sexta-feira

domingo

Clássicos contemporâneos

Comprei umas sandálias de verniz vermelho e um livro de Philip Roth (novidade cá em casa), para alternar com Balzac nas próximas semanas. Este será o primeiro (e possivelmente o último) post da série "A mulher de quase trinta anos".

Optimismo de wikipedia

En 1830, à trente ans, une femme est mariée, a eu ses enfants, a perdu la fraîcheur de ses vingt ans, sa vie est presque finie; actuellement, à trente ans, une femme se marie, commence à faire ses enfants, sa carrière commence à tenir ses promesses: la vie s'ouvre devant elle.

terça-feira

Eu tenho dois amores

O meu blogue sabe do outro desde o início. Sabe que o caso é sério e que pode durar meses. O meu blogue tem uma pontinha de ciúmes.

posted by EdM

domingo

Um lindo fato de banho de duas peças

"Hipótese: o cinema é uma vigarice (Godard) que pode ser superada." - João César Monteiro


Luís Miguel Cintra como Lívio em Quem espera por sapatos de defunto morre descalço, 1970

(...)No ano seguinte, estimulado por algumas boas vontades (saudades), resolvi repegar no projecto «Quem espera por sapatos de defunto morre descalço», cujas filmagens se arrastaram ao longo de dois anos. Numa altura em que eu já deitava o filme pelos olhos, a Fundação Gulbenkian concedeu-me (obrigadinho) um subsídio de $$$$$$$$$$$$$$$$... 180 contos, divididos em 3 prestações. Aqui, tive a tentação de dar uma volta. Pedi ao Vasconcelos para filmar dois planos que faltavam ainda ao filme, e fui. Itália e a inevitável Paris. Esgotada a finança, voltei para acabar o filme, receber a última prestação e partir outra vez, ora de comboio, ora à boleia, consoante a inspiração: Barcelona, Marselha, Florença, Milão, Como, Cernobbio, Paris.

Entretanto, o filme começou por ser relativamente mal recebido junto do Mecenas (quereriam ópera por 180 contos?), continuou, pateado num festival no Sul de Espanha e foi friamente acolhido pelos críticos presentes em Nice, aquando da chamada Semaine du Jeune Cinéma Portugais. Foi pena, porque me teria dado jeito, sobretudo no que toca à fruição de algumas benesses locais, mas já que não pôde ser, paciência! Tirando isso, aproveitei a estadia niceoise para comprar um lindo fato de banho de duas peças com a nota de 100 francos que o João Bénard me emprestou(...)

J.C. Monteiro, daqui.

Time



As I walked out one evening,
Walking down Bristol Street,
The crowds upon the pavement
Were fields of harvest wheat.

And down by the brimming river
I heard a lover sing
Under an arch of the railway:
«Love has no ending.

I'll love you, dear, I'll love you
Till China and Africa meet,
And the river jumps over the mountain
And the salmon sing in the street.

I'll love you till the ocean
Is folded and hung up to dry
And the seven stars go squawking
Like geese about the sky.

The years shall run like rabbits,
For in my arms I hold
The Flower of the Ages,
And the first love of the world.»

But all the clocks in the city
Began to whirr and chime:
«O let not Time deceive you,
You cannot conquer Time.

In the burrows of the Nightmare
Where Justice naked is,
Time watches from the shadow
And coughs when you would kiss.

In headaches and in worry
Vaguely life leaks away,
And Time will have his fancy
To-morrow or to-day.

Into many a green valley
Drifts the appalling snow;
Time breaks the threaded dances
And the diver's brilliant bow.

O plunge your hands in water,
Plunge them in up to the wrist;
Stare, stare in the basin
And wonder what you've missed.

The glacier knocks in the cupboard,
The desert sighs in the bed,
And the crack in the tea-cup opens
A lane to the land of the dead.

Where the beggars raffle the banknotes
And the Giant is enchanting to Jack,
And the Lily-white Boy is a Roarer,
And Jill goes down on her back.

O look, look in the mirror,
O look in your distress:
Life remains a blessing
Although you cannot bless.

O stand, stand at the window
As the tears scald and start;
You shall love your crooked neighbour
With your crooked heart.»

It was late, late in the evening,
The lovers they were gone;
The clocks had ceased their chiming,
And the deep river ran on.


W. H. Auden, 1940

terça-feira

Sujeitos poéticos

Não fazemos o que queremos; fazemos o que podemos.

Hoje à noite fui ao cinema.



Daft Punks' Electroma, um poema sem palavras... uma experiência cinematográfica... um filme (secção Laboratório), da dupla de música electrónica Guy-Manuel de Homem-Christo (uau) e Thomas Bangalter. (Têm todo o ar de ser amigos de Vincent Gallo.) Electroma não tem música dos Daft Punk. Tem Brian Eno e outros que não identifico. Passou no Indielisboa, anfiteatro do cinema São Jorge, sem legendas, porque não tem diálogos. Tela enorme. Dois robots que querem ser humanos - não posso contar o fim. 4 estrelas. Volta a passar na próxima quinta-feira, às 21h30, sala 3 do São Jorge.



A seguir à projecção, vi Hal Hartley na varanda.

sábado

Uma questão de fontes

"...it isn't only what is being said, but how these messages are being delivered. Typography is not simply a frou-frou debate over aesthetics orchestrated by a hidden coterie of graphic-design nerds."

Via Arts & Letters Daily, fiquei a par do 50º aniversário da... Helvetica. O MoMA comemora o acontecimento com uma exposição, de Abril 2007 até Março 2008.



Serifs são as pequenas hastes que ficam penduradas nas extremidades das letras, como no título e corpo de texto do meu blogue. Diz-se que as fontes com esta característica tipográfica facilitam a leitura, "pois as serifas tendem a guiar o olhar através do texto. O ser humano lê palavras ao invés de letras individuais, assim as letras serifadas parecem juntar-se devido aos seus prolongamentos, unindo as palavras. Por outro lado, as fontes sem-serifa costumam ser usadas em títulos e chamadas, pois valorizam cada palavra individualmente e tendem a ter maior peso e presença para os olhos, já que parecem mais limpas." - WIKIPEDIA

Só um mau texto é que nem com "serifas" se salva.

Entretanto, este mês também faz 30 anos (tal como eu em Maio próximo) que o GUARDIAN, por ocasião do Dia das Mentiras, fez muito boa gente acreditar que existiria uma "ilha-nação" chamada San Serriffe, colonizada por espanhóis e portugueses, cuja capital "actualmente" seria Bodoni.

