Medicação recomendada
Justice, "D.A.N.C.E."
- E se for menina, como é que lhe vão chamar...?
- (a duas vozes) Neura.
posted by sara at 18:38
Os "Super-Rocks", e os festivais de música em geral, são cansativos, a multidão empurra-nos, aperta-nos, entorna-nos cerveja por cima, grita ao nosso lado. Mas de vez em quando tem de ser, e nada me move mais do que a antecipação de bons concertos. Como não aguento três dias daquilo, opto por Interpol (até que enfim em Portugal!), dia 5 de Julho. Como bónus nada despiciendo, TV on the Radio e The Gossip, entre outros, na mesma noite. (No vídeo, Interpol a tocar ao vivo "Narc".)
posted by sara at 18:20
Uma das últimas apresentações da Orquestra Gulbenkian a que assisti, em final de "temporada", foi dirigida pela Maestrina Joana Carneiro. Não sou habituée de concertos de música clássica e nunca tinha visto uma Mulher-Maestro em acção. Fiquei fascinada. (Diz que estava também em palco um violoncelista virtuoso, convidado como solista, pormenor que me passou ao lado... Só tive olhos para ela.) O repertório era bom (semanas antes vi um concerto em que "Suite de Il gattopardo" de Nino Rota fazia parte do programa), como suponho que serão todos. Mas o que me impressionou foi o equilíbrio entre força e graciosidade, gestos largos peculiares, a elegância, a simplicidade, e a leveza extraordinária da Maestrina - para o que contribuía a sua figura esguia, vestida de comprido, de escuro, discreta, sapatos rasos - com os pés bem assentes no chão. Parecia uma bailarina. A minha comoção atingiu o máximo durante o segundo andamento da Sinfonia Nº 7, de Ludwig van (designação "kubrickiana"). Quando cheguei a casa fui procurar a minha colecção das 9 Sinfonias de Beethoven, num cantinho da estante com pó. Pus a tocar a mesma composição, mas pela Berliner Philharmoniker, dirigida por Herbert von Karajan. Não me soou a mesma. Qualquer dia começo a perceber destas coisas.
(Passe a publicidade, dia 30 de Junho e 1 de Julho, sábado e domingo, às 20h e às 21h30, respectivamente, a Maestrina Joana Carneiro vai dirigir a Orquestra Gulbenkian no anfiteatro ao ar livre da Fundação Calouste Gulbenkian. Se não chover, claro. Buuu...)
posted by sara at 18:04
Irrito-me, zango-me, arregalo os olhos e excedo os limites recomendados de assertividade. Contudo, nunca guardo ressentimento: ocupa muito espaço.
posted by sara at 17:56
Would you believe that Barbie's boyfriend's name means (1) vision, foresight, knowledge - or (2) a house where unsavory characters gather (British criminal argot)?
in Maravilhas de www.yourdictionary.com
posted by sara at 17:50
- ...
- Como é que se chama o teu blogue?
- Hum... Vidro Duplo.
- Ah, ok.
- É uma coisa incipiente.
- Comparado com o quê? Dostoievski?
Com simpatia, arrumou-me. Nice to meet you!
posted by sara at 17:36
Tudo o que você sempre quis saber sobre B.B., o Daniel conta.
posted by sara at 17:17

Tu vais ao concerto de hoje; eu vou ao de amanhã ("A Gala Event – Exclusive Instrumental Show", Beastie Boys na Aula Magna). Beijos.
posted by sara at 14:17
Each day drags by until finally night time descends / on me
... a cantar o que tinha ouvido umas horas antes numa adaptação a seis vozes, em Winch Only: um espectáculo de teatro em inglês, francês e alemão (legendado), que entre outras coisas - divertido e "exigente", com texto denso, cenário de luxo e óptimos actores - é muito musical, repleto de árias, Mireille Mathieu (uma obsessão) e ainda um tema pop-rock melancólico que permanece no (sub)consciente, original de uma banda "oldie". I go to sleep...
posted by sara at 18:12
É natural, naturalíssimo, e muito escuro. Não pinto o cabelo há anos e poucas vezes na vida o fiz. «Põe algum químico?», perguntou-me o cabeleireiro enquanto observava a reacção no espelho - um esgar de horror - e se preparava para pegar na tesoura. «É que parece cabelo de boneca...», disse por fim a tentar disfarçar o embaraço. Eu sorri. Depois fez-me um corte geométrico, de grande precisão, como no Japão. E calou-se.
