sexta-feira

Moral aggrievement*


Nov/2007 (clicar sobre a imagem para aumentar)

Tirei esta fotografia no terraço da(do?) Tate Modern, de onde se vê na City a cúpula de St. Paul's, a Millennium Bridge e a entrada do museu, que assinala a exposição retrospectiva da obra de Louise Bourgeois com uma das suas esculturas de grandes dimensões, até 20 de Janeiro de 2008. Aliás, foi com esta mesma instalação, no átrio interior (um pé-direito que só visto) da antiga fábrica de electricidade, que a galeria inaugurou as suas instalações na margem sul de Londres, no ano 2000. (Esta semana foi entretanto divulgado que será aqui construída uma extensão em vidro concebida pelos arquitectos Herzog & de Meuron, e a concluir até à abertura dos Jogos Olímpicos de 2012, para a qual o erário público inglês irá contribuir com 50 milhões de libras, num orçamento total de 215. Bem bom; quem pode, pode e deve.)

O mais perturbador neste trabalho de Louise Bourgeois - neste em particular mas afinal são-no todos! - é o nome que ela dá à aranha gigante: Maman. Dedico esta imagem à Anna, personagem de Naomi Watts no último grande (muito grande) filme realizado por David Cronenberg, Eastern Promises (2007).

*Fui buscar o título do post ali, ao blogue do Pedro Mexia.

quinta-feira

Máfia Russa

Não estou preocupada, nem sequer incomodada. Apenas um pouco intrigada. De há umas semanas para cá recebo irregularmente toques no telemóvel de um número não identificado, umas vezes a "horas normais", outras vezes anormais (5 da manhã), sendo que nunca dou por estes últimos a não ser no dia seguinte, quando consulto o registo de chamadas perdidas. Toca uma, duas, três vezes no máximo, e depois desliga-se, mesmo quando atendo. Não há respiração ofegante do outro lado, não há risadinhas, nada. Simplesmente a ligação nunca chega a estabelecer-se. Tudo bem. Mantenho o mesmo número desde que comprei o meu primeiro telemóvel, há oito ou nove anos, já o utilizei em trabalho, já perdi a conta às pessoas que o têm, portanto tudo é possível. Entretanto, há uns dias atrás, instalei um telefone fixo em casa, livre de assinatura mensal, com algumas chamadas gratuitas, enfim, resultado das maravilhas que a competitividade no mercado das telecomunicações produz. Ligam-me para casa a minha mãe e o meu pai, e outras entidades por engano (hoje de manhã foi do GOE, juro!). Até que há bocado comecei a receber os toquezinhos também no fixo. "Estou?" - e desligam, num gesto que pressinto automático. Falta de assunto?

terça-feira

Vigorosamente (II)


Eastern Promises, David Cronenberg

Viggo Mortensen é uma obra-prima no papel de Nikolai.

Transmission

Voltando um pouco atrás, escreveu a Susana:

«(...)Se não fosse pela música dos Joy Division, iríamos ver um filme cinzento e angustiante, sobre um homem depressivo, apático, com uma vida cinzenta e monótona?(...)»

O Luís respondeu:

«(...)Er... I would. Tirando a parte dos Joy Division, essa é a descrição de metade dos meus filmes de cabeceira.(...)»

Pela parte que me toca, I would too. Se, por exemplo, o Luís o recomendasse.

A lógica segundo a qual escolho os filmes que vejo no cinema é essencialmente igual à de toda a gente: por um lado, sigo as recomendações de pessoas cujo critério cinematográfico considero de confiança - o de alguns amigos e alguns críticos da imprensa e da blogosfera; por outro, sou levada pela minha curiosidade pessoal, em todo o esplendor da sua banalidade, e às vezes pelas minhas idiossincrasias (nem queiram saber onde isso já me tem levado).

Teria ido ver o filme na mesma e, se não estivesse relacionado com Ian Curtis e os Joy Division, possivelmente até teria gostado do que vi. Mas não fiquei nada comovida, o que me surpreendeu. Outra coisa lamentável é que, em determinados planos, de perfil, o actor Sam Riley me tenha feito lembrar Leonardo DiCaprio. Isto aconteceu-me de verdade e prova inequivocamente que eu não estava a ser "tocada" pelo filme, nem de longe.

