terça-feira

M. playing


Ao vivo no Bar Lounge, 29.12.05

Entretanto, nem tudo está perdido e as fotografias desfocadas saem-me sempre bem.

Mandíbula Dourada, Norman

Adenda: Resposta possível.

Bill Gates está em Lisboa?

A única coisa que pode ofuscar a alegria de ter um computador portátil novinho em folha, a reluzir, é o disco rígido do antigo pc, sem brilho, ser irrecuperável. O meu drama informático-doméstico dura há quatro dias. Hoje à tarde terei boas ou muito más notícias: aguardo sentença dos técnicos.

segunda-feira

Feminilidade de armário

Comprava vestidos mas não os usava.

sexta-feira

True lie

«Este blog acaba aqui», disse Belle de Jour.

quarta-feira

terça-feira

Acomodando o estilo aos factos (ou será ao contrário?)

«(...)Há fome e sede de notícias: todos querem saber tudo - o que pode e deve saber-se e o que não pode nem deve saber-se -, a máquina reproduz em minutos o pensamento, para ser transmitido a todos os pontos da terra(...) Cada cidadão fará um jornal: o artigo de fundo constará sempre das notícias da sua vida pública e íntima. Cada um informará o respeitável público das horas a que se levanta da cama, tendo previamente declarado como passou a noite; noticiará a que horas almoça e o que almoçou; referirá, minuciosamente, o seu jantar e as pessoas com quem jantou; dirá se o jantar estava bem cozinhado; contará se o seu gato miou, se o cão ladrou, se o papagaio está incomodado; narrará todas as miudezas da sua casa, não escapará à publicidade a mínima dor de cabeça ou de estômago; se estiver doente, publicará um boletim das moléstias, não só a seu respeito, mas de toda a sua família; enfim, todas as circunstâncias da vida caseira, as mais íntimas, serão contadas no jornal, acomodando o estilo aos factos. Deste modo, haverá um grande progresso, porque se dispensarão os curiosos de espreitar o que se passa na casa de cada um, para o virem dizer ao público: o cidadão contará, de instante a instante, a sua vida e, deste modo, fica completamente satisfeita a curiosidade geral.(...) Já se vê que, no ano 2000, todos hão-de ser amigos e colegas e, sobretudo, distintos, se já hoje há poucos que não sejam distintos; o que será quando todos tiverem o seu jornal?(...)»

Excertos de O jornalismo no ano 2000, crónica não assinada do Jornal do Comércio, de 25 de Fevereiro de 1868.

segunda-feira

O poder é afrodisíaco?

Perguntem à Maria como é que correu a noite com o Aníbal.

sábado

Vendo voto à primeira volta

Esta semana abri a caixa do correio e estava lá um envelope com o meu nome, a minha morada e uma esfera armilar dourada e resplandecente. Por baixo dizia: Presidência da República. Hã?

«O Presidente da República tem o prazer de convidar V. Exa. para o lançamento do livro da colecção Debates "A Sociedade em Rede. Do Conhecimento à Acção Política", que se realiza no dia 3 de Fevereiro de 2006, às 11.00 horas, na Fundação Calouste Gulbenkian - Auditório 2.»

A apresentação da obra vai ser feita por Manuel Castells, que é um querido (auto-linque). Muito obrigada pelo convite, Senhor Presidente, já enviei um e-mail à sua secretária a confirmar a minha presença. A esta hora deve estar a fazer as malas, não? Adeus, boa sorte e até uma próxima oportunidade.

Bem sei que a campanha eleitoral já terminou e que hoje é dia de reflexão, mas se algum dos cinco candidatos - para mim, Cavaco não conta - tivesse prometido continuar a enviar-me convites para estes eventos giros, neste momento não estaria tão indecisa.

Literatura, sexo e auto-censura


Die Spinnen, um filme de Fritz Lang, 1919

«[...] hoje, não me lembro de absolutamente nada do que estava escrito nesse livro (que se perdeu algures, involuntariamente) nem de qual era exactamente a história, mas lembro-me tintim por tintim do que estava escrito na página arrancada.»

[Conta! Conta!]

On your knees

Educação Sexual, do Eduardo.

Reflexão

Na blogosfera escreve-se abundantemente sobre política e sobre sexo. Ainda bem que as eleições presidenciais ficam resolvidas... dentro de duas ou três semanas (hoje acordei muito optimista). É que a malta tem mais em que pensar.

quarta-feira

Funeral, 2005

Sentimento

[A imagem dos ciprestes é da minha querida amiga Luísa (H.), com quem também já trabalhei.]

terça-feira

Ao sétimo dia

Corpo ausente.

quinta-feira

Lídia


1913-2006

O coração parou às 10 horas e 10 minutos da manhã.

Gosto muito de ti, Avó.

Uma notícia triste


[Público e DN de hoje]

Chamadas recebidas

11 Jan 09:48
Mãe
Vem depressa.

11 Jan 10:19
Mãe
...

quarta-feira

Soraia



Pesadelo é ter insónia(s).

sábado

Sono

Gosto tanto de dormir.

Não me acordem, por favor

Nos sonhos nunca há falta de tema.

Aleatoriedade

A minha agência noticiosa preferida.

quinta-feira

segunda-feira

Querido Ano Novo #1

Já cheguei.

Prémio Blogo-Magia

Miss S., ensine-me a fazer o truque...

sábado

Passagem

On repeat até 2006. (Também dá para dançar.)

sexta-feira

2005, pessoal e transmissível

O Melhor:
- LCD Soundsystem, 22 Junho, Lux, Lisboa;
- Mogwai, 31 de Agosto, Docapesca, Lisboa;
- Norman, ontem, Lounge, Lisboa.

