domingo

Songstress



We've always thought Chan Marshall was beautiful, but what do we know? We're indie rockers. We think brand new 7" vinyl is beautiful, too.

Turns out the beautiful people think Cat Power is beautiful, too. And they know what they're talking about, or so we're lead to believe. Women's Wear Daily reported on Monday that Chanel's Karl Lagerfeld has fallen for the songstress, who "has been tapped as the new face of Chanel's jewelry collections."

According to Matador Records, Marshall is not confirmed to appear in any Chanel ads at this time, although she and Lagerfeld have indeed become friends.

WWD reported that Marshall was decked out in gold Chanel jewelry (a necklace, ring, and bracelet) at a party celebrating the release of Lagerfeld's compilation CD, Les Musiques Que J'aime. (The comp features tracks from the likes of Devendra Banhart, the Boy Least Likely To, Lindstrom and Prins Thomas, LCD Soundsystem, the Pipettes, Black Mountain, Fiery Furnaces, Matmos, the Fall, Caribou, and Goldfrapp. Hey Karl, wanna write for Pitchfork?)

Marshall told WWD that Lagerfeld approached her while she was hanging out in front of the Mercer Hotel in NYC: "I was outside waiting, sitting on a pile of Louis Vuitton luggage, drinking water, with an apple and a cigarette in my hand, my cell phone, oh, and two guitars, and out comes Karl. He walks up, looks at me and says, 'Only a woman can look glamorous when smoking.' And I lowered my glasses and pointed to [the shadows under my] eyes and said, 'With these?'"


Ainda havemos de ter Cat Power no blogue de Miss Pearls.

quarta-feira

MÁRIO CESARINY (1923-2006)
EM AUTO-ENTREVISTA


K: (...)Mas apesar de tudo, ou de todos, não acha um pouco forte para começar?
MC: Acho. Vamos cortar.
K: Não corta nada. E se quiser até ponho que o que fizeram à Casa dos Bicos é cópia quase símile da que apareceu na Exposição do Mundo Português a demonstrar a pujança do Império: a janela central pseudo-pseudo e a bicalhada toda a ir por ali fora até formar a testa do Frankenstein. Vi no Expresso Revista. Mas, mesmo assim, acha que vale a pena falar nisso, agora que já não tem remédio?
MC: O já não tem remédio é o que se diz do morto. E se juntarmos aquela que a Agustina Luís há pouco sublinhava, citando do rifonário cívico português, que "o melhor é inimigo do bom", obtemos o espectro desse universo.
K: Um universo bastante original. Próximo do macaco, pode-se dizer.
MC: Muito próximo. Sobretudo quando lembramos outros processos evolutivos. Outros modos, outras línguas. O Oscar Wilde que dizia: "Para mim, o óptimo é suficientemente bom".
K: O Wilde foi preso.
MC: Também é verdade.(...)
K: Li uma crónica sua em que dizia que por toda aquela zona a que o bulldozer limpou o sarampo – a velha Mouraria hoje Martim Moniz – havia montes de casas de... putas.
MC: De putas. Todo o genocídio invoca a Moral e a Constituição. Fica bem. Ali, havia ruas e ruelas lindíssimas, travessas impensáveis, passagens extraordinárias. Creio que, se as tivessem deixado sobreviver, seriam hoje um centro urbano único, mais de povo do que o Bairro Alto. O Bairro Alto é todo pombalino, monumental. Responde com nobreza ao carácter de cidade imperial que a Lisboa que vai do Largo do Rato até ao rio apresenta. Aquela Mouraria era a topografia do gatafunho, o labirinto possível depois da queima do Mouro. E, sim, num extenso passo que não dava frente para a Rua da Palma, as putas. As putas, os óis-óis de bairro, a maruja de guerra que nenhum escritor português conseguiu descrever como o faz em três linhas o Rámon Gomez de La Serna...
K: É. Porque será?
MC: O escritor português não sai do escritório. Faz-lhe mal aos pés. É gente de candeeiro de mesa e secretária "capital do móvel" inamovível. Prefere a conta da electricidade ao gasto corporal. Este reserva-o todo para a gloriosa maçada de ir receber o Prémio de não ter ido a lado nenhum.
K: O que são os óis-óis de bairro?
MC: ...as putas, os óis-óis de bairro, a maruja, os faquistas, os Buiças de aluguer e os de convicção. Honestíssimas, meretíssimas putas! A mim, ainda menino, davam-me o susto mestre, a visão do sagrado.(...)

Revista K, Nº2, Novembro 1990, pág. 35-36

Assina M.

Minette, mãe-de-família, tem um blogue anónimo.

sábado

Red K


Natasha Law (irmã do Jude), 2004

quarta-feira

Grande reportagem

Fontes próximas (uma da outra) garantem que fui concebida em São Tomé e Príncipe. Não quiseram adiantar mais pormenores.

domingo

Interneta

Quando cheguei ao mundo ele já tinha partido, mas lá em casa sempre ouvi referirem-se à figura familiar como "Avô General" (mais por brincadeira, apesar de ser verdade).

O meu bisavô (e da Mónica, minha prima, não a Vitti) foi Governador da Guiné entre 1932 e 1940, em pleno Estado Novo. A Wikipédia confirma-o. É um facto, e para mim, um tópico interessante. Foi quem se manteve mais tempo no cargo. Dos três volumes que escreveu sobre a ex-colónia portuguesa, com cerca de 1500 páginas (não fez a coisa por menos), cito texto introdutório:

"(...)Não encontram os portugueses da Guiné razão que possa justificar, explicar sequer, o desinteresse que, na Metropole, existe por esta Colónia e que não é mais do que o resultado do desconhecimento em que, sobre ela, vive o país soberano, embora nos ultimos anos, as exposições, as conferencias e a propria, mas limitada, acção oficial, tenham quebrado o mutismo que a envolvera nas brumas de lendas terrorificas de um país inóspito, onde perigos de toda a natureza espreitavam o «branco».
Vir para a Guiné, é ainda, no espírito de muita gente portuguesa do Continente, subir irremediavelmente a um cadafalso onde os carrascos são as febres, as feras e... os pretos!
E este juizo perdura na imaginação popular, a 490 anos da descoberta de Nuno Tristão!
Deliberando fazer a publicação destas páginas, quere o Governador da Guiné contribuir com elementos, cuidadosamente verdadeiros, para que o País forme um conhecimento que não possue, e que lhe é necessário, sobre uma das suas colónias mais ignotas.(...)" - Junho de 1936

