quinta-feira

Recibos verdes

Condição contemporânea.

(embarassing institutional) Default

Enviar emails do meu novo endereço electrónico para familiares, amigos e conhecidos, sem ser por razões estritamente profissionais, talvez não seja boa ideia, sob pena de ser gozada por causa do remetente. É claro que não fui eu que lá escrevi "Consultora" entre parênteses, a seguir ao meu nome.

(fora do horário laboral, "consultas", só com marcação especial)

segunda-feira

Miss Simpatia



Grande animação! Esta leitora do blogue Ainda Não Está Escuro agradece, retribui e redistribui: uma óptima semana a todos, e a alguns em particular.

Tu e eu

Dois nós (difíceis de desatar).

quinta-feira

Pop'zinha: Scots Vs Swedes



Quando comecei a ouvir "You can't hurry love", pensei que fosse Camera Obscura, pela voz. Afinal era The Concretes. Ela por ela.

sms

Alguém do Brasil veio parar ao meu blogue à procura do número de telefone de Joaquin Phoenix. Lamento, caro/a visitante, mas só tenho na agenda telefónica os números que realmente me interessam. E neste momento está completa.

segunda-feira

O Oscar não sabe o que perde(u)


Ryan Gosling, em HALF NELSON

What's the story behind the title?
A "half nelson" is a wrestling move, and we were making a movie about a lot of characters that were wrestling with different parts of themselves and the problems in their world. So we thought it was an appropriate metaphor. It's also a Miles Davis tune that we thought we'd throw in.(...)

Actor principal e banda sonora (Broken Social Scene) muito recomendáveis. Não são só os Arcade Fire que dão prestígio ao Canadá.

quinta-feira

Ab Fab

Não assisti a nada em directo nem em indirecto, mas no rescaldo do rescaldo os apontamentos da Triciclo Feliz sobre o tapete vermelho (e o resto) são obrigatórios.

O meu YAY vai para Cate Blanchett:

domingo

Fronteira

O verdadeiro provinciano é o falso cosmopolita.

Bermaniana

Hoje passei algumas horas a ouvir Joanna Newsom (que querida, tão erudita, aqui com a harpa e as suas roupinhas folk, num concerto a meias com o namorado.) Não me apetece ouvir mais, e a vizinha agradece. Regresso a Silver Jews, à música em que fiquei ontem, antes de sair para jantar:

We're gonna live in Nashville and I'll make a career
Out of writing sad songs and getting paid by the tear

Marry me and leave Kentucky
Come to Tennessee
'Cause you're the only ten I see
You're the only ten I see

Separadas à nascença?



No YouTube comenta-se que têm vozes parecidas. Pior ainda, diz-se que Joanna Newsom é autista e "semi-retarded". Permitam-me discordar. Child-like, she's just too good to be true.

Estado de Graça

L'Amore (que vi esta quarta-feira na Cinemateca), de Rossellini, divide-se em duas histórias, ambas protagonizadas por Anna Magnani. Começa com a mise-en-scène (não toco piano, mas falo francês) do monólogo escrito por Jean Cocteau, La Voix Humaine - livro que não estou a encontrar na estante. Se o tiver emprestado a alguém que esteja desse lado, pede-se o favor de... É uma tragédia. (O texto teatral, não o facto de eu desconhecer o paradeiro do meu livro.) O discurso pelo telefone da mulher desesperada mete dó. Foi abandonada pelo amante, que a trocou por outra. Ele está do outro lado da linha, mas apenas se subentende o que diz. Ela agarra-se ao fio do aparelho, como se a vida dependesse disso. É angustiante. Um grande desempenho de Anna Magnani. Porém o meu constrangimento falava mais alto. Já estava com pressa de chegar à segunda história, que foi o que me levou naquele dia à Barata Salgueiro.

Em Il Miracolo, Nannina é a maluquinha da aldeia que quando está a guardar as cabras na montanha julga ter uma aparição de São José (interpretado por Federico Fellini, magnífico!). Como é óbvio, "São José" não é São José. É uma criatura de carne e osso, que apareceu por ali, e que silenciosamente se deixa ficar a ouvir o delírio de Nannina. Vai-lhe tirando as medidas, enquanto ela fala, e passa-lhe a garrafa de vinho para as mãos. Ela, ingénua, vai dando uns goles. Com os vapores etílicos, começa a ficar tonta e encalorada. O delírio aumenta. Está no Paraíso e às tantas não vê mais nada, desmaia com o êxtase. Fica completamente à mercê do homem. Na cena seguinte, "São José" desapareceu. De volta à aldeia, Nannina relata o milagre. Pois sim, dirão os outros habitantes. Meses depois, descobre-se que está grávida. Nannina acredita piamente que foi abençoada com uma concepção imaculada, que Deus a encheu de Graça. É a chacota da aldeia. Nannina foge. Alienada, acaba por dar à luz numa capela, no alto da montanha, sem ninguém por perto. Feliz.

Um filme extraordinário (realizado por Rossellini, com uma história produto da imaginação de Fellini). Mas o que para mim foi mais extraordinário foi a personagem não me ter inspirado piedade. Até senti uma pontinha de inveja. A sua crença é tão profunda, tão libertadora. Ela acredita, é quanto baste. L'Amore.

"O que importa é a fé dos homens. Nada mais conta. O resto é a superficialidade dos homens."

quarta-feira

Mulher-objecto

"Útero com dimensões conservadas, 83x30x42 mm, de contornos regulares e ecoestrutura homogénea do miométrio.(...)"

in estudo ecotomográfico ginecológico

terça-feira

Das vantagens de chegar cedo ao local de trabalho

Manhã iluminada. Encontrar Ys, de Joanna Newsom, em cima duma mesa. Pô-lo a tocar e ouvi-lo pela primeira vez na íntegra, em silêncio quase, quase absoluto, passe a estranheza. Depois começou toda a gente a entrar em cena. Hoje não é dia feriado.

sábado

How the hell does Stevie Wonder see things?



Em escuta, o primeiro álbum (2004) da banda que mais gostei de conhecer em 2006. Sobretudo graças ao concerto-sauna na ZDB, no verão passado. "Lo-fi charm", "electro-ironic soul music", "wearing their influences on their sleeve" (The Beach Boys, Prince, Ween, 60's girl groups, Dr. Dre, Devo, Stevie Wonder, Madlib). "Like a mellow, hip-hop-lovin' version of LCD Soundsystem", etc. Ao vivo, aqui.

quinta-feira

Especial pós Dia(s) dos Namorados

Um dia no jardim
fiquei muito espantado:
encontrei uma miúda
com olhos por todo o lado.

Era de facto encantadora
(e também assustadora!);
e, porque tinha boca para falar,
pusemo-nos a conversar.

Falámos sobre flores
e das suas aulas de poesia,
e dos problemas que teria
se tivesse miopia.

É óptimo namorar
alguém que tanto nos olha,
mas se desata a chorar
apanhamos uma molha.

"A Rapariga com Muitos Olhos", do livro de Tim Burton, A Morte Melancólica do Rapaz Ostra & Outras Estórias, em reedição recente pela Antígona.