sexta-feira

Moral aggrievement*


Nov/2007 (clicar sobre a imagem para aumentar)

Tirei esta fotografia no terraço da(do?) Tate Modern, de onde se vê na City a cúpula de St. Paul's, a Millennium Bridge e a entrada do museu, que assinala a exposição retrospectiva da obra de Louise Bourgeois com uma das suas esculturas de grandes dimensões, até 20 de Janeiro de 2008. Aliás, foi com esta mesma instalação, no átrio interior (um pé-direito que só visto) da antiga fábrica de electricidade, que a galeria inaugurou as suas instalações na margem sul de Londres, no ano 2000. (Esta semana foi entretanto divulgado que será aqui construída uma extensão em vidro concebida pelos arquitectos Herzog & de Meuron, e a concluir até à abertura dos Jogos Olímpicos de 2012, para a qual o erário público inglês irá contribuir com 50 milhões de libras, num orçamento total de 215. Bem bom; quem pode, pode e deve.)

O mais perturbador neste trabalho de Louise Bourgeois - neste em particular mas afinal são-no todos! - é o nome que ela dá à aranha gigante: Maman. Dedico esta imagem à Anna, personagem de Naomi Watts no último grande (muito grande) filme realizado por David Cronenberg, Eastern Promises (2007).

*Fui buscar o título do post ali, ao blogue do Pedro Mexia.

quinta-feira

Máfia Russa

Não estou preocupada, nem sequer incomodada. Apenas um pouco intrigada. De há umas semanas para cá recebo irregularmente toques no telemóvel de um número não identificado, umas vezes a "horas normais", outras vezes anormais (5 da manhã), sendo que nunca dou por estes últimos a não ser no dia seguinte, quando consulto o registo de chamadas perdidas. Toca uma, duas, três vezes no máximo, e depois desliga-se, mesmo quando atendo. Não há respiração ofegante do outro lado, não há risadinhas, nada. Simplesmente a ligação nunca chega a estabelecer-se. Tudo bem. Mantenho o mesmo número desde que comprei o meu primeiro telemóvel, há oito ou nove anos, já o utilizei em trabalho, já perdi a conta às pessoas que o têm, portanto tudo é possível. Entretanto, há uns dias atrás, instalei um telefone fixo em casa, livre de assinatura mensal, com algumas chamadas gratuitas, enfim, resultado das maravilhas que a competitividade no mercado das telecomunicações produz. Ligam-me para casa a minha mãe e o meu pai, e outras entidades por engano (hoje de manhã foi do GOE, juro!). Até que há bocado comecei a receber os toquezinhos também no fixo. "Estou?" - e desligam, num gesto que pressinto automático. Falta de assunto?

terça-feira

Vigorosamente (II)


Eastern Promises, David Cronenberg

Viggo Mortensen é uma obra-prima no papel de Nikolai.

Transmission

Voltando um pouco atrás, escreveu a Susana:

«(...)Se não fosse pela música dos Joy Division, iríamos ver um filme cinzento e angustiante, sobre um homem depressivo, apático, com uma vida cinzenta e monótona?(...)»

O Luís respondeu:

«(...)Er... I would. Tirando a parte dos Joy Division, essa é a descrição de metade dos meus filmes de cabeceira.(...)»

Pela parte que me toca, I would too. Se, por exemplo, o Luís o recomendasse.

A lógica segundo a qual escolho os filmes que vejo no cinema é essencialmente igual à de toda a gente: por um lado, sigo as recomendações de pessoas cujo critério cinematográfico considero de confiança - o de alguns amigos e alguns críticos da imprensa e da blogosfera; por outro, sou levada pela minha curiosidade pessoal, em todo o esplendor da sua banalidade, e às vezes pelas minhas idiossincrasias (nem queiram saber onde isso já me tem levado).

Teria ido ver o filme na mesma e, se não estivesse relacionado com Ian Curtis e os Joy Division, possivelmente até teria gostado do que vi. Mas não fiquei nada comovida, o que me surpreendeu. Outra coisa lamentável é que, em determinados planos, de perfil, o actor Sam Riley me tenha feito lembrar Leonardo DiCaprio. Isto aconteceu-me de verdade e prova inequivocamente que eu não estava a ser "tocada" pelo filme, nem de longe.

Sabemos que Control é baseado no livro que a mulher de Ian Curtis escreveu. A mulher que tinha 18 anos quando ele casou com ela aos 19 (facto registado) e com quem teve uma filha (facto registado). A certa altura ter-se-á apaixonado por outra mulher, uma belga (muito bonita a avaliar pela actriz que a interpreta no filme, e por conseguinte pela percepção de Deborah Curtis) - que se tem mantido discreta aos longos dos anos. Ian Curtis escrevia bem (facto subjectivo mas aparentemente unânime) e era epiléctico (facto registado), depressivo, etc, etc, etc. Suicidou-se aos vinte e poucos anos. Até que ponto Anton Corbijn é fiel ao livro, não sei, porque não tenciono lê-lo. Mas Deborah Curtis é co-produtora do filme, logo... O que me aborrece, tendo em conta que sou sensível à música dos Joy Division, é a tentativa de "repôr alguma verdade afectiva" (entre-aspas porque sou eu que o digo, porque é o que me parece), seja ela benéfica ou prejudicial, à imagem de Ian Curtis, neste caso. Não sei se me faço entender. (Se calhar é óbvio. Se calhar who cares.)

A propósito deste filme já foi referido um outro, Last Days, de Gus Van Sant, inspirado por Kurt Cobain. Também não gostei, à excepção do plano-sequência(?) longo, muito longo, que vai do exterior para o interior da casa, do jardim para a divisão envidraçada, onde o músico está a tocar (se bem me lembro). Não gostei do resto, mas ao menos tudo aquilo é ficcionado!

sexta-feira

A cores


Ian Curtis, 1956-1980. Autor da fotografia desconhecido.

(Porque fiquei desconsolada com o filme de Anton Corbijn, Control, entrava aqui bem uma série "Franjinhas". Logo a seguir vinha Louise Brooks a preto e branco. Se houver algum biopic dela, que não os interpretados pela própria, eu não quero ver.)


Joy Division, Dead Souls

quarta-feira

Céu limpo


Seattle, USA

Sem desfazer na História de Portugal ou na dos grandes conquistadores em geral, ainda nem é meio-dia e já fiz uma grande descoberta hoje, graças a •••nodatta.blogspot.com••• (obrigada pelo link, Carlos!) cujas actualizações musicais para efeitos de download - serviço público e ilegal - tenho acompanhado diariamente com o meu super-google-reader.

