Notícia de última hora
Não é novidade: já há um mês que o maradona anda a escrever crónicas para o Metro. Para além disso, a figura semi-pública, semi-anónima, não aprecia publicidade. Fica registado.
Não é novidade: já há um mês que o maradona anda a escrever crónicas para o Metro. Para além disso, a figura semi-pública, semi-anónima, não aprecia publicidade. Fica registado.
posted by sara at 00:52
Late night with Conan O'Brien: Howard Stone on Jay Leno
Contribuição (os primeiros dois minutos do vídeo) para o debate, apesar da minha preferência ir para o apresentador "queixudo".
posted by sara at 00:47
Quando hoje cheguei à pagina 11 (não tinha reparado na chamada de capa) do Metro, a minha exclamação deve ter ecoado por toda a carruagem. Era a última coisa que eu esperava ler às 9 da manhã num transporte público, sem computador com acesso à internet.
Não sei se isto no jornal é novidade, se já dura há algum tempo, mas começava assim: "Não existe corrupção no futebol. O que há é um reduzido número de pessoas honestas ou vingativas que, na sua orgulhosa excentricidade, têm agitado um lago até agora quase perfeitamente idílico." E continuava, o que fez com que eu me distraísse e deixasse passar a minha estação. A culpa é do maradona, que assinava em papel a crónica Justicia Buena.
posted by sara at 19:42
(IX)
no país no país no país onde os homens
são só até ao joelho
e o joelho que bom é só até à ilharga
conto os meus dias tangerinas brancas
e vejo a noite Cadillac obsceno
a rondar os meus dias tangerinas brancas
para um passeio na estrada Cadillac obsceno
e no país no país e no país país
onde as lindas lindas raparigas são só até ao pescoço
e o pescoço que bom é só até ao artelho
ao passo que o artelho, de proporções mais nobres,
chega a atingir o cérebro e as flores da cabeça,
recordo os meus amores liames indestrutíveis
e vejo uma panóplia cidadã do mundo
a dormir nos meus braços liames indestrutíveis
para que eu escreva com ela, só até à ilharga,
a grande história de amor só até ao pescoço
e no país no país que engraçado no país
onde o poeta o poeta é só até à plume
e a plume que bom é só até ao fantasma
ao passo que o fantasma - ora aí está -
não é outro senão a divina criança (prometida)
uso os meus olhos grandes bons e abertos
e vejo a noite (on ne passe pas)
diz que grandeza de alma. Honestos porque.
Calafetagem por motivo de obras.
É relativamente queda de água
e já agora há muito não é doutra maneira
no país onde os homens são só até ao joelho
e o joelho que bom está tão barato
Mário Cesariny, Manual de Prestidigitação, Assírio & Alvim, 1981
posted by sara at 00:23
Não é habitual assistir a concertos dois dias consecutivos na Aula Magna. Ora, o Festival Radar não me deu alternativa: Yo La Tengo no dia 3 de Dezembro, Cat Power no dia 4.
No domingo à noite a sala estava a dois terços; na segunda-feira estava à pinha. Os Yo La Tengo fizeram três ou quatro encores; a menina Chan Marshall não fez nenhum. No primeiro estive sempre de pé, e dancei grande parte do tempo; no segundo estive sempre sentada, e isso aborreceu-me um bocadinho. Mas ambos os concertos foram bons, cada um no seu registo.
posted by sara at 00:15

We've always thought Chan Marshall was beautiful, but what do we know? We're indie rockers. We think brand new 7" vinyl is beautiful, too.
Turns out the beautiful people think Cat Power is beautiful, too. And they know what they're talking about, or so we're lead to believe. Women's Wear Daily reported on Monday that Chanel's Karl Lagerfeld has fallen for the songstress, who "has been tapped as the new face of Chanel's jewelry collections."
According to Matador Records, Marshall is not confirmed to appear in any Chanel ads at this time, although she and Lagerfeld have indeed become friends.
