segunda-feira
domingo
Domingo
Aguentei-me. Este dia está a ser cada vez mais desgastante. Tinha sido seleccionado e posto de parte em Novembro passado como dia de descanso. Esta manhã fui dar com o novo ser a tentar deitar ao chão maçãs daquela árvore proibida. (Adão)
Está tudo em ordem agora e eu estou feliz mas passei dias muito duros. Prefiro nem me lembrar.
Tentei apanhar algumas daquelas maçãs para ele mas não consigo aprender a atirar como deve ser. Falhei. Mas acho que ele percebeu a minha intenção e ficou contente. Elas são proibidas, e ele diz que me vai acontecer algo de mal. Mas se me acontecer algum mal por tentar ser simpática para ele, não há-de ser um mal com o qual me importe. (Eva)
posted by sara at 18:30
terça-feira
segunda-feira
Segunda-feira
O novo ser diz que se chama Eva. Tudo bem. Não tenho objecções. Diz que é para o chamar quando queira que ele venha. Eu disse que, nesse caso, era supérfluo. Esta palavra fez-me subir na sua consideração e é, de facto, uma longa e boa palavra capaz de suportar a repetição. O novo ser diz que não é um ser, mas uma Ela. Duvido, mas tanto me faz. O que Ela seja não me faria diferença se Ela se metesse na sua vida e não falasse. (Adão)
Hoje de manhã disse-lhe o meu nome. Estava com esperanças que lhe interessasse. Mas ele não ligou nenhuma. É estranho. Se fosse ele a dizer-me o seu nome eu tinha-me interessado. Para os meus ouvidos teria sido o mais doce som que eu jamais ouvira.
Ele fala muito pouco. Talvez seja por ser pouco inteligente, e saiba disso, e procure escondê-lo. É uma pena que ele pense assim porque a inteligência não vale nada: é no coração que está o valor. Quem me dera poder fazê-lo entender que um coração cheio de amor é um tesouro, é tesouro que baste e que sem ele o intelecto é uma pobreza.
Apesar de falar pouco tem um vocabulário surpreendente. Hoje de manhã usou uma palavra surpreendentemente boa. Ele mesmo reconheceu que era boa porque a conseguiu meter mais duas vezes na conversa ao longo do dia, casualmente. Foi arte casual mas, mesmo assim, demonstra que ele possui uma certa qualidade de percepção. Sem sombra de dúvida essa semente pode vir a crescer, se cultivada.
Onde terá ele ido buscar a palavra? Eu nunca a usei. (Eva)
Mark Twain, "Excertos dos diários de Adão e Eva", Cavalo de Ferro
posted by sara at 18:37
domingo
sexta-feira
P.I.C.A. (que bela prenda me saíste)
Gostava de escrever 10 segundos para televisão com a mesma facilidade com que faço um post. De segunda a sexta, para adolescentes.
posted by sara at 09:40
segunda-feira
Mensagem de Natal

Bevete più latte
Il latte fa bene
Il latte conviene
Per tutte le età
Bevete più laaa
Bevete più laaa
Bevete più latte!
BOAS FESTAS.
posted by sara at 01:15
Notícia de última hora
Não é novidade: já há um mês que o maradona anda a escrever crónicas para o Metro. Para além disso, a figura semi-pública, semi-anónima, não aprecia publicidade. Fica registado.
posted by sara at 00:52
Funny guys
Late night with Conan O'Brien: Howard Stone on Jay Leno
Contribuição (os primeiros dois minutos do vídeo) para o debate, apesar da minha preferência ir para o apresentador "queixudo".
posted by sara at 00:47
quarta-feira
Informação gratuita
Quando hoje cheguei à pagina 11 (não tinha reparado na chamada de capa) do Metro, a minha exclamação deve ter ecoado por toda a carruagem. Era a última coisa que eu esperava ler às 9 da manhã num transporte público, sem computador com acesso à internet.
Não sei se isto no jornal é novidade, se já dura há algum tempo, mas começava assim: "Não existe corrupção no futebol. O que há é um reduzido número de pessoas honestas ou vingativas que, na sua orgulhosa excentricidade, têm agitado um lago até agora quase perfeitamente idílico." E continuava, o que fez com que eu me distraísse e deixasse passar a minha estação. A culpa é do maradona, que assinava em papel a crónica Justicia Buena.
posted by sara at 19:42
segunda-feira
"discurso sobre a reabilitação do real quotidiano"
(IX)
no país no país no país onde os homens
são só até ao joelho
e o joelho que bom é só até à ilharga
conto os meus dias tangerinas brancas
e vejo a noite Cadillac obsceno
a rondar os meus dias tangerinas brancas
para um passeio na estrada Cadillac obsceno
e no país no país e no país país
onde as lindas lindas raparigas são só até ao pescoço
e o pescoço que bom é só até ao artelho
ao passo que o artelho, de proporções mais nobres,
chega a atingir o cérebro e as flores da cabeça,
recordo os meus amores liames indestrutíveis
e vejo uma panóplia cidadã do mundo
a dormir nos meus braços liames indestrutíveis
para que eu escreva com ela, só até à ilharga,
a grande história de amor só até ao pescoço
e no país no país que engraçado no país
onde o poeta o poeta é só até à plume
e a plume que bom é só até ao fantasma
ao passo que o fantasma - ora aí está -
não é outro senão a divina criança (prometida)
uso os meus olhos grandes bons e abertos
e vejo a noite (on ne passe pas)
diz que grandeza de alma. Honestos porque.
