segunda-feira

Como isto anda fraquinho de visitas...


King Kong, 1976

... primeiro "conjunto pictórico" do google.pt para o passarão Jessica Lange, com uma piscadela de olho ao Ma-Schamba, embora para mim Fay Wray (que guarda-roupa, senhores!) seja imbatível. Ou não concordasse eu com As Aranhas: «(...)o melhor cinema erótico de todos os tempos foi feito em Hollywood, entre os anos 20 e os anos 30.» Ponto de vista que o Luís desenvolve, muito bem, aqui.

domingo

Sitemetergate

O JPT sofre de radiculite, eu sofro frequentemente de ridiculite. Mantenha-se atento, que isto ainda vai fazer as primeiras páginas da imprensa internacional.

And they keep coming

Googlers from around the world:

The frame from Mulholland Drive you are looking for has never been published on this blog. I did link it, several months ago, but I've even deleted that post recently. There's no use in searching my archives because you will not find it here. I am sorry for the inconvenience.

Watts effect





For the last few weeks this is how my sitemeter looks like and now I regret to have ever made that fucking link.

sábado

Efeméride(zinha)



Quando era pequenina, por causa da franja e do cabelo curto, negro e muito liso, diziam-me que eu era parecida com "a vedeta mais popular do teatro ligeiro". Conhecia-a das performances nos "filmes antigos" e sempre lhe achei imensa graça. Faz hoje dez anos que Beatriz Costa morreu.

É irrepetível e absolutamente efémero: isso é que é fantástico, é o mistério do teatro! Não fica nada, só a memória do público, que entretanto vai morrendo...
Mário Viegas/Samuel Beckett (?)

[Citação retirada do sítio do Museu Nacional do Teatro, instalado no Palácio Monteiro-Mor, junto do maravilhoso parque com o mesmo nome (e do Museu do Traje), em Lisboa, onde comprei o postal... que aqui reproduzo sem autorização. Ops.]

quinta-feira

Em 3 segundos

«E a emoção, todos sabemos, é a chave da sedução.»

Não ter medo das palavras

Dicionário: Um dispositivo literário malévolo para impedir o crescimento da língua e para a tornar rígida e pouco flexível. Este dicionário, no entanto, é uma obra muito útil. (pág. 49)

Eu que me escudo nos dicionários injustificadamente, e que deles dependo tantas vezes para trabalhar, devia (obrigar-me a) ler esta definição todos os dias.

Efeméride

"A sombrinha que me deste. Naquele dia. (Pausa.) Aquele dia. O lago. Os nenúfares. (Olha em frente. Pausa.) Qual dia? (Pausa.) Quais nenúfares? (Longa pausa. Fecha os olhos. Campainha estridente. Abre logo os olhos. Pausa. Olha à direita.)"
[daqui]

Só conheço dois textos de Samuel Beckett: Dias Felizes e À Espera de Godot. Já não sei dizer qual dos dois vi primeiro em cena, porque foi há muito tempo. Não me lembro sequer da encenação nem dos actores (irrelevante para o caso). Mas lembro-me perfeitamente de sair do teatro a pensar que nunca tinha ouvido nada assim.

Faz hoje 100 anos que nasceu.

quarta-feira

Poinsettias


Artwork by Amanda Church

Em escuta: Mr Beast, Mogwai (2006)

Side effects

Uma das várias curtas-metragens de Jay Rosenblatt que estou a traduzir (e a legendar) tem 3 minutos e chama-se Afraid So, baseada neste poema de Jeanne Marie Beaumont:

Is it starting to rain?
Did the check bounce?
Are we out of coffee?
Is this going to hurt?
Could you lose your job?
Did the glass break?
Was the baggage misrouted?
Will this go on my record?
Are you missing much money?
Was anyone injured?
Is the traffic heavy?
Do I have to remove my clothes?
Will it leave a scar?
Must you go?
Will this be in the papers?
Is my time up already?
Are we seeing the understudy?
Will it affect my eyesight?
Did all the books burn?
Are you still smoking?
Is the bone broken?
Will I have to put him to sleep?
Was the car totaled?
Am I responsible for these charges?
Are you contagious?
Will we have to wait long?
Is the runway icy?
Was the gun loaded?
Could this cause side effects?
Do you know who betrayed you?
Is the wound infected?
Are we lost?

terça-feira

Nada a declarar

(...)

pregação acto de pregar; prédica; sermão; [pop.] repreensão; ralho

pregadeira fem. de pregador; almofadinha em que se pregam alfinetes e agulhas para não se perderem

pregado ICTIOLOGIA peixe pleuronectídeo, afim do rodovalho


(...)

Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, 8ª edição.

domingo

Cenas dos próximos capítulos



A abertura da 3ª edição do Indielisboa é a 20 de Abril.
Para mim, já começou.

When two worlds collide

B. conta-me ao jantar que a relação com o gestor não está a correr bem. Que os opostos se atraem, mas que depois é difícil conciliar formas diferentes de encarar a vida. Que ele faz uma aproximação demasiado objectiva das coisas. No outro dia perguntou-lhe: «Onde é que queres estar daqui a cinco anos?» B., um pouco atónita porque não costuma pensar nisso, deu-lhe a resposta mais simples, a que eu muito provavelmente também daria: «Quero estar feliz, com quem gosto, satisfeita com o meu trabalho, sem grandes preocupações.» Ele explica-lhe que dentro de cinco anos quer estar no país X, na cidade Y, na situação profissional Z, que tem "um projecto de vida". B. respeita esta capacidade de planeamento, mas não funciona para ela. Diz que ali não há espaço para a emotividade. E eu nem cheguei a conhecer "o gestor".

sexta-feira

Trapos & etc.

Adoro broches*, anéis - herdei jóias lindíssimas, da minha avó, que uso pouco por serem demasiado vistosas - e sapatos. Não é fácil encontrar um par que me faça o gosto: raramente me sinto confortável de saltos altos (que se dane "a elegância") e como também já sou relativamente alta, não vejo necessidade de me pôr em bicos de pés. Perco a cabeça com os acessórios mais díspares, com "malinhas" (onde parece não caber mais nada para além do B.I.), golas de lã, meias (altas), roupa com detalhes, uns mais ousados, outros que se estranham precisamente por serem incomuns - tudo coisas supérfluas. Ainda hoje, de passagem pelo Chiado, estive tentada a comprar na Sisley um vestido sem costas. Mas depois achei que me poderiam fazer falta.

*É a palavra correcta.

Questões de género

(uma pessoa acorda, toma banho e abre o armário)

"Não tenho nada para vestir."

quarta-feira

Tentação aforística

Se vieres comigo, não vais querer outra coisa.

Maria on-line

"dois é a conta que deus não fez mas na qual os homens teimam"

A mesma pessoa que me ofereceu o livro Anthologie de l'Humour Noir, pelo meu 23º aniversário, escreveu-me há pouco esta frase numa janela do "messenger", a rematar uma banal conversação. Se ela concordar, eu gostaria de a incluir.

[para o Nuno]

Desassossego surrealista



Só por curiosidade, constato que uma tradução que fiz por puro prazer pessoal continua disponível "em cache".

Concordo com o André Breton

Chère imagination, ce que j'aime surtout en toi, c'est que tu ne pardonnes pas.

domingo

Querido blogue:

Depois de vários dias de bitchin' lombar, hoje as minhas miseráveis costas deram-me algum descanso e consegui passar largas horas alheada deste desconforto contínuo, esta dorzinha irritante... Aceitei de bom grado o convite da R. para o piquenique por ocasião do 33º aniversário dela, num parque florestal de Lisboa. Petiscos rústicos e sofisticados, requeijão com doce de abóbora, bolo de chocolate com morangos, uma logística impecável. Compareceram vários jovens cineastas, duas grávidas, crianças, bebés, e outras pessoas mais dificilmente catalogáveis, como eu própria. As minhas raquetes de badmington (a que raramente dou uso) foram muito requisitadas e jogou-se à bola, coisas que os intelectuais gostam de fazer ao ar livre. Conversa witty, gargalhadas, esplendor na relva, até estou menos pálida.

Há muito tempo que não fazia um piquenique urbano. Um dos que recordo com maior felicidade, devo-o à L. na Primavera de 2000, à beira do Sena, uns dias antes de me despedir de Paris, depois dos sete meses que lá passei. A cidade foi generosa comigo e só voltei para Lisboa antes da data prevista porque... Fica para outro post. Já é meia-noite e amanhã preciso de me levantar cedo.