIL PUDOR ©
DR IPOD LOV U
LOUVOR DID P
DILDO OU RPV
PROL DUVIDO
posted by sara at 22:40
domingo
quarta-feira
quinta-feira
Inside-out

Umas vezes os textos lembram textos, outras vezes as imagens lembram imagens. O post Op' de 01-Jul-2007 fez-me lembrar esta foto de um vestido numa montra de Manhattan, que tirei em Out/2003 e que segue em anexo. (jj.amarante)
posted by sara at 23:24
terça-feira
Não há condições
Il n'y a plus de déserts. Il n'y a plus d'îles. Le besoin pourtant s'en fait sentir. Pour comprendre le monde, il faut parfois se détourner; pour mieux servir les hommes, les tenir un moment à distance. Mais où trouver la solitude nécessaire à la force, la longue respiration où l'esprit se rassemble et le courage se mesure? Il reste les grandes villes. Simplement, il y faut encore des conditions.
São as primeiras linhas de L'été (edição da Gallimard a 2€), uma colecção de textos de Camus, comprada no Verão passado e que ficou por ler. Também não vai ser para já, porque ainda não acabei com o Roth - my problem, not his. E passe o excerto em francês.
Encadeada pel'A Divina Desordem... (re)Li recentemente algumas páginas de On Photography, de Susan Sontag, Gilgamesh, numa versão de Pedro Tamen, e um ensaio de Peter Sloterdijk (em português, que em alemão não íamos lá nem com uma lupa) incluído em O Estado do Mundo. Assim se faz uma lista (pouco aldrabada) de cinco livros, meio lidos, meio relidos, aos zigue-zagues. Não tenho condição para mais do que isto.
Passamos a bolinha ao Luís, à Susana, ao Francisco, ao Daniel e à Batukada, mas todas as desculpas são boas para não a apanharem.
posted by sara at 00:54
quinta-feira
Casal de depressivos
- E se for menina, como é que lhe vão chamar...?
- (a duas vozes) Neura.
posted by sara at 18:38
sábado
Narcóticos
Os "Super-Rocks", e os festivais de música em geral, são cansativos, a multidão empurra-nos, aperta-nos, entorna-nos cerveja por cima, grita ao nosso lado. Mas de vez em quando tem de ser, e nada me move mais do que a antecipação de bons concertos. Como não aguento três dias daquilo, opto por Interpol (até que enfim em Portugal!), dia 5 de Julho. Como bónus nada despiciendo, TV on the Radio e The Gossip, entre outros, na mesma noite. (No vídeo, Interpol a tocar ao vivo "Narc".)
posted by sara at 18:20
Allegretto
Uma das últimas apresentações da Orquestra Gulbenkian a que assisti, em final de "temporada", foi dirigida pela Maestrina Joana Carneiro. Não sou habituée de concertos de música clássica e nunca tinha visto uma Mulher-Maestro em acção. Fiquei fascinada. (Diz que estava também em palco um violoncelista virtuoso, convidado como solista, pormenor que me passou ao lado... Só tive olhos para ela.) O repertório era bom (semanas antes vi um concerto em que "Suite de Il gattopardo" de Nino Rota fazia parte do programa), como suponho que serão todos. Mas o que me impressionou foi o equilíbrio entre força e graciosidade, gestos largos peculiares, a elegância, a simplicidade, e a leveza extraordinária da Maestrina - para o que contribuía a sua figura esguia, vestida de comprido, de escuro, discreta, sapatos rasos - com os pés bem assentes no chão. Parecia uma bailarina. A minha comoção atingiu o máximo durante o segundo andamento da Sinfonia Nº 7, de Ludwig van (designação "kubrickiana"). Quando cheguei a casa fui procurar a minha colecção das 9 Sinfonias de Beethoven, num cantinho da estante com pó. Pus a tocar a mesma composição, mas pela Berliner Philharmoniker, dirigida por Herbert von Karajan. Não me soou a mesma. Qualquer dia começo a perceber destas coisas.