Calafetagem por motivo de obras.
É relativamente queda de água
e já agora há muito não é doutra maneira
no país onde os homens são só até ao joelho
e o joelho que bom está tão barato
Mário Cesariny, Manual de Prestidigitação, Assírio & Alvim, 1981
posted by sara at 00:23
Alternativa
Não é habitual assistir a concertos dois dias consecutivos na Aula Magna. Ora, o Festival Radar não me deu alternativa: Yo La Tengo no dia 3 de Dezembro, Cat Power no dia 4.
No domingo à noite a sala estava a dois terços; na segunda-feira estava à pinha. Os Yo La Tengo fizeram três ou quatro encores; a menina Chan Marshall não fez nenhum. No primeiro estive sempre de pé, e dancei grande parte do tempo; no segundo estive sempre sentada, e isso aborreceu-me um bocadinho. Mas ambos os concertos foram bons, cada um no seu registo.
posted by sara at 00:15
domingo
Songstress

We've always thought Chan Marshall was beautiful, but what do we know? We're indie rockers. We think brand new 7" vinyl is beautiful, too.
Turns out the beautiful people think Cat Power is beautiful, too. And they know what they're talking about, or so we're lead to believe. Women's Wear Daily reported on Monday that Chanel's Karl Lagerfeld has fallen for the songstress, who "has been tapped as the new face of Chanel's jewelry collections."
According to Matador Records, Marshall is not confirmed to appear in any Chanel ads at this time, although she and Lagerfeld have indeed become friends.
WWD reported that Marshall was decked out in gold Chanel jewelry (a necklace, ring, and bracelet) at a party celebrating the release of Lagerfeld's compilation CD, Les Musiques Que J'aime. (The comp features tracks from the likes of Devendra Banhart, the Boy Least Likely To, Lindstrom and Prins Thomas, LCD Soundsystem, the Pipettes, Black Mountain, Fiery Furnaces, Matmos, the Fall, Caribou, and Goldfrapp. Hey Karl, wanna write for Pitchfork?)
Marshall told WWD that Lagerfeld approached her while she was hanging out in front of the Mercer Hotel in NYC: "I was outside waiting, sitting on a pile of Louis Vuitton luggage, drinking water, with an apple and a cigarette in my hand, my cell phone, oh, and two guitars, and out comes Karl. He walks up, looks at me and says, 'Only a woman can look glamorous when smoking.' And I lowered my glasses and pointed to [the shadows under my] eyes and said, 'With these?'"
Ainda havemos de ter Cat Power no blogue de Miss Pearls.
posted by sara at 18:08
quarta-feira
MÁRIO CESARINY (1923-2006)
EM AUTO-ENTREVISTA
K: (...)Mas apesar de tudo, ou de todos, não acha um pouco forte para começar?
MC: Acho. Vamos cortar.
K: Não corta nada. E se quiser até ponho que o que fizeram à Casa dos Bicos é cópia quase símile da que apareceu na Exposição do Mundo Português a demonstrar a pujança do Império: a janela central pseudo-pseudo e a bicalhada toda a ir por ali fora até formar a testa do Frankenstein. Vi no Expresso Revista. Mas, mesmo assim, acha que vale a pena falar nisso, agora que já não tem remédio?
MC: O já não tem remédio é o que se diz do morto. E se juntarmos aquela que a Agustina Luís há pouco sublinhava, citando do rifonário cívico português, que "o melhor é inimigo do bom", obtemos o espectro desse universo.
K: Um universo bastante original. Próximo do macaco, pode-se dizer.
MC: Muito próximo. Sobretudo quando lembramos outros processos evolutivos. Outros modos, outras línguas. O Oscar Wilde que dizia: "Para mim, o óptimo é suficientemente bom".
K: O Wilde foi preso.
MC: Também é verdade.(...)
K: Li uma crónica sua em que dizia que por toda aquela zona a que o bulldozer limpou o sarampo – a velha Mouraria hoje Martim Moniz – havia montes de casas de... putas.
MC: De putas. Todo o genocídio invoca a Moral e a Constituição. Fica bem. Ali, havia ruas e ruelas lindíssimas, travessas impensáveis, passagens extraordinárias. Creio que, se as tivessem deixado sobreviver, seriam hoje um centro urbano único, mais de povo do que o Bairro Alto. O Bairro Alto é todo pombalino, monumental. Responde com nobreza ao carácter de cidade imperial que a Lisboa que vai do Largo do Rato até ao rio apresenta. Aquela Mouraria era a topografia do gatafunho, o labirinto possível depois da queima do Mouro. E, sim, num extenso passo que não dava frente para a Rua da Palma, as putas. As putas, os óis-óis de bairro, a maruja de guerra que nenhum escritor português conseguiu descrever como o faz em três linhas o Rámon Gomez de La Serna...
K: É. Porque será?
MC: O escritor português não sai do escritório. Faz-lhe mal aos pés. É gente de candeeiro de mesa e secretária "capital do móvel" inamovível. Prefere a conta da electricidade ao gasto corporal. Este reserva-o todo para a gloriosa maçada de ir receber o Prémio de não ter ido a lado nenhum.
