One more time
Daft Punk está a tocar em casa dele. E o linque? Isso é que interessa. Vá lá, vá lá, vá lá...
Daft Punk está a tocar em casa dele. E o linque? Isso é que interessa. Vá lá, vá lá, vá lá...
posted by sara at 13:24

Revisto ontem à noite na TV.
Third Floor Hallway, Jon Brion
(da banda sonora do filme)
posted by sara at 02:23
Comecei a ler o BdE em Janeiro de 2003. Foi o primeiro blogue que conheci. Depois a Coluna Infame, etc... A 25 de Maio* de 2003, o Zé Mário viu a Margarida, que escrevia no Ponto e Vírgula, pela primeira vez.
26 de Maio de 2003, no BdE I
POST PARA UMA SÓ VOZ. (abrimos parêntesis, fechámos parêntesis; sem saber ainda o que nascia ali, entre acasos e copos de chá)
posted by José Mário at 00:08
TEORIA DA RELATIVIDADE. Às vezes, três horas não são três horas. São cinco minutos.
posted by José Mário at 00:09
A FRASE CERTEIRA. «Todos os encontros que temos na vida são, de um modo ou de outro, blind dates, porque nunca adivinhamos o futuro», diz o Modus Vivendi. E eu não poderia estar mais de acordo.
posted by José Mário at 00:09
DEPOIS DA ROSA. Um mistério é um mistério é um mistério.
posted by José Mário at 00:09
INTERMEZZO LÍRICO. Pedimos desculpa aos nossos leitores pelos desvarios «umbiguistas» do Zé Mário nos posts anteriores (não tarda nada começa a falar «no frio desta noite infinita» e está perdida a nossa reputação...). Como está escrito, preto no cinzento, aqui mesmo na coluna ao lado, este blog é sobre POLÍTICA, CULTURA, IDEIAS, OPINIÕES, MANIFESTOS & ETC. Gostariamos de deixar bem claro que este «etc.» não vai, em nenhum caso, até ao diário sentimental. O Blog de Esquerda segue portanto dentro de momentos, sem mistérios nem suspiros, apenas com comentários sobre as eleições em Espanha, notícias das greves em França, citações de Marcuse e apontamentos sobre a vida de Babeuf. Ou seja, uma cura de marxismo crítico, puro e duro. Preparem-se...
posted by Manuel at 18:19
MANEL, O LÚCIDO. E pronto, alguém tinha que pôr ordem na casa. Obrigado, Manel: chamaste-me à razão. A autocrítica ao estilo maoísta vem já aí.
posted by José Mário at 21:16
AUTOCRÍTICA AO ESTILO MAOÍSTA. Camaradas: aqui estou, de joelhos, a pedir-vos clemência. Eu sei que não procedi bem. Tinha o caminho recto à minha frente e desviei-me. Estavam à minha guarda os altíssimos desígnios deste blog e posterguei-os. Fui fraco, caprichoso, fútil e «umbiguista» (como sem rebuço afirmou o camarada Manel). Fui enigmático, dúbio, inconsequente e, sobretudo, incapaz de dirigir os meus esforços, a preciosa energia do meu intelecto, para a procura do bem comum. Revelei-me, em suma, lamentavelmente burguês. Por isso vos peço que me condenem já e com dureza, pois diante de tão horrendo crime qualquer pena será leve.
Sim, camaradas, de cabeça baixa o admito: por muito que a palavra me queime os lábios ao pronunciá-la, eu fui um miserável traidor da nossa sempiterna causa. Venham de lá as chibatadas, as masmorras infectas, o livrinho vermelho e as tijelas de arroz mal cozido. Eu mereço isso tudo e muito mais.
posted by José Mário at 21:44
(...)
