segunda-feira



Não me incomoda nada que me chamem "Sarita", acho graça. Mas "Sarita Montiel" foi novidade.

Resoluções para esta semana

Mergulhar de cabeça no novo trabalho e cortar a franja, senão vai ser difícil ver o que ando a fazer. E já chega de posts.

Na cauda da Europa (I)

"As betinhas de Paris têm muito mais pinta que as de Lisboa. Enquanto que as meninas típicas de Lisboa têm todas o cabelo cor châtaigne, colete-agasalho preto, camisola verde, branca ou azul de gola-alta, calças de ganga azuis claras e os sapatos-botas pretos de sola grossa para ganhar centímetros, as francesinhas têm o cabelo escuro lisinho, camisola de cachemira cinzenta clara, calças de ganga escuras muito fininhas e as inevitáveis sabrinas, ou sapatinhos de bailarina (pretos, cor-de-rosa, prateados). São todas branquinhas de pele, olhos claros e magrinhas, notando-se uma preocupação subtil com um toque de maquilhagem que acentue a sua inocência-chique com uma ponta de rebeldia clássica. São petites e gostam de o mostrar." (Francisco Valente, n'O Acossado)

Por falar em sabrinas...


(ilustração de Milo Manara)

... que é feito da Salerno?

Na cauda da Europa (II)

"Ainda Paris, ainda as mulheres. Talvez seja ainda dos restos de uma timidez adolescente, ou do meio social lisboeta em que, geralmente, as namoradas não começam por estar ao mesmo nível que os amigos. São as namoradas e pronto. Não há muito interesse para além disso, e as próprias senhoras solteiras preferem ignorar a conversar. Por isso, depois de uma pequena saída ao Piano Vache com cerca de dez pessoas, uma miúda bem gira, do nada, resolve interessar-se pela minha vida, e já na despedida, pergunta-me se estou em Paris définitivement e se nos vamos ver outra vez. Em Lisboa, uma miúda que fizesse algo parecido estar-se-ia a atirar descaradamente a um homem. Mas aqui, somos todos livres e iguais. Para um atrasadinho cultural como eu, vindo de onde venho, parece que se vive, nesta cidade, em flirt permanente. Peut-être, mais pas vraiment." (Francisco Valente, n'O Acossado)

Banda sonora

No filme de Sofia Coppola, "Marie Antoinette", o aspecto que me parece menos importante é a alegada falta de rigor histórico. E o mais interessante, o anacronismo musical.

O mais importante, embora por comparação menos interessante, é o rigor com que se conta a história (com minúscula). Mas aqui, acho que já não estou a falar de cinema.

Liberdade, igualdade, fraternidade e …

As pessoas que costumam visitar o meu blogue sabem que não costumo escrever "foda-se", uma palavra com grande impacto, tanto sonoro como visual. Só que um "palavrão" às vezes é preciso. Reorganiza as coisas. Me liberta.

Da infidelidade (out of the blue)

A dignidade de uns acaba na alcova de outros.

Sustentabilidade estética

- Tem preferência pela cor?
- Qualquer uma, menos azul-cueca.

Poesia no sitemeter

Houve alguém que veio parar ao meu blogue através do google em busca de "acessórios dias felizes".

Black is beautiful

Quando li isto, lembrei-me de Elis Regina. Há uns anos ofereceram-me a coletânea de música brasileira Samba Soul 70! (o ponto de exclamação faz parte), editada na Bélgica. É de lá que conheço a canção. Ontem encontrei o Luís e falei-lhe no "Bicho do Mato". Ele perguntou-me onde é que se podia ouvir. Ora, um blogue também serve para isto.

Rapaz(es)


Manuel Mesquita, foto(s) de rodagem Nuno Faria

A curta-metragem de João Nicolau ainda pode ser vista esta semana, na sala 2 do King. E se não digo mais nada sobre este filme é, sobretudo, por pudor.

Eu-femismo (intentional error)

"Huh? There are blogs, and then there's whatever you just typed in. If it's a blog, we don't know about it. Maybe you made a typo. Or maybe it's a blog that doesn't exist. Maybe you don't exist. (In which case, please ignore this.)"

O Technorati no outro dia saiu-se(-me) com esta. Tentei ignorá-lo. Não consegui. Talvez eu exista.

Blogues, letra V

O Voz do Deserto é o meu preferido. E o Vício de Forma... enfim.

Dos Faíscas aos Corpo Diplomático

Pedro Ayres Magalhães tem um lugar de honra no meu ranking de "panque-rockers" mais giros de sempre. À saída da Culturgest, depois de ver o documentário "Brava Dança" na última terça-feira, quando o apanhei a olhar na minha direcção (mas não para mim), não foi possível evitar esboçar-lhe um sorriso. E ele, gentilmente, retribuiu. Madre de Dios, ganhei a noite.

terça-feira

Arquivos



Hoje, no doclisboa, às 21h. Tem blogue.

YES, pardon my french

Discutir o aborto, discutir o aborto... Já não há paciência, foda-se. (Salvo seja, que daí ainda pode resultar uma gravidez indesejada.)

A outra pessoa

- Engravidou.
- De quem?

Curta

Era tão imaturo que nunca passou de espermatozóide.

Quase cristã

Uma bofetada. Devo fingir que sim, que dói: é caridade. Depois, em vez de dar a outra face, viro costas. Mas não fico à espera do açoite, tenho mais que fazer. I'm really not into S&M.

Hiper-realismo

Em Fevereiro de 2003, lia-se no Público:

"(...)fazem sempre a Chéreau perguntas sobre teatro ou pintura. Os corpos nus são uma referência às representações pictóricas da figura de Cristo? - é uma das que mais se têm ouvido. Ele reafirma que quer fugir disso como o diabo da cruz e mergulhar na realidade.(...)"