Pandora

Era como se chamava a caixa de comentários.

quinta-feira

Reciclagem

Olá,
Faço parte de uma promotora recém-criada chamada conta-gotas. Vamos começar a organizar concertos a partir de janeiro. Já que queremos criar um site para ir colocando informação relativa aos espectáculos, acabei por ir parar ao blog conta-gotas.blogspot.com, que não é actualizado desde 2003. Se estiver (como parece) completamente abandonado, seria possível ceder-nos a morada?
* E eu cedi.

* recebido por e-mail a 2 de Dezembro de 2005

terça-feira

Broken flower



Por coincidência, também eu fui ver o filme de Jim Jarmusch no dia 25 de Dezembro. Na banda sonora descobri Mulatu Astatke, músico etíope, Father of Ethio-Jazz, de acordo com a Wiki. Se o Ricardo aceitasse «posts pedidos», eu pedia-lhe para um dia destes escrever sobre o disco Ethiopiques, Vol. 4: Ethio Jazz & Musique Instrumentale, 1969-1974.

Ficção

Mentira pequenina, mentira grande.

Debochometria

Fiz o teste*, mas não revelo o meu resultado para não desiludir ninguém. A não ser que o facto de ter lido, à primeira, «alguma vez expiaste sexualmente um homem?», em vez de «alguma vez espiaste sexualmente um homem?», dê pontos extra.

*via Glória Fácil

Blondes do it better

Sérgio, a cor do cabelo de Naomi Watts é-me indiferente. O mesmo não posso dizer dos restantes atributos dela.

segunda-feira

Xmas #2

Depois da meia-noite, uma imperial oferecida ao balcão. Cheers.

Xmas #1

Antes da meia-noite, sopa de castanha com umas gotinhas de limão. Delicious.

domingo

Natal (idade)

Do menino Jesus não sei nada, mas o filho do Nuno Costa Santos nasceu a semana passada. Bem-vindo!

quinta-feira

Intenção de voto

Guito, massa, carcanhol, etc.

[recebido hoje por e-mail]

Dear All:

É Dezembro e está frio. O Natal é uma circunstância - passemos adiante. Não tenho dinheiro, o que é normal. O endividamento é um problema nacional e eu devo ter sido escolhido como study case. A mama familiar, sim. Mas é cada vez mais a veritable pain in the ass (sosseguem, o meu rabinho continua incólume). O trabalho que tenho, e tenho, só daqui a uns longínquos meses renderá algum. Pouco. Os gastos que se avizinham, regulares e extraordinários, agigantam-se. É assim que tenho de dar o corpinho ao manifesto, o que é uma pena. Toda a gente sabe que tenho muito mais jeito para pensar nos meus filmes, nos dos outros, fumar cigarros e ouvir música. Às vezes até faço uma canção. Cumpro diligentemente as minhas obrigações domésticas e o piar da coruja não me é estranho. Garanto-vos que era melhor para todos se a remuneração de todas estas actividades fosse justa. Não é. Então, meus caros, se souberem de algum trabalho, temporário ou permanente, bem ou mal pago, desde que pago, nas seguintes áreas:

- cinema: qualquer função (excepto financiador);
- qualquer outra coisa que mexa com imagem, edição, som (publicidade, institucionais, televisão aaarghhh);
- antropologia (é uma ciência social ou uma perspectiva);
- tradução (técnica ou táctica, inglês, francês, espanhol, catalão, crioulo ou Tulha - a língua da República Estética de Telheiras);
- prosa (jornais, revistas, catálogos, agendas, pasquins, flyers, slogans);
- crianças (ah, as crianças! monitorizo qualquer tipo de actividade: teatro, música, filme, sono - vasta experiência no terreno);
- explicações (de tudo, para todos);
- música: lojas, concertos, rádio, aconselhamento musical (acho que muitas pessoas, privadas e colectivas, precisam mesmo de);
- tráfico de influências (pagamento em géneros).

(...)

Responsabilidade & fotocópias

Às vezes pedem-me para fazer coisas complicadas, outras vezes sinto que ando a brincar às secretárias qualificadas.

Sem cerimónia

Acho injusto não ter recebido nenhuma nomeação para o Prémio Delete Your Blog (s) 2005.

quarta-feira

Sumário

Sexo é Físico-Química.

Ementa

- Hoje apetece-me um italiano.
- Estás a falar de restaurantes?

Ralph is fine

A mulher do Miguel tem bom gosto para baptizar peluches. Se bem que Ralfe Faines também não é um mau nome para um boneco insuflável... Ermenegildo é que não.

Long live Fay Wray (1907-2004)


(no filme, o realizador a dirigir a actriz)


King Kong, 1933

Kong's dead, baby

O símio (gorila, para ser mais exacto) cai do Empire State Building, ela fica a chorar e o argumentista acaba o filme a consolá-la.

Remake

No meio de três horas de virtuosismo técnico, bicharada pré-histórica (com uns vermes a fazer lembrar o retrofuturista - quantas vezes na vida é que uma pessoa tem oportunidade de escrever esta palavra, quantas? - Dune, de 1984, note-se) e troca de olhares demorados entre Ann Darrow e King Kong, no meio disto tudo, dizia eu, Adrien Brody é mal-empregado para o filme de Peter Jackson.

terça-feira

Conjugação de pessoas giras

Eu sou gira
Tu és gira
Ela é gira
Nós somos giras

Eles também.

segunda-feira

Rewind (and reload)

Segunda-feira, Março 15, 2004

Casaco em puro linho com acabamento chintz*

Hoje a edição em papel do PÚBLICO não traz a secção dos aniversários do dia, mas publica um anúncio com o Adrien Brody - quase de página inteira - de uma marca de roupa (pág.39). Já não é a primeira vez que acontece e espero que não se repita. Por uma razão muito simples: é que não consigo prestar atenção a mais nada. Qual Zapatero, qual al-Qaeda, qual Marques Mendes. Só consigo imaginar o Adrien a piscar-me o olho. Depois, a meio do primeiro parágrafo do «Olho Vivo» dou comigo a pensar na histérica da Charlize Theron que, na cerimónia que a oscarizou, perdeu uma oportunidade única de estar calada ao pé de um dos homens mais charmosos à face da Terra.