29 de Julho de 2003
LEIAM SHAKESPEARE E CONFIRMEM. A mais violenta de todas as coisas: o amor.
posted by José Mário at 15:00
06 de Novembro de 2003
SEM TÍTULO. «Uma nota de exagerado teor intimista: os melhores filmes da vida passam num ecrã ecográfico», escreveu o Tiago, mestre do minimalismo bloguístico. É bom saber que há outros líricos por aqui.
posted by José Mário at 18:49
30 de Novembro de 2003, no BdE II
SEIS MESES
Isto é: 184 dias, 4.416 horas, 264.960 minutos, 15.897.600 segundos.
Publicado por José Mário Silva
25 de Junho de 2004
EPIFANIA
Hoje senti pela primeira vez, noutro corpo, o bater do meu coração.
Publicado por José Mário Silva
Em Fevereiro de 2005 nascia a Alice e aqui podem vê-la a dizer adeus ao BdE, em Novembro de 2005. Obrigada a todos os que fizeram o Blogue de Esquerda nestes últimos três anos e até já, Zé Mário.
* 25 de Maio é a data do meu aniversário e do Filipe "Super Mário" Nunes também.
posted by sara at 01:35
... o nome completo é Sara R. S. de Soares Pais?
Última adenda até ao final deste mês: Por acaso, caro Bombyx Mori, o S que sobra é de Silva. Mas não tenho nada a ver com a figura pidesca! Quanto muito seria aparentada deste senhor de Classe Média. (E dou um rebuçado a quem adivinhar o R.)
Falso alarme, era a penúltima: Imailaram-me entretanto sugerindo que o R só pode ser de Romana ou de Roberta. Isso é que era! Mas não, é um R de Reis, outro apelido extremamente incomum. O Daniel M. não acertou mas leva o rebuçado na mesma, pela simpatia e por ter um blogue chamado b-site.
posted by sara at 00:17
A administração anda muito descontente com a fraca audiência deste blogue. Qualquer dia sou despedida.
Adenda 1: Três horas e meia depois... Nada. É boicote.
Adenda 2: Seis horas depois... Quanto é que te pagam para escreveres no Pulo do Lobo, maradona?
Adenda não há 2 sem 3: Seis horas e alguns minutos depois... Macacos me mordam se não sou intuitiva. Hoje à tarde, quando fiz este poste, ainda não sabia que o Jorge Madeira tinha aderido à causa blogo-cavaquista (com minúscula).
posted by sara at 17:32
... e quantos dias é que faltam para actualizares o meu linque - estou viciada nas Novas Ortografias - aí na tua chafarica?
Adendinha: Não me ligas nenhuma, pá.
posted by sara at 17:28
Tenho um mega linque(!) no Super Mário e portanto sinto a obrigação moral de dizer qualquer coisa significativa sobre as presidenciais (escreve-se com maiúscula?). Então aqui vai: se eu tivesse um blogue anti-Cavaco chamar-lhe-ia O Homem Que Engoliu Um Cabide Mas Que Raramente Se Engasga. Consta que o nome Vivenda Mariani já está tomado.
posted by sara at 14:13
Gosto de ouvir o que vai passando no What Do You Represent (e o google indicou-me este site, onde dá para ouvir quatro faixas de um outro disco, Zoomer, de 2002).
posted by sara at 13:35
Gosto de ouvir o que vai passando no Mood Swing ("canastrões" incluídos, mas também ainda não consegui perceber onde fica o Clube Lua).
posted by sara at 13:32
Nunca pensei em ser escritora, mas sempre gostei de fazer testes de escolha múltipla (há mais aqui). Por isso, submeti-me ao que o JPG transcreveu do Jornal de Letras, publicado no início dos anos 80. Estava tudo a correr muito bem, mas quando cheguei à parte de fazer corresponder respostas e cotações, não percebi como fazê-lo, o que me leva desde logo a concluir que devo ser muito pouco dotada. Não sei se isso se deve ao facto de eu ter mais frio nos pés (pergunta 1), de que para mim a aventura é ser detective privado em São Francisco (pergunta 14), de achar que a mais bela declaração de amor é «Faz-me um filho» (pergunta 20) ou de que eu gostava de lhe atirar à cara uma luva (pergunta 23). Também daria uma festa na tasca da esquina (pergunta 24). Seja como for, somei as letras das minhas respostas da maneira mais simples e obtive o seguinte resultado, quanto ao Género Literário: «Reflectido (B e E dominantes) - Facilmente obcecado pelo porquê e o como das coisas. Muitas vezes esteta, algumas vezes snob. De Bernard-Henry Lévy a Voltaire; mas também Breton, Faulkner, Freud, Gide, Proust, Rimbaud, Yourcenar.» Não percebo o como, nem o porquê deste resultado.
