terça-feira

Pandora, say bye

Há caixinhas que devem permanecer fechadas. Não lhes queremos ver o fundo.

Confession of faith

(...)
- Someone's died, after all!
- You know, Betty, actually, no one has died... Actually died.
- Well, if no one has died, that must mean it's you. [pause] But if you feel like you're going to die, I'd rather be with you. No question. [pause] In fact, I'm flattered to be here. When I died, there was no one there. I had to go through the whole thing on my own. [pause] Ok, I did, but a bit company won't hurt.
- Perhaps I should be getting back...
- [Betty opens a beer; gives it to Claire] So, in principle, if you´re serious, you have a program the day you die. [Betty opens a beer for herself] Having a laugh with dickheads... We did that last night. [Betty laughs] Then comes going to tell someone something, something you're dead set on, good or bad, something you've never said. 'Cause on the day you die, you have total freedom of speech. In principle...
- I met a man. Not like me, I don't know how to use my energy, but he does. He's really determined. And then one day, he found out how to turn it against me. Just like that, he took back everything he'd given me. That's what he wanted, I think. To screw everything up. [takes a sip] And it worked. Between the two of us, it worked.
- Oh yeah...
- What was it, the day you died?
- It's in the past... It's behind me now. [laughs] There's no more to say about it. [laughs] Thank God... [Betty and Claire laugh and take a sip of beer]

You shouldn't take it so literally

Quando a atenção que se dispensa é evidente, a ligação torna-se desnecessária. Same as it ever was.

Mind the gap

As pessoas que tomam desejo por solidão estão a tentar enganar-se a elas próprias e, pior ainda, estão a tentar enganar os outros. Shame on you.

Blogues, letra T

Trento na Língua, starring Miguel Marujo, Samuel Úria e Tiago Cavaco (este já nem leva linque senão entupo-lhe o technorati), entre outros escribas.

Diário de Sarita

O meu portátil pesa toneladas. É absurdo, eu sei, mas quando o comprei tive mais olhos que costas. Para além disso, estou farta de pagar contas de internet excessivas, porque ultrapasso sempre os limites de tráfego, nacional, internacional e o raio que os parta. Como também estou farta de desembolsar €22,49 por mês por uma TVcabo que practicamente está sempre desligada, desconfio que o bichinho pesadão (mas muito querido!) vai passar a dormir fora de casa nos dias úteis, e que em substituição passo a fazer zapping frenético à noite, quando não tiver melhor programa. Assim, poderei andar formosa, segura e ligeira, de metropolitano. Hoje não fui afectada pela greve, mas na próxima semana (dias 7 e 9 de Novembro) terei de pegar no carro e de me meter no trânsito infernal. Aos fins-de-semana havemos de matar saudades. E amanhã é feriado, bebé, não chores.

Apercebi-me de que estou pertíssimo da minha antiga escola, onde andei durante... deixa cá ver... 5º, 6º, 7º... sete anos. Um dia destes à hora de almoço vou fazer uma visitinha aos Jesuítas. Será que ainda se lembram de mim? Espero que me deixem entrar.

segunda-feira



Não me incomoda nada que me chamem "Sarita", acho graça. Mas "Sarita Montiel" foi novidade.

Resoluções para esta semana

Mergulhar de cabeça no novo trabalho e cortar a franja, senão vai ser difícil ver o que ando a fazer. E já chega de posts.

Na cauda da Europa (I)

"As betinhas de Paris têm muito mais pinta que as de Lisboa. Enquanto que as meninas típicas de Lisboa têm todas o cabelo cor châtaigne, colete-agasalho preto, camisola verde, branca ou azul de gola-alta, calças de ganga azuis claras e os sapatos-botas pretos de sola grossa para ganhar centímetros, as francesinhas têm o cabelo escuro lisinho, camisola de cachemira cinzenta clara, calças de ganga escuras muito fininhas e as inevitáveis sabrinas, ou sapatinhos de bailarina (pretos, cor-de-rosa, prateados). São todas branquinhas de pele, olhos claros e magrinhas, notando-se uma preocupação subtil com um toque de maquilhagem que acentue a sua inocência-chique com uma ponta de rebeldia clássica. São petites e gostam de o mostrar." (Francisco Valente, n'O Acossado)

Por falar em sabrinas...