Sendo fiel ao original, não me responsabilizo pela eventual má colocação de vírgulas, erros de gramática, etc., pelo meu bisavô. Qualquer tentativa de corrigi-lo será frustrada, a não ser que ele lá onde estiver tenha acesso à internet e leia blogues. Por acaso, a ideia agrada-me... Aproveitando a embalagem, mais um excerto, retirado do capítulo sobre as populações indígenas:

"(...)Passam os bijagós por serem o elemento étnico mais inculto, de todos quantos povôam a nossa Guiné.
Este juizo que deve ter-se formado pelas descrições do seu exótico viver, sofre do desconhecimento da étnica de outras tribus, porque o que é certo é que o bijagó não é mais nem menos inculto que o felupe, o manjaco ou o balanta.(...)
De resto, o bijagó manifesta, em vários actos exteriorizadores da sua psicologia, um sentido de arte que desmente a incultura absoluta - tida como embrutecimento do espírito, refractario à assimilação, ou ignorancia crassa do mais comesinho à vida do ser consciente.
Certamente que o facto da sua organização familiar ter como princípio o matriarcado, não é bastante para firmar incultura...(...)"

LOL, Bisavô, LOL.

Unknown Binding

Amazon.co.uk currently unable to offer this title.

quinta-feira

Delírio em verde-alface

Ordem de grandeza

Já não me lembrava. A minha colecção de Kapa's resume-se a isto: ao número 2, de Novembro de 1990. Estou em condições de afirmar com toda a propriedade que aos 13/14 anos não lia a revista em questão. Naquele tempo quase tudo o que era imprensa portuguesa me passava ao lado. (Eu só lia jornais estrangeiros...)

Porém numa manhã de sábado, em 1999, passeando pela Feira da Ladra vejo numa banca cheia de tralha a fronha de Marcello Caetano sobre um fundo verde-alface (talvez a minha digitalização não lhe faça justiça cromática, clicar na imagem para aumentar). Não hesitei um segundo: "Quanto quer por isso?" Ali estava um número desirmanado, no meio de romances de cordel e de tecla(do)s de computador. Um achado. Paguei 100$00, se bem me lembro, mas teria dado os 400$00 que me custaria em 1990. Teria dado mais.

domingo

Comprar livros pelo autor, título, capa... *



*O resto logo se vê.

A Maya não me deixa em paz

"GÉMEOS: Algumas tensões e excessos poderão tornar-se uma fonte de preocupações, tente manter a cabeça fria e não responda de forma precipitada. No plano afectivo alguns encontros podem não correr como esperava, seja mais selectivo a fim de evitar dissabores. Algumas ligações que pareciam correr bem podem tornar-se decepcionantes.(...)" Pública, 05/11/06

Com bastante atraso, mas está bem.

Inconveniências

Confesso que já me apetecia pouco falar do tema do aborto, depois de todos os argumentos terem sido já tão amplamente discutidos e a obstinação condenatória persistir. Mas depois de algumas vozes inesperadas terem vindo a público afirmar coisas espantosas, algumas delas neste mesmo jornal, talvez faça sentido reafirmar algumas verdades óbvias, ainda que incómodas.

1. O aborto existe, sempre existiu e não vai deixar de existir. Seja por ignorância, imprudência, erro de julgamento ou simples azar, as mulheres ficam grávidas sem querer. E por vezes sentem que efectivamente não querem ou não podem seguir em frente com aquela gravidez. Claro que todos queremos diminuir essas situações - e devemos fazer esforços sérios, não moralistas e não paternalistas nesse sentido. Mas o problema nunca será totalmente resolvido a montante. As questões que importa, por isso, colocar são: onde e em que condições é que esse aborto vai ser feito? Deve uma mulher pagar com risco de morte ou dano severo para a saúde essa decisão? Que legitimidade existe no enriquecimento feito com base no aborto clandestino?

2. E, já agora, deve a mulher pagar essa decisão com a prisão? Porque, como ficou amplamente demonstrado, efectivamente há condenações por causa do aborto. E que me desculpem os defensores de soluções intermédias: ou é crime e é penalizado ou não é penalizado e não é crime de todo. Porque, que sentido faz perpetuar uma lei que não é para cumprir? Que traduz esse incumprimento senão o seu radical alheamento da realidade e vontade social?

3. E agora que me desculpem alguns sectores feministas: não, o aborto não é uma questão de mulheres. Ou antes, é-o, mas não deveria ser, pelo menos não deveria ser equacionado como uma questão apenas de mulheres. E neste erro tanto os defensores do "sim" como do "não" têm caído. Claro que há questões de género no aborto, desde a desigual repartição dos cuidados com os filhos, aos desequilíbrios salariais. E, claro, o simples facto de ser no corpo da mulher que a decisão de ter ou não filhos assume uma violência "incarnada". Mas, a não ser que estejamos perante novos mistérios transcendentais, cada embrião tem dois seres humanos na sua génese. Onde estão os homens, no equacionar público desta questão? E, já agora, onde estão os homens condenados pela decisão de abortar (ou será - coisa conveniente - que todas as mulheres condenadas por aborto em Portugal decidiram sozinhas, sem participação ou conhecimento dos respectivos parceiros?).