posted by sara at 17:32
A Vieira do Mar explicou pormenorizadamente o processo através do qual, em linguagem corrente, se podem pôr a tocar no blogue as músicas que temos no computador, coisa que sempre desejei fazer. Seguindo atentamente as instruções e chegando à parte mais complicada (fazer os uploads), saltei directamente para o passo: "ligar para a assistência do serviço de Internet", no meu caso a Netcabo. Tive a sorte de ser atendida num sábado à tarde por um "carola" simpático e sobretudo muito prático. Num minuto explicou-me o que fazer: abrir o Internet Explorer (ou outro browser qualquer) e escrever ftp://xxxxxxxxxx@pwp.netcabo.pt/, sendo que o xxx... é o número de cliente. Enter. Aparece uma janela com aspecto de pasta e depois arrasta-se para aí o ficheiro de música desejado. O upload é feito automaticamente. A seguir copiar o URL do ficheiro para o espaço entre aspas de um código HTML, que se pode colocar no template ou num post, e o resultado final vai ser este:
posted by sara at 17:18
where does an animal sleep when the ground is wet?
cows in the ballroom, chickens in the farmer's corvette.
sometimes a pony x3 gets depressed!
how does an animal see once the sun has set?
bandits in the capital. limited civilian unrest.
sometimes a pony x3 gets depressed!
what kind of animal needs to smoke a cigarette?
grass in the pasture is sharper than a bayonet.
sometimes a pony x3 gets depressed!
"happiness won't leave me alone!" sings the bird in his nest.
"get a load of this fucking view, it's the best in the west!"
sometimes a pony x3 gets depressed!
Silver Jews, Tanglewood Numbers, Nashville, Tennessee
posted by sara at 15:23

Over and Over Again (Lost & Found)
*Sugestão NCS, uma belíssima capa, imagem roubada ao QF.
posted by sara at 15:24

Queríamos uma coisa ligeira. A escolha acabou por recair em Anthony Zimmer, um thriller francês, de realizador desconhecido, com um argumento que me surpreendeu e Sophie Marceau, que é linda de todos os ângulos. Acertámos na mouche.
posted by sara at 00:47
«Passava a vida a limpar a sua imagem. Até que, um dia, sem querer, apagou-a.»
posted by Melancómico
posted by sara at 18:12

Marvin Gaye & Tammi Terrell
Ain't No Mountain High Enough (1967)
posted by sara at 17:33
Trata-se de imaginar como várias personagens responderiam à pergunta "Como vai?" Inicialmente, o jogo foi realizado com (...) Depois reciclei as sugestões à minha maneira.
- Édipo: «A mãe é feliz.»
- Dâmocles: «Poderia ser pior.»
- Ulisses: «Não respondo, pode tirar o seu cavalinho da chuva.»
- Pitágoras: «Dá tudo certo.»
- Sócrates: «Não sei.»
- Platão: «Idealmente.»
- Aristóteles: «Sinto-me em forma.»
- Epicuro: «Estou mal-disposto.»
- Onan: «Contento-me.»
- Joana d'Arc: «Está calor.»
- Nostradamus: «Quando?»
- Henrique VIII: «Eu bem, a minha mulher é que...»
- Vivaldi: «Conforme as estações.»
- Newton: «Regularmente.»
- Robespierre: «Estou sem cabeça para isto.»