Sabemos que Control é baseado no livro que a mulher de Ian Curtis escreveu. A mulher que tinha 18 anos quando ele casou com ela aos 19 (facto registado) e com quem teve uma filha (facto registado). A certa altura ter-se-á apaixonado por outra mulher, uma belga (muito bonita a avaliar pela actriz que a interpreta no filme, e por conseguinte pela percepção de Deborah Curtis) - que se tem mantido discreta aos longos dos anos. Ian Curtis escrevia bem (facto subjectivo mas aparentemente unânime) e era epiléctico (facto registado), depressivo, etc, etc, etc. Suicidou-se aos vinte e poucos anos. Até que ponto Anton Corbijn é fiel ao livro, não sei, porque não tenciono lê-lo. Mas Deborah Curtis é co-produtora do filme, logo... O que me aborrece, tendo em conta que sou sensível à música dos Joy Division, é a tentativa de "repôr alguma verdade afectiva" (entre-aspas porque sou eu que o digo, porque é o que me parece), seja ela benéfica ou prejudicial, à imagem de Ian Curtis, neste caso. Não sei se me faço entender. (Se calhar é óbvio. Se calhar who cares.)

A propósito deste filme já foi referido um outro, Last Days, de Gus Van Sant, inspirado por Kurt Cobain. Também não gostei, à excepção do plano-sequência(?) longo, muito longo, que vai do exterior para o interior da casa, do jardim para a divisão envidraçada, onde o músico está a tocar (se bem me lembro). Não gostei do resto, mas ao menos tudo aquilo é ficcionado!

sexta-feira

A cores


Ian Curtis, 1956-1980. Autor da fotografia desconhecido.

(Porque fiquei desconsolada com o filme de Anton Corbijn, Control, entrava aqui bem uma série "Franjinhas". Logo a seguir vinha Louise Brooks a preto e branco. Se houver algum biopic dela, que não os interpretados pela própria, eu não quero ver.)


Joy Division, Dead Souls

quarta-feira

Céu limpo


Seattle, USA

Sem desfazer na História de Portugal ou na dos grandes conquistadores em geral, ainda nem é meio-dia e já fiz uma grande descoberta hoje, graças a •••nodatta.blogspot.com••• (obrigada pelo link, Carlos!) cujas actualizações musicais para efeitos de download - serviço público e ilegal - tenho acompanhado diariamente com o meu super-google-reader.

Estamos em território vaudevilleano, com alguém no fim a baloiçar-se no lustre da sala, voz, cordas, sopros e teclas como eu gosto. Uma banda completa no cabaret: Kay Kay and his Weathered Underground a tocar Hey Momma'. Bem alto.

terça-feira

Why don't you shut up

Acho que Gordon Brown está com receio de vir a Lisboa, ouvir Mugabe e perder as britânicas estribeiras.

Vigorosamente



«I have been a waitress, and I was a damn fine waitress too, let me tell you.» - Jessica Lange, em entrevista, Abril de 2006.

Em cima, stills do tórrido The Postman Always Rings Twice, filme de 1981 (damn fine!) em que contracena com Jack Nicholson.

«The film is most famous for the love scene on a kitchen table which was so intense that many believed that Lange and Nicholson were really having sex on screen. However, this was vigorously denied by all involved.» - da Wikipedia, claro.

segunda-feira

Uma-thurmanish



Em bom rigor, não foi por causa da actriz Sarah Polley (na foto) - também realizadora - nem por Wim Wenders que fui ao cinema ver Don't Come Knocking (ele e o Sam Shepard que me perdoem), embora Polley tenha qualquer coisa... E alguém que tenha visto o filme (já) com dez anos The Sweet Hereafter, de Atom Egoyan, não se esquece dela. Tão pouco a minha ida ao Monumental num sábado à noite se deveu à presença de Gabriel Mann (lindo, sobretudo na performance de bar, quando interpreta uma bela canção) no elenco. A única coisa que eu sabia é que ia ver Jessica Lange, de quem tinha saudades. Para mim, continua "uma mulheraça". Absolutamente extraordinária, sempre.

(Perguntaram-me se valia a pena ver o filme. Enfim, tem o Tim Roth como investigador neo-nerd, tem a fotografia inspirada pela luz e ambientes Edward Hopper e o cenário western. Nice mas não é nenhum Paris, Texas.)

sexta-feira

Solo


Yves Klein, Saut dans le vide, Paris, 1960
Foto(montagem) de Harry Shunk

Não me canso dos 'clássicos'.

Let's face it

(...)
Accusing all modern art of being left-wing probably doesn’t get us very far. What might be more useful is to ask whether there is a dominant consensus when it comes to political attitudes in modern art today. Is art good at presenting alternative perspectives and shaking our worldviews, or does much of it congratulate us on our prejudices?
(...)
Although the political compass is changing, so-called radical artists usually stick to what’s comfortable. It’s very easy to be anti-Bush these days, but try being anti-recycling.
(...)
As many critics would accept, it’s a tough challenge to bring politics into art without losing some subtlety. It is a very rare thing for artists to hit the right political note without their work looking like a simplistic didactic message.
(...)
Which is why it is hard not to feel a sense of relief when fine artists today avoid bringing politics into their work, especially when you know how bad their politics can be. Thank god for a bit of apolitical postmodernism, one might say.(...)