Estamos em território vaudevilleano, com alguém no fim a baloiçar-se no lustre da sala, voz, cordas, sopros e teclas como eu gosto. Uma banda completa no cabaret: Kay Kay and his Weathered Underground a tocar Hey Momma'. Bem alto.

terça-feira

Why don't you shut up

Acho que Gordon Brown está com receio de vir a Lisboa, ouvir Mugabe e perder as britânicas estribeiras.

Vigorosamente



«I have been a waitress, and I was a damn fine waitress too, let me tell you.» - Jessica Lange, em entrevista, Abril de 2006.

Em cima, stills do tórrido The Postman Always Rings Twice, filme de 1981 (damn fine!) em que contracena com Jack Nicholson.

«The film is most famous for the love scene on a kitchen table which was so intense that many believed that Lange and Nicholson were really having sex on screen. However, this was vigorously denied by all involved.» - da Wikipedia, claro.

segunda-feira

Uma-thurmanish



Em bom rigor, não foi por causa da actriz Sarah Polley (na foto) - também realizadora - nem por Wim Wenders que fui ao cinema ver Don't Come Knocking (ele e o Sam Shepard que me perdoem), embora Polley tenha qualquer coisa... E alguém que tenha visto o filme (já) com dez anos The Sweet Hereafter, de Atom Egoyan, não se esquece dela. Tão pouco a minha ida ao Monumental num sábado à noite se deveu à presença de Gabriel Mann (lindo, sobretudo na performance de bar, quando interpreta uma bela canção) no elenco. A única coisa que eu sabia é que ia ver Jessica Lange, de quem tinha saudades. Para mim, continua "uma mulheraça". Absolutamente extraordinária, sempre.

(Perguntaram-me se valia a pena ver o filme. Enfim, tem o Tim Roth como investigador neo-nerd, tem a fotografia inspirada pela luz e ambientes Edward Hopper e o cenário western. Nice mas não é nenhum Paris, Texas.)

sexta-feira

Solo


Yves Klein, Saut dans le vide, Paris, 1960
Foto(montagem) de Harry Shunk

Não me canso dos 'clássicos'.

Let's face it

(...)
Accusing all modern art of being left-wing probably doesn’t get us very far. What might be more useful is to ask whether there is a dominant consensus when it comes to political attitudes in modern art today. Is art good at presenting alternative perspectives and shaking our worldviews, or does much of it congratulate us on our prejudices?
(...)
Although the political compass is changing, so-called radical artists usually stick to what’s comfortable. It’s very easy to be anti-Bush these days, but try being anti-recycling.
(...)
As many critics would accept, it’s a tough challenge to bring politics into art without losing some subtlety. It is a very rare thing for artists to hit the right political note without their work looking like a simplistic didactic message.
(...)
Which is why it is hard not to feel a sense of relief when fine artists today avoid bringing politics into their work, especially when you know how bad their politics can be. Thank god for a bit of apolitical postmodernism, one might say.(...)


Excertos de um artigo intitulado Is modern art a left-wing conspiracy? (via Arts & Letters Daily)

Da prática

Letra de Forma: crítica e opinião de Augusto M. Seabra, a partir de agora em forma de blogue.

quinta-feira

Da abstracção



Criação: à esquerda, Adam (1951-2), à direita, Eve (1950), embora não tenha registado se é assim que estão dispostas as duas telas (a primeira de dimensões maiores do que a segunda) de Barnett Newman, na Tate Modern. Como eu gostei de olhar para elas. Até mais do que para as de Rothko, resguardadas numa sala própria, com luz insuficiente, pareceu-me (excesso de zelo do museu?).

Deixei-me absorver pela cor.

Do sono

Encontrei agora mesmo uma música, kind of soothing, mp3 que estava a monte no meu computador. É de uma das minhas bandas preferidas e faz parte do álbum "See You On The Moon! Songs For Kids Of All Ages", vários artistas, de 2006.


Hot Chip, I Can't Wake Up

(para o neto cuja avó não voltou a acordar)

terça-feira

Como é que fazem os Lobos?




Norberto Lobo, Mudar de Bina (Bor Land, 2007)

O rapaz (geração de 80) compõe música e toca guitarra maravilhosamente (sem qualquer parentesco com os "virtuosos" enervantes - já se vê que não os aprecio muito). Quando na pele de Norman, com o irmão Manuel Lobo e João Lobo, Norberto dá-lhe no rock experimental (como dizem os entendidos), em todo o seu esplendor. A solo e ao vivo, o Nor(berto) é encantador. O último concerto dele a que assisti, no palco do Maxime, com um galo de barcelos bordado a lantejoulas na cortina em fundo (e sobretudo Paredes), foi um primor de "portugalidade" e educação musical (e sentimental, porque não).

[O final da ronda nacional de apresentações a solo será na ZDB, em Lisboa, dia 8 de Dezembro. Ainda sobre este Lobo em particular, ver clipping exemplar, post atrás de post, no blogue do Daniel.]

O disco Mudar de Bina, com o quadro de João Abel Manta, é lindo por dentro e por fora. Esquece o Queijo da Serra, o bacalhau e os pastéis de nata, digo eu com os meus botões. (Mas não esqueças o volume de SG Ventil.) Neste momento não me ocorre melhor presente para levar na mala do que este disco.

London calling, be right back.

Chapter 1... doesn't go into detail



Por causa do vídeo que estava há uns dias n'A Causa Foi Floreada (atenção ao link novo), tenho passado horas no Youtube a ver tudo o que apanho do Ricky Gervais. Este excerto é do espectáculo "Animals" (2003), a partir (d)o Livro do Génesis.

E Deus criou as correntes blogosféricas

Olá, Miguel. 5ª frase completa da página 161 do livro que estiver mais à mão? Olha que sorte, tenho aqui um que preenche todos os requisitos: ao meu alcance (esperemos que também intelectualmente, oh my god, que ainda só vou no início) e com pelo menos 161 páginas.

If only, as a young man, Jack's way of expressing himself had been a tad sprightlier...

- perdão? -

...a tad sprightlier, a shade more people-friendly (if one could have imagined, even abstractly, the possibility of having a beer with him), he too might have been a public person in the manner of Monty Kipps, or like Jack's own late father, a senator from Massachusetts, or like his brother, a judge.

Aleatório por aleatório, e se fosse da página 261?

This was a strange question to ask in front of everybody.

A-ah! Página 361?

He blew a large smoke ring into the air and then another one that fit into that.