- Sade: «Eu, tudo bem.»
- D'Alembert e Diderot: «Não se pode dizer em duas palavras.»
- Kant: «Situação crítica.»
- Hegel: «Em síntese, bem.»
- Marx: «Irá melhor.»
- Darwin: «Uma pessoa adapta-se.»
- Proust: «Vamos dar tempo ao tempo.»
- Kafka: «Sinto-me um verme.»
- Madame Curie: «Sinto-me radiante.»
- Freud: «Diga o senhor.»
- Popper: «Prove que vou mal.»
- Camus: «Uma peste.»
- Judas: «Com um sorriso nos lábios.»
- Jerónimo Bosch: «Mas que diabo quer?»
- Ghandi: «O apetite não falta.»
- Agatha Christie: «Adivinhe.»
- Einstein: «Relativamente a quem?»
(...)
Umberto Eco, O segundo diário mínimo, Difel, 1993, pp. 336-339
posted by sara at 17:25
«Não fazia ideia que tinha havido outra vez dança de blogs. Gosto do nome. Não gostava do anterior. Beijo»
posted by sara at 16:36

Goste-se ou não, ninguém pode negar que Madonna sabe muito bem o que faz. Rodeia-se dos melhores produtores de música (dançável), já para não falar da estética, e normalmente não falha nas suas opções. O último single, Hung Up (está a tocar no Controversa Maresia), como quase sempre, dá logo vontade de abanar a anca, sobretudo pelo tom disco, a que não será alheia a utilização de um (ou será uma?) sample dos clássicos Abba, da música Gimme Gimme Gimme. Lembrei-me entretanto do DJ francês Mirwais, que se não me engano já produziu dois discos de Madonna e que também participou na banda sonora de Snatch (2001), filme realizado pelo marido dela, Guy Ritchie, com interpretações de Brad Pitt e Benicio Del Toro (suspiro), entre outros. Acho que o meu tema preferido dessa banda sonora - o Lucky Star de Madonna não conta, porque eu já o conhecia de ginjeira - é precisamente Disco Science, de Mirwais (totalmente "instrumental"). E o que tem de especial esta música - para além das chicotadas virtuais? Nada mais nada menos do que um (ou será uma? - talvez algum dos Quase Famosos me possa tirar esta dúvida existencial) sample de Cannonball, das Breeders, banda alternativa da queridíssima Kim Deal (Pixies). Ideal para um pézinho de dança num infernal sábado à noite, mas também serve para ouvir no carro, numa 3ªfeira à tarde, a caminho das aulas.
Disco Science, Mirwais
posted by sara at 16:43
(no secretariado)
- Boa tarde. Queria fazer a inscrição nas cadeiras optati...
- Adoro a sua mala.
posted by sara at 20:37
«(...) A razão da existência de um Ministério da Cultura está para além da mera distribuição de apoios às artes.
Está em primeiro lugar na capacidade de entender e fazer entender a criatividade, as suas novas formas e as suas indústrias e estimulá-la para além dos quadros tradicionais em que se colocam as artes e os artistas. Está em segundo lugar na capacidade de fazer entender que a cultura que se supõe que o Ministério cuide ultrapassa hoje o campo restrito das artes e atravessa e é atravessado pelas práticas e conhecimentos que decorrem das evoluções científicas e tecnológicas e que sofre as consequências de uma economia que assenta na disputa de espaços de comunicação.
(...) e ao contrário do que muitos afirmam desconsiderando a política na vida cultural, ela nunca foi tão fundamental porque em Portugal, como aliás em toda a Europa de hoje, as políticas para a cultura afectam, de um modo decisivo, a vida em geral dos cidadãos.»
António Pinto Ribeiro, Da vida em geral e da política em particular, no PÚBLICO de hoje.