4. Finalmente, o que sinto como uma última verdade, para mim própria inconveniente: por muito que os defensores do "sim" a evitem - e eu, como defensora do "sim", compreendo a estratégia -, a questão da vida humana é de facto relevante. Porque, se entendermos o embrião como igual a uma pessoa - se acreditarmos mesmo nisso -, então o aborto apenas se justificaria em situações de risco de vida da mãe. Porque apenas aí estaríamos a falar de valores de igual ordem moral. Mas será que acreditamos mesmo que um embrião é uma pessoa? Reagimos da mesma forma ao aborto espontâneo às 10 ou 12 ou até mais semanas como reagiríamos à morte de um recém-nascido? Sofremos da mesma forma? Ritualizamos da mesma forma a sua perda? Alguém pode, em consciência, dizer que sim?


Artigo de opinião assinado por Carla Machado, professora universitária, no Público da última quinta-feira. (Deu-me um trabalhão copiar isto do papel - embora valha a pena - graças a quem decide que a edição impressa do jornal apenas deve estar acessível on-line para assinantes. Só maçadas...)

Acrescente-se ainda outra coisa óbvia: é mais fácil levar uma mulher (ou um casal) a desistir de abortar se se souber que é essa a sua vontade. Caso contrário não há muito que se possa fazer, a não ser nas urgências dos hospitais. Sangue por todo o lado.

A razão pela qual não gosto desta discussão

"(...)Não é a questão da IVG/aborto de natureza tão íntima que se dispensa um alarido público? Aliás, ao partido socialista faltou a coragem para resolver este assunto em sede própria: a assembleia da república. Ao pretender convocar um referendo, José Sócrates criou espaço, mais uma vez, para a banalização de um assunto que tem muito pouco a ver com o espaço público. A IVG/aborto e a constituição europeia não são da mesma natureza política. De facto, o primeiro tem muito pouco a ver com política e tão só com o direito à privacidade, como foi reconhecido, há mais de 30 anos, pelo supremo tribunal norte-americano." (João Caetano, em A Metamorfose)

Agora não temos outro remédio senão VOTAR. Contra a abstenção, marchar, marchar. Se o SIM ganhar, não vou ter vontade de festejar. Não se ganha nada. Perde-se é menos.

Causas pequeno-burguesas (pré-ocupação)

Caro JPH: as creches nas empresas para os filhos dos empregados só podem aumentar a produtividade, porque reduzem a preocupação dos pais. Já há muito tempo que deviam ser obrigatórias por lei. Apoiado!

sábado

Planeamento familiar

Não tenho filhos; hei-de ter. Nunca estive grávida. Se alguma vez abortei, só pode ter sido metaforicamente.

quinta-feira

Do Vil Pudor (actualizado)

Já que ando numa de ecumenismo (ou será "ecumenicidade"?), letra P... Pastoral Portuguesa. O anagrama com o nome do meu blogue é tão perfeito que até dói. Ui, ui. Outro exemplo do brilhantismo anagramático do Rogério: O Feto Grandote.

quarta-feira

Replay

Não custa nada, Luís. Sai Tindersticks e volta o ritmo contagiante da Elis. Não sei se vais gostar da música, mas sou incapaz de recusar pedidos de bichos do ... err, de pessoas gentis por quem tenho a maior estima.

terça-feira

Pandora, say bye

Há caixinhas que devem permanecer fechadas. Não lhes queremos ver o fundo.

Confession of faith

(...)
- Someone's died, after all!
- You know, Betty, actually, no one has died... Actually died.
- Well, if no one has died, that must mean it's you. [pause] But if you feel like you're going to die, I'd rather be with you. No question. [pause] In fact, I'm flattered to be here. When I died, there was no one there. I had to go through the whole thing on my own. [pause] Ok, I did, but a bit company won't hurt.
- Perhaps I should be getting back...
- [Betty opens a beer; gives it to Claire] So, in principle, if you´re serious, you have a program the day you die. [Betty opens a beer for herself] Having a laugh with dickheads... We did that last night. [Betty laughs] Then comes going to tell someone something, something you're dead set on, good or bad, something you've never said. 'Cause on the day you die, you have total freedom of speech. In principle...
- I met a man. Not like me, I don't know how to use my energy, but he does. He's really determined. And then one day, he found out how to turn it against me. Just like that, he took back everything he'd given me. That's what he wanted, I think. To screw everything up. [takes a sip] And it worked. Between the two of us, it worked.
- Oh yeah...
- What was it, the day you died?
- It's in the past... It's behind me now. [laughs] There's no more to say about it. [laughs] Thank God... [Betty and Claire laugh and take a sip of beer]

You shouldn't take it so literally

Quando a atenção que se dispensa é evidente, a ligação torna-se desnecessária. Same as it ever was.

Mind the gap

As pessoas que tomam desejo por solidão estão a tentar enganar-se a elas próprias e, pior ainda, estão a tentar enganar os outros. Shame on you.

Blogues, letra T

Trento na Língua, starring Miguel Marujo, Samuel Úria e Tiago Cavaco (este já nem leva linque senão entupo-lhe o technorati), entre outros escribas.

Diário de Sarita

O meu portátil pesa toneladas. É absurdo, eu sei, mas quando o comprei tive mais olhos que costas. Para além disso, estou farta de pagar contas de internet excessivas, porque ultrapasso sempre os limites de tráfego, nacional, internacional e o raio que os parta. Como também estou farta de desembolsar €22,49 por mês por uma TVcabo que practicamente está sempre desligada, desconfio que o bichinho pesadão (mas muito querido!) vai passar a dormir fora de casa nos dias úteis, e que em substituição passo a fazer zapping frenético à noite, quando não tiver melhor programa. Assim, poderei andar formosa, segura e ligeira, de metropolitano. Hoje não fui afectada pela greve, mas na próxima semana (dias 7 e 9 de Novembro) terei de pegar no carro e de me meter no trânsito infernal. Aos fins-de-semana havemos de matar saudades. E amanhã é feriado, bebé, não chores.

Apercebi-me de que estou pertíssimo da minha antiga escola, onde andei durante... deixa cá ver... 5º, 6º, 7º... sete anos. Um dia destes à hora de almoço vou fazer uma visitinha aos Jesuítas. Será que ainda se lembram de mim? Espero que me deixem entrar.

segunda-feira



Não me incomoda nada que me chamem "Sarita", acho graça. Mas "Sarita Montiel" foi novidade.