(...)GOVERNMENT: For many years following independence in 1967, San Serriffe had an autocratic form of government under military strongman General Pica. However, democratic elections were held in 1997. The winner was the charismatic Antonio Bourgeois.

CULTURE: Among the cultural highlights of life in San Serriffe are:
- The Cult of the Sonorous Enigma
- The Festival of the Well-Made Play
- The Ampersand String Quartet

The relaxation of the islands' strict anti-pornography laws under the Bourgeois government has led to the publication of a series of risqué novels by Serriffean journalists, collectively referred to as the "Times Nude Romances".(...)


Como dizem os anglo-saxónicos, I rest my case.

segunda-feira

Prova dos 9


(gostar de Kate "Ossuda" Moss)

sábado

Fujiya & Miyagi

Uma banda com este nome só podia ser de Brighton... »»»»»»»» Ali à direita pode-se ouvir "Collarbone". Como é que eu poderia não simpatizar com um trio inglês (gira-discos de marca Fujiya + personagem do filme "The Karate Kid" = soa japonês) que toca uma música chamada "Clavícula"? E que dizer do disco "Transparent Things"? Nabokov não se deve ter importado que lhe roubassem o título de um dos seus livros:

In matters of art, 'avant garde' means little more than conforming to some daring philistine fashion, so, when the curtain opened, Hugh was not surprised to be regaled with the sight of a naked hermit sitting on a cracked toilet in the middle of an empty stage. »»»»»»»» I gotta read this.

Lolita complex / Trumpet girl



Andava à procura de vídeos do Momus e encontrei esta gata asiática. Não sei se ele terá escrito a música "Good Morning World" (1995?) de propósito para ela. Seja como for, Kahimi Karie tem, ou já teve, bastante sucesso em Tóquio, no estilo Shibuya (cf. Cibo Matto e Pizzicato Five). Eu hoje ia comprando o Chiado inteiro (e arredores). Estava com uma paciência extraordinária para experimentar roupa e sapatos. Mas estou a desviar-me do assunto central: Momus (que também bloga) é um grande entendido em Orientalismo e pela-se pelo Outro (private joke).

What we see is what we get

(...)if you post a vlog of yourself, there'll always be a couple of comments saying that you "love the sound of your own voice", that you're Narcissus himself, showing off. In short, you're nude, or a flasher. Now, I don't disagree with these comments - I've been brought up in this culture too, I internalize its values. But while I agree that showing yourself too much or too proudly can be a sin and a vice, it's a vice to which I personally feel very indulgent, very lenient. It's an important vice, a virtuous one.(...)I personally really want to know what someone looks like. I'm a big fan of situatedness and embodiment. We are not just brains in jars, we're humans in bodies, with faces and histories and accents. Culture is not a neutral stream of abstractions. But when text is king, we're tempted to think of it that way. Text is so utterly useless at conveying what someone's like in person, where they're coming from, how they fish around for ideas, how intelligent or attractive or confident they are. Our culture has only had video for a few decades, and is only now seeing a widespread publishing platform for "the people's video" in the form of the internet and vlogs. So I think we're going to have to recalibrate our ideas of what it's decent and indecent to show.(...) - Momus' Click opera

Uma espécie de intervenção cívica #1

Put some makeup on your face
Make this world a better place

Uma espécie de intervenção cívica #2



David Lynch faz análise exemplar da prática de "Product Placement", e eu ainda nem vi o novo filme dele.

domingo



What a beautiful face
I have found in this place
That is circling all round the sun
And when we meet on a cloud
I'll be laughing out loud
I'll be laughing with everyone I see
Can't believe how strange it is to be anything at all.


(Neutral Milk Hotel, "In an aeroplane over the sea")

sábado

Don't panic

quinta-feira

Mi and L'au

(...)They fell deeply and immediately in love, and after a short period of moving from apartment to apartment in Paris, they gave everything up and decided to move to the woods in Finland, so they could be alone together in peace and spend their time discovering each other and their music.

Isto é tudo muito bonito, incluindo o resultado artístico. Mas pergunto-me: vivem de quê? Concertos na ZêDêBê?

Com amor

Sempre que por diversão o meu pai me tentava moer o juízo (ou eu a ele), a minha mãe dizia: "não sejas macaco-verde".

Para mais tarde recordar (RTP Memória)



Sincero agradecimento, beijos e abraços, à minha adorada amiga e adorável "(ex-)chefe", Filipa Reis. E ao Gil, que faz anos hoje.

Recibos verdes

Condição contemporânea.

(embarassing institutional) Default

Enviar emails do meu novo endereço electrónico para familiares, amigos e conhecidos, sem ser por razões estritamente profissionais, talvez não seja boa ideia, sob pena de ser gozada por causa do remetente. É claro que não fui eu que lá escrevi "Consultora" entre parênteses, a seguir ao meu nome.

(fora do horário laboral, "consultas", só com marcação especial)

segunda-feira

Miss Simpatia



Grande animação! Esta leitora do blogue Ainda Não Está Escuro agradece, retribui e redistribui: uma óptima semana a todos, e a alguns em particular.

Tu e eu

Dois nós (difíceis de desatar).

quinta-feira

Pop'zinha: Scots Vs Swedes



Quando comecei a ouvir "You can't hurry love", pensei que fosse Camera Obscura, pela voz. Afinal era The Concretes. Ela por ela.

sms

Alguém do Brasil veio parar ao meu blogue à procura do número de telefone de Joaquin Phoenix. Lamento, caro/a visitante, mas só tenho na agenda telefónica os números que realmente me interessam. E neste momento está completa.

segunda-feira

O Oscar não sabe o que perde(u)


Ryan Gosling, em HALF NELSON

What's the story behind the title?
A "half nelson" is a wrestling move, and we were making a movie about a lot of characters that were wrestling with different parts of themselves and the problems in their world. So we thought it was an appropriate metaphor. It's also a Miles Davis tune that we thought we'd throw in.(...)

Actor principal e banda sonora (Broken Social Scene) muito recomendáveis. Não são só os Arcade Fire que dão prestígio ao Canadá.

quinta-feira

Ab Fab

Não assisti a nada em directo nem em indirecto, mas no rescaldo do rescaldo os apontamentos da Triciclo Feliz sobre o tapete vermelho (e o resto) são obrigatórios.

O meu YAY vai para Cate Blanchett:

domingo

Fronteira

O verdadeiro provinciano é o falso cosmopolita.