O livro acaba às 443. Ohh...



Passo a bola a quem me ofereceu este belo objecto da Penguin Books na semana passada (obrigada), um rapaz que está a viajar e que não tem blogue. We'll always have email.

(para o Mig Mag)

De sigano a cicrano

Olá, Samuel. Se alguma vez leres a 3ª edição de "A Mancha Humana" (Philip Roth) lançada pela Dom Quixote, não te surpreendas ao chegar à página 229 e...

Não sou capaz de ir e ver lá o nome de Fulano e Cicrano. Não, nem pensar. Não sou capaz.

Sicrano! Estas coisas deixam mancha, quer dizer, marca.

domingo




SOY UN CABALLO (com Bonnie Prince Billy), Passer des jours

terça-feira

Gestão do quotidiano

«Agora vamos ouvir o tema X da banda Y, a seguir as notícias, o programa de Z, e depois logo se vê.»

(esta manhã em 102.6 fm)

segunda-feira

Devagarinho


TORTOISE, i set my face to the hillside, ao vivo em Bruxelas, 2002

[A propósito do concerto em Lisboa (também vão tocar no Porto) de The Sea and Cake, projecto paralelo de John McEntire (Tortoise), dia 27 de Outubro, na Galeria Zé dos Bois... Há quem jure que o nome de uma das minhas bandas preferidas, de Chicago, se pronuncia à francesa - Tôrrtuahze - mas eis que surge a prova que desmente semelhante palermice pseudo-intelectual. Para que não restem dúvidas, é ouvir os primeiros segundos deste profile, narrado pelo próprio John McEntire.]

Como diz um user do YouTube, «Tortoise make me feel cooler than I really am».

sábado

Língua-fetiche

Darling and Charming went for a walk. Then she offered him a drink; they kissed.

(to be continued)

terça-feira

passa tempo

VIDRO DUPLO

VIL PUDOR ©

DR IPOD LOV U

LOUVOR DID P

DILDO OU RPV

PROL DUVIDO

domingo

Chinatown Dell'Arte



actualidade(s)

quarta-feira

Público

(...)Um momento "prenúncio de morte"? Não, que disparate: desde que se nasce que tudo é prenúncio de morte.(...)

quinta-feira

Inside-out



Umas vezes os textos lembram textos, outras vezes as imagens lembram imagens. O post Op' de 01-Jul-2007 fez-me lembrar esta foto de um vestido numa montra de Manhattan, que tirei em Out/2003 e que segue em anexo. (jj.amarante)

Certezas existenciais

A Sara Pais que se encontra aqui não sou eu. E aqui idem.

terça-feira

Não há condições

Il n'y a plus de déserts. Il n'y a plus d'îles. Le besoin pourtant s'en fait sentir. Pour comprendre le monde, il faut parfois se détourner; pour mieux servir les hommes, les tenir un moment à distance. Mais où trouver la solitude nécessaire à la force, la longue respiration où l'esprit se rassemble et le courage se mesure? Il reste les grandes villes. Simplement, il y faut encore des conditions.

São as primeiras linhas de L'été (edição da Gallimard a 2€), uma colecção de textos de Camus, comprada no Verão passado e que ficou por ler. Também não vai ser para já, porque ainda não acabei com o Roth - my problem, not his. E passe o excerto em francês.

Encadeada pel'A Divina Desordem... (re)Li recentemente algumas páginas de On Photography, de Susan Sontag, Gilgamesh, numa versão de Pedro Tamen, e um ensaio de Peter Sloterdijk (em português, que em alemão não íamos lá nem com uma lupa) incluído em O Estado do Mundo. Assim se faz uma lista (pouco aldrabada) de cinco livros, meio lidos, meio relidos, aos zigue-zagues. Não tenho condição para mais do que isto.

Passamos a bolinha ao Luís, à Susana, ao Francisco, ao Daniel e à Batukada, mas todas as desculpas são boas para não a apanharem.

domingo

Op'

quinta-feira

Medicação recomendada


Justice, "D.A.N.C.E."

Casal de depressivos

- E se for menina, como é que lhe vão chamar...?
- (a duas vozes) Neura.

sábado

Narcóticos



Os "Super-Rocks", e os festivais de música em geral, são cansativos, a multidão empurra-nos, aperta-nos, entorna-nos cerveja por cima, grita ao nosso lado. Mas de vez em quando tem de ser, e nada me move mais do que a antecipação de bons concertos. Como não aguento três dias daquilo, opto por Interpol (até que enfim em Portugal!), dia 5 de Julho. Como bónus nada despiciendo, TV on the Radio e The Gossip, entre outros, na mesma noite. (No vídeo, Interpol a tocar ao vivo "Narc".)

Allegretto

Uma das últimas apresentações da Orquestra Gulbenkian a que assisti, em final de "temporada", foi dirigida pela Maestrina Joana Carneiro. Não sou habituée de concertos de música clássica e nunca tinha visto uma Mulher-Maestro em acção. Fiquei fascinada. (Diz que estava também em palco um violoncelista virtuoso, convidado como solista, pormenor que me passou ao lado... Só tive olhos para ela.) O repertório era bom (semanas antes vi um concerto em que "Suite de Il gattopardo" de Nino Rota fazia parte do programa), como suponho que serão todos. Mas o que me impressionou foi o equilíbrio entre força e graciosidade, gestos largos peculiares, a elegância, a simplicidade, e a leveza extraordinária da Maestrina - para o que contribuía a sua figura esguia, vestida de comprido, de escuro, discreta, sapatos rasos - com os pés bem assentes no chão. Parecia uma bailarina. A minha comoção atingiu o máximo durante o segundo andamento da Sinfonia Nº 7, de Ludwig van (designação "kubrickiana"). Quando cheguei a casa fui procurar a minha colecção das 9 Sinfonias de Beethoven, num cantinho da estante com pó. Pus a tocar a mesma composição, mas pela Berliner Philharmoniker, dirigida por Herbert von Karajan. Não me soou a mesma. Qualquer dia começo a perceber destas coisas.

(Passe a publicidade, dia 30 de Junho e 1 de Julho, sábado e domingo, às 20h e às 21h30, respectivamente, a Maestrina Joana Carneiro vai dirigir a Orquestra Gulbenkian no anfiteatro ao ar livre da Fundação Calouste Gulbenkian. Se não chover, claro. Buuu...)

Soft-feelings

Irrito-me, zango-me, arregalo os olhos e excedo os limites recomendados de assertividade. Contudo, nunca guardo ressentimento: ocupa muito espaço.