Não é por trabalhar actualmente em alguns projectos com APR que me identifico com as suas opiniões, mas sim o contrário. É por esta e por outras que gosto de trabalhar com ele. [Só não me conformo que poupe tanto nas vírgulas, mas também admito que eu, muitas vezes quando escrevinho, possa pecar por excesso.]
posted by sara at 11:54
[para a Charlotte]
Marcel Proust
Vou contar sem nenhum véu
o que a Proust aconteceu
que era um velho cataplasma
oprimido pela asma
com a vida vigiada
por uma velha criada.
Mas um dia enquanto à tardinha
chá bebendo se entretinha,
sentiu na boca um gosto arcano,
indizível, sobre-humano,
como se em casa não estivesse,
fraco e opresso pela tosse,
mas de repente, bem se vê,
se encontrasse já em Combray,
quando às saias agarradinho
da avó e da mãezinha
adormecia o coitadinho
depois do último beijinho
(que esperava perturbado,
com o coração alterado,
como se fosse aquele gentil
beijo como um Perequil).
Preso na calha morta
da lembrança, com a torta
ainda de tília embebida
na garganta, de seguida,
o Marcelo de repente
um programa viu à sua frente
e decidiu sem hesitar
seu refúgio procurar
das asperezas do presente
numa acção progrediente
de procura do passado
já perdido e reencontrado
por magia extraordinária
de memória involuntária.
E voltou sem hesitar
os Campos Elísios a recordar,
quando alegre ao livre ar
com Gilberta ia brincar -
que traiu, que triste fim,
com a gótica Albertina,
maliciosa campesina
que de bicicleta vinha.
E muito, a bem dizer,
na praia teve que fazer,
e alcançou por fim o clou
ao conhecer Saint-Loup.
Revivia em seu coração
de Verdurim o salão,
onde ele se armava em fã
daquele dandy de Swan
(que muito foi falado
por com Odette ter casado
que era sim uma concubina
mas de classe superfina...)
e com muita discrição
de Charlus a perversão
tolerou com o fim insano
de parecer mais mundano,
filiado na camorra
de Sodoma e Gomorra.
Finalmente cumpre o voto
e acede, pio e devoto,
ao santuário assaz charmant
onde oficiam os Guermantes.
Mas apenas isso contar
claro que não vos põe a par
do sentido substancial
dessa viagem temporal
que Marcel soube encarar
em medida tão exemplar.
Ler sem ser interrompido
esse romance desmedido
eu garanto, e é sabido,
que não é tempo perdido.
Umberto Eco, O segundo diário mínimo, Difel, 1993, pp. 290-292
posted by sara at 19:38
Hoje acordei cedinho, bem disposta, penteado novo («Vou-lhe abrir o olhar», disse a cabeleireira com a tesoura apontada à minha franja, que me andava a causar um problema sério de visibilidade), já tinha a reunião da manhã preparadinha, uma série de posts giros para fazer (a cores e tudo), e ontem à tarde tive uma surpresa tão boa (só espero estar à altura do simpático convite com sotaque açoreano). Ainda tive tempo de ler o jornal e ir à mercearia comprar espinafres para fazer uma sopa saborosa e estou convencida que não engordei, mesmo depois de ter comido duas fatias de bolo de chocolate obscenamente grandes na semana passada. Portanto, estava tudo a correr sobre rodas.