Resoluções para esta semana

Mergulhar de cabeça no novo trabalho e cortar a franja, senão vai ser difícil ver o que ando a fazer. E já chega de posts.

Na cauda da Europa (I)

"As betinhas de Paris têm muito mais pinta que as de Lisboa. Enquanto que as meninas típicas de Lisboa têm todas o cabelo cor châtaigne, colete-agasalho preto, camisola verde, branca ou azul de gola-alta, calças de ganga azuis claras e os sapatos-botas pretos de sola grossa para ganhar centímetros, as francesinhas têm o cabelo escuro lisinho, camisola de cachemira cinzenta clara, calças de ganga escuras muito fininhas e as inevitáveis sabrinas, ou sapatinhos de bailarina (pretos, cor-de-rosa, prateados). São todas branquinhas de pele, olhos claros e magrinhas, notando-se uma preocupação subtil com um toque de maquilhagem que acentue a sua inocência-chique com uma ponta de rebeldia clássica. São petites e gostam de o mostrar." (Francisco Valente, n'O Acossado)

Por falar em sabrinas...


(ilustração de Milo Manara)

... que é feito da Salerno?

Na cauda da Europa (II)

"Ainda Paris, ainda as mulheres. Talvez seja ainda dos restos de uma timidez adolescente, ou do meio social lisboeta em que, geralmente, as namoradas não começam por estar ao mesmo nível que os amigos. São as namoradas e pronto. Não há muito interesse para além disso, e as próprias senhoras solteiras preferem ignorar a conversar. Por isso, depois de uma pequena saída ao Piano Vache com cerca de dez pessoas, uma miúda bem gira, do nada, resolve interessar-se pela minha vida, e já na despedida, pergunta-me se estou em Paris définitivement e se nos vamos ver outra vez. Em Lisboa, uma miúda que fizesse algo parecido estar-se-ia a atirar descaradamente a um homem. Mas aqui, somos todos livres e iguais. Para um atrasadinho cultural como eu, vindo de onde venho, parece que se vive, nesta cidade, em flirt permanente. Peut-être, mais pas vraiment." (Francisco Valente, n'O Acossado)

Banda sonora

No filme de Sofia Coppola, "Marie Antoinette", o aspecto que me parece menos importante é a alegada falta de rigor histórico. E o mais interessante, o anacronismo musical.

O mais importante, embora por comparação menos interessante, é o rigor com que se conta a história (com minúscula). Mas aqui, acho que já não estou a falar de cinema.

Liberdade, igualdade, fraternidade e …

As pessoas que costumam visitar o meu blogue sabem que não costumo escrever "foda-se", uma palavra com grande impacto, tanto sonoro como visual. Só que um "palavrão" às vezes é preciso. Reorganiza as coisas. Me liberta.

Da infidelidade (out of the blue)

A dignidade de uns acaba na alcova de outros.

Sustentabilidade estética

- Tem preferência pela cor?
- Qualquer uma, menos azul-cueca.

Poesia no sitemeter

Houve alguém que veio parar ao meu blogue através do google em busca de "acessórios dias felizes".

Black is beautiful

Quando li isto, lembrei-me de Elis Regina. Há uns anos ofereceram-me a coletânea de música brasileira Samba Soul 70! (o ponto de exclamação faz parte), editada na Bélgica. É de lá que conheço a canção. Ontem encontrei o Luís e falei-lhe no "Bicho do Mato". Ele perguntou-me onde é que se podia ouvir. Ora, um blogue também serve para isto.

Rapaz(es)


Manuel Mesquita, foto(s) de rodagem Nuno Faria

A curta-metragem de João Nicolau ainda pode ser vista esta semana, na sala 2 do King. E se não digo mais nada sobre este filme é, sobretudo, por pudor.

Eu-femismo (intentional error)

"Huh? There are blogs, and then there's whatever you just typed in. If it's a blog, we don't know about it. Maybe you made a typo. Or maybe it's a blog that doesn't exist. Maybe you don't exist. (In which case, please ignore this.)"

O Technorati no outro dia saiu-se(-me) com esta. Tentei ignorá-lo. Não consegui. Talvez eu exista.

Blogues, letra V

O Voz do Deserto é o meu preferido. E o Vício de Forma... enfim.

Dos Faíscas aos Corpo Diplomático

Pedro Ayres Magalhães tem um lugar de honra no meu ranking de "panque-rockers" mais giros de sempre. À saída da Culturgest, depois de ver o documentário "Brava Dança" na última terça-feira, quando o apanhei a olhar na minha direcção (mas não para mim), não foi possível evitar esboçar-lhe um sorriso. E ele, gentilmente, retribuiu. Madre de Dios, ganhei a noite.

terça-feira

Arquivos



Hoje, no doclisboa, às 21h. Tem blogue.

YES, pardon my french

Discutir o aborto, discutir o aborto... Já não há paciência, foda-se. (Salvo seja, que daí ainda pode resultar uma gravidez indesejada.)

A outra pessoa

- Engravidou.
- De quem?

Curta

Era tão imaturo que nunca passou de espermatozóide.

Quase cristã

Uma bofetada. Devo fingir que sim, que dói: é caridade. Depois, em vez de dar a outra face, viro costas. Mas não fico à espera do açoite, tenho mais que fazer. I'm really not into S&M.

Hiper-realismo

Em Fevereiro de 2003, lia-se no Público:

"(...)fazem sempre a Chéreau perguntas sobre teatro ou pintura. Os corpos nus são uma referência às representações pictóricas da figura de Cristo? - é uma das que mais se têm ouvido. Ele reafirma que quer fugir disso como o diabo da cruz e mergulhar na realidade.(...)"