K: O que são os óis-óis de bairro?
MC: ...as putas, os óis-óis de bairro, a maruja, os faquistas, os Buiças de aluguer e os de convicção. Honestíssimas, meretíssimas putas! A mim, ainda menino, davam-me o susto mestre, a visão do sagrado.(...)
Revista K, Nº2, Novembro 1990, pág. 35-36
posted by sara at 17:35
sábado
quarta-feira
Grande reportagem
Fontes próximas (uma da outra) garantem que fui concebida em São Tomé e Príncipe. Não quiseram adiantar mais pormenores.
posted by sara at 19:26
domingo
Interneta
Quando cheguei ao mundo ele já tinha partido, mas lá em casa sempre ouvi referirem-se à figura familiar como "Avô General" (mais por brincadeira, apesar de ser verdade).
O meu bisavô (e da Mónica, minha prima, não a Vitti) foi Governador da Guiné entre 1932 e 1940, em pleno Estado Novo. A Wikipédia confirma-o. É um facto, e para mim, um tópico interessante. Foi quem se manteve mais tempo no cargo. Dos três volumes que escreveu sobre a ex-colónia portuguesa, com cerca de 1500 páginas (não fez a coisa por menos), cito texto introdutório:
"(...)Não encontram os portugueses da Guiné razão que possa justificar, explicar sequer, o desinteresse que, na Metropole, existe por esta Colónia e que não é mais do que o resultado do desconhecimento em que, sobre ela, vive o país soberano, embora nos ultimos anos, as exposições, as conferencias e a propria, mas limitada, acção oficial, tenham quebrado o mutismo que a envolvera nas brumas de lendas terrorificas de um país inóspito, onde perigos de toda a natureza espreitavam o «branco».
Vir para a Guiné, é ainda, no espírito de muita gente portuguesa do Continente, subir irremediavelmente a um cadafalso onde os carrascos são as febres, as feras e... os pretos!
E este juizo perdura na imaginação popular, a 490 anos da descoberta de Nuno Tristão!
Deliberando fazer a publicação destas páginas, quere o Governador da Guiné contribuir com elementos, cuidadosamente verdadeiros, para que o País forme um conhecimento que não possue, e que lhe é necessário, sobre uma das suas colónias mais ignotas.(...)" - Junho de 1936
Sendo fiel ao original, não me responsabilizo pela eventual má colocação de vírgulas, erros de gramática, etc., pelo meu bisavô. Qualquer tentativa de corrigi-lo será frustrada, a não ser que ele lá onde estiver tenha acesso à internet e leia blogues. Por acaso, a ideia agrada-me... Aproveitando a embalagem, mais um excerto, retirado do capítulo sobre as populações indígenas:
"(...)Passam os bijagós por serem o elemento étnico mais inculto, de todos quantos povôam a nossa Guiné.
Este juizo que deve ter-se formado pelas descrições do seu exótico viver, sofre do desconhecimento da étnica de outras tribus, porque o que é certo é que o bijagó não é mais nem menos inculto que o felupe, o manjaco ou o balanta.(...)
De resto, o bijagó manifesta, em vários actos exteriorizadores da sua psicologia, um sentido de arte que desmente a incultura absoluta - tida como embrutecimento do espírito, refractario à assimilação, ou ignorancia crassa do mais comesinho à vida do ser consciente.
Certamente que o facto da sua organização familiar ter como princípio o matriarcado, não é bastante para firmar incultura...(...)"
LOL, Bisavô, LOL.
posted by sara at 23:14
quinta-feira
Ordem de grandeza
Já não me lembrava. A minha colecção de Kapa's resume-se a isto: ao número 2, de Novembro de 1990. Estou em condições de afirmar com toda a propriedade que aos 13/14 anos não lia a revista em questão. Naquele tempo quase tudo o que era imprensa portuguesa me passava ao lado. (Eu só lia jornais estrangeiros...)
Porém numa manhã de sábado, em 1999, passeando pela Feira da Ladra vejo numa banca cheia de tralha a fronha de Marcello Caetano sobre um fundo verde-alface (talvez a minha digitalização não lhe faça justiça cromática, clicar na imagem para aumentar). Não hesitei um segundo: "Quanto quer por isso?" Ali estava um número desirmanado, no meio de romances de cordel e de tecla(do)s de computador. Um achado. Paguei 100$00, se bem me lembro, mas teria dado os 400$00 que me custaria em 1990. Teria dado mais.
posted by sara at 13:27
domingo
A Maya não me deixa em paz
"GÉMEOS: Algumas tensões e excessos poderão tornar-se uma fonte de preocupações, tente manter a cabeça fria e não responda de forma precipitada. No plano afectivo alguns encontros podem não correr como esperava, seja mais selectivo a fim de evitar dissabores. Algumas ligações que pareciam correr bem podem tornar-se decepcionantes.(...)" Pública, 05/11/06
Com bastante atraso, mas está bem.
posted by sara at 17:39
Inconveniências
Confesso que já me apetecia pouco falar do tema do aborto, depois de todos os argumentos terem sido já tão amplamente discutidos e a obstinação condenatória persistir. Mas depois de algumas vozes inesperadas terem vindo a público afirmar coisas espantosas, algumas delas neste mesmo jornal, talvez faça sentido reafirmar algumas verdades óbvias, ainda que incómodas.