(ilustração de Milo Manara)

... que é feito da Salerno?

Na cauda da Europa (II)

"Ainda Paris, ainda as mulheres. Talvez seja ainda dos restos de uma timidez adolescente, ou do meio social lisboeta em que, geralmente, as namoradas não começam por estar ao mesmo nível que os amigos. São as namoradas e pronto. Não há muito interesse para além disso, e as próprias senhoras solteiras preferem ignorar a conversar. Por isso, depois de uma pequena saída ao Piano Vache com cerca de dez pessoas, uma miúda bem gira, do nada, resolve interessar-se pela minha vida, e já na despedida, pergunta-me se estou em Paris définitivement e se nos vamos ver outra vez. Em Lisboa, uma miúda que fizesse algo parecido estar-se-ia a atirar descaradamente a um homem. Mas aqui, somos todos livres e iguais. Para um atrasadinho cultural como eu, vindo de onde venho, parece que se vive, nesta cidade, em flirt permanente. Peut-être, mais pas vraiment." (Francisco Valente, n'O Acossado)

Banda sonora

No filme de Sofia Coppola, "Marie Antoinette", o aspecto que me parece menos importante é a alegada falta de rigor histórico. E o mais interessante, o anacronismo musical.

O mais importante, embora por comparação menos interessante, é o rigor com que se conta a história (com minúscula). Mas aqui, acho que já não estou a falar de cinema.

Liberdade, igualdade, fraternidade e …

As pessoas que costumam visitar o meu blogue sabem que não costumo escrever "foda-se", uma palavra com grande impacto, tanto sonoro como visual. Só que um "palavrão" às vezes é preciso. Reorganiza as coisas. Me liberta.

Da infidelidade (out of the blue)

A dignidade de uns acaba na alcova de outros.

Sustentabilidade estética

- Tem preferência pela cor?
- Qualquer uma, menos azul-cueca.

Poesia no sitemeter

Houve alguém que veio parar ao meu blogue através do google em busca de "acessórios dias felizes".

Black is beautiful

Quando li isto, lembrei-me de Elis Regina. Há uns anos ofereceram-me a coletânea de música brasileira Samba Soul 70! (o ponto de exclamação faz parte), editada na Bélgica. É de lá que conheço a canção. Ontem encontrei o Luís e falei-lhe no "Bicho do Mato". Ele perguntou-me onde é que se podia ouvir. Ora, um blogue também serve para isto.

Rapaz(es)


Manuel Mesquita, foto(s) de rodagem Nuno Faria

A curta-metragem de João Nicolau ainda pode ser vista esta semana, na sala 2 do King. E se não digo mais nada sobre este filme é, sobretudo, por pudor.

Eu-femismo (intentional error)

"Huh? There are blogs, and then there's whatever you just typed in. If it's a blog, we don't know about it. Maybe you made a typo. Or maybe it's a blog that doesn't exist. Maybe you don't exist. (In which case, please ignore this.)"

O Technorati no outro dia saiu-se(-me) com esta. Tentei ignorá-lo. Não consegui. Talvez eu exista.

Blogues, letra V

O Voz do Deserto é o meu preferido. E o Vício de Forma... enfim.

Dos Faíscas aos Corpo Diplomático

Pedro Ayres Magalhães tem um lugar de honra no meu ranking de "panque-rockers" mais giros de sempre. À saída da Culturgest, depois de ver o documentário "Brava Dança" na última terça-feira, quando o apanhei a olhar na minha direcção (mas não para mim), não foi possível evitar esboçar-lhe um sorriso. E ele, gentilmente, retribuiu. Madre de Dios, ganhei a noite.

terça-feira

Arquivos



Hoje, no doclisboa, às 21h. Tem blogue.

YES, pardon my french

Discutir o aborto, discutir o aborto... Já não há paciência, foda-se. (Salvo seja, que daí ainda pode resultar uma gravidez indesejada.)