WWD reported that Marshall was decked out in gold Chanel jewelry (a necklace, ring, and bracelet) at a party celebrating the release of Lagerfeld's compilation CD, Les Musiques Que J'aime. (The comp features tracks from the likes of Devendra Banhart, the Boy Least Likely To, Lindstrom and Prins Thomas, LCD Soundsystem, the Pipettes, Black Mountain, Fiery Furnaces, Matmos, the Fall, Caribou, and Goldfrapp. Hey Karl, wanna write for Pitchfork?)
Marshall told WWD that Lagerfeld approached her while she was hanging out in front of the Mercer Hotel in NYC: "I was outside waiting, sitting on a pile of Louis Vuitton luggage, drinking water, with an apple and a cigarette in my hand, my cell phone, oh, and two guitars, and out comes Karl. He walks up, looks at me and says, 'Only a woman can look glamorous when smoking.' And I lowered my glasses and pointed to [the shadows under my] eyes and said, 'With these?'"
Ainda havemos de ter Cat Power no blogue de Miss Pearls.
posted by sara at 18:08
MÁRIO CESARINY (1923-2006)
EM AUTO-ENTREVISTA
K: (...)Mas apesar de tudo, ou de todos, não acha um pouco forte para começar?
MC: Acho. Vamos cortar.
K: Não corta nada. E se quiser até ponho que o que fizeram à Casa dos Bicos é cópia quase símile da que apareceu na Exposição do Mundo Português a demonstrar a pujança do Império: a janela central pseudo-pseudo e a bicalhada toda a ir por ali fora até formar a testa do Frankenstein. Vi no Expresso Revista. Mas, mesmo assim, acha que vale a pena falar nisso, agora que já não tem remédio?
MC: O já não tem remédio é o que se diz do morto. E se juntarmos aquela que a Agustina Luís há pouco sublinhava, citando do rifonário cívico português, que "o melhor é inimigo do bom", obtemos o espectro desse universo.
K: Um universo bastante original. Próximo do macaco, pode-se dizer.
MC: Muito próximo. Sobretudo quando lembramos outros processos evolutivos. Outros modos, outras línguas. O Oscar Wilde que dizia: "Para mim, o óptimo é suficientemente bom".
K: O Wilde foi preso.
MC: Também é verdade.(...)
K: Li uma crónica sua em que dizia que por toda aquela zona a que o bulldozer limpou o sarampo – a velha Mouraria hoje Martim Moniz – havia montes de casas de... putas.
MC: De putas. Todo o genocídio invoca a Moral e a Constituição. Fica bem. Ali, havia ruas e ruelas lindíssimas, travessas impensáveis, passagens extraordinárias. Creio que, se as tivessem deixado sobreviver, seriam hoje um centro urbano único, mais de povo do que o Bairro Alto. O Bairro Alto é todo pombalino, monumental. Responde com nobreza ao carácter de cidade imperial que a Lisboa que vai do Largo do Rato até ao rio apresenta. Aquela Mouraria era a topografia do gatafunho, o labirinto possível depois da queima do Mouro. E, sim, num extenso passo que não dava frente para a Rua da Palma, as putas. As putas, os óis-óis de bairro, a maruja de guerra que nenhum escritor português conseguiu descrever como o faz em três linhas o Rámon Gomez de La Serna...
K: É. Porque será?
MC: O escritor português não sai do escritório. Faz-lhe mal aos pés. É gente de candeeiro de mesa e secretária "capital do móvel" inamovível. Prefere a conta da electricidade ao gasto corporal. Este reserva-o todo para a gloriosa maçada de ir receber o Prémio de não ter ido a lado nenhum.
K: O que são os óis-óis de bairro?
MC: ...as putas, os óis-óis de bairro, a maruja, os faquistas, os Buiças de aluguer e os de convicção. Honestíssimas, meretíssimas putas! A mim, ainda menino, davam-me o susto mestre, a visão do sagrado.(...)