1. O aborto existe, sempre existiu e não vai deixar de existir. Seja por ignorância, imprudência, erro de julgamento ou simples azar, as mulheres ficam grávidas sem querer. E por vezes sentem que efectivamente não querem ou não podem seguir em frente com aquela gravidez. Claro que todos queremos diminuir essas situações - e devemos fazer esforços sérios, não moralistas e não paternalistas nesse sentido. Mas o problema nunca será totalmente resolvido a montante. As questões que importa, por isso, colocar são: onde e em que condições é que esse aborto vai ser feito? Deve uma mulher pagar com risco de morte ou dano severo para a saúde essa decisão? Que legitimidade existe no enriquecimento feito com base no aborto clandestino?
2. E, já agora, deve a mulher pagar essa decisão com a prisão? Porque, como ficou amplamente demonstrado, efectivamente há condenações por causa do aborto. E que me desculpem os defensores de soluções intermédias: ou é crime e é penalizado ou não é penalizado e não é crime de todo. Porque, que sentido faz perpetuar uma lei que não é para cumprir? Que traduz esse incumprimento senão o seu radical alheamento da realidade e vontade social?
3. E agora que me desculpem alguns sectores feministas: não, o aborto não é uma questão de mulheres. Ou antes, é-o, mas não deveria ser, pelo menos não deveria ser equacionado como uma questão apenas de mulheres. E neste erro tanto os defensores do "sim" como do "não" têm caído. Claro que há questões de género no aborto, desde a desigual repartição dos cuidados com os filhos, aos desequilíbrios salariais. E, claro, o simples facto de ser no corpo da mulher que a decisão de ter ou não filhos assume uma violência "incarnada". Mas, a não ser que estejamos perante novos mistérios transcendentais, cada embrião tem dois seres humanos na sua génese. Onde estão os homens, no equacionar público desta questão? E, já agora, onde estão os homens condenados pela decisão de abortar (ou será - coisa conveniente - que todas as mulheres condenadas por aborto em Portugal decidiram sozinhas, sem participação ou conhecimento dos respectivos parceiros?).
4. Finalmente, o que sinto como uma última verdade, para mim própria inconveniente: por muito que os defensores do "sim" a evitem - e eu, como defensora do "sim", compreendo a estratégia -, a questão da vida humana é de facto relevante. Porque, se entendermos o embrião como igual a uma pessoa - se acreditarmos mesmo nisso -, então o aborto apenas se justificaria em situações de risco de vida da mãe. Porque apenas aí estaríamos a falar de valores de igual ordem moral. Mas será que acreditamos mesmo que um embrião é uma pessoa? Reagimos da mesma forma ao aborto espontâneo às 10 ou 12 ou até mais semanas como reagiríamos à morte de um recém-nascido? Sofremos da mesma forma? Ritualizamos da mesma forma a sua perda? Alguém pode, em consciência, dizer que sim?
Artigo de opinião assinado por Carla Machado, professora universitária, no Público da última quinta-feira. (Deu-me um trabalhão copiar isto do papel - embora valha a pena - graças a quem decide que a edição impressa do jornal apenas deve estar acessível on-line para assinantes. Só maçadas...)
Acrescente-se ainda outra coisa óbvia: é mais fácil levar uma mulher (ou um casal) a desistir de abortar se se souber que é essa a sua vontade. Caso contrário não há muito que se possa fazer, a não ser nas urgências dos hospitais. Sangue por todo o lado.
posted by sara at 17:03
A razão pela qual não gosto desta discussão
"(...)Não é a questão da IVG/aborto de natureza tão íntima que se dispensa um alarido público? Aliás, ao partido socialista faltou a coragem para resolver este assunto em sede própria: a assembleia da república. Ao pretender convocar um referendo, José Sócrates criou espaço, mais uma vez, para a banalização de um assunto que tem muito pouco a ver com o espaço público. A IVG/aborto e a constituição europeia não são da mesma natureza política. De facto, o primeiro tem muito pouco a ver com política e tão só com o direito à privacidade, como foi reconhecido, há mais de 30 anos, pelo supremo tribunal norte-americano." (João Caetano, em A Metamorfose)
Agora não temos outro remédio senão VOTAR. Contra a abstenção, marchar, marchar. Se o SIM ganhar, não vou ter vontade de festejar. Não se ganha nada. Perde-se é menos.
posted by sara at 16:38
sábado
Planeamento familiar
Não tenho filhos; hei-de ter. Nunca estive grávida. Se alguma vez abortei, só pode ter sido metaforicamente.
posted by sara at 19:28
quinta-feira
Do Vil Pudor (actualizado)
Já que ando numa de ecumenismo (ou será "ecumenicidade"?), letra P... Pastoral Portuguesa. O anagrama com o nome do meu blogue é tão perfeito que até dói. Ui, ui. Outro exemplo do brilhantismo anagramático do Rogério: O Feto Grandote.
posted by sara at 19:50
quarta-feira
Replay
Não custa nada, Luís. Sai Tindersticks e volta o ritmo contagiante da Elis. Não sei se vais gostar da música, mas sou incapaz de recusar pedidos de bichos do ... err, de pessoas gentis por quem tenho a maior estima.
posted by sara at 19:52
terça-feira
Pandora, say bye
Há caixinhas que devem permanecer fechadas. Não lhes queremos ver o fundo.
posted by sara at 23:58
Confession of faith
(...)