Ken

Would you believe that Barbie's boyfriend's name means (1) vision, foresight, knowledge - or (2) a house where unsavory characters gather (British criminal argot)?

in Maravilhas de www.yourdictionary.com

E se de repente um (des)conhecido te deixar K.O.?

- ...
- Como é que se chama o teu blogue?
- Hum... Vidro Duplo.
- Ah, ok.
- É uma coisa incipiente.
- Comparado com o quê? Dostoievski?

Com simpatia, arrumou-me. Nice to meet you!

Post atrás de post

Tudo o que você sempre quis saber sobre B.B., o Daniel conta.

domingo

Rapazes bestiais



Tu vais ao concerto de hoje; eu vou ao de amanhã ("A Gala Event – Exclusive Instrumental Show", Beastie Boys na Aula Magna). Beijos.

sábado

Ontem deitei-me assim...

Each day drags by until finally night time descends / on me

... a cantar o que tinha ouvido umas horas antes numa adaptação a seis vozes, em Winch Only: um espectáculo de teatro em inglês, francês e alemão (legendado), que entre outras coisas - divertido e "exigente", com texto denso, cenário de luxo e óptimos actores - é muito musical, repleto de árias, Mireille Mathieu (uma obsessão) e ainda um tema pop-rock melancólico que permanece no (sub)consciente, original de uma banda "oldie". I go to sleep...

sexta-feira

Toque artificial

É natural, naturalíssimo, e muito escuro. Não pinto o cabelo há anos e poucas vezes na vida o fiz. «Põe algum químico?», perguntou-me o cabeleireiro enquanto observava a reacção no espelho - um esgar de horror - e se preparava para pegar na tesoura. «É que parece cabelo de boneca...», disse por fim a tentar disfarçar o embaraço. Eu sorri. Depois fez-me um corte geométrico, de grande precisão, como no Japão. E calou-se.

quarta-feira

Apocrypha

Polaris

Divinas expedições.

sexta-feira

domingo

Clássicos contemporâneos

Comprei umas sandálias de verniz vermelho e um livro de Philip Roth (novidade cá em casa), para alternar com Balzac nas próximas semanas. Este será o primeiro (e possivelmente o último) post da série "A mulher de quase trinta anos".

Optimismo de wikipedia

En 1830, à trente ans, une femme est mariée, a eu ses enfants, a perdu la fraîcheur de ses vingt ans, sa vie est presque finie; actuellement, à trente ans, une femme se marie, commence à faire ses enfants, sa carrière commence à tenir ses promesses: la vie s'ouvre devant elle.

terça-feira

Eu tenho dois amores

O meu blogue sabe do outro desde o início. Sabe que o caso é sério e que pode durar meses. O meu blogue tem uma pontinha de ciúmes.

posted by EdM

domingo

Um lindo fato de banho de duas peças

"Hipótese: o cinema é uma vigarice (Godard) que pode ser superada." - João César Monteiro


Luís Miguel Cintra como Lívio em Quem espera por sapatos de defunto morre descalço, 1970

(...)No ano seguinte, estimulado por algumas boas vontades (saudades), resolvi repegar no projecto «Quem espera por sapatos de defunto morre descalço», cujas filmagens se arrastaram ao longo de dois anos. Numa altura em que eu já deitava o filme pelos olhos, a Fundação Gulbenkian concedeu-me (obrigadinho) um subsídio de $$$$$$$$$$$$$$$$... 180 contos, divididos em 3 prestações. Aqui, tive a tentação de dar uma volta. Pedi ao Vasconcelos para filmar dois planos que faltavam ainda ao filme, e fui. Itália e a inevitável Paris. Esgotada a finança, voltei para acabar o filme, receber a última prestação e partir outra vez, ora de comboio, ora à boleia, consoante a inspiração: Barcelona, Marselha, Florença, Milão, Como, Cernobbio, Paris.

Entretanto, o filme começou por ser relativamente mal recebido junto do Mecenas (quereriam ópera por 180 contos?), continuou, pateado num festival no Sul de Espanha e foi friamente acolhido pelos críticos presentes em Nice, aquando da chamada Semaine du Jeune Cinéma Portugais. Foi pena, porque me teria dado jeito, sobretudo no que toca à fruição de algumas benesses locais, mas já que não pôde ser, paciência! Tirando isso, aproveitei a estadia niceoise para comprar um lindo fato de banho de duas peças com a nota de 100 francos que o João Bénard me emprestou(...)

J.C. Monteiro, daqui.

Time



As I walked out one evening,
Walking down Bristol Street,
The crowds upon the pavement
Were fields of harvest wheat.

And down by the brimming river
I heard a lover sing
Under an arch of the railway:
«Love has no ending.

I'll love you, dear, I'll love you
Till China and Africa meet,
And the river jumps over the mountain
And the salmon sing in the street.

I'll love you till the ocean
Is folded and hung up to dry
And the seven stars go squawking
Like geese about the sky.

The years shall run like rabbits,
For in my arms I hold
The Flower of the Ages,
And the first love of the world.»

But all the clocks in the city
Began to whirr and chime:
«O let not Time deceive you,
You cannot conquer Time.

In the burrows of the Nightmare
Where Justice naked is,
Time watches from the shadow
And coughs when you would kiss.

In headaches and in worry
Vaguely life leaks away,
And Time will have his fancy
To-morrow or to-day.

Into many a green valley
Drifts the appalling snow;
Time breaks the threaded dances
And the diver's brilliant bow.

O plunge your hands in water,
Plunge them in up to the wrist;
Stare, stare in the basin
And wonder what you've missed.

The glacier knocks in the cupboard,
The desert sighs in the bed,
And the crack in the tea-cup opens
A lane to the land of the dead.

Where the beggars raffle the banknotes
And the Giant is enchanting to Jack,
And the Lily-white Boy is a Roarer,
And Jill goes down on her back.

O look, look in the mirror,
O look in your distress:
Life remains a blessing
Although you cannot bless.

O stand, stand at the window
As the tears scald and start;
You shall love your crooked neighbour
With your crooked heart.»

It was late, late in the evening,
The lovers they were gone;
The clocks had ceased their chiming,
And the deep river ran on.


W. H. Auden, 1940

terça-feira

Sujeitos poéticos

Não fazemos o que queremos; fazemos o que podemos.

Hoje à noite fui ao cinema.