As (mais belas) cenas de sexo

Patrice Chéreau é francês e filmou Intimacy (cf. fotograma) em Londres, com actores (de teatro) ingleses. Um casamento feliz.

quinta-feira

Shakespeare's underground


»»» Mark Rylance

terça-feira

Global doubt

Na Wikipedia consta que: «(...)[Homi K.] Bhabha has been criticized for using "indecipherable jargon" and dense prose.(...)» Não confirmo nem desminto, porque nunca li nada que ele tenha publicado. Mas fui ouvi-lo ao final da tarde da última quinta-feira na conferência inaugural d'O Estado do Mundo e achei que, para além de ser um bom orador e de ter sentido de humor, foi bastante claro na sua exposição. Posso dizer, de forma resumida e parcial, que falou na necessidade de revisão do conceito de "minorias", da importância (hoje mais do que nunca) da "interlocução" na negociação de interesses e de identidades, do direito à narrativa "and to be heard", e de uma outra ideia-chave (sua): a ambivalência(...). Citou Ian McEwan, leu um excerto do poema September 1, 1939 de W.H. Auden, e um outro retirado de An Atlas of the Difficult World (1993) de uma autora que desconheço, Adrienne Rich. E deixou-me a pensar na dicotomia(?) "Technological Connectivity" vs "Cultural Connection".

Uma espécie de terrorismo


Zerkalo, 1974

"Tarkovsky é provavelmente o meu realizador preferido. Gosto de todos os seus filmes, mas O Espelho é o meu favorito. Acho que é o seu filme mais pessoal; está lá quase tudo. Nunca vi um filme do Tarkovsky numa sala de cinema. E isso é uma espécie de terrorismo de que não te sei falar. Este país praticamente não existe fora de Lisboa." (de um email que recebi do Alexandre em Maio de 2004, a propósito de um post que eu tinha feito sobre esse mesmo filme no meu ex-blogue)

In July 1984, Andrei Tarkovsky attended a press conference in Milan where he announced to the world that he would not return to the Soviet Union. When a journalist asked him if he would be seeking political exile in Italy, Tarkovsky answered: "I'm telling you a drama. You cannot ask me bureaucratic questions. Which country? I don't know. It's like asking me in which cemetery I wish to bury my children..."

Também acho

Existem os "opinion-makers" e depois existem os "opinion-takers".

segunda-feira

Gemini-Shyamalan

"Tende a entrar numa fase de boas concretizações. No plano afectivo pode encerrar um ciclo e encontrar um novo sentido para a vida sentimental; saia, conviva e dê novas oportunidades aos outros e a si mesmo. No plano material liberte-se de pensamentos negativos, conseguirá obter bons resultados. Alguns problemas laborais e financeiros serão definitivamente ultrapassados. Cuidado com perdas de peso acentuadas." (15/10/06)

O tarô domingueiro na revista do Público ainda é das poucas coisas que se aproveitam do jornal nos dias que correm. Mas, apesar do optimismo da Maya, não acredito que as minhas habituais dificuldades em poupar dinheiro acabem tão cedo. Por outro lado, é com grande facilidade que pratico economia de palavras: A Senhora da Água é uma treta pseudo-visionária-místico-sentimentalóide. Uma seca.

Il Deserto Rosso (1964)

"(...)Os enquadramentos, os movimentos de câmara, a fotografia, são de tal maneira perfeitos que sufocam tudo o resto. O enredo é menos a narrativa do que as imagens.(...)"

Plot detail (a cores)

Só pelo porte aristocrático de Monica Vitti, a sua beleza formal e o guarda-roupa que Antonioni lhe reserva, o filme já valeria a pena. O casaco verde até aos joelhos, com que ela aparece vestida nos primeiros minutos, deixou-me logo rendida.

Re: Please stop, don't stop

Tu dici: cosa devo guardare? Io dico: come devo vivire? E la stessa cosa.

sexta-feira

Marcha numa roda gigante

Os vermes, os gatos, os carros, os prédios, a espera, os pátios, os jogos, as lutas, os brutos, as pátrias, as sombras, os vultos, os estranhos, os mártires, os dias, as horas, as praças, os copos, os olhos, a íris, os beijos, a casa, a noite e os cacos, poemas e factos, os fados sem tema, o tempo quebrado, a dor, e o dilema: no fundo do mar. Lisboa, Lisboa, Lisboa: Lisboa no fundo do mar. Um dia, quem sabe, se homens, se aves, alguém virá para te encontrar, de ruas abertas, desertas, cobertas por sombras azuis e corais, num silêncio terno, eterno, imenso, de fachadas desiguais, de náufragos dias, saudades de pedra. Quem te vir assim, esquecida no mar, irá procurar-te a vida. E se então sonhar um tempo de amor, talvez pense em nós: querida.

(Quinteto Tati, Inventário Marítimo, álbum "Exílio", 2005)

terça-feira


Jean-Antoine Watteau, Les Plaisirs du Bal (c.1717)

Commotion

O Ricardo promete grandes canções na próxima quinta-feira, para afogar as mágoas republicanas. Provavelmente, irei de sabrinas e direi salut! a toda a gente.