Bermaniana

Hoje passei algumas horas a ouvir Joanna Newsom (que querida, tão erudita, aqui com a harpa e as suas roupinhas folk, num concerto a meias com o namorado.) Não me apetece ouvir mais, e a vizinha agradece. Regresso a Silver Jews, à música em que fiquei ontem, antes de sair para jantar:

We're gonna live in Nashville and I'll make a career
Out of writing sad songs and getting paid by the tear

Marry me and leave Kentucky
Come to Tennessee
'Cause you're the only ten I see
You're the only ten I see

Separadas à nascença?



No YouTube comenta-se que têm vozes parecidas. Pior ainda, diz-se que Joanna Newsom é autista e "semi-retarded". Permitam-me discordar. Child-like, she's just too good to be true.

Estado de Graça

L'Amore (que vi esta quarta-feira na Cinemateca), de Rossellini, divide-se em duas histórias, ambas protagonizadas por Anna Magnani. Começa com a mise-en-scène (não toco piano, mas falo francês) do monólogo escrito por Jean Cocteau, La Voix Humaine - livro que não estou a encontrar na estante. Se o tiver emprestado a alguém que esteja desse lado, pede-se o favor de... É uma tragédia. (O texto teatral, não o facto de eu desconhecer o paradeiro do meu livro.) O discurso pelo telefone da mulher desesperada mete dó. Foi abandonada pelo amante, que a trocou por outra. Ele está do outro lado da linha, mas apenas se subentende o que diz. Ela agarra-se ao fio do aparelho, como se a vida dependesse disso. É angustiante. Um grande desempenho de Anna Magnani. Porém o meu constrangimento falava mais alto. Já estava com pressa de chegar à segunda história, que foi o que me levou naquele dia à Barata Salgueiro.

Em Il Miracolo, Nannina é a maluquinha da aldeia que quando está a guardar as cabras na montanha julga ter uma aparição de São José (interpretado por Federico Fellini, magnífico!). Como é óbvio, "São José" não é São José. É uma criatura de carne e osso, que apareceu por ali, e que silenciosamente se deixa ficar a ouvir o delírio de Nannina. Vai-lhe tirando as medidas, enquanto ela fala, e passa-lhe a garrafa de vinho para as mãos. Ela, ingénua, vai dando uns goles. Com os vapores etílicos, começa a ficar tonta e encalorada. O delírio aumenta. Está no Paraíso e às tantas não vê mais nada, desmaia com o êxtase. Fica completamente à mercê do homem. Na cena seguinte, "São José" desapareceu. De volta à aldeia, Nannina relata o milagre. Pois sim, dirão os outros habitantes. Meses depois, descobre-se que está grávida. Nannina acredita piamente que foi abençoada com uma concepção imaculada, que Deus a encheu de Graça. É a chacota da aldeia. Nannina foge. Alienada, acaba por dar à luz numa capela, no alto da montanha, sem ninguém por perto. Feliz.

Um filme extraordinário (realizado por Rossellini, com uma história produto da imaginação de Fellini). Mas o que para mim foi mais extraordinário foi a personagem não me ter inspirado piedade. Até senti uma pontinha de inveja. A sua crença é tão profunda, tão libertadora. Ela acredita, é quanto baste. L'Amore.

"O que importa é a fé dos homens. Nada mais conta. O resto é a superficialidade dos homens."

quarta-feira

Mulher-objecto

"Útero com dimensões conservadas, 83x30x42 mm, de contornos regulares e ecoestrutura homogénea do miométrio.(...)"

in estudo ecotomográfico ginecológico

terça-feira

Das vantagens de chegar cedo ao local de trabalho

Manhã iluminada. Encontrar Ys, de Joanna Newsom, em cima duma mesa. Pô-lo a tocar e ouvi-lo pela primeira vez na íntegra, em silêncio quase, quase absoluto, passe a estranheza. Depois começou toda a gente a entrar em cena. Hoje não é dia feriado.

sábado

How the hell does Stevie Wonder see things?



Em escuta, o primeiro álbum (2004) da banda que mais gostei de conhecer em 2006. Sobretudo graças ao concerto-sauna na ZDB, no verão passado. "Lo-fi charm", "electro-ironic soul music", "wearing their influences on their sleeve" (The Beach Boys, Prince, Ween, 60's girl groups, Dr. Dre, Devo, Stevie Wonder, Madlib). "Like a mellow, hip-hop-lovin' version of LCD Soundsystem", etc. Ao vivo, aqui.

quinta-feira

Especial pós Dia(s) dos Namorados

Um dia no jardim
fiquei muito espantado:
encontrei uma miúda
com olhos por todo o lado.

Era de facto encantadora
(e também assustadora!);
e, porque tinha boca para falar,
pusemo-nos a conversar.

Falámos sobre flores
e das suas aulas de poesia,
e dos problemas que teria
se tivesse miopia.

É óptimo namorar
alguém que tanto nos olha,
mas se desata a chorar
apanhamos uma molha.

"A Rapariga com Muitos Olhos", do livro de Tim Burton, A Morte Melancólica do Rapaz Ostra & Outras Estórias, em reedição recente pela Antígona.

Uma entrevista é uma entrevista

Era uma vez a MINGUANTE, revista on-line de micronarrativas.

domingo

Da responsabilidade


Nana (Anna Karina)

(...)

Yvette: É triste, mas não sou responsável por nada.
Nana: Eu acho que somos sempre responsáveis por tudo o que fazemos - e livres... Levanto a mão, sou responsável. Viro a cabeça para a direita, sou responsável. Sou infeliz, sou responsável. Fumo um cigarro, sou responsável. Fecho os olhos, sou responsável. Esqueço-me que sou responsável, mas sou-o na mesma. Era o que eu dizia há pouco. Querer evadir-se é uma treta. Afinal, tudo é belo. Basta ter interesse pelas coisas e achá-las bonitas. No fundo, as coisas são o que são e mais nada. Um rosto é um rosto. Pratos são pratos. Os homens são os homens. E a vida é a vida.

(...)

Vivre sa Vie (JLG, 1962)

Disclaimer

(Sábado à noite, festa, copos, conversa casual em grupo.)

- Sara, tenho ido ao teu site. Mas fico sempre deprimida.
- Então por que é que continuas a ir?

Eva, isto também "não é uma crítica". És sempre bem-vinda.

sábado

sexta-feira

Sim, sim, sim

Batu, de facto não perguntei, mas no fundo no fundo no fundo esperava que respondessem. Tu, o Luís e o Ricardo. (O Casanova fez-me sentir cota: "No referendo de 1998 não participei porque ainda não era maior.")

quarta-feira

Ambrósio, apetece-me Schopenhauer

(...)ANTES DE TUDO, devemos considerar a essência de toda a controvérsia, o que nela se passa de facto.
O nosso oponente afirmou uma tese (ou nós próprios, pouco importa). Para a refutarmos, existem dois modos e dois caminhos.