Daft Punks' Electroma, um poema sem palavras... uma experiência cinematográfica... um filme (secção Laboratório), da dupla de música electrónica Guy-Manuel de Homem-Christo (uau) e Thomas Bangalter. (Têm todo o ar de ser amigos de Vincent Gallo.) Electroma não tem música dos Daft Punk. Tem Brian Eno e outros que não identifico. Passou no Indielisboa, anfiteatro do cinema São Jorge, sem legendas, porque não tem diálogos. Tela enorme. Dois robots que querem ser humanos - não posso contar o fim. 4 estrelas. Volta a passar na próxima quinta-feira, às 21h30, sala 3 do São Jorge.



A seguir à projecção, vi Hal Hartley na varanda.

sábado

Uma questão de fontes

"...it isn't only what is being said, but how these messages are being delivered. Typography is not simply a frou-frou debate over aesthetics orchestrated by a hidden coterie of graphic-design nerds."

Via Arts & Letters Daily, fiquei a par do 50º aniversário da... Helvetica. O MoMA comemora o acontecimento com uma exposição, de Abril 2007 até Março 2008.



Serifs são as pequenas hastes que ficam penduradas nas extremidades das letras, como no título e corpo de texto do meu blogue. Diz-se que as fontes com esta característica tipográfica facilitam a leitura, "pois as serifas tendem a guiar o olhar através do texto. O ser humano lê palavras ao invés de letras individuais, assim as letras serifadas parecem juntar-se devido aos seus prolongamentos, unindo as palavras. Por outro lado, as fontes sem-serifa costumam ser usadas em títulos e chamadas, pois valorizam cada palavra individualmente e tendem a ter maior peso e presença para os olhos, já que parecem mais limpas." - WIKIPEDIA

Só um mau texto é que nem com "serifas" se salva.

Entretanto, este mês também faz 30 anos (tal como eu em Maio próximo) que o GUARDIAN, por ocasião do Dia das Mentiras, fez muito boa gente acreditar que existiria uma "ilha-nação" chamada San Serriffe, colonizada por espanhóis e portugueses, cuja capital "actualmente" seria Bodoni.

(...)GOVERNMENT: For many years following independence in 1967, San Serriffe had an autocratic form of government under military strongman General Pica. However, democratic elections were held in 1997. The winner was the charismatic Antonio Bourgeois.

CULTURE: Among the cultural highlights of life in San Serriffe are:
- The Cult of the Sonorous Enigma
- The Festival of the Well-Made Play
- The Ampersand String Quartet

The relaxation of the islands' strict anti-pornography laws under the Bourgeois government has led to the publication of a series of risqué novels by Serriffean journalists, collectively referred to as the "Times Nude Romances".(...)


Como dizem os anglo-saxónicos, I rest my case.

segunda-feira

Prova dos 9


(gostar de Kate "Ossuda" Moss)

sábado

Fujiya & Miyagi

Uma banda com este nome só podia ser de Brighton... »»»»»»»» Ali à direita pode-se ouvir "Collarbone". Como é que eu poderia não simpatizar com um trio inglês (gira-discos de marca Fujiya + personagem do filme "The Karate Kid" = soa japonês) que toca uma música chamada "Clavícula"? E que dizer do disco "Transparent Things"? Nabokov não se deve ter importado que lhe roubassem o título de um dos seus livros:

In matters of art, 'avant garde' means little more than conforming to some daring philistine fashion, so, when the curtain opened, Hugh was not surprised to be regaled with the sight of a naked hermit sitting on a cracked toilet in the middle of an empty stage. »»»»»»»» I gotta read this.

Lolita complex / Trumpet girl



Andava à procura de vídeos do Momus e encontrei esta gata asiática. Não sei se ele terá escrito a música "Good Morning World" (1995?) de propósito para ela. Seja como for, Kahimi Karie tem, ou já teve, bastante sucesso em Tóquio, no estilo Shibuya (cf. Cibo Matto e Pizzicato Five). Eu hoje ia comprando o Chiado inteiro (e arredores). Estava com uma paciência extraordinária para experimentar roupa e sapatos. Mas estou a desviar-me do assunto central: Momus (que também bloga) é um grande entendido em Orientalismo e pela-se pelo Outro (private joke).

What we see is what we get

(...)if you post a vlog of yourself, there'll always be a couple of comments saying that you "love the sound of your own voice", that you're Narcissus himself, showing off. In short, you're nude, or a flasher. Now, I don't disagree with these comments - I've been brought up in this culture too, I internalize its values. But while I agree that showing yourself too much or too proudly can be a sin and a vice, it's a vice to which I personally feel very indulgent, very lenient. It's an important vice, a virtuous one.(...)I personally really want to know what someone looks like. I'm a big fan of situatedness and embodiment. We are not just brains in jars, we're humans in bodies, with faces and histories and accents. Culture is not a neutral stream of abstractions. But when text is king, we're tempted to think of it that way. Text is so utterly useless at conveying what someone's like in person, where they're coming from, how they fish around for ideas, how intelligent or attractive or confident they are. Our culture has only had video for a few decades, and is only now seeing a widespread publishing platform for "the people's video" in the form of the internet and vlogs. So I think we're going to have to recalibrate our ideas of what it's decent and indecent to show.(...) - Momus' Click opera

Uma espécie de intervenção cívica #1

Put some makeup on your face
Make this world a better place

Uma espécie de intervenção cívica #2



David Lynch faz análise exemplar da prática de "Product Placement", e eu ainda nem vi o novo filme dele.

domingo



What a beautiful face
I have found in this place
That is circling all round the sun
And when we meet on a cloud
I'll be laughing out loud
I'll be laughing with everyone I see
Can't believe how strange it is to be anything at all.


(Neutral Milk Hotel, "In an aeroplane over the sea")

sábado

Don't panic

quinta-feira

Mi and L'au

(...)They fell deeply and immediately in love, and after a short period of moving from apartment to apartment in Paris, they gave everything up and decided to move to the woods in Finland, so they could be alone together in peace and spend their time discovering each other and their music.

Isto é tudo muito bonito, incluindo o resultado artístico. Mas pergunto-me: vivem de quê? Concertos na ZêDêBê?

Com amor

Sempre que por diversão o meu pai me tentava moer o juízo (ou eu a ele), a minha mãe dizia: "não sejas macaco-verde".

Para mais tarde recordar (RTP Memória)



Sincero agradecimento, beijos e abraços, à minha adorada amiga e adorável "(ex-)chefe", Filipa Reis. E ao Gil, que faz anos hoje.

Recibos verdes

Condição contemporânea.