Excertos de um artigo intitulado Is modern art a left-wing conspiracy? (via Arts & Letters Daily)

Da prática

Letra de Forma: crítica e opinião de Augusto M. Seabra, a partir de agora em forma de blogue.

quinta-feira

Da abstracção



Criação: à esquerda, Adam (1951-2), à direita, Eve (1950), embora não tenha registado se é assim que estão dispostas as duas telas (a primeira de dimensões maiores do que a segunda) de Barnett Newman, na Tate Modern. Como eu gostei de olhar para elas. Até mais do que para as de Rothko, resguardadas numa sala própria, com luz insuficiente, pareceu-me (excesso de zelo do museu?).

Deixei-me absorver pela cor.

Do sono

Encontrei agora mesmo uma música, kind of soothing, mp3 que estava a monte no meu computador. É de uma das minhas bandas preferidas e faz parte do álbum "See You On The Moon! Songs For Kids Of All Ages", vários artistas, de 2006.


Hot Chip, I Can't Wake Up

(para o neto cuja avó não voltou a acordar)

terça-feira

Como é que fazem os Lobos?




Norberto Lobo, Mudar de Bina (Bor Land, 2007)

O rapaz (geração de 80) compõe música e toca guitarra maravilhosamente (sem qualquer parentesco com os "virtuosos" enervantes - já se vê que não os aprecio muito). Quando na pele de Norman, com o irmão Manuel Lobo e João Lobo, Norberto dá-lhe no rock experimental (como dizem os entendidos), em todo o seu esplendor. A solo e ao vivo, o Nor(berto) é encantador. O último concerto dele a que assisti, no palco do Maxime, com um galo de barcelos bordado a lantejoulas na cortina em fundo (e sobretudo Paredes), foi um primor de "portugalidade" e educação musical (e sentimental, porque não).

[O final da ronda nacional de apresentações a solo será na ZDB, em Lisboa, dia 8 de Dezembro. Ainda sobre este Lobo em particular, ver clipping exemplar, post atrás de post, no blogue do Daniel.]

O disco Mudar de Bina, com o quadro de João Abel Manta, é lindo por dentro e por fora. Esquece o Queijo da Serra, o bacalhau e os pastéis de nata, digo eu com os meus botões. (Mas não esqueças o volume de SG Ventil.) Neste momento não me ocorre melhor presente para levar na mala do que este disco.

London calling, be right back.

Chapter 1... doesn't go into detail



Por causa do vídeo que estava há uns dias n'A Causa Foi Floreada (atenção ao link novo), tenho passado horas no Youtube a ver tudo o que apanho do Ricky Gervais. Este excerto é do espectáculo "Animals" (2003), a partir (d)o Livro do Génesis.

E Deus criou as correntes blogosféricas

Olá, Miguel. 5ª frase completa da página 161 do livro que estiver mais à mão? Olha que sorte, tenho aqui um que preenche todos os requisitos: ao meu alcance (esperemos que também intelectualmente, oh my god, que ainda só vou no início) e com pelo menos 161 páginas.

If only, as a young man, Jack's way of expressing himself had been a tad sprightlier...

- perdão? -

...a tad sprightlier, a shade more people-friendly (if one could have imagined, even abstractly, the possibility of having a beer with him), he too might have been a public person in the manner of Monty Kipps, or like Jack's own late father, a senator from Massachusetts, or like his brother, a judge.

Aleatório por aleatório, e se fosse da página 261?

This was a strange question to ask in front of everybody.

A-ah! Página 361?

He blew a large smoke ring into the air and then another one that fit into that.

O livro acaba às 443. Ohh...



Passo a bola a quem me ofereceu este belo objecto da Penguin Books na semana passada (obrigada), um rapaz que está a viajar e que não tem blogue. We'll always have email.

(para o Mig Mag)

De sigano a cicrano

Olá, Samuel. Se alguma vez leres a 3ª edição de "A Mancha Humana" (Philip Roth) lançada pela Dom Quixote, não te surpreendas ao chegar à página 229 e...

Não sou capaz de ir e ver lá o nome de Fulano e Cicrano. Não, nem pensar. Não sou capaz.

Sicrano! Estas coisas deixam mancha, quer dizer, marca.

domingo




SOY UN CABALLO (com Bonnie Prince Billy), Passer des jours

terça-feira

Gestão do quotidiano

«Agora vamos ouvir o tema X da banda Y, a seguir as notícias, o programa de Z, e depois logo se vê.»

(esta manhã em 102.6 fm)