1. Os modos: (...)podemos demonstrar, ou que esta tese não está de acordo com a natureza das coisas, isto é, com a verdade objectiva absoluta; ou que ela é inconsistente com outras alegações ou concessões do nosso oponente, isto é, com a verdade subjectiva relativa. Este último modo produz apenas uma convicção relativa, e não importa em nada para a verdade objectiva da questão.
2. Os caminhos: 1) a refutação directa, ou 2) indirecta. A directa ataca a tese pelos seus fundamentos; a indirecta, pelas suas consequências. A refutação directa demonstra que a tese não é verdadeira; a indirecta, que ela não pode ser verdadeira.(...)

ESTRATAGEMA 1
A EXTENSÃO. Ampliar a afirmação do oponente para além dos seus limites naturais, interpretá-la da maneira mais geral possível, tomá-la no sentido mais lato possível e exagerá-la; e, por outro lado, reduzir a nossa ao sentido mais restrito, aos limites mais estreitos que forem possíveis: pois quanto mais geral se tornar uma afirmação, mais ela estará sujeita aos ataques.(...)

ESTRATAGEMA 2
Utilizar a Homonímia para estender a alegação àquilo que pouco ou nada tem de comum com o objecto do debate, senão o mesmo termo, e depois refutá-lo de forma triunfante, como se se houvesse refutado a própria afirmação.(...)

EXEMPLO 1. A: «Você ainda não está iniciado nos mistérios da filosofia kantiana.»
B: «Ah, se se trata de mistérios, não quero ter nada a ver com isso.»(...)

ESTRATAGEMA 8
Fazer encolerizar o oponente: pois no seu furor ele fica incapaz de um juízo correcto e de perceber o que é do seu interesse. Podemos encolerizá-lo sendo repetidamente injustos para com ele, fazendo chicana, e, em geral, sendo insolentes.(...)

ESTRATAGEMA 34
Quando o oponente não dá resposta directa a uma pergunta ou a um argumento, mas se furta a ela com uma contra-pergunta ou uma resposta indirecta, ou algo que não tenha a ver com o debate e tenta mesmo desviar o assunto, essa é a prova evidente de havermos tocado um ponto fraco (por vezes sem o sabermos): da parte dele, é um modo relativo de se calar. Há pois que insistir no ponto suscitado e não deixar que o oponente a ele se furte, mesmo que não se saiba ainda em que consiste ao certo a fraqueza que atingimos.(...)

ÚLTIMO ESTRATAGEMA
Quando percebemos que o oponente é superior e que não iremos ganhar, tornamo-nos pessoais, insultuosos, grosseiros.(...)É um apelo das faculdades do espírito às do corpo, ou à animalidade. Esta regra é muito apreciada, visto cada um a poder aplicar, e por conseguinte, é usada com muita frequência...


Ambrósio, já chega!

domingo

Kate Dietrich

Parece que não confiam

(...)2. A corrente laicista, que deseja a Igreja fechada na sacristia, não creio que seja maioritária na sociedade portuguesa, apesar do nosso passado anticlerical. Mas a grande alergia à presença activa da Igreja talvez resulte da ideia de que ela quer fazer da sociedade e do espaço público uma sacristia. As declarações e posições pouco católicas de certos movimentos, personalidades e de alguns padres dão a impressão de quererem entregar à repressão do Estado, do Código Penal, dos tribunais, da polícia, da cadeia, as suas convicções morais - isto é, parece que não confiam na consciência das mulheres, na sua capacidade de discernimento, para percorrerem todos os caminhos necessários até chegarem a uma decisão bem informada, responsável, prudencial, no sentido que a virtude da prudência, virtude da decisão bem informada, tem em Aristóteles e Tomás de Aquino.(...)
Como dizia Tomás de Aquino, só somos verdadeiramente livres quando evitamos o mal, porque é mal, e fazemos o bem, porque é bem, não porque está proibido ou mandado. Todo o trabalho que a Igreja tem a fazer é, precisamente, o de ajudar as pessoas a caminharem para esse ponto de lucidez. Esclarecer as consciências não é formatá-las, não é impor-lhes uma outra consciência, não é aliená-las. Quando, nas condições e no prazo referidos, se chama "assassinas" às mulheres que recorrem ao aborto - que a Igreja e qualquer pessoa de bom senso desejam que nunca venha a acontecer -, pode estar-se a insultar, exactamente, as que sofrem os dramas que acompanham essas decisões dolorosas. A resposta ao referendo não deve extravasar o âmbito da pergunta aprovada.
3. Em última análise, a grande suspeita em relação à pergunta do referendo está neste fragmento da frase: "por opção da mulher." E porquê? Porque se julga que as mulheres não são de confiança. No entanto, foi a elas que a natureza confiou a concepção e o desenvolvimento da vida humana, durante nove meses.(...)


Frei Bento Domingues, O.P. (PÚBLICO, 04/02/07)

Questão fracturante

Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?

Para mim, o aborto é uma questão da esfera privada, por isso sinto-me incomodada de o ver discutido em público. É também uma questão de consciência, por isso voto SIM. O assunto não tem nada a ver com ser de Esquerda ou de Direita. A uma semana do referendo, aqui fica uma amostra da "fractura", com a enumeração de algumas pessoas que mais gosto de ler na blogosfera - e cujos blogues visito com regularidade (porque há muitos outros que podia referir):

- batukada (aborda o assunto com humor, mas a intenção de voto, ou mesmo de ir votar, não é clara)
- Carla Quevedo (SIM)
- Eduardo Nogueira Pinto (NÃO)
- Francisco Valente (SIM)
- Ivan Nunes (SIM)
- Luís Miguel Oliveira (não me lembro de nenhum post em que o referendo tenha sido abordado)
- maradona (SIM)
- Pedro Mexia (NÃO)
- Ricardo Gross (sei qual é a posição dele sobre o assunto, mas como nunca expressou a sua opinião no blogue também não sou eu que vou revelá-la)
- Rogério Casanova (não faço a menor ideia)
- Sam (SIM)
- Samuel Úria (aborda o assunto com humor, e embora não o diga explicitamente, julgo que é NÃO)
- Tiago Cavaco (NÃO)

(...)

SÖREN
A vida está cheia de enigmas. Um beijo, Regina. Salomão diz que uma boa resposta é como um amoroso beijo. Eu prefiro um amoroso beijo a uma boa resposta. É mais próprio da natureza do beijo imaginar um homem que beija uma mulher, do que uma mulher que beija um homem. Pouca gente faz caso destas coisas.