*Agradecimentos: Ermenegildo Zegna.

posted by sara # 12:41 PM

domingo

Homens bonitos, longilíneos e bem vestidos?


Não ligo nenhuma...

[Hoje à noite tenho encontro marcado com o macaco.]

About the music

«Half the film is picture, the other half is sound. They've got to work together. I keep saying that there are ten sounds that will be correct and if you get one of them, you're there. But there are thousands that are incorrect, so you just have to keep on letting it talk to you and feel it. It's not an intellectual sort of thing.»
- David Lynch

Tenho uma ligeira obsessão por bandas sonoras, instrumentais (pelo genial Bernard Herrmann, por exemplo) ou não, para cinema e não só. Something Wicked This Way Comes, de Barry Adamson (ver Nick Cave & The Bad Seeds), retirada do disco "Oedipus Schmoedipus", faz parte da banda sonora do filme Lost Highway, de David Lynch (que também compõe), juntamente com David Bowie, Rammstein e outros. Esta música de Barry Adamson anima uma festa, numa das cenas mais perturbantes do filme (story board e diálogos aqui). Quando Fred (Bill Pullman) se afasta de Renee/Alice (Patricia Arquette) para ir buscar bebidas é abordado por uma figura sinistra, Mistery Man, que enceta com ele um diálogo não menos sinistro, enquanto a música baixa até se tornar inaudível. Depois do telefonema, à medida que Fred se afasta intrigado da personagem misteriosa, a música ouve-se de novo e a festa continua, como se o encontro tivesse decorrido num universo paralelo. É assim que eu entendo as coisas.

sábado

Bairro Alto

Estive na festa Acidental no Frágil, animada pela ala reaccionária do Quase Famosos, respondendo assim ao apelo à presença de "miúdas de esquerda". A música estava boa, mas acho que os dois djs de serviço - quando eu cheguei infelizmente o terceiro já tinha abandonado o evento com stress pré-natal - podiam ter arriscado um pouco mais, para além do que toda a gente ali presente já canta de cor. Enfim, gosto que me surpreendam. Também tenho a criticar a ausência do Ricardo cuja não comparência considero imperdoável. Por outro lado, ainda tive oportunidade de estar à conversa com a Inês. E conheci finalmente a Batukada (gira, gira, gira, tal como eu a imaginava!), um encontro feliz proporcionado pela Charlotte*, anfitriã bombástica, que me ameaçou com um deslincamento quando, armada em betinha, me cortei ao after-party de lux(o). A verdade é que não tenho pedalada para acompanhar o pessoal de direita, principalmente quando há recibos verdes que me obrigam a respeitar alguns compromissos escandalosamente matutinos no dia seguinte. Mas depois vinguei-me e dormi a tarde toda. Quando acordei, assisti a um pôr-do-sol digno de um postal à venda nos melhores estabelecimentos da Costa da Caparica.

*Gosto muito de Anita Lane (e ainda mais de Marvin Gaye) - que ainda há-de passar por aqui a cantar qualquer coisa do disco Sex O'Clock - e não conhecia essa versão do clássico Sexual Healing. Boa!

terça-feira

Desejo cósmico

Não queria estrelas mas sim planetas.

Nudez masculina

- Esteticamente, não funciona.
- Acho que foi por isso que Deus criou a Mulher.

O prazer leva ao prazer

Começou a fumar no dia em que...

sábado

Continuidade

Lisboa, 10 Dezembro 2005

Querida Luísa,
Aqui tens o poema de Herberto Helder que me pediste, publicado em "Ou o Poema Contínuo", pela Assírio & Alvim, em Setembro de 2004. Espero que assim possas dissipar as dúvidas que te surgiram quanto à pontuação, métrica, versos e mesmo algumas palavras que te parecem diferentes na edição que encontraste aí em Barcelona.

Tríptico
II

Não sei como dizer-te que minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
- eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
- E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
- não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço -
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave - qualquer coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe, o amor,

que te procuram.


Fiz a cópia do poema cuidadosamente, sentada num cantinho da Fnac (Chiado). Ao meu lado estava um amigo, que já não encontrava há algum tempo, embrenhado na leitura de "À Espera de Godot". Contou-me que tem ido lá todas semanas para ler algumas páginas, deixa o livro na estante marcado com um papel e quando volta encontra-o sempre à sua espera... Também achei curioso descobrir que em "Ou o Poema Contínuo", a seguir ao Tríptico, vem O Amor em Visita. Já lá vão alguns anos desde que li este poema pela primeira vez e lembrei-me dum episódio que se passou quando andava na faculdade. Tive um professor de literatura portuguesa contemporânea de que gostei muito, não sei se pelos poemas que ele escolhia, se por me ter introduzido a alguns autores que só conhecia de nome (Jorge de Sena, por exemplo) ou se seria apenas pela forma estimulante como falava sobre literatura. Sei que durante um semestre me senti completamente arrebatada. Participava muito nas aulas (mais do que o habitual), mas era sempre o professor que fazia a leitura dos poemas. Até que, no dia em que começou a falar de Herberto Helder, pediu para que fosse eu a ler o início d'O Amor em Visita:

Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra
e seu arbusto de sangue. Com ela
encantarei a noite.
Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher.
Seus ombros beijarei, a pedra pequena
do sorriso de um momento.
Mulher quase incriada, mas com a gravidade
de dois seios, com o peso lúbrico e triste
da boca. Seus ombros beijarei.
(...)