- Someone's died, after all!
- You know, Betty, actually, no one has died... Actually died.
- Well, if no one has died, that must mean it's you. [pause] But if you feel like you're going to die, I'd rather be with you. No question. [pause] In fact, I'm flattered to be here. When I died, there was no one there. I had to go through the whole thing on my own. [pause] Ok, I did, but a bit company won't hurt.
- Perhaps I should be getting back...
- [Betty opens a beer; gives it to Claire] So, in principle, if you´re serious, you have a program the day you die. [Betty opens a beer for herself] Having a laugh with dickheads... We did that last night. [Betty laughs] Then comes going to tell someone something, something you're dead set on, good or bad, something you've never said. 'Cause on the day you die, you have total freedom of speech. In principle...
- I met a man. Not like me, I don't know how to use my energy, but he does. He's really determined. And then one day, he found out how to turn it against me. Just like that, he took back everything he'd given me. That's what he wanted, I think. To screw everything up. [takes a sip] And it worked. Between the two of us, it worked.
- Oh yeah...
- What was it, the day you died?
- It's in the past... It's behind me now. [laughs] There's no more to say about it. [laughs] Thank God... [Betty and Claire laugh and take a sip of beer]
posted by sara at 23:57
You shouldn't take it so literally
Quando a atenção que se dispensa é evidente, a ligação torna-se desnecessária. Same as it ever was.
posted by sara at 23:56
Mind the gap
As pessoas que tomam desejo por solidão estão a tentar enganar-se a elas próprias e, pior ainda, estão a tentar enganar os outros. Shame on you.
posted by sara at 23:55
Blogues, letra T
Trento na Língua, starring Miguel Marujo, Samuel Úria e Tiago Cavaco (este já nem leva linque senão entupo-lhe o technorati), entre outros escribas.
posted by sara at 19:45
Diário de Sarita
O meu portátil pesa toneladas. É absurdo, eu sei, mas quando o comprei tive mais olhos que costas. Para além disso, estou farta de pagar contas de internet excessivas, porque ultrapasso sempre os limites de tráfego, nacional, internacional e o raio que os parta. Como também estou farta de desembolsar €22,49 por mês por uma TVcabo que practicamente está sempre desligada, desconfio que o bichinho pesadão (mas muito querido!) vai passar a dormir fora de casa nos dias úteis, e que em substituição passo a fazer zapping frenético à noite, quando não tiver melhor programa. Assim, poderei andar formosa, segura e ligeira, de metropolitano. Hoje não fui afectada pela greve, mas na próxima semana (dias 7 e 9 de Novembro) terei de pegar no carro e de me meter no trânsito infernal. Aos fins-de-semana havemos de matar saudades. E amanhã é feriado, bebé, não chores.
Apercebi-me de que estou pertíssimo da minha antiga escola, onde andei durante... deixa cá ver... 5º, 6º, 7º... sete anos. Um dia destes à hora de almoço vou fazer uma visitinha aos Jesuítas. Será que ainda se lembram de mim? Espero que me deixem entrar.
posted by sara at 19:33
segunda-feira
posted by sara at 01:47
Resoluções para esta semana
Mergulhar de cabeça no novo trabalho e cortar a franja, senão vai ser difícil ver o que ando a fazer. E já chega de posts.
posted by sara at 01:44
Por falar em sabrinas...

(ilustração de Milo Manara)
... que é feito da Salerno?
posted by sara at 01:38
Banda sonora
No filme de Sofia Coppola, "Marie Antoinette", o aspecto que me parece menos importante é a alegada falta de rigor histórico. E o mais interessante, o anacronismo musical.
O mais importante, embora por comparação menos interessante, é o rigor com que se conta a história (com minúscula). Mas aqui, acho que já não estou a falar de cinema.
posted by sara at 01:29
Liberdade, igualdade, fraternidade e …
As pessoas que costumam visitar o meu blogue sabem que não costumo escrever "foda-se", uma palavra com grande impacto, tanto sonoro como visual. Só que um "palavrão" às vezes é preciso. Reorganiza as coisas. Me liberta.
posted by sara at 01:24
Da infidelidade (out of the blue)
A dignidade de uns acaba na alcova de outros.
posted by sara at 01:19
Sustentabilidade estética
- Tem preferência pela cor?
- Qualquer uma, menos azul-cueca.
posted by sara at 01:18
Poesia no sitemeter
Houve alguém que veio parar ao meu blogue através do google em busca de "acessórios dias felizes".
posted by sara at 01:12
Black is beautiful
Quando li isto, lembrei-me de Elis Regina. Há uns anos ofereceram-me a coletânea de música brasileira Samba Soul 70! (o ponto de exclamação faz parte), editada na Bélgica. É de lá que conheço a canção. Ontem encontrei o Luís e falei-lhe no "Bicho do Mato". Ele perguntou-me onde é que se podia ouvir. Ora, um blogue também serve para isto.
posted by sara at 01:07
Rapaz(es)

Manuel Mesquita, foto(s) de rodagem Nuno Faria
A curta-metragem de João Nicolau ainda pode ser vista esta semana, na sala 2 do King. E se não digo mais nada sobre este filme é, sobretudo, por pudor.
posted by sara at 00:46
Eu-femismo (intentional error)
"Huh? There are blogs, and then there's whatever you just typed in. If it's a blog, we don't know about it. Maybe you made a typo. Or maybe it's a blog that doesn't exist. Maybe you don't exist. (In which case, please ignore this.)"