REGINA
Pouca gente sabe essas coisas.

SÖREN
É uma boa resposta e sabe como um beijo.

(...)


Agustina Bessa-Luís (dramatização de), "Estados Eróticos Imediatos de Sören Kierkegaard", Guimarães Editores, Lisboa, 1992

Your honour, may I say something...?

I'd rather kiss you. With all due respect.

(O post só funciona se for em inglês. Por favor, não me tomem por pretensiosa. Obrigada.)

quarta-feira

Acronym



Lots Of Libido In The Air.

Emerald, Sapphire and Gold

O meu blogue presta serviços de outsourcing, sempre que solicitados por entidades com consciência rítmica.

domingo

On the house (stereo)



Em crescendo, em escuta, em repeat: confirmo pela data dos "ficheiros recebidos" que foi em Outubro que um dos meus melhores amigos - Carlos, beijos para ti - me enviou alguns mp3 das ESG (não confundir com um rapper que adoptou as mesmas iniciais). Até então, desconhecia esta banda dos anos 80 formada pelas manas Scroggins, do South Bronx. Depois comecei a ouvi-las de vez em quando na Rádio Oxigénio, actualmente a minha frequência preferida para ouvir música no carro (ando enjoada com a playlist pop-rock da Radar). Nesta última sexta-feira de manhã, passava "Dance" (a segunda do alinhamento do disco). Ficou-me novamente no ouvido. Mais tarde, quando passei na sala de edição, estava a ser montada uma peça, a ir para o ar na próxima semana, com "My Love for you", que é a última faixa do disco (um grande bem-haja ao Baptista, editor, pela escolha da banda sonora). Foi nessa altura que as ESG se me entranharam irreversivelmente. Mais tarde ainda, no Bairro Alto, disseram-me (beijos também para ti, Jorge!) que tinha saído agora uma re-edição pela Soul Jazz Records (que belo catálogo) de "Come Away with ESG", o primeiro(?) longa duração delas, lançado em 1983. Já não havia volta a dar-lhe: no dia seguinte tinha de ir à FNAC comprar um presente de aniversário para uma amiga (JP Simões, "1970") e aproveitaria para me presentear a mim própria.

(Este post está a ficar longo... E tem parêntesis a mais. Desculpem. Vou continuar.)

Quase todas as faixas do disco me parecem dançáveis. Fiz o upload para o blogue de "Dance", uma das mais contagiantes, mas aborrece-me que o baixo, essencial na música das ESG, não se ouça pelas colunas de som do meu computador. Paciência, fica lá na mesma, já dá para se ter uma ideia. Em casa, isto é para ser ouvido na aparelhagem, com o volume alto, e a minha vizinha deve estar há horas a rogar-me pragas.

Os dois minutos instrumentais de "Chistelle" (faixa 5) não podiam estar mais próximos de Sonic Youth. O baixo de "Tiny Sticks" também me soa familiar. E "The Beat". Adoro. E "It's Alright". Sempre o baixo. "Come Away", "Parking Lot Blues", "You Make No Sense", "About You", "Moody (spaced out)"... Todo o disco é impressionantemente bom. Se eu fosse DJ, pelo menos uma destas onze músicas teria de passar, e ai de quem não dançasse.

(O novo de LCD Soundsystem, "Sound of Silver", só sai em Março, mas houve uma "fuga" e consegue-se fazer ilegalmente o download da net de todas as músicas do disco. Tal como eu, desconfio que há um jornalista do Y que também já o fez. Se não, como é que ele pôde destacar no suplemento do Público "Get Innocuous"...? O single que tem passado na rádio, que por acaso é óptimo, chama-se "North American Scum". O resto também me parece muito bem, a última música chama-se "New York I Love You", mas lá está, tenho a sensação que o meu computador não reproduz música como deve ser, e não tenho Ipod. James Murphy é grande e hei-de voltar a dizer que gosto da voz anasalada dele quando o disco estiver à venda. Por enquanto, no MySpace.)

sábado



and i can’t sleep
'cause you got strange powers
you’re in my dreams
strange powers


(The Magnetic Fields)

Bad lover

- Não (me) consigo desligar... do trabalho.
- Tudo bem, desde que não vás para a cama com o Stress.

Atracção-repulsão

Ordinary life is pretty complex stuff.

quinta-feira

Negligência (agravada)

Quando o meu blogue soube que eu queria uma televisão nova, ameaçou pôr-me em tribunal.

Paint



8 Jan 1947 - ...

Pessoas

UMAS SENTEM A EXCITAÇÃO DO TÉDIO, OUTRAS NÃO...
Há mais de dois meses que passo de carro, diariamente, pelo muro onde se lê esta frase escrita a spray. Só esta semana reparei nela, quando fiquei parada no meio do trânsito, e não sei se faço parte do primeiro ou do segundo grupo.

domingo

Domingo

Aguentei-me. Este dia está a ser cada vez mais desgastante. Tinha sido seleccionado e posto de parte em Novembro passado como dia de descanso. Esta manhã fui dar com o novo ser a tentar deitar ao chão maçãs daquela árvore proibida. (Adão)

Está tudo em ordem agora e eu estou feliz mas passei dias muito duros. Prefiro nem me lembrar.
Tentei apanhar algumas daquelas maçãs para ele mas não consigo aprender a atirar como deve ser. Falhei. Mas acho que ele percebeu a minha intenção e ficou contente. Elas são proibidas, e ele diz que me vai acontecer algo de mal. Mas se me acontecer algum mal por tentar ser simpática para ele, não há-de ser um mal com o qual me importe.
(Eva)

terça-feira

Imagens de arquivo

- Como é que vais pintar o texto?
- Lápis de cor...?

segunda-feira

Quinhentos anos depois


Albrecht Dürer, 1507

Continuam nus, mas não deviam ter vergonha.