A leitura até correu bem - era a primeira vez que lia aquele poema - mas foi demasiado intenso para mim. Estávamos em Junho, fazia muito calor... Fiquei zonza, pensei que desmaiava! Entretanto ele foi pedindo a outros colegas que também lessem e eu fiz um esforço para conseguir disfarçar o meu embaraço. Provavelmente ninguém reparou (nem mesmo o professor), mas seja como for não abri a boca nem voltei a pôr o dedo no ar nas aulas seguintes. Pouco depois chegaram as férias do verão (e ainda bem). Estou convencida que o dezoito que apareceu na pauta, tendo sido a classificação mais alta da turma, se deveu mais ao meu entusiasmo do que a qualquer outra coisa.

Como tens passado os últimos dias? O sol continua a brilhar? E os churros com chocolate quente, ao final da tarde, no café da Ópera? Obrigada também pelos passeios nas ruelas da Ciutat Vella. As deliciosas tapas e as esquinas. Em casa, os cigarros fumados na varanda e os (sor)risos.

Um beijo da tua amiga,
Sara

P.S. Só depois de ter transcrito para o meu bloquinho o poema de Herberto Helder é que me ocorreu procurá-lo na Internet. Pois encontrei-o, num blogue que costumo visitar, o Diotima. (E aqui a primeira parte do Tríptico.) Ficas ainda a conhecer o Vidro Duplo, que tem um interesse muito limitado mas... é meu.

quarta-feira



Oviedo, 20-V-902
Querida María Luisa: recibi con gran alegría el retrato de la rica Mª Luisina que esperaba todos los dias, pero he de confesarla puesto que en ellos estamos de acuerdo, que es más mono(?), much más, el original. Sin embargo es un recuerdo de ella y le estoy à V. muy agradecida, querida amiga. - Hoy tengo otra pretensión, y decididamente voy à parecerle caprichosa; estoy haciendo un album de tarjetas postales (esta colección aquí, es chifladura) y al tener en el la firma de amigas queridas, no he podido ménos de pretender la de V. ¿Querrá V. mandarme una y dispensar esta cariñosa pretensión? Le prometo para muy pronto una larga carta en contestación à la de VV que tanto nos han hecho gozar. (imperceptível) está buenísima, ya callejea y ha ido un dia al paseo de moda: pero se cuida mucho, pues se ha quedado aprensiva. - De V. un abrazo mio, à mi queridísima Dª Petra, recuerdos à su marido, (imperceptível) y esos chiquitos, y para V. el cariño con que la recuerdo todos los dias, su ami(?) Mercedes Diaz

sábado

Postat (de Barcelona)

Molt bé.

quinta-feira

Amadora

Resolvi andar na rua
com os olhos postos no chão.
Quem me quiser que me chame
ou que me toque com a mão.

Quando a angústia embaciar
de tédio os olhos vidrados,
olharei para os prédios altos,
para as telhas dos telhados.

Amador sem coisa amada,
aprendiz colegial.
Sou amador da existência,
não chego a profissional.


António Gedeão, "Amador sem coisa amada"

[para a Helena, leitora devidamente identificada]

Cantiga de amigo



O João aka Monsieur Cochon é um dos meus melhores amigos. Teve em tempos uma banda com o Daniel e amanhã (hoje) vai dar um concerto. Pedi-lhe uma música para pôr a tocar aqui no blogue, talvez a minha preferida, "Mademoiselle Désir", embora não tenha a certeza que se chame assim. Tentei confirmar essa informação, mas o artista manteve-se incontactável até à hora do fecho deste post.

Monsieur Cochon (clicar para ouvir)

Mostra de novos cantautores portugueses em Dezembro no Lounge*, às quintas-feiras, pelas 23h. Entrada livre.

*Monsieur Cochon dans la phôto.

Agenda blogosférica

Quero ir ao próximo concerto de Ninivitas. Não sei quando é, mas fica já marcado.

«música é apenas notas, sustenidos e bemóis»
(Voz do Deserto, Religião e Panque-Roque)

terça-feira

One more time

Daft Punk está a tocar em casa dele. E o linque? Isso é que interessa. Vá lá, vá lá, vá lá...

Educação Sentimental

Postais de Londres.

segunda-feira

Embriaguez


Revisto ontem à noite na TV.

Third Floor Hallway, Jon Brion
(da banda sonora do filme)

Sara's cut

Comecei a ler o BdE em Janeiro de 2003. Foi o primeiro blogue que conheci. Depois a Coluna Infame, etc... A 25 de Maio* de 2003, o Zé Mário viu a Margarida, que escrevia no Ponto e Vírgula, pela primeira vez.

26 de Maio de 2003, no BdE I

POST PARA UMA SÓ VOZ. (abrimos parêntesis, fechámos parêntesis; sem saber ainda o que nascia ali, entre acasos e copos de chá)
posted by José Mário at 00:08

TEORIA DA RELATIVIDADE. Às vezes, três horas não são três horas. São cinco minutos.
posted by José Mário at 00:09

A FRASE CERTEIRA. «Todos os encontros que temos na vida são, de um modo ou de outro, blind dates, porque nunca adivinhamos o futuro», diz o Modus Vivendi. E eu não poderia estar mais de acordo.
posted by José Mário at 00:09

DEPOIS DA ROSA. Um mistério é um mistério é um mistério.
posted by José Mário at 00:09

INTERMEZZO LÍRICO. Pedimos desculpa aos nossos leitores pelos desvarios «umbiguistas» do Zé Mário nos posts anteriores (não tarda nada começa a falar «no frio desta noite infinita» e está perdida a nossa reputação...). Como está escrito, preto no cinzento, aqui mesmo na coluna ao lado, este blog é sobre POLÍTICA, CULTURA, IDEIAS, OPINIÕES, MANIFESTOS & ETC. Gostariamos de deixar bem claro que este «etc.» não vai, em nenhum caso, até ao diário sentimental. O Blog de Esquerda segue portanto dentro de momentos, sem mistérios nem suspiros, apenas com comentários sobre as eleições em Espanha, notícias das greves em França, citações de Marcuse e apontamentos sobre a vida de Babeuf. Ou seja, uma cura de marxismo crítico, puro e duro. Preparem-se...
posted by Manuel at 18:19