posted by sara at 00:25
... aaahh, tarde demais. Já passa da meia-noite.
posted by sara at 13:19
Comprei umas sandálias de verniz vermelho e um livro de Philip Roth (novidade cá em casa), para alternar com Balzac nas próximas semanas. Este será o primeiro (e possivelmente o último) post da série "A mulher de quase trinta anos".
posted by sara at 23:57
O meu blogue sabe do outro desde o início. Sabe que o caso é sério e que pode durar meses. O meu blogue tem uma pontinha de ciúmes.
posted by EdM
posted by sara at 12:46
"Hipótese: o cinema é uma vigarice (Godard) que pode ser superada." - João César Monteiro
Luís Miguel Cintra como Lívio em Quem espera por sapatos de defunto morre descalço, 1970
(...)No ano seguinte, estimulado por algumas boas vontades (saudades), resolvi repegar no projecto «Quem espera por sapatos de defunto morre descalço», cujas filmagens se arrastaram ao longo de dois anos. Numa altura em que eu já deitava o filme pelos olhos, a Fundação Gulbenkian concedeu-me (obrigadinho) um subsídio de $$$$$$$$$$$$$$$$... 180 contos, divididos em 3 prestações. Aqui, tive a tentação de dar uma volta. Pedi ao Vasconcelos para filmar dois planos que faltavam ainda ao filme, e fui. Itália e a inevitável Paris. Esgotada a finança, voltei para acabar o filme, receber a última prestação e partir outra vez, ora de comboio, ora à boleia, consoante a inspiração: Barcelona, Marselha, Florença, Milão, Como, Cernobbio, Paris.
Entretanto, o filme começou por ser relativamente mal recebido junto do Mecenas (quereriam ópera por 180 contos?), continuou, pateado num festival no Sul de Espanha e foi friamente acolhido pelos críticos presentes em Nice, aquando da chamada Semaine du Jeune Cinéma Portugais. Foi pena, porque me teria dado jeito, sobretudo no que toca à fruição de algumas benesses locais, mas já que não pôde ser, paciência! Tirando isso, aproveitei a estadia niceoise para comprar um lindo fato de banho de duas peças com a nota de 100 francos que o João Bénard me emprestou(...)
J.C. Monteiro, daqui.
posted by sara at 16:28

As I walked out one evening,
Walking down Bristol Street,
The crowds upon the pavement
Were fields of harvest wheat.
And down by the brimming river
I heard a lover sing
Under an arch of the railway:
«Love has no ending.
I'll love you, dear, I'll love you
Till China and Africa meet,
And the river jumps over the mountain
And the salmon sing in the street.
I'll love you till the ocean
Is folded and hung up to dry
And the seven stars go squawking
Like geese about the sky.
The years shall run like rabbits,
For in my arms I hold
The Flower of the Ages,
And the first love of the world.»
But all the clocks in the city
Began to whirr and chime:
«O let not Time deceive you,
You cannot conquer Time.
In the burrows of the Nightmare
Where Justice naked is,
Time watches from the shadow
And coughs when you would kiss.
In headaches and in worry
Vaguely life leaks away,
And Time will have his fancy
To-morrow or to-day.
Into many a green valley
Drifts the appalling snow;
Time breaks the threaded dances
And the diver's brilliant bow.
O plunge your hands in water,
Plunge them in up to the wrist;
Stare, stare in the basin
And wonder what you've missed.
The glacier knocks in the cupboard,
The desert sighs in the bed,
And the crack in the tea-cup opens
A lane to the land of the dead.
Where the beggars raffle the banknotes
And the Giant is enchanting to Jack,
And the Lily-white Boy is a Roarer,
And Jill goes down on her back.
O look, look in the mirror,
O look in your distress:
Life remains a blessing
Although you cannot bless.
O stand, stand at the window
As the tears scald and start;
You shall love your crooked neighbour
With your crooked heart.»
It was late, late in the evening,
The lovers they were gone;
The clocks had ceased their chiming,
And the deep river ran on.
W. H. Auden, 1940
posted by sara at 23:22