A outra pessoa

- Engravidou.
- De quem?

Curta

Era tão imaturo que nunca passou de espermatozóide.

Quase cristã

Uma bofetada. Devo fingir que sim, que dói: é caridade. Depois, em vez de dar a outra face, viro costas. Mas não fico à espera do açoite, tenho mais que fazer. I'm really not into S&M.

Hiper-realismo

Em Fevereiro de 2003, lia-se no Público:

"(...)fazem sempre a Chéreau perguntas sobre teatro ou pintura. Os corpos nus são uma referência às representações pictóricas da figura de Cristo? - é uma das que mais se têm ouvido. Ele reafirma que quer fugir disso como o diabo da cruz e mergulhar na realidade.(...)"

As (mais belas) cenas de sexo

Patrice Chéreau é francês e filmou Intimacy (cf. fotograma) em Londres, com actores (de teatro) ingleses. Um casamento feliz.

quinta-feira

Shakespeare's underground


»»» Mark Rylance

terça-feira

Global doubt

Na Wikipedia consta que: «(...)[Homi K.] Bhabha has been criticized for using "indecipherable jargon" and dense prose.(...)» Não confirmo nem desminto, porque nunca li nada que ele tenha publicado. Mas fui ouvi-lo ao final da tarde da última quinta-feira na conferência inaugural d'O Estado do Mundo e achei que, para além de ser um bom orador e de ter sentido de humor, foi bastante claro na sua exposição. Posso dizer, de forma resumida e parcial, que falou na necessidade de revisão do conceito de "minorias", da importância (hoje mais do que nunca) da "interlocução" na negociação de interesses e de identidades, do direito à narrativa "and to be heard", e de uma outra ideia-chave (sua): a ambivalência(...). Citou Ian McEwan, leu um excerto do poema September 1, 1939 de W.H. Auden, e um outro retirado de An Atlas of the Difficult World (1993) de uma autora que desconheço, Adrienne Rich. E deixou-me a pensar na dicotomia(?) "Technological Connectivity" vs "Cultural Connection".

Uma espécie de terrorismo


Zerkalo, 1974

"Tarkovsky é provavelmente o meu realizador preferido. Gosto de todos os seus filmes, mas O Espelho é o meu favorito. Acho que é o seu filme mais pessoal; está lá quase tudo. Nunca vi um filme do Tarkovsky numa sala de cinema. E isso é uma espécie de terrorismo de que não te sei falar. Este país praticamente não existe fora de Lisboa." (de um email que recebi do Alexandre em Maio de 2004, a propósito de um post que eu tinha feito sobre esse mesmo filme no meu ex-blogue)

In July 1984, Andrei Tarkovsky attended a press conference in Milan where he announced to the world that he would not return to the Soviet Union. When a journalist asked him if he would be seeking political exile in Italy, Tarkovsky answered: "I'm telling you a drama. You cannot ask me bureaucratic questions. Which country? I don't know. It's like asking me in which cemetery I wish to bury my children..."

Também acho

Existem os "opinion-makers" e depois existem os "opinion-takers".

segunda-feira

Gemini-Shyamalan

"Tende a entrar numa fase de boas concretizações. No plano afectivo pode encerrar um ciclo e encontrar um novo sentido para a vida sentimental; saia, conviva e dê novas oportunidades aos outros e a si mesmo. No plano material liberte-se de pensamentos negativos, conseguirá obter bons resultados. Alguns problemas laborais e financeiros serão definitivamente ultrapassados. Cuidado com perdas de peso acentuadas." (15/10/06)

O tarô domingueiro na revista do Público ainda é das poucas coisas que se aproveitam do jornal nos dias que correm. Mas, apesar do optimismo da Maya, não acredito que as minhas habituais dificuldades em poupar dinheiro acabem tão cedo. Por outro lado, é com grande facilidade que pratico economia de palavras: A Senhora da Água é uma treta pseudo-visionária-místico-sentimentalóide. Uma seca.

