domingo

A Maya não me deixa em paz

"GÉMEOS: Algumas tensões e excessos poderão tornar-se uma fonte de preocupações, tente manter a cabeça fria e não responda de forma precipitada. No plano afectivo alguns encontros podem não correr como esperava, seja mais selectivo a fim de evitar dissabores. Algumas ligações que pareciam correr bem podem tornar-se decepcionantes.(...)" Pública, 05/11/06

Com bastante atraso, mas está bem.

Inconveniências

Confesso que já me apetecia pouco falar do tema do aborto, depois de todos os argumentos terem sido já tão amplamente discutidos e a obstinação condenatória persistir. Mas depois de algumas vozes inesperadas terem vindo a público afirmar coisas espantosas, algumas delas neste mesmo jornal, talvez faça sentido reafirmar algumas verdades óbvias, ainda que incómodas.

1. O aborto existe, sempre existiu e não vai deixar de existir. Seja por ignorância, imprudência, erro de julgamento ou simples azar, as mulheres ficam grávidas sem querer. E por vezes sentem que efectivamente não querem ou não podem seguir em frente com aquela gravidez. Claro que todos queremos diminuir essas situações - e devemos fazer esforços sérios, não moralistas e não paternalistas nesse sentido. Mas o problema nunca será totalmente resolvido a montante. As questões que importa, por isso, colocar são: onde e em que condições é que esse aborto vai ser feito? Deve uma mulher pagar com risco de morte ou dano severo para a saúde essa decisão? Que legitimidade existe no enriquecimento feito com base no aborto clandestino?

2. E, já agora, deve a mulher pagar essa decisão com a prisão? Porque, como ficou amplamente demonstrado, efectivamente há condenações por causa do aborto. E que me desculpem os defensores de soluções intermédias: ou é crime e é penalizado ou não é penalizado e não é crime de todo. Porque, que sentido faz perpetuar uma lei que não é para cumprir? Que traduz esse incumprimento senão o seu radical alheamento da realidade e vontade social?

3. E agora que me desculpem alguns sectores feministas: não, o aborto não é uma questão de mulheres. Ou antes, é-o, mas não deveria ser, pelo menos não deveria ser equacionado como uma questão apenas de mulheres. E neste erro tanto os defensores do "sim" como do "não" têm caído. Claro que há questões de género no aborto, desde a desigual repartição dos cuidados com os filhos, aos desequilíbrios salariais. E, claro, o simples facto de ser no corpo da mulher que a decisão de ter ou não filhos assume uma violência "incarnada". Mas, a não ser que estejamos perante novos mistérios transcendentais, cada embrião tem dois seres humanos na sua génese. Onde estão os homens, no equacionar público desta questão? E, já agora, onde estão os homens condenados pela decisão de abortar (ou será - coisa conveniente - que todas as mulheres condenadas por aborto em Portugal decidiram sozinhas, sem participação ou conhecimento dos respectivos parceiros?).

4. Finalmente, o que sinto como uma última verdade, para mim própria inconveniente: por muito que os defensores do "sim" a evitem - e eu, como defensora do "sim", compreendo a estratégia -, a questão da vida humana é de facto relevante. Porque, se entendermos o embrião como igual a uma pessoa - se acreditarmos mesmo nisso -, então o aborto apenas se justificaria em situações de risco de vida da mãe. Porque apenas aí estaríamos a falar de valores de igual ordem moral. Mas será que acreditamos mesmo que um embrião é uma pessoa? Reagimos da mesma forma ao aborto espontâneo às 10 ou 12 ou até mais semanas como reagiríamos à morte de um recém-nascido? Sofremos da mesma forma? Ritualizamos da mesma forma a sua perda? Alguém pode, em consciência, dizer que sim?


Artigo de opinião assinado por Carla Machado, professora universitária, no Público da última quinta-feira. (Deu-me um trabalhão copiar isto do papel - embora valha a pena - graças a quem decide que a edição impressa do jornal apenas deve estar acessível on-line para assinantes. Só maçadas...)