As (mais belas) cenas de sexo

Patrice Chéreau é francês e filmou Intimacy (cf. fotograma) em Londres, com actores (de teatro) ingleses. Um casamento feliz.

quinta-feira

Shakespeare's underground


»»» Mark Rylance

terça-feira

Global doubt

Na Wikipedia consta que: «(...)[Homi K.] Bhabha has been criticized for using "indecipherable jargon" and dense prose.(...)» Não confirmo nem desminto, porque nunca li nada que ele tenha publicado. Mas fui ouvi-lo ao final da tarde da última quinta-feira na conferência inaugural d'O Estado do Mundo e achei que, para além de ser um bom orador e de ter sentido de humor, foi bastante claro na sua exposição. Posso dizer, de forma resumida e parcial, que falou na necessidade de revisão do conceito de "minorias", da importância (hoje mais do que nunca) da "interlocução" na negociação de interesses e de identidades, do direito à narrativa "and to be heard", e de uma outra ideia-chave (sua): a ambivalência(...). Citou Ian McEwan, leu um excerto do poema September 1, 1939 de W.H. Auden, e um outro retirado de An Atlas of the Difficult World (1993) de uma autora que desconheço, Adrienne Rich. E deixou-me a pensar na dicotomia(?) "Technological Connectivity" vs "Cultural Connection".

Uma espécie de terrorismo


Zerkalo, 1974

"Tarkovsky é provavelmente o meu realizador preferido. Gosto de todos os seus filmes, mas O Espelho é o meu favorito. Acho que é o seu filme mais pessoal; está lá quase tudo. Nunca vi um filme do Tarkovsky numa sala de cinema. E isso é uma espécie de terrorismo de que não te sei falar. Este país praticamente não existe fora de Lisboa." (de um email que recebi do Alexandre em Maio de 2004, a propósito de um post que eu tinha feito sobre esse mesmo filme no meu ex-blogue)

In July 1984, Andrei Tarkovsky attended a press conference in Milan where he announced to the world that he would not return to the Soviet Union. When a journalist asked him if he would be seeking political exile in Italy, Tarkovsky answered: "I'm telling you a drama. You cannot ask me bureaucratic questions. Which country? I don't know. It's like asking me in which cemetery I wish to bury my children..."

Também acho

Existem os "opinion-makers" e depois existem os "opinion-takers".

segunda-feira

Gemini-Shyamalan

"Tende a entrar numa fase de boas concretizações. No plano afectivo pode encerrar um ciclo e encontrar um novo sentido para a vida sentimental; saia, conviva e dê novas oportunidades aos outros e a si mesmo. No plano material liberte-se de pensamentos negativos, conseguirá obter bons resultados. Alguns problemas laborais e financeiros serão definitivamente ultrapassados. Cuidado com perdas de peso acentuadas." (15/10/06)

O tarô domingueiro na revista do Público ainda é das poucas coisas que se aproveitam do jornal nos dias que correm. Mas, apesar do optimismo da Maya, não acredito que as minhas habituais dificuldades em poupar dinheiro acabem tão cedo. Por outro lado, é com grande facilidade que pratico economia de palavras: A Senhora da Água é uma treta pseudo-visionária-místico-sentimentalóide. Uma seca.

Il Deserto Rosso (1964)

"(...)Os enquadramentos, os movimentos de câmara, a fotografia, são de tal maneira perfeitos que sufocam tudo o resto. O enredo é menos a narrativa do que as imagens.(...)"

Plot detail (a cores)

Só pelo porte aristocrático de Monica Vitti, a sua beleza formal e o guarda-roupa que Antonioni lhe reserva, o filme já valeria a pena. O casaco verde até aos joelhos, com que ela aparece vestida nos primeiros minutos, deixou-me logo rendida.

Re: Please stop, don't stop

Tu dici: cosa devo guardare? Io dico: come devo vivire? E la stessa cosa.

sexta-feira

Marcha numa roda gigante

Os vermes, os gatos, os carros, os prédios, a espera, os pátios, os jogos, as lutas, os brutos, as pátrias, as sombras, os vultos, os estranhos, os mártires, os dias, as horas, as praças, os copos, os olhos, a íris, os beijos, a casa, a noite e os cacos, poemas e factos, os fados sem tema, o tempo quebrado, a dor, e o dilema: no fundo do mar. Lisboa, Lisboa, Lisboa: Lisboa no fundo do mar. Um dia, quem sabe, se homens, se aves, alguém virá para te encontrar, de ruas abertas, desertas, cobertas por sombras azuis e corais, num silêncio terno, eterno, imenso, de fachadas desiguais, de náufragos dias, saudades de pedra. Quem te vir assim, esquecida no mar, irá procurar-te a vida. E se então sonhar um tempo de amor, talvez pense em nós: querida.

(Quinteto Tati, Inventário Marítimo, álbum "Exílio", 2005)

terça-feira


Jean-Antoine Watteau, Les Plaisirs du Bal (c.1717)

Commotion

O Ricardo promete grandes canções na próxima quinta-feira, para afogar as mágoas republicanas. Provavelmente, irei de sabrinas e direi salut! a toda a gente.

Liberté et égalité

A relação entre quem escreve num blogue e quem o lê parece-me justa. Os primeiros são tão exibicionistas quanto os segundos voyeur(ista)s.

domingo

Comic strip

Une négresse
Qui buvait du lait
Ah! se disait-elle,
Si je le pouvais
Tremper ma figure
Dans mon bol de lait
Je serais plus blanche
Que tous les Anglais

Un Britannique
D’vant son chocolat
Ah! se disait-il,
Et pourquoi ne pas
Tremper ma figure
Dans ce machin-là
Je serais plus noir
Qu’un noir du Kenya

Une intellectuelle
Qui buvait du thé
Ah! se disait-elle,
Si je le pouvais
Tremper ma figure
Dans ma tasse de thé
Je serais plus jaune
Qu’ les filles du Yang-Tsé

Un Américain
Qui buvait du sang
Ah! se disait-il,
Si j’avais le temps
D’ tremper ma figure
Dans mon bol de sang
Je serais plus rouge
Qu’un Mohican


(Serge Gainsbourg)

Frase aforística

As mulheres de sorriso amarelo devem ser cumprimentadas em mandarim. (HR)

Gostar de sabrinas é francofilia



N'importe quoi.