(Passe a publicidade, dia 30 de Junho e 1 de Julho, sábado e domingo, às 20h e às 21h30, respectivamente, a Maestrina Joana Carneiro vai dirigir a Orquestra Gulbenkian no anfiteatro ao ar livre da Fundação Calouste Gulbenkian. Se não chover, claro. Buuu...)
posted by sara at 18:04
Soft-feelings
Irrito-me, zango-me, arregalo os olhos e excedo os limites recomendados de assertividade. Contudo, nunca guardo ressentimento: ocupa muito espaço.
posted by sara at 17:56
Ken
Would you believe that Barbie's boyfriend's name means (1) vision, foresight, knowledge - or (2) a house where unsavory characters gather (British criminal argot)?
in Maravilhas de www.yourdictionary.com
posted by sara at 17:50
E se de repente um (des)conhecido te deixar K.O.?
- ...
- Como é que se chama o teu blogue?
- Hum... Vidro Duplo.
- Ah, ok.
- É uma coisa incipiente.
- Comparado com o quê? Dostoievski?
Com simpatia, arrumou-me. Nice to meet you!
posted by sara at 17:36
Post atrás de post
Tudo o que você sempre quis saber sobre B.B., o Daniel conta.
posted by sara at 17:17
domingo
Rapazes bestiais

Tu vais ao concerto de hoje; eu vou ao de amanhã ("A Gala Event – Exclusive Instrumental Show", Beastie Boys na Aula Magna). Beijos.
posted by sara at 14:17
sábado
Ontem deitei-me assim...
Each day drags by until finally night time descends / on me
... a cantar o que tinha ouvido umas horas antes numa adaptação a seis vozes, em Winch Only: um espectáculo de teatro em inglês, francês e alemão (legendado), que entre outras coisas - divertido e "exigente", com texto denso, cenário de luxo e óptimos actores - é muito musical, repleto de árias, Mireille Mathieu (uma obsessão) e ainda um tema pop-rock melancólico que permanece no (sub)consciente, original de uma banda "oldie". I go to sleep...
posted by sara at 18:12
sexta-feira
Toque artificial
É natural, naturalíssimo, e muito escuro. Não pinto o cabelo há anos e poucas vezes na vida o fiz. «Põe algum químico?», perguntou-me o cabeleireiro enquanto observava a reacção no espelho - um esgar de horror - e se preparava para pegar na tesoura. «É que parece cabelo de boneca...», disse por fim a tentar disfarçar o embaraço. Eu sorri. Depois fez-me um corte geométrico, de grande precisão, como no Japão. E calou-se.
posted by sara at 00:25
quarta-feira
sexta-feira
Da série "A mulher de quase...
... aaahh, tarde demais. Já passa da meia-noite.
posted by sara at 13:19
domingo
Clássicos contemporâneos
Comprei umas sandálias de verniz vermelho e um livro de Philip Roth (novidade cá em casa), para alternar com Balzac nas próximas semanas. Este será o primeiro (e possivelmente o último) post da série "A mulher de quase trinta anos".
posted by sara at 23:57
terça-feira
Eu tenho dois amores
O meu blogue sabe do outro desde o início. Sabe que o caso é sério e que pode durar meses. O meu blogue tem uma pontinha de ciúmes.
posted by EdM
posted by sara at 12:46
domingo
Um lindo fato de banho de duas peças
"Hipótese: o cinema é uma vigarice (Godard) que pode ser superada." - João César Monteiro
Luís Miguel Cintra como Lívio em Quem espera por sapatos de defunto morre descalço, 1970
(...)No ano seguinte, estimulado por algumas boas vontades (saudades), resolvi repegar no projecto «Quem espera por sapatos de defunto morre descalço», cujas filmagens se arrastaram ao longo de dois anos. Numa altura em que eu já deitava o filme pelos olhos, a Fundação Gulbenkian concedeu-me (obrigadinho) um subsídio de $$$$$$$$$$$$$$$$... 180 contos, divididos em 3 prestações. Aqui, tive a tentação de dar uma volta. Pedi ao Vasconcelos para filmar dois planos que faltavam ainda ao filme, e fui. Itália e a inevitável Paris. Esgotada a finança, voltei para acabar o filme, receber a última prestação e partir outra vez, ora de comboio, ora à boleia, consoante a inspiração: Barcelona, Marselha, Florença, Milão, Como, Cernobbio, Paris.