Segunda-feira

O novo ser diz que se chama Eva. Tudo bem. Não tenho objecções. Diz que é para o chamar quando queira que ele venha. Eu disse que, nesse caso, era supérfluo. Esta palavra fez-me subir na sua consideração e é, de facto, uma longa e boa palavra capaz de suportar a repetição. O novo ser diz que não é um ser, mas uma Ela. Duvido, mas tanto me faz. O que Ela seja não me faria diferença se Ela se metesse na sua vida e não falasse. (Adão)

Hoje de manhã disse-lhe o meu nome. Estava com esperanças que lhe interessasse. Mas ele não ligou nenhuma. É estranho. Se fosse ele a dizer-me o seu nome eu tinha-me interessado. Para os meus ouvidos teria sido o mais doce som que eu jamais ouvira.
Ele fala muito pouco. Talvez seja por ser pouco inteligente, e saiba disso, e procure escondê-lo. É uma pena que ele pense assim porque a inteligência não vale nada: é no coração que está o valor. Quem me dera poder fazê-lo entender que um coração cheio de amor é um tesouro, é tesouro que baste e que sem ele o intelecto é uma pobreza.
Apesar de falar pouco tem um vocabulário surpreendente. Hoje de manhã usou uma palavra surpreendentemente boa. Ele mesmo reconheceu que era boa porque a conseguiu meter mais duas vezes na conversa ao longo do dia, casualmente. Foi arte casual mas, mesmo assim, demonstra que ele possui uma certa qualidade de percepção. Sem sombra de dúvida essa semente pode vir a crescer, se cultivada.
Onde terá ele ido buscar a palavra? Eu nunca a usei.
(Eva)

Mark Twain, "Excertos dos diários de Adão e Eva", Cavalo de Ferro

00:00:00

FELIZ ANO NOVO.

domingo

Vem aí o 2007


Anita Ekberg, Boccaccio 70

sexta-feira

P.I.C.A. (que bela prenda me saíste)

Gostava de escrever 10 segundos para televisão com a mesma facilidade com que faço um post. De segunda a sexta, para adolescentes.

segunda-feira

Mensagem de Natal



Bevete più latte
Il latte fa bene
Il latte conviene
Per tutte le età

Bevete più laaa
Bevete più laaa
Bevete più latte!




BOAS FESTAS.

Notícia de última hora

Não é novidade: já há um mês que o maradona anda a escrever crónicas para o Metro. Para além disso, a figura semi-pública, semi-anónima, não aprecia publicidade. Fica registado.

Prémio

Ninguém vota para os "melhores/piores deslincamentos 2006"?

Funny guys


Late night with Conan O'Brien: Howard Stone on Jay Leno

Contribuição (os primeiros dois minutos do vídeo) para o debate, apesar da minha preferência ir para o apresentador "queixudo".

quarta-feira

Informação gratuita

Quando hoje cheguei à pagina 11 (não tinha reparado na chamada de capa) do Metro, a minha exclamação deve ter ecoado por toda a carruagem. Era a última coisa que eu esperava ler às 9 da manhã num transporte público, sem computador com acesso à internet.

Não sei se isto no jornal é novidade, se já dura há algum tempo, mas começava assim: "Não existe corrupção no futebol. O que há é um reduzido número de pessoas honestas ou vingativas que, na sua orgulhosa excentricidade, têm agitado um lago até agora quase perfeitamente idílico." E continuava, o que fez com que eu me distraísse e deixasse passar a minha estação. A culpa é do maradona, que assinava em papel a crónica Justicia Buena.

segunda-feira

Última ceia

Minutagem

Um post com 3 segundos.

Produção de conteúdo

Manifestamente insuficiente.

"discurso sobre a reabilitação do real quotidiano"

(IX)

no país no país no país onde os homens
são só até ao joelho
e o joelho que bom é só até à ilharga
conto os meus dias tangerinas brancas
e vejo a noite Cadillac obsceno
a rondar os meus dias tangerinas brancas
para um passeio na estrada Cadillac obsceno

e no país no país e no país país
onde as lindas lindas raparigas são só até ao pescoço
e o pescoço que bom é só até ao artelho
ao passo que o artelho, de proporções mais nobres,
chega a atingir o cérebro e as flores da cabeça,
recordo os meus amores liames indestrutíveis
e vejo uma panóplia cidadã do mundo
a dormir nos meus braços liames indestrutíveis
para que eu escreva com ela, só até à ilharga,
a grande história de amor só até ao pescoço

e no país no país que engraçado no país
onde o poeta o poeta é só até à plume
e a plume que bom é só até ao fantasma
ao passo que o fantasma - ora aí está -
não é outro senão a divina criança (prometida)
uso os meus olhos grandes bons e abertos
e vejo a noite (on ne passe pas)

diz que grandeza de alma. Honestos porque.
Calafetagem por motivo de obras.
É relativamente queda de água
e já agora há muito não é doutra maneira
no país onde os homens são só até ao joelho
e o joelho que bom está tão barato

Mário Cesariny, Manual de Prestidigitação, Assírio & Alvim, 1981

YLT


by Eric Reynolds

Alternativa

Não é habitual assistir a concertos dois dias consecutivos na Aula Magna. Ora, o Festival Radar não me deu alternativa: Yo La Tengo no dia 3 de Dezembro, Cat Power no dia 4.

No domingo à noite a sala estava a dois terços; na segunda-feira estava à pinha. Os Yo La Tengo fizeram três ou quatro encores; a menina Chan Marshall não fez nenhum. No primeiro estive sempre de pé, e dancei grande parte do tempo; no segundo estive sempre sentada, e isso aborreceu-me um bocadinho. Mas ambos os concertos foram bons, cada um no seu registo.

domingo

Songstress



We've always thought Chan Marshall was beautiful, but what do we know? We're indie rockers. We think brand new 7" vinyl is beautiful, too.

Turns out the beautiful people think Cat Power is beautiful, too. And they know what they're talking about, or so we're lead to believe. Women's Wear Daily reported on Monday that Chanel's Karl Lagerfeld has fallen for the songstress, who "has been tapped as the new face of Chanel's jewelry collections."

According to Matador Records, Marshall is not confirmed to appear in any Chanel ads at this time, although she and Lagerfeld have indeed become friends.

WWD reported that Marshall was decked out in gold Chanel jewelry (a necklace, ring, and bracelet) at a party celebrating the release of Lagerfeld's compilation CD, Les Musiques Que J'aime. (The comp features tracks from the likes of Devendra Banhart, the Boy Least Likely To, Lindstrom and Prins Thomas, LCD Soundsystem, the Pipettes, Black Mountain, Fiery Furnaces, Matmos, the Fall, Caribou, and Goldfrapp. Hey Karl, wanna write for Pitchfork?)

Marshall told WWD that Lagerfeld approached her while she was hanging out in front of the Mercer Hotel in NYC: "I was outside waiting, sitting on a pile of Louis Vuitton luggage, drinking water, with an apple and a cigarette in my hand, my cell phone, oh, and two guitars, and out comes Karl. He walks up, looks at me and says, 'Only a woman can look glamorous when smoking.' And I lowered my glasses and pointed to [the shadows under my] eyes and said, 'With these?'"