Shostakovitch

Leio no Yesterday Man que as "114 primeiras dificuldades" para pôr música no blogue foram ultrapassadas autonomamente. That's my man! - sem pedir ajuda a ninguém, e muito menos a mim. No entanto, e sem exigir dízimo, permita-me a sugestão: para colocar música (o tal código endiabrado) num post, em vez de o fazer no template, basta assinalar a opção "Stop showing HTML errors for this post", depois da primeira tentativa de publicação, e verá que a coisa funciona. Mas não me pergunte porquê, porque, obviamente, não lhe saberei responder.

[Só não me ofereço para "uploadar" mais mp3 alheios, porque a minha generosidade tem limites: 15 MB, para ser mais específica, ainda que eu os utilize até ao último byte disponível. Como tenho neste momento dois convidados (o Morrissey do Pedro Mexia e uma versão reggae-brasilófila dos Beatles para a Batukada), o espaço não dá para mais. Désolée.]

Blondie joke


(recebido por email)

sexta-feira

Desmaterialização



"Frases para ter na carteira" (Livramento, 2006) está à venda na Livraria Ler Devagar (ao lado da Galeria Zé dos Bois), no Bairro Alto (pois onde é que haveria de ser?). Para mais informações, por favor, contactar livramento@xsmail.com. Obrigada.

segunda-feira

Convite



Nota: O miradouro de Santa Catarina fica perto do Bairro Alto, em Lisboa. Também é conhecido por muita gente como "Adamastor".

Intro

"Podia começar com uma citação espirituosa, mas deixemos isso mais para a frente.
Este pequeno livro reúne uma colecção de aforismos (com aspas, claro) da autoria de um grupo de pessoas com sensibilidades diferentes. Algumas destas frases para ter na carteira (ou onde der mais jeito) já foram publicadas na internet, em blogues, onde o registo aforístico tem sido largamente explorado. Outras são originais, próximas de poemas ou de histórias curtas.
A selecção e a organização das frases aqui publicadas resultam da minha livre associação de ideias. Foi um trabalho de (re)corte e colagem. As ilustrações foram escolhidas posteriormente pelo José Albergaria.
Agradeço às pessoas* que emprestaram as suas peças para este jogo proposto pelo Nuno Costa Santos, através da Editora Livramento, aberto naturalmente a todos os leitores.
Caso não fiquem satisfeitos, não aceitamos devoluções. Sobretudo de carteiristas." - Sara Pais, Junho de 2006

*Por ordem alfabética: Alexandre Borges, Bernardo Rodrigues, Carlos Bessa, Daniel M., Eduardo Nogueira Pinto, Helena Ayala Botto, Hugo Rosa, Inês Fonseca Santos, João Sedas Nunes, José Bandeira, José Mário Silva, Luís Filipe Borges, Maria, Pedro Mexia, Pedro Vieira, Rafael Miranda, Ricardo Jorge, Rodrigo Moita de Deus, Rui Branco, Sérgio Faria, Tiago Cavaco, Tiago Galvão e Urbano Bettencourt.

Coordenação de texto: Nuno Costa Santos; Selecção e organização: Sara Pais; Concepção gráfica: José Albergaria.

Escritura

"O acto de escrever é, em si, um exagero assinalável." (TC)

AAVV, Frases para ter na carteira, Livramento, 2006, pág.9

Comunicando com o aforismo

"Tenho o fragmento no sangue"
(Cioran)


"A escrita que se encontra hoje nos blogues é velha como o tempo, embora o tempo pregue partidas, transformando as coisas noutras muito diferentes.(...)O "post curto" gera uma tensão sobre o espaço das palavras, acentua a utilização estética da frase, em combinação com o título e com outros elementos gráficos.(...)No "post curto" a escrita vai desde a mera frase com uma ligação, ou seja, uma porta, um caminho que nos leva para longe daquela página, daquele ecrã até à entrada diarística, impressionista ou faceta, até ao mini-ensaio, pouco mais do que o aforismo. É uma escrita que favorece, comunicando quer com os títulos de jornais, quer com o aforismo, a utilização de mecanismos poéticos, mas também humorísticos e sarcásticos.(...)"


José Pacheco Pereira, Público, 22/06/06

Sem título



Frases, papel e caneta, tesoura e bostik. Estudo para livro.
(clicar na imagem para aumentar)

domingo

Pró-cinema-israelita

Amos Gitai, realizador com formação em Arquitectura, que começou a filmar quando servia na Guerra de Yom Kippur, vai ter uma retrospectiva no doclisboa 2006. Na sessão de abertura, dia 21 de Outubro na Culturgest (ainda falta um bocadinho), vai ser exibido o filme News from Home/News from House (2005), deste cineasta israelita altamente recomendável. Tive oportunidade de ver o documentário, em casa há duas semanas atrás no leitor de DVD, onde são entrevistadas várias pessoas de origens diferentes. Há uma senhora palestiniana (a da imagem em cima) com cerca de oitenta anos, percebe-se que nascida no seio de família abastada e conservadora, sorriso e olhos radiantes, que passou grande parte da sua vida em itinerância. (Se não me engano, agora vive na Cisjordânia.) Gitai pergunta-lhe a certa altura, perante o seu discurso liberal, e alegre apesar de tudo, se alguma vez usou véu para tapar o cabelo. Ela responde assim (e cito de memória): "Quando não se confia nas mulheres, elas tornam-se más. Quando se confia, elas tornam-se boas. O meu pai sempre confiou em mim, por isso sempre fiz o que quis." Apaixonou-se, casou. Nunca usou véu.

Barrete

Comprei (e li) ontem o novo semanário Sol pela primeira vez. Na página 67 do caderno principal apresenta-se um questionário chamado "Janela Indiscreta", dirigido a Marisa Cruz. A pergunta que leva o prémio de maior cretinice é: "Se se apaixonasse por um muçulmano, aceitaria usar uma burka?" Sintomático.