Eis senão quando... Alegre e contente a conduzir a minha viatura, ao som de Les Rythmes Digitales, um polícia manda-me encostar. Primeira constatação: este palhaço vai-me fazer chegar atrasada à reunião. Segunda constatação, depois dele me pedir os documentos: será que este tipo não tem mais nada para fazer? De certeza que naquele preciso momento estaria alguém a assaltar uma loja ou a cometer um atentado ao pudor pelas redondezas. «A validade da inspecção expirou em Outubro», disse ele com ar grave, ostentando um bigode hirto, e sobretudo ridículo. «Vai ser autuada em 250 euros.» Ai. «Como?! Senhor Guarda... Eu sou humana, distraída, seja compreensivo, esse bigode fica-lhe tão bem...» Resposta: «Pode pagar em dinheiro, cheque ou multibanco. Já chamámos uma viatura com essa funcionalidade. Se não pagar agora, apreendo-lhe a carta, que só será devolvida quando efectuar o pagamento.» #%/YH#"#$%&/, pensei eu. Que remédio, tive de pagar. Mas não sem antes lhe ter agradecido ter-me estragado o dia, e espero que esteja satisfeito com a sua boa acção, e que bela maneira esta de desperdiçar os recursos do estado, gastando o dinheiro dos contribuintes a chamar viaturas da polícia com um terminal de multibanco, espero que lhe sejam retiradas todas as regalias na reforma, que arda no inferno e por aí em diante. É claro que, à luz da lei, a razão estava do lado dele. Mas caramba! CINQUENTA CONTOS devido a uma distracçãozita, não fiz mal a ninguém... Agora estou infeliz a pensar onde vou ter de cortar nas despesas nos próximos tempos para equilibrar umas contas que já não estavam muito equilibradas. Lá se vai o arranjo do bate-chapas por causa daquela amolgadel... err... Não interessa.
De volta a casa, encontrei pelo caminho a Joana Amaral Dias num cruzamento. Quer dizer, se calhar não era ela. Podia ser aquela sósia que é mandatária da juventude daquele senhor, ai, como é que ele se chama? Um senhor assim com uma certa idade, idade para ter juízo, que já fez o que tinha a fazer na vida política portuguesa, protagonismo quanto baste, e agora arrisca-se a passar a humilhação da vida dele. Chorará as suas mágoas bebendo trinaranjus com os seus netinhos, que devem ser mais velhos do que eu. São rosas, senhor.
Vai daí, fui ao frescos, à procura de algo que me animasse. Via Bomba Inteligente, cheguei à Mal Amada. Fartei-me de rir, mas não é um blogue aconselhado aos mais impressionáveis. Para recuperar a minha boa disposição, que ficou encolhida numa esquina, algures na Av. da Liberdade, bom mesmo seria aparecer no destaque do Bomba Inteligente (cliquem muito, por favor, senão ela não repara), ao pé da Mal Amada. Afinal, tenho algumas afinidades com a Ma, nem que seja o facto de ambas possuirmos um aparelho reprodutor feminino. Por outro lado, duvido muito que ela fosse tão descuidada (ou idiota, conforme a perspectiva) ao ponto de deixar, como eu fiz, que lhe roubassem o ex-URL, onde agora está alojado um pseudo-blogue chamado "Mega Cock Cravers" (que coisa linda), sem que eu tenha grandes hipóteses de reencaminhar para aqui algumas pessoas que gostam de ler os meus dislates (ainda deixei lá um comentário, coisa que não serve de muito). Mas enfim, ninguém tem culpa que o meu carro ande ilegal por essa cidade fora, a não ser eu própria, como é evidente.
Agora pareço uma metralhadora, a teclar duzentos caracteres por segundo. Desculpem, mas tinha de desabafar. Ai. 50 contos. O segurança do Instituto ainda foi simpático, como sempre. Tendo assistido à cena toda que envolveu o agente da autoridade, ofereceu-se para me estacionar o carro e pagou-me o parquímetro. Quando quis reembolsá-lo, recusou. «Sôtoura, deixe lá. Hoje já gastou tanto dinheiro...» Engraçadinho.
Entretanto, os periquitos do vizinho estão-me a infernizar a cabeça. Acho que vou ali partir um prato para soltar a minha raiva. Não, talvez seja má ideia. Já seriam 50 contos, mais uns trocos. Preciso de poupar. Em vez disso, vou mas é respirar fundo e enfrentar isto como uma mulherzinha, que é como diz, marcar a inspecção do carro. Ai.
Mas ainda não é tudo! Acabo de ler um curriculum, de onde consta na secção "Actividades Cívicas" que o dito cujo «foi Administrador de Condomínio na Rua X, entre 2001 e 2002». Merecia ser autuado. Meu deus, que mais me irá acontecer?