MANEL, O LÚCIDO. E pronto, alguém tinha que pôr ordem na casa. Obrigado, Manel: chamaste-me à razão. A autocrítica ao estilo maoísta vem já aí.
posted by José Mário at 21:16

AUTOCRÍTICA AO ESTILO MAOÍSTA. Camaradas: aqui estou, de joelhos, a pedir-vos clemência. Eu sei que não procedi bem. Tinha o caminho recto à minha frente e desviei-me. Estavam à minha guarda os altíssimos desígnios deste blog e posterguei-os. Fui fraco, caprichoso, fútil e «umbiguista» (como sem rebuço afirmou o camarada Manel). Fui enigmático, dúbio, inconsequente e, sobretudo, incapaz de dirigir os meus esforços, a preciosa energia do meu intelecto, para a procura do bem comum. Revelei-me, em suma, lamentavelmente burguês. Por isso vos peço que me condenem já e com dureza, pois diante de tão horrendo crime qualquer pena será leve.
Sim, camaradas, de cabeça baixa o admito: por muito que a palavra me queime os lábios ao pronunciá-la, eu fui um miserável traidor da nossa sempiterna causa. Venham de lá as chibatadas, as masmorras infectas, o livrinho vermelho e as tijelas de arroz mal cozido. Eu mereço isso tudo e muito mais.
posted by José Mário at 21:44

(...)

29 de Julho de 2003

LEIAM SHAKESPEARE E CONFIRMEM. A mais violenta de todas as coisas: o amor.
posted by José Mário at 15:00

06 de Novembro de 2003

SEM TÍTULO. «Uma nota de exagerado teor intimista: os melhores filmes da vida passam num ecrã ecográfico», escreveu o Tiago, mestre do minimalismo bloguístico. É bom saber que há outros líricos por aqui.
posted by José Mário at 18:49

30 de Novembro de 2003, no BdE II

SEIS MESES
Isto é: 184 dias, 4.416 horas, 264.960 minutos, 15.897.600 segundos.
Publicado por José Mário Silva

25 de Junho de 2004

EPIFANIA
Hoje senti pela primeira vez, noutro corpo, o bater do meu coração.
Publicado por José Mário Silva

Em Fevereiro de 2005 nascia a Alice e aqui podem vê-la a dizer adeus ao BdE, em Novembro de 2005. Obrigada a todos os que fizeram o Blogue de Esquerda nestes últimos três anos e até já, Zé Mário.

* 25 de Maio é a data do meu aniversário e do Filipe "Super Mário" Nunes também.

domingo

Trivia

Afinal, há coincidências.

sábado

Sabia que...

... o nome completo é Sara R. S. de Soares Pais?

Última adenda até ao final deste mês: Por acaso, caro Bombyx Mori, o S que sobra é de Silva. Mas não tenho nada a ver com a figura pidesca! Quanto muito seria aparentada deste senhor de Classe Média. (E dou um rebuçado a quem adivinhar o R.)
Falso alarme, era a penúltima: Imailaram-me entretanto sugerindo que o R só pode ser de Romana ou de Roberta. Isso é que era! Mas não, é um R de Reis, outro apelido extremamente incomum. O Daniel M. não acertou mas leva o rebuçado na mesma, pela simpatia e por ter um blogue chamado b-site.

quinta-feira

Só para acusar no Frescos

A administração anda muito descontente com a fraca audiência deste blogue. Qualquer dia sou despedida.

Adenda 1: Três horas e meia depois... Nada. É boicote.
Adenda 2: Seis horas depois... Quanto é que te pagam para escreveres no Pulo do Lobo, maradona?
Adenda não há 2 sem 3: Seis horas e alguns minutos depois... Macacos me mordam se não sou intuitiva. Hoje à tarde, quando fiz este poste, ainda não sabia que o Jorge Madeira tinha aderido à causa blogo-cavaquista (com minúscula).

Ó MacGuffin...

... e quantos dias é que faltam para actualizares o meu linque - estou viciada nas Novas Ortografias - aí na tua chafarica?

Adendinha: Não me ligas nenhuma, pá.

terça-feira

Bibelot

Tenho um mega linque(!) no Super Mário e portanto sinto a obrigação moral de dizer qualquer coisa significativa sobre as presidenciais (escreve-se com maiúscula?). Então aqui vai: se eu tivesse um blogue anti-Cavaco chamar-lhe-ia O Homem Que Engoliu Um Cabide Mas Que Raramente Se Engasga. Consta que o nome Vivenda Mariani já está tomado.

segunda-feira

Rede

Basicamente, gosto da "blogosfera" e de fazer links.

His Music

Gosto de ouvir o que vai passando no What Do You Represent (e o google indicou-me este site, onde dá para ouvir quatro faixas de um outro disco, Zoomer, de 2002).

Her Music

Gosto de ouvir o que vai passando no Mood Swing ("canastrões" incluídos, mas também ainda não consegui perceber onde fica o Clube Lua).

domingo

What kind of a writer are you?

Nunca pensei em ser escritora, mas sempre gostei de fazer testes de escolha múltipla (há mais aqui). Por isso, submeti-me ao que o JPG transcreveu do Jornal de Letras, publicado no início dos anos 80. Estava tudo a correr muito bem, mas quando cheguei à parte de fazer corresponder respostas e cotações, não percebi como fazê-lo, o que me leva desde logo a concluir que devo ser muito pouco dotada. Não sei se isso se deve ao facto de eu ter mais frio nos pés (pergunta 1), de que para mim a aventura é ser detective privado em São Francisco (pergunta 14), de achar que a mais bela declaração de amor é «Faz-me um filho» (pergunta 20) ou de que eu gostava de lhe atirar à cara uma luva (pergunta 23). Também daria uma festa na tasca da esquina (pergunta 24). Seja como for, somei as letras das minhas respostas da maneira mais simples e obtive o seguinte resultado, quanto ao Género Literário: «Reflectido (B e E dominantes) - Facilmente obcecado pelo porquê e o como das coisas. Muitas vezes esteta, algumas vezes snob. De Bernard-Henry Lévy a Voltaire; mas também Breton, Faulkner, Freud, Gide, Proust, Rimbaud, Yourcenar.» Não percebo o como, nem o porquê deste resultado.