BA: uma questão afectiva

"(...)passei uma parte importante da minha vida no Bairro Alto(...)apetece-me dizer que me custou imenso ler os posts que, nas últimas semanas, se foram multiplicando pela blogosfera.(...)Certo é que houve um tempo longínquo em que era possível apaixonarmo-nos por uma pessoa num só dia e rebolarmos pela calçada, sem ninguém dar por isso e sem pensar na possibilidade de sermos interrompidos por uma qualquer montanha de lixo."

A mim, Carla, apetece-me dizer que tenho passado uma parte importante da minha vida no Bairro Alto e que tudo continua a ser possível. Basta estar in the mood for e evitar rebolar pelas ruas mais agitadas.

A propósito: "várias famílias" gostaram muito de ouvir o Luís a passar música no sítio do costume. Recordo, em particular, a sequência ABBA-The Magnetic Fields. Também bebi caipirinhas ao som de Blondie ("The tide is high"). E o que choveu nessa noite...

In between

Le Jazzy Fante enviou outra versão de "Heart of glass" (clicar no linque para abrir o ficheiro), tocada por The Bad Plus. Obrigada! Parece-me que a música nunca circulou tão livremente como hoje em dia. (Batukada, do you read me? Enviei-te email.)

quarta-feira

Pergunte-me como

Não percebo patavina de HTML (vide o meu template originalíssimo), mas, por tentativa e erro, com a ajuda de outros bloggers que me transmitiram os seus igualmente escassos conhecimentos de informática e de um rapaz simpático que trabalha no apoio técnico da Netcabo, que certo sábado à tarde atendeu o telefonema de uma rapariga caprichosa que queria à viva força meter a tocar no blogue os mp3 que tinha no computador, graças a estes contributos, dizia eu, cá me arranjo. Por isso, estou a pensar dar um workshop para todos os que desejarem conseguir semelhante proeza. A inscrição é gratuita para o Pedro Mexia (a.k.a. Morrissey quando está "zangado com o mundo"), uma vez que o blogue dele, o Estado Civil, em que sou viciada, acaba de completar um ano de existência. Que o interregno seja breve.

(Mais informações, aqui.)

segunda-feira

Eu hoje...


Mushaboom (2004)

... acordei a pensar como terá sido para a Leslie Feist (cf. vídeo), a viver agora em Paris, partilhar uma casa com a Peaches em Berlim. Duas meninas (pós-punk) canadianas tão diferentes. Será que faziam escalas para lavar a loiça? Ou simplesmente partiam-na toda? Se calhar tinham máquina.

Entre o pré-punk e o pós-punk, onde fica o panque-roque?

Aqui.

Minoria blogosférica

Devo ser das poucas pessoas que no último sábado não comprou nenhum jornal. Levantei-me tarde.

sábado

Download


Peaches, 26/09/06, Paradise Garage, 21h

Le Fante compreende-me.

Hotmail

«Gostava muito de saber o nome deste extraordinário instrumento. No outro dia, inclusivamente, estive com um nas mãos sem nunca o chamar de nada. Ora, não se admite. Por esta razão e como tal, chamar-lhe-emos, neste texto e excepcionalmente, de ringustá. Muito obrigada.»

Batukada: eu tenho espaço na internet para alojar a tua versão de Eleanor Rigby - Cássia Eller (não conheço). Posso fazer-te um upload do mp3. Salvo seja.

A causa foi inventada

Não confundir criatividade com Criacionismo.

Um refrão que não envelhece

All the lonely people, where do they all come from?
All the lonely people, where do they all belong?

Grafito pág.10

«Os blogues são o tuning da burguesia.» (Bernardo Rodrigues)

AAVV, Frases para ter na carteira, Livramento, 2006

BAA (Bairro Alto Anonymous)

Nasci em 77. Sou uma menina pós-punk.

quinta-feira

You may not touch but you can look



Lembro-me que da primeira vez que fui a Londres, devia ter uns doze anos (1989?), uma das coisas que me deixou fascinada foi conhecer a Sock Shop, hoje uma loja banalíssima, que também abriu entretanto em Portugal. Nunca tinha visto nada assim: havia meias de todas as cores e feitios, para todos os gostos, ou pelo menos foi essa a impressão que me ficou.

(I get it, T.)

quarta-feira

Soprano talk



Every day is a gift... But does it have to be a pair of socks?
(Tony, entediado, após recuperação total de um pâncreas desfeito à bala, em sessão com a psiquiatra.)

Body works

Gostava de fazer uma tatuagem, há já muito tempo, numa zona do meu corpo onde se pudesse tornar perfeitamente visível sempre que necessário. A mensagem seria clara, objectiva, inequívoca: "allergic to penicillins and quinolones".

terça-feira

Cada um na sua pele

Quando penso no "Onze de Setembro", de imediato salto para o dia 12 de Outubro de 2002 e deixo para mais tarde as implicações para o Estado do Mundo.

Nesse dia também houve um atentado terrorista, que fez explodir uma bomba numa discoteca de Bali, Indonésia, e que matou cerca de duzentas pessoas, maioritariamente turistas. Os meus pais, em viagem, encontravam-se hospedados a algumas centenas de metros do local da explosão. Depois de ouvir a notícia "de última hora", entrei em pânico. Seria altamente improvável que eles estivessem na tal discoteca, mas nunca se sabe.

Nos anos 80, quando Indira Ghandi foi assassinada por sikhs, os meus pais estavam na Índia. Lembro-me de ver a minha avó, passada, a andar de um lado para o outro e a resmungar entre dentes: "Inconscientes, não se querem vir embora dali...". O Norte da Índia tinha entrado em convulsão, com hindus a matar sikhs. Mas os meus pais estavam no Sul, claro que não lhes aconteceu nada. Depois, embora hoje em dia já se tenham deixado de aventuras todo-o-terreno, desde que capotaram o jipe no meio dum deserto qualquer, não há tantos anos assim, com o meu pai (maluco) a conduzir, acidente do qual, felizmente, acabaram por sair ilesos, já não excluo nenhuma hipótese.

