sábado

How the hell does Stevie Wonder see things?



Em escuta, o primeiro álbum (2004) da banda que mais gostei de conhecer em 2006. Sobretudo graças ao concerto-sauna na ZDB, no verão passado. "Lo-fi charm", "electro-ironic soul music", "wearing their influences on their sleeve" (The Beach Boys, Prince, Ween, 60's girl groups, Dr. Dre, Devo, Stevie Wonder, Madlib). "Like a mellow, hip-hop-lovin' version of LCD Soundsystem", etc. Ao vivo, aqui.

quinta-feira

Especial pós Dia(s) dos Namorados

Um dia no jardim
fiquei muito espantado:
encontrei uma miúda
com olhos por todo o lado.

Era de facto encantadora
(e também assustadora!);
e, porque tinha boca para falar,
pusemo-nos a conversar.

Falámos sobre flores
e das suas aulas de poesia,
e dos problemas que teria
se tivesse miopia.

É óptimo namorar
alguém que tanto nos olha,
mas se desata a chorar
apanhamos uma molha.

"A Rapariga com Muitos Olhos", do livro de Tim Burton, A Morte Melancólica do Rapaz Ostra & Outras Estórias, em reedição recente pela Antígona.

Uma entrevista é uma entrevista

Era uma vez a MINGUANTE, revista on-line de micronarrativas.

domingo

Da responsabilidade


Nana (Anna Karina)

(...)

Yvette: É triste, mas não sou responsável por nada.
Nana: Eu acho que somos sempre responsáveis por tudo o que fazemos - e livres... Levanto a mão, sou responsável. Viro a cabeça para a direita, sou responsável. Sou infeliz, sou responsável. Fumo um cigarro, sou responsável. Fecho os olhos, sou responsável. Esqueço-me que sou responsável, mas sou-o na mesma. Era o que eu dizia há pouco. Querer evadir-se é uma treta. Afinal, tudo é belo. Basta ter interesse pelas coisas e achá-las bonitas. No fundo, as coisas são o que são e mais nada. Um rosto é um rosto. Pratos são pratos. Os homens são os homens. E a vida é a vida.

(...)

Vivre sa Vie (JLG, 1962)

Disclaimer

(Sábado à noite, festa, copos, conversa casual em grupo.)

- Sara, tenho ido ao teu site. Mas fico sempre deprimida.
- Então por que é que continuas a ir?

Eva, isto também "não é uma crítica". És sempre bem-vinda.

sábado

sexta-feira

Sim, sim, sim

Batu, de facto não perguntei, mas no fundo no fundo no fundo esperava que respondessem. Tu, o Luís e o Ricardo. (O Casanova fez-me sentir cota: "No referendo de 1998 não participei porque ainda não era maior.")

quarta-feira

Ambrósio, apetece-me Schopenhauer

(...)ANTES DE TUDO, devemos considerar a essência de toda a controvérsia, o que nela se passa de facto.
O nosso oponente afirmou uma tese (ou nós próprios, pouco importa). Para a refutarmos, existem dois modos e dois caminhos.

1. Os modos: (...)podemos demonstrar, ou que esta tese não está de acordo com a natureza das coisas, isto é, com a verdade objectiva absoluta; ou que ela é inconsistente com outras alegações ou concessões do nosso oponente, isto é, com a verdade subjectiva relativa. Este último modo produz apenas uma convicção relativa, e não importa em nada para a verdade objectiva da questão.
2. Os caminhos: 1) a refutação directa, ou 2) indirecta. A directa ataca a tese pelos seus fundamentos; a indirecta, pelas suas consequências. A refutação directa demonstra que a tese não é verdadeira; a indirecta, que ela não pode ser verdadeira.(...)

ESTRATAGEMA 1
A EXTENSÃO. Ampliar a afirmação do oponente para além dos seus limites naturais, interpretá-la da maneira mais geral possível, tomá-la no sentido mais lato possível e exagerá-la; e, por outro lado, reduzir a nossa ao sentido mais restrito, aos limites mais estreitos que forem possíveis: pois quanto mais geral se tornar uma afirmação, mais ela estará sujeita aos ataques.(...)

ESTRATAGEMA 2
Utilizar a Homonímia para estender a alegação àquilo que pouco ou nada tem de comum com o objecto do debate, senão o mesmo termo, e depois refutá-lo de forma triunfante, como se se houvesse refutado a própria afirmação.(...)

EXEMPLO 1. A: «Você ainda não está iniciado nos mistérios da filosofia kantiana.»
B: «Ah, se se trata de mistérios, não quero ter nada a ver com isso.»(...)