Revista K, Nº2, Novembro 1990, pág. 35-36
posted by sara at 17:35
Fontes próximas (uma da outra) garantem que fui concebida em São Tomé e Príncipe. Não quiseram adiantar mais pormenores.
posted by sara at 19:26
Quando cheguei ao mundo ele já tinha partido, mas lá em casa sempre ouvi referirem-se à figura familiar como "Avô General" (mais por brincadeira, apesar de ser verdade).
O meu bisavô (e da Mónica, minha prima, não a Vitti) foi Governador da Guiné entre 1932 e 1940, em pleno Estado Novo. A Wikipédia confirma-o. É um facto, e para mim, um tópico interessante. Foi quem se manteve mais tempo no cargo. Dos três volumes que escreveu sobre a ex-colónia portuguesa, com cerca de 1500 páginas (não fez a coisa por menos), cito texto introdutório:
"(...)Não encontram os portugueses da Guiné razão que possa justificar, explicar sequer, o desinteresse que, na Metropole, existe por esta Colónia e que não é mais do que o resultado do desconhecimento em que, sobre ela, vive o país soberano, embora nos ultimos anos, as exposições, as conferencias e a propria, mas limitada, acção oficial, tenham quebrado o mutismo que a envolvera nas brumas de lendas terrorificas de um país inóspito, onde perigos de toda a natureza espreitavam o «branco».
Vir para a Guiné, é ainda, no espírito de muita gente portuguesa do Continente, subir irremediavelmente a um cadafalso onde os carrascos são as febres, as feras e... os pretos!
E este juizo perdura na imaginação popular, a 490 anos da descoberta de Nuno Tristão!
Deliberando fazer a publicação destas páginas, quere o Governador da Guiné contribuir com elementos, cuidadosamente verdadeiros, para que o País forme um conhecimento que não possue, e que lhe é necessário, sobre uma das suas colónias mais ignotas.(...)" - Junho de 1936
Sendo fiel ao original, não me responsabilizo pela eventual má colocação de vírgulas, erros de gramática, etc., pelo meu bisavô. Qualquer tentativa de corrigi-lo será frustrada, a não ser que ele lá onde estiver tenha acesso à internet e leia blogues. Por acaso, a ideia agrada-me... Aproveitando a embalagem, mais um excerto, retirado do capítulo sobre as populações indígenas:
"(...)Passam os bijagós por serem o elemento étnico mais inculto, de todos quantos povôam a nossa Guiné.
Este juizo que deve ter-se formado pelas descrições do seu exótico viver, sofre do desconhecimento da étnica de outras tribus, porque o que é certo é que o bijagó não é mais nem menos inculto que o felupe, o manjaco ou o balanta.(...)
De resto, o bijagó manifesta, em vários actos exteriorizadores da sua psicologia, um sentido de arte que desmente a incultura absoluta - tida como embrutecimento do espírito, refractario à assimilação, ou ignorancia crassa do mais comesinho à vida do ser consciente.
Certamente que o facto da sua organização familiar ter como princípio o matriarcado, não é bastante para firmar incultura...(...)"
LOL, Bisavô, LOL.
posted by sara at 23:14
Já não me lembrava. A minha colecção de Kapa's resume-se a isto: ao número 2, de Novembro de 1990. Estou em condições de afirmar com toda a propriedade que aos 13/14 anos não lia a revista em questão. Naquele tempo quase tudo o que era imprensa portuguesa me passava ao lado. (Eu só lia jornais estrangeiros...)
Porém numa manhã de sábado, em 1999, passeando pela Feira da Ladra vejo numa banca cheia de tralha a fronha de Marcello Caetano sobre um fundo verde-alface (talvez a minha digitalização não lhe faça justiça cromática, clicar na imagem para aumentar). Não hesitei um segundo: "Quanto quer por isso?" Ali estava um número desirmanado, no meio de romances de cordel e de tecla(do)s de computador. Um achado. Paguei 100$00, se bem me lembro, mas teria dado os 400$00 que me custaria em 1990. Teria dado mais.
posted by sara at 13:27