Ainda havemos de ter Cat Power no blogue de Miss Pearls.

quarta-feira

MÁRIO CESARINY (1923-2006)
EM AUTO-ENTREVISTA


K: (...)Mas apesar de tudo, ou de todos, não acha um pouco forte para começar?
MC: Acho. Vamos cortar.
K: Não corta nada. E se quiser até ponho que o que fizeram à Casa dos Bicos é cópia quase símile da que apareceu na Exposição do Mundo Português a demonstrar a pujança do Império: a janela central pseudo-pseudo e a bicalhada toda a ir por ali fora até formar a testa do Frankenstein. Vi no Expresso Revista. Mas, mesmo assim, acha que vale a pena falar nisso, agora que já não tem remédio?
MC: O já não tem remédio é o que se diz do morto. E se juntarmos aquela que a Agustina Luís há pouco sublinhava, citando do rifonário cívico português, que "o melhor é inimigo do bom", obtemos o espectro desse universo.
K: Um universo bastante original. Próximo do macaco, pode-se dizer.
MC: Muito próximo. Sobretudo quando lembramos outros processos evolutivos. Outros modos, outras línguas. O Oscar Wilde que dizia: "Para mim, o óptimo é suficientemente bom".
K: O Wilde foi preso.
MC: Também é verdade.(...)
K: Li uma crónica sua em que dizia que por toda aquela zona a que o bulldozer limpou o sarampo – a velha Mouraria hoje Martim Moniz – havia montes de casas de... putas.
MC: De putas. Todo o genocídio invoca a Moral e a Constituição. Fica bem. Ali, havia ruas e ruelas lindíssimas, travessas impensáveis, passagens extraordinárias. Creio que, se as tivessem deixado sobreviver, seriam hoje um centro urbano único, mais de povo do que o Bairro Alto. O Bairro Alto é todo pombalino, monumental. Responde com nobreza ao carácter de cidade imperial que a Lisboa que vai do Largo do Rato até ao rio apresenta. Aquela Mouraria era a topografia do gatafunho, o labirinto possível depois da queima do Mouro. E, sim, num extenso passo que não dava frente para a Rua da Palma, as putas. As putas, os óis-óis de bairro, a maruja de guerra que nenhum escritor português conseguiu descrever como o faz em três linhas o Rámon Gomez de La Serna...
K: É. Porque será?
MC: O escritor português não sai do escritório. Faz-lhe mal aos pés. É gente de candeeiro de mesa e secretária "capital do móvel" inamovível. Prefere a conta da electricidade ao gasto corporal. Este reserva-o todo para a gloriosa maçada de ir receber o Prémio de não ter ido a lado nenhum.
K: O que são os óis-óis de bairro?
MC: ...as putas, os óis-óis de bairro, a maruja, os faquistas, os Buiças de aluguer e os de convicção. Honestíssimas, meretíssimas putas! A mim, ainda menino, davam-me o susto mestre, a visão do sagrado.(...)

Revista K, Nº2, Novembro 1990, pág. 35-36

Assina M.

Minette, mãe-de-família, tem um blogue anónimo.

sábado

Red K


Natasha Law (irmã do Jude), 2004

quarta-feira

Grande reportagem

Fontes próximas (uma da outra) garantem que fui concebida em São Tomé e Príncipe. Não quiseram adiantar mais pormenores.

domingo

Interneta

Quando cheguei ao mundo ele já tinha partido, mas lá em casa sempre ouvi referirem-se à figura familiar como "Avô General" (mais por brincadeira, apesar de ser verdade).

O meu bisavô (e da Mónica, minha prima, não a Vitti) foi Governador da Guiné entre 1932 e 1940, em pleno Estado Novo. A Wikipédia confirma-o. É um facto, e para mim, um tópico interessante. Foi quem se manteve mais tempo no cargo. Dos três volumes que escreveu sobre a ex-colónia portuguesa, com cerca de 1500 páginas (não fez a coisa por menos), cito texto introdutório:

"(...)Não encontram os portugueses da Guiné razão que possa justificar, explicar sequer, o desinteresse que, na Metropole, existe por esta Colónia e que não é mais do que o resultado do desconhecimento em que, sobre ela, vive o país soberano, embora nos ultimos anos, as exposições, as conferencias e a propria, mas limitada, acção oficial, tenham quebrado o mutismo que a envolvera nas brumas de lendas terrorificas de um país inóspito, onde perigos de toda a natureza espreitavam o «branco».
Vir para a Guiné, é ainda, no espírito de muita gente portuguesa do Continente, subir irremediavelmente a um cadafalso onde os carrascos são as febres, as feras e... os pretos!
E este juizo perdura na imaginação popular, a 490 anos da descoberta de Nuno Tristão!
Deliberando fazer a publicação destas páginas, quere o Governador da Guiné contribuir com elementos, cuidadosamente verdadeiros, para que o País forme um conhecimento que não possue, e que lhe é necessário, sobre uma das suas colónias mais ignotas.(...)" - Junho de 1936

Sendo fiel ao original, não me responsabilizo pela eventual má colocação de vírgulas, erros de gramática, etc., pelo meu bisavô. Qualquer tentativa de corrigi-lo será frustrada, a não ser que ele lá onde estiver tenha acesso à internet e leia blogues. Por acaso, a ideia agrada-me... Aproveitando a embalagem, mais um excerto, retirado do capítulo sobre as populações indígenas:

"(...)Passam os bijagós por serem o elemento étnico mais inculto, de todos quantos povôam a nossa Guiné.
Este juizo que deve ter-se formado pelas descrições do seu exótico viver, sofre do desconhecimento da étnica de outras tribus, porque o que é certo é que o bijagó não é mais nem menos inculto que o felupe, o manjaco ou o balanta.(...)
De resto, o bijagó manifesta, em vários actos exteriorizadores da sua psicologia, um sentido de arte que desmente a incultura absoluta - tida como embrutecimento do espírito, refractario à assimilação, ou ignorancia crassa do mais comesinho à vida do ser consciente.
Certamente que o facto da sua organização familiar ter como princípio o matriarcado, não é bastante para firmar incultura...(...)"

LOL, Bisavô, LOL.

Unknown Binding

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quinta-feira

Delírio em verde-alface

Ordem de grandeza

Já não me lembrava. A minha colecção de Kapa's resume-se a isto: ao número 2, de Novembro de 1990. Estou em condições de afirmar com toda a propriedade que aos 13/14 anos não lia a revista em questão. Naquele tempo quase tudo o que era imprensa portuguesa me passava ao lado. (Eu só lia jornais estrangeiros...)