No fio instável dos dias

Será que quis dizer desassossego?

sábado

My Music*

A Vieira do Mar explicou pormenorizadamente o processo através do qual, em linguagem corrente, se podem pôr a tocar no blogue as músicas que temos no computador, coisa que sempre desejei fazer. Seguindo atentamente as instruções e chegando à parte mais complicada (fazer os uploads), saltei directamente para o passo: "ligar para a assistência do serviço de Internet", no meu caso a Netcabo. Tive a sorte de ser atendida num sábado à tarde por um "carola" simpático e sobretudo muito prático. Num minuto explicou-me o que fazer: abrir o Internet Explorer (ou outro browser qualquer) e escrever ftp://xxxxxxxxxx@pwp.netcabo.pt/, sendo que o xxx... é o número de cliente. Enter. Aparece uma janela com aspecto de pasta e depois arrasta-se para aí o ficheiro de música desejado. O upload é feito automaticamente. A seguir copiar o URL do ficheiro para o espaço entre aspas de um código HTML, que se pode colocar no template ou num post, e o resultado final vai ser este: - o problema é que não é possível visualizar aqui este comando em linguagem HTML (com letras, números, aspas, etc) porque o Blogger reconhece-o. Não sei se me faço entender... Mas eu facilito: se alguém estiver interessado, envie-me um email com o subject "código HTML" e que inclua a frase: "A Sara é generosa." Eu mando de volta o dito cujo. Atenção que o servidor (para onde vão despejar as músicas) tem um espaço limitado para cada utilizador. No meu caso, 15MB. Em média, um ficheiro de música tem cerca de 4MB.

Já agora, o meu username no Soulseek para fazer downloads é "sarock". Help yourself. Também costumo comprar discos, mas se um dia for presa, por favor, visitem-me e levem-me bolo de chocolate.

*Size on disk: 13,71 GB (bytes que nunca mais acabam); Contains: 3710 files, 217 folders;

sexta-feira

A actualidade nunca foi o meu forte


Summer, Anthony Donaldson, 196?

Sometimes a pony

where does an animal sleep when the ground is wet?
cows in the ballroom, chickens in the farmer's corvette.
sometimes a pony x3 gets depressed!

how does an animal see once the sun has set?
bandits in the capital. limited civilian unrest.
sometimes a pony x3 gets depressed!

what kind of animal needs to smoke a cigarette?
grass in the pasture is sharper than a bayonet.
sometimes a pony x3 gets depressed!

"happiness won't leave me alone!" sings the bird in his nest.
"get a load of this fucking view, it's the best in the west!"
sometimes a pony x3 gets depressed!


Silver Jews, Tanglewood Numbers, Nashville, Tennessee

segunda-feira

Género



Queríamos uma coisa ligeira. A escolha acabou por recair em Anthony Zimmer, um thriller francês, de realizador desconhecido, com um argumento que me surpreendeu e Sophie Marceau, que é linda de todos os ângulos. Acertámos na mouche.

domingo

Imagem

Mas que a tua demora seja breve:
com o tempo as saudades diminuem.
Apaga-se a imagem do ausente
e logo a vida um novo amor desenha.

Ovídio, Arte de Amar, Tradução de Natália Correia e David Mourão-Ferreira, Vega, 1994, pp.88

Apagar é humano

«Passava a vida a limpar a sua imagem. Até que, um dia, sem querer, apagou-a.»

posted by Melancómico

Delete, uma ciência imperfeita

O meu primeiro blogue.

sexta-feira

Rádio Motown


Marvin Gaye & Tammi Terrell

Ain't No Mountain High Enough (1967)

Vai-se andando

Trata-se de imaginar como várias personagens responderiam à pergunta "Como vai?" Inicialmente, o jogo foi realizado com (...) Depois reciclei as sugestões à minha maneira.

- Édipo: «A mãe é feliz.»
- Dâmocles: «Poderia ser pior.»
- Ulisses: «Não respondo, pode tirar o seu cavalinho da chuva.»
- Pitágoras: «Dá tudo certo.»
- Sócrates: «Não sei.»
- Platão: «Idealmente.»
- Aristóteles: «Sinto-me em forma.»
- Epicuro: «Estou mal-disposto.»
- Onan: «Contento-me.»
- Joana d'Arc: «Está calor.»
- Nostradamus: «Quando?»
- Henrique VIII: «Eu bem, a minha mulher é que...»
- Vivaldi: «Conforme as estações.»
- Newton: «Regularmente.»
- Robespierre: «Estou sem cabeça para isto.»
- Sade: «Eu, tudo bem.»
- D'Alembert e Diderot: «Não se pode dizer em duas palavras.»
- Kant: «Situação crítica.»
- Hegel: «Em síntese, bem.»
- Marx: «Irá melhor.»
- Darwin: «Uma pessoa adapta-se.»
- Proust: «Vamos dar tempo ao tempo.»
- Kafka: «Sinto-me um verme.»
- Madame Curie: «Sinto-me radiante.»
- Freud: «Diga o senhor.»
- Popper: «Prove que vou mal.»
- Camus: «Uma peste.»
- Judas: «Com um sorriso nos lábios.»
- Jerónimo Bosch: «Mas que diabo quer?»
- Ghandi: «O apetite não falta.»
- Agatha Christie: «Adivinhe.»
- Einstein: «Relativamente a quem?»
(...)