Uns minutos depois... leio uma resposta possível: o Blogue de Esquerda vai acabar no final deste mês.
posted by sara at 13:42

Espace Naturelle (2000), Gao Xingjian
«The music - Bach, Messiaen, Kodaly, Reich, jazz or Chinese folk music - is necessary, listened to repetitively for as long as needed, for several days, he says, before the painting begins to appear.»
Inward Gaze, Asian Art News, May/June 2005
posted by sara at 01:19
Há bloggers a escrever com muita graça e engenho sobre música. Por exemplo, no Pitau Raia.
posted by sara at 01:05
A minha mãe diz que Cavaco Silva parece ter engolido um cabide.
posted by sara at 12:07
«Afinal, a areia movediça não engole pessoas»
(Público, 08.10.05)
O título dizia tudo.
posted by sara at 12:53
Em vez de cadernos e lápis novos, um computador portátil.
posted by sara at 15:38
No primeiro dia houve uma professora que citou o(s) Gato(s) Fedorento(s).
posted by sara at 15:33
- O que é que queres para o Natal?
- Um projecto de tese...
posted by sara at 15:30
O meu trabalho de tradução e legendagem de filmes para o doclisboa já acabou. Mas não consigo largar as listas de diálogos (no original) de Ross McElwee. Leio e releio. Quando Ross era muito novo queria ser escritor. Depois começou a interessar-se por cinema, e pelo género documentário em particular. O cinema verité no entanto não o satisfazia. Sentia que faltava qualquer coisa. Filmar "a realidade" sem qualquer intervenção do realizador parecia-lhe estranho. Por isso, começou a fazer exercícios auto-biográficos em que ia revelando o que pensava enquanto filmava. Foi aí que encontrou a sua voz e é por isso que os filmes dele me parecem tão originais e extraordinários. Porque consegue falar dele sem ser chato, com uma auto-ironia deliciosa, ao mesmo tempo que se debate eloquentemente com questões metafísicas comuns. Profundo, mas muito simples e despretensioso.
Sherman's March foi um dos documentários mais vistos nos Estados Unidos, nos anos 80, antes da "era Michael Moore" - com quem Ross, apesar de tudo, não se identifica nem um bocadinho. Neste filme ele parte num périplo pelo Sul, seguindo o rasto de destruição que o general Sherman deixou para trás durante a Guerra Civil Americana. Simultaneamente parte em busca da mulher ideal por quem se apaixonar. Encontra uma linguista, uma aspirante a actriz, uma militante anti-nuclear e outras. É claro que não é exactamente a vida de Ross que ali vai sendo exposta. Ele cria uma persona baseada em si mesmo, é quase uma caricatura do homem que vive através da câmara.
It's a little like looking into a mirror and trying to see what you look like when you're not really looking at your own reflection.
Depois, vai buscar "home movies" da infância dele e outros que ele próprio foi fazendo sem nenhum objectivo específico. Aproveita na montagem muitos excertos, chega a usar os mesmos de filme para filme, dando-lhe novos significados. Há também uma série de "personagens" recorrentes no seu trabalho, pessoas que lhe são próximas como o pai, a mulher, o filho - estes dois últimos nos filmes mais recentes. A minha preferida é Charleen, uma amiga de Ross de longa data, que foi professora dele na escola secundária, em Charlotte, de que ambos são naturais. Charleen é uma força da natureza, hiper-enérgica, muito divertida, mas que também revela por vezes uma sensatez desconcertante. Não resisto a transcrever mais um excerto de Sherman's March em que Charleen está a tentar impingir uma amiga a Ross, que vai filmando tudo enquanto conversa com os seus interlocutores "escondido" por trás da câmara.
Restaurant;
Charleen: I am bored with your singleness. It is a bore for you to get to middle age and be lonely.
Ross: Well, I've made attempts at correcting that situation.