Entretanto, o filme começou por ser relativamente mal recebido junto do Mecenas (quereriam ópera por 180 contos?), continuou, pateado num festival no Sul de Espanha e foi friamente acolhido pelos críticos presentes em Nice, aquando da chamada Semaine du Jeune Cinéma Portugais. Foi pena, porque me teria dado jeito, sobretudo no que toca à fruição de algumas benesses locais, mas já que não pôde ser, paciência! Tirando isso, aproveitei a estadia niceoise para comprar um lindo fato de banho de duas peças com a nota de 100 francos que o João Bénard me emprestou(...)
J.C. Monteiro, daqui.
posted by sara at 16:28
Time

As I walked out one evening,
Walking down Bristol Street,
The crowds upon the pavement
Were fields of harvest wheat.
And down by the brimming river
I heard a lover sing
Under an arch of the railway:
«Love has no ending.
I'll love you, dear, I'll love you
Till China and Africa meet,
And the river jumps over the mountain
And the salmon sing in the street.
I'll love you till the ocean
Is folded and hung up to dry
And the seven stars go squawking
Like geese about the sky.
The years shall run like rabbits,
For in my arms I hold
The Flower of the Ages,
And the first love of the world.»
But all the clocks in the city
Began to whirr and chime:
«O let not Time deceive you,
You cannot conquer Time.
In the burrows of the Nightmare
Where Justice naked is,
Time watches from the shadow
And coughs when you would kiss.
In headaches and in worry
Vaguely life leaks away,
And Time will have his fancy
To-morrow or to-day.
Into many a green valley
Drifts the appalling snow;
Time breaks the threaded dances
And the diver's brilliant bow.
O plunge your hands in water,
Plunge them in up to the wrist;
Stare, stare in the basin
And wonder what you've missed.
The glacier knocks in the cupboard,
The desert sighs in the bed,
And the crack in the tea-cup opens
A lane to the land of the dead.
Where the beggars raffle the banknotes
And the Giant is enchanting to Jack,
And the Lily-white Boy is a Roarer,
And Jill goes down on her back.
O look, look in the mirror,
O look in your distress:
Life remains a blessing
Although you cannot bless.
O stand, stand at the window
As the tears scald and start;
You shall love your crooked neighbour
With your crooked heart.»
It was late, late in the evening,
The lovers they were gone;
The clocks had ceased their chiming,
And the deep river ran on.
W. H. Auden, 1940
posted by sara at 23:22
terça-feira
Sujeitos poéticos
Não fazemos o que queremos; fazemos o que podemos.
Hoje à noite fui ao cinema.
Daft Punks' Electroma, um poema sem palavras... uma experiência cinematográfica... um filme (secção Laboratório), da dupla de música electrónica Guy-Manuel de Homem-Christo (uau) e Thomas Bangalter. (Têm todo o ar de ser amigos de Vincent Gallo.) Electroma não tem música dos Daft Punk. Tem Brian Eno e outros que não identifico. Passou no Indielisboa, anfiteatro do cinema São Jorge, sem legendas, porque não tem diálogos. Tela enorme. Dois robots que querem ser humanos - não posso contar o fim. 4 estrelas. Volta a passar na próxima quinta-feira, às 21h30, sala 3 do São Jorge.
A seguir à projecção, vi Hal Hartley na varanda.
posted by sara at 00:39
sábado
Uma questão de fontes
"...it isn't only what is being said, but how these messages are being delivered. Typography is not simply a frou-frou debate over aesthetics orchestrated by a hidden coterie of graphic-design nerds."