Umberto Eco, O segundo diário mínimo, Difel, 1993, pp. 336-339

sms (correio dos leitores)

«Não fazia ideia que tinha havido outra vez dança de blogs. Gosto do nome. Não gostava do anterior. Beijo»

terça-feira

Rádio Dancing Queen



Goste-se ou não, ninguém pode negar que Madonna sabe muito bem o que faz. Rodeia-se dos melhores produtores de música (dançável), já para não falar da estética, e normalmente não falha nas suas opções. O último single, Hung Up (está a tocar no Controversa Maresia), como quase sempre, dá logo vontade de abanar a anca, sobretudo pelo tom disco, a que não será alheia a utilização de um (ou será uma?) sample dos clássicos Abba, da música Gimme Gimme Gimme. Lembrei-me entretanto do DJ francês Mirwais, que se não me engano já produziu dois discos de Madonna e que também participou na banda sonora de Snatch (2001), filme realizado pelo marido dela, Guy Ritchie, com interpretações de Brad Pitt e Benicio Del Toro (suspiro), entre outros. Acho que o meu tema preferido dessa banda sonora - o Lucky Star de Madonna não conta, porque eu já o conhecia de ginjeira - é precisamente Disco Science, de Mirwais (totalmente "instrumental"). E o que tem de especial esta música - para além das chicotadas virtuais? Nada mais nada menos do que um (ou será uma? - talvez algum dos Quase Famosos me possa tirar esta dúvida existencial) sample de Cannonball, das Breeders, banda alternativa da queridíssima Kim Deal (Pixies). Ideal para um pézinho de dança num infernal sábado à noite, mas também serve para ouvir no carro, numa 3ªfeira à tarde, a caminho das aulas.

Disco Science, Mirwais

segunda-feira

Post-graduate trend

(no secretariado)

- Boa tarde. Queria fazer a inscrição nas cadeiras optati...
- Adoro a sua mala.

Eu hoje acordei assim...

«(...) A razão da existência de um Ministério da Cultura está para além da mera distribuição de apoios às artes.
Está em primeiro lugar na capacidade de entender e fazer entender a criatividade, as suas novas formas e as suas indústrias e estimulá-la para além dos quadros tradicionais em que se colocam as artes e os artistas. Está em segundo lugar na capacidade de fazer entender que a cultura que se supõe que o Ministério cuide ultrapassa hoje o campo restrito das artes e atravessa e é atravessado pelas práticas e conhecimentos que decorrem das evoluções científicas e tecnológicas e que sofre as consequências de uma economia que assenta na disputa de espaços de comunicação.
(...) e ao contrário do que muitos afirmam desconsiderando a política na vida cultural, ela nunca foi tão fundamental porque em Portugal, como aliás em toda a Europa de hoje, as políticas para a cultura afectam, de um modo decisivo, a vida em geral dos cidadãos.»

António Pinto Ribeiro, Da vida em geral e da política em particular, no PÚBLICO de hoje.

Não é por trabalhar actualmente em alguns projectos com APR que me identifico com as suas opiniões, mas sim o contrário. É por esta e por outras que gosto de trabalhar com ele. [Só não me conformo que poupe tanto nas vírgulas, mas também admito que eu, muitas vezes quando escrevinho, possa pecar por excesso.]

sábado


Kate, Gary Hume, 1996

Eco

[para a Charlotte]

Marcel Proust

Vou contar sem nenhum véu
o que a Proust aconteceu
que era um velho cataplasma
oprimido pela asma
com a vida vigiada
por uma velha criada.
Mas um dia enquanto à tardinha
chá bebendo se entretinha,
sentiu na boca um gosto arcano,
indizível, sobre-humano,
como se em casa não estivesse,
fraco e opresso pela tosse,
mas de repente, bem se vê,
se encontrasse já em Combray,
quando às saias agarradinho
da avó e da mãezinha
adormecia o coitadinho
depois do último beijinho
(que esperava perturbado,
com o coração alterado,
como se fosse aquele gentil
beijo como um Perequil).
Preso na calha morta
da lembrança, com a torta
ainda de tília embebida
na garganta, de seguida,
o Marcelo de repente
um programa viu à sua frente
e decidiu sem hesitar
seu refúgio procurar
das asperezas do presente
numa acção progrediente
de procura do passado
já perdido e reencontrado
por magia extraordinária
de memória involuntária.

E voltou sem hesitar
os Campos Elísios a recordar,
quando alegre ao livre ar
com Gilberta ia brincar -
que traiu, que triste fim,
com a gótica Albertina,
maliciosa campesina
que de bicicleta vinha.
E muito, a bem dizer,
na praia teve que fazer,
e alcançou por fim o clou
ao conhecer Saint-Loup.

Revivia em seu coração
de Verdurim o salão,
onde ele se armava em fã
daquele dandy de Swan
(que muito foi falado
por com Odette ter casado
que era sim uma concubina
mas de classe superfina...)
e com muita discrição
de Charlus a perversão
tolerou com o fim insano
de parecer mais mundano,
filiado na camorra
de Sodoma e Gomorra.
Finalmente cumpre o voto
e acede, pio e devoto,
ao santuário assaz charmant
onde oficiam os Guermantes.
Mas apenas isso contar
claro que não vos põe a par
do sentido substancial
dessa viagem temporal
que Marcel soube encarar
em medida tão exemplar.
Ler sem ser interrompido
esse romance desmedido
eu garanto, e é sabido,
que não é tempo perdido.

Umberto Eco, O segundo diário mínimo, Difel, 1993, pp. 290-292

quinta-feira

Hoje não saio de casa


O Helen, I Roam My Room (1970), Patrick Caulfield

quarta-feira

Palavra do dia: Ai (sem acento no i)

Hoje acordei cedinho, bem disposta, penteado novo («Vou-lhe abrir o olhar», disse a cabeleireira com a tesoura apontada à minha franja, que me andava a causar um problema sério de visibilidade), já tinha a reunião da manhã preparadinha, uma série de posts giros para fazer (a cores e tudo), e ontem à tarde tive uma surpresa tão boa (só espero estar à altura do simpático convite com sotaque açoreano). Ainda tive tempo de ler o jornal e ir à mercearia comprar espinafres para fazer uma sopa saborosa e estou convencida que não engordei, mesmo depois de ter comido duas fatias de bolo de chocolate obscenamente grandes na semana passada. Portanto, estava tudo a correr sobre rodas.