Liberté et égalité

A relação entre quem escreve num blogue e quem o lê parece-me justa. Os primeiros são tão exibicionistas quanto os segundos voyeur(ista)s.

domingo

Comic strip

Une négresse
Qui buvait du lait
Ah! se disait-elle,
Si je le pouvais
Tremper ma figure
Dans mon bol de lait
Je serais plus blanche
Que tous les Anglais

Un Britannique
D’vant son chocolat
Ah! se disait-il,
Et pourquoi ne pas
Tremper ma figure
Dans ce machin-là
Je serais plus noir
Qu’un noir du Kenya

Une intellectuelle
Qui buvait du thé
Ah! se disait-elle,
Si je le pouvais
Tremper ma figure
Dans ma tasse de thé
Je serais plus jaune
Qu’ les filles du Yang-Tsé

Un Américain
Qui buvait du sang
Ah! se disait-il,
Si j’avais le temps
D’ tremper ma figure
Dans mon bol de sang
Je serais plus rouge
Qu’un Mohican


(Serge Gainsbourg)

Frase aforística

As mulheres de sorriso amarelo devem ser cumprimentadas em mandarim. (HR)

Gostar de sabrinas é francofilia



N'importe quoi.

Shostakovitch

Leio no Yesterday Man que as "114 primeiras dificuldades" para pôr música no blogue foram ultrapassadas autonomamente. That's my man! - sem pedir ajuda a ninguém, e muito menos a mim. No entanto, e sem exigir dízimo, permita-me a sugestão: para colocar música (o tal código endiabrado) num post, em vez de o fazer no template, basta assinalar a opção "Stop showing HTML errors for this post", depois da primeira tentativa de publicação, e verá que a coisa funciona. Mas não me pergunte porquê, porque, obviamente, não lhe saberei responder.

[Só não me ofereço para "uploadar" mais mp3 alheios, porque a minha generosidade tem limites: 15 MB, para ser mais específica, ainda que eu os utilize até ao último byte disponível. Como tenho neste momento dois convidados (o Morrissey do Pedro Mexia e uma versão reggae-brasilófila dos Beatles para a Batukada), o espaço não dá para mais. Désolée.]

Blondie joke


(recebido por email)

sexta-feira

Desmaterialização



"Frases para ter na carteira" (Livramento, 2006) está à venda na Livraria Ler Devagar (ao lado da Galeria Zé dos Bois), no Bairro Alto (pois onde é que haveria de ser?). Para mais informações, por favor, contactar livramento@xsmail.com. Obrigada.

segunda-feira

Convite



Nota: O miradouro de Santa Catarina fica perto do Bairro Alto, em Lisboa. Também é conhecido por muita gente como "Adamastor".

Intro

"Podia começar com uma citação espirituosa, mas deixemos isso mais para a frente.
Este pequeno livro reúne uma colecção de aforismos (com aspas, claro) da autoria de um grupo de pessoas com sensibilidades diferentes. Algumas destas frases para ter na carteira (ou onde der mais jeito) já foram publicadas na internet, em blogues, onde o registo aforístico tem sido largamente explorado. Outras são originais, próximas de poemas ou de histórias curtas.
A selecção e a organização das frases aqui publicadas resultam da minha livre associação de ideias. Foi um trabalho de (re)corte e colagem. As ilustrações foram escolhidas posteriormente pelo José Albergaria.
Agradeço às pessoas* que emprestaram as suas peças para este jogo proposto pelo Nuno Costa Santos, através da Editora Livramento, aberto naturalmente a todos os leitores.
Caso não fiquem satisfeitos, não aceitamos devoluções. Sobretudo de carteiristas." - Sara Pais, Junho de 2006

*Por ordem alfabética: Alexandre Borges, Bernardo Rodrigues, Carlos Bessa, Daniel M., Eduardo Nogueira Pinto, Helena Ayala Botto, Hugo Rosa, Inês Fonseca Santos, João Sedas Nunes, José Bandeira, José Mário Silva, Luís Filipe Borges, Maria, Pedro Mexia, Pedro Vieira, Rafael Miranda, Ricardo Jorge, Rodrigo Moita de Deus, Rui Branco, Sérgio Faria, Tiago Cavaco, Tiago Galvão e Urbano Bettencourt.

Coordenação de texto: Nuno Costa Santos; Selecção e organização: Sara Pais; Concepção gráfica: José Albergaria.

Escritura

"O acto de escrever é, em si, um exagero assinalável." (TC)

AAVV, Frases para ter na carteira, Livramento, 2006, pág.9

Comunicando com o aforismo

"Tenho o fragmento no sangue"
(Cioran)


"A escrita que se encontra hoje nos blogues é velha como o tempo, embora o tempo pregue partidas, transformando as coisas noutras muito diferentes.(...)O "post curto" gera uma tensão sobre o espaço das palavras, acentua a utilização estética da frase, em combinação com o título e com outros elementos gráficos.(...)No "post curto" a escrita vai desde a mera frase com uma ligação, ou seja, uma porta, um caminho que nos leva para longe daquela página, daquele ecrã até à entrada diarística, impressionista ou faceta, até ao mini-ensaio, pouco mais do que o aforismo. É uma escrita que favorece, comunicando quer com os títulos de jornais, quer com o aforismo, a utilização de mecanismos poéticos, mas também humorísticos e sarcásticos.(...)"


José Pacheco Pereira, Público, 22/06/06

Sem título



Frases, papel e caneta, tesoura e bostik. Estudo para livro.
(clicar na imagem para aumentar)

domingo

Pró-cinema-israelita

Amos Gitai, realizador com formação em Arquitectura, que começou a filmar quando servia na Guerra de Yom Kippur, vai ter uma retrospectiva no doclisboa 2006. Na sessão de abertura, dia 21 de Outubro na Culturgest (ainda falta um bocadinho), vai ser exibido o filme News from Home/News from House (2005), deste cineasta israelita altamente recomendável. Tive oportunidade de ver o documentário, em casa há duas semanas atrás no leitor de DVD, onde são entrevistadas várias pessoas de origens diferentes. Há uma senhora palestiniana (a da imagem em cima) com cerca de oitenta anos, percebe-se que nascida no seio de família abastada e conservadora, sorriso e olhos radiantes, que passou grande parte da sua vida em itinerância. (Se não me engano, agora vive na Cisjordânia.) Gitai pergunta-lhe a certa altura, perante o seu discurso liberal, e alegre apesar de tudo, se alguma vez usou véu para tapar o cabelo. Ela responde assim (e cito de memória): "Quando não se confia nas mulheres, elas tornam-se más. Quando se confia, elas tornam-se boas. O meu pai sempre confiou em mim, por isso sempre fiz o que quis." Apaixonou-se, casou. Nunca usou véu.

