sexta-feira

Good moaning!

Não acham que o Ricardo Araújo Pereira e o agente Crabtree (aquele espião inglês disfarçado de polícia que fala muito mal "francês"), da hilariante série de televisão Allô Allô, são parecidos? Não? Nem sequer vagamente?

You stupid woman...

quinta-feira

Paradigma comunicacional

Registe-se a substituição na caixinha de música - na coluna à direita, já se sabe - de Wordy Rappinghood, dos Tom Tom Club, por It Ain't What You Do, dos Fun Boy Three com as minhas queridas Bananarama a fazer coro, em 1982.

It ain't what you do it's the way that you do it
It ain't what you do it's the way that you do it
It ain't what you do it's the way that you do it
And that's what gets results

It ain't what you do it's the time that you do it
It ain't what you do it's the time that you do it
It ain't what you do it's the time that you do it
And that's what gets results

You can try hard
Don't mean a thing
Take it easy
And then your jive will swing

It ain't what you do it's the place that you do it
It ain't what you do it's the place that you do it
It ain't what you do it's the place that you do it
And that's what gets results

I thought I was smart but I soon found out
I didn't know what life was all about
But then I learnt I must confess
That life is like a game of chess


E o McLuhan também é para aqui chamado.

terça-feira

Preferia não o dizer

«A solidão é um lugar-comum.»

segunda-feira

Alguma certeza deve existir


L'Eclisse, Michelangelo Antonioni, 1962

Um mês depois de o ter visto na Cinemateca, quando menos esperava dou com esta «nota de rodapé» em Bartleby & Companhia (um livro que cita muito e que também é muito citável), de Enrique Vila-Matas, na edição portuguesa da Assírio & Alvim, de que aqui fica um excerto:

(...)Tudo isso conduziu Antonioni a pensar num filme que se chamaria O Eclipse e falaria de quando os sentimentos de um casal acabam, se eclipsam (como, por exemplo, se eclipsam os escritores que de repente abandonam a literatura) e toda a sua antiga relação se desvanece.
Como nessa altura fora anunciado um eclipse total do sol, dirigiu-se a Florença, onde viu e filmou o fenómeno e escreveu no seu diário: «Foi-se o sol. De repente, gelo. Um silêncio diferente dos outros silêncios. E uma luz diferente das outras luzes. E depois, a escuridão. Sol negro da nossa cultura. Imobilidade total. Tudo o que consigo pensar é que provavelmente durante o eclipse também os sentimentos se detenham.»
No dia em que se estreou O Eclipse disse que tinha ficado para sempre com a dúvida se deveria ter encabeçado o seu filme com estes versos de Dylan Thomas: «Alguma certeza deve existir, / se não de amar, ao menos de não amar.»(...)

Para ler o original, e outra tradução, ver Seta Despedida.

quinta-feira

História do Século XIX










Senso, Luchino Visconti, 1954

A história em Veneza, com legendas em inglês, aqui.

(...)La traccia narrativa e drammatica dell'amore fra i due personaggi venne attinta dal regista da una novella di Boito definita dallo stesso "scartafaccio segreto della Contessa Livia"; questo scritto infatti si presenta come una lunga confessione sentimentale di una nobildonna veneta, inserendosi pienamente nella tradizione romantica della narrativa diaristica o epistolare. Ora si vede come lo sforzo, rintracciabile nella lunga redazione delle sceneggiature, fosse diretto a fondere armoniosamente in una decadente atmosfera il contesto storico con la vicenda intima, che forniva non pochi spunti drammatici, e questa, come fu una delle abilità del Manzoni, lo fu anche del Visconti, il quale ha dato a ogni personaggio la giusta dimensione storica e sociale, mantenendosi coerente con le linee di quel tipo di realismo che non era stile, ma un modo artistico e culturale di affrontatre la realtà umana e sociale dandone un rappresentazione plastica.(...)

terça-feira

Cinquentenário


René Lalique (1860-1945)
França, c. 1903-1904

Duas orquídeas em chifre e uma em marfim constituem o corpo deste belo diadema enriquecido ainda por um pequeno topázio em forma de gota no centro da flor de marfim. O pente de três dentes, também em chifre, é articulado ao diadema por uma charneira em ouro.

A exótica orquídea foi uma das flores símbolo do movimento estético do final do século XIX e foi tratada pelos joalheiros do período Arte Nova com muito realismo, aqui realçado ainda pela mestria técnica de René Lalique, que baseando-se sempre na flor real consegue simultaneamente conferir a esta jóia elegância e forte sentido erótico.


Se a Fundação Calouste Gulbenkian um dia tiver vontade de se ver livre de algumas peças da sua colecção, não me importo de guardar esta, por exemplo. Percebo que possa ocupar muito espaço na instituição e prometo cuidar bem dela.