Charleen: That's the other thing that's boring - failure! You have been insufficient in this quest, so I have to take over. (...)
Meeting Deedee;
Charleen: Now look at him for the first time.
Ross: Hello, Deedee. I'm glad to meet you.
Deedee: I'm glad to meet you too.
Ross: Charleen has, to say the least, said a lot about you.
Deedee: And about you.
Charleen: Would you stop!
Ross: Don't touch the lens!
Charleen: I can't help but touch it. This is important. This is not art, this is life! (...)
Porch;
Charleen: What happened with Deedee last night?
Ross: Charleen, did you know that she's a Mormon?
Charleen: Well, I didn't know it at first.(...)
Ross: I don't see why you thought we had that much in common. We're actually very different people. She intends to marry someone who can bring the priesthood into her house.
Charleen: Who can bring the priesthood into her house...? Ross, I counted on you about that. I figured that even though Deedee's a Mormon, that the moment she saw you, she'd realize that religion was just a stall for time.
Ross: No, she's very serious about her religion.
Charleen: She's only serious about her religion because she's not in love. If she would fall in love with you, it would be different. Ross, you blew it with Deedee, but while you were gone to Atlanta, I found a girl who's better than Deedee. I found a wonderful girl. She looks like the angel on the top of the Christmas tree. She's absolutely perfectly beautiful. She's not a Mormon; in fact, she sleeps around! I can't wait for you to meet her...
Voice-over;
Ross: I decided to leave Charleston before I get into more trouble with Charleen's ideas of marriage brokerage. (...)
E por aí fora. No meio disto tudo, Ross aborda também os tiques e manias do Sul dos Estados Unidos, e não só. A relação entre negros e brancos também é um dos tópicos recorrentes. Enfim, gostava de fazer mil posts sobre o trabalho dele, mas não pode ser, até porque os filmes são para ser vistos e não lidos.
Thank you, Ross. It was such a pleasure. Keep up the good work and give my regards to Charleen.
posted by sara at 13:43
MAP WITH HISTORICAL NARRATION; VOICE-OVER (VO):
In 1864, during the American Civil War, Union general William T. Sherman began his famous "March to the sea". With an army of 60,000 men, he swept into the South destroying Atlanta, Georgia, Columbia, South Carolina, and dozens of smaller towns. His troops plundered homes, destroyed livestock, burned buildings, and left a path of destruction 60 miles wide and 700 miles long before finally forcing a Confederate surrender in North Carolina. Sherman's military campaign marked the first time in modern history that total warfare had been waged on a primarily civilian population, and traces of the scars he left on the South can still be found.
ROSS McELWEE; VO:
«Do you want to do it once more?»
HISTORICAL NARRATOR:
«Do it again. Yes.»
FILMMAKER PACING IN EMPTY ROOM; VO:
Two years ago, I was about to shoot a documentary film on the lingering effects of Sherman's March on the South. I'm from the South and all through my boyhood I heard stories about how Sherman had devastated the South. My aunt even keeps a sofa in her attic which is punctured by sword holes put there by Sherman's soldiers as they searched for hidden valuables.
She says she'll never allow the holes to be sewn up. Anyway, I'd gotten a grant to make my film and I stopped off in New York from Boston where I live to stay for a few days with the woman I'd be seeing. But when I arrived, she told me she'd just decided to go back to her former boyfriend. We argued and then I left and went to stay alone in a friend's studio loft, which happened to be vacant at the time.
Finally, I headed South to see my family, and to try to begin my film. (...)
Excerto inicial do filme SHERMAN'S MARCH: A MEDITATION ON THE POSSIBILITY OF ROMANTIC LOVE IN THE SOUTH DURING AN ERA OF NUCLEAR WEAPONS PROLIFERATION, de Ross McElwee, 1985.
posted by sara at 00:41
Bright Leaves (2003), Filmmaker Ross McElwee on location in North Carolina tobacco field
No doclisboa (e também, descobri agora, no MoMA).
posted by sara at 22:43