O Technorati no outro dia saiu-se(-me) com esta. Tentei ignorá-lo. Não consegui. Talvez eu exista.
posted by sara at 00:44
Blogues, letra V
O Voz do Deserto é o meu preferido. E o Vício de Forma... enfim.
posted by sara at 00:43
Dos Faíscas aos Corpo Diplomático
Pedro Ayres Magalhães tem um lugar de honra no meu ranking de "panque-rockers" mais giros de sempre. À saída da Culturgest, depois de ver o documentário "Brava Dança" na última terça-feira, quando o apanhei a olhar na minha direcção (mas não para mim), não foi possível evitar esboçar-lhe um sorriso. E ele, gentilmente, retribuiu. Madre de Dios, ganhei a noite.
posted by sara at 00:41
terça-feira
YES, pardon my french
Discutir o aborto, discutir o aborto... Já não há paciência, foda-se. (Salvo seja, que daí ainda pode resultar uma gravidez indesejada.)
posted by sara at 12:21
Quase cristã
Uma bofetada. Devo fingir que sim, que dói: é caridade. Depois, em vez de dar a outra face, viro costas. Mas não fico à espera do açoite, tenho mais que fazer. I'm really not into S&M.
posted by sara at 12:17
Hiper-realismo
Em Fevereiro de 2003, lia-se no Público:
"(...)fazem sempre a Chéreau perguntas sobre teatro ou pintura. Os corpos nus são uma referência às representações pictóricas da figura de Cristo? - é uma das que mais se têm ouvido. Ele reafirma que quer fugir disso como o diabo da cruz e mergulhar na realidade.(...)"
posted by sara at 12:10
As (mais belas) cenas de sexo
Patrice Chéreau é francês e filmou Intimacy (cf. fotograma) em Londres, com actores (de teatro) ingleses. Um casamento feliz.
posted by sara at 12:03
quinta-feira
terça-feira
Global doubt
Na Wikipedia consta que: «(...)[Homi K.] Bhabha has been criticized for using "indecipherable jargon" and dense prose.(...)» Não confirmo nem desminto, porque nunca li nada que ele tenha publicado. Mas fui ouvi-lo ao final da tarde da última quinta-feira na conferência inaugural d'O Estado do Mundo e achei que, para além de ser um bom orador e de ter sentido de humor, foi bastante claro na sua exposição. Posso dizer, de forma resumida e parcial, que falou na necessidade de revisão do conceito de "minorias", da importância (hoje mais do que nunca) da "interlocução" na negociação de interesses e de identidades, do direito à narrativa "and to be heard", e de uma outra ideia-chave (sua): a ambivalência(...). Citou Ian McEwan, leu um excerto do poema September 1, 1939 de W.H. Auden, e um outro retirado de An Atlas of the Difficult World (1993) de uma autora que desconheço, Adrienne Rich. E deixou-me a pensar na dicotomia(?) "Technological Connectivity" vs "Cultural Connection".
posted by sara at 13:44
Uma espécie de terrorismo

Zerkalo, 1974
"Tarkovsky é provavelmente o meu realizador preferido. Gosto de todos os seus filmes, mas O Espelho é o meu favorito. Acho que é o seu filme mais pessoal; está lá quase tudo. Nunca vi um filme do Tarkovsky numa sala de cinema. E isso é uma espécie de terrorismo de que não te sei falar. Este país praticamente não existe fora de Lisboa." (de um email que recebi do Alexandre em Maio de 2004, a propósito de um post que eu tinha feito sobre esse mesmo filme no meu ex-blogue)
In July 1984, Andrei Tarkovsky attended a press conference in Milan where he announced to the world that he would not return to the Soviet Union. When a journalist asked him if he would be seeking political exile in Italy, Tarkovsky answered: "I'm telling you a drama. You cannot ask me bureaucratic questions. Which country? I don't know. It's like asking me in which cemetery I wish to bury my children..."
posted by sara at 13:35
Também acho
Existem os "opinion-makers" e depois existem os "opinion-takers".
posted by sara at 13:27
segunda-feira
Gemini-Shyamalan
"Tende a entrar numa fase de boas concretizações. No plano afectivo pode encerrar um ciclo e encontrar um novo sentido para a vida sentimental; saia, conviva e dê novas oportunidades aos outros e a si mesmo. No plano material liberte-se de pensamentos negativos, conseguirá obter bons resultados. Alguns problemas laborais e financeiros serão definitivamente ultrapassados. Cuidado com perdas de peso acentuadas." (15/10/06)
O tarô domingueiro na revista do Público ainda é das poucas coisas que se aproveitam do jornal nos dias que correm. Mas, apesar do optimismo da Maya, não acredito que as minhas habituais dificuldades em poupar dinheiro acabem tão cedo. Por outro lado, é com grande facilidade que pratico economia de palavras: A Senhora da Água é uma treta pseudo-visionária-místico-sentimentalóide. Uma seca.