Barrete

Comprei (e li) ontem o novo semanário Sol pela primeira vez. Na página 67 do caderno principal apresenta-se um questionário chamado "Janela Indiscreta", dirigido a Marisa Cruz. A pergunta que leva o prémio de maior cretinice é: "Se se apaixonasse por um muçulmano, aceitaria usar uma burka?" Sintomático.

BA: uma questão afectiva

"(...)passei uma parte importante da minha vida no Bairro Alto(...)apetece-me dizer que me custou imenso ler os posts que, nas últimas semanas, se foram multiplicando pela blogosfera.(...)Certo é que houve um tempo longínquo em que era possível apaixonarmo-nos por uma pessoa num só dia e rebolarmos pela calçada, sem ninguém dar por isso e sem pensar na possibilidade de sermos interrompidos por uma qualquer montanha de lixo."

A mim, Carla, apetece-me dizer que tenho passado uma parte importante da minha vida no Bairro Alto e que tudo continua a ser possível. Basta estar in the mood for e evitar rebolar pelas ruas mais agitadas.

A propósito: "várias famílias" gostaram muito de ouvir o Luís a passar música no sítio do costume. Recordo, em particular, a sequência ABBA-The Magnetic Fields. Também bebi caipirinhas ao som de Blondie ("The tide is high"). E o que choveu nessa noite...

In between

Le Jazzy Fante enviou outra versão de "Heart of glass" (clicar no linque para abrir o ficheiro), tocada por The Bad Plus. Obrigada! Parece-me que a música nunca circulou tão livremente como hoje em dia. (Batukada, do you read me? Enviei-te email.)

quarta-feira

Pergunte-me como

Não percebo patavina de HTML (vide o meu template originalíssimo), mas, por tentativa e erro, com a ajuda de outros bloggers que me transmitiram os seus igualmente escassos conhecimentos de informática e de um rapaz simpático que trabalha no apoio técnico da Netcabo, que certo sábado à tarde atendeu o telefonema de uma rapariga caprichosa que queria à viva força meter a tocar no blogue os mp3 que tinha no computador, graças a estes contributos, dizia eu, cá me arranjo. Por isso, estou a pensar dar um workshop para todos os que desejarem conseguir semelhante proeza. A inscrição é gratuita para o Pedro Mexia (a.k.a. Morrissey quando está "zangado com o mundo"), uma vez que o blogue dele, o Estado Civil, em que sou viciada, acaba de completar um ano de existência. Que o interregno seja breve.

(Mais informações, aqui.)

segunda-feira

Eu hoje...


Mushaboom (2004)

... acordei a pensar como terá sido para a Leslie Feist (cf. vídeo), a viver agora em Paris, partilhar uma casa com a Peaches em Berlim. Duas meninas (pós-punk) canadianas tão diferentes. Será que faziam escalas para lavar a loiça? Ou simplesmente partiam-na toda? Se calhar tinham máquina.

Entre o pré-punk e o pós-punk, onde fica o panque-roque?

Aqui.

Minoria blogosférica

Devo ser das poucas pessoas que no último sábado não comprou nenhum jornal. Levantei-me tarde.

sábado

Download


Peaches, 26/09/06, Paradise Garage, 21h

Le Fante compreende-me.

Hotmail

«Gostava muito de saber o nome deste extraordinário instrumento. No outro dia, inclusivamente, estive com um nas mãos sem nunca o chamar de nada. Ora, não se admite. Por esta razão e como tal, chamar-lhe-emos, neste texto e excepcionalmente, de ringustá. Muito obrigada.»

Batukada: eu tenho espaço na internet para alojar a tua versão de Eleanor Rigby - Cássia Eller (não conheço). Posso fazer-te um upload do mp3. Salvo seja.

A causa foi inventada

Não confundir criatividade com Criacionismo.

Um refrão que não envelhece

All the lonely people, where do they all come from?
All the lonely people, where do they all belong?

Grafito pág.10

«Os blogues são o tuning da burguesia.» (Bernardo Rodrigues)

AAVV, Frases para ter na carteira, Livramento, 2006

BAA (Bairro Alto Anonymous)

Nasci em 77. Sou uma menina pós-punk.

quinta-feira

You may not touch but you can look



Lembro-me que da primeira vez que fui a Londres, devia ter uns doze anos (1989?), uma das coisas que me deixou fascinada foi conhecer a Sock Shop, hoje uma loja banalíssima, que também abriu entretanto em Portugal. Nunca tinha visto nada assim: havia meias de todas as cores e feitios, para todos os gostos, ou pelo menos foi essa a impressão que me ficou.

(I get it, T.)

quarta-feira

Soprano talk



Every day is a gift... But does it have to be a pair of socks?
(Tony, entediado, após recuperação total de um pâncreas desfeito à bala, em sessão com a psiquiatra.)

Body works

Gostava de fazer uma tatuagem, há já muito tempo, numa zona do meu corpo onde se pudesse tornar perfeitamente visível sempre que necessário. A mensagem seria clara, objectiva, inequívoca: "allergic to penicillins and quinolones".

terça-feira

Cada um na sua pele

Quando penso no "Onze de Setembro", de imediato salto para o dia 12 de Outubro de 2002 e deixo para mais tarde as implicações para o Estado do Mundo.