O espelho Lalique (de corpo inteiro) que a mulher de Mr. Five Percent, Nevarte, tinha no seu quarto na casa da Avenue d'Iéna, em Paris, também será bem-vindo. Não encontro nenhuma fotografia dele, mas está exposto em permanência na última sala do Museu, para quem quiser admirá-lo. O objecto, não o reflexo.

sexta-feira

Diabinho

Divertido com o meu entusiasmo nos derradeiros jogos do mundial de futebol, já que eu até questionava (ansiosamente) se o aniversariante teria marcado o jantar num sítio onde se pudesse assistir ao Brasil-França, C. sugeriu-me que escolhesse um clube, para de futuro acompanhar os campeonatos e essas coisas todas. Pensei um pouco e respondi:

- Bom, por questões hereditárias, talvez o Sporting.
- Sendo assim, então não vale a pena...

quinta-feira

Let's look at the trailer

[título em português: A Águia da Estepe]



To define Dersu Uzala as a story about an aboriginal tribesman is to describe humanity through a two-dimensional photograph. Dersu Uzala is an allegory for the environmental toll of civilization, a testament to a profound, enduring friendship, and a heartbreaking portrait of aging and obsolescence.

Vi-o há uns meses atrás no Quarteto que, apesar de todo o carisma, manifestamente já não tem condições para projectar uma obra destas (nem nenhuma outra, parece-me). Má insonorização (ouvia-se o genérico de Walk the line, a passar na sala ao lado ) e o ecrã tinha uma enorme mancha mesmo no meio (nem quero saber como foi lá parar).

É um filme muito bonito, muito comovente. Com uma "estética Mosfilm" (chamo-lhe assim porque me lembrou Tarkovsky), ou não fosse uma produção nipónico-soviética dos anos 70. Ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1976, e é nessa condição que agora vai ser exibido na Cinemateca.

quarta-feira

Capitane! Capitane!



Este post destina-se a:
i) pessoas que vivem em Lisboa ou arredores e que não têm nada (melhor) para fazer na próxima segunda-feira, 17 de Julho, entre as 15h30 e as 18h;
ii) pessoas que dedicam a sua vida à reflexão e ao engate nas salas de cinema;
iii) pessoas que vão para as bibliotecas fingir que não estão perdidas, e a quem pelo menos uma vez por dia ocorre: "como é que me fui meter nisto?", mas que ainda não desistiram de elaborar um projecto de tese apresentável;
iv) todas as outras.

(continua)

Demonstração lógica

Sem ocupação remunerada, logo aborrecida.

sexta-feira

Tudo menos um sentido proibido #2

If you don't know where you are going, any road will get you there. (Lewis Carroll)

quarta-feira

Can em Munique™


Can, I want more, a tocar "em casa", num programa de TV alemão estapafúrdio, no final dos anos 70(?)

Não estou propriamente uma pilha de nervos por causa do jogo de hoje à noite contra a França, mas daqui a umas horas não sei como vou estar. Provavelmente a fumar cigarro atrás de cigarro, alternando com imperiais.

Ontem quando entrei no supermercado vi que já tinha começado o Alemanha-Itália, transmitido em sinal aberto. Num ápice fui buscar os iogurtes, o azeite e o detergente, e corri para casa. Era mesmo o que me estava a apetecer: refastelar-me no sofá em frente à televisão e alienar-me. (Também podia ter escolhido ver um filme.) Torci imenso pela "squadra azzurra" (será que é assim que se escreve?), com a qual ainda não tinha visto nenhum jogo. (Eu e a Itália!) É a equipa que tem os jogadores mais giros, sem dúvida. (Desculpem, não consigo conter este "comentário de gaja".) Tem também uma defesa (quase) impenetrável e aqueles dois golos metidos no último minuto do prolongamento foram fantásticos. Ainda não refeita do júbilo com o primeiro, foi com muita alegria que aplaudi o segundo.

Quanto à nossa selecção... Quero mais, quero que vá à final. E aí, seja qual for o resultado, ficarei satisfeita.

P.S. Até às 19h30, estou capaz de comprar um cachecol.

terça-feira

Tudo menos um sentido proibido

Todas as sextas-feiras recebo a newsletter da loja AnAnAnA. Não procuro novidades, mas não me faço rogada se elas vierem até mim. Gosto destas missivas sobretudo pelo texto introdutório que as acompanha. Um excerto da última que chegou:

Nihilist Spasm Band, o grupo avô do noise, em declarações provocadoras: "O meu dicionário diz que música é a arte de organizar sons e que é, igualmente, uma sucessão de sons agradáveis. Ora, os nossos sons não são nem organizados nem agradáveis, e em consequência, por definição, não são música. A música poderá estar, eventualmente, no ouvido de quem escuta. Como nunca ambicionámos fazer música convencional, o facto de nunca o termos conseguido não é uma derrota, mas um sucesso. Um aspecto importante da música é a capacidade de ser reproduzida por outros executantes.(...)"