(embarassing institutional) Default

Enviar emails do meu novo endereço electrónico para familiares, amigos e conhecidos, sem ser por razões estritamente profissionais, talvez não seja boa ideia, sob pena de ser gozada por causa do remetente. É claro que não fui eu que lá escrevi "Consultora" entre parênteses, a seguir ao meu nome.

(fora do horário laboral, "consultas", só com marcação especial)

segunda-feira

Miss Simpatia



Grande animação! Esta leitora do blogue Ainda Não Está Escuro agradece, retribui e redistribui: uma óptima semana a todos, e a alguns em particular.

Tu e eu

Dois nós (difíceis de desatar).

quinta-feira

Pop'zinha: Scots Vs Swedes



Quando comecei a ouvir "You can't hurry love", pensei que fosse Camera Obscura, pela voz. Afinal era The Concretes. Ela por ela.

sms

Alguém do Brasil veio parar ao meu blogue à procura do número de telefone de Joaquin Phoenix. Lamento, caro/a visitante, mas só tenho na agenda telefónica os números que realmente me interessam. E neste momento está completa.

segunda-feira

O Oscar não sabe o que perde(u)


Ryan Gosling, em HALF NELSON

What's the story behind the title?
A "half nelson" is a wrestling move, and we were making a movie about a lot of characters that were wrestling with different parts of themselves and the problems in their world. So we thought it was an appropriate metaphor. It's also a Miles Davis tune that we thought we'd throw in.(...)

Actor principal e banda sonora (Broken Social Scene) muito recomendáveis. Não são só os Arcade Fire que dão prestígio ao Canadá.

quinta-feira

Ab Fab

Não assisti a nada em directo nem em indirecto, mas no rescaldo do rescaldo os apontamentos da Triciclo Feliz sobre o tapete vermelho (e o resto) são obrigatórios.

O meu YAY vai para Cate Blanchett:

domingo

Fronteira

O verdadeiro provinciano é o falso cosmopolita.

Bermaniana

Hoje passei algumas horas a ouvir Joanna Newsom (que querida, tão erudita, aqui com a harpa e as suas roupinhas folk, num concerto a meias com o namorado.) Não me apetece ouvir mais, e a vizinha agradece. Regresso a Silver Jews, à música em que fiquei ontem, antes de sair para jantar:

We're gonna live in Nashville and I'll make a career
Out of writing sad songs and getting paid by the tear

Marry me and leave Kentucky
Come to Tennessee
'Cause you're the only ten I see
You're the only ten I see

Separadas à nascença?



No YouTube comenta-se que têm vozes parecidas. Pior ainda, diz-se que Joanna Newsom é autista e "semi-retarded". Permitam-me discordar. Child-like, she's just too good to be true.

Estado de Graça

L'Amore (que vi esta quarta-feira na Cinemateca), de Rossellini, divide-se em duas histórias, ambas protagonizadas por Anna Magnani. Começa com a mise-en-scène (não toco piano, mas falo francês) do monólogo escrito por Jean Cocteau, La Voix Humaine - livro que não estou a encontrar na estante. Se o tiver emprestado a alguém que esteja desse lado, pede-se o favor de... É uma tragédia. (O texto teatral, não o facto de eu desconhecer o paradeiro do meu livro.) O discurso pelo telefone da mulher desesperada mete dó. Foi abandonada pelo amante, que a trocou por outra. Ele está do outro lado da linha, mas apenas se subentende o que diz. Ela agarra-se ao fio do aparelho, como se a vida dependesse disso. É angustiante. Um grande desempenho de Anna Magnani. Porém o meu constrangimento falava mais alto. Já estava com pressa de chegar à segunda história, que foi o que me levou naquele dia à Barata Salgueiro.

Em Il Miracolo, Nannina é a maluquinha da aldeia que quando está a guardar as cabras na montanha julga ter uma aparição de São José (interpretado por Federico Fellini, magnífico!). Como é óbvio, "São José" não é São José. É uma criatura de carne e osso, que apareceu por ali, e que silenciosamente se deixa ficar a ouvir o delírio de Nannina. Vai-lhe tirando as medidas, enquanto ela fala, e passa-lhe a garrafa de vinho para as mãos. Ela, ingénua, vai dando uns goles. Com os vapores etílicos, começa a ficar tonta e encalorada. O delírio aumenta. Está no Paraíso e às tantas não vê mais nada, desmaia com o êxtase. Fica completamente à mercê do homem. Na cena seguinte, "São José" desapareceu. De volta à aldeia, Nannina relata o milagre. Pois sim, dirão os outros habitantes. Meses depois, descobre-se que está grávida. Nannina acredita piamente que foi abençoada com uma concepção imaculada, que Deus a encheu de Graça. É a chacota da aldeia. Nannina foge. Alienada, acaba por dar à luz numa capela, no alto da montanha, sem ninguém por perto. Feliz.

Um filme extraordinário (realizado por Rossellini, com uma história produto da imaginação de Fellini). Mas o que para mim foi mais extraordinário foi a personagem não me ter inspirado piedade. Até senti uma pontinha de inveja. A sua crença é tão profunda, tão libertadora. Ela acredita, é quanto baste. L'Amore.

"O que importa é a fé dos homens. Nada mais conta. O resto é a superficialidade dos homens."

quarta-feira

Mulher-objecto

"Útero com dimensões conservadas, 83x30x42 mm, de contornos regulares e ecoestrutura homogénea do miométrio.(...)"

in estudo ecotomográfico ginecológico

terça-feira

Das vantagens de chegar cedo ao local de trabalho

Manhã iluminada. Encontrar Ys, de Joanna Newsom, em cima duma mesa. Pô-lo a tocar e ouvi-lo pela primeira vez na íntegra, em silêncio quase, quase absoluto, passe a estranheza. Depois começou toda a gente a entrar em cena. Hoje não é dia feriado.

sábado

How the hell does Stevie Wonder see things?



Em escuta, o primeiro álbum (2004) da banda que mais gostei de conhecer em 2006. Sobretudo graças ao concerto-sauna na ZDB, no verão passado. "Lo-fi charm", "electro-ironic soul music", "wearing their influences on their sleeve" (The Beach Boys, Prince, Ween, 60's girl groups, Dr. Dre, Devo, Stevie Wonder, Madlib). "Like a mellow, hip-hop-lovin' version of LCD Soundsystem", etc. Ao vivo, aqui.

quinta-feira

Especial pós Dia(s) dos Namorados

Um dia no jardim
fiquei muito espantado:
encontrei uma miúda
com olhos por todo o lado.