Nesse dia também houve um atentado terrorista, que fez explodir uma bomba numa discoteca de Bali, Indonésia, e que matou cerca de duzentas pessoas, maioritariamente turistas. Os meus pais, em viagem, encontravam-se hospedados a algumas centenas de metros do local da explosão. Depois de ouvir a notícia "de última hora", entrei em pânico. Seria altamente improvável que eles estivessem na tal discoteca, mas nunca se sabe.

Nos anos 80, quando Indira Ghandi foi assassinada por sikhs, os meus pais estavam na Índia. Lembro-me de ver a minha avó, passada, a andar de um lado para o outro e a resmungar entre dentes: "Inconscientes, não se querem vir embora dali...". O Norte da Índia tinha entrado em convulsão, com hindus a matar sikhs. Mas os meus pais estavam no Sul, claro que não lhes aconteceu nada. Depois, embora hoje em dia já se tenham deixado de aventuras todo-o-terreno, desde que capotaram o jipe no meio dum deserto qualquer, não há tantos anos assim, com o meu pai (maluco) a conduzir, acidente do qual, felizmente, acabaram por sair ilesos, já não excluo nenhuma hipótese.

12 de Outubro de 2002. Sozinha em casa, aquilo mais parecia uma redacção de jornal. Televisão, rádio, internet, tudo ligado ao mesmo tempo. Telefonemas. Nada. Horas depois, consegui finalmente sossegar. Estavam a dormir, não tinham dado por explosão nenhuma.

Na manhã do dia 11 de Setembro de 2001, os meus pais podiam estar em Manhattan, de visita às Twin Towers. Também podia ser eu ou amigos meus. Ou um primo afastado. Ou milhares de pessoas que eu não conhecia, americanos ou estrangeiros, que era de facto quem lá estava. Em teoria, vai dar ao mesmo. Na prática, não.

segunda-feira

Still



posted by sara # 9:00 PM

[http://desassossegada.blogspot.com, 11 de Setembro de 2004]

Há dentro de mim uma lembrança,
pedra branca no fundo de um poço,
já não posso, já não quero lutar:
ela é sofrimento, alegre alvoroço.

Acredito: quem olhe bem de perto
nos meus olhos a possa vislumbrar.
E cisme mais triste do que ouvindo
uma história de saudade e pesar.

Diz-se que os deuses mudavam os homens
em coisas, sem matar-lhes a consciência,
para que vivesse a maravilhosa
tristeza. E ficaste-me lembrança.


[Verão de 1916, Sliepniovo]

Anna Akhmátova, SÓ O CHEIRA A SANGUE, trad. Nina Guerra e Filipe Guerra, Assírio & Alvim, 2000

posted by sara # 9:00 AM

[http://desassossegada.blogspot.com, 11 de Setembro de 2004]

domingo

Consciousness fiction

«A seriedade é um continente misterioso do corpo que serve para esconder os defeitos da mente.»

Laurence Sterne, The Life and Opinions of Tristram Shandy, Gentleman, citado por Vila-Matas.

Shandy


Marcel Duchamp, Boîte-en-valise

(...)Mas miniaturizar é também ocultar. Duchamp, por exemplo, também se sentiu sempre atraído pelo extremamente pequeno, quer dizer, por tudo o que exigisse ser decifrado: emblemas, manuscritos, anagramas. Para ele, miniaturizar significava também tornar inútil: «O que está reduzido encontra-se de certo modo livre de significado. A sua pequenez é, ao mesmo tempo, um todo e um fragmento. O amor pelo pequeno é uma emoção infantil.»(...)

Enrique Vila-Matas, História Abreviada da Literatura Portátil (1985), trad. José Agostinho Baptista, Campo das Letras, 2006

Girl talk

- Estou na praia! Não queres vir cá ter?
- Estou no café de esquina da minha rua. O Paul Auster também. Não queres vir cá ter...?

Só conheço um dos livros de ficção que escreveu (Oracle Night, Faber & Faber, no original). Não me tornei fã. Lulu on the Bridge, o filme que realizou em 1998, tão pouco me tinha deixado entusiasmada. Mas confirma-se: o homem é bonito que se farta, mesmo quando não tira os óculos escuros. Fingi que não reparei.

sábado

Não sei porquê, confundo-as


Romy Schneider (1938-82) & Simone Signoret (1921-85)

Arquitectura de interior(es)

Um dia escrevi um post curtinho que se chamava "falta de pudor". Dizia que as paredes da minha casa eram brancas, estavam nuas e eu gostava delas assim. Por causa disto, uma amiga que estava a pensar oferecer-me um quadro, desistiu da ideia.

Eu estava a falar do template do blogue... Não da minha casa.

(para a Joana)

Proverbi

Non c’è sàbbutu senza suli, non c’è fimmina senza amuri. (Non c’è sabato senza sole, non c’è donna senza amore.)

Tradução livre, já que não sei italiano, muito menos dialecto siciliano: "Uma mulher sem amor é como um sábado sem sol."
Estará certo?

The road to Gibellina



Foi difícil de encontrar, mas também lá conseguimos chegar:

(...)The earthquake destroyed the whole village in 1968. The artist Alberto Burri buried half the ruins in concrete, retaining the line of the streets, covering the blocks of houses to about six feet.(...)

(...)We could see the road across the valley from the ruins and Burri's concrete "creto" - it would give a good view of the ruins. But we couldn't find the road. There was no one around to ask. We drove along a few field tracks following the topography, up over the crest of the hill, and there it was - a 100 yard stretch of road, coming from and leading nowhere.(...)