Via Arts & Letters Daily, fiquei a par do 50º aniversário da... Helvetica. O MoMA comemora o acontecimento com uma exposição, de Abril 2007 até Março 2008.
Serifs são as pequenas hastes que ficam penduradas nas extremidades das letras, como no título e corpo de texto do meu blogue. Diz-se que as fontes com esta característica tipográfica facilitam a leitura, "pois as serifas tendem a guiar o olhar através do texto. O ser humano lê palavras ao invés de letras individuais, assim as letras serifadas parecem juntar-se devido aos seus prolongamentos, unindo as palavras. Por outro lado, as fontes sem-serifa costumam ser usadas em títulos e chamadas, pois valorizam cada palavra individualmente e tendem a ter maior peso e presença para os olhos, já que parecem mais limpas." - WIKIPEDIA
Só um mau texto é que nem com "serifas" se salva.
Entretanto, este mês também faz 30 anos (tal como eu em Maio próximo) que o GUARDIAN, por ocasião do Dia das Mentiras, fez muito boa gente acreditar que existiria uma "ilha-nação" chamada San Serriffe, colonizada por espanhóis e portugueses, cuja capital "actualmente" seria Bodoni.
(...)GOVERNMENT: For many years following independence in 1967, San Serriffe had an autocratic form of government under military strongman General Pica. However, democratic elections were held in 1997. The winner was the charismatic Antonio Bourgeois.
CULTURE: Among the cultural highlights of life in San Serriffe are:
- The Cult of the Sonorous Enigma
- The Festival of the Well-Made Play
- The Ampersand String Quartet
The relaxation of the islands' strict anti-pornography laws under the Bourgeois government has led to the publication of a series of risqué novels by Serriffean journalists, collectively referred to as the "Times Nude Romances".(...)
Como dizem os anglo-saxónicos, I rest my case.
posted by sara at 19:48
segunda-feira
sábado
Fujiya & Miyagi
Uma banda com este nome só podia ser de Brighton... »»»»»»»» Ali à direita pode-se ouvir "Collarbone". Como é que eu poderia não simpatizar com um trio inglês (gira-discos de marca Fujiya + personagem do filme "The Karate Kid" = soa japonês) que toca uma música chamada "Clavícula"? E que dizer do disco "Transparent Things"? Nabokov não se deve ter importado que lhe roubassem o título de um dos seus livros:
In matters of art, 'avant garde' means little more than conforming to some daring philistine fashion, so, when the curtain opened, Hugh was not surprised to be regaled with the sight of a naked hermit sitting on a cracked toilet in the middle of an empty stage. »»»»»»»» I gotta read this.
posted by sara at 20:19
Lolita complex / Trumpet girl
Andava à procura de vídeos do Momus e encontrei esta gata asiática. Não sei se ele terá escrito a música "Good Morning World" (1995?) de propósito para ela. Seja como for, Kahimi Karie tem, ou já teve, bastante sucesso em Tóquio, no estilo Shibuya (cf. Cibo Matto e Pizzicato Five). Eu hoje ia comprando o Chiado inteiro (e arredores). Estava com uma paciência extraordinária para experimentar roupa e sapatos. Mas estou a desviar-me do assunto central: Momus (que também bloga) é um grande entendido em Orientalismo e pela-se pelo Outro (private joke).
posted by sara at 19:51
What we see is what we get
(...)if you post a vlog of yourself, there'll always be a couple of comments saying that you "love the sound of your own voice", that you're Narcissus himself, showing off. In short, you're nude, or a flasher. Now, I don't disagree with these comments - I've been brought up in this culture too, I internalize its values. But while I agree that showing yourself too much or too proudly can be a sin and a vice, it's a vice to which I personally feel very indulgent, very lenient. It's an important vice, a virtuous one.(...)I personally really want to know what someone looks like. I'm a big fan of situatedness and embodiment. We are not just brains in jars, we're humans in bodies, with faces and histories and accents. Culture is not a neutral stream of abstractions. But when text is king, we're tempted to think of it that way. Text is so utterly useless at conveying what someone's like in person, where they're coming from, how they fish around for ideas, how intelligent or attractive or confident they are. Our culture has only had video for a few decades, and is only now seeing a widespread publishing platform for "the people's video" in the form of the internet and vlogs. So I think we're going to have to recalibrate our ideas of what it's decent and indecent to show.(...) - Momus' Click opera
posted by sara at 19:47
Uma espécie de intervenção cívica #2
David Lynch faz análise exemplar da prática de "Product Placement", e eu ainda nem vi o novo filme dele.