Acrescente-se ainda outra coisa óbvia: é mais fácil levar uma mulher (ou um casal) a desistir de abortar se se souber que é essa a sua vontade. Caso contrário não há muito que se possa fazer, a não ser nas urgências dos hospitais. Sangue por todo o lado.

A razão pela qual não gosto desta discussão

"(...)Não é a questão da IVG/aborto de natureza tão íntima que se dispensa um alarido público? Aliás, ao partido socialista faltou a coragem para resolver este assunto em sede própria: a assembleia da república. Ao pretender convocar um referendo, José Sócrates criou espaço, mais uma vez, para a banalização de um assunto que tem muito pouco a ver com o espaço público. A IVG/aborto e a constituição europeia não são da mesma natureza política. De facto, o primeiro tem muito pouco a ver com política e tão só com o direito à privacidade, como foi reconhecido, há mais de 30 anos, pelo supremo tribunal norte-americano." (João Caetano, em A Metamorfose)

Agora não temos outro remédio senão VOTAR. Contra a abstenção, marchar, marchar. Se o SIM ganhar, não vou ter vontade de festejar. Não se ganha nada. Perde-se é menos.

Causas pequeno-burguesas (pré-ocupação)

Caro JPH: as creches nas empresas para os filhos dos empregados só podem aumentar a produtividade, porque reduzem a preocupação dos pais. Já há muito tempo que deviam ser obrigatórias por lei. Apoiado!

sábado

Planeamento familiar

Não tenho filhos; hei-de ter. Nunca estive grávida. Se alguma vez abortei, só pode ter sido metaforicamente.

quinta-feira

Do Vil Pudor (actualizado)

Já que ando numa de ecumenismo (ou será "ecumenicidade"?), letra P... Pastoral Portuguesa. O anagrama com o nome do meu blogue é tão perfeito que até dói. Ui, ui. Outro exemplo do brilhantismo anagramático do Rogério: O Feto Grandote.

quarta-feira

Replay

Não custa nada, Luís. Sai Tindersticks e volta o ritmo contagiante da Elis. Não sei se vais gostar da música, mas sou incapaz de recusar pedidos de bichos do ... err, de pessoas gentis por quem tenho a maior estima.

terça-feira

Pandora, say bye

Há caixinhas que devem permanecer fechadas. Não lhes queremos ver o fundo.

Confession of faith

(...)
- Someone's died, after all!
- You know, Betty, actually, no one has died... Actually died.
- Well, if no one has died, that must mean it's you. [pause] But if you feel like you're going to die, I'd rather be with you. No question. [pause] In fact, I'm flattered to be here. When I died, there was no one there. I had to go through the whole thing on my own. [pause] Ok, I did, but a bit company won't hurt.
- Perhaps I should be getting back...
- [Betty opens a beer; gives it to Claire] So, in principle, if you´re serious, you have a program the day you die. [Betty opens a beer for herself] Having a laugh with dickheads... We did that last night. [Betty laughs] Then comes going to tell someone something, something you're dead set on, good or bad, something you've never said. 'Cause on the day you die, you have total freedom of speech. In principle...
- I met a man. Not like me, I don't know how to use my energy, but he does. He's really determined. And then one day, he found out how to turn it against me. Just like that, he took back everything he'd given me. That's what he wanted, I think. To screw everything up. [takes a sip] And it worked. Between the two of us, it worked.
- Oh yeah...
- What was it, the day you died?
- It's in the past... It's behind me now. [laughs] There's no more to say about it. [laughs] Thank God... [Betty and Claire laugh and take a sip of beer]

You shouldn't take it so literally

Quando a atenção que se dispensa é evidente, a ligação torna-se desnecessária. Same as it ever was.

Mind the gap

As pessoas que tomam desejo por solidão estão a tentar enganar-se a elas próprias e, pior ainda, estão a tentar enganar os outros. Shame on you.