posted by sara at 00:50
Plot detail (a cores)
Só pelo porte aristocrático de Monica Vitti, a sua beleza formal e o guarda-roupa que Antonioni lhe reserva, o filme já valeria a pena. O casaco verde até aos joelhos, com que ela aparece vestida nos primeiros minutos, deixou-me logo rendida.
posted by sara at 00:25
sábado
posted by sara at 19:19
sexta-feira
Marcha numa roda gigante
Os vermes, os gatos, os carros, os prédios, a espera, os pátios, os jogos, as lutas, os brutos, as pátrias, as sombras, os vultos, os estranhos, os mártires, os dias, as horas, as praças, os copos, os olhos, a íris, os beijos, a casa, a noite e os cacos, poemas e factos, os fados sem tema, o tempo quebrado, a dor, e o dilema: no fundo do mar. Lisboa, Lisboa, Lisboa: Lisboa no fundo do mar. Um dia, quem sabe, se homens, se aves, alguém virá para te encontrar, de ruas abertas, desertas, cobertas por sombras azuis e corais, num silêncio terno, eterno, imenso, de fachadas desiguais, de náufragos dias, saudades de pedra. Quem te vir assim, esquecida no mar, irá procurar-te a vida. E se então sonhar um tempo de amor, talvez pense em nós: querida.
(Quinteto Tati, Inventário Marítimo, álbum "Exílio", 2005)
posted by sara at 18:22
terça-feira
Commotion
O Ricardo promete grandes canções na próxima quinta-feira, para afogar as mágoas republicanas. Provavelmente, irei de sabrinas e direi salut! a toda a gente.
posted by sara at 12:22
Liberté et égalité
A relação entre quem escreve num blogue e quem o lê parece-me justa. Os primeiros são tão exibicionistas quanto os segundos voyeur(ista)s.
posted by sara at 12:11
domingo
Comic strip
Une négresse
Qui buvait du lait
Ah! se disait-elle,
Si je le pouvais
Tremper ma figure
Dans mon bol de lait
Je serais plus blanche
Que tous les Anglais
Un Britannique
D’vant son chocolat
Ah! se disait-il,
Et pourquoi ne pas
Tremper ma figure
Dans ce machin-là
Je serais plus noir
Qu’un noir du Kenya
Une intellectuelle
Qui buvait du thé
Ah! se disait-elle,
Si je le pouvais
Tremper ma figure
Dans ma tasse de thé
Je serais plus jaune
Qu’ les filles du Yang-Tsé
Un Américain
Qui buvait du sang
Ah! se disait-il,
Si j’avais le temps
D’ tremper ma figure
Dans mon bol de sang
Je serais plus rouge
Qu’un Mohican
(Serge Gainsbourg)
posted by sara at 18:27
Shostakovitch
Leio no Yesterday Man que as "114 primeiras dificuldades" para pôr música no blogue foram ultrapassadas autonomamente. That's my man! - sem pedir ajuda a ninguém, e muito menos a mim. No entanto, e sem exigir dízimo, permita-me a sugestão: para colocar música (o tal código endiabrado) num post, em vez de o fazer no template, basta assinalar a opção "Stop showing HTML errors for this post", depois da primeira tentativa de publicação, e verá que a coisa funciona. Mas não me pergunte porquê, porque, obviamente, não lhe saberei responder.
[Só não me ofereço para "uploadar" mais mp3 alheios, porque a minha generosidade tem limites: 15 MB, para ser mais específica, ainda que eu os utilize até ao último byte disponível. Como tenho neste momento dois convidados (o Morrissey do Pedro Mexia e uma versão reggae-brasilófila dos Beatles para a Batukada), o espaço não dá para mais. Désolée.]
posted by sara at 17:58
sexta-feira
Desmaterialização

"Frases para ter na carteira" (Livramento, 2006) está à venda na Livraria Ler Devagar (ao lado da Galeria Zé dos Bois), no Bairro Alto (pois onde é que haveria de ser?). Para mais informações, por favor, contactar livramento@xsmail.com. Obrigada.
posted by sara at 19:12
segunda-feira
Intro
"Podia começar com uma citação espirituosa, mas deixemos isso mais para a frente.
Este pequeno livro reúne uma colecção de aforismos (com aspas, claro) da autoria de um grupo de pessoas com sensibilidades diferentes. Algumas destas frases para ter na carteira (ou onde der mais jeito) já foram publicadas na internet, em blogues, onde o registo aforístico tem sido largamente explorado. Outras são originais, próximas de poemas ou de histórias curtas.
A selecção e a organização das frases aqui publicadas resultam da minha livre associação de ideias. Foi um trabalho de (re)corte e colagem. As ilustrações foram escolhidas posteriormente pelo José Albergaria.
Agradeço às pessoas* que emprestaram as suas peças para este jogo proposto pelo Nuno Costa Santos, através da Editora Livramento, aberto naturalmente a todos os leitores.