Era de facto encantadora
(e também assustadora!);
e, porque tinha boca para falar,
pusemo-nos a conversar.

Falámos sobre flores
e das suas aulas de poesia,
e dos problemas que teria
se tivesse miopia.

É óptimo namorar
alguém que tanto nos olha,
mas se desata a chorar
apanhamos uma molha.

"A Rapariga com Muitos Olhos", do livro de Tim Burton, A Morte Melancólica do Rapaz Ostra & Outras Estórias, em reedição recente pela Antígona.

Uma entrevista é uma entrevista

Era uma vez a MINGUANTE, revista on-line de micronarrativas.

domingo

Da responsabilidade


Nana (Anna Karina)

(...)

Yvette: É triste, mas não sou responsável por nada.
Nana: Eu acho que somos sempre responsáveis por tudo o que fazemos - e livres... Levanto a mão, sou responsável. Viro a cabeça para a direita, sou responsável. Sou infeliz, sou responsável. Fumo um cigarro, sou responsável. Fecho os olhos, sou responsável. Esqueço-me que sou responsável, mas sou-o na mesma. Era o que eu dizia há pouco. Querer evadir-se é uma treta. Afinal, tudo é belo. Basta ter interesse pelas coisas e achá-las bonitas. No fundo, as coisas são o que são e mais nada. Um rosto é um rosto. Pratos são pratos. Os homens são os homens. E a vida é a vida.

(...)

Vivre sa Vie (JLG, 1962)

Disclaimer

(Sábado à noite, festa, copos, conversa casual em grupo.)

- Sara, tenho ido ao teu site. Mas fico sempre deprimida.
- Então por que é que continuas a ir?

Eva, isto também "não é uma crítica". És sempre bem-vinda.

sábado

sexta-feira

Sim, sim, sim

Batu, de facto não perguntei, mas no fundo no fundo no fundo esperava que respondessem. Tu, o Luís e o Ricardo. (O Casanova fez-me sentir cota: "No referendo de 1998 não participei porque ainda não era maior.")

quarta-feira

Ambrósio, apetece-me Schopenhauer

(...)ANTES DE TUDO, devemos considerar a essência de toda a controvérsia, o que nela se passa de facto.
O nosso oponente afirmou uma tese (ou nós próprios, pouco importa). Para a refutarmos, existem dois modos e dois caminhos.

1. Os modos: (...)podemos demonstrar, ou que esta tese não está de acordo com a natureza das coisas, isto é, com a verdade objectiva absoluta; ou que ela é inconsistente com outras alegações ou concessões do nosso oponente, isto é, com a verdade subjectiva relativa. Este último modo produz apenas uma convicção relativa, e não importa em nada para a verdade objectiva da questão.
2. Os caminhos: 1) a refutação directa, ou 2) indirecta. A directa ataca a tese pelos seus fundamentos; a indirecta, pelas suas consequências. A refutação directa demonstra que a tese não é verdadeira; a indirecta, que ela não pode ser verdadeira.(...)

ESTRATAGEMA 1
A EXTENSÃO. Ampliar a afirmação do oponente para além dos seus limites naturais, interpretá-la da maneira mais geral possível, tomá-la no sentido mais lato possível e exagerá-la; e, por outro lado, reduzir a nossa ao sentido mais restrito, aos limites mais estreitos que forem possíveis: pois quanto mais geral se tornar uma afirmação, mais ela estará sujeita aos ataques.(...)

ESTRATAGEMA 2
Utilizar a Homonímia para estender a alegação àquilo que pouco ou nada tem de comum com o objecto do debate, senão o mesmo termo, e depois refutá-lo de forma triunfante, como se se houvesse refutado a própria afirmação.(...)

EXEMPLO 1. A: «Você ainda não está iniciado nos mistérios da filosofia kantiana.»
B: «Ah, se se trata de mistérios, não quero ter nada a ver com isso.»(...)

ESTRATAGEMA 8
Fazer encolerizar o oponente: pois no seu furor ele fica incapaz de um juízo correcto e de perceber o que é do seu interesse. Podemos encolerizá-lo sendo repetidamente injustos para com ele, fazendo chicana, e, em geral, sendo insolentes.(...)

ESTRATAGEMA 34
Quando o oponente não dá resposta directa a uma pergunta ou a um argumento, mas se furta a ela com uma contra-pergunta ou uma resposta indirecta, ou algo que não tenha a ver com o debate e tenta mesmo desviar o assunto, essa é a prova evidente de havermos tocado um ponto fraco (por vezes sem o sabermos): da parte dele, é um modo relativo de se calar. Há pois que insistir no ponto suscitado e não deixar que o oponente a ele se furte, mesmo que não se saiba ainda em que consiste ao certo a fraqueza que atingimos.(...)

ÚLTIMO ESTRATAGEMA
Quando percebemos que o oponente é superior e que não iremos ganhar, tornamo-nos pessoais, insultuosos, grosseiros.(...)É um apelo das faculdades do espírito às do corpo, ou à animalidade. Esta regra é muito apreciada, visto cada um a poder aplicar, e por conseguinte, é usada com muita frequência...


Ambrósio, já chega!

domingo

Kate Dietrich

Parece que não confiam

(...)2. A corrente laicista, que deseja a Igreja fechada na sacristia, não creio que seja maioritária na sociedade portuguesa, apesar do nosso passado anticlerical. Mas a grande alergia à presença activa da Igreja talvez resulte da ideia de que ela quer fazer da sociedade e do espaço público uma sacristia. As declarações e posições pouco católicas de certos movimentos, personalidades e de alguns padres dão a impressão de quererem entregar à repressão do Estado, do Código Penal, dos tribunais, da polícia, da cadeia, as suas convicções morais - isto é, parece que não confiam na consciência das mulheres, na sua capacidade de discernimento, para percorrerem todos os caminhos necessários até chegarem a uma decisão bem informada, responsável, prudencial, no sentido que a virtude da prudência, virtude da decisão bem informada, tem em Aristóteles e Tomás de Aquino.(...)
Como dizia Tomás de Aquino, só somos verdadeiramente livres quando evitamos o mal, porque é mal, e fazemos o bem, porque é bem, não porque está proibido ou mandado. Todo o trabalho que a Igreja tem a fazer é, precisamente, o de ajudar as pessoas a caminharem para esse ponto de lucidez. Esclarecer as consciências não é formatá-las, não é impor-lhes uma outra consciência, não é aliená-las. Quando, nas condições e no prazo referidos, se chama "assassinas" às mulheres que recorrem ao aborto - que a Igreja e qualquer pessoa de bom senso desejam que nunca venha a acontecer -, pode estar-se a insultar, exactamente, as que sofrem os dramas que acompanham essas decisões dolorosas. A resposta ao referendo não deve extravasar o âmbito da pergunta aprovada.
3. Em última análise, a grande suspeita em relação à pergunta do referendo está neste fragmento da frase: "por opção da mulher." E porquê? Porque se julga que as mulheres não são de confiança. No entanto, foi a elas que a natureza confiou a concepção e o desenvolvimento da vida humana, durante nove meses.(...)