posted by sara at 19:21
domingo

What a beautiful face
I have found in this place
That is circling all round the sun
And when we meet on a cloud
I'll be laughing out loud
I'll be laughing with everyone I see
Can't believe how strange it is to be anything at all.
(Neutral Milk Hotel, "In an aeroplane over the sea")
posted by sara at 12:21
sábado
quinta-feira
Mi and L'au
(...)They fell deeply and immediately in love, and after a short period of moving from apartment to apartment in Paris, they gave everything up and decided to move to the woods in Finland, so they could be alone together in peace and spend their time discovering each other and their music.
Isto é tudo muito bonito, incluindo o resultado artístico. Mas pergunto-me: vivem de quê? Concertos na ZêDêBê?
posted by sara at 23:48
Para mais tarde recordar (RTP Memória)

Sincero agradecimento, beijos e abraços, à minha adorada amiga e adorável "(ex-)chefe", Filipa Reis. E ao Gil, que faz anos hoje.
posted by sara at 23:18
(embarassing institutional) Default
Enviar emails do meu novo endereço electrónico para familiares, amigos e conhecidos, sem ser por razões estritamente profissionais, talvez não seja boa ideia, sob pena de ser gozada por causa do remetente. É claro que não fui eu que lá escrevi "Consultora" entre parênteses, a seguir ao meu nome.
(fora do horário laboral, "consultas", só com marcação especial)
posted by sara at 23:13
segunda-feira
Miss Simpatia

Grande animação! Esta leitora do blogue Ainda Não Está Escuro agradece, retribui e redistribui: uma óptima semana a todos, e a alguns em particular.
posted by sara at 22:59
sábado
Go ahead, make fun, I'm not telling
- Não ouviste nada do que eu disse, pois não?
- Não.
- Estás a pensar em quê?
- Numa pessoa.
- Quem?
- Uma pessoa.
- Uma pessoa?
- Sim.
- Ah, já percebi... Não é cão nem gato.
posted by sara at 20:46
Electro-clash brasileiro de Lux(o)
Concertos de CSS, 3 e 4 de Abril, em Lisboa.
posted by sara at 20:38
quinta-feira
Pop'zinha: Scots Vs Swedes
Quando comecei a ouvir "You can't hurry love", pensei que fosse Camera Obscura, pela voz. Afinal era The Concretes. Ela por ela.
posted by sara at 22:59
sms
Alguém do Brasil veio parar ao meu blogue à procura do número de telefone de Joaquin Phoenix. Lamento, caro/a visitante, mas só tenho na agenda telefónica os números que realmente me interessam. E neste momento está completa.
posted by sara at 22:53
segunda-feira
O Oscar não sabe o que perde(u)

Ryan Gosling, em HALF NELSON
What's the story behind the title?
A "half nelson" is a wrestling move, and we were making a movie about a lot of characters that were wrestling with different parts of themselves and the problems in their world. So we thought it was an appropriate metaphor. It's also a Miles Davis tune that we thought we'd throw in.(...)
Actor principal e banda sonora (Broken Social Scene) muito recomendáveis. Não são só os Arcade Fire que dão prestígio ao Canadá.
posted by sara at 00:12
quinta-feira
Ab Fab
Não assisti a nada em directo nem em indirecto, mas no rescaldo do rescaldo os apontamentos da Triciclo Feliz sobre o tapete vermelho (e o resto) são obrigatórios.
O meu YAY vai para Cate Blanchett:

posted by sara at 23:52