ESTRATAGEMA 8
Fazer encolerizar o oponente: pois no seu furor ele fica incapaz de um juízo correcto e de perceber o que é do seu interesse. Podemos encolerizá-lo sendo repetidamente injustos para com ele, fazendo chicana, e, em geral, sendo insolentes.(...)

ESTRATAGEMA 34
Quando o oponente não dá resposta directa a uma pergunta ou a um argumento, mas se furta a ela com uma contra-pergunta ou uma resposta indirecta, ou algo que não tenha a ver com o debate e tenta mesmo desviar o assunto, essa é a prova evidente de havermos tocado um ponto fraco (por vezes sem o sabermos): da parte dele, é um modo relativo de se calar. Há pois que insistir no ponto suscitado e não deixar que o oponente a ele se furte, mesmo que não se saiba ainda em que consiste ao certo a fraqueza que atingimos.(...)

ÚLTIMO ESTRATAGEMA
Quando percebemos que o oponente é superior e que não iremos ganhar, tornamo-nos pessoais, insultuosos, grosseiros.(...)É um apelo das faculdades do espírito às do corpo, ou à animalidade. Esta regra é muito apreciada, visto cada um a poder aplicar, e por conseguinte, é usada com muita frequência...


Ambrósio, já chega!

domingo

Kate Dietrich

Parece que não confiam

(...)2. A corrente laicista, que deseja a Igreja fechada na sacristia, não creio que seja maioritária na sociedade portuguesa, apesar do nosso passado anticlerical. Mas a grande alergia à presença activa da Igreja talvez resulte da ideia de que ela quer fazer da sociedade e do espaço público uma sacristia. As declarações e posições pouco católicas de certos movimentos, personalidades e de alguns padres dão a impressão de quererem entregar à repressão do Estado, do Código Penal, dos tribunais, da polícia, da cadeia, as suas convicções morais - isto é, parece que não confiam na consciência das mulheres, na sua capacidade de discernimento, para percorrerem todos os caminhos necessários até chegarem a uma decisão bem informada, responsável, prudencial, no sentido que a virtude da prudência, virtude da decisão bem informada, tem em Aristóteles e Tomás de Aquino.(...)
Como dizia Tomás de Aquino, só somos verdadeiramente livres quando evitamos o mal, porque é mal, e fazemos o bem, porque é bem, não porque está proibido ou mandado. Todo o trabalho que a Igreja tem a fazer é, precisamente, o de ajudar as pessoas a caminharem para esse ponto de lucidez. Esclarecer as consciências não é formatá-las, não é impor-lhes uma outra consciência, não é aliená-las. Quando, nas condições e no prazo referidos, se chama "assassinas" às mulheres que recorrem ao aborto - que a Igreja e qualquer pessoa de bom senso desejam que nunca venha a acontecer -, pode estar-se a insultar, exactamente, as que sofrem os dramas que acompanham essas decisões dolorosas. A resposta ao referendo não deve extravasar o âmbito da pergunta aprovada.
3. Em última análise, a grande suspeita em relação à pergunta do referendo está neste fragmento da frase: "por opção da mulher." E porquê? Porque se julga que as mulheres não são de confiança. No entanto, foi a elas que a natureza confiou a concepção e o desenvolvimento da vida humana, durante nove meses.(...)


Frei Bento Domingues, O.P. (PÚBLICO, 04/02/07)

Questão fracturante

Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?

Para mim, o aborto é uma questão da esfera privada, por isso sinto-me incomodada de o ver discutido em público. É também uma questão de consciência, por isso voto SIM. O assunto não tem nada a ver com ser de Esquerda ou de Direita. A uma semana do referendo, aqui fica uma amostra da "fractura", com a enumeração de algumas pessoas que mais gosto de ler na blogosfera - e cujos blogues visito com regularidade (porque há muitos outros que podia referir):

- batukada (aborda o assunto com humor, mas a intenção de voto, ou mesmo de ir votar, não é clara)
- Carla Quevedo (SIM)
- Eduardo Nogueira Pinto (NÃO)
- Francisco Valente (SIM)
- Ivan Nunes (SIM)
- Luís Miguel Oliveira (não me lembro de nenhum post em que o referendo tenha sido abordado)
- maradona (SIM)
- Pedro Mexia (NÃO)
- Ricardo Gross (sei qual é a posição dele sobre o assunto, mas como nunca expressou a sua opinião no blogue também não sou eu que vou revelá-la)
- Rogério Casanova (não faço a menor ideia)
- Sam (SIM)
- Samuel Úria (aborda o assunto com humor, e embora não o diga explicitamente, julgo que é NÃO)
- Tiago Cavaco (NÃO)

(...)