Frei Bento Domingues, O.P. (PÚBLICO, 04/02/07)

Questão fracturante

Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?

Para mim, o aborto é uma questão da esfera privada, por isso sinto-me incomodada de o ver discutido em público. É também uma questão de consciência, por isso voto SIM. O assunto não tem nada a ver com ser de Esquerda ou de Direita. A uma semana do referendo, aqui fica uma amostra da "fractura", com a enumeração de algumas pessoas que mais gosto de ler na blogosfera - e cujos blogues visito com regularidade (porque há muitos outros que podia referir):

- batukada (aborda o assunto com humor, mas a intenção de voto, ou mesmo de ir votar, não é clara)
- Carla Quevedo (SIM)
- Eduardo Nogueira Pinto (NÃO)
- Francisco Valente (SIM)
- Ivan Nunes (SIM)
- Luís Miguel Oliveira (não me lembro de nenhum post em que o referendo tenha sido abordado)
- maradona (SIM)
- Pedro Mexia (NÃO)
- Ricardo Gross (sei qual é a posição dele sobre o assunto, mas como nunca expressou a sua opinião no blogue também não sou eu que vou revelá-la)
- Rogério Casanova (não faço a menor ideia)
- Sam (SIM)
- Samuel Úria (aborda o assunto com humor, e embora não o diga explicitamente, julgo que é NÃO)
- Tiago Cavaco (NÃO)

(...)

SÖREN
A vida está cheia de enigmas. Um beijo, Regina. Salomão diz que uma boa resposta é como um amoroso beijo. Eu prefiro um amoroso beijo a uma boa resposta. É mais próprio da natureza do beijo imaginar um homem que beija uma mulher, do que uma mulher que beija um homem. Pouca gente faz caso destas coisas.

REGINA
Pouca gente sabe essas coisas.

SÖREN
É uma boa resposta e sabe como um beijo.

(...)


Agustina Bessa-Luís (dramatização de), "Estados Eróticos Imediatos de Sören Kierkegaard", Guimarães Editores, Lisboa, 1992

Your honour, may I say something...?

I'd rather kiss you. With all due respect.

(O post só funciona se for em inglês. Por favor, não me tomem por pretensiosa. Obrigada.)

quarta-feira

Acronym



Lots Of Libido In The Air.

Emerald, Sapphire and Gold

O meu blogue presta serviços de outsourcing, sempre que solicitados por entidades com consciência rítmica.

domingo

On the house (stereo)



Em crescendo, em escuta, em repeat: confirmo pela data dos "ficheiros recebidos" que foi em Outubro que um dos meus melhores amigos - Carlos, beijos para ti - me enviou alguns mp3 das ESG (não confundir com um rapper que adoptou as mesmas iniciais). Até então, desconhecia esta banda dos anos 80 formada pelas manas Scroggins, do South Bronx. Depois comecei a ouvi-las de vez em quando na Rádio Oxigénio, actualmente a minha frequência preferida para ouvir música no carro (ando enjoada com a playlist pop-rock da Radar). Nesta última sexta-feira de manhã, passava "Dance" (a segunda do alinhamento do disco). Ficou-me novamente no ouvido. Mais tarde, quando passei na sala de edição, estava a ser montada uma peça, a ir para o ar na próxima semana, com "My Love for you", que é a última faixa do disco (um grande bem-haja ao Baptista, editor, pela escolha da banda sonora). Foi nessa altura que as ESG se me entranharam irreversivelmente. Mais tarde ainda, no Bairro Alto, disseram-me (beijos também para ti, Jorge!) que tinha saído agora uma re-edição pela Soul Jazz Records (que belo catálogo) de "Come Away with ESG", o primeiro(?) longa duração delas, lançado em 1983. Já não havia volta a dar-lhe: no dia seguinte tinha de ir à FNAC comprar um presente de aniversário para uma amiga (JP Simões, "1970") e aproveitaria para me presentear a mim própria.

(Este post está a ficar longo... E tem parêntesis a mais. Desculpem. Vou continuar.)

Quase todas as faixas do disco me parecem dançáveis. Fiz o upload para o blogue de "Dance", uma das mais contagiantes, mas aborrece-me que o baixo, essencial na música das ESG, não se ouça pelas colunas de som do meu computador. Paciência, fica lá na mesma, já dá para se ter uma ideia. Em casa, isto é para ser ouvido na aparelhagem, com o volume alto, e a minha vizinha deve estar há horas a rogar-me pragas.

Os dois minutos instrumentais de "Chistelle" (faixa 5) não podiam estar mais próximos de Sonic Youth. O baixo de "Tiny Sticks" também me soa familiar. E "The Beat". Adoro. E "It's Alright". Sempre o baixo. "Come Away", "Parking Lot Blues", "You Make No Sense", "About You", "Moody (spaced out)"... Todo o disco é impressionantemente bom. Se eu fosse DJ, pelo menos uma destas onze músicas teria de passar, e ai de quem não dançasse.

(O novo de LCD Soundsystem, "Sound of Silver", só sai em Março, mas houve uma "fuga" e consegue-se fazer ilegalmente o download da net de todas as músicas do disco. Tal como eu, desconfio que há um jornalista do Y que também já o fez. Se não, como é que ele pôde destacar no suplemento do Público "Get Innocuous"...? O single que tem passado na rádio, que por acaso é óptimo, chama-se "North American Scum". O resto também me parece muito bem, a última música chama-se "New York I Love You", mas lá está, tenho a sensação que o meu computador não reproduz música como deve ser, e não tenho Ipod. James Murphy é grande e hei-de voltar a dizer que gosto da voz anasalada dele quando o disco estiver à venda. Por enquanto, no MySpace.)

sábado



and i can’t sleep
'cause you got strange powers
you’re in my dreams
strange powers


(The Magnetic Fields)

Bad lover

- Não (me) consigo desligar... do trabalho.
- Tudo bem, desde que não vás para a cama com o Stress.

Atracção-repulsão

Ordinary life is pretty complex stuff.