12 de Outubro de 2002. Sozinha em casa, aquilo mais parecia uma redacção de jornal. Televisão, rádio, internet, tudo ligado ao mesmo tempo. Telefonemas. Nada. Horas depois, consegui finalmente sossegar. Estavam a dormir, não tinham dado por explosão nenhuma.

Na manhã do dia 11 de Setembro de 2001, os meus pais podiam estar em Manhattan, de visita às Twin Towers. Também podia ser eu ou amigos meus. Ou um primo afastado. Ou milhares de pessoas que eu não conhecia, americanos ou estrangeiros, que era de facto quem lá estava. Em teoria, vai dar ao mesmo. Na prática, não.

segunda-feira

Still



posted by sara # 9:00 PM

[http://desassossegada.blogspot.com, 11 de Setembro de 2004]

Há dentro de mim uma lembrança,
pedra branca no fundo de um poço,
já não posso, já não quero lutar:
ela é sofrimento, alegre alvoroço.

Acredito: quem olhe bem de perto
nos meus olhos a possa vislumbrar.
E cisme mais triste do que ouvindo
uma história de saudade e pesar.

Diz-se que os deuses mudavam os homens
em coisas, sem matar-lhes a consciência,
para que vivesse a maravilhosa
tristeza. E ficaste-me lembrança.


[Verão de 1916, Sliepniovo]

Anna Akhmátova, SÓ O CHEIRA A SANGUE, trad. Nina Guerra e Filipe Guerra, Assírio & Alvim, 2000

posted by sara # 9:00 AM

[http://desassossegada.blogspot.com, 11 de Setembro de 2004]

domingo

Consciousness fiction

«A seriedade é um continente misterioso do corpo que serve para esconder os defeitos da mente.»

Laurence Sterne, The Life and Opinions of Tristram Shandy, Gentleman, citado por Vila-Matas.

Shandy


Marcel Duchamp, Boîte-en-valise

(...)Mas miniaturizar é também ocultar. Duchamp, por exemplo, também se sentiu sempre atraído pelo extremamente pequeno, quer dizer, por tudo o que exigisse ser decifrado: emblemas, manuscritos, anagramas. Para ele, miniaturizar significava também tornar inútil: «O que está reduzido encontra-se de certo modo livre de significado. A sua pequenez é, ao mesmo tempo, um todo e um fragmento. O amor pelo pequeno é uma emoção infantil.»(...)

Enrique Vila-Matas, História Abreviada da Literatura Portátil (1985), trad. José Agostinho Baptista, Campo das Letras, 2006

Girl talk

- Estou na praia! Não queres vir cá ter?
- Estou no café de esquina da minha rua. O Paul Auster também. Não queres vir cá ter...?

Só conheço um dos livros de ficção que escreveu (Oracle Night, Faber & Faber, no original). Não me tornei fã. Lulu on the Bridge, o filme que realizou em 1998, tão pouco me tinha deixado entusiasmada. Mas confirma-se: o homem é bonito que se farta, mesmo quando não tira os óculos escuros. Fingi que não reparei.

sábado

Não sei porquê, confundo-as


Romy Schneider (1938-82) & Simone Signoret (1921-85)

Arquitectura de interior(es)

Um dia escrevi um post curtinho que se chamava "falta de pudor". Dizia que as paredes da minha casa eram brancas, estavam nuas e eu gostava delas assim. Por causa disto, uma amiga que estava a pensar oferecer-me um quadro, desistiu da ideia.

Eu estava a falar do template do blogue... Não da minha casa.

(para a Joana)

Proverbi

Non c’è sàbbutu senza suli, non c’è fimmina senza amuri. (Non c’è sabato senza sole, non c’è donna senza amore.)

Tradução livre, já que não sei italiano, muito menos dialecto siciliano: "Uma mulher sem amor é como um sábado sem sol."
Estará certo?

The road to Gibellina



Foi difícil de encontrar, mas também lá conseguimos chegar:

(...)The earthquake destroyed the whole village in 1968. The artist Alberto Burri buried half the ruins in concrete, retaining the line of the streets, covering the blocks of houses to about six feet.(...)

(...)We could see the road across the valley from the ruins and Burri's concrete "creto" - it would give a good view of the ruins. But we couldn't find the road. There was no one around to ask. We drove along a few field tracks following the topography, up over the crest of the hill, and there it was - a 100 yard stretch of road, coming from and leading nowhere.(...)


Fotografia e texto do photoblog colectivo Archaeography.

quinta-feira

A luz ao fundo (parêntesis)



A Sicília é uma ilha acidentada. As estradas têm muitos túneis, alguns de 300 metros, outros de mais de um quilómetro (tinha de engolir em seco porque sou um bocadinho claustrofóbica), frequentemente com pouca distância a separá-los. E durante o dia, a luz natural vai e vem.

Todos os túneis são baptizados. É claro que quando se lê numa placa que há um que se chama "Carbonara" (desconheço se a palavra significa alguma coisa para além da referência culinária), começa-se a pensar que quem planeou a rede rodoviária siciliana a certa altura terá ficado sem imaginação (ou antes pelo contrário) e decidiu nomear túneis em honra do "primi piatti" do jantar da noite anterior. Também me questionei sobre quem terá realmente subsidiado tanta perfuração de montanha... Talvez aquela organização simpática cuja designação começa por "M" e acaba em "ÁFIA" (piada com direitos de autor).

Outro nome que achei curioso, digamos assim, estava numa saída de auto-estrada, que indicava a direcção para Tusa. (À especial atenção do Tiago.) O mapa não me deixa mentir!

Mas também não era aí que queríamos chegar.

Enquanto a M. dormia no banco de trás como um anjo, e eu conduzia (reparem na suavidade do pisca-pisca a marcar o ritmo da ultrapassagem), a I. fez alguns vídeos curtos com a máquina fotográfica (uma Leica do tamanho de um maço de tabaco, objecto de culto, lindo). Com a ajuda do YouTube, deixo aqui um desses registos espontâneos de 30 segundos cujo resultado gosto muito.

(Já em Lisboa os túneis são outros. Esta madrugada pareceu-me ver uma luzinha. Deve ter sido do calor.)