Pouco depois de ler isto, meti-me num carro e saí de Lisboa. Só na segunda-feira de manhã me apercebi que tinha havido uma falha com o servidor que a AnAnAna utiliza (ou lá o que foi que aconteceu), o que fez com que as caixas de correio electrónico de muita gente (incluindo pessoas que nem subscrevem a dita) tivessem sido bombardeadas com mensagens de erro (cerca de 300), em rede. Quando me dei conta da situação, já o problema tinha sido resolvido, mas perdi (porque quis) uma boa meia-hora a percorrer alguns mails, de pessoas ora irritadas (a pedir para serem removidas da mailing-list) ora divertidas com a situação, antes de os apagar.

Parece que a certa altura se gerou uma espécie de fórum. Havia quem falasse em "ciberdemocracia", "acontecimento histórico" e "estamos unidos ciberneticamente, irmãos", e ainda de "performance on-line". Alguém também perguntava "quem é a p*** da Ana?", logo seguido de um "viva Portugal". Elogios aos Macs, em detrimento dos PCs (a velha discussão): "A diferença entre um Mac e um PC é a mesma que vai entre um Alfa Romeo e o meu Fiat Punto." O Windows e o Linux, e mais não sei o quê. Pelo meio vejo endereços de amigas e amigos meus, a refilar. E alguém que diz: "Máquinas de escrever e pombos correio, é o que este país precisa." (Vamos aqui na mensagem número duzentos e qualquer coisa, domingo à noite.)

Depois surge isto:

EU SOU O ANJO DO DESESPERO
[Heiner Müller - Adolfo Luxúria Canibal / Miguel Pedro]

Eu sou o anjo do desespero.
Das minhas mãos distribuo a embriaguês,
a estupefacção, o esquecimento, gozo e
tormento dos corpos.
Meu discurso é o silêncio, meu canto o grito.
À sombra das minhas asas mora o terror.
Minha esperança é o último suspiro.
Minha esperança é a primeira batalha.
Eu sou a faca com que o morto arromba o seu caixão.
Eu sou aquele que será.
Meu descolar é a sublevação, meu céu o abismo de amanhã.


Há quem fale entretanto de "sentir um vazio" quando a assistência técnica resolver o problema. Outro, mais pragmático, pergunta: "E por aqui, arranja-se emprego?" Mas não faltam líricos: "Pergunto-me se haverá pessoas que vão conhecer-se por causa desta corrente de mails, quem sabe apaixonar-se e até mais tarde gerar um filho. Por favor, vão dando notícias. E se for menina, podia ser Anita." E acrescenta em post-scriptum: "Tenho de arranjar maneira de resolver este meu problema com os domingos à noite." Outro que nos escreve do Brasil e que diz estar a acompanhar com agrado esta troca de mensagens: "Continuem!" E bloggers metidos ao barulho, a deixar links directos para posts sobre o happening.

Mas a melhor mensagem foi uma das últimas. Antes alguém se havia questionado sobre qual o sentido da vida. E a resposta, enfim: "Pode ser tudo menos um sentido proibido."

AnAnAnA, por favor, quero continuar a receber a newsletter.

Words

Ouvi pela primeira vez Wordy Rappinghood (a tocar ali em cima à direita, tenho de parar de repetir isto), numa versão das Chicks on Speed, este fim-de-semana na noite algarvia(!). Entretanto deram-me a ouvir o original (1981), dos Tom Tom Club, de que gosto mais, desde já eleita (por mim) como música obrigatória em qualquer chá dançante que se preze. E para evitar misheard lyrics...

What are words worth?
What are words worth? - words

Words in papers, words in books
Words on TV, words for crooks
Words of comfort, words of peace
Words to make the fighting cease
Words to tell you what to do
Words are working hard for you
Eat your words but don't go hungry
Words have always nearly hung me

What are words worth?
What are words worth? - words

Words of nuance, words of skill
And words of romance are a thrill
Words are stupid, words are fun
Words can put you on the run

Mots pressés, mots sensés,
Mots qui disent la vérité
Mots maudits, mots mentis,
Mots qui manquent le fruit d'esprit

What are words worth?
What are words worth? - words

Words can make you pay and pay
Four-letter words I cannot say
Panty, toilet, dirty devil
Words are trouble, words are subtle
Words of anger, words of hate
Words over here, words out there
In the air and everywhere
Words of wisdom, words of strife
Words that write the book I like
Words won't find no right solution
To the planet earth's pollution
Say the right word, make a million
Words are like a certain person
Who can't say what they mean
Don't mean what they say

With a rap rap here and a rap rap there
Here a rap, there a rap
Everywhere a rap rap

Rap it up for the common good
Let us enlist the neighbourhood

It's okay, I've overstood
This is a wordy rappinghood, okay, bye.