Fotografia e texto do photoblog colectivo Archaeography.

quinta-feira

A luz ao fundo (parêntesis)



A Sicília é uma ilha acidentada. As estradas têm muitos túneis, alguns de 300 metros, outros de mais de um quilómetro (tinha de engolir em seco porque sou um bocadinho claustrofóbica), frequentemente com pouca distância a separá-los. E durante o dia, a luz natural vai e vem.

Todos os túneis são baptizados. É claro que quando se lê numa placa que há um que se chama "Carbonara" (desconheço se a palavra significa alguma coisa para além da referência culinária), começa-se a pensar que quem planeou a rede rodoviária siciliana a certa altura terá ficado sem imaginação (ou antes pelo contrário) e decidiu nomear túneis em honra do "primi piatti" do jantar da noite anterior. Também me questionei sobre quem terá realmente subsidiado tanta perfuração de montanha... Talvez aquela organização simpática cuja designação começa por "M" e acaba em "ÁFIA" (piada com direitos de autor).

Outro nome que achei curioso, digamos assim, estava numa saída de auto-estrada, que indicava a direcção para Tusa. (À especial atenção do Tiago.) O mapa não me deixa mentir!

Mas também não era aí que queríamos chegar.

Enquanto a M. dormia no banco de trás como um anjo, e eu conduzia (reparem na suavidade do pisca-pisca a marcar o ritmo da ultrapassagem), a I. fez alguns vídeos curtos com a máquina fotográfica (uma Leica do tamanho de um maço de tabaco, objecto de culto, lindo). Com a ajuda do YouTube, deixo aqui um desses registos espontâneos de 30 segundos cujo resultado gosto muito.

(Já em Lisboa os túneis são outros. Esta madrugada pareceu-me ver uma luzinha. Deve ter sido do calor.)

segunda-feira

Silly season (rentrée)


(a monte nos escaparates turísticos)

Em Palermo fui sequestrada pela Máfia. Não se sabe porquê, mas desconfia-se que não foi pelos meus lindos olhos. Na origem do sequestro poderá ter estado o facto irritante de eu tentar falar espanhol em vez de italiano, sempre que abria a boca para comunicar com os locais.

Como resgate, foi exigido às autoridades que disponibilizassem de imediato várias toneladas de mozzarella de búfala, pasta fresca e tomate seco. Caso estas exigências não fossem satisfeitas, ameaçaram obrigar-me a visitar todas as catedrais e igrejas (barrocas ou não) existentes na Sicília, e, no pico do calor, todas as ruínas gregas e romanas com mais de três pedras alinhadas. Em alternativa, atiravam-me para dentro do vulcão Etna.

Sem ceder às chantagens, os Carabinieri conseguiram salvar-me numa complexa operação que envolveu azeitonas, figos da Índia e a motoreta da Dona Giuseppina – que, a propósito, manda os seus melhores cumprimentos à Dona Bina.

Honey, I'm home.

quarta-feira

Sicily season



Boas férias e até breve.

Ficção x Realidade

Vou perder os próximos episódios dos Sopranos, mas...

CORLEONE (PALERMO), 9 AGO - Continuano i rilievi della polizia scientifica a Corleone, dove ieri sono stati trovati resti umani tra cui due teschi. Le ossa si trovano in quello che potrebbe essere stato un cimitero di mafia, nell'anfratto di contrada Acqua di Pieta'. Uno dei due teschi ha un foro sopra l'arcata orbitale sinistra che potrebbe essere stato provocato da un proiettile di pistola. Le ossa umane sarebbero state individuate da un cacciatore che cercava origano.

(Fonte: ANSA)

terça-feira

Silly season

1. Orientação sexual: «Vertical quando estou deitado. Horizontal quando estou em pé.» Pif-paf.

Antidepressivo

As primeiras três séries das Absolutely Fabulous estão editadas em DVD e uma dessas caixas está em minha casa, para ficar. Já revi quase todos os episódios, rebolo a rir e relembro um comentário (e o post) da Triciclo Feliz em Março do ano passado: «eu deliro com isto! acho que os sopranos é, provavelmente, a melhor série de sempre; o doido por ti, a série com que mais me identifiquei; a liga de cavalheiros, porque é um requinte de malvadez; o the office porque é um assombro a apanhar a mediocridade quotidiana, mas esta série.. pah.. estas duas, porra, põem-me absolutamente bem-disposta.»

Bonjour tristesse

Não sabia, até ontem me terem dito, que Jean Seberg tinha tido um fim de vida tão triste. Pesquisei um bocadinho e encontrei (talvez) a explicação:

«(...)By 1960 Jean Seberg was a cultural icon herself in France, influencing the Parisian fashions every bit as much as Godard and Truffaut were influencing film. Her Hollywood performances, although never considered by Seberg herself to be of any consequence, were frequently stunning, and she was often compared to silent movie queen Louise Brooks for the intelligence that she brought to her roles. Her close friends included German born Fellini actress and model turned rock star Nico (they would later work together for Phillippe Garrell) and Russian intellectual Romain Gary (creator of Ghengis Cohn), who became her second husband.

In the late 1960s, Jean Seberg took more roles in Hollywood, most notably opposite Warren Beatty in Lillith. She also became increasing active in left wing political groups. Her support for the anti-racist movement the Black Panthers, along with that of Jane Fonda, was well known. But such was Seberg's influence, specially in Europe, that FBI director J. Edgar Hoover considered her a genuine liability, and, in 1970 when she was seven months pregnant, issued instructions that Seberg be "neutralised". Thus it was that a fake letter was "leaked" to the Hollywood gossip columns, suggesting that the father of the child was not Gary, but a member of the Black Panthers. The reaction so traumatised Seberg that she gave birth prematurely, and the child was stillborn. The next day Seberg called a press conference, where she presented shocked journalists with the body of her dead white child. The measure, though extreme, put an end to the rumours, but the FBI continued to hound Seberg until she eventually moved back to Paris.(...)»