Blogues, letra T

Trento na Língua, starring Miguel Marujo, Samuel Úria e Tiago Cavaco (este já nem leva linque senão entupo-lhe o technorati), entre outros escribas.

Diário de Sarita

O meu portátil pesa toneladas. É absurdo, eu sei, mas quando o comprei tive mais olhos que costas. Para além disso, estou farta de pagar contas de internet excessivas, porque ultrapasso sempre os limites de tráfego, nacional, internacional e o raio que os parta. Como também estou farta de desembolsar €22,49 por mês por uma TVcabo que practicamente está sempre desligada, desconfio que o bichinho pesadão (mas muito querido!) vai passar a dormir fora de casa nos dias úteis, e que em substituição passo a fazer zapping frenético à noite, quando não tiver melhor programa. Assim, poderei andar formosa, segura e ligeira, de metropolitano. Hoje não fui afectada pela greve, mas na próxima semana (dias 7 e 9 de Novembro) terei de pegar no carro e de me meter no trânsito infernal. Aos fins-de-semana havemos de matar saudades. E amanhã é feriado, bebé, não chores.

Apercebi-me de que estou pertíssimo da minha antiga escola, onde andei durante... deixa cá ver... 5º, 6º, 7º... sete anos. Um dia destes à hora de almoço vou fazer uma visitinha aos Jesuítas. Será que ainda se lembram de mim? Espero que me deixem entrar.

segunda-feira



Não me incomoda nada que me chamem "Sarita", acho graça. Mas "Sarita Montiel" foi novidade.

Resoluções para esta semana

Mergulhar de cabeça no novo trabalho e cortar a franja, senão vai ser difícil ver o que ando a fazer. E já chega de posts.

Na cauda da Europa (I)

"As betinhas de Paris têm muito mais pinta que as de Lisboa. Enquanto que as meninas típicas de Lisboa têm todas o cabelo cor châtaigne, colete-agasalho preto, camisola verde, branca ou azul de gola-alta, calças de ganga azuis claras e os sapatos-botas pretos de sola grossa para ganhar centímetros, as francesinhas têm o cabelo escuro lisinho, camisola de cachemira cinzenta clara, calças de ganga escuras muito fininhas e as inevitáveis sabrinas, ou sapatinhos de bailarina (pretos, cor-de-rosa, prateados). São todas branquinhas de pele, olhos claros e magrinhas, notando-se uma preocupação subtil com um toque de maquilhagem que acentue a sua inocência-chique com uma ponta de rebeldia clássica. São petites e gostam de o mostrar." (Francisco Valente, n'O Acossado)

Por falar em sabrinas...


(ilustração de Milo Manara)

... que é feito da Salerno?

Na cauda da Europa (II)

"Ainda Paris, ainda as mulheres. Talvez seja ainda dos restos de uma timidez adolescente, ou do meio social lisboeta em que, geralmente, as namoradas não começam por estar ao mesmo nível que os amigos. São as namoradas e pronto. Não há muito interesse para além disso, e as próprias senhoras solteiras preferem ignorar a conversar. Por isso, depois de uma pequena saída ao Piano Vache com cerca de dez pessoas, uma miúda bem gira, do nada, resolve interessar-se pela minha vida, e já na despedida, pergunta-me se estou em Paris définitivement e se nos vamos ver outra vez. Em Lisboa, uma miúda que fizesse algo parecido estar-se-ia a atirar descaradamente a um homem. Mas aqui, somos todos livres e iguais. Para um atrasadinho cultural como eu, vindo de onde venho, parece que se vive, nesta cidade, em flirt permanente. Peut-être, mais pas vraiment." (Francisco Valente, n'O Acossado)

Banda sonora

No filme de Sofia Coppola, "Marie Antoinette", o aspecto que me parece menos importante é a alegada falta de rigor histórico. E o mais interessante, o anacronismo musical.

O mais importante, embora por comparação menos interessante, é o rigor com que se conta a história (com minúscula). Mas aqui, acho que já não estou a falar de cinema.