Eis senão quando... Alegre e contente a conduzir a minha viatura, ao som de Les Rythmes Digitales, um polícia manda-me encostar. Primeira constatação: este palhaço vai-me fazer chegar atrasada à reunião. Segunda constatação, depois dele me pedir os documentos: será que este tipo não tem mais nada para fazer? De certeza que naquele preciso momento estaria alguém a assaltar uma loja ou a cometer um atentado ao pudor pelas redondezas. «A validade da inspecção expirou em Outubro», disse ele com ar grave, ostentando um bigode hirto, e sobretudo ridículo. «Vai ser autuada em 250 euros.» Ai. «Como?! Senhor Guarda... Eu sou humana, distraída, seja compreensivo, esse bigode fica-lhe tão bem...» Resposta: «Pode pagar em dinheiro, cheque ou multibanco. Já chamámos uma viatura com essa funcionalidade. Se não pagar agora, apreendo-lhe a carta, que só será devolvida quando efectuar o pagamento.» #%/YH#"#$%&/, pensei eu. Que remédio, tive de pagar. Mas não sem antes lhe ter agradecido ter-me estragado o dia, e espero que esteja satisfeito com a sua boa acção, e que bela maneira esta de desperdiçar os recursos do estado, gastando o dinheiro dos contribuintes a chamar viaturas da polícia com um terminal de multibanco, espero que lhe sejam retiradas todas as regalias na reforma, que arda no inferno e por aí em diante. É claro que, à luz da lei, a razão estava do lado dele. Mas caramba! CINQUENTA CONTOS devido a uma distracçãozita, não fiz mal a ninguém... Agora estou infeliz a pensar onde vou ter de cortar nas despesas nos próximos tempos para equilibrar umas contas que já não estavam muito equilibradas. Lá se vai o arranjo do bate-chapas por causa daquela amolgadel... err... Não interessa.

De volta a casa, encontrei pelo caminho a Joana Amaral Dias num cruzamento. Quer dizer, se calhar não era ela. Podia ser aquela sósia que é mandatária da juventude daquele senhor, ai, como é que ele se chama? Um senhor assim com uma certa idade, idade para ter juízo, que já fez o que tinha a fazer na vida política portuguesa, protagonismo quanto baste, e agora arrisca-se a passar a humilhação da vida dele. Chorará as suas mágoas bebendo trinaranjus com os seus netinhos, que devem ser mais velhos do que eu. São rosas, senhor.

Vai daí, fui ao frescos, à procura de algo que me animasse. Via Bomba Inteligente, cheguei à Mal Amada. Fartei-me de rir, mas não é um blogue aconselhado aos mais impressionáveis. Para recuperar a minha boa disposição, que ficou encolhida numa esquina, algures na Av. da Liberdade, bom mesmo seria aparecer no destaque do Bomba Inteligente (cliquem muito, por favor, senão ela não repara), ao pé da Mal Amada. Afinal, tenho algumas afinidades com a Ma, nem que seja o facto de ambas possuirmos um aparelho reprodutor feminino. Por outro lado, duvido muito que ela fosse tão descuidada (ou idiota, conforme a perspectiva) ao ponto de deixar, como eu fiz, que lhe roubassem o ex-URL, onde agora está alojado um pseudo-blogue chamado "Mega Cock Cravers" (que coisa linda), sem que eu tenha grandes hipóteses de reencaminhar para aqui algumas pessoas que gostam de ler os meus dislates (ainda deixei lá um comentário, coisa que não serve de muito). Mas enfim, ninguém tem culpa que o meu carro ande ilegal por essa cidade fora, a não ser eu própria, como é evidente.

Agora pareço uma metralhadora, a teclar duzentos caracteres por segundo. Desculpem, mas tinha de desabafar. Ai. 50 contos. O segurança do Instituto ainda foi simpático, como sempre. Tendo assistido à cena toda que envolveu o agente da autoridade, ofereceu-se para me estacionar o carro e pagou-me o parquímetro. Quando quis reembolsá-lo, recusou. «Sôtoura, deixe lá. Hoje já gastou tanto dinheiro...» Engraçadinho.

Entretanto, os periquitos do vizinho estão-me a infernizar a cabeça. Acho que vou ali partir um prato para soltar a minha raiva. Não, talvez seja má ideia. Já seriam 50 contos, mais uns trocos. Preciso de poupar. Em vez disso, vou mas é respirar fundo e enfrentar isto como uma mulherzinha, que é como diz, marcar a inspecção do carro. Ai.

Mas ainda não é tudo! Acabo de ler um curriculum, de onde consta na secção "Actividades Cívicas" que o dito cujo «foi Administrador de Condomínio na Rua X, entre 2001 e 2002». Merecia ser autuado. Meu deus, que mais me irá acontecer?

Uns minutos depois... leio uma resposta possível: o Blogue de Esquerda vai acabar no final deste mês.

terça-feira

Ontem ouviram-se sirenes

Hoje tocam os sinos.

Desmemória colectiva

Eu esqueço-me e os outros também.

domingo

Ink


Espace Naturelle (2000), Gao Xingjian

«The music - Bach, Messiaen, Kodaly, Reich, jazz or Chinese folk music - is necessary, listened to repetitively for as long as needed, for several days, he says, before the painting begins to appear.»

Inward Gaze, Asian Art News, May/June 2005

Mozart swinga

bloggers a escrever com muita graça e engenho sobre música. Por exemplo, no Pitau Raia.

Alta literatura

Arruma-se nas estantes de cima.

sexta-feira

Post confessional

Deixei queimar o jantar.