SÖREN
A vida está cheia de enigmas. Um beijo, Regina. Salomão diz que uma boa resposta é como um amoroso beijo. Eu prefiro um amoroso beijo a uma boa resposta. É mais próprio da natureza do beijo imaginar um homem que beija uma mulher, do que uma mulher que beija um homem. Pouca gente faz caso destas coisas.

REGINA
Pouca gente sabe essas coisas.

SÖREN
É uma boa resposta e sabe como um beijo.

(...)


Agustina Bessa-Luís (dramatização de), "Estados Eróticos Imediatos de Sören Kierkegaard", Guimarães Editores, Lisboa, 1992

Your honour, may I say something...?

I'd rather kiss you. With all due respect.

(O post só funciona se for em inglês. Por favor, não me tomem por pretensiosa. Obrigada.)

quarta-feira

Acronym



Lots Of Libido In The Air.

Emerald, Sapphire and Gold

O meu blogue presta serviços de outsourcing, sempre que solicitados por entidades com consciência rítmica.

domingo

On the house (stereo)



Em crescendo, em escuta, em repeat: confirmo pela data dos "ficheiros recebidos" que foi em Outubro que um dos meus melhores amigos - Carlos, beijos para ti - me enviou alguns mp3 das ESG (não confundir com um rapper que adoptou as mesmas iniciais). Até então, desconhecia esta banda dos anos 80 formada pelas manas Scroggins, do South Bronx. Depois comecei a ouvi-las de vez em quando na Rádio Oxigénio, actualmente a minha frequência preferida para ouvir música no carro (ando enjoada com a playlist pop-rock da Radar). Nesta última sexta-feira de manhã, passava "Dance" (a segunda do alinhamento do disco). Ficou-me novamente no ouvido. Mais tarde, quando passei na sala de edição, estava a ser montada uma peça, a ir para o ar na próxima semana, com "My Love for you", que é a última faixa do disco (um grande bem-haja ao Baptista, editor, pela escolha da banda sonora). Foi nessa altura que as ESG se me entranharam irreversivelmente. Mais tarde ainda, no Bairro Alto, disseram-me (beijos também para ti, Jorge!) que tinha saído agora uma re-edição pela Soul Jazz Records (que belo catálogo) de "Come Away with ESG", o primeiro(?) longa duração delas, lançado em 1983. Já não havia volta a dar-lhe: no dia seguinte tinha de ir à FNAC comprar um presente de aniversário para uma amiga (JP Simões, "1970") e aproveitaria para me presentear a mim própria.

(Este post está a ficar longo... E tem parêntesis a mais. Desculpem. Vou continuar.)

Quase todas as faixas do disco me parecem dançáveis. Fiz o upload para o blogue de "Dance", uma das mais contagiantes, mas aborrece-me que o baixo, essencial na música das ESG, não se ouça pelas colunas de som do meu computador. Paciência, fica lá na mesma, já dá para se ter uma ideia. Em casa, isto é para ser ouvido na aparelhagem, com o volume alto, e a minha vizinha deve estar há horas a rogar-me pragas.

Os dois minutos instrumentais de "Chistelle" (faixa 5) não podiam estar mais próximos de Sonic Youth. O baixo de "Tiny Sticks" também me soa familiar. E "The Beat". Adoro. E "It's Alright". Sempre o baixo. "Come Away", "Parking Lot Blues", "You Make No Sense", "About You", "Moody (spaced out)"... Todo o disco é impressionantemente bom. Se eu fosse DJ, pelo menos uma destas onze músicas teria de passar, e ai de quem não dançasse.

(O novo de LCD Soundsystem, "Sound of Silver", só sai em Março, mas houve uma "fuga" e consegue-se fazer ilegalmente o download da net de todas as músicas do disco. Tal como eu, desconfio que há um jornalista do Y que também já o fez. Se não, como é que ele pôde destacar no suplemento do Público "Get Innocuous"...? O single que tem passado na rádio, que por acaso é óptimo, chama-se "North American Scum". O resto também me parece muito bem, a última música chama-se "New York I Love You", mas lá está, tenho a sensação que o meu computador não reproduz música como deve ser, e não tenho Ipod. James Murphy é grande e hei-de voltar a dizer que gosto da voz anasalada dele quando o disco estiver à venda. Por enquanto, no MySpace.)

sábado



and i can’t sleep
'cause you got strange powers
you’re in my dreams
strange powers


(The Magnetic Fields)

Bad lover

- Não (me) consigo desligar... do trabalho.
- Tudo bem, desde que não vás para a cama com o Stress.

Atracção-repulsão

Ordinary life is pretty complex stuff.