Il Deserto Rosso (1964)

"(...)Os enquadramentos, os movimentos de câmara, a fotografia, são de tal maneira perfeitos que sufocam tudo o resto. O enredo é menos a narrativa do que as imagens.(...)"

Plot detail (a cores)

Só pelo porte aristocrático de Monica Vitti, a sua beleza formal e o guarda-roupa que Antonioni lhe reserva, o filme já valeria a pena. O casaco verde até aos joelhos, com que ela aparece vestida nos primeiros minutos, deixou-me logo rendida.

Re: Please stop, don't stop

Tu dici: cosa devo guardare? Io dico: come devo vivire? E la stessa cosa.

sexta-feira

Marcha numa roda gigante

Os vermes, os gatos, os carros, os prédios, a espera, os pátios, os jogos, as lutas, os brutos, as pátrias, as sombras, os vultos, os estranhos, os mártires, os dias, as horas, as praças, os copos, os olhos, a íris, os beijos, a casa, a noite e os cacos, poemas e factos, os fados sem tema, o tempo quebrado, a dor, e o dilema: no fundo do mar. Lisboa, Lisboa, Lisboa: Lisboa no fundo do mar. Um dia, quem sabe, se homens, se aves, alguém virá para te encontrar, de ruas abertas, desertas, cobertas por sombras azuis e corais, num silêncio terno, eterno, imenso, de fachadas desiguais, de náufragos dias, saudades de pedra. Quem te vir assim, esquecida no mar, irá procurar-te a vida. E se então sonhar um tempo de amor, talvez pense em nós: querida.

(Quinteto Tati, Inventário Marítimo, álbum "Exílio", 2005)

terça-feira


Jean-Antoine Watteau, Les Plaisirs du Bal (c.1717)

Commotion

O Ricardo promete grandes canções na próxima quinta-feira, para afogar as mágoas republicanas. Provavelmente, irei de sabrinas e direi salut! a toda a gente.

Liberté et égalité

A relação entre quem escreve num blogue e quem o lê parece-me justa. Os primeiros são tão exibicionistas quanto os segundos voyeur(ista)s.

domingo

Comic strip

Une négresse
Qui buvait du lait
Ah! se disait-elle,
Si je le pouvais
Tremper ma figure
Dans mon bol de lait
Je serais plus blanche
Que tous les Anglais

Un Britannique
D’vant son chocolat
Ah! se disait-il,
Et pourquoi ne pas
Tremper ma figure
Dans ce machin-là
Je serais plus noir
Qu’un noir du Kenya

Une intellectuelle
Qui buvait du thé
Ah! se disait-elle,
Si je le pouvais
Tremper ma figure
Dans ma tasse de thé
Je serais plus jaune
Qu’ les filles du Yang-Tsé

Un Américain
Qui buvait du sang
Ah! se disait-il,
Si j’avais le temps
D’ tremper ma figure
Dans mon bol de sang
Je serais plus rouge
Qu’un Mohican


(Serge Gainsbourg)

Frase aforística

As mulheres de sorriso amarelo devem ser cumprimentadas em mandarim. (HR)

Gostar de sabrinas é francofilia



N'importe quoi.

Shostakovitch

Leio no Yesterday Man que as "114 primeiras dificuldades" para pôr música no blogue foram ultrapassadas autonomamente. That's my man! - sem pedir ajuda a ninguém, e muito menos a mim. No entanto, e sem exigir dízimo, permita-me a sugestão: para colocar música (o tal código endiabrado) num post, em vez de o fazer no template, basta assinalar a opção "Stop showing HTML errors for this post", depois da primeira tentativa de publicação, e verá que a coisa funciona. Mas não me pergunte porquê, porque, obviamente, não lhe saberei responder.

[Só não me ofereço para "uploadar" mais mp3 alheios, porque a minha generosidade tem limites: 15 MB, para ser mais específica, ainda que eu os utilize até ao último byte disponível. Como tenho neste momento dois convidados (o Morrissey do Pedro Mexia e uma versão reggae-brasilófila dos Beatles para a Batukada), o espaço não dá para mais. Désolée.]

Blondie joke


(recebido por email)