Caso não fiquem satisfeitos, não aceitamos devoluções. Sobretudo de carteiristas." - Sara Pais, Junho de 2006
*Por ordem alfabética: Alexandre Borges, Bernardo Rodrigues, Carlos Bessa, Daniel M., Eduardo Nogueira Pinto, Helena Ayala Botto, Hugo Rosa, Inês Fonseca Santos, João Sedas Nunes, José Bandeira, José Mário Silva, Luís Filipe Borges, Maria, Pedro Mexia, Pedro Vieira, Rafael Miranda, Ricardo Jorge, Rodrigo Moita de Deus, Rui Branco, Sérgio Faria, Tiago Cavaco, Tiago Galvão e Urbano Bettencourt.
Coordenação de texto: Nuno Costa Santos; Selecção e organização: Sara Pais; Concepção gráfica: José Albergaria.
posted by sara at 12:30
domingo
Pró-cinema-israelita
Amos Gitai, realizador com formação em Arquitectura, que começou a filmar quando servia na Guerra de Yom Kippur, vai ter uma retrospectiva no doclisboa 2006. Na sessão de abertura, dia 21 de Outubro na Culturgest (ainda falta um bocadinho), vai ser exibido o filme News from Home/News from House (2005), deste cineasta israelita altamente recomendável. Tive oportunidade de ver o documentário, em casa há duas semanas atrás no leitor de DVD, onde são entrevistadas várias pessoas de origens diferentes. Há uma senhora palestiniana (a da imagem em cima) com cerca de oitenta anos, percebe-se que nascida no seio de família abastada e conservadora, sorriso e olhos radiantes, que passou grande parte da sua vida em itinerância. (Se não me engano, agora vive na Cisjordânia.) Gitai pergunta-lhe a certa altura, perante o seu discurso liberal, e alegre apesar de tudo, se alguma vez usou véu para tapar o cabelo. Ela responde assim (e cito de memória): "Quando não se confia nas mulheres, elas tornam-se más. Quando se confia, elas tornam-se boas. O meu pai sempre confiou em mim, por isso sempre fiz o que quis." Apaixonou-se, casou. Nunca usou véu.
posted by sara at 22:47
Barrete
Comprei (e li) ontem o novo semanário Sol pela primeira vez. Na página 67 do caderno principal apresenta-se um questionário chamado "Janela Indiscreta", dirigido a Marisa Cruz. A pergunta que leva o prémio de maior cretinice é: "Se se apaixonasse por um muçulmano, aceitaria usar uma burka?" Sintomático.
posted by sara at 22:23
BA: uma questão afectiva
"(...)passei uma parte importante da minha vida no Bairro Alto(...)apetece-me dizer que me custou imenso ler os posts que, nas últimas semanas, se foram multiplicando pela blogosfera.(...)Certo é que houve um tempo longínquo em que era possível apaixonarmo-nos por uma pessoa num só dia e rebolarmos pela calçada, sem ninguém dar por isso e sem pensar na possibilidade de sermos interrompidos por uma qualquer montanha de lixo."
A mim, Carla, apetece-me dizer que tenho passado uma parte importante da minha vida no Bairro Alto e que tudo continua a ser possível. Basta estar in the mood for e evitar rebolar pelas ruas mais agitadas.
A propósito: "várias famílias" gostaram muito de ouvir o Luís a passar música no sítio do costume. Recordo, em particular, a sequência ABBA-The Magnetic Fields. Também bebi caipirinhas ao som de Blondie ("The tide is high"). E o que choveu nessa noite...
posted by sara at 22:06
In between
Le Jazzy Fante enviou outra versão de "Heart of glass" (clicar no linque para abrir o ficheiro), tocada por The Bad Plus. Obrigada! Parece-me que a música nunca circulou tão livremente como hoje em dia. (Batukada, do you read me? Enviei-te email.)
posted by sara at 21:47
quarta-feira
Pergunte-me como
Não percebo patavina de HTML (vide o meu template originalíssimo), mas, por tentativa e erro, com a ajuda de outros bloggers que me transmitiram os seus igualmente escassos conhecimentos de informática e de um rapaz simpático que trabalha no apoio técnico da Netcabo, que certo sábado à tarde atendeu o telefonema de uma rapariga caprichosa que queria à viva força meter a tocar no blogue os mp3 que tinha no computador, graças a estes contributos, dizia eu, cá me arranjo. Por isso, estou a pensar dar um workshop para todos os que desejarem conseguir semelhante proeza. A inscrição é gratuita para o Pedro Mexia (a.k.a. Morrissey quando está "zangado com o mundo"), uma vez que o blogue dele, o Estado Civil, em que sou viciada, acaba de completar um ano de existência. Que o interregno seja breve.
(Mais informações, aqui.)
posted by sara at 17:16
segunda-feira
Eu hoje...
Mushaboom (2004)
... acordei a pensar como terá sido para a Leslie Feist (cf. vídeo), a viver agora em Paris, partilhar uma casa com a Peaches em Berlim. Duas meninas (pós-punk) canadianas tão diferentes. Será que faziam escalas para lavar a loiça? Ou simplesmente partiam-na toda? Se calhar tinham máquina.
posted by sara at 19:33
Minoria blogosférica
Devo ser das poucas pessoas que no último sábado não comprou nenhum jornal. Levantei-me tarde.
posted by sara at 19:18

