Porém numa manhã de sábado, em 1999, passeando pela Feira da Ladra vejo numa banca cheia de tralha a fronha de Marcello Caetano sobre um fundo verde-alface (talvez a minha digitalização não lhe faça justiça cromática, clicar na imagem para aumentar). Não hesitei um segundo: "Quanto quer por isso?" Ali estava um número desirmanado, no meio de romances de cordel e de tecla(do)s de computador. Um achado. Paguei 100$00, se bem me lembro, mas teria dado os 400$00 que me custaria em 1990. Teria dado mais.

domingo

Comprar livros pelo autor, título, capa... *



*O resto logo se vê.

A Maya não me deixa em paz

"GÉMEOS: Algumas tensões e excessos poderão tornar-se uma fonte de preocupações, tente manter a cabeça fria e não responda de forma precipitada. No plano afectivo alguns encontros podem não correr como esperava, seja mais selectivo a fim de evitar dissabores. Algumas ligações que pareciam correr bem podem tornar-se decepcionantes.(...)" Pública, 05/11/06

Com bastante atraso, mas está bem.

Inconveniências

Confesso que já me apetecia pouco falar do tema do aborto, depois de todos os argumentos terem sido já tão amplamente discutidos e a obstinação condenatória persistir. Mas depois de algumas vozes inesperadas terem vindo a público afirmar coisas espantosas, algumas delas neste mesmo jornal, talvez faça sentido reafirmar algumas verdades óbvias, ainda que incómodas.

1. O aborto existe, sempre existiu e não vai deixar de existir. Seja por ignorância, imprudência, erro de julgamento ou simples azar, as mulheres ficam grávidas sem querer. E por vezes sentem que efectivamente não querem ou não podem seguir em frente com aquela gravidez. Claro que todos queremos diminuir essas situações - e devemos fazer esforços sérios, não moralistas e não paternalistas nesse sentido. Mas o problema nunca será totalmente resolvido a montante. As questões que importa, por isso, colocar são: onde e em que condições é que esse aborto vai ser feito? Deve uma mulher pagar com risco de morte ou dano severo para a saúde essa decisão? Que legitimidade existe no enriquecimento feito com base no aborto clandestino?

2. E, já agora, deve a mulher pagar essa decisão com a prisão? Porque, como ficou amplamente demonstrado, efectivamente há condenações por causa do aborto. E que me desculpem os defensores de soluções intermédias: ou é crime e é penalizado ou não é penalizado e não é crime de todo. Porque, que sentido faz perpetuar uma lei que não é para cumprir? Que traduz esse incumprimento senão o seu radical alheamento da realidade e vontade social?

3. E agora que me desculpem alguns sectores feministas: não, o aborto não é uma questão de mulheres. Ou antes, é-o, mas não deveria ser, pelo menos não deveria ser equacionado como uma questão apenas de mulheres. E neste erro tanto os defensores do "sim" como do "não" têm caído. Claro que há questões de género no aborto, desde a desigual repartição dos cuidados com os filhos, aos desequilíbrios salariais. E, claro, o simples facto de ser no corpo da mulher que a decisão de ter ou não filhos assume uma violência "incarnada". Mas, a não ser que estejamos perante novos mistérios transcendentais, cada embrião tem dois seres humanos na sua génese. Onde estão os homens, no equacionar público desta questão? E, já agora, onde estão os homens condenados pela decisão de abortar (ou será - coisa conveniente - que todas as mulheres condenadas por aborto em Portugal decidiram sozinhas, sem participação ou conhecimento dos respectivos parceiros?).

4. Finalmente, o que sinto como uma última verdade, para mim própria inconveniente: por muito que os defensores do "sim" a evitem - e eu, como defensora do "sim", compreendo a estratégia -, a questão da vida humana é de facto relevante. Porque, se entendermos o embrião como igual a uma pessoa - se acreditarmos mesmo nisso -, então o aborto apenas se justificaria em situações de risco de vida da mãe. Porque apenas aí estaríamos a falar de valores de igual ordem moral. Mas será que acreditamos mesmo que um embrião é uma pessoa? Reagimos da mesma forma ao aborto espontâneo às 10 ou 12 ou até mais semanas como reagiríamos à morte de um recém-nascido? Sofremos da mesma forma? Ritualizamos da mesma forma a sua perda? Alguém pode, em consciência, dizer que sim?


Artigo de opinião assinado por Carla Machado, professora universitária, no Público da última quinta-feira. (Deu-me um trabalhão copiar isto do papel - embora valha a pena - graças a quem decide que a edição impressa do jornal apenas deve estar acessível on-line para assinantes. Só maçadas...)

Acrescente-se ainda outra coisa óbvia: é mais fácil levar uma mulher (ou um casal) a desistir de abortar se se souber que é essa a sua vontade. Caso contrário não há muito que se possa fazer, a não ser nas urgências dos hospitais. Sangue por todo o lado.

A razão pela qual não gosto desta discussão

"(...)Não é a questão da IVG/aborto de natureza tão íntima que se dispensa um alarido público? Aliás, ao partido socialista faltou a coragem para resolver este assunto em sede própria: a assembleia da república. Ao pretender convocar um referendo, José Sócrates criou espaço, mais uma vez, para a banalização de um assunto que tem muito pouco a ver com o espaço público. A IVG/aborto e a constituição europeia não são da mesma natureza política. De facto, o primeiro tem muito pouco a ver com política e tão só com o direito à privacidade, como foi reconhecido, há mais de 30 anos, pelo supremo tribunal norte-americano." (João Caetano, em A Metamorfose)

Agora não temos outro remédio senão VOTAR. Contra a abstenção, marchar, marchar. Se o SIM ganhar, não vou ter vontade de festejar. Não se ganha nada. Perde-se é menos.

Causas pequeno-burguesas (pré-ocupação)

Caro JPH: as creches nas empresas para os filhos dos empregados só podem aumentar a produtividade, porque reduzem a preocupação dos pais. Já há muito tempo que deviam ser obrigatórias por lei. Apoiado!

sábado

Planeamento familiar

Não tenho filhos; hei-de ter. Nunca estive grávida. Se alguma vez abortei, só pode ter sido metaforicamente.

quinta-feira

Do Vil Pudor (actualizado)

Já que ando numa de ecumenismo (ou será "ecumenicidade"?), letra P... Pastoral Portuguesa. O anagrama com o nome do meu blogue é tão perfeito que até dói. Ui, ui. Outro exemplo do brilhantismo anagramático do Rogério: O Feto Grandote.

quarta-feira

Replay

Não custa nada, Luís. Sai Tindersticks e volta o ritmo contagiante da Elis. Não sei se vais gostar da música, mas sou incapaz de recusar pedidos de bichos do ... err, de pessoas gentis por quem tenho a maior estima.

terça-feira