O horripilante desfecho é descrito nesta biografia. Não houve consolação que lhe valesse.

sexta-feira

O Acossado



Um blogue que me prendeu a atenção, via BI.

Soprano talk (extra)

Divertiu-me a gralha - ao ponto de fazer uma nota que agora recupero - no destaque dado pelo jornal Público aos programas de televisão, no dia em que se anunciava o primeiro episódio da nova série sob a categoria "Entrevistas". Imaginei logo a SIC Generalista num acesso de demência concorrencial (e moralizante) a transmitir uma entrevista a Tony Soprano, conduzida por Maria João Avillez: Não acha que é errado matar pessoas?

P.S. Olá Luís, obrigada...

quinta-feira

The usual suspects



Em 2007 hei-de assinalar 30 anos de vida. Grande parte dos meus amigos, cúmplices de longa data, já o fez ou está a fazer este ano. Hoje é a vez do Daniel. Muitos parabéns!

(Não se deixem enganar pelas fotografias. Há mais mulheres no grupo, mas houve várias que pediram para não ser identificadas.)

terça-feira

Da série "ideias para t-shirts"

I DON'T DATE POETS

Soprano talk?



- They misquoted me.
- Of course they did. That's what they do!


Episódio 68, 6ª série: Mayham*
Carmela fica furiosa com AJ e grita com o filho quando vê no noticiário que ele falou com os jornalistas, à porta do hospital onde o pai está internado e definha, depois de ter sido alvejado pelo demente Uncle Junior, entretanto detido pelo FBI. Cá fora, a mulher de Silvio incita-o a tomar atitudes e posições de "Chefe de Família", agora que Tony Soprano está com os pés para a cova, e mostra como por trás de um grande mafioso pode estar uma grande mafiosa. Vito, disforme e homossexual não-assumido (retirado do contexto, este comentário seria considerado homofóbico), é repugnante. Espero que em breve alguém lhe limpe o sebo (literalmente). Chris e restante pandilha estão muito interessados em investir na indústria cinematográfica. Com um "filme de terror" de baixo orçamento pretendem fazer milhões, seguindo o exemplo dos "asiáticos". Para ajudá-los, ameaçam um argumentista (giraço, mas um bocado pretensioso) que é viciado no jogo e que lhes deve dinheiro. Querem que ele escreva uma história sobre um mafioso que morre e depois "regressa", não se sabe ainda se vivo ou morto, para se vingar dos que o traíram. Pouco depois desta reunião ter lugar, Tony regressa do sonho (excelente) em que personifica um vendedor bem sucedido de sistemas de aquecimento, de seu nome Kevin Finnerty, recentemente diagnosticado com Alzheimer. Na sequência da taquicardia provocada pela conversa de chacha, ou melhor, pelo monólogo de chacha, ou melhor, pelo ruído de Paulie, Tony recupera do estado de coma. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

E os créditos finais, que adoro ver correr no ecrã, ao som de um tema instrumental de Daniel Lanois, que desconhecia mas cuja sonoridade associo aos ambientes de Ry Cooder, "The Deadly Nightshead" (clicar para abrir o ficheiro e ouvir). Como sempre, uma selecção musical impecável.

*A que se refere o título deste episódio...? No meu dicionário Longman de inglês contemporâneo só encontro a palavra grafada de maneira diferente: Mayhem - an extremely confused situation in which people are very frightened or excited. Parece-me bem.

Adenda: A explicação da origem de "Mayham" chegou entretanto. No site TV.com pode ler-se, na secção trivia: «The episode title comes from a mispronounciation of Paulie's, who describes the raid of the Colombian drug house as "mayham".» Um assalto que resultou em tiroteio. Paulie safou-se, mas ainda levou um pontapé que ia ficando sem balls. Não terá sido em vão. A máquina de lavar estava recheadinha de maços de notas. Obrigada pela dica, Carlos. A falar é que a gente se entende.

sexta-feira

Good moaning!

Não acham que o Ricardo Araújo Pereira e o agente Crabtree (aquele espião inglês disfarçado de polícia que fala muito mal "francês"), da hilariante série de televisão Allô Allô, são parecidos? Não? Nem sequer vagamente?

You stupid woman...

quinta-feira

Paradigma comunicacional

Registe-se a substituição na caixinha de música - na coluna à direita, já se sabe - de Wordy Rappinghood, dos Tom Tom Club, por It Ain't What You Do, dos Fun Boy Three com as minhas queridas Bananarama a fazer coro, em 1982.

It ain't what you do it's the way that you do it
It ain't what you do it's the way that you do it
It ain't what you do it's the way that you do it
And that's what gets results

It ain't what you do it's the time that you do it
It ain't what you do it's the time that you do it
It ain't what you do it's the time that you do it
And that's what gets results

You can try hard
Don't mean a thing
Take it easy
And then your jive will swing

It ain't what you do it's the place that you do it
It ain't what you do it's the place that you do it
It ain't what you do it's the place that you do it
And that's what gets results

I thought I was smart but I soon found out
I didn't know what life was all about
But then I learnt I must confess
That life is like a game of chess


E o McLuhan também é para aqui chamado.

terça-feira

Preferia não o dizer

«A solidão é um lugar-comum.»

segunda-feira

Alguma certeza deve existir


L'Eclisse, Michelangelo Antonioni, 1962

Um mês depois de o ter visto na Cinemateca, quando menos esperava dou com esta «nota de rodapé» em Bartleby & Companhia (um livro que cita muito e que também é muito citável), de Enrique Vila-Matas, na edição portuguesa da Assírio & Alvim, de que aqui fica um excerto:

(...)Tudo isso conduziu Antonioni a pensar num filme que se chamaria O Eclipse e falaria de quando os sentimentos de um casal acabam, se eclipsam (como, por exemplo, se eclipsam os escritores que de repente abandonam a literatura) e toda a sua antiga relação se desvanece.
Como nessa altura fora anunciado um eclipse total do sol, dirigiu-se a Florença, onde viu e filmou o fenómeno e escreveu no seu diário: «Foi-se o sol. De repente, gelo. Um silêncio diferente dos outros silêncios. E uma luz diferente das outras luzes. E depois, a escuridão. Sol negro da nossa cultura. Imobilidade total. Tudo o que consigo pensar é que provavelmente durante o eclipse também os sentimentos se detenham.»
No dia em que se estreou O Eclipse disse que tinha ficado para sempre com a dúvida se deveria ter encabeçado o seu filme com estes versos de Dylan Thomas: «Alguma certeza deve existir, / se não de amar, ao menos de não amar.»(...)

Para ler o original, e outra tradução, ver Seta Despedida.

quinta-feira

História do Século XIX










Senso, Luchino Visconti, 1954

A história em Veneza, com legendas em inglês, aqui.

(...)La traccia narrativa e drammatica dell'amore fra i due personaggi venne attinta dal regista da una novella di Boito definita dallo stesso "scartafaccio segreto della Contessa Livia"; questo scritto infatti si presenta come una lunga confessione sentimentale di una nobildonna veneta, inserendosi pienamente nella tradizione romantica della narrativa diaristica o epistolare. Ora si vede come lo sforzo, rintracciabile nella lunga redazione delle sceneggiature, fosse diretto a fondere armoniosamente in una decadente atmosfera il contesto storico con la vicenda intima, che forniva non pochi spunti drammatici, e questa, come fu una delle abilità del Manzoni, lo fu anche del Visconti, il quale ha dato a ogni personaggio la giusta dimensione storica e sociale, mantenendosi coerente con le linee di quel tipo di realismo che non era stile, ma un modo artistico e culturale di affrontatre la realtà umana e sociale dandone un rappresentazione plastica.(...)

terça-feira

Cinquentenário


René Lalique (1860-1945)
França, c. 1903-1904

Duas orquídeas em chifre e uma em marfim constituem o corpo deste belo diadema enriquecido ainda por um pequeno topázio em forma de gota no centro da flor de marfim. O pente de três dentes, também em chifre, é articulado ao diadema por uma charneira em ouro.

A exótica orquídea foi uma das flores símbolo do movimento estético do final do século XIX e foi tratada pelos joalheiros do período Arte Nova com muito realismo, aqui realçado ainda pela mestria técnica de René Lalique, que baseando-se sempre na flor real consegue simultaneamente conferir a esta jóia elegância e forte sentido erótico.


Se a Fundação Calouste Gulbenkian um dia tiver vontade de se ver livre de algumas peças da sua colecção, não me importo de guardar esta, por exemplo. Percebo que possa ocupar muito espaço na instituição e prometo cuidar bem dela.

O espelho Lalique (de corpo inteiro) que a mulher de Mr. Five Percent, Nevarte, tinha no seu quarto na casa da Avenue d'Iéna, em Paris, também será bem-vindo. Não encontro nenhuma fotografia dele, mas está exposto em permanência na última sala do Museu, para quem quiser admirá-lo. O objecto, não o reflexo.

sexta-feira

Diabinho

Divertido com o meu entusiasmo nos derradeiros jogos do mundial de futebol, já que eu até questionava (ansiosamente) se o aniversariante teria marcado o jantar num sítio onde se pudesse assistir ao Brasil-França, C. sugeriu-me que escolhesse um clube, para de futuro acompanhar os campeonatos e essas coisas todas. Pensei um pouco e respondi:

- Bom, por questões hereditárias, talvez o Sporting.
- Sendo assim, então não vale a pena...

quinta-feira

Let's look at the trailer

[título em português: A Águia da Estepe]



To define Dersu Uzala as a story about an aboriginal tribesman is to describe humanity through a two-dimensional photograph. Dersu Uzala is an allegory for the environmental toll of civilization, a testament to a profound, enduring friendship, and a heartbreaking portrait of aging and obsolescence.

Vi-o há uns meses atrás no Quarteto que, apesar de todo o carisma, manifestamente já não tem condições para projectar uma obra destas (nem nenhuma outra, parece-me). Má insonorização (ouvia-se o genérico de Walk the line, a passar na sala ao lado ) e o ecrã tinha uma enorme mancha mesmo no meio (nem quero saber como foi lá parar).

É um filme muito bonito, muito comovente. Com uma "estética Mosfilm" (chamo-lhe assim porque me lembrou Tarkovsky), ou não fosse uma produção nipónico-soviética dos anos 70. Ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1976, e é nessa condição que agora vai ser exibido na Cinemateca.

quarta-feira

Capitane! Capitane!



Este post destina-se a:
i) pessoas que vivem em Lisboa ou arredores e que não têm nada (melhor) para fazer na próxima segunda-feira, 17 de Julho, entre as 15h30 e as 18h;
ii) pessoas que dedicam a sua vida à reflexão e ao engate nas salas de cinema;
iii) pessoas que vão para as bibliotecas fingir que não estão perdidas, e a quem pelo menos uma vez por dia ocorre: "como é que me fui meter nisto?", mas que ainda não desistiram de elaborar um projecto de tese apresentável;
iv) todas as outras.

(continua)

Demonstração lógica

Sem ocupação remunerada, logo aborrecida.

sexta-feira

Tudo menos um sentido proibido #2

If you don't know where you are going, any road will get you